エピソード

  • Questionamentos sobre saúde mental de Trump ganham espaço na imprensa francesa
    2026/04/25

    Donald Trump é louco? A pergunta na manchete de capa da revista francesa L’Express desta semana ecoa a dúvida de muita gente em todo o mundo diante do comportamento imprevisível do presidente dos Estados Unidos. A publicação, que chegou às bancas na quinta-feira (23), traz uma série de reportagens investigativas com o objetivo de confirmar ou desmentir essa suspeita.

    Após várias declarações chocantes, sobretudo depois do início da guerra contra o Irã, a L’Express lembra que o auge das provocações do republicano foi atingido quando ele ameaçou destruir a civilização iraniana. Uma semana depois, mudou de alvo e provocou um escândalo ao criticar o papa Leão XIV, a quem chamou de fraco. Diante das reações negativas, apagou publicações e mudou de narrativa sem demonstrar qualquer constrangimento.

    Desde o início do mês de abril, parece que algo está fora da ordem no comando dos Estados Unidos, que vêm acumulando reveses, sintetiza a reportagem. Muitos críticos e opositores apontam uma suposta loucura ou o início de uma demência do presidente, que completará em breve 80 anos. A tal ponto que no Congresso americano, representantes democratas, com o apoio de alguns republicanos insatisfeitos, anunciam que pretendem recorrer à 25ª Emenda da Constituição, que prevê a substituição do presidente em caso de incapacidade para governar. Trata-se de uma iniciativa com consequências potencialmente muito mais graves.

    Discutir a saúde mental de Trump "pode ser uma faca política de dois gumes". A medida exige maioria absoluta no Congresso, algo que os democratas não possuem, e a tese da loucura pode acabar desacreditando o país no cenário internacional. Jeffrey Sonnenfeld, especialista ouvido pela revista, afirma que "a impressão de caos produzida por Donald Trump é uma estratégia deliberada do presidente, que divide para governar melhor e transgride voluntariamente as normas, obtendo às vezes bons resultados".

    Louco, psicopata ou habilidoso?

    A suposta loucura de Trump também interessa a outros meios de comunicação franceses. Em entrevista à rádio pública France Inter, o neuropsiquiatra Boris Cyrulnik afirma que o republicano não é um "louco irresponsáve"l, mas "um psicopata que tem o dinheiro como único valor da condição humana".

    Psicopata, louco ou habilidoso, o fato é que a guerra no Irã veio atrapalhar até mesmo as melhores estratégias de comunicação do presidente americano, "que perdeu a mão", escreve a Nouvel Obs em editorial.

    Diante de tantas críticas e da queda em sua popularidade, "Trump vive o início do fim de seu poder?" questiona a L’Express. Alguns analistas afirmam que a guerra contra o Irã seria o Vietnã do republicano. Mas estamos realmente assistindo ao seu crepúsculo?

    "O 47º presidente dos Estados Unidos ainda tem várias cartas na manga e já demonstrou diversas vezes sua habilidade em transformar críticas em armas políticas". Mesmo que os republicanos sejam derrotados nas eleições de meio de mandato em novembro, Trump permanecerá no poder até 20 de janeiro de 2029, conclui a L'Express.

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  • Como a guerra no Oriente Médio corrói o apoio árabe aos Estados Unidos
    2026/04/18

    A guerra no Oriente Médio tem abalado o apoio aos Estados Unidos no mundo árabe. O tema é destaque nas revistas semanais francesas, que apontam uma mudança de preferência dessas populações em direção aos grandes rivais de Washington: China, Irã e Rússia.

    A revista L’Express publica os resultados de pesquisas realizadas pelo Barômetro Árabe, que estuda a opinião pública no mundo árabe desde 2006. Essa mudança começou a se intensificar após a guerra devastadora conduzida por Israel, com apoio dos Estados Unidos, na Faixa de Gaza, e se prolonga até hoje. Segundo o levantamento, os habitantes do Oriente Médio “perderam quase toda a confiança na ordem regional dirigida por Washington”.

    Embora muitos países do Golfo Pérsico continuem a considerar o programa nuclear iraniano uma ameaça, a guerra iniciada por Israel e pelos EUA contra Teerã intensifica o sentimento antiamericano na região. Nesse contexto, colaborar abertamente com Washington pode se transformar em fonte de protestos, algo que os dirigentes autoritários do mundo árabe detestam. Ainda segundo a reportagem, com os ataques ao Irã, os Estados Unidos passam a perder a imagem de defensores dos direitos humanos.

    A revista Le Point dedica uma reportagem ao sultanato de Omã, que já foi considerado a Suíça do Oriente Médio por seu papel histórico de mediador em conflitos. Foi em Mascate, por exemplo, que o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reuniram indiretamente com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em abril de 2025. O apoio americano à guerra lançada por Israel, em junho de 2025, alterou profundamente o cenário diplomático. “Omã se sentiu insultado por Trump”, afirma Abdullah Baabood, professor de relações internacionais da Universidade Waseda, em Tóquio, ouvido pela revista.

    Já a Le Nouvel Obs, que chega às bancas, analisa as tentativas de acordo entre os Estados Unidos e Teerã, com mediação do Paquistão. Segundo a revista, Donald Trump teria sido convencido pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a tentar derrubar um governo que estaria “enfraquecido após a primeira guerra de doze dias”, em junho de 2025. Apesar das reservas do secretário de Estado Marco Rubio, Trump apostou que o regime iraniano, no poder desde 1979, cairia facilmente após bombardeios. Quarenta dias depois, a realidade sugere que o presidente pode ter se equivocado ao envolver os Estados Unidos em um conflito sem precedentes desde a invasão do Iraque, em 2003. O Irã, por sua vez, pode sair fortalecido ao ampliar a instabilidade regional e ao bloquear o Estreito de Ormuz, o que tem impacto na economia internacional, levando as monarquias do Golfo a pressionar Washington. O resultado é uma erosão acelerada do prestígio americano no mundo árabe, em um momento de profundas recomposições geopolíticas no Oriente Médio.

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  • Energia russa, apoio conservador e propaganda: entenda o plano de Orbán para vencer as eleições húngaras
    2026/04/11

    Às vésperas das eleições legislativas na Hungria, marcadas para este domingo (12), o primeiro‑ministro Viktor Orbán tenta se manter no poder com o apoio de Moscou, Pequim e Washington. Nem os alertas da maioria dos 26 Estados-membros da União Europeia (UE), nem as consequências da guerra na vizinha Ucrânia parecem abalar a determinação do líder conservador, que está há 16 anos no comando do país. O tema é destaque das principais revistas semanais francesas.

    A Le Point destaca que, embora a UE invista bilhões de euros na Hungria desde 2004 para a construção de rodovias, metrôs e pontes, é junto à Rússia — em guerra aberta contra os europeus — que Viktor Orbán adquire 80% do petróleo e do gás indispensáveis ao país. Pior do que isso, cartazes de campanha espalhados em diversas cidades desgastam a imagem da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, retratados como “perigosos”.

    Para a oposição, no entanto, a dependência energética “não deve justificar essa aliança com o Kremlin”, já que haveria alternativas viáveis. O texto sugere ainda que o líder húngaro se beneficia de uma relação opaca com o presidente russo, Vladimir Putin.

    Segundo a revista Le Nouvel Obs, as pesquisas eleitorais indicam o partido nacional‑populista de Orbán, o Fidesz, atrás da oposição liderada por Péter Magyar, diplomata que denunciou a corrupção dentro da legenda governista. O líder do partido Tisza alerta para a ingerência de equipes de inteligência russa em campanhas de desinformação no país.

    Aproximação de líderes ultraconservadores

    O jornal Washington Post chegou a divulgar a existência de um plano envolvendo uma tentativa de assassinato de Orbán para impulsionar sua popularidade. A aproximação com o presidente americano, Donald Trump, e outros líderes conservadores, como o argentino Javier Milei, também integra a estratégia de campanha. O vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance visitou a Hungria na semana que antecedeu a votação para apoiar o atual primeiro‑ministro.

    Já a revista L’Express analisa a transformação do Mathias Corvinus Collegium (MCC), instituição educacional fundada em 1996 para apoiar estudantes de baixa renda, em uma “máquina de propaganda” do governo ultraconservador de Viktor Orbán. Privatizado em 2021, o instituto recebeu forte apoio financeiro da companhia petrolífera MOL, cuja receita depende do petróleo russo. Desde então, o MCC se expandiu e passou a atuar em 31 localidades, incluindo Romênia, Eslováquia e Ucrânia.

    A revista aponta ainda que instituições ligadas a Orbán contam com apoio explícito de Washington. Nas palavras do secretário de Estado americano Marco Rubio, “a vitória de Orbán é a nossa vitória”.

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  • Revistas francesas detalham como Trump usa mandato para se enriquecer e aumentar reservas de urânio
    2026/04/04
    As revistas francesas Le Point e L’Express traçam, nesta semana, um retrato inquietante da presidência de Donald Trump. Enquanto Le Point descreve um chefe de Estado que transforma o cargo em plataforma de enriquecimento pessoal e influência econômica, L’Express mostra um líder disposto a assumir riscos militares elevados para controlar 440 kg de urânio enriquecido no Irã. Entre negócios e geopolítica, emerge a figura de um presidente que mistura poder e dinheiro de forma inédita no mundo. Segundo reportagem da revista francesa Le Point, publicada nesta semana, o retorno de Donald Trump à Casa Branca teria consolidado uma forma inédita de fusão entre poder político e enriquecimento pessoal. A revista descreve o presidente norte-americano como alguém que transformou o exercício do cargo em uma plataforma de rentabilização contínua, seja por meio de eventos privados, ativos imobiliários, criptomoedas ou relações políticas convertidas em vantagem econômica. Ainda de acordo com Le Point, o fenômeno não seria marginal, mas estrutural. A publicação menciona estimativas do New Yorker segundo as quais Trump teria acumulado mais de US$ 4 bilhões durante seus mandatos, algo que o periódico classifica como “sem precedentes” na história presidencial americana. A revista sustenta que a fronteira entre diplomacia e negócios privados teria se tornado difusa, a ponto de acadêmicos citados no texto falarem em um sistema em que a política externa estaria subordinada a interesses pessoais e de aliados próximos. Leia tambémImprevisibilidade de Trump gera mais incerteza e piora crise no Oriente Médio Nesse contexto, Le Point sugere uma mutação institucional mais profunda: os Estados Unidos, historicamente descritos como uma "plutocracia eleitoral", estariam deslizando para uma forma híbrida de "cleptocracia política", em que decisões de Estado passam a gerar retornos econômicos diretos para o entorno do presidente. A revista enfatiza que "críticos internos do meio financeiro norte-americano já passaram a questionar publicamente possíveis conflitos de interesse da atual administração". Mar-a-Lago, criptomoedas e a economia privada do poder Ainda segundo Le Point, esse modelo de poder se materializa de forma concreta em espaços como Mar-a-Lago, na Flórida, apresentado pela revista como um símbolo físico da fusão entre residência presidencial e "clube privado de negócios". A reportagem descreve o aumento expressivo das taxas de adesão ao clube e a transformação do local em um "centro de influência política e econômica". A publicação destaca também o papel de iniciativas ligadas a criptomoedas associadas ao entorno de Trump, apontando, com base em analistas citados, que determinadas operações financeiras "teriam gerado retornos superiores a US$ 1 bilhão". O conjunto dessas atividades é interpretado pela revista como parte de uma economia paralela do poder, em que o acesso ao presidente e à sua rede se converte em ativo financeiro. Para Le Point, até mesmo eventos diplomáticos podem ser reinterpretados sob essa lógica. A revista menciona a intenção de realizar encontros internacionais em propriedades privadas do presidente, o que, segundo diplomatas citados, reforçaria a confusão entre interesse público e benefício privado. Leia tambémIrã promete ataques ‘esmagadores’ após discurso de Trump que sinaliza continuidade da ofensiva "Troféu estratégico" Já a revista francesa L’Express publica nesta semana uma análise centrada na guerra no Oriente Médio, na qual Donald Trump aparece como ator decisivo em uma disputa de alto risco envolvendo o programa nuclear iraniano. Segundo o veículo, um dos objetivos estratégicos centrais da atual escalada militar seria "o controle de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% no Irã". O material poderia, em tese, ser rapidamente convertido em combustível para múltiplas armas nucleares. De acordo com L’Express, esse estoque teria se tornado um “troféu estratégico” cuja localização e neutralização poderiam definir o desfecho político e militar do conflito. A revista afirma que parte desse material estaria dispersa em instalações subterrâneas altamente protegidas, incluindo Natanz, Fordo e possíveis depósitos em Isfahan, segundo dados atribuídos à Agência Internacional de Energia Atômica. A publicação ressalta ainda que, apesar dos bombardeios e operações militares recentes, especialistas consideram que o "urânio enriquecido não foi totalmente destruído", o que mantém o risco estratégico elevado. Nesse cenário, a administração norte-americana consideraria operações extremamente complexas, incluindo ações de forças especiais no terreno — hipótese descrita como politicamente sensível e militarmente arriscada. A fronteira entre operação militar e desastre estratégico Ainda segundo L’Express, qualquer tentativa de recuperar fisicamente esse ...
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  • Estreito de Ormuz é a arma nuclear de Teerã capaz de intensificar a crise energética em todo o mundo
    2026/03/28

    A crise global de março de 2026 desenha um cenário de profunda incerteza, no qual geopolítica e economia se fundem sob o impacto de um novo choque petrolífero, como constata a imprensa semanal francesa. O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro, desencadeou o estrangulamento do Estreito de Ormuz, um ponto nevrálgico por onde transita uma parcela significativa do petróleo mundial

    Com o barril de Brent atingindo US$120, o mundo enfrenta o espectro da estagflação — combinação de crescimento estagnado e inflação persistente —, que ameaça especialmente a estabilidade da União Europeia e as estratégias de transição energética.

    A revista L’Express destaca como esta crise se tornou um inesperado “balão de oxigênio” para Vladimir Putin. Segundo a publicação, a alta dos preços da energia compensa as sanções internacionais e financia diretamente a máquina de guerra russa na Ucrânia, que se aproxima dos 1.500 dias de conflito.

    Além disso, a revista analisa o “mea culpa” europeu em relação a décadas de políticas equivocadas: a dependência excessiva do gás russo e o abandono precoce da energia nuclear deixaram o continente vulnerável e à mercê da volatilidade dos combustíveis fósseis, forçando governos a adotar medidas emergenciais e impopulares para conter os preços dos combustíveis.

    A engrenagem econômica iraniana

    Na revista Le Nouvel Obs, a análise da crise transcende a política para expor as entranhas do poder econômico e o fim do modelo de renda petrolífera no Irã. A revista destaca que o novo interlocutor diplomático de Washington, Mohammad Baqer Qalibaf, não é apenas um líder político, mas uma figura central da Khatam al-Anbiya, o gigantesco braço industrial e financeiro dos Guardiões da Revolução que controla mais de 800 empresas e detém o monopólio de contratos vitais para a infraestrutura do país. Negociar com Qalibaf é, segundo a publicação, uma "traição" ao povo iraniano, pois legitima quem detém as chaves da maquinaria econômica e energética da nação.

    Por fim, o Le Point traça paralelos sombrios com os choques petrolíferos de 1973 e 1979, alertando que a França e a Europa correm o risco de repetir os mesmos erros econômicos ao responder a uma crise de oferta com políticas de subsídio à demanda.

    A revista também revela o complexo “jogo duplo” do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Enquanto a Turquia, como membro da Otan, protege infraestruturas vitais como o terminal de Ceyhan — por onde flui o petróleo do Azerbaijão para a Europa e Israel —, Erdogan evita apoiar uma mudança de regime no Irã, temendo que um vácuo de poder resulte em crises migratórias massivas e no fortalecimento de movimentos curdos separatistas.

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  • Estratégia israelense no Líbano replica método usado em Gaza
    2026/03/21

    Arrastado para a guerra após ataques do Hezbollah e a dura resposta de Israel, o Líbano enfrenta uma escalada devastadora: bombardeios se intensificam, milhares fogem e o frágil equilíbrio político do país ameaça ruir, enquanto estratégias usadas em Gaza se repetem no território libanês.

    As revistas francesas desta semana trazem reportagens sobre a situação no Líbano em meio ao conflito no Oriente Médio. O país foi arrastado para a guerra após os ataques do Hezbollah, em 2 de março, contra Israel, que retaliou. Em duas semanas, a campanha israelense deixou mais de 800 mortos e cerca de um milhão de deslocados.

    Para a L’Express, o Líbano é refém do Hezbollah e vê seu já frágil equilíbrio implodir. Israel ameaçou transformar Beirute em uma nova Faixa de Gaza, exigindo que a população colabore com os serviços israelenses contra o grupo. Segundo a reportagem, a vida na capital libanesa é marcada pelos bombardeios israelenses e pelo trânsito incessante de drones no céu, inclusive sobre o palácio presidencial.

    A comunidade xiita representa um terço da população do país e o Hezbollah é, ao mesmo tempo, o principal partido político deste ramo do Islã, um movimento social que administra escolas e hospitais e uma poderosa milícia armada e financiada por Teerã. Desarmá-lo poderia desencadear uma guerra civil, afirma um diplomata libanês entrevistado pela revista.

    Personalidades políticas libanesas ouvidas pela L’Express afirmam que toda a população do país é refém da guerra e do grupo armado, e que é necessário negociar e contar com um Exército forte — algo que o país não possui. Para elas, os ataques israelenses reforçam o apoio popular ao Hezbollah e colocam em risco a unidade do Líbano, com a emergência de violências entre comunidades.

    Estratégia usada em Gaza

    A Nouvel Obs traz entrevistas com refugiados de cidades cristãs do sul do Líbano que fugiram dos bombardeios israelenses. Eles relatam ter recebido alertas em seus telefones, enviados pelo Exército israelense, para que deixassem suas casas. A revista descreve estratégias israelenses para hackear celulares e recrutar informantes — táticas de pressão psicológica que remetem às usadas por Israel em Gaza.

    Assim como em Gaza, quatro hospitais foram atingidos e danificados, cinco tiveram de fechar e 49 centros de cuidados primários deixaram de funcionar em 10 de março. O médico britânico-palestino Ghassan Abu-Sittah, que trabalha em Beirute, afirma à revista que a destruição do sistema de saúde costuma ser uma etapa preparatória para esvaziar um território e sua população.

    Nos últimos dias, os ataques se multiplicaram em todo o país, enquanto unidades blindadas avançam pelas cidades do sul. Em Jerusalém, autoridades militares falam abertamente sobre a preparação de uma operação terrestre destinada a eliminar o Hezbollah e ocupar o sul do Líbano.

    Na guerra de 2024, algumas cidades cristãs foram poupadas, e muitos acreditavam que poderiam ficar afastados do conflito desta vez. Mas os cristãos do sul acusam o Hezbollah de ter arrastado toda a região para uma guerra que não é deles. Outros denunciam a ausência do Estado e de seu Exército, incapaz de protegê-los.

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  • 'Margem de erro é alta': os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra
    2026/03/13

    A operação militar conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã evidenciou, como nunca antes, o potencial e os riscos do uso da inteligência artificial na guerra. As informações e imagens recolhidos ao longo de anos pelos serviços secretos israelenses e americanos alimentaram as bases de dados das IAs contratadas por Washington e Tel Aviv, que orientaram os alvos de bombardeios em Teerã.

    O assassinato do líder supremo Ali Khamenei foi resultado desta “automatização da guerra”, indica a revista francesa Le Nouvel Obs desta semana. O uso da IA já era disseminado nos conflitos na Ucrânia e em Gaza, assim como foi decisivo para a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desta vez, entretanto, a operação conjunta entre a CIA americana e o Mossad israelense marcou “uma virada na história militar”, afirma também a semanal L’Express.

    “As duas agências de inteligência usaram a alta tecnologia como nenhuma outra antes”, aponta a revista, salientando que os países ainda se beneficiam de um vácuo jurídico na legislação internacional sobre o uso militar da inteligência artificial.

    As IAs analisam volumes massivos de dados sensíveis, ajudando os serviços de inteligência humana a conectar essas informações e definir suas futuras ações. No caso dos ataques a Teerã, a inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, identificou alvos e deslocamentos recorrentes das lideranças do regime ao longo de anos.

    'Margem de erro alta'

    O problema é que “a margem de erro é alta e o discernimento humano na tomada de decisões não para de se reduzir”, adverte a diretora do Centro de Políticas de Tecnologias do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Laure de Roucy-Rochegonde, em entrevista à Nouvel Obs. A pesquisadora chama a atenção para o risco de “maior tolerância aos danos colaterais”.

    “A decisão é sempre tomada por um humano, mas ele se baseia no direcionamento estabelecido por uma máquina, que usa informações que ele não tem – o que significa dizer que a decisão é tomada às cegas”, explicou a especialista.

    A revista Le Point destaca que a tecnologia também é amplamente utilizada para a defesa. Alvos das retaliações iranianas, os países do Golfo têm conseguido evitar a maioria dos ataques disparados por Teerã – graças, em grande parte, aos benefícios da inteligência artificial.

    Com “orçamento ilimitado e salários exorbitantes”, os Emirados Árabes Unidos têm atraído alguns dos melhores especialistas da área, sublinha reportagem da Le Point. Em Abu Dhabi, o país inaugurou há cinco anos a primeira universidade do mundo especializada em IA.

    “A inteligência artificial não é apenas um vetor de crescimento econômico dos emiradenses: é também o escudo da nação”, aponta a revista francesa.

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  • ‘Sem embasamento legal ou motivo claro’: quais são os verdadeiros objetivos da guerra contra o Irã?
    2026/03/07

    As revistas francesas desta semana abordam diversos aspectos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e suas possíveis consequências para o mundo. As edições especiais investigam os verdadeiros objetivos por trás do conflito que chacoalha a geopolítica.

    "Como Netanyahu e Trump incendeiam o Oriente Médio", é a manchete da revista Nouvel Obs. A semanal afirma que, apesar das dúvidas em seu próprio campo, o presidente americano se engajou no conflito "sem embasamento legal e motivo claro", movido por suas convicções políticas e seus cálculos pessoais.

    Para a Nouvel Obs, o atual conflito é uma aposta "irresponsável, arrogante e imperial" de Trump e Netanyahu. "O objetivo é fazer cair a teocracia xiita? Ou seria esse um cenário como o da Venezuela?", pergunta.

    A diferença, segundo a revista, é que depois dos ataques de junho contra o Irã, Trump acreditava na possibilidade de negociação. A matéria revela que foi apenas depois da visita de Netanyahu aos Estados Unidos, em dezembro, que o presidente americano foi convencido a iniciar o planejamento da operação lançada em 28 de fevereiro.

    Por isso, para a Nouvel Obs, não há dúvidas de que a guerra teve início por pressão de Israel. Netanyahu teria percebido nas manifestações iranianas, entre o final de 2025 e o início de 2026, uma janela para aniquilar o inimigo em um momento de fragilidade.

    Virada no Oriente Médio com morte de Khamenei

    A revista L'Express afirma que os Estados Unidos e Israel "embaralham as cartas" da geopolítica e questiona até onde eles estão dispostos a ir. De acordo com a matéria, uma semana após o início da guerra, ninguém se arrisca a prever os próximos capítulos do conflito. Mas uma coisa é certa, diz a L'Express: a morte do líder supremo Ali Khamenei - "que transformou o Irã em uma teocracia ultramilitarizada" – marca uma virada no Oriente Médio e no islamismo mundial.

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    Entrevistados pelo diário, especialistas apontam que há dois cenários possíveis para o futuro do Irã. O primeiro seria a manutenção do regime e uma nova onda de repressão caso a população atenda ao chamado de insurreição de Trump. A segunda possibilidade é a tomada do controle do Estado pelos militares, em que o poder total estaria nas mãos da temida Guarda Revolucionária.

    A revista Le Point estampa sua capa com uma foto de Khamenei e recapitula o meio século de crimes contra o Irã e o mundo cometidos sob sua mão de ferro. A edição especial retraça sua chegada ao poder, em 1989, quando decidiu dar sequência ao regime sanguinário do aitolá Khomeini, reforçando seus próprios poderes, reorientando o país em direção ao nuclear e reprimindo qualquer desejo de transformação, na esfera política ou social.

    Ouvido pela Le Point, Mehdi Khalaji, especialista no islã xiita, prevê um novo modelo de liderança no Irã. Segundo ele, o próximo guia supremo terá um papel simbólico, com o principal objetivo de manter a legitimidade do regime.

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