エピソード

  • 'Margem de erro é alta': os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra
    2026/03/13

    A operação militar conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã evidenciou, como nunca antes, o potencial e os riscos do uso da inteligência artificial na guerra. As informações e imagens recolhidos ao longo de anos pelos serviços secretos israelenses e americanos alimentaram as bases de dados das IAs contratadas por Washington e Tel Aviv, que orientaram os alvos de bombardeios em Teerã.

    O assassinato do líder supremo Ali Khamenei foi resultado desta “automatização da guerra”, indica a revista francesa Le Nouvel Obs desta semana. O uso da IA já era disseminado nos conflitos na Ucrânia e em Gaza, assim como foi decisivo para a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desta vez, entretanto, a operação conjunta entre a CIA americana e o Mossad israelense marcou “uma virada na história militar”, afirma também a semanal L’Express.

    “As duas agências de inteligência usaram a alta tecnologia como nenhuma outra antes”, aponta a revista, salientando que os países ainda se beneficiam de um vácuo jurídico na legislação internacional sobre o uso militar da inteligência artificial.

    As IAs analisam volumes massivos de dados sensíveis, ajudando os serviços de inteligência humana a conectar essas informações e definir suas futuras ações. No caso dos ataques a Teerã, a inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, identificou alvos e deslocamentos recorrentes das lideranças do regime ao longo de anos.

    'Margem de erro alta'

    O problema é que “a margem de erro é alta e o discernimento humano na tomada de decisões não para de se reduzir”, adverte a diretora do Centro de Políticas de Tecnologias do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Laure de Roucy-Rochegonde, em entrevista à Nouvel Obs. A pesquisadora chama a atenção para o risco de “maior tolerância aos danos colaterais”.

    “A decisão é sempre tomada por um humano, mas ele se baseia no direcionamento estabelecido por uma máquina, que usa informações que ele não tem – o que significa dizer que a decisão é tomada às cegas”, explicou a especialista.

    A revista Le Point destaca que a tecnologia também é amplamente utilizada para a defesa. Alvos das retaliações iranianas, os países do Golfo têm conseguido evitar a maioria dos ataques disparados por Teerã – graças, em grande parte, aos benefícios da inteligência artificial.

    Com “orçamento ilimitado e salários exorbitantes”, os Emirados Árabes Unidos têm atraído alguns dos melhores especialistas da área, sublinha reportagem da Le Point. Em Abu Dhabi, o país inaugurou há cinco anos a primeira universidade do mundo especializada em IA.

    “A inteligência artificial não é apenas um vetor de crescimento econômico dos emiradenses: é também o escudo da nação”, aponta a revista francesa.

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  • ‘Sem embasamento legal ou motivo claro’: quais são os verdadeiros objetivos da guerra contra o Irã?
    2026/03/07

    As revistas francesas desta semana abordam diversos aspectos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e suas possíveis consequências para o mundo. As edições especiais investigam os verdadeiros objetivos por trás do conflito que chacoalha a geopolítica.

    "Como Netanyahu e Trump incendeiam o Oriente Médio", é a manchete da revista Nouvel Obs. A semanal afirma que, apesar das dúvidas em seu próprio campo, o presidente americano se engajou no conflito "sem embasamento legal e motivo claro", movido por suas convicções políticas e seus cálculos pessoais.

    Para a Nouvel Obs, o atual conflito é uma aposta "irresponsável, arrogante e imperial" de Trump e Netanyahu. "O objetivo é fazer cair a teocracia xiita? Ou seria esse um cenário como o da Venezuela?", pergunta.

    A diferença, segundo a revista, é que depois dos ataques de junho contra o Irã, Trump acreditava na possibilidade de negociação. A matéria revela que foi apenas depois da visita de Netanyahu aos Estados Unidos, em dezembro, que o presidente americano foi convencido a iniciar o planejamento da operação lançada em 28 de fevereiro.

    Por isso, para a Nouvel Obs, não há dúvidas de que a guerra teve início por pressão de Israel. Netanyahu teria percebido nas manifestações iranianas, entre o final de 2025 e o início de 2026, uma janela para aniquilar o inimigo em um momento de fragilidade.

    Virada no Oriente Médio com morte de Khamenei

    A revista L'Express afirma que os Estados Unidos e Israel "embaralham as cartas" da geopolítica e questiona até onde eles estão dispostos a ir. De acordo com a matéria, uma semana após o início da guerra, ninguém se arrisca a prever os próximos capítulos do conflito. Mas uma coisa é certa, diz a L'Express: a morte do líder supremo Ali Khamenei - "que transformou o Irã em uma teocracia ultramilitarizada" – marca uma virada no Oriente Médio e no islamismo mundial.

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    Entrevistados pelo diário, especialistas apontam que há dois cenários possíveis para o futuro do Irã. O primeiro seria a manutenção do regime e uma nova onda de repressão caso a população atenda ao chamado de insurreição de Trump. A segunda possibilidade é a tomada do controle do Estado pelos militares, em que o poder total estaria nas mãos da temida Guarda Revolucionária.

    A revista Le Point estampa sua capa com uma foto de Khamenei e recapitula o meio século de crimes contra o Irã e o mundo cometidos sob sua mão de ferro. A edição especial retraça sua chegada ao poder, em 1989, quando decidiu dar sequência ao regime sanguinário do aitolá Khomeini, reforçando seus próprios poderes, reorientando o país em direção ao nuclear e reprimindo qualquer desejo de transformação, na esfera política ou social.

    Ouvido pela Le Point, Mehdi Khalaji, especialista no islã xiita, prevê um novo modelo de liderança no Irã. Segundo ele, o próximo guia supremo terá um papel simbólico, com o principal objetivo de manter a legitimidade do regime.

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  • A duas semanas das eleições municipais na França, revistas projetam duelo Mélenchon-Bardella em 2027
    2026/02/28

    A quinze dias do primeiro turno das eleições municipais na França, que devem redesenhar as relações de força políticas, as revistas semanais já estão preocupadas com outra votação importante no país. A Nouvel Obs e a Le Point antecipam um provável duelo entre Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, e Jordan Bardella, da extrema direita, na eleição presidencial de 2027.

    Na manchete de capa, ilustrada com uma foto do líder do partido A França Insubmissa (LFI), a Nouvel Obs afirma que “Mélenchon está em um impasse”. A revista entrevistou o político pouco antes da morte do jovem de extrema direita Quentin Deranque, em Lyon, durante uma briga com militantes antifascistas.

    O texto destaca que Mélenchon é alvo de uma avalanche de críticas. Para a publicação, o líder da LFI “acaba com as chances da esquerda” e “beneficia a extrema direita” devido à sua estratégia de confronto permanente, à sua relação com a violência política e à sua responsabilidade na fragmentação da esquerda.

    O politólogo Philippe Marlière, ouvido pela Nouvel Obs, avalia que essa “estratégia minoritária de Mélenchon o levará ao fracasso”.

    Segundo ele, a LFI pode até chegar ao segundo turno da eleição presidencial, mas não teria condições de vencer.

    "Inimigos perfeitos"

    A Le Point afirma, em editorial, que Mélenchon e Bardella são “inimigos perfeitos”. Sob a aparência de antagonismo, o partido Reunião Nacional (RN), de extrema direita, e a França Insubmissa, na prática, trabalham lado a lado. As duas legendas compartilhariam o mesmo objetivo: se enfrentarem diretamente em 2027.

    “O melhor aliado do RN é a LFI”, aponta o texto. No entanto, Bardella — provável candidato da extrema direita no lugar de Marine Le Pen, condenada pela Justiça — ainda não garantiu a vitória.

    O RN segue com sua estratégia de “desdiabolização”, moderando discurso e programa. Bardella, por sua vez, iniciou uma suposta conversão ao pragmatismo econômico destinada a seduzir a direita tradicional. Mas, para a Le Point, essa estratégia “continua sendo uma farsa”. Ainda assim, a revista avalia que Bardella só encontraria dificuldades para vencer o segundo turno caso seu adversário não fosse Mélenchon.

    Uma pesquisa encomendada pela revista mostra que 41% dos entrevistados não desejam a vitória de nenhum dos dois candidatos.

    Nesse cenário, “uma parte importante da sociedade não estaria representada”, analisa o especialista Jean‑Yves Dormagen, que alerta para um possível “problema de legitimidade política e democrática” no país.

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  • Avanço da extrema direita impulsiona novos movimentos antifascistas na Europa, diz especialista
    2026/02/21

    O aumento da violência política e a formação de movimentos de esquerda radical na Europa se intensificaram após a morte de um jovem militante ultranacionalista em Lyon, no centro-leste da França. As tensões políticas têm levado governos a adotar novas medidas de segurança, destacam as revistas semanais francesas desta semana.

    Quentin Deranque, católico integrista e ultranacionalista de 23 anos, morreu no último sábado (14) após um confronto com um grupo rival. Os suspeitos — oito homens e três mulheres — estão sendo investigados por homicídio doloso, violência agravada e associação criminosa. Eles pertencem ou são próximos do movimento antifascista La Jeune Garde, fundado pelo deputado do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Raphaël Arnault.

    A revista francesa Nouvel Obs traz uma entrevista com o jornalista e escritor Sébastien Bourdon, autor do livro Une vie de lutte plutôt qu’une minute de silence. Enquête sur les antifas (Uma vida de luta, em vez de um minuto de silêncio. Investigação sobre os antifascistas, em tradução livre).

    O autor explica que o La Jeune Garde surgiu em 2018 em Lyon, cidade onde a extrema direita radical se implantou e ganhou força nos últimos vinte anos. Segundo ele, embora tenha nascido como reação ao ultranacionalismo, essa corrente antifascista tende a não limitar seu combate à extrema direita, atuando também contra a violência policial, em defesa de pessoas exiladas e contra a islamofobia.

    Para Bourdon, a recente dissolução de movimentos de extrema direita na França levou seus membros a se unirem para realizar ações violentas, muitas delas em confrontos diretos com antifascistas. Ainda segundo ele, o recurso à violência é raro no movimento, que se diferencia do militante “clássico” justamente por “assumir a possibilidade de recorrer à violência”.

    Segundo o jornalista, grande parte do trabalho se concentra em manifestações e na distribuição de panfletos. No caso da extrema direita, a violência também aparece em agressões racistas e homofóbicas, além de ameaças de atentados terroristas.

    Aumento de tensões políticas na Itália

    A revista L’Express destaca que Roma também enfrenta uma onda de violência política, que levou o governo de Giorgia Meloni a adotar medidas inéditas. Após uma grande manifestação em Turim contra o fechamento de um centro ligado ao movimento anarquista, em 31 de janeiro, confrontos violentos deixaram dezenas de policiais feridos, gerando forte repercussão nacional.

    Segundo dados da Europol, 18 dos 21 ataques classificados como terrorismo de esquerda ou anarquista na União Europeia em 2024 ocorreram na Itália. Diante desse cenário, o governo italiano reforçou seu discurso de segurança pública, e lembrou o risco de um retorno aos “anos de chumbo”, período marcado por violência política extrema no país.

    Como resposta, anunciou um decreto-lei com medidas mais rigorosas, incluindo maior proteção às forças policiais, punições mais duras para a violência política e novas regras voltadas a grupos juvenis, como restrições à venda de facas para menores e multas para os pais.

    Uma das medidas mais controversas permitiria à polícia deter preventivamente, por até 12 horas, pessoas suspeitas de causar distúrbios antes de manifestações. Especialistas alertam que essa proposta pode ser considerada inconstitucional e violar direitos fundamentais, já que prevê restrição de liberdade sem que um crime tenha sido de fato cometido. O texto destaca que iniciativas desse tipo refletem uma tendência mais ampla na Europa de ampliar políticas de segurança diante do aumento das tensões políticas.

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  • Caso Epstein entra em fase de 'chantagem política', diz revista francesa
    2026/02/14

    As revistas semanais na França continuam a dar destaque ao escândalo Epstein, o financista americano que aliciava menores de idade para encontros sexuais e grandes festas com personalidades internacionais, políticos e membros da realeza europeia. A divulgação de mais uma parte dos arquivos pela Justiça dos Estados Unidos revela a amplitude de contatos e rede de favores forjada pelo criminoso sexual que foi encontrado morto em uma prisão de Nova York, em 2019.

    Segundo a revista Le Point, o caso entrou em uma fase de chantagem política liderada por Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que, de sua cela no Texas, oferece revelar a "verdade" sobre o envolvimento de figuras como Donald Trump e Bill Clinton em troca de um perdão presidencial.

    A publicação detalha a queda de ícones franceses, como o ex-ministro Jack Lang e sua filha Caroline, investigados por "lavagem de fraude fiscal agravada" devido a vínculos financeiros com Epstein.

    Além disso, a revista explora o impacto devastador no Reino Unido, onde a proximidade do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, o diplomata trabalhista Peter Mandelson com o bilionário ameaça o governo do primeiro-ministro, Keir Starmer, e o príncipe Andrew permanece como uma figura central e embaraçosa para a monarquia.

    O semanário também analisa como o escândalo alimenta uma "epidemia de credulidade" e teorias conspiratórias que veem na rede de Epstein uma prova da "traição das elites" ocidentais.

    Instrumento de Trump

    Já a revista L'Obs foca na instrumentalização política do caso pelo presidente americano, Donald Trump, que utiliza os documentos desclassificados para desviar a atenção de suas próprias 38.000 menções nos arquivos e atacar figuras do campo democrata, como Bill Clinton, Bill Gates e Larry Summers.

    A análise destaca o paradoxo de Trump permanecer "de pé" enquanto a elite progressista é bombardeada por revelações, muitas vezes minuciosamente selecionadas pela sua administração para poupar aliados.

    A revista traz ainda um alerta sobre o ressurgimento de fantasmas antissemitas, onde o fato de Epstein ser judeu é usado para reativar mitos seculares de "concluiu judeu mundial" e "crimes rituais", obscurecendo os mecanismos sociais reais que permitiram a impunidade do predador.

    Conexão russa

    Por fim, a revista L’Express dedica-se a investigar a "conexão russa" de Epstein, sugerindo que ele pode ter atuado como um agente de influência de Moscou ou, no mínimo, um facilitador para o Kremlin.

    Segundo a publicação, Epstein utilizou sua expertise em paraísos fiscais para ajudar oligarcas russos a contornar sanções ocidentais e pode ter se inspirado nas técnicas de kompromat do FSB para controlar seu próprio círculo de influência.

    Para os estrategistas russos, a exposição da "podridão" das elites ocidentais funciona como uma "arma nuclear" psicológica, servindo para desacreditar as democracias liberais e promover a imagem da Rússia como defensora de "valores tradicionais" contra um "Ocidente satânico".

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  • Novos documentos do caso Epstein causam ‘terremoto’ no governo Trump
    2026/02/07
    Os Estados Unidos dominam as páginas das principais revistas francesas nesta semana. As publicações semanais se concentram em três principais assuntos: os novos documentos do caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, as truculentas operações dos agentes federais do ICE e a parceria abalada entre os serviços de Inteligência europeus e americanos. A revista Le Point aborda os vínculos do presidente americano, Donald Trump, com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019. "O caso que faz os Estados Unidos tremerem" é a manchete na capa estampada com uma antiga foto de Epstein ao lado de Trump. O pesadelo recomeçou há pouco mais de uma semana, quando o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, anunciou a publicação de três milhões de novos documentos relativos ao caso Epstein, entre eles, dois mil vídeos e 180 mil fotografias. No entanto, todos os elementos de pornografia infantil, os conteúdos ligados a investigações federais em andamento e os documentos protegidos por sigilo profissional foram retirados. Ainda assim, Blanche garante que nenhum elemento que pudesse ter relação com Trump foi ocultado por seus serviços. "Anomalia significativa e sintomática da era Trump", diz a Le Point, que lembra que antes de ingressar no Departamento de Justiça, em 2024, o procurador-geral adjunto era advogado do presidente americano. Durante muito tempo próximo de Jeffrey Epstein, o líder republicano, nega há anos ter tido conhecimento das ações pedófilas de Epstein, "contra toda coerência", reitera a matéria. Em uma nova tentativa de abafar o caso, o presidente americano sugeriu na terça-feira (3) virar a página do escândalo. “Não saiu nada sobre mim, exceto que foi uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que já está na hora de o país, talvez, pensar em outra coisa, como a saúde, ou algo que importe às pessoas”, disse. Segundo o jornal New York Times, o nome de Trump, sua residência em Mar‑a‑Lago, na Flórida, e outras referências ao líder republicano são mencionados 38 mil vezes nos arquivos do Departamento de Justiça divulgados em 30 de janeiro. Mas, o bilionário alega que a nova leva de documentos “o absolve de qualquer irregularidade”, insistindo que sua relação com Epstein terminou há mais de 20 anos. Minneapolis no olho do furacão Além do "terremoto" do caso Epstein, os Estados Unidos são palco de um outro fenônemo: a revolta contra as violentas operações da polícia de imigração. A revista Le Nouvel Obs publica uma reportagem de sua enviada especial a Minneapolis, no "olho do furacão" após a morte de dois cidadãos em janeiro que enfrentaram membros do ICE, "o símbolo do inexorável mergulho dos Estados Unidos no autoritarismo". Com a perseguição dos imigrantes, muitos deles com status legal, a política de imigração de Trump "semeia o terror" e se espalha pelas grandes cidades do país com prisões cruéis e arbitrárias. De acordo com a revista, foi a morte a tiros de Renee Nicole Good e Alex Pretti que revelaram ao mundo "a selvageria e o amadorismo desta polícia fora da lei". Entrevistados pela reportagem da Nouvel Obs, especialistas em Direito destacam a ilegalidade destas operações. "O governo ultrapassa os limites do Estado de Direito", diz Julia Decker, diretora de política do Centro dos Diretos dos Imigrantes do Minnesota. Para a revista, a confusão que Trump faz entre imigração e terrorismo legitima seus métodos criminosos. Parceria abalada entre EUA e Europa "CIA: os espiões de Trump que preocupam a Europa" é a manchete da revista L'Express desta semana. A publicação questiona se com o líder republicano embaralhando a geopolítica, os países europeus manterão sua cooperação com os Estados Unidos na área da Inteligência. "Como viver sem a CIA?", questiona a revista, ressaltando a dependência europeia dos serviços secretos americanos. Segundo a L'Express, até recentemente, "espiões americanos abasteciam amplamente a Direção de Inteligência Militar francesa". A semanal apurou que operações conjuntas entre os Estados Unidos e a Europa continuam sendo realizadas atualmente. A França e os Estados Unidos chegam até mesmo a compartilhar nomes de espiões que arriscam suas vidas em países perigosos em nome da segurança, garante. Mas, diante do conchavo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, além das ambições territoriais americanas na Groenlândia, "a Europa terá de acabar com a parceria?", pergunta a L'Express. O questionamento foi levantado pela revista a cerca de 40 responsáveis dos serviços de Inteligência de países europeus e a resposta foi unânime: a Europa precisa aprender a trabalhar sem a CIA e considerar Washington como "um antigo aliado" ou até como "um potencial inimigo".
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  • ICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump
    2026/01/24
    Segundo os semanários franceses Le Point e L’Express, Minneapolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos marcada pela morte de George Floyd em 2020, enfrenta uma grave crise: de um lado, moradores organizam resistência à ICE, agência de imigração que caça imigrantes sem documentação; de outro, a agência se tornou um negócio bilionário para aliados de Donald Trump. Le Point destaca a mobilização cidadã, enquanto L’Express mostra a politização e a impunidade da ICE. Minneapolis, cidade do estado de Minnesota conhecida mundialmente após a morte de George Floyd em 2020, vive hoje uma crise intensa envolvendo a ICE, agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. Moradores se mobilizam para resistir às ações de agentes que perseguem imigrantes sem documentação, enquanto, segundo Le Point e L’Express, a mesma agência se tornou um negócio bilionário para aliados do ex-presidente Donald Trump. Em reportagens detalhadas, Le Point descreve a rotina de moradores como Juan, que se organiza para vigiar e seguir veículos da ICE pelas ruas da cidade. Armados com apitos e redes de comunicação, grupos comunitários alertam vizinhos, levam comida a quem não se sente seguro para sair de casa e registram abusos cometidos pelos agentes. A mobilização acontece pouco depois do assassinato de Renee Good, mãe de família de 37 anos, morta por um agente da ICE em janeiro, e tem como objetivo evitar novos abusos. Segundo Le Point, Juan se tornou “patrulheiro”, dedicando parte de suas semanas a monitorar operações da agência. Ele mantém binóculos e anotações à mão, observa padrões de ação da ICE e registra qualquer tentativa de intimidação, mas reforça que não realiza ações ilegais. A cidade também adotou medidas como aulas online temporárias em alguns bairros, reforço de redes comunitárias e vigilância coletiva, buscando proteger residentes vulneráveis e manter a mobilização organizada. Leia tambémO jogo virou? Influenciador próximo de Trump compara ICE à polícia política da Alemanha nazista Máquina de lucro para aliados de Trump Já a revista L’Express enfatiza a dimensão financeira e política da ICE. A agência se transformou em uma verdadeira máquina de lucro para aliados de Trump, com contratos e consultorias bilionárias gerando ganhos privados a partir de políticas de expulsão em massa. Um exemplo citado é o de Tom Homan, ex-diretor da ICE, que, segundo investigação do FBI, ofereceu contratos federais prometendo lucros a clientes ligados ao governo caso Trump retornasse à presidência. Além disso, L’Express relata que a promulgação da lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), em julho de 2025, triplicou o orçamento da ICE para US$ 27,7 bilhões por ano, tornando a agência a primeira força federal do país em termos de recursos financeiros. A lei permitiu que a ICE atuasse com métodos muitas vezes questionáveis, com agentes protegidos por imunidade praticamente absoluta, enquanto operações de deportação atingem tanto imigrantes quanto cidadãos norte-americanos, como no caso de Renee Good. Leia tambémTrump ameaça usar Forças Armadas contra 'ataques' à polícia de imigração em Minneapolis A polarização em Minneapolis reflete o contraste entre resistência comunitária e poder da agência. Le Point mostra que moradores, apesar do frio intenso e do clima tenso, mantêm disciplina e método. O monitoramento da ICE é feito com cuidado: sinalizações por apitos, acompanhamento visual, registro de veículos e denúncias às autoridades quando há abuso. A cidade tenta impedir que a violência se espalhe e proteger a população mais vulnerável. Por outro lado, L’Express evidencia que o aparato da ICE funciona quase como um sistema paralelo, politizado e lucrativo, apoiado por aliados do governo e empresas privadas de segurança. Firmas como Constellis Holdings, resultado da fusão de antigas empresas militares privadas, recebem milhões de dólares e se beneficiam diretamente da estrutura de deportações em massa, sem que exista responsabilidade clara sobre abusos cometidos.
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  • As cinco condições para revolução no Irã estão postas, afirma especialista a revista francesa
    2026/01/17

    O movimento de contestação ao regime iraniano e a violenta repressão aos protestos, nas últimas três semanas, ocupam as capas das principais revistas semanais francesas. As reportagens analisam as chances de queda do aiatolá Ali Khamenei, que comanda o país com mãos de ferro desde a Revolução Iraniana, em 1979.

    Em entrevista à revista Le Point, um dos especialistas mais respeitados do mundo em mudanças sociais, o americano Jack A. Goldstone, da George Mason University, afirmou que “as cinco condições para o sucesso de uma revolução estão postas” no Irã. Situação econômica preocupante, protestos generalizados pelo país, apoio crescente da elite, descrença na capacidade do governo de superar as dificuldades e ambiente internacional favorável fazem com que, pela primeira vez desde que assumiram o poder, os mulás iranianos possam ser derrubados, indicou o pesquisador.

    Não foi o que ocorreu no Irã em 2009, 2018 ou 2022, quando o regime conseguiu sufocar grandes protestos nas ruas. Nas três ocasiões precedentes, os manifestantes visavam reivindicações sociais precisas, mas não o fim do governo islamita, como agora.

    A possibilidade de retorno do exílio do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá deposto pela Revolução Iraniana, é outro foco das reportagens. Um opositor de longa data do regime relata à L’Express que é a primeira vez que vê retratos de Pahlavi e gritos pedindo o seu retorno nas manifestações. “Ele parece ser a nossa única chance de voltarmos a um sistema político centrado na modernidade, que priorize os interesses nacionais dos iranianos, e não os ideológicos da República Islâmica”, disse a testemunha.

    L’Express salienta que, conforme o último levantamento do Grupo de Análise e Medição das Atitudes no Irã, baseado na Holanda, Reza Pahlavi seria a personalidade política preferida dos iranianos, com 31% dos votos em 2024, e 21% dos entrevistados defendiam a volta da monarquia no país. A confiabilidade da pesquisa em um país onde elas são proibidas, entretanto, é questionável.

    Reza Pahlavi e a extrema direita

    Em Teerã, muitos defendem um Irã “sem mulás, nem xás”. "O problema é que a oposição nunca conseguiu se estruturar no país, em meio à forte repressão", frisou o pesquisador iraniano Amir Kianpour, à revista Nouvel Obs.

    “O filho xá sonha em retomar o poder, ao mesmo tempo em que cultiva laços com a extrema direita do mundo inteiro”, afirma a publicação. Nas redes sociais, ele exalta Donald Trump e, sempre que pode, participa de eventos da ultradireita, como a Conferência de Ação Política Conservadora, grande encontro do qual já discursaram o britânico Nigel Farage, o argentino Javier Milei, a italiana Giorgia Meloni ou o empresário Elon Musk, além do próprio presidente americano. Em 2023, ele chegou a se encontrar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem posou para fotos.

    “Muitos iranianos que nasceram depois revolução sequer sabem que Pahlavi não apoia a democracia, como diz. Ele é um oportunista”, criticou a refugiada política iraniana Mahtab Ghorbani, que vive na França, em entrevista à Nouvel Obs.

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