エピソード

  • Paris: coreografia sobre protestos e violência coincide com temporada de manifestações
    2026/10/30
    Em sua nova criação, "Soulèvement", palavra que pode ser traduzida como “levante” ou “revolta”, o veterano coreógrafo francês Angelin Preljocaj coloca 12 jovens bailarinos em cena para representar manifestações, confrontos e repressões. Em cartaz no Théâtre de la Ville, em Paris, o espetáculo parece dialogar de maneira surpreendente com o presente: um momento marcado pela mobilização da juventude e pela incerteza diante do futuro. Patrícia Moribe, da RFI em Paris No palco, os jovens avançam em bloco, recuam, se dispersam e voltam a se reunir. Há confrontos e repressão, mas também momentos de suspensão e poesia. A coreografia é vigorosa e, ao mesmo tempo, etérea. As imagens evocam manifestações, embates com forças de segurança, violência nas ruas e uma geração que reivindica o direito de imaginar o próprio futuro. A proximidade entre o espetáculo e a realidade atual também chamou a atenção do próprio criador. Em entrevista à RFI*, Preljocaj conta que começou a trabalhar na obra há cerca de dois anos, a partir de uma pergunta aparentemente simples: qual é a influência das manifestações sobre sua dança? “Há dois anos comecei a me fazer uma pergunta quase trivial: qual a influência das manifestações em minha dança?”, conta o coreógrafo. Na época, ele acompanhava os protestos que surgiam em diferentes partes do mundo e se impressionava com a energia dos movimentos. “Eu via muitos protestos acontecendo pelo mundo, explodindo com muita energia. Então comecei a pensar em trabalhar sobre os protestos, algo que eu nunca havia abordado.” Desde a estreia, porém, a realidade parece ter acompanhado a coreografia de maneira inesperada. A cada cidade por onde o espetáculo passa, novos movimentos de contestação surgem. “Desde a estreia em Aix-en-Provence [sul da França], isso não para. Por onde passamos, encontramos manifestações, movimentos de revolta.” Na semana seguinte, em Tirana, na Albânia, Preljocaj voltou a encontrar jovens nas ruas. Desta vez, eram estudantes protestando contra o alto custo dos estudos e a falta de perspectivas profissionais. O que mais o marcou foram as reivindicações dos próprios estudantes. “Foi muito emocionante ouvir aqueles jovens estudantes dizendo: ‘Nós estamos protestando porque queremos ficar no nosso país. Queremos poder, depois de terminar nossos estudos e sair diplomados, continuar e trabalhar neste país que amamos e onde crescemos’.” Ao chegar a Paris, a companhia encontrou novamente manifestações. “Chegamos bem no dia 17 de outubro, com os protestos estudantis, e isso continua”, afirma. Uma geração diante do futuro Os jovens bailarinos de Soulèvement não encenam apenas uma revolta abstrata. Para Preljocaj, eles carregam para o palco as inquietações de uma geração diante de um futuro incerto. “Tenho a impressão de que, por meio desse espetáculo, eles estão expressando preocupações que sentem em relação ao próprio futuro, questões também vitais ligadas à ecologia e à inteligência artificial.” A obra reúne, assim, diferentes fontes de ansiedade e insatisfação. “Há uma série de problemas que os atormentam, e é muito fácil compreender todas essas reivindicações legítimas dessa juventude”, afirma o coreógrafo. Quando a repressão ganha um rosto Mas Soulèvement não trata apenas da mobilização. A violência ocupa um lugar central na coreografia. Em uma das cenas, um policial imobiliza uma jovem com o joelho sobre seu pescoço. A imagem que remete imediatamente às cenas de repressão que circulam nos noticiários e nas redes sociais. A figura da autoridade ganha, no espetáculo, uma dimensão futurista. Os personagens que interpretam os agentes incorporam elementos associados à robótica e à inteligência artificial. “Podemos muito bem imaginar que, em um futuro muito próximo, sejam máquinas as responsáveis por administrar os levantes”, diz Preljocaj. A hipótese acrescenta outra camada à obra: a possibilidade de que a repressão aos movimentos sociais deixe de ser exclusivamente humana e passe a ser executada por sistemas automatizados. Entre revolta e poesia A música eletrônica reforça a atmosfera de tensão urbana. Mais do que simples acompanhamento, ela participa da dramaturgia do espetáculo, conduzindo os corpos e imprimindo ritmo aos movimentos coletivos. “Eu achava que essa música transmitia muito bem uma energia de utopia, até mesmo de revolta. É uma música que te conduz, que te desloca, na verdade”, explica Preljocaj. Mas o coreógrafo não queria criar apenas um ambiente de confronto. Havia também a busca por um espaço para o lirismo. “Ao mesmo tempo, eu buscava um certo lirismo, uma certa poesia.” Foi na música de Irene Drézel que encontrou essa combinação. “Fiquei absolutamente impactado, porque havia, ao mesmo tempo, essa presença muito, muito poderosa e uma poesia, uma suavidade que pairava ...
    続きを読む 一部表示
    9 分
  • A metamorfose do olhar: 80 anos de fotografia japonesa em exposição na Biblioteca Nacional da França
    2026/10/09
    No âmbito das comemorações do bicentenário da invenção da fotografia, a Biblioteca Nacional da França (BnF) acolhe a exposição "Fotografias Japonesas da BnF: Cenas, Signos, Sensações". A mostra reúne cerca de 300 obras, entre tiragens de época e publicações raras, e traça um panorama de oito décadas de criação visual no Japão, de 1945 a 2025. A curadoria é de Héloïse Conésa e Dominique Versavel, com consultoria científica de Yoshiaki Kai, da Universidade de Niigata, no Japão. Patrícia Moribe, em Paris A BnF aparece, desde o final da década de 1960, como uma das primeiras instituições ocidentais a reunir e conservar sistematicamente a fotografia japonesa moderna e contemporânea. O acervo conta atualmente com cerca de 4.000 tiragens de 200 fotógrafos e uma centena de revistas e publicações históricas. A constituição do fundo se deve em grande parte ao trabalho de conservadores como Jean-Claude Lemagny, que estabeleceram canais diretos de diálogo com artistas e editores do arquipélago. Um exemplo desse vínculo singular ocorreu no outono de 1975, quando Lemagny recebeu em sua mesa na biblioteca 125 cartões-postais fotográficos enviados diretamente do Japão. A coleção se distancia de estereótipos ou tendênias. Ela reflete cruzamentos culturais e estéticos entre o Japão e o Ocidente, registrando desde os traumas do pós-guerra até as buscas espirituais e formais mais recentes. Do fotojornalismo à estética da ruptura A narrativa da exposição começa no período de reconstrução nacional pós-1945, marcado pela libertação da censura e pela necessidade de recompor uma memória coletiva. A fotografia documental e a fotorreportagem de tom humanista ganharam força com obras sobre as tragédias das bombas nucleares, que viraram marcos editoriais como Hiroshima (1958), de Ken Domon, Hiroshima-Nagasaki Document (1961), em parceria com Shōmei Tōmatsu, e Chizu / The Map (1965), de Kikuji Kawada. Paralelamente, observadores do cotidiano rural como Hiroshi Hamaya e Hiromi Tsuchida abordaram as tradições regionais e a transformação da sociedade. A partir do final dos anos 1960, a emergência de movimentos de contestação urbana estimulou uma busca por linguagens mais subjetivas e viscerais. A revista vanguardista Provoke (1968-1969) sintetizou essa virada ao introduzir o estilo are, bure, boke (bruto, desfocado e granulado), popularizado por Daidō Moriyama para capturar o caos de Tóquio. A conservadora-chefe e encarregada da coleção contemporânea, Héloïse Conésa, detalha essa sucessão de movimentos que estrutura a abertura da exposição: "Há muitos movimentos que se sucedem no pós-guerra no Japão. A exposição começa com a reportagem social e humanista. Evocamos o período da estética bruta, desfocada e granulada do movimento Provoke e, em seguida, prosseguimos com uma visão mais próxima de uma forma de 'cotidiano estranho', através de um movimento que se desenvolveu em paralelo à Provoke, que é o da Konpora (fotografia contemporânea). Isso nos leva, portanto, às décadas de 1970 e 1980." A estética Konpora Shashin, desenvolvida por artistas como Shigeo Gocho, Tokuko Ushioda e Kazuto Miura, se contrapôs à expressividade ruidosa da Provoke. Inspirada na paisagem social norte-americana, a Konpora se concentrou na observação neutra, silenciosa e enquadrada do cotidiano familiar, fazendo emergir a estranheza do banal através de uma distância cortês. A teatralidade e a encenação do corpo Outro pilar central da exposição é a relação entre a fotografia e as artes cênicas tradicionais japonesas, como o Nō, o Kabuki e o Butō. Desde a década de 1950, fotógrafos passaram a adotar artifícios de palco — como travestimentos, maquiagens carregadas, iluminação dramática e direção minuciosa de gestos — para construir composições alegóricas ou poéticas. A conservadora Dominique Versavel, responsável pelas coleções do século XX na BnF, explica a profundidade dessa influência teatral ao longo de várias gerações: "Na exposição, quisemos mostrar esse aspecto bastante teatralizado que caracteriza diversas obras de fotógrafos desde Shoji Ueda, nas décadas de 1940 e 1950, até os dias de hoje, em que vemos o quanto os fotógrafos são fascinados pelo teatro. Eles não apenas trasformam esse tema em reportagens, mas também adotam seus artifícios e modalidades cênicas, como a direção dos corpos, a iluminação desses corpos, o travestimento, o trabalho de maquiagem e a expressividade das mímicas. É algo que encontramos em diversos momentos na obra desses fotógrafos. Obviamente, pensamos em Eikoh Hosoe para começar, mas há muitos outros, chegando a linguagens visuais bastante recentes, como as de Mami Kiyoshi ou Tomoko Sawada, por exemplo." Mestres como Shoji Ueda inauguraram o conceito de "fotografia dirigida", posicionando seus familiares sobre as dunas de Tottori como figuras atemporais. ...
    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Exposição em Paris mostra como Cézanne se tornou pilar da arte moderna
    2026/10/23
    Uma nova exposição no Grand Palais, em Paris, propõe olhar Paul Cézanne não apenas por sua obra, mas pelas interpretações que ela suscitou ao longo de mais de um século. A mostra revela como diferentes gerações transformaram Cézanne em referência para questões tão diversas quanto a construção do espaço, a abstração e os limites da pintura. Um dos curadores dessa mega mostra parisiense, Jean-Rémi Touzet falou com a RFI sobre esse legado. Márcia Bechara, da RFI em Paris A exposição Cézanne et nous ("Cézanne e nós"), em cartaz no Grand Palais até janeiro de 2027, parte de uma premissa que reorganiza a leitura do artista: a influência de Paul Cézanne (1839-1906) não se desenvolveu como uma linha contínua, mas como um conjunto de interpretações moldadas pelo contexto histórico. O recorte abandona a ideia de uma filiação direta e procura entender como diferentes gerações recorreram ao pintor para responder às próprias questões estéticas. O percurso reúne 174 obras, sendo 69 de Cézanne e 105 de 78 artistas que o observaram sob perspectivas distintas. A seleção mostra que o francês não foi apenas uma referência histórica: tornou-se ponto de partida para debates que atravessam mais de um século de produção artística. A mostra se apoia na ideia de que cada época construiu um Cézanne próprio. Para Jean-Rémi Touzet, conservador de pintura do Museu d'Orsay e um dos curadores da mostra, o objetivo é colocar em diálogo o artista e aqueles que o reinterpretaram ao longo do tempo. "Cézanne et nous é o encontro entre um artista, Cézanne, apresentado por cerca de 70 obras, e nós, que somos todos os artistas que o olharam desde o fim do século XIX até hoje", afirma. Segundo ele, o percurso foi concebido para mostrar "toda a diversidade dos olhares" lançados sobre o pintor e revelar "como nós também vimos Cézanne através deles". O início da exposição revisita os anos 1880 e 1890, quando o artista já não buscava projeção pública e sua produção circulava discretamente na galeria de Père Tanguy, em Paris. Esse período é apresentado como fundamental para compreender as primeiras leituras de sua obra: restritas e acompanhadas por um círculo relativamente pequeno de artistas que identificaram em sua pesquisa formal elementos que mais tarde alimentariam diversos caminhos da arte moderna. O percurso também destaca o papel decisivo do galerista Ambroise Vollard na consolidação da reputação de Cézanne. As exposições organizadas por ele e a circulação crescente das obras entre 1895 e 1906 contribuíram para consolidar a posição do pintor na história da arte. A mostra ressalta ainda as primeiras aquisições por museus e a grande retrospectiva póstuma organizada no Salão de Outono de Paris, em 1907, como momentos decisivos para sua consagração. Leia tambémCem anos sem Monet: vilarejo francês que reinventou a pintura revisita nascimento do impressionismo O artista que os artistas escolheram Para Touzet, a dimensão alcançada por Cézanne ao longo do século XX não encontra paralelo entre muitos de seus contemporâneos. "Para a pintura ocidental, Cézanne é realmente o maior pilar", afirma o curador. "Mais do que Van Gogh, mais do que Gauguin, Cézanne é o artista dos artistas, aquele para quem todos olharam." Segundo ele, sucessivas gerações voltaram à sua obra para compreender procedimentos, testar soluções formais ou desenvolver pesquisas próprias. A admiração estaria ligada também à trajetória singular do pintor. "Cézanne é a imagem do gênio criador", diz Touzet. Após enfrentar dificuldades para obter reconhecimento em Paris, o artista se recolheu em grande parte à sua cidade natal, Aix-en-Provence, onde continuou produzindo intensamente. "A ideia de um artista que trabalha sozinho e continua sua própria luta para produzir uma obra sem ser reconhecido marcou profundamente gerações posteriores", afirma. O curador recorda uma declaração célebre de Henri Matisse: "Nos momentos de dúvida, eu pensava: se Cézanne está certo, então eu também estou." A partir dos anos 1910, Cézanne passa a ser reinterpretado pelas vanguardas que questionavam a relação entre pintura e realidade. Cubistas, fauvistas e artistas ligados à abstração encontraram em sua obra diferentes caminhos para pensar estrutura, composição, cor e forma. A exposição destaca justamente essas divergências de leitura, mostrando que não houve um único legado de Cézanne. Leia tambémMostra "Picasso, o estrangeiro" em Paris expõe relação ambígua da França com refugiados e artistas De Picasso à abstração: múltiplas leituras de um legado A influência de Cézanne, segundo Touzet, está menos nos temas que pintava do que na forma como entendia a própria pintura. O artista deixou de lado temas históricos e religiosos para se concentrar em retratos, naturezas-mortas e paisagens do entorno onde vivia. "Os artistas ...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Exposição em Paris propõe outro olhar sobre imagens e arte produzidas pelos povos indígenas
    2026/10/16
    A mostra Motyrõ – Mutirão, em cartaz na capital francesa, reúne obras de artistas e cineastas de cinco povos indígenas e convida o público a refletir sobre a relação entre imagem, território e resistência. O projeto coletivo incluiu ainda debates e exibições cinematográficas, propondo uma abordagem dos elementos visuais ameríndios não como simples representações do mundo, mas como agentes de sua transformação. Para os artistas reunidos em Motyrõ: ecologias das imagens ameríndias, uma imagem não é apenas representação. Ela pode ser memória, ferramenta política, forma de transmissão de saberes e expressão da relação entre povos e territórios. Em cartaz na Maison des Sciences de l’Homme, a exposição apresenta ao público produções indígenas contemporâneas que articulam arte, cosmologia e resistência reunindo fotografias, vídeos, pinturas, objetos e performances. Resultado de cinco anos de colaboração, o projeto foi concebido pelo pesquisador Christian Fischgold em coautoria com os artistas Takumã Kuikuro, Kamikia Kisêdjê, Olinda Tupinambá, Isael Maxakali, Sueli Maxakali e Edgar Kanaykõ Xakriabá, que representam cinco povos indígenas. Além da exposição, a iniciativa incluiu um colóquio e uma sessão de cinema, reunindo diferentes linguagens e perspectivas. “Uma das ideias do projeto é mostrar como eles utilizam diferentes formas de expressão, como animação, performance, cinema tradicional e documentário, além de diferentes linguagens, para expressar as demandas das comunidades e as suas próprias demandas”, explica Fischgold. Imagens que agem e produzem conhecimento Em tupi antigo, motyrõ designa uma forma de trabalho coletivo na qual cada participante contribui para realizar algo que não seria possível individualmente. O conceito está no centro da proposta da exposição, que não pretende apenas apresentar obras indígenas, mas construir um espaço de criação e reflexão compartilhadas. A mostra parte da ideia de que as imagens podem transmitir saberes, manter vivas as memórias coletivas, afirmar identidades e participar da defesa dos territórios. A proposta é abordar diferentes relações com o visível, da preservação das tradições à luta política, passando pelo corpo como instrumento de expressão e pelas imagens que preservam conhecimentos. Ao todo, são cerca de 54 fotografias, vídeos, pinturas, objetos rituais e outros elementos que colocam em diálogo diferentes maneiras de compreender a imagem e o mundo, afastando-se da ideia de que a arte indígena constitui uma produção homogênea. O artista Isael Maxakali afirma que a mostra busca fortalecer a cultura indígena. “O mais importante para o nosso povo é mostrar o nosso conhecimento fora do Brasil e fortalecer a nossa cultura. O povo maxakali fica mais forte, nosso canto, nossa língua, nossa comida tradicional e nossa pintura ficam mais fortes. Nós queremos mostrar a nossa arte para que as pessoas conheçam o nosso trabalho e o nosso conhecimento”, disse. Para Fischgold, a diversidade foi um dos principais critérios para a escolha dos participantes. “Nós temos comunidades e artistas de diferentes biomas. Temos do Cerrado, da Amazônia, da Mata Atlântica. Então, acho que o vetor principal é a diversidade”, afirma. A proposta também busca aproximar essas produções de um público que nem sempre conhece a diversidade de linguagens empregadas pelos artistas indígenas. Mais do que apresentar manifestações culturais, a exposição procura abrir espaço para as reflexões de quem vive nos territórios e produz imagens a partir de suas próprias experiências. O corpo como instrumento político Entre os participantes está a jornalista e artista Olinda Tupinambá, cuja trajetória reúne documentário, experimentação audiovisual e performance. Seu trabalho explora as cosmologias indígenas e as relações entre os seres vivos, a natureza e os territórios, utilizando o próprio corpo como instrumento de expressão política. Em uma de suas performances, a artista interpreta a entidade Capora, associada, segundo ela, ao equilíbrio entre a natureza e os seres vivos. A experiência abriu novos caminhos para sua pesquisa artística. “Eu passei a enxergar meu corpo como um corpo político e, a partir disso, comecei a fazer filmes que levam essas cosmologias indígenas para a tela”, conta. Em 2024, ela participou da Bienal de Veneza, ao lado de outros artistas indígenas, e em Motyrõ, sua presença integra uma construção coletiva que busca mostrar como diferentes artistas elaboram, por meio de suas próprias linguagens, as relações com os territórios e os desafios enfrentados por suas comunidades. Perguntada sobre a importância do projeto no momento político atual, ela fala sobre ampliar a presença das vozes indígenas em espaços culturais internacionais como forma de alerta. “Acho que nesse momento histórico que estamos vivendo, ...
    続きを読む 一部表示
    7 分
  • Exposição inédita em Paris coloca o desenho como centro da obra de Andy Warhol
    2026/09/17
    Recém-inaugurada no Museu do Luxemburgo, a mostra A linha e a imagem reúne cerca de 150 desenhos de de Andy Warhol e propõe uma nova leitura da trajetória do artista americano, a partir da relação entre gesto, imagem e reprodução. Uma oportunidade única, já que muitos dos desenhos pertencem a coleções particulares e quase nunca foram expostos ao público em geral. Tatiana Ávila, da RFI em Paris É quase inevitável falar em Andy Warhol sem pensar nas serigrafias coloridas de Marilyn Monroe, nas latas de sopa Campbell ou nas garrafas de Coca-Cola. Mas antes de se tornar um dos nomes centrais da Pop Art, Warhol foi ilustrador. E continuou desenhando ao longo de praticamente toda a sua carreira, inclusive nos períodos em que a pintura, o cinema e, mais tarde, a foto-serigrafia ocuparam o centro de sua produção. É essa dimensão menos conhecida de sua obra que está no centro de Andy Warhol. A linha e a imagem, exposição inaugurada em 16 de setembro no Museu do Luxemburgo, em Paris, que permanece em cartaz até 10 de janeiro de 2027. Com cerca de 150 desenhos, além de pinturas, serigrafias sobre papel, fotografias e documentos de arquivo, a mostra percorre a trajetória do artista a partir de um eixo diferente do habitual: o desenho como ponto de partida e matriz de seu pensamento visual. “O título diz muita coisa. A Linha e a Imagem é uma forma de pensar o trabalho do desenho, que é essencialmente contorno”, explica o curador Alain Cueff. Para ele, a simplicidade da linha é fundamental para compreender a estratégia de Warhol. “Há pouquíssimo modelado nos desenhos de Warhol, ou nenhum. Isso significa que um dos temas de Warhol é o empobrecimento da imagem, a ideia de fazer com que a imagem, reduzida aos seus dados essenciais, se torne mais legível e mais persuasiva. No fundo, encontramos o mesmo processo na foto-serigrafia, porque a partir dela ele esvazia a imagem de parte de sua substância para conservar apenas o contorno”, explica. A exposição parte de um primeiro autorretrato, de 1942, e chega aos desenhos em acrílica realizados para sua série sobre A Última Ceia, em 1986, pouco antes de sua morte. No intervalo, aparecem retratos, caricaturas, cenas, ilustrações publicitárias e trabalhos de autopromoção. Reprodução de imagens Warhol encontrou no desenho uma ferramenta de experimentação e, sobretudo, de reprodução. Assim, mais do que uma etapa preliminar da pintura, o desenho já continha uma das questões fundamentais da produção de Warhol: como transformar uma imagem em algo que possa ser reproduzido. “Warhol recebeu uma formação voltada para reproduzir imagens, portanto o valor intrínseco do desenho não é uma preocupação. O que importa para ele é poder reproduzi-lo. A imagem está sempre destinada a outra função. Essa dimensão é fundamental”, destaca o curador Alain Cueff. Uma das técnicas que melhor traduz essa relação é a chamada blotted line, uma espécie de decalque manual produzido a partir da transferência da linha para outra superfície. Desenvolvida e utilizada intensamente por Warhol nos anos 1950, a técnica permitia ao artista produzir imagens que preservavam a aparência do gesto manual, mas que já nasciam orientadas para a multiplicação. Carimbos, estênceis, colagens e, posteriormente, a foto-serigrafia fazem parte desse método. Exposição em cinco etapas A exposição se organiza em cinco núcleos temáticos. O primeiro acompanha os anos iniciais de Warhol como ilustrador publicitário. Os demais abordam a importância da escrita manual, sua fascinação por rostos e máscaras, a iconografia gay que durante muito tempo permaneceu confidencial e a presença da morte em sua obra, uma obsessão que se intensificou depois do atentado de 1968, quando o artista foi baleado e quase morreu. Cueff explica que a escolha da curadoria da mostra também rompe com a organização cronológica tradicional. Ele conta que preferiu colocar trabalhos de momentos diferentes em contato, buscando relações que atravessam décadas. “Eu me afastei da cronologia, portanto é uma retrospectiva um pouco particular, que busca valorizar continuidades temáticas e técnicas, mais do que uma continuidade estritamente temporal.” O resultado é uma exposição que procura apresentar não necessariamente obras desconhecidas, mas trabalhos que raramente são vistos. Parte importante dos desenhos vem de coleções particulares. Há também empréstimos de instituições como o Andy Warhol Museum, em Pittsburgh, cidade natal do artista, e o MoMa, o Museum of Modern Art, de Nova York. “O que me interessava era reunir desenhos um pouco inesperados, pouco vistos, e sobretudo colocá-los em diálogo uns com os outros, criando um contexto que permitisse compreender questões essenciais, inclusive certas contradições que atravessam o trabalho de Warhol e que são muito importantes para ele”, explica Cueff. Entre essas contradições ...
    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Entre a visita de um papa e a violência urbana, filmes brasileiros levam dramas sociais a Biarritz
    2026/10/01
    Em sua 35ª edição, o Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz presta homenagem a dois países: Cuba e Uruguai. Entre os destaques da programação dedicada ao cinema uruguaio está O Banheiro do Papa, dirigido por César Charlone e Enrique Fernández. Lançado em 2007, o longa retorna às telas em uma sessão especial fora de competição, quase duas décadas após sua estreia. Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz Para César Charlone, a reapresentação do filme franco-uruguaio-brasileiro tem um significado especial. “É muito lindo porque coincide com o relançamento do filme também no Uruguai. Esse novo papa vai visitar o país em breve. Além disso, o filme completa 20 anos. Então virou um acontecimento. Isso me toca muito, profundamente, porque tenho um carinho enorme por esse filme, pelo que ele significa. É a minha raiz uruguaia no Brasil”, disse em entrevista à RFI em Biarritz. A exibição na França acontece poucos dias depois da visita do papa Leão XIV, reforçando a atualidade do tema abordado pelo longa-metragem. Para o cineasta, a figura do pontífice continua despertando mobilizações populares. “Sim, total. Virou um evento. As visitas do Papa agora são um evento, né? Os caras constroem banheiro, outros compram comida para vender, enfim, é um evento. O Papa é um evento”, afirma. A comédia dramática se passa em 1988, na pequena cidade uruguaia de Melo, às vésperas da visita do então papa João Paulo II. Convencido de que milhares de peregrinos atravessarão a fronteira para acompanhar o evento, o protagonista Beto investe todas as suas economias na construção de um banheiro público em frente à própria casa. A expectativa de lucro, no entanto, acaba transformando-se em frustração. Charlone lembra que muitos moradores acreditaram que a cidade seria invadida por brasileiros. “Na verdade, o que eles esperavam era que essa quantidade de visitantes fosse brasileira, porque o Papa não tinha visitado o Brasil e estava visitando uma cidade fronteiriça. Imaginaram que muitos brasileiros iam loucos para Melo para ver o Papa. De fato, alguns foram, mas não o que eles imaginavam”, conta. Segundo o diretor, o excesso de otimismo provocou prejuízos econômicos para muitas famílias. “Pensando que os brasileiros iriam em peso, a turma vendeu terrenos para comprar salsicha, comprou frituras para vender e ficaram com elas. Tem uma cena final no filme que mostra esse excesso de comida que foi jogada fora”, relata. Renascimento do cinema uruguaio Nascido no Uruguai e radicado durante muitos anos no Brasil, Charlone considera a homenagem ao cinema uruguaio um reconhecimento importante para uma cinematografia que ganhou força nos últimos anos. “Acho muito lindo, porque, de fato, o cinema no Uruguai aconteceu ultimamente”, afirma. O cineasta atribui parte desse crescimento ao período da pandemia de Covid-19. “Muitas produções se viram frustradas porque não tinham onde filmar e o Uruguai estava protegido na pandemia. A população tinha sido vacinada totalmente e era muito educada no uso de máscara. Então muitas produtoras terminaram indo ao Uruguai para filmar durante a pandemia”, lembra. Para ele, o resultado foi uma profissionalização acelerada do setor audiovisual. “Isso fez com que o cinema uruguaio crescesse. Então, no Uruguai agora está se produzindo muito e bem”, avalia. Violência policial e carnaval na tela Outra produção exibida fora de competição em Biarritz é o curta-metragem O Rio de Janeiro Continua Lindo, do diretor suíço-brasileiro Felipe Casanova. Lançado em 2025 e premiado no Festival de Clermont-Ferrand, o filme acompanha a carta de uma mãe para o filho morto. Ambientada durante o carnaval carioca, a obra aborda temas como luto, violência policial e memória. Casanova destaca a importância de apresentar o filme em um festival dedicado ao cinema latino-americano. “É uma oportunidade bem legal mostrar o filme em cidades diferentes e ainda mais numa mostra da América Latina. Traz temas como violência policial à tona e acho isso importante”, disse em entrevista à RFI. O diretor também acredita que a exibição em Biarritz pode estimular reflexões sobre questões sociais e políticas. “Biarritz é linda, maravilhosa, mas acho que é uma cidade que está tomada também por ideologias que estão indo cada vez mais para a extrema direita", diz. "Então talvez seja bom também trazer essas histórias para cá”, completa. No curta-metragem, a violência policial é retratada como um problema estrutural da sociedade brasileira, cuja origem remonta a períodos anteriores. “Infelizmente é uma coisa que está lá enraizada há muito tempo. E é por isso que acho que foi importante trazer um pouco esse fantasma da ditadura”, explica. Para Casanova, existe uma continuidade entre a violência praticada durante o regime militar e problemas enfrentados atualmente nas periferias ...
    続きを読む 一部表示
    7 分
  • Museu da História de Paris faz 160 anos com pesquisa jovem e mediação que desafiam narrativa oficial
    2026/09/25
    O Museu Carnavalet celebra 160 anos em outubro de 2026 com uma programação que projeta o passado como ferramenta de leitura do presente. Criado em 1866, durante as reformas urbanas conduzidas por Haussmann, que redesenharam Paris no século 19, o museu revisita sua missão ao incorporar novas narrativas, pesquisas emergentes e mediações contemporâneas. O aniversário reúne jovens pesquisadores, visitas temáticas, mediações queer, objetos insólitos e experiências oníricas. O Museu Carnavalet, o mais antigo da capital francesa, completa 160 anos em um momento em que Paris volta a ser discutida como objeto histórico e laboratório urbano. A instituição, que nasceu para registrar as transformações do século 19, organiza uma celebração que busca atualizar essa vocação. A programação de outubro de 2026 não pretende apenas marcar uma data, mas reposicionar o museu diante de debates contemporâneos sobre memória, pesquisa e mediação cultural. O aniversário reúne iniciativas que vão da pesquisa acadêmica à experimentação artística, passando por formatos de visita que deslocam o olhar tradicional sobre a cidade. A escolha por atividades gratuitas e de acesso livre reforça a intenção de ampliar o público e diversificar as formas de aproximação com o acervo. O Carnavalet chega a essa comemoração depois de uma década marcada por mudanças estruturais. A renovação concluída em 2021 reorganizou o percurso expositivo, ampliou a acessibilidade e atualizou a narrativa histórica. A celebração dos 160 anos se insere nesse processo de revisão institucional, que busca integrar temas antes periféricos na história oficial de Paris. O museu ocupa dois edifícios históricos no Marais: o Hôtel Carnavalet, construído entre 1548 e 1560 e ampliado por François Mansart, e o Hôtel Le Peletier Saint-Fargeau, de 1688, incorporado ao conjunto apenas em 1989. A trajetória dos prédios, marcada por usos distintos ao longo dos séculos, reforça a ideia de que a história urbana é feita de camadas que se sobrepõem. Com mais de 640 mil obras, o acervo cobre períodos que vão da Pré-História à atualidade. Desde a reabertura, o museu recebeu mais de 5 milhões de visitantes. Novas formas de ler a cidade O festival “Paris à la loupe”, realizado nos dias 2 e 3 de outubro, é o eixo intelectual da celebração. A iniciativa reúne mais de 40 jovens pesquisadores de 12 áreas distintas, em parceria com instituições municipais de memória e documentação. A proposta é apresentar recortes que ampliem o repertório de temas associados à história de Paris. O evento reforça a ideia de que a história urbana não é estática e depende de revisões constantes. Ao colocar jovens pesquisadores no centro da programação, o museu sinaliza que pretende incorporar novas abordagens ao seu trabalho de mediação. O fim de semana “Rêver Paris” ("Sonhar Paris"), concebido pelo Comitê de Jovens Adultos, propõe uma aproximação menos convencional com as coleções. A escolha do tema onírico não busca criar uma atmosfera fantasiosa, mas testar formas alternativas de circulação pelo acervo. A iniciativa nasceu de um processo participativo desenvolvido pelo museu com jovens entre 18 e 26 anos. “Nós imaginamos uma festa, um fim de semana festivo em vários momentos, pensado e construído para e com um público de jovens adultos. Trabalhamos durante algum tempo para chegar a isso. E um primeiro elemento importante foi ter associado a essa festa o comitê de jovens adultos do museu, para colocar em prática um projeto de participação cidadã no qual 50 jovens de 18 a 26 anos se envolvem e participam das escolhas de orientação da instituição. Durante um ano, eles estiveram conosco em intervalos regulares, e nós os consultamos. Foi muito importante para nós ouvi-los e ver como eles imaginavam o futuro do museu e, de certa forma, o futuro de Paris”, afirma Néguine Matthieux, conservadora de Patrimônio do Museu Carnavalet. Leia tambémMuseu Carnavalet mergulha na relação de Proust com Paris para celebrar os 150 anos do escritor Mais do que um tema festivo, a proposta procura explorar a imaginação como ferramenta de reflexão sobre a cidade. “Nós queríamos introduzir um pouco de sonho, de imaginação. É verdade que o cotidiano e a realidade andam muito presentes, e, às vezes, são um pouco difíceis. E existe essa ideia de que também precisamos escapar um pouco dessa realidade para compreender melhor o presente e a nós mesmos, para conseguir nos projetar no futuro e, talvez, para não nos impor limites. Também precisamos dizer a nós mesmos que podemos imaginar coisas para além dos modelos atuais e das dificuldades do presente, e que precisamos buscar invenção, criatividade e coisas diferentes para nos construirmos individualmente ou coletivamente a Paris de amanhã”, diz. A noite de 3 de outubro inclui um jogo imersivo criado pelo coletivo “...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Visa pour l’Image: o fotojornalismo resiste entre a guerra, o narcotráfico e a inteligência artificial
    2026/09/11
    Há 38 anos, durante duas semanas, Perpignan, cidade catalã no sul da França, transforma-se na capital internacional do fotojornalismo. Criado por Jean-François Leroy, o festival Visa pour l’Image nasceu com a missão de defender uma profissão cada vez mais frágil: a do jornalista fotográfico. Patrícia Moribe, enviada especial a Perpignan Ao longo das décadas, o festival tornou-se um ponto de encontro entre veteranos e novos nomes da fotografia documental. As exposições, espalhadas por diferentes espaços da cidade, são gratuitas, e os fotógrafos participam de encontros com o público e de visitas guiadas. A proposta é aproximar os espectadores não apenas das imagens, mas também de quem esteve por trás delas. Neste ano, um dos trabalhos apresentados é Sangre Blanca – A Geografia da Cocaína, do dinamarquês Mats Nissen, um projeto que o fotógrafo desenvolve há cerca de dez anos. A reportagem acompanha diferentes etapas da cadeia internacional da cocaína: dos campos de produção na Colômbia, passando pelos cartéis mexicanos, até chegar aos consumidores na Europa. Para Nissen, a principal dificuldade de um trabalho de longa duração como esse é conseguir acesso às pessoas e aos lugares. Para isso, ele conta com uma rede de profissionais e moradores locais. “O que foi mais difícil ao realizar este trabalho foi o acesso, abrir as portas. Trabalho muito com pessoas locais – jornalistas, fotógrafos, defensores dos direitos humanos, pessoas envolvidas em programas para jovens – que têm me ajudado a abrir essas portas”, contou o fotógrafo. Mas conseguir entrar é apenas o primeiro passo. O desafio seguinte, segundo o fotógrafo, é estabelecer uma relação de confiança com as pessoas fotografadas. “Uma vez que a porta é aberta, você precisa permanecer ali e abrir o coração das pessoas, o que, às vezes, é ainda mais difícil”, relatou Nissen. Entrevistado por Isabelle Marinetti, da RFI, Nissen define a empatia como sua principal ferramenta de trabalho. Não como uma técnica, mas como uma postura diante dos personagens. “É simplesmente ser um ser humano muito transparente e honesto, sem segundas intenções, com um interesse sincero e genuíno pela vida das pessoas.” A tentativa de compreender sem necessariamente justificar é, para ele, fundamental para entrar em universos muitas vezes distantes da experiência do fotógrafo. “Essa empatia significa tentar compreender a vida que elas levam, as razões pelas quais fazem o que fazem, sem justificar suas ações, mas simplesmente tentando, de coração aberto, imaginar que você está no lugar delas.” Veterano do fotojornalismo internacional e vencedor de importantes prêmios, Mats Nissen ficou também conhecido por uma imagem realizada em São Paulo durante a pandemia de Covid-19. A fotografia, vencedora do World Press Photo em 2021, mostra uma mulher idosa recebendo seu primeiro abraço em cinco meses através de uma cortina plástica de proteção. Síria pós-Assad Outro destaque desta edição é o francês Philémon Barbier, que apresenta dois trabalhos: um sobre o Ebola na República Democrática do Congo e outro sobre a Síria no período posterior à queda de Bashar al-Assad. Este último recebeu o prêmio de melhor reportagem do festival, concedido por um júri formado por editores internacionais. Barbier começou a acompanhar a Síria após a queda de Assad e, entre o início de janeiro de 2025 e o final de fevereiro de 2026, passou entre sete e oito meses no país, em diferentes períodos. Inicialmente trabalhando como freelancer, o fotógrafo posteriormente recebeu encomendas e apoio de grandes veículos de imprensa, entre eles o jornal Le Figaro. Para Barbier, apresentar o trabalho em Perpignan significa ampliar o alcance de uma reportagem que normalmente circularia sobretudo entre leitores da imprensa. “Apresentar este trabalho aqui é, antes de tudo, uma ótima visibilidade para o projeto, tanto no âmbito profissional quanto, principalmente, para o público”, diz. “É um festival em que todas as exposições são gratuitas, então é extremamente acessível. Para mim, isso é algo muito importante, porque acho fundamental que todo mundo possa ter acesso a essas histórias”, acrescenta o jovem fotojornalista, de 25 anos. O festival também mantém uma forte programação voltada às escolas da região, com visitas acompanhadas de alunos. “É muito bom poder alcançar pessoas que nem sempre leem a imprensa, que nem sempre veem essas fotografias nos meios de comunicação.” Inteligência artificial Mas, em 2026, a discussão sobre o futuro da profissão passa também pela inteligência artificial. A tecnologia esteve presente nos debates do festival e levanta questões sobre direitos autorais, utilização de arquivos fotográficos e o próprio papel do fotógrafo. Para Philémon Barbier, um dos principais problemas está na utilização de imagens e do trabalho de ...
    続きを読む 一部表示
    6 分