エピソード

  • Mostra na Cinemateca de Paris redimensiona mito de Marilyn Monroe nos 100 anos de seu nascimento
    2026/04/24
    Em 2026, quando Marilyn Monroe completaria 100 anos, a Cinemateca francesa apresenta uma exposição que revisita sua carreira, entre 1946 e 1962. Com figurinos, filmes e arquivos raros, a mostra Marilyn Monroe: 100 anos! conta como a atriz enfrentou contratos abusivos, censura e misoginia no auge de Hollywood. Morta em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, Marilyn permanece subestimada como intérprete, embora continue celebrada como mito absoluto da cultura do século 20. Na Cinematca de Paris, principal instituição de preservação do cinema na França, a exposição “Marilyn Monroe, 100 anos” propõe um reencontro com uma figura tão conhecida quanto sistematicamente mal compreendida. Longe de repetir o culto fetichista que costuma cercar a atriz, a mostra parte de uma pergunta incômoda: que tipo de estrela hollywoodiana Marilyn foi, de fato, entre 1946 e 1962, no auge do sistema de estúdios dos Estados Unidos? “Posso ser inteligente quando isso importa, mas a maioria dos homens não gosta disso.” Dita em 1953 no filme Os Homens Preferem as Loiras, a frase escrita por Anita Loos e interpretada por Marilyn funciona como senha e síntese. Ela aponta para o paradoxo central de sua trajetória: celebrada como imagem absoluta de desejo, Marilyn continuou sendo tratada como intérprete menor, mesmo quando diretores e colegas reconheciam publicamente sua inteligência e disciplina. Alfred Hitchcock, por exemplo, resumiu a visão dominante ao afirmar que ela “carregava o sexo no rosto”. Henry Hathaway, em sentido oposto, enfatizava “a inteligência de uma atriz extraordinária, que trabalha muito e quer sempre fazer melhor”. Entre esses dois polos, erguia‑se uma carreira curta, filmada em Technicolor, promovida em telas panorâmicas e atravessada por contratos leoninos. No espaço expositivo, a exuberância visual dos anos 1950 se impõe. Materiais publicitários, figurinos, fotos assinadas por Eve Arnold, Richard Avedon e Andy Warhol compõem o retrato de uma indústria que fabricava glamour ao mesmo tempo em que restringia brutalmente a autonomia de suas estrelas. A curadora Florence Tissot explica que seu ponto de partida foi “mostrar qual estrela hollywoodiana Marilyn Monroe era, e o que isso significava na prática”. "No começo, eu confesso que fiquei bem insatisfeita, porque a gente se depara com uma quantidade enorme de análises que acabam sempre voltando para a biografia dela, interpretando – ou até exagerando – a leitura da vida pessoal. No fim, dá um pouco a sensação de que a gente fica girando em círculo. Então tem também essa questão: como se posicionar diante de todos esses relatos. E depois, outra dificuldade que eu senti foi conseguir acesso aos arquivos", afirmou. Estrela de marketing antes de ser atriz A exposição começa pelas imagens de uma jovem ainda chamada Norma Jean Baker, fotografada como pin‑up enquanto trabalhava em uma fábrica ligada à indústria aeronáutica durante a Segunda Guerra. O sorriso ingênuo, o enquadramento sugestivo e os objetos de conotação claramente fálica revelam, segundo Tissot, “toda a hipocrisia dos anos 50”, quando puritanismo e erotização coexistiam sem constrangimento. Os Estados Unidos viviam a ascensão da revista Playboy e a divulgação do Relatório Kinsey sobre sexualidade feminina. Mas, ao mesmo tempo, enfrentavam o rigor do Código Hays, um conjunto de regras morais que regulou o que podia ou não aparecer nos filmes produzidos por Hollywood durante mais de três décadas. Oficialmente chamado de Motion Picture Production Code, ele entrou em vigor em 1930, mas só passou a ser aplicado com rigor a partir de 1934, quando os grandes estúdios concordaram em submeter seus filmes a uma censura prévia. Leia tambémTemporada excepcional de leilões pode tornar retrato de Marilyn obra mais cara do século 20 Nesse contexto, Marilyn tornou‑se o rosto perfeito de uma sensualidade aceitável, desejável e, paradoxalmente, domesticada. Mas o estereótipo da “loira burra” embutia uma ideia profundamente misógina: a de que beleza, desejo e inteligência não poderiam coexistir em uma mulher. A própria Marilyn denunciou isso em uma rara entrevista à NBC, em 1955, ao afirmar que “as pessoas associam as loiras, verdadeiras ou falsas, à estupidez. Não sei por quê. É uma visão muito limitada”. Ainda assim, esse rótulo estruturou boa parte de seus papéis iniciais. Trabalho, estudo e um talento subestimado Ao contrário da imagem de improviso, Marilyn estudou intensamente, antes mesmo de ingressar no famoso Actor’s Studio, em Nova York. "Na verdade, desde o começo ela já fazia aulas, por vontade própria. Estudou canto, dança, interpretação e mímica e pantomima", conta Florence Tissot. "Isso não é muito conhecido, mas é importante lembrar, sobretudo diante dessa imagem de atriz meio inconsequente que se criou em torno dela. Na prática, ela queria ser uma boa atriz – isso...
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  • 80° Festival de Avignon marca retorno de Wagner Moura ao teatro após 16 anos fora dos palcos
    2026/04/18
    Entre 4 e 25 de julho, o sul da França volta a se transformar em um dos principais epicentros das artes cênicas do mundo com a 80ª edição do Festival de Avignon, sob a direção do português Tiago Rodrigues. À frente do evento desde 2023, ele propõe um método: "fazer perguntas", "sustentar dúvidas" e "recusar respostas fáceis" num tempo de "discursos violentos". É também o retorno de Wagner Moura aos palcos, um reencontro com o teatro que acontece no maior festival do gênero no mundo. A imagem escolhida para o cartaz oficial desta edição do Festival de Avignon sintetiza a intenção de Tiago Rodrigues: um enorme ponto de interrogação. Tiago Rodrigues explica que “o questionamento foi uma forma bastante livre de nós darmos um tema a este festival, de relembrarmos o público que este festival faz muito trabalho sobre a sua história, sobre o seu arquivo, ao chegar à 80ª edição, queria estar muito concentrado também no presente e no futuro, e perguntar, agora, o que é que vamos fazer nos próximos 80 anos de festival? Essa é uma das perguntas que nos interessa”. A proposta, segundo ele, não é retrospectiva, mas prospectiva, um deslocamento do olhar para o que ainda pode ser construído. Esse gesto se desdobra na própria definição do papel do festival. Para Rodrigues, trata-se de “fazer perguntas juntos, mas fazer perguntas através da arte”, lembrando que “é isso que o festival faz há 80 edições e queríamos relembrar-nos nós, os artistas, mas também o público, que é isso que nós fazemos aqui num mundo onde estamos cheios de más respostas, poucas respostas, mas más na maioria dos casos, respostas violentas, respostas simplistas, respostas pouco informadas”. Leia tambémDezenas de igrejas se convertem em teatros na 'Cidade dos Papas' durante o Festival de Avignon Nesse contexto, o festival se coloca como espaço de fricção e elaboração coletiva, onde “queremos colocar as boas perguntas, perguntas às vezes complexas, perguntas também com prazer, perguntas com dúvida, perguntas que permitam o debate em vez de respostas que criam a violência”, já que, segundo ele, “as artes podem ter esta função e certamente um festival onde vêm pessoas do mundo inteiro e se reúnem numa cidade que dobra a sua população no momento do festival para acolher o mundo inteiro que a visita. Esse é o momento em que podemos fazer perguntas juntos”. Leia tambémWagner Moura estreia em maior encontro de artes cênicas do mundo ao lado de destaques da cena brasileira A dimensão política dessa proposta se articula também a uma reflexão sobre o acesso à cultura. Rodrigues afirma que “o acesso democrático às artes não é um exercício populista, uma flor que se põe na lapela nos dias de festa. É um trabalho quotidiano que deve permitir o acesso fácil à criação exigente, criação de grande qualidade, feita em liberdade e à qual todas e todos devem ter acesso”. E conclui: “se fosse fácil, não era um serviço público, é um serviço público, a cultura, porque não é fácil de fazer. É preciso tempo, é preciso investimento e é preciso sonhar”. É nesse cenário que a presença brasileira ganha centralidade nesta edição histórica. Entre os destaques está a diretora e dramaturga Christiane Jatahy, que retorna ao festival com um novo trabalho - Um Julgamento - Depois de O Inimigo do Povo - ao lado do ator Wagner Moura, com texto de Jatahy, Moura e Lucas Paraizo, marcando também o retorno do ator ao teatro, após 16 anos dedicados ao cinema e à televisão, período em que se tornou uma das figuras brasileiras de maior projeção internacional. Ao comentar o retorno de Jatahy ao festival, Rodrigues sublinhou a relação de longa data entre a artista e Avignon, bem como a força do novo projeto que ela apresenta ao lado de Wagner Moura. Segundo ele, “Christiane Jatahy é já uma artista muito amada pelo público do festival, muito conhecida em França, uma encenadora que também é muito conhecida do público lusófono, seja no Brasil, seja em Portugal, e que tem marcado as cenas europeias nos últimos anos com as suas adaptações do repertório”. Rodrigues destaca ainda o caráter inédito da parceria artística apresentada nesta edição: “desta vez, pela primeira vez, trabalha com Wagner Moura, que decide voltar ao teatro 16 anos depois. Ele tem vivido a sua aventura cinematográfica e televisiva e neste momento é talvez o ator brasileiro mais conhecido no mundo”. Para o diretor, o reencontro de Moura com o palco tem um peso simbólico particular, sobretudo pela forma como se articula com o trabalho da encenadora brasileira. Sobre o projeto, Rodrigues reforça a dimensão de retorno ao essencial do ofício do ator: “é muito comovente ver Wagner Moura a regressar ao teatro com essa vontade de quem regressa à essência do trabalho de ator”. De volta ao festival Jatahy descreve esse retorno a Avignon como ...
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  • Fios do agreste: irmãs Petuba apresentam arte da memória em exposição em Paris
    2026/04/10
    Entre tecidos, bordados e pequenas bonecas de pano, a obra das irmãs Petuba, do agreste de Alagoas, chega a Paris como um convite à travessia estética, cultural e simbólica. Em exposição no centro cultural Halle Saint-Pierre, no bairro de Montmartre, o trabalho das artistas brasileiras confronta categorias europeias como “arte bruta” e propõe um deslocamento de olhar: da racionalidade à imaginação, da padronização à singularidade, da escassez material à abundância criativa. A presença das artistas no circuito europeu nasceu de um encontro inesperado. “Toda essa exposição começa por um curador de arte bruta que visitou a nossa galeria no Rio para conhecer os trabalhos”, conta Isabela Carpena, pesquisadora e diretora da galeria carioca Nau Cultural, especializada em arte popular brasileira. O contato com o curador abriu “uma porta totalmente nova”, diz, ao colocá-los diante de conceitos “completamente diferentes dos nossos”. Foi nesse diálogo que o trabalho das irmãs Petuba chamou atenção imediata. Ainda assim, ela relativiza as classificações: “Na nossa galeria, a gente está num limite entre naïf, folk art e arte bruta, porque há várias nuances entre essas categorias”. Entre categorias europeias e identidade brasileira Se na França o enquadramento tende a passar pela arte naïf ou bruta, no Brasil a leitura é outra. “Lá a gente traz esse conceito de arte popular”, explica Felipe Pithan, que dirige a galeria junto com Carpena. “São pessoas do povo, trabalhadores, muitas vezes de locais afastados, que não passam por formação formal. É uma educação cultural transmitida dentro das comunidades.” Para ele, o trabalho das irmãs Petuba expressa algo mais profundo. “É uma arte que traz o espírito do povo mesmo.” Nos painéis, diz, estão presentes memórias das tradições artesanais do Nordeste: “Os potes de barro feitos à mão, o cordel cantado”. Mais do que representação, trata-se de um gesto de preservação. “Há uma preocupação muito grande em compartilhar e eternizar essa memória.” Essa dimensão ganha ainda mais força no contraste com o presente. “Num mundo em que tudo é acelerado e padronizado, vejo esse trabalho como um convite a valorizar outro tempo, outra forma de viver e produzir”, afirma Pithan. Do sertão à capital francesa: uma travessia estética Levar essa produção a Paris, no entanto, não é um gesto neutro para os organizadores. “Certamente é um desafio”, reconhece Felipe. “Aqui a gente vê uma cidade com cores muito similares. Quando você entra e vê esse multicolor, isso põe em xeque a própria forma como a cidade se constrói.” Ele levanta uma dúvida que atravessa a recepção da exposição: “Será que o parisiense vai entrar aqui e achar que isso é uma arte válida?” Para o pesquisador, o impacto está justamente nesse deslocamento. “A gente propõe isso como uma travessia. A pessoa tem que sair de uma margem e ir para outra.” Essa travessia também passa pela recusa de certos rótulos. “A arte delas não se vê como periferia”, afirma. “É o agreste, o Nordeste, a cultura delas no centro da imagem.” Ao fazer isso, ele acredita que o trabalho desafia “valores mais convencionais” do circuito europeu. Viagem e "apaixonamento" O encontro com as artistas foi resultado de uma longa jornada. Em 2019, pouco antes da pandemia, Isabela e Felipe percorreram mais de 8 mil quilômetros pelo Nordeste em uma Kombi, em busca de núcleos de arte popular. “As irmãs Petuba eram um sonho antigo”, lembra Isabela. “A gente conhecia o trabalho por livros.” Quando finalmente chegaram até elas, o impacto foi imediato. “Ficamos completamente apaixonados”, diz. “É um suporte totalmente singular, um trabalho autêntico, cheio de camadas e significados.” Felipe reforça que o encantamento ultrapassou a obra. “Foi um apaixonamento não só pela arte, mas pela personalidade. As três são figuras únicas. Vai demorar para nascer outras iguais.” Técnica, memória e invenção A singularidade do trabalho começa pelo processo criativo. “Elas são muito intuitivas, não planejam”, explica Isabela Carpena. “Vão construindo a paisagem a partir do encontro com os materiais.” Os tecidos variam – seda, brim, malha – e recebem bordados que “pontilham” as imagens. Um dos elementos mais marcantes são as pequenas bonecas de pano, que criam relevo nas obras, segundo a também pesquisadora de arte popular brasileira. “Elas têm uma conexão direta com a vida das artistas, porque a mãe produzia essas bonecas e elas brincavam com elas”, diz Isabela. “Os quadros têm muitas camadas de memória.” Essa memória aparece tanto no conteúdo quanto na técnica. “A própria forma como elas inventaram essa estética já é uma composição de memórias”, afirma. Arte como resistência e imaginação Do ponto de vista técnico, Felipe Pithan descreve o ...
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  • Temor de retorno da extrema direita ao poder marca participação do Brasil no Cinélatino, em Toulouse
    2026/03/27
    A 38ª edição do festival Cinélatino, em Toulouse, no sudoeste da França, termina neste sábado (28) reafirmando seu papel como espaço de forte engajamento político. Para os participantes brasileiros, o evento também funciona como um canal para denunciar os riscos ao setor cultural diante da possibilidade de retorno da extrema direita ao poder. Daniella Franco, enviada especial da RFI a Toulouse Essa preocupação também pode ser vista nos filmes brasileiros que fazem parte da programação do Cinélatino. Na categoria de longa-metragem de ficção, "A Vida Secreta de Meus Três Homens", de Letícia Simões, mistura as trajetórias de personagens de sua família com recortes de determinados momentos da história recente do Brasil, como o regime militar, do qual seu pai foi um colaborador. Em entrevista à RFI, Letícia se diz assustada com a distorção das narrativas sobre o período que vieram à tona durante o governo de Jair Bolsonaro. "Eu fui um alvo muito visível, como mulher, negra e nordestina. Eu assisti à emergência de um pensamento sobre a ditadura como algo que deveria corrigir o Brasil”, diz. A cineasta aponta a mudança de comportamento em relação aos chamados "Anos de Chumbo" entre a época em que cresceu, nos anos 1990, e atualmente. “Antes as pessoas diziam: 'a gente não quer reviver isso, a gente precisa construir uma democracia'. Mas estamos em 2026 e precisamos que os filmes voltem a falar sobre isso porque ou as pessoas querem fingir que a ditadura não existiu ou efetivamente a sociedade não a abordou da forma como deveria ter sido abordada", reitera. Outro concorrente na categoria de longa-metragem de ficção no Cinélatino é "Ela foi ali guardar o coração na geladeira", que conta a história da filha de uma presa política brasileira sequestrada quando bebê, e que busca a sua familia biológica. Para Gustavo Galvão, que dirige o filme junto com Cristiane Oliveira, a manutenção da memória no Brasil requer um exercício permanente. "Quanto mais distante vai ficando um fato, mas fácil é distorcer e refazer a sua narrativa, então é um processo de vigilância mesmo. A gente espera que se fale mais, cada vez mais”, afirma. “Perguntaram pra gente aqui no Cinélatino sobre o ‘Ainda Estou Aqui’, como poderiam ter perguntado sobre 'O Agente Secreto'. Mas um filme sozinho não vai resolver nada, por mais popular que seja e que ganhe um Oscar. Tem que ser feito realmente um trabalho constante", defende. Classe artística "apavorada" O longa-metragem "O Último Azul", de Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata na Berlinale de 2025, é exibido na sessão Reprises do Cinélatino. O filme retrata um Brasil distópico e ultra-autoritário, em que idosos quando completam 77 anos são enviados pelo governo a colônias compulsórias. Em entrevista à RFI, Denise Weinberg, que interpreta Tereza, a protagonista do longa, lembra que durante a pandemia de Covid-19, o Brasil chegou perto de viver um drama similar ao exibido em “O Último Azul”, quando o governo Bolsonaro flexibilizou as regras trabalhistas para que milhões de pessoas continuassem ativas, mesmo sob risco elevado de contaminação. A atriz afirma que a classe artística está "apavorada", segundo suas palavras, com a possibilidade de retorno da extrema direita ao poder. "Apesar de Bolsonaro ter sido preso e estar no hospital, existe a família Bolsonaro que é um clã de mafiosos. Estamos em um limite perigosíssimo, porque se a extrema direita entrar, vai ser impossível, porque já está difícil. Para o teatro, por exemplo, esta muito mais difícil do que para o cinema”, avalia. Segundo ela, o clima de tensão já recomeçou a se instalar no país. “O medo é enorme de saber o que vem por aí, porque no Brasil tudo é possível. Nós fomos governados por pessoas completamente psicopatas. Eu jamais conseguiria imaginar que quando eu chegasse aos 70 anos eu iria reviver isso", completa. Era da pós-verdade A atriz e cineasta mineira Grace Passô está em Toulouse competindo com "Nosso Segredo", seu primeiro longa-metragem. No trabalho, ela conta a saga de uma família negra que tenta se reconstruir após uma perda de um de seus integrantes. Apesar da preocupação com essa pré-campanha eleitoral, ela mantém seu otimismo em relação ao futuro. “É de novo um momento muito tenso nessa era da pós-verdade que a gente vive, onde a gente não sabe que tipo de guerra narrativa vai vir, que nível de absurdo a gente vai viver. Mas acho que há um processo com o governo Lula de regeneração da ética brasileira em algum lugar”, observa. “Eu tenho uma esperança muito grande de que a maioria da população consiga perceber que existem ainda acordos éticos ligados à noção de democracia que foram restaurados e que, sem eles, estamos perdidos, muito mais do que já estivemos", reitera. Cinco curtas brasileiros também concorrem neste ano em Toulouse. Dois documentários, “Copan...
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  • De fake news à ancestralidade: brasileiros são destaque em festival de fotografia parisiense
    2026/03/21

    A 16ª edição do Festival Circulation(s), dedicada à jovem fotografia europeia, acontece no CENTQUATRE-PARIS (104) Este ano, o evento destaca o trabalho de 26 artistas de 15 nacionalidades, incluindo dois fotógrafos brasileiros que trazem reflexões profundas sobre identidade e política: Rafael Roncato e Ricardo Tokugawa. Ambos trabalham entre Brasil e Europa.

    Patrícia Moribe, em Paris

    A curadora brasileira Iona Mello, que passou a integrar a direção artística do coletivo Fetart nesta edição, organizador do festival, é a responsável por apresentar os trabalhos de Tokugawa, do italiano Davide Degano e da irlandesa Ellen Blair. Ao explicar o que norteia a seleção dos artistas, Ioana ressalta que o festival busca uma fotografia emergente, priorizando nomes que ainda não possuam grandes exposições na França, além de focar na diversidade de olhares, temas e suportes. Segundo a curadora, o objetivo é "mostrar uma fotografia europeia de norte a sul e temáticas diferentes, mídias diferentes", garantindo também a paridade de gênero entre os participantes.

    O trabalho de Ricardo Tokugawa, intitulado “Utaki” mergulha nas raízes de sua ancestralidade como descendente de imigrantes de Okinawa no Brasil. O artista utiliza a fotografia para questionar sua própria identidade em um cruzamento de culturas que nem sempre lhe oferece um lugar de pertencimento absoluto. "Por mais que o Brasil hoje em dia seja a maior comunidade japonesa fora do Japão, lá eu não sou visto como brasileiro. No Japão eu não sou visto como japonês. Então eu venho da onde? Quem sou eu?", indaga Tokugawa ao descrever as motivações de seu projeto, que utiliza imagens construídas para interrogar o que é tradição e o que é invenção.

    Política da desinformação

    A presença brasileira se estende ao projeto de Rafael Roncato, “Tropical Trauma Misery Tour”, que contou com a curadoria de Emmanuelle Halkin. Ela descobriu o trabalho de Roncato durante o festival Foto em Pauta, em Tiradentes (MG), e percebeu como a análise do artista sobre a ascensão da extrema direita no Brasil ressoava com o cenário político francês e europeu. Ela destaca que as imagens de Roncato, marcadas por uma estética "pop" e abertamente pós-produzidas, dialogam perfeitamente com a era da pós-verdade, criando uma "cenografia alternativa e singular" que é marca registrada do Circulation(s).

    Roncato define sua obra como uma instalação que disseca a propaganda digital e o caos das informações manipuladas. O artista explica que o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018 serviu como um "trampolim midiático" para a criação de um mito fundamentado em notícias falsas e polarização.

    Para evitar a propagação direta da imagem do político, Roncato utilizou um ator holandês para performar gestos e roupas que remetem a figuras populistas globais. Ele destaca a ideia da ilusão e das informações falsas. “Parece que é, mas não é. E é isso", afirma o fotógrafo, que também é jornalista e busca, através do humor e do riso nervoso, uma forma de superar e refletir sobre temas sociais complexos.

    Além dos brasileiros, o festival dedica um foco especial à Irlanda, apresentando séries de quatro artistas — Ellen Blair, Clodagh O’Leary, Dónal Talbot e Ruby Wallis — que exploram desde a alegria queer até memórias políticas de territórios em conflito. Outros destaques da edição incluem Marcel Top, que investiga a resistência contra algoritmos de vigilância, e Alžběta Drcmánková, que transforma imagens digitais em bordados táteis para meditar sobre a fragmentação da memória.

    Vitrine plural para a criação contemporânea, o festival acontece entre 21 de março e 17 de maio de 2026.

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  • Paris recebe grande exposição sobre Brasília com acervo que retraça a construção da capital
    2026/03/19
    A história da capital do Brasil, de sua idealização até sua concretização, é o tema da exposição Brasília: da Utopia à Capital, em cartaz no Palácio de Iéna, em Paris, até dia 21 de março. O objetivo da mostra é evidenciar a relevância geopolítica, histórica, social e cultural da cidade. Um projeto iniciado em 2010, que já passou por mais de 16 países, reunindo arquitetura e arte. “A gente trouxe uma coleção com mais de 300 obras sobre a história de Brasília. Então, a gente fala desde 1750 até os dias atuais”, explica a curadora Danielle Athayde. “É um relato histórico dessa saga que foi a construção da cidade nesse período”, diz. Toda a história de Brasília é retraçada, desde 1750, quando o Marquês de Pombal sugere ao príncipe-regente, em Portugal, mudar a capital da costa para o interior do Brasil, até a decisão do presidente Juscelino Kubitschek, que, em 1955, transformou a utopia em realidade. Além de croquis de Oscar Niemeyer, o acervo conta com documentos importantes, como o memorial descritivo do Plano Piloto, projeto de Lúcio Costa. “O Lúcio Costa participa do concurso de criação da cidade e escreve esse projeto, que foi selecionado. É um projeto simples, mas muito original e que dá origem ao Plano Piloto”, explica a curadora. Também estão expostas fotos históricas de Marcel Gautherot e Peter Scheier, fotógrafos que documentaram a construção da capital e cujos trabalhos mostram a utilização do concreto e do ferro nas cúpulas do Congresso Nacional, materiais pouco usados nas construções brasileiras da época. Cartas trocadas entre Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Le Corbusier mostram o entusiasmo do arquiteto franco-suíço, que afirma que os projetos do Palácio da Alvorada e da Catedral contêm algumas das formas mais ousadas da arquitetura. Le Corbusier também afirma que Brasília é a cidade “mais arrojada que o Ocidente já criou”. Passeio histórico A exposição faz um passeio histórico pelas obras dos escultores Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Maria Martins e da artista francesa Marianne Peretti, autora dos vitrais da Catedral de Brasília. Também traz materiais do paisagista Roberto Burle Marx e do pintor, escultor e desenhista Athos Bulcão. Além de documentos arquitetônicos, a mostra conta com obras da Coleção Brasília do Acervo Izolete e Domício Pereira, que reúne grandes artistas modernistas de Brasília, entre eles os contemporâneos Alex Flemming, Carlos Bracher, Naura Timm — com as esculturas Mandrágoras do Cerrado — e João Facó. A Brasília de hoje é representada em uma grande maquete com imagens aéreas da capital, que mostram o desenvolvimento da cidade e de seu entorno nos últimos 65 anos. Danielle Athayde ressalta que “são três toneladas de acervo” que mostram ao visitante uma cidade menos conhecida que Rio de Janeiro e São Paulo, mas que tem muito a oferecer. “A importância dessa exposição é justamente mostrar que a capital do Brasil respira arte e cultura e que a gente está preparado para receber turistas para conhecerem o que temos de melhor, que é a nossa arquitetura, esse projeto tão maravilhoso que foi a construção de uma capital única no mundo”, salienta. “O público fica muito emocionado quando vem conhecer a nossa história, então é isso que dá vida ao projeto.” Local emblemático A exposição acontece no Palácio de Iéna, sede do Conselho Econômico, Social e Ambiental da França e um lugar emblemático. O arquiteto do edifício, Auguste Perret, foi um dos primeiros a compreender a linguagem arquitetônica do concreto armado, influenciando gerações de arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer. Esta relação entre França e Brasil também está fortemente presente na exposição, por meio dos artistas expostos. “Lúcio Costa, por exemplo, nasceu em Toulon”, revela Danielle Athayde. “Marianne Peretti é francesa. Maria Martins teve uma relação de amizade muito forte com o (Marcel) Duchamp. Então, não existem coincidências, as coisas vão se ligando. E o público francês é muito aberto à arte, então essa exposição causa bastante impacto e presença também”, diz, salientando que, no primeiro dia, a exposição recebeu 600 visitantes. Brasília: Da Utopia à Capital também inclui a conferência Arquiteturas Utópicas, Auguste Perret e Oscar Niemeyer, que pode ser vista na página do YouTube Brasília Museu Aberto, e a mostra de cinema Brasília Viva, com os filmes Vik Muniz – A Arte no Caos, de Jimi Figueiredo, e JK – O Futuro Chamado ao Presente, de Fábio Chateaubriand, que acontece na Maison du Brésil nos dias 19 e 20 de março às 19h. A entrada para os eventos é gratuita.
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  • Retrospectiva em Paris revisita cinco décadas de imagens de Nan Goldin entre arte, política e memória
    2026/03/19
    This Will Not End Well, em cartaz no Grand Palais e na Capela Saint-Louis da Salpêtrière, oferece uma visão inédita em Paris da obra de Nan Goldin, norte-americana que acaba de completar 70 anos como estrela inconteste da fotografia mundial. Goldin descreve seu trabalho no material da mostra e dá o tom da curadoria que recupera cinco décadas de um trabalho intenso, cru e cheio de empatia : “Sempre quis ser cineasta. Meus slideshows são filmes compostos de fotos”. Márcia Bechara, da RFI em Paris A mostra, aberta a partir de quarta-feira (18) para o público na capital francesa, ocupa o Salão de Honra do Grand Palais e a Capela Saint-Louis da Salpêtrière, onde está sendo apresentada a instalação Sisters, Saints and Sibyls, concebida em 2004 para o Festival de Outono de Paris. Apesar de não ter podido estar presente na coletiva de imprensa em 17 de março por problemas de saúde, a presença da artista é sentida em cada detalhe da mostra. A seu pedido, Goldin foi substituída, durante a coletiva em Paris, por uma longa e pungente mensagem gravada por ela e um vídeo de apoio aos palestinos e à Faixa de Gaza, projetado nas paredes do Grand Palais. O curador sueco Fredrik Liew, responsável pela retrospectiva e diretor de exposições e coleções do Moderna Museet, em Estocolmo, acredita se tratar de “um grande erro quando se pensa nessa mensagem política como algo separado do resto da exposição". "Pelo que entendo da prática de Nan, o que me engaja é a dedicação dela às outras pessoas, à empatia e a como vivemos juntos. O que está acontecendo no mundo — populismo, terror, guerra — são consequências da falta de empatia. Nan propõe, com seu trabalho, mostrar o ser humano, estar junto e se esforçar para construir um mundo melhor”, observou à RFI. Gaza, AIDS e a convergência de lutas Ao longo das últimas décadas, a fotógrafa Nan Goldin tem criado imagens marcantes que exploram a poética do pessoal. Mais do que qualquer outro artista de sua estatura, Goldin tem usado seu sucesso para denunciar a ganância dos poderosos, desde a resposta lenta do governo norte-americano à crise da AIDS, que matou tantos de seus amigos na década de 1980, até o lucro da indústria farmacêutica e a epidemia de overdoses que ela desencadeou. Neta de judeus asquenazes da Polônia, ela passou os últimos anos, em suas próprias palavras, "consumida" pela destruição de Gaza e de seu povo. No início de 2026, ela e seu editor, David Sherman, começaram a costurar vídeos da Palestina – cenas de normalidade e de atrocidade, ambas – para produzir Gaza, um mosaico de dor e beleza, com imagens de antes e depois da guerra, vídeo apresentado também durante a coletiva de imprensa de lançamento de sua retrospectiva em Paris: Nan Goldin é reconhecida como uma artista maior que transita entre os séculos 20 e 21 revolucionando a fotografia contemporânea e a cultura visual. Com um título que encampa a ironia e a agudeza de seu olhar sobre o mundo, a retrospectiva This Will Not End Well (Isso Não Vai Acabar Bem, em tradução livre), no Grand Palais, é a primeira exposição na França a oferecer uma visão completa do trabalho da artista como cineasta, por meio de slideshows e vídeos. Viagem sensorial Cada pavilhão da exposição parisiense parece pensado para contar uma história própria, transformando o percurso em um passeio sensorial pela obra de Nan Goldin. Sobre a montagem no Grand Palais, Hala Wardé, arquiteta e cenógrafa que colabora com a artista há anos, observou que “esse grande espaço parisiense acabou de ser reformado e recuperou uma luz que tinha perdido. Era importante voltar a este espaço e brincar com essa luz, mesmo que tenhamos decidido filtrá-la para manter um jogo de sombras e claridade. Aqui, no Salão de Honra — um lugar muito alto e imponente — optamos por torná-la menos densa. São cinco salas, em vez de seis como nos outros museus. A singularidade desta apresentação parisiense está na instalação de Sisters, Saints and Sibyls: ela é diferente, mas fiel à original.” Para Wardé, a luz é mais que um detalhe, “ela é o elemento que mais muda de cidade para cidade". "A luz de Paris não é a mesma de Estocolmo nem a de Milão. Decidimos torná-la menos intensa, ajustando a experiência ao espaço e à narrativa da exposição”, especificou. Sobre a disposição da obra na Capela Saint-Louis da Salpêtrière, a arquiteta detalhou que preferiu "respeitar a instalação exatamente como foi concebida para este lugar". "Inclusive, me inspirei nela para criar uma sala específica, com planta octogonal. Mantivemos toda a estrutura. Há um mezanino suspenso que provoca vertigem. A obra evoca o suicídio de sua irmã Barbara, em relação à história de Santa Bárbara. É muito intensa, e a forma como foi montada está perfeitamente adaptada a esta apresentação.” Uma narrativa viva e política Mais do que uma retrospectiva de ...
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  • Tradutora de ‘O Agente Secreto’ relata desafios linguísticos na adaptação do roteiro para o francês
    2026/03/13
    A tradutora e adaptadora Muriel Pérez atua há mais de uma década no cinema, em adaptações para o francês de obras em português e espanhol. Seu projeto mais recente foi a tradução do roteiro do filme O Agente Secreto, produzido pela MK2 Production. O longa de Kleber Mendonça Filho rendeu ao Brasil mais de 70 prêmios nacionais e internacionais. Neste domingo (15), O Agente Secreto concorre a quatro categorias no Oscar: melhor filme, filme estrangeiro, melhor ator e melhor elenco. Luiza Ramos, da RFI em Paris Muriel, que já assinou dezenas de trabalhos de tradução de roteiros, legendagem e interpretação, já traduziu filmes exibidos nos principais festivais do mundo, de Cannes à Berlinale. Ela falou à RFI sobre os desafios linguísticos de adaptar expressões regionais pernambucanas e gírias dos anos 1970, preservando o contexto histórico e cultural da obra. “Foi um desafio conseguir mergulhar nesses diálogos, mesmo que a etapa do roteiro seja diferente da legendagem, pois o roteiro tem muitas descrições de cena. Obviamente que o diálogo também é importante para o roteiro, mas não tão importante quanto para a legendagem”, explica. A tradução de roteiros costuma ser utilizada em editais e concursos para financiamento. No caso de O Agente Secreto, as dificuldades incluíram situar o leitor no período do Carnaval do Recife. “Tem muitos elementos, como a personagem da 'Ursa', que tive que contextualizar. Um leitor francês não entenderia por que um personagem fantasiado para um carro, se ele não entende o carnaval. (...)”, relata. “No roteiro em português original, tem uma fala em que os policiais pedem dinheiro dizendo que é para a festinha da delegacia, mas é [a ‘caixinha’] para o carnaval”, diz. “Também há questões sempre presentes nos filmes do Kleber, como a do preconceito contra o Nordeste, que na França tentei aproximar do preconceito contra o Norte da França, que é mais pobre”, conta Muriel. A profissional precisou reformular diálogos para que as nuances sociais e políticas fossem compreendidas pelos franceses. “Mambembe”, “jeitinho brasileiro”, “sacanagem” e a ajuda de Kleber Mendonça Filho Nascida na Ásia, mas com o francês como língua materna, Muriel estudou na Costa Rica e passou temporadas no Brasil para aprender português no Rio de Janeiro e no Recife. Apesar de toda a sua multiculturalidade, ela conta como aprofundou as pesquisas para adaptar gírias e expressões específicas. “Usei um dicionário de ‘argots’ [gírias] em francês e mergulhei em livros policias em francês dos anos 1970 para garantir que as escolhas de tradução fossem palavras que já existiam em francês naquela época. Li livros policiais franceses da época para entender como se falava”, detalha Muriel Pérez. Segundo ela, esse tipo de “mergulho” na obra a ser traduzida a ajuda nas sutilezas de tradução. Para a tradutora, o mais importante é entender a intensidade da expressão, se é um uso mais vulgar ou apenas popular, para manter o tom certo. Nem suavizar, nem exagerar a força original dos diálogos. Além da importância da pesquisa terminológica, Muriel contou com uma ajuda especial do diretor Kleber Mendonça Filho: “Passei muito tempo ao telefone com o Kleber e, como ele fala francês, ele me ajudou com algumas escolhas que eu tinha feito”. Tempero brasileiro Muriel explica que, em alguns casos, termos nas línguas originais são mantidos para dar um “sabor diferente”. “‘Dona Sebastiana' permaneceu ‘Dona’, não ‘Madame’. Alimentos locais também não traduzimos, porque em francês a tradução de 'salgado' não é tão simples. No roteiro tinha ‘coxinha’, que ficou. É muito comum manter alguns termos para dar um sabor diferente ao texto”, diz. Entusiasta da sétima arte, a profissional incentiva as pessoas a frequentarem mais o cinema. “É importante manter a cultura de ir ao cinema. É uma bela experiência estar focado em algo por duas horas sem o celular", salienta Muriel Pérez. Leia tambémOscar com Wagner Moura terá um dos maiores dispositivos de segurança desde ataque às Torres Gêmeas
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