『Rendez-vous cultural』のカバーアート

Rendez-vous cultural

Rendez-vous cultural

著者: RFI Brasil
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Reportagens sobre exposições, concertos e espetáculos na França. Destaque para os artistas brasileiros e suas criações apresentadas na Europa. Na literatura, lançamentos e as principais feiras de livros do mundo.

France Médias Monde
アート
エピソード
  • Fotografia brasileira ganha destaque na 57ª edição dos Encontros de Arles
    2026/07/03
    A cidade de Arles, no sul da França, se prepara para mais uma temporada como vitrine privilegiada da fotografia mundial. Sob o tema "Mundos para reler", são mais de 40 exposições espalhadas pela cidade, conhecida por importantes monumentos romanos e que também serviu de inspiração para Van Gogh. Os Encontros de Arles acontecem de 6 de julho a 4 de outubro. Patrícia Moribe, em Paris Na programação oficial, o fotógrafo carioca Gui Christ participa da coletiva "Nous ne sommes pas seuls – Images extraterrestres" (Não estamos sozinhos – Imagens extraterrestres). Apresentada na seção Croisière, a mostra tem curadoria de Philippe Baudouin e explora a "cultura da dúvida visual" por meio de arquivos da NASA e de obras contemporâneas que investigam o fenômeno dos OVNIs. Gui Christ contribui com imagens realizadas no Vale do Amanhecer, um complexo espiritual próximo a Brasília que reúne doutrinas de diferentes tradições em um cenário visualmente instigante, semelhante a um parque temático futurista e místico. "Fiz esse trabalho para a National Geographic em 2018. O Vale do Amanhecer é uma religião brasileira fundada por Tia Neia, uma médium, na década de 1960 em Planaltina, Goiás. É uma religião que possui uma característica muito presente na religiosidade brasileira, a capacidade de reunir diferentes tradições espirituais, diferentes formas de compreender o mundo", explica. "Dentro dessa religião, convivem referências do cristianismo, do espiritismo, dos saberes indígenas, de religiões afro-brasileiras e também a crença em extraterrestres. Mais do que fotografar a religião e as pessoas, o que me interessou foi entender como a fotografia pode tornar visíveis mundo que existem para além do olhar ocidental", acrescenta Gui Christ. Na categoria Prêmio Descoberta Fondation Louis Roederer 2026, o laboratório La.Ima, coordenado em Paris por Ioana Mello e Oleñka Carrasco, apresenta o trabalho do senegalês Souleymane Bachir Diaw. Sua série, intitulada "Sutura", será exibida no espaço Monoprix e investiga as "verdades não ditas" presentes nas estruturas patriarcais. Segundo a curadora Ioana Mello, o projeto aborda a masculinidade no Senegal e como ela "se revela dentro da estrutura patriarcal familiar e no deslocamento do artista, que hoje mora em Paris; de como ele vê essas verdades a partir desse novo olhar, desse novo contexto". Utilizando tecidos e imagens performáticas, a obra propõe uma "reparação das feridas íntimas e sociais". No festival Arles OFF, Carolina Arantes apresenta "First Generation". Com curadoria de Denise Camargo e Azu Nwagbogu, a mostra é resultado de uma pesquisa sobre mulheres francesas de ascendência africana. O projeto reúne depoimentos e entrevistas das mulheres retratadas, com design sonoro de Isadora Dartial e mixagem de Sulivan Clabaut. "O trabalho é sobre como essa identidade vai sendo construída por meio da vida privada delas, no cotidiano. É sobre como o espaço público da história de um país e a vida pessoal dessas mulheres se encontram nesse processo de construção de uma França contemporânea", explica Carolina Arantes. A exposição combina esses registros sonoros a retratos íntimos, arquivos de família e fotografia documental, criando um mosaico das pessoas que definem a nova geração da sociedade francesa. A Associação Iandé, organização francesa que estabelece pontes entre a fotografia brasileira e a Europa, organiza exposições imersivas de artistas brasileiras sob o tema "Os Arquivos e o Íntimo", com curadoria de Gláucia Nogueira e Jonathan Pierredon. "A partir de arquivos pessoais, Rochelle Zandavale, Melissa Flores e Luciana Petrelli constroem narrativas onde a memória vira imagem e o privado conversa um pouco a história coletiva. Também há uma série chamda 'I've Never Been to Japan', que fala sobre a imigração japonesa no Brasil a partir de arquivos pessoais. É uma forma também de celebrar o bicentenário da fotografia", explica Gláucia Nogueira. Retrospectivas e atividades paralelas A 57ª edição do festival propõe uma imersão em narrativas que atravessam o continente africano e a região do Mediterrâneo para questionar identidades e histórias. Além dos destaques individuais, o evento reúne grandes nomes da fotografia contemporânea e histórica, como Omar Victor Diop e Lee Shulman (com o projeto The Anonymous Project – Being There), Clément Cogitore (Memory Palace), além de mostras dedicadas a Paul Kodjo, Rebekka Deubner e Orianne Ciantar Olive. Há também novas releituras de nomes consagrados, como William Klein e Harry Gruyaert. O festival organiza ainda uma ampla programação paralela voltada tanto para profissionais quanto para amadores, incluindo leituras de portfólios, prêmio de edição, feira de livros, além de debates e conferências.
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  • Teatro: Carolina Bianchi consagra trilogia Cadela Força com maratona de 10 horas na Ópera de Avignon
    2026/07/10
    Carolina Bianchi retorna ao Festival de Avignon para apresentar a trilogia completa Cadela Força, considerada pela crítica europeia como uma das investigações mais radicais do teatro contemporâneo. Do inferno de A Noiva e o Boa Noite Cinderela ao enigma luminoso de Uma Luz Cordial, passando pelos pactos masculinos de The Brotherhood, a artista brasileira constrói um percurso que se recusa a estetizar a dor, abordando temas como violência, sexualidade e literatura. Márcia Bechara, enviada especial a Avignon A apresentação integral da trilogia Cadela Força na Opéra d’Avignon, em uma maratona de dez horas, consolida a posição singular de Carolina Bianchi na cena experimental contemporânea. A artista brasileira retorna ao festival, depois do sucesso estrondoso de A Noiva e o Boa Noite Cinderela, de 2023, com um percurso que confronta violência sexual, feminicídio, pactos masculinos e a própria tarefa da escrita. Sua obra nasce de uma experiência brasileira que não se deixa traduzir completamente, e é justamente essa força que redefine sua presença em Avignon 2026. A trilogia, afirma Bianchi, exigia tempo e densidade. “Cadela Força era uma coisa que foi se apresentando desde o começo também porque sinto que os assuntos, que as matérias que a gente estava movendo dentro dessa trilogia pediam esse lugar assim, de calma, de tempo para poder olhar para esses assuntos.” Para ela, não se tratava de buscar atalhos fáceis: “Acho que estava sempre, desde o começo, distante da gente querer encontrar soluções para coisas que são impossíveis.” No primeiro capítulo, A Noiva e o Boa Noite Cinderela, Bianchi articula histórias reais de feminicídio - dos assassinatos em série de Cidade Juárez ao caso da performer italiana Pippa Bacca, assassinada durante a execução de uma performance na Turquia, em 2008, - como eixo estrutural da obra. O corpo da performer opera como testemunho, instaurando um regime ético que desloca a cena da representação para a inscrição direta dessas narrativas. É o “inferno” da trilogia, uma geografia política da violência que se torna matéria de linguagem. Em The Brotherhood, a investigação se volta aos pactos masculinos que moldam a história da arte. A dramaturgia funciona como dispositivo analítico, expondo genealogias de poder que atravessam a própria autora, que surge como figura espectral. O capítulo evidencia a persistência dessas estruturas e a forma como organizam o campo artístico, mesmo quando examinadas criticamente. Leia tambémFestival de Avignon: 'A Noiva e o Boa Noite Cinderela', ou como explodir no próprio corpo as fronteiras do teatro A volta a Avignon O retorno ao festival, depois da estreia do primeiro capítulo em 2023, produz uma camada adicional de leitura. “Dá uma noção de temporalidade que, uau, é muito louca”, diz Bianchi. “Agora mesmo eu estou olhando para você e pensando quem éramos nós há três anos e éramos outras pessoas.” A volta com a trilogia completa, afirma, revela o percurso desses anos: “O quão imersa eu estive nesses anos nessa 'floresta escura da criação', como diz Dante Alighieri.” A referência à Divina Comédia atravessa sua fala e sua obra. “Essa entrada na criação, passando pelos infernos, pelos purgatórios, pelos paraísos que cada obra contém”, diz, descrevendo o processo como algo que transforma e reorganiza o trabalho. Voltar a Avignon, para ela, é também reconhecer lugares fundamentais da própria trajetória. A proposta da maratona reforça essa dimensão de experiência. “Ela tem uma coisa de ser de fato uma experiência e um convite para uma experiência teatral”, afirma. Bianchi cita o artista argentino Alberto Greco: “Ele dizia que acreditava na obra de arte como ‘aventura total’.” Sustentar dez horas de espetáculo envolve risco, e interessa à artista justamente por isso. “Tem um caminho selvagem. De risco. Tem um caminho tortuoso aí que também me interessa investigar.” O público, diz ela, é convocado a evocar essas perguntas junto com o grupo. “Vamos fazer uma coisa que não fizemos ainda antes e que tem os seus componentes de risco aqui, mas a gente quer sustentar juntos essas perguntas.” Uma luz cordial O terceiro capítulo, Uma Luz Cordial, desloca a violência para a tarefa da escrita. O título vem de um verso de Emily Dickinson, do poema My Life Has Stood a Loaded Gun. “Essa luz cordial que, na verdade, é essa arma disparando a luz de quando a arma explode”, explica. A imagem, para ela, está ligada ao ato de escrever: “O que a tarefa da escrita faz comigo, com o meu corpo.” O capítulo introduz alter egos e figuras literárias, num movimento que ecoa Dante. “Para eu seguir escrevendo, eu também vou me desfazendo, é uma trilogia também sobre um desaparecimento de um corpo que começa nesse Boa Noite Cinderela”, lembra. A violência se fricciona com a sexualidade e se catalisa no encontro...
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  • Teatro: Tiago Rodrigues projeta os próximos 80 anos de Avignon e convida o Brasil ao debate
    2026/07/17
    Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues conduz a edição dos 80 anos em meio a um contexto dominado pela urgência de garantir acesso democrático à cultura. Com uma programação majoritariamente feminina, que inclui Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, ele destaca a força da cena brasileira e propõe novas alianças. O diretor português afirma que o futuro de Avignon depende das perguntas que ainda precisamos formular e convida o Brasil ao debate. Márcia Bechara, enviada especial a Avignon A programação deste ano, pela primeira vez majoritariamente feminina, inclui três artistas brasileiras em posições centrais: Christiane Jatahy, Lia Rodrigues e Carolina Bianchi, lançada por Avignon em 2023. Para Tiago, essa presença não é apenas simbólica, mas um componente estrutural da presença brasileira no festival. “Eu considero que o Brasil tem grandes artistas, e isso é o essencial. Mais do que definir o que é o teatro brasileiro ou o que é a dança brasileira, eu acho que há enormes artistas brasileiros”. Ele destaca Carolina Bianchi como “uma artista imensa de teatro, de performance, uma grande autora de teatro, uma grande escritora, uma poeta da cena”. A diversidade brasileira, segundo ele, é decisiva para o futuro das artes cênicas. “Carolina Bianchi é um exemplo dessas singularidades que podemos encontrar no teatro brasileiro, porque a cultura brasileira é de uma enorme diversidade. Também podemos encontrar no teatro brasileiro a anti-Carolina Bianchi.” Para Tiago, essa amplitude estética e intelectual precisa ainda ser “cuidada, acolhida, promovida”, sobretudo porque “grupos invisibilizados e oprimidos não tiveram ainda a oportunidade de chegar às ferramentas da criação”. Leia tambémChristiane Jatahy leva Ibsen ao tribunal de Avignon em debate sobre verdade ao lado de Wagner Moura A edição de 2026 marca também a primeira colaboração teatral entre Christiane Jatahy, Wagner Moura e Lucas Paraizo. O projeto parte de uma ideia que, segundo Tiago, “nos seduziu muito – justamente por não ser uma adaptação, mas uma continuação”. Ele explica: “O que acontece depois do fim de Um Inimigo do Povo, de Ibsen?” A estreia mundial em Salvador, seguida por apresentações no Rio de Janeiro (e posteriormente em Lisboa e Amsterdã), reforça a intenção de fortalecer a circulação da obra de Jatahy no Brasil. “Os parceiros europeus de Christiane Jatahy desejaram também contribuir para que seu trabalho estivesse mais presente no Brasil, e que [o espetáculo] fosse criado no Brasil”, afirma o diretor, que também destaca o interesse de festivais como Edimburgo e Holland Festival, coprodutores da peça, na ideia de "coesão social por meio das artes". Uma diretiva que, para ele, não se constrói por consenso, mas pela contraposição de ideias. “Como podemos reunir pessoas em torno das artes e ajudar na coesão social? Mas colocando perguntas, sem exigir pensamento único, sem exigir que todos concordem – e, assim, iniciar um debate?” O ponto de interrogação e os próximos 80 anos O ponto de interrogação que domina toda a comunicação gráfica do festival sintetiza essa postura. Tiago o escolheu como símbolo das perguntas que ele considera essenciais para os próximos 80 anos de Avignon. “Uma multidão de questões”, diz. Ele começa pelas mais urgentes: “Será que o Festival de Avignon vai poder existir ainda por 80 anos com este calor, com este clima, com a crise climática? O que vamos fazer para continuar vivendo festivais como Avignon, em meio ao calor provocado pelas mudanças climáticas? O que nos leva a nos fascinar, mesmo nós, artistas, pela questão do mal, pelos déspotas, pelos violentos? Que fascinação é essa pelo mal?”. A reflexão se estende ao tema do suicídio assistido: “Como pode a sociedade se organizar para acompanhar aqueles que decidem pôr fim à própria vida porque acham que a vida deve terminar – porque estão doentes, porque estão em sofrimento? Como podemos, socialmente, humanamente, mas também juridicamente, acompanhar essa decisão?”, questiona Rodrigues. As questões propostas por Christiane Jatahy e Wagner Moura também interpelam o festival. “Nesta sociedade da opinião pública rápida, que condena publicamente, qual é o lugar da justiça naquilo que são as nossas vidas? E como podemos participar dessa justiça e nos dar o tempo de reflexão que a justiça merece?”, sublinha o diretor. Leia tambémLia Rodrigues conduz jovens artistas em formação e amplia escuta pela diversidade em Avignon Primeiro estrangeiro a dirigir o Festival de Avignon, Tiago Rodrigues afirma que a história do evento impõe uma responsabilidade que não pode ser negociada. Ele lembra que o festival nasceu em 1947, no pós-guerra, criado por Jean Vilar e por antigos resistentes à ocupação nazista, e que essa origem define o presente. "O código ...
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