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Rendez-vous cultural

Rendez-vous cultural

著者: RFI Brasil
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Reportagens sobre exposições, concertos e espetáculos na França. Destaque para os artistas brasileiros e suas criações apresentadas na Europa. Na literatura, lançamentos e as principais feiras de livros do mundo.

France Médias Monde
アート
エピソード
  • Visa pour l’Image: o fotojornalismo resiste entre a guerra, o narcotráfico e a inteligência artificial
    2026/09/11
    Há 38 anos, durante duas semanas, Perpignan, cidade catalã no sul da França, transforma-se na capital internacional do fotojornalismo. Criado por Jean-François Leroy, o festival Visa pour l’Image nasceu com a missão de defender uma profissão cada vez mais frágil: a do jornalista fotográfico. Patrícia Moribe, enviada especial a Perpignan Ao longo das décadas, o festival tornou-se um ponto de encontro entre veteranos e novos nomes da fotografia documental. As exposições, espalhadas por diferentes espaços da cidade, são gratuitas, e os fotógrafos participam de encontros com o público e de visitas guiadas. A proposta é aproximar os espectadores não apenas das imagens, mas também de quem esteve por trás delas. Neste ano, um dos trabalhos apresentados é Sangre Blanca – A Geografia da Cocaína, do dinamarquês Mats Nissen, um projeto que o fotógrafo desenvolve há cerca de dez anos. A reportagem acompanha diferentes etapas da cadeia internacional da cocaína: dos campos de produção na Colômbia, passando pelos cartéis mexicanos, até chegar aos consumidores na Europa. Para Nissen, a principal dificuldade de um trabalho de longa duração como esse é conseguir acesso às pessoas e aos lugares. Para isso, ele conta com uma rede de profissionais e moradores locais. “O que foi mais difícil ao realizar este trabalho foi o acesso, abrir as portas. Trabalho muito com pessoas locais – jornalistas, fotógrafos, defensores dos direitos humanos, pessoas envolvidas em programas para jovens – que têm me ajudado a abrir essas portas”, contou o fotógrafo. Mas conseguir entrar é apenas o primeiro passo. O desafio seguinte, segundo o fotógrafo, é estabelecer uma relação de confiança com as pessoas fotografadas. “Uma vez que a porta é aberta, você precisa permanecer ali e abrir o coração das pessoas, o que, às vezes, é ainda mais difícil”, relatou Nissen. Entrevistado por Isabelle Marinetti, da RFI, Nissen define a empatia como sua principal ferramenta de trabalho. Não como uma técnica, mas como uma postura diante dos personagens. “É simplesmente ser um ser humano muito transparente e honesto, sem segundas intenções, com um interesse sincero e genuíno pela vida das pessoas.” A tentativa de compreender sem necessariamente justificar é, para ele, fundamental para entrar em universos muitas vezes distantes da experiência do fotógrafo. “Essa empatia significa tentar compreender a vida que elas levam, as razões pelas quais fazem o que fazem, sem justificar suas ações, mas simplesmente tentando, de coração aberto, imaginar que você está no lugar delas.” Veterano do fotojornalismo internacional e vencedor de importantes prêmios, Mats Nissen ficou também conhecido por uma imagem realizada em São Paulo durante a pandemia de Covid-19. A fotografia, vencedora do World Press Photo em 2021, mostra uma mulher idosa recebendo seu primeiro abraço em cinco meses através de uma cortina plástica de proteção. Síria pós-Assad Outro destaque desta edição é o francês Philémon Barbier, que apresenta dois trabalhos: um sobre o Ebola na República Democrática do Congo e outro sobre a Síria no período posterior à queda de Bashar al-Assad. Este último recebeu o prêmio de melhor reportagem do festival, concedido por um júri formado por editores internacionais. Barbier começou a acompanhar a Síria após a queda de Assad e, entre o início de janeiro de 2025 e o final de fevereiro de 2026, passou entre sete e oito meses no país, em diferentes períodos. Inicialmente trabalhando como freelancer, o fotógrafo posteriormente recebeu encomendas e apoio de grandes veículos de imprensa, entre eles o jornal Le Figaro. Para Barbier, apresentar o trabalho em Perpignan significa ampliar o alcance de uma reportagem que normalmente circularia sobretudo entre leitores da imprensa. “Apresentar este trabalho aqui é, antes de tudo, uma ótima visibilidade para o projeto, tanto no âmbito profissional quanto, principalmente, para o público”, diz. “É um festival em que todas as exposições são gratuitas, então é extremamente acessível. Para mim, isso é algo muito importante, porque acho fundamental que todo mundo possa ter acesso a essas histórias”, acrescenta o jovem fotojornalista, de 25 anos. O festival também mantém uma forte programação voltada às escolas da região, com visitas acompanhadas de alunos. “É muito bom poder alcançar pessoas que nem sempre leem a imprensa, que nem sempre veem essas fotografias nos meios de comunicação.” Inteligência artificial Mas, em 2026, a discussão sobre o futuro da profissão passa também pela inteligência artificial. A tecnologia esteve presente nos debates do festival e levanta questões sobre direitos autorais, utilização de arquivos fotográficos e o próprio papel do fotógrafo. Para Philémon Barbier, um dos principais problemas está na utilização de imagens e do trabalho de ...
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  • Mostra em Paris revela força do legado de Tintoretto, gigante da pintura veneziana do Renascimento
    2026/09/04
    Perspectivas vertiginosas, efeitos dramáticos de luz, pinceladas rápidas e uma liberdade criativa que desconcertava seus contemporâneos. Em cartaz a partir de 11 de setembro no Museu Jacquemart-André, em Paris, a exposição Tintoretto Eterno revisita a trajetória de Jacopo Robusti, um dos grandes nomes da Renascença. Com cerca de 40 obras, a mostra demonstra como o artista permaneceu uma referência para sucessivas gerações de pintores e por que sua obra continua surpreendentemente atual. Entre os gigantes da pintura italiana do século 16, Tintoretto ocupa uma posição singular. Admirado por alguns, criticado por outros, ele construiu uma obra marcada pela velocidade de execução, pela teatralidade das composições e por uma liberdade formal que frequentemente escapava às convenções de seu tempo. Mais de quatro séculos após sua morte, essa mesma capacidade de desconcertar continua no centro da exposição Éternel Tintoret (Tintoretto Eterno), que o Museu Jacquemart-André apresenta entre setembro de 2026 e janeiro de 2027. A mostra reúne cerca de 40 pinturas e obras gráficas provenientes de coleções francesas, italianas e internacionais e propõe um panorama amplo da carreira de Jacopo Robusti, nascido em Veneza em 1518 ou 1519. Conhecido pelo apelido Tintoretto, derivado da profissão de tintureiro exercida por seu pai, o artista se tornaria uma das figuras centrais da Renascença veneziana, autor de alguns dos mais ambiciosos ciclos decorativos do período e responsável por levar a pintura da cidade a um de seus momentos de maior intensidade criativa. Para Neville Rowley, curador da exposição, o principal mérito da iniciativa é justamente recolocar Tintoretto no centro da narrativa. “É a primeira exposição que volta a oferecer um panorama completo da arte de Tintoretto na França”, explica. Segundo ele, embora o artista tenha sido tema de mostras importantes em Veneza, Roma ou Madri, e embora uma exposição dedicada ao jovem Tintoretto tenha sido apresentada em Paris em 2018, o pintor veneziano frequentemente aparece diluído em exposições coletivas dedicadas aos grandes mestres da Sereníssima. “Durante muito tempo ele foi apresentado ao lado de seus rivais, Ticiano ou Veronese. Aqui, o objetivo é explicar ao público francês a arte de Tintoretto e mostrar aspectos de sua produção que nem sempre são conhecidos.” A escolha faz sentido em um país que mantém uma longa relação com sua obra. Como lembra Rowley, o pintor era apreciado na França desde o século 17. Luís XIV possuía obras suas na coleção real, e parte desse diálogo histórico reaparece ao longo do percurso expositivo. O artista que se recusava a obedecer Se há uma palavra capaz de resumir Tintoretto, talvez seja independência. A exposição recupera uma observação célebre de Giorgio Vasari, que definiu o veneziano como “o espírito mais terrível que a pintura jamais conheceu”. A frase pode soar exagerada, mas ajuda a entender a reputação construída pelo artista entre seus contemporâneos. Para Rowley, Tintoretto era alguém que se recusava a seguir modelos estabelecidos, mesmo quando os modelos eram os maiores artistas de seu século. “Ele tinha diante de si duas referências gigantescas. De um lado, Ticiano, que provavelmente foi seu mestre por um breve período. De outro, Michelangelo, que ele admirava profundamente. Mas, em vez de seguir qualquer um deles, decidiu fazer tudo à sua maneira.” O curador observa que a ruptura não era apenas estética. Tratava-se também de uma atitude diante da própria prática artística. “Ele queria pintar mais rápido, de maneira mais livre, em formatos maiores que os de Ticiano. E copiava Michelangelo do jeito dele, reinterpretando o mestre segundo sua própria lógica. Isso era algo que Vasari simplesmente não conseguia aceitar.” Essa independência se tornou uma marca de toda a sua trajetória. Enquanto outros artistas buscavam equilíbrio e acabamento, Tintoretto avançava em direção "ao excesso, à velocidade e à experimentação". A velocidade como assinatura Uma das características mais comentadas de sua produção era a chamada prestezza, termo italiano utilizado para descrever a rapidez de sua execução. Os críticos da época viam essa velocidade com desconfiança. Alguns interpretavam a pincelada livre como sinal de descuido. Tintoretto, porém, jamais alterou sua maneira de trabalhar. “Um amigo de Ticiano chegou a reconhecer que ele pintava muito bem, mas sugeriu que talvez devesse desacelerar um pouco”, conta Rowley. “Tintoretto nunca desacelerou”. O resultado foi uma produtividade rara, mesmo para os padrões da Renascença. “São aproximadamente 650 pinturas conhecidas, provavelmente mais. É uma produção excepcional.” Para o curador, essa energia quase inesgotável explica parte da reação provocada por sua obra. Quando surgia uma encomenda monumental, Tintoretto não demonstrava ...
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  • Com The Cure no headline, festival parisiense Rock en Seine realiza uma de suas edições mais roqueiras
    2026/08/26
    A capital francesa vive a sua semana mais roqueira do ano: o Rock en Seine começa na noite desta quarta‑feira (26) e cerca de 80 de bandas sobem nos quatro palcos do festival até domingo (30). Realizado há 23 anos em Saint-Cloud, na região parisiense, o evento acolhe, a cada edição, cerca de 150 mil expectadores. No line‑up, uma seleção de peso: Nick Cave and the Bad Seeds, Franz Ferdinand, The Black Keys, Interpol, Deftones, Slowdive, Wet Leg, entre dezenas de outros artistas e bandas. O headliner desta edição, no entanto, é o mítico grupo britânico The Cure, que completou neste ano 50 anos de carreira. A banda encerra aqui em Paris sua turnê de 2026, com um show que promete ser grandioso. Após várias tentativas de diversificar a oferta musical do festival, o Rock en Seine oferece neste ano uma de suas edições mais rock dos anos 2020. Segundo o diretor do Rock en Seine, Mathieu Ducos, a decisão foi tomada após reivindicações dos frequentadores, tradicionalmente interessados no gênero musical que dá nome ao evento. "Foi uma escolha proposital. Fazemos a programação a partir das oportunidades que aparecem, com artistas e grupos que estão em turnê e que estão disponíveis nas datas do festival", diz. "Mas, neste ano lançamos o desafio de fazer uma programação mais ancorada na estética rock e tivemos a sorte de conseguir agendar muitos artistas que adoramos. Alguns deles já vieram ao Rock en Seine e marcaram a história do festival. Por isso, não hesitamos em fazer um fim de semana bem rock, para que todos os tipos de rock encontrem o seu espaço", reitera. A proposta agrada o público e atrai frequentadores cativos e novatos. É o caso da crítica de cinema franco-brasileira Letícia Alassë, que mora há oito anos em Paris, mas irá pela primeira vez ao Rock en Seine, para prestigiar quatro de suas bandas favoritas na sexta-feira (28). "Vai ter Nick Cave and the Bad Seeds, Black Keys, Franz Ferdinand e Wilco. Acho que esse dia vai ser especial por ter exatamente esses quatro grandes shows", prevê. "Eu vou realmente para prestigiar as músicas que eu já conheço e para cantar junto. Tenho boas expectativas principalmente para o show de Franz Ferdinand. Eu espero que eles cantem as músicas do início dos anos 2000. E, óbvio, Nick Cave, estou esperando a música da abertura do seriado de Peaky Blinders." Cinco dias de festival Em sua 23a edição, o Rock en Seine conserva o formato adotado nos últimos quatro anos, com os dois primeiros dias dedicados a um público mais fã de pop e rap, com Lorde e Tyler The Creator no line-up. Mas Ducos lembra que nem só de grandes nomes vive um festival, e o evento também segue firme e forte em sua iniciativa de promover jovens artistas e bandas, com o projeto Club Avant Seine. "É verdade que, a cada ano, temos vontade de fazer o nosso público descobrir artistas nacionais ou internacionais emergentes", reconhece. "Para mim, festival rima com descoberta, com tomada de risco, tanto da parte dos programadores quanto do público, que vai poder descobrir artistas e grupos sobre sobre os quais, às vezes, não sabe nada. Na minha opinião, é isso o que torna um festival interessante", observa. Nos circuitos dos festivais, o Rock en Seine também é famoso por registrar momentos históricos, como a separação do Oasis, antes de subir no palco do evento, em 2009, uma apresentação épica sob uma chuva torrencial de Arcade Fire no encerramento do festival, em 2010, a passagem da pira olímpica de Paris 2024 ou a tentativa fracassada de políticos locais de cancelar o show do trio norte-irlandês Kneecap, que realizou uma apresentação memorável em 2025. Neste ano, Mathieu Ducos não tem dúvidas que o show de The Cure, no domingo, será mágico. "A presença do The Cure é, para nós, uma enorme felicidade. E, para mim, pessoalmente, porque é uma banda que eu venero e que acompanhou toda a minha adolescência e a minha vida adulta até hoje", explica. Também sabemos que as oportunidades de ver o grupo no palco vão se tornar cada vez mais raras. Sem que isso tenha sido anunciado formalmente, essa é uma mensagem subjacente que já aparece claramente nas falas do cantor Robert Smith", aponta. A banda britânica sobe no principal palco do Rock en Seine na noite de domingo, encerrando esta edição do festival. O show, marcado para as 20h55 pelo horário local terá transmissão ao vivo pelo canal France 4. "Acho que vai ser um grande momento. The Cure provou, ao longo da turnê neste verão, que no palco continua absolutamente fabuloso — e Robert Smith é um cantor no auge de suas capacidades", conclui Ducos.
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