エピソード

  • O que pensa o coach de alguns dos principais empresários da França
    2026/09/05
    O psiquiatra e coach francês Éric Albert é uma figura relativamente desconhecida do grande público, mas extremamente influente nos bastidores do empresariado da França. A revista Le Point acaba de publicar uma extensa reportagem sobre ele, que já trabalhou com dirigentes de cerca de dois terços das empresas do índice CAC 40, as maiores companhias listadas na Bolsa de Paris. Para Éric Albert, o sucesso dos grandes executivos depende menos da inteligência técnica e mais da capacidade de administrar emoções, escutar equipes e lidar com o próprio ego. A principal tese defendida pelo coach é que a inteligência emocional diferencia os líderes de alto desempenho, segundo a reportagem. Albert argumenta que os melhores alunos nem sempre são aqueles que chegam mais longe profissionalmente. O fator decisivo seria a capacidade de controlar impulsos, gerir ansiedade e adaptar comportamentos diante de situações complexas. Essa ideia é ilustrada pela reportagem com o famoso "teste do marshmallow", experiência psicológica que mede a capacidade de adiar recompensas imediatas. Para Albert, essa competência é mais determinante para a liderança do que os diplomas de elite obtidos em instituições como a École Polytechnique ou a antiga École Nationale d'Administration (ENA), ambas na França. O maior perigo para os dirigentes: a arrogância Outro ponto que chama atenção é a visão de Albert sobre o chamado "hubris", termo grego associado ao excesso de confiança e à arrogância. Segundo ele, muitos líderes acabam acreditando que não precisam de ajuda porque são inteligentes ou ocupam posições de poder. A reportagem relata inclusive que, apesar de intermediários tentarem organizar encontros entre ele e Emmanuel Macron, o presidente francês jamais aceitou. Para Albert, a crença de que não se precisa de aconselhamento está entre os maiores riscos para quem exerce funções de comando. O poder da escuta Ao contrário da imagem estereotipada dos coaches motivacionais, que apresentam fórmulas prontas e discursos sobre alta performance, Albert é descrito por seus clientes como alguém cuja principal qualidade é ouvir. Seu trabalho consiste em oferecer aos dirigentes um espaço onde possam falar livremente sobre dúvidas, medos, conflitos internos e decisões estratégicas sem receio de vazamentos. A reportagem destaca que ele se torna depositário de segredos empresariais, financeiros e humanos, conhecendo muitas vezes antecipadamente processos de sucessão, fusões e mudanças de gestão. A condição fundamental para esse trabalho é a confidencialidade absoluta. O líder não precisa só decidir, precisa convencer Talvez a observação mais relevante para gestores seja sua distinção entre competência técnica e capacidade de liderança. Segundo Albert, muitos executivos chegam ao topo por serem especialistas brilhantes. O problema surge quando passam a liderar equipes numerosas. Em suas palavras, ninguém ensina verdadeiramente a gerir pessoas. A partir daí, o sucesso depende da capacidade de persuadir, tranquilizar, ouvir e criar consenso. A reportagem cita como contraexemplo o ex-dirigente da Stellantis, Carlos Tavares. Embora reconheça sua competência estratégica, Albert avalia que ele teria operado dentro de um repertório comportamental muito limitado, baseado excessivamente em pressão e cobrança, sem conseguir adaptar seu estilo às diferentes circunstâncias. A necessidade de alguém que diga a verdade Outro ensinamento interessante é que, quanto mais alto alguém sobe na hierarquia, menor tende a ser o número de pessoas dispostas a contradizê-lo. A matéria reproduz o depoimento de Éric Lombard, ex-ministro da Economia da França, segundo o qual dirigentes acabam frequentemente tratados como "deuses vivos". Por isso, precisam ao seu redor de alguém capaz de dizer verdades incômodas. O papel de Albert seria justamente funcionar como esse interlocutor independente, livre das pressões políticas e corporativas que cercam os grandes executivos. O segredo das empresas familiares A reportagem também mostra que parte importante de seu trabalho ocorre nas grandes empresas familiares. Um dos exemplos relatados é o processo sucessório da Sodexo. Em vez de o fundador impor sozinho a escolha do sucessor, Albert teria incentivado os herdeiros a construir coletivamente o método de seleção. O resultado foi a escolha de Sophie Bellon, aceita consensualmente pela família. Segundo a revista, a solução evitou conflitos e preservou a estabilidade do grupo. A inteligência coletiva acima dos egos Para Albert, a grande questão das organizações modernas não é apenas encontrar líderes talentosos, mas fazer com que líderes talentosos trabalhem juntos. Seu foco está nos comitês executivos, os grupos que concentram o poder das grandes empresas. Ele considera que reuniões dominadas por disputas de ego ou pela falta de atenção comprometem a qualidade ...
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  • Dilemas da inteligência artificial na França: o desafio escolar, as urnas de 2027 e a ameaça biológica
    2026/08/29

    As revistas semanais francesas mostram a inteligência artificial como uma força cada vez mais presente e transformadora, capaz de mexer com áreas centrais da sociedade — da educação à democracia e à segurança internacional.

    A Nouvel Obs aborda o impacto da IA sobre o sistema educacional francês. O uso dessas ferramentas pelos estudantes se tornou tão disseminado que já provoca debates sobre plágio, dependência e o chamado “descarregamento cognitivo”, quando parte do esforço intelectual é transferida para a máquina.

    Para os professores, isso cria um problema prático: como avaliar trabalhos feitos em casa quando não é possível saber quanto foi produzido pelo aluno e quanto pela inteligência artificial?

    As respostas ainda estão em construção e vão da reformulação dos métodos de ensino à adoção de medidas de precaução. Neurocientistas, por exemplo, defendem que assistentes de IA não sejam usados em sala de aula antes dos 12 anos, para preservar a aprendizagem de competências básicas e o desenvolvimento do pensamento crítico.

    Impacto político

    A L’Express, por sua vez, analisa o impacto político da IA nas eleições presidenciais francesas de 2027. Uma pesquisa exclusiva mostra o grau de desconfiança dos eleitores: 86% temem que a tecnologia seja usada para influenciar o resultado das eleições, e 40% a consideram uma ameaça direta à democracia. Apenas 3% dizem que seguiriam a recomendação de uma IA para escolher seu candidato — uma parcela pequena, mas que, em termos absolutos, representa cerca de 1,5 milhão de eleitores.

    A pesquisa também revela uma forte exigência de autenticidade, sobretudo entre os mais jovens. Os eleitores rejeitam especialmente o uso da IA em tarefas que envolvem diretamente a responsabilidade política dos candidatos, como escrever discursos ou elaborar propostas.

    Perigo das armas biológicas

    Já a Le Point chama atenção para outro risco muito grave: o potencial da inteligência artificial para facilitar o desenvolvimento de armas biológicas. A revista relata um experimento coordenado pelo MIT, no qual estudantes conseguiram encomendar fragmentos do vírus da gripe espanhola de 1918 a empresas de síntese genética, expondo falhas nos atuais sistemas de biossegurança.

    Com ferramentas de IA cada vez mais sofisticadas, pesquisadores demonstraram que é possível modificar moléculas biológicas perigosas de maneira a preservar suas características nocivas e, ao mesmo tempo, escapar dos mecanismos de detecção utilizados pelas empresas de síntese. O avanço tecnológico, nesse caso, está ocorrendo mais rapidamente do que a capacidade de governos e empresas de criar mecanismos eficazes de controle.

    Apesar dos alertas feitos por nomes importantes do próprio setor de tecnologia, a regulamentação continua fragmentada e não existem, em escala global, controles obrigatórios capazes de rastrear de forma sistemática transações potencialmente suspeitas.

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  • Dificuldade de recrutar soldados revela desgaste russo e reconfigura guerra na Ucrânia
    2026/08/22

    As principais revistas francesas que chegaram às bancas nesta semana abordam a guerra na Ucrânia, em um momento em que o avanço terrestre russo está bloqueado pela falta de efetivo. Para as publicações, a nova fase do conflito, marcada por bombardeios e ataques de longo alcance, é um sinal de que a paz continua distante.

    A Nouvel Obs publica uma reportagem sobre a crescente dificuldade de recrutamento na Rússia. Oficialmente, o ingresso nas Forças Armadas do país é voluntário e regido por contrato, afirma a revista. Mas, diante das perdas no campo de batalha, as autoridades têm recorrido a métodos cada vez mais coercitivos. Relatos nas redes sociais que conseguem driblar a rígida censura russa descrevem jovens capturados nas ruas, detidos e ameaçados de responder por tráfico de drogas caso se recusem a assinar o alistamento.

    O presidente russo, Vladimir Putin, corre contra o relógio ao mesmo tempo que Kiev intensifica sua campanha de bombardeios com drones em território russo. Esse é, aliás, o foco de uma análise publicada pela revista Courrier International, que afirma ser “incontestável” o sucesso técnico das operações ucranianas.

    Os ataques ucranianos atingiram duas refinarias russas no início deste mês, reduzindo a capacidade de processamento do país em um terço. A Ucrânia também passou a mirar em armazéns da gigante do comércio online Wildberries, que fornece equipamentos militares a Moscou, causando prejuízos próximos de € 3 bilhões.

    “Paralelamente, os ataques no mar de Azov, que atingiram 236 navios-alvo somente em julho, reduziram a circulação marítima russa em três quartos nesse eixo crucial”, observa o semanário.

    Kerch: eterno campo de batalha

    A revista L’Express traz uma reportagem sobre o Estreito de Kerch, único ponto de passagem entre o mar de Azov e o mar Negro, descrito no título como “o eterno campo de batalha entre Rússia e Ucrânia”. “A crise no Estreito de Ormuz mostrou bem como os estreitos têm um papel crucial no comércio mundial”, explica o texto, ao recapitular as décadas de disputa pelo Estreito de Kerch entre Moscou e Kiev.

    A publicação lembra que, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, as hostilidades se intensificaram na região, com a Ucrânia multiplicando ataques contra a ponte que liga a península da Crimeia à Rússia – território ucraniano anexado por Moscou em 2014.

    Em julho deste ano, uma vasta campanha ucraniana mirou em navios na região, atingindo uma centena de embarcações e afetando o tráfego marítimo russo. Para a revista, o principal objetivo é asfixiar a península da Crimeia, em uma batalha territorial, econômica e simbólica.

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  • Israel investe em indústria bélica nacional e pressiona por alistamento de ultraortodoxos
    2026/08/15

    As edições semanais das revistas francesas abordam diferentes aspectos de Israel. L'Express trata da questão militar e L'Obs traz uma reportagem sobre os enclaves ultraortodoxos.

    Segundo a revista L'Express, o governo israelense está articulando um plano estratégico para reduzir sua dependência militar histórica dos Estados Unidos, prevendo um investimento de mais de € 90 bilhões nos próximos dez anos para fortalecer sua indústria nacional de defesa.

    Essa mudança de postura ocorre em um momento de desgaste diplomático, no qual apenas 16% da opinião pública americana apoia o envio incondicional de armas para o país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem enfatizado que o futuro de Israel depende de sua própria força e de um sistema de produção de armamentos independente.

    Embora Israel continue dependente de tecnologias de ponta que não consegue fabricar, como os caças F-35 ou submarinos alemães, o país busca autonomia total na produção de munições, bombas de alta potência e drones.

    A reportagem de L’Express destaca que a relação com Washington está evoluindo para uma "Aliança 2.0" por meio de projetos como a "seção 224", que prevê uma integração profunda entre os complexos militares-industriais em áreas como inteligência artificial, computação quântica e fusão de dados de inteligência.

    Esse novo modelo de cooperação visa garantir a superioridade constante de Israel frente aos seus inimigos, mesmo diante de possíveis restrições políticas nas entregas de material bélico convencional.

    A realidade à parte dos ultraortodoxos

    Já a reportagem da L'Obs mergulha nas tensões internas da sociedade ao retratar os enclaves ultraortodoxos (Haredim), que vivem em uma realidade à parte e resistem ferrenhamente ao serviço militar. Com uma taxa de fecundidade de mais de seis filhos por mulher, essa comunidade representa hoje 14% da população, mas pode chegar a um quarto dos israelenses até 2050.

    Em bairros como Mea Shearim, a vida é regida pela observância estrita da lei judaica, sem smartphones ou televisão, e o foco principal dos homens é o estudo dos textos sagrados em detrimento da integração econômica ou social.

    Essa resistência à conscrição, herdada de 1948, foi invalidada pela Suprema Corte em 2024, gerando um impasse com as Forças de Defesa de Israel (Tsahal), que enfrentam escassez de soldados em meio aos conflitos atuais.

    A questão é explosiva para o governo, pois os partidos ultraortodoxos na Knesset possuem um peso político crescente e ameaçam derrubar a coalizão de Netanyahu caso seus membros sejam forçados a servir. Enquanto isso, a comunidade lida com altos índices de pobreza (34% das famílias) e uma estrutura social em que 80% das mulheres trabalham para sustentar os lares, enquanto a maioria dos homens se dedica exclusivamente à vida religiosa.

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  • Imprensa francesa vê eleição brasileira como pleito decisivo entre soberania e ingerências de Trump
    2026/08/08
    A imprensa francesa descreve a eleição brasileira de outubro como um duelo marcado pelo desgaste, pela polarização e pela influência direta de Donald Trump. De acordo com Le Point, Les Échos, Le Figaro e Le Monde, Lula tenta se afirmar como "defensor da soberania" enquanto enfrenta críticas sobre economia, segurança e corrupção. Flávio Bolsonaro, por sua vez, carregaria o peso das investigações que cercam sua família e da eterna pressão norte-americana sobre o Brasil. O Le Point descreve a eleição brasileira de outubro como decisiva para o país e para a região. A revista francesa afirma que o Brasil, vulnerável no novo cenário de disputa entre potências, enfrenta uma democracia abalada pela guerra cultural. O texto apresenta a disputa como um novo confronto, ou um "eterno retorno", entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, agora por meio de Flávio Bolsonaro. Para o semanário, Lula, aos 80 anos, tenta se firmar como "defensor da soberania" e do vínculo com a China, enquanto Flávio Bolsonaro se apoia na figura paterna e enfrenta o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acusado de fraude. Leia tambémEleições brasileiras estão na mira da extrema direita global Instabilidade Le Point detalha ainda a situação econômica: crescimento baixo, inflação elevada, déficit público e dívida alta. O país, segundo a revista, vive uma “mexicanização”, com organizações criminosas controlando parcela significativa do PIB. O sistema político fragmentado e a polarização alimentam a instabilidade. Para a revista, a postura internacional do Brasil, baseada no multilateralismo, é pressionada pela disputa entre China e Donald Trump, que impôs tarifas de 50% e depois 37,5% sobre produtos brasileiros. O acordo Mercosul-União Europeia, firmado em 1º de maio de 2026, permanece, segundo a publicação, limitado pela falta de ambição europeia e pelo "ressentimento histórico do Sul global". Já o Les Échos adota uma leitura mais irônica ao destacar o desgaste de Lula após décadas de vida pública. O jornal observa que o presidente evita escolher um sucessor e insiste que “ninguém tem tanta experiência quanto eu”. A publicação ressalta que, num ambiente dominado pela polarização, o eleitor vota mais contra do que a favor. O jornal também lembra que Flávio Bolsonaro, seguindo os passos do pai, foi atingido por suspeitas de corrupção, reforçando a sensação de que a disputa se apoia mais no medo do adversário do que em projetos claros. Leia tambémLula larga na frente de Flávio, mas voto independente e direita pulverizada favorecem segundo turno A sombra de Trump Para o Le Figaro, a campanha aparece sob a sombra de Donald Trump. O jornal destaca que o presidente norte‑americano apoiou candidatos de direita na região e impôs tarifas sucessivas ao Brasil, reacendendo tensões comerciais. Lula reage com a bandeira da “soberania”, acusando Flávio Bolsonaro de incentivar Washington a prejudicar a economia brasileira. Segundo o jornal, o governo brasileiro chegou a negar vistos a representantes dos EUA para evitar “instrumentalização política” antes do pleito. O Le Monde reforça esse quadro ao relatar a convenção do Partido dos Trabalhadores em São Paulo, onde Lula lançou sua campanha afirmando estar “em plena forma”. O jornal descreve o ambiente de forte polarização, o peso da criminalidade e da corrupção, e lembra que tanto Flávio Bolsonaro quanto um dos filhos de Lula enfrentam investigações. A publicação também menciona o discurso do presidente sobre defesa militar e proteção das terras raras, num contexto de disputa geopolítica envolvendo China, EUA e Europa.
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  • Quem são os três aspirantes a ‘Milei francês’, segundo revista
    2026/08/01

    Excêntrico, o presidente argentino Javier Milei cultiva admiradores para além de seus eleitores. A revista francesa Le Point desta semana examina a ascensão de três figuras que tentam importar para a França a receita de liberalismo radical associada ao líder sul-americano, na perspectiva da eleição presidencial de 2027 no país.

    O texto mostra como Guillaume Kasbarian, Christelle Morançais e David Lisnard ocupam espaços diferentes no campo político, mas compartilham a mesma ambição: reduzir o peso do Estado e transformar o debate público francês. Os “três mosqueteiros”, frisa a semanal, se distinguem por ambições, estilos e bases partidárias, porém suas ideias já circulam com força no centro e na direita do país.

    No perfil de Guillaume Kasbarian, deputado aliado do governo de Emmanuel Macron e ex-ministro da Habitação, Le Point descreve um adepto de um liberalismo econômico "quase militante". Ele aposta na disseminação de ideias dentro da ala centrista e não visa concorrer nas urnas, salienta a publicação.

    A revista destaca uma tese provocadora de Kasbarian: a de que “os franceses são liberais sem saber”, e estariam mais abertos ao discurso pró-mercado do que parece.

    Laboratório da austeridade no noroeste francês

    Já Christelle Morançais, dirigente do partido Horizontes, de centro-direita, surge como o perfil mais surpreendente: gestora da região Pays de la Loire, no noroeste francês, ela transformou o governo regional em “um laboratório de austeridade, reduzindo subsídios e enfrentando críticas da esquerda e até de aliados".

    Obcecada pela redução da dívida, Morançais sintetiza a imagem de governante dura, que “não tem medo de medidas impopulares”, a exemplo de Milei.

    O prefeito de Cannes, por sua vez, é retratado como o mais frontal e o mais teatral dos três. David Lisnard é candidato assumido à presidência, depois de romper com o partido tradicional de direita Os Republicanos e criar o próprio movimento, Nouvelles Énergies ("Novas Energias"), no qual prega uma ampla redução “da burocracia do Estado francês".

    'Afuera!' em francês

    Le Point aponta que ele adota o lema de Milei, “Afuera!” (“Fora!", em espanhol), como palavra de ordem contra o que chama de excesso de normas.

    A revista salienta que o chamado “miléismo” seduz parte da direita francesa, mas sua tradução na realidade política do país ainda é incerta. A publicação mostra que, por trás da admiração por Javier Milei, há divergências profundas sobre método, tom e viabilidade eleitoral, além da dificuldade de compatibilizar libertarianismo com conservadorismo.

    “[Milei] é um anarco-capitalista doido. Não funcionaria jamais na França”, avaliou um dos caciques da direita tradicional do país.

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  • Apreensão com o futuro impulsiona movimento anti-IA no mundo, incluindo cientistas e especialistas
    2026/07/25

    Menos de quatro anos depois de o uso da inteligência artificial se expandir pelo mundo, cidadãos e cientistas de diversas áreas – da tecnologia ao meio ambiente, passando pela economia e medicina – se mobilizam em um movimento anti-IA. Por temor em relação à perda do controle sobre as máquinas ou ao impacto, talvez irreversível, sobre o emprego e as relações humanas, os contestadores da ferramenta ganham terreno e alertam sobre os seus riscos.

    O tema é a reportagem de capa da revista francesa Le Nouvel Obs desta semana. A edição relata a realização de protestos, incluindo a greve de fome do ativista Michael Trazzi, e até uma tentativa de atentado contra Sam Altman, CEO da gigante de inteligência artificial OpenAI, na Califórnia.

    “Nem todos os opositores da IA são tão engajados como Trazzi, nem tão violentos como Daniel Moreno Gama - o texano que lançou um coquetel molotov contra a casa de Altman -, mas as suas ações simbolizam uma revolta surda contra a maré mundial da IA”, indica a revista.

    Nunca antes uma tecnologia foi tão massivamente adotada quanto esta, enfatiza Le Nouvel Obs, embora 50% dos franceses admitam não confiar na IA. Apenas 8% dos entrevistados em uma pesquisa Ifop no país disseram que desejam que o desenvolvimento da tecnologia seja acelerado.

    O movimento Pause IA, por exemplo, alega que a inteligência artificial gera “perigos extremos para a humanidade a curto prazo”, na medida em que avança sem regulamentação na maioria dos países do mundo. A organização destaca que o desenvolvimento da IA está nas mãos de “meia dúzia de tecno-oligarcas de escrúpulos duvidosos”, como Elon Musk e Mark Zuckerberg.

    Transumanista sueco desconfia da IA

    A semanal ressalta ainda que esse movimento de contestação inclui “alguns dos melhores cientistas dessa área”, que conhecem como ninguém os riscos de perda de controle dos humanos sobre a inteligência artificial. Também engloba nomes como a professora de Harvard, Stefanie Stantcheva, que defende a reflexão “urgente”, pelos países, sobre mecanismos de redistribuição de renda diante dos impactos da IA no mercado de trabalho. Ou ainda simplesmente moradores do interior que se recusam a ver as áreas rurais serem tomadas pela construção de data centers, essenciais para a tecnologia.

    Em entrevista à revista L’Express, o doutor em neurociências computacionais e “transumanista assumido” Anders Sandberg, sueco de 54 anos, exprime seus receios, embora seja um grande fã das tecnologias em geral. "Ainda não compreendemos os fundamentos da IA moderna, e é precisamente isso que deveria nos deixar apreensivos", afirmou ele à publicação.

    Questionado sobre como a máquina o descreveria, ele respondeu: "Como um homem que quer construir esferas de Dyson, viver para sempre e colonizar a Via Láctea, mas que ao mesmo tempo sustenta que não se pode confiar plenamente na IA".

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  • Peça de Christiane Jatahy e Wagner Moura conquista a crítica francesa no Festival de Avignon
    2026/07/18

    A peça “Um Julgamento – depois de O Inimigo do Povo”, da diretora brasileira Christiane Jatahy em parceria com o ator Wagner Moura e o dramaturgo Lucas Paraizo, vem recebendo elogios da imprensa francesa após sua estreia no Festival de Avignon 2026, na França. Concebida como uma continuação contemporânea de “Um Inimigo do Povo”, clássico de Henrik Ibsen, a montagem foi saudada por revistas semanais pela atualidade de seus temas, a inovação cênica e a atuação de Moura.

    A revista cultural Télérama destacou a capacidade de Jatahy e Moura de imaginar uma sequência para a obra de Ibsen, que mantém viva a reflexão sobre os conflitos entre interesses econômicos, questões ambientais e o bem comum. Para a revista, o público é privilegiado de acompanhar o embate entre visões de mundo opostas representadas pelos irmãos Thomas e Peter Stockmann.

    Já a revista Le Nouvel Obs ressaltou o desempenho de Wagner Moura, descrevendo o ator como um convincente “denunciante”, figura central da trama. Na crítica, o veículo lembra que “Um Julgamento” retoma a história no ponto exato no qual Ibsen a encerrou, transferindo-a para a América do Sul contemporânea. Thomas Stockmann, agora brasileiro, enfrenta um tribunal popular após denunciar a contaminação das águas que garantem a economia de sua comunidade.

    Segundo a revista, a peça aborda temas de grande relevância atual, como corrupção, negacionismo, fake news, crise ambiental e o isolamento enfrentado por denunciantes que desafiam interesses econômicos poderosos. Embora faça algumas ressalvas ao ritmo de determinadas passagens do espetáculo, observando que "a encenação se mostra por vezes estranhamente monótona, e as falas, alternadas entre português, inglês e francês, podem se tornar cansativas", a crítica insiste que o trio de protagonistas sustenta o interesse do público. Le Nouvel Obs salienta ainda a interpretação “febril e combativa” de Wagner Moura.

    "Máquina teatral"

    Os elogios mais entusiasmados nesta primeira semana de apresentações vieram da revista Les Échos Week-End, que descreveu a peça como uma “formidável máquina teatral” e afirmou que o espetáculo “conquistou Avignon”. A publicação destacou como Christiane Jatahy transpõe a ação para o Brasil contemporâneo sem perder a força original do texto de Ibsen. "É teatro de alto nível, elevado pela presença magnética e intensa de Wagner Moura", avalia.

    Como a Nouvel Obs, Les Échos Week-End chama a atenção para a inserção de vídeos no palco, apontando que "a osmose teatro-cinema é perfeita". A publicação sublinha um dos elementos que considera mais originais da montagem: o julgamento acontece ao vivo e o veredito pode mudar a cada apresentação, já que 11 espectadores, escolhidos por sorteio, formam o júri responsável por decidir se Thomas Stockmann é ou não um “inimigo do povo”.

    Segundo a revista Les Échos Week-End, o aparato cênico ajuda a abordar tanto o fortalecimento das chamadas “verdades alternativas” e a manipulação dos regimes democráticos, quanto os desafios de comunicar e fazer aceitar verdades que incomodam. A revista lembra ainda que o espetáculo foi criado no Brasil e a experiência do governo Bolsonaro "certamente teve um impacto em sua concepção".

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