エピソード

  • Após semanas de crise, governo boliviano abre canal de diálogo com centrais sindicais
    2026/06/17

    A Bolívia enfrenta uma prolongada onda de protestos que já dura semanas e pressiona o governo do presidente Rodrigo Paz. Com bloqueios, mobilizações e desgaste crescente nas ruas, diferentes setores sociais começam a sinalizar abertura para negociações em meio à crise política. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, informou que representantes da Central Obrera Boliviana (COB), principal organização sindical do país, são esperados na manhã desta quarta-feira na sede da Presidência, para iniciar um diálogo.

    Pedro Pannunzio, em La Paz

    Na sétima semana de protestos, as manifestações na Bolívia dão sinais de desgaste, enquanto importantes organizações começam a se abrir ao diálogo com o presidente Rodrigo Paz. Desde o início de maio, diferentes grupos exigem a renúncia do mandatário.

    Na terça-feira (16), a Central Obrera Departamental (COD) de Santa Cruz, braço político da COB no Estado, reuniu-se com Paz para discutir a crise boliviana. Após o encontro com dirigentes da COD de Santa Cruz, o presidente anunciou que visitará o Estado nas próximas semanas para se reunir com representantes da entidade e de outros setores produtivos, com o objetivo de discutir demandas específicas da região.

    “Peço à Central Obrera Departamental de Santa Cruz e às demais centrais operárias do país que mantenham o diálogo. Para aqueles que não desejam dialogar, existe a Constituição e a lei”, afirmou o presidente.

    Mais tarde, a COB enviou uma carta ao governo com uma série de reivindicações. Entre elas, a defesa da soberania econômica e das empresas públicas, com oposição a qualquer processo de privatização.

    A entidade também pede a proibição da participação de empresas transnacionais na gestão de recursos estratégicos do Estado e rejeita condicionantes financeiras impostas por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

    Promessas de campanha não cumpridas

    Os sindicatos ainda cobram o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral e exigem garantias para suas organizações e para a pacificação do país. A pauta inclui a rejeição aos projetos de lei antibloqueios, a revogação de normas que consideram restritivas ao direito de mobilização e o fim de acusações generalizadas de terrorismo e narcotráfico contra organizações sociais sem apresentação de provas. A carta também pede a libertação de pessoas detidas durante os conflitos.

    O chanceler Fernando Aramayo elogiou o chamado ao diálogo feito pela COB e afirmou que a decisão representa um sinal de “maturidade política e democrática”.

    Diálogo adia estado de emergência

    Na semana passada, Rodrigo Paz sancionou uma lei que regulamenta o estado de exceção no país, após o Congresso aprovar em tramitação acelerada o projeto. Havia expectativa de que o presidente decretasse estado de emergência, o que abriria espaço para a atuação das Forças Armadas na contenção dos protestos.

    Durante a cerimônia de sanção da lei, Paz enviou um recado aos militares, afirmando que as Forças Armadas deveriam agir com firmeza, mas respeitando os direitos humanos.

    Apesar das expectativas, o presidente não decretou o estado de sítio e optou por apostar no desgaste gradual das organizações mobilizadas. A estratégia parece começar a produzir resultados.

    Depois de semanas com mais de 100 pontos de bloqueio, a Bolívia registrava, na noite de terça-feira, 47 bloqueios nas estradas do país.

    Crise de abastecimento

    Apesar da redução da tensão, La Paz, sede do governo, ainda enfrenta desabastecimento severo e mantém alguns pontos de bloqueio.

    O desabastecimento continua a afetar a rotina dos moradores. Filas para a compra de produtos básicos permanecem comuns em diferentes regiões da cidade. Nos postos de combustível, motoristas seguem enfrentando longas esperas e, em muitos casos, passam a noite nas filas para conseguir abastecer.

    A inflação permanece como uma das principais preocupações dos moradores da cidade.

    Na terça-feira, autoridades locais organizaram uma venda de frango a preços subsidiados. O resultado foi a formação de longas filas e a frustração de consumidores que deixaram o local sem conseguir adquirir o produto. Houve confusão entre moradores, e a polícia interveio.

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  • Lideranças políticas de Israel consideram que o acordo entre EUA e Irã representa um risco ao país
    2026/06/16
    Ao contrário do otimismo dos mercados e do alívio demonstrado por lideranças ocidentais, Israel considera que o acordo entre Estados Unidos e Irã representa uma série de riscos ao país. Dessa vez, as críticas são contundentes e não passam apenas por conversas de bastidores. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Neste momento, há uma situação incomum na política israelense: o consenso. Não há nenhuma voz dos principais partidos que tenha demonstrado apoio ao acordo. A diferença é como as respostas se manifestam. Membros da atual coalizão de governo, liderada por Benjamin Netanyahu, não o criticam, mas consideram prejudicial a Israel o que se sabe sobre o Memorando de Entendimentos entre Estados Unidos e Irã. Os pontos fundamentais ao país supostamente não são mencionados: o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, o programa de mísseis balísticos e a atuação regional dos chamados “proxies”, grupos aliados do Irã que recebem recursos financeiros e armas do regime, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, na Faixa de Gaza, e as milícias pró-Irã, no Iraque. Os nomes mais radicais da coalizão, como os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, dizem abertamente que “Israel não recebe ordens dos Estados Unidos” e que “Israel não é uma república das bananas”. Mas a oposição segue por outro caminho, responsabilizando diretamente Netanyahu. O ex-primeiro-ministro e líder do Partido Be'Yachad, Naftali Bennett, declarou que “o mandato do governo Netanyahu começou com uma guerra civil, continuou com o massacre de 7 de outubro de 2023 e termina com um fracasso histórico contra o Irã". Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, disse que o acordo é um “resultado deplorável de um governo falido” e que a coalizão “perdeu a confiança do público” e “abandonou os cidadãos de Israel”. Tanto Bennet quanto Eisenkot são dois dos principais candidatos para substituir Netanyahu em eleições gerais. A data do pleito ainda não foi definida, mas deve acontecer em algum ponto entre os meses de setembro e outubro. As relações entre EUA e Israel Houve desgastes importantes principalmente na relação pessoal entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Trump chegou a dizer mais de uma vez que falta bom senso a Netanyahu, que ele é uma pessoa difícil da qual discorda muitas vezes. O presidente dos EUA chegou a falar abertamente sobre o assunto em declarações à imprensa norte-americana. A dúvida é como tudo isso influencia os acontecimentos daqui para frente. Um sinal importante ocorreu num momento de tensão que antecedeu o anúncio sobre o Memorando de Entendimentos entre EUA e Irã. No último final de semana, o Hezbollah continuou a disparar foguetes e drones contra as comunidades do norte de Israel. O Estado hebreu também continuou a atacar o Hezbollah e a atuar no sul do Líbano. Uma semana antes, Tel Aviv já havia deixado claro que, em caso de novos ataques contra o seu território, agiria em Beirute ou Dahieh, o distrito que é o reduto do Hezbollah ao sul da capital libanesa. Leia tambémEm reunião tensa com Macron após fazer novas ameaças, Trump desdenha oferta de apoio de europeus Israel realizou um ataque contra um edifício em Dahieh argumentando que se tratava de uma resposta. Trump então telefonou a Netanyahu e teve uma conversa dura com o líder israelense dizendo justamente que ele não tinha bom senso. Esta conversa teve muita repercussão em Israel, justamente pela sequência dos acontecimentos. O presidente norte-americano disse que o Estado hebreu não deveria ter realizado qualquer ataque a Dahieh, na medida em que os drones e foguetes do Hezbollah disparados no final de semana “não haviam provocado a morte” de nenhum cidadão israelense. Segundo a imprensa local, em conversas privadas autoridades israelenses expressam profunda frustração com as concessões de Washington a Teerã. “Os iranianos não cumprirão o acordo, e as futuras operações para eliminar o seu programa nuclear e reduzir as suas capacidades de mísseis são uma questão de tempo”, disse uma fonte israelense. Popularidade em queda Os números em Israel são cada vez menos favoráveis a Netanyahu. Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém mostra que 45% dos entrevistados dizem que votarão apenas em um partido que se oponha à continuidade do primeiro-ministro no cargo. Enquanto 31% disseram exatamente o oposto, que querem uma legenda que demonstre apoio a Netanyahu. Outro levantamento aponta que 23% dos eleitores do norte do país dizem que apoiarão o Likud, o partido liderado por Netanyahu, nas próximas eleições – uma queda em relação aos 35% de apoiadores nesta região durante as eleições de 2022. Os moradores do norte de Israel são justamente os mais afetados pelos disparos de foguetes e drones do Hezbollah. Essa população corresponde a ...
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  • Lula chega à França para cúpula do G7 focada nos desequilíbrios econômicos globais
    2026/06/15
    Em um contexto de crise de confiança entre antigos aliados, os países industrializados do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) reúnem-se a partir desta segunda-feira (15) na cidade de Évian, nos Alpes franceses. O Brasil participa como país parceiro dos debates, ao lado de Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, a convite do governo francês. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta manhã em Genebra e deve ser um dos primeiros líderes a chegar à cúpula, antes do meio-dia. Neste primeiro dia, as reuniões são fechadas aos membros plenos do grupo de potências desenvolvidas, mas Lula poderá aproveitar a ocasião para ter encontros bilaterais com lideranças presentes no encontro, como o presidente Emmanuel Macron. O Planalto não esconde o desejo de uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é esperado para o jantar de recepção dos chefes de Estado do G7, esta noite. Até o momento, nenhuma reunião entre os dois está prevista, mas os líderes poderiam manter um diálogo informal à margem da agenda oficial, como já ocorreu no passado. Para Brasília, a cúpula representa uma oportunidade para tentar amenizar as novas tarifas de 25% que o governo americano anunciou sobre uma série de produtos brasileiros importados há duas semanas. O bom entendimento pessoal demonstrado pelos dois presidentes durante a visita de Lula à Casa Branca, em maio, poderia favorecer o diálogo. Trump fica até o final? No entanto, o comportamento imprevisível do líder americano deixa o jogo em aberto. A participação de Trump é um mistério até para a presidência francesa, que chegou a adiar a data do início da cúpula, prevista inicialmente para 14 de junho, dia do aniversário de Trump, no intuito de aumentar as chances de sua vinda ao encontro. Washington confirmou que ele estará presente e deve ser recebido por Macron para um jantar exclusivo no Palácio de Versalhes, na noite de quarta-feira, após o encerramento da cúpula em Évian. Entretanto, em plena assinatura de um acordo para encerrar o conflito contra o Irã, não pode ser descartada a hipótese de que o presidente dos Estados Unidos deixe a França antes do previsto. A agenda oficial do evento está carregada de desafios de peso, a começar por uma reunião sobre a guerra na Ucrânia, com a presença do presidente Volodymyr Zelensky, na manhã de terça. A primeira ambição é que todos os países concordem com a necessidade de manter o apoio à Ucrânia, incluindo a soberania do país sobre o seu território, ocupado pela Rússia. Os Estados Unidos praticamente abandonaram o apoio militar e financeiro a Kiev. A intenção de Paris é voltar a atrair a atenção de Trump para o conflito na Europa, que foi deixado em segundo plano após a ofensiva contra o Irã. Em seguida, a guerra no Oriente Médio entra em foco, com a participação de potências árabes que têm contribuído na mediação de uma saída duradoura para o conflito: Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos. O objetivo número um é a reabertura completa do Estreito de Ormuz, mas também as negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Em um comunicado comum, França, Reino Unido, Alemanha e Itália afirmam estar "empenhados em desempenhar o nosso papel para alcançar esse objetivo (...), inclusive por meio de uma missão estritamente defensiva e independente para tranquilizar o tráfego comercial e realizar operações de desmontagem de minas". "Trabalharemos intensamente com os Estados Unidos, o Irã e os parceiros regionais para aproveitar esta oportunidade, manter o ímpeto e alcançar uma solução diplomática de longo prazo", diz o texto, publicado durante a madrugada. Discursos de Lula Na sequência, abrem-se os trabalhos em formato ampliado aos países parceiros do G7. O Brasil participa de sessões de trabalho sobre a ajuda dos países ricos às nações em desenvolvimento, na tarde desta terça (16), e o crescimento econômico internacional e a inteligência artificial, ambas na quarta-feira. O presidente Lula deve discursar nas duas primeiras reuniões. O assunto das tarifas unilaterais poderia ser tratado na sessão sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, com potencial de gerar uma crise mundial. O tema está no centro das preocupações na agenda econômica deste G7. O mundo encontra-se refém de uma dinâmica perigosa de dependência de produtos da China, que produz e exporta muito, mas consome pouco, enquanto os Estados Unidos mantêm o consumo em alta à custa do aumento do endividamento, e a Europa não investe o suficiente para competir neste cenário. Para os países do sul global, a queda da ajuda internacional ao desenvolvimento, sob condições cada vez mais rigorosas, estrangula a capacidade das nações mais pobres de aliviar o sufoco da dívida. Na última ...
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  • Crise em Ormuz entra nos debates preparatórios da COP31 sobre eletrificação
    2026/06/12
    Começou em Bonn, na Alemanha, a 64.ª sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC). Esta é a primeira grande rodada de negociações desde a COP30, em Belém, e a última antes da COP31, que acontecerá em novembro em Antália, na Turquia. Vivian Oswald em Bonn, para a RFI Na pauta está a construção de um roteiro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis – algo que os quase 200 países signatários da Convenção do Clima da ONU ainda não conseguiram estabelecer por falta de consenso. Trata-se de um dos temas mais polarizadores da agenda climática e de um dos principais desafios das negociações internacionais. A reunião SB64 da Convenção do Clima da ONU, em Bonn, precisa avançar na implementação dos resultados da COP30 e preparar o caminho para a COP31. O problema é que o atual contexto de tensões geopolíticas, divergências entre países e riscos climáticos agravados pela possibilidade de um “super El Niño” dificulta ainda mais a construção de consensos. As sessões, iniciadas em 8 de junho e com encerramento previsto para 18 de junho, ocorrem em um momento de crescente pressão para transformar compromissos políticos em ações concretas de implementação nas áreas de adaptação, combustíveis fósseis, sistemas alimentares, uso da terra, comércio e transição justa. Uma das principais questões em discussão para a COP31, na Turquia, é de que forma poderão surgir iniciativas políticas fora do processo formal da ONU voltadas à redução do uso de combustíveis fósseis. Os principais temas das negociações incluem adaptação, transição justa, mitigação e financiamento climático, com destaque para a operacionalização dos mecanismos criados na COP30 e para o debate sobre os compromissos financeiros dos países desenvolvidos. Crise gerada pela guerra no Oriente Médio Em Bonn, pelo que vem sendo discutido nos últimos dias, está claro que a crise energética desencadeada pela guerra no Oriente Médio e os riscos associados ao fechamento do Estreito de Ormuz terão destaque nos debates. O secretariado da UNFCCC e a delegação australiana, que preside as negociações, argumentam que a transição energética não está sendo impulsionada apenas por imperativos climáticos, mas também por fatores econômicos, como a crescente competitividade das energias renováveis em relação aos combustíveis fósseis e a busca por soberania energética diante da volatilidade dos mercados. Na terça-feira, a presidência turca da COP31 lançou sua Agenda Global de Ação Climática, atribuindo grande destaque à eletrificação como eixo central da transição energética, apresentada como uma alternativa rápida, segura e limpa. A proposta encontra receptividade entre os europeus, que defendem essa estratégia há anos, inclusive por razões econômicas e estratégicas. Diante dos delegados reunidos em Bonn, o presidente designado da COP31, Murat Kurum, propôs uma meta global para elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia dos atuais pouco mais de 20% para 35% até 2035. Ele não mencionou outras fontes renováveis, como os biocombustíveis, que ocupam posição central na agenda do governo brasileiro. A lista de metas setoriais inclui ainda a redução da intensidade energética do setor de edificações em pelo menos 25%, a redução pela metade do crescimento do desperdício global e o aumento da taxa de utilização de materiais circulares para, no mínimo, 15%. O programa também destaca a industrialização verde, a segurança alimentar, incluindo capacitação para jovens agricultores, e a participação da juventude. São temas que, de uma forma ou de outra, já estiveram presentes em edições anteriores das COPs. Investimentos climáticos Outra grande aposta da presidência turca é o Climate Implementation Bridge, mecanismo destinado a apoiar países na transformação de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) em portfólios de projetos financiáveis. O objetivo é facilitar a atração de investimentos climáticos e reduzir a distância entre os compromissos políticos e sua execução financeira. A presidência turca também reafirmou o alinhamento de sua agenda aos seis eixos temáticos lançados pela presidência brasileira da COP30, preservando a coerência com os resultados do primeiro Global Stocktake. A questão dos combustíveis fósseis não integra formalmente a agenda de negociações, que só pode ser definida por consenso entre as partes. Ainda assim, existe o compromisso da presidência brasileira da COP30, que permanecerá à frente do processo até a transferência oficial para a Turquia, em novembro, de apresentar dois roteiros estratégicos, ou road maps. O primeiro tratará da redução da dependência dos combustíveis fósseis; o segundo, da eliminação do desmatamento. Trata-se de um enorme ...
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  • Copa de 2026 começa sob tensões geopolíticas, críticas a Trump e com recorde de seleções
    2026/06/11
    Uma cerimônia grandiosa e repleta de estrelas abre nesta quinta-feira (11) a Copa do Mundo de 2026. O jogo de estreia será entre a seleção mexicana e a África do Sul, na Cidade do México, um dos três países organizadores do evento, ao lado do Canadá e dos Estados Unidos. Esta 23ª edição do evento esportivo mais popular do planeta entra para a história como a maior já realizada, com 48 seleções. No entanto, também é marcada por um contexto conturbado, com tensões geopolíticas e polêmicas, especialmente relacionadas à rígida política migratória do governo americano. Elcio Ramalho, enviado especial a Nova York. Há meses, o impacto da guerra entre os Estados Unidos e o Irã gerava dúvidas sobre o tratamento que seria dado à seleção iraniana. A equipe está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito, e tem as três partidas da fase de grupos agendadas em solo americano. É a primeira vez em quase 100 anos de Copa do Mundo que um país anfitrião recebe uma seleção de um país com o qual mantém um conflito direto. A poucos dias do início do torneio, o governo de Donald Trump autorizou a entrada da delegação iraniana para disputar partidas em Los Angeles e Seattle. No entanto, os vistos são válidos por apenas 24 horas. Nesse período, a seleção terá que entrar no país, disputar a partida e sair. As autorizações abrangem apenas os jogadores e alguns membros essenciais da comissão técnica. Outros integrantes, como membros da equipe médica, treinadores e até o presidente da Federação Iraniana de Futebol, ex-integrante da Guarda Revolucionária, tiveram a entrada negada. Segundo relatos, o presidente da Fifa atuou intensamente nos bastidores para contornar uma das maiores crises da história recente da competição. Outra polêmica que deve marcar esta edição envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Ele havia sido selecionado como um dos três árbitros africanos para o Mundial, mas, após mais de 11 horas de interrogatório ao chegar a Miami, foi deportado. Leia tambémÁrbitro da Somália é barrado pela imigração nos Estados Unidos e fica fora da Copa do Mundo de 2026 De acordo com o próprio árbitro, toda a documentação estava regular, incluindo o visto. Já o governo americano alegou que ele representava um risco à segurança nacional, citando supostas conexões com grupos terroristas. O caso provocou uma onda de indignação global. Questionado nesta quarta-feira (10) durante entrevista coletiva, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou a decisão como “infeliz”, mas afirmou que a entidade “não pode controlar tudo”. Imagens que viralizaram nas redes sociais mostrando inspeções rigorosas nas delegações de Senegal e Uzbequistão em solo americano também geraram críticas. As abordagens foram consideradas como humilhantes. A negativa de vistos para torcedores, além dos preços elevados de ingressos e dos custos de transporte em algumas cidades americanas, contribui para prejudicar a imagem desta edição do torneio. Mundial histórico Uma hora e meia antes da abertura oficial, marcada pelo jogo entre México e África do Sul, no mítico Estádio Azteca, às 13h (horário local), 14h em Brasília, está prevista a realização de um espetáculo musical. Entre as principais atrações estão a colombiana Shakira e o nigeriano Burna Boy, que apresentarão ao vivo a música oficial da Copa, Dai Dai. Outros artistas, como Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e Los Ángeles Azules, também participarão da cerimônia, interpretando faixas do álbum oficial do torneio. A competição terá 104 partidas em 16 cidades: 11 nos Estados Unidos, duas no Canadá e três no México. O país latino-americano se torna o primeiro a sediar o Mundial pela terceira vez, além das edições de 1970 e 1986. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que nada deve comprometer a cerimônia de abertura, apesar da tensão social no país, marcada por uma onda de protestos na capital. Há uma mobilização para garantir que o início do torneio ocorra sem incidentes. As favoritas Há consenso entre especialistas de que as seleções favoritas ao título são aquelas mais bem posicionadas no ranking da Fifa. Argentina e França, atual campeã e vice, respectivamente, lideram as apostas, ao lado da Espanha, que se destacou nas eliminatórias e ocupa a segunda posição no ranking, atrás apenas da seleção argentina. Inglaterra e Portugal também aparecem entre as principais candidatas. Alemanha e Brasil surgem logo em seguida na lista de favoritos. A seleção brasileira segue sua preparação para a estreia, no sábado (16), contra o Marrocos. O técnico Carlo Ancelotti comanda, na manhã desta quinta-feira, um treino no Columbia Park, em Nova Jersey, aberto à imprensa apenas nos primeiros 15 minutos. À tarde, está prevista uma entrevista coletiva com o goleiro Alisson.
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  • Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação
    2026/06/10
    A Alemanha registrou um número recorde de denúncias de discriminação em 2025. Os dados recém-divulgados apontam para um cenário de aumento geral nos registros de racismo, preconceito de gênero, religião ou contra pessoas com deficiência. Foram 15% mais ocorrências em relação ao ano anterior e mais que o triplo do total registrado em 2019. O relatório é publicado no momento em que o país debate uma reforma de sua Lei Antidiscriminação, que completa 20 anos. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf O relatório relativo a 2025 foi divulgado há poucos dias pela Agência Federal Antidiscriminação da Alemanha, órgão estatal independente do governo. A informação mais relevante é o número de pessoas que registraram casos em que acreditam ter sido vítimas de discriminação. Trata-se de um recorde da série histórica, que vem crescendo ano a ano desde 2019. O cenário mais amplo no tempo mostra que este número total triplicou entre 2019 e 2026. No ano passado, foram registradas 13.067 denúncias. A mais frequente é a discriminação racial, que representa 43% do total. Em segundo lugar, com 27%, vem a discriminação com base em deficiência ou doença crônica. Em terceiro aparece a discriminação com base em gênero, com 22% de queixas. Ainda completam a lista, com menor incidência, a discriminação por idade, por religião e por identidade sexual. Os números também mostram onde essas discriminações ocorrem. Em primeiro lugar, de forma isolada, estão situações relacionadas ao trabalho, como anúncios de emprego discriminatórios, candidaturas rejeitadas ou assédio moral no ambiente profissional. Em seguida, aparecem casos ligados ao acesso a bens e serviços, à saúde, à assistência e até às interações com órgãos governamentais. “Racismo está se enraizando” A comissária federal antidiscriminação, Ferda Ataman, diz que os dados de 2025 refletem um endurecimento do racismo na Alemanha, onde "atitudes racistas estão se enraizando na sociedade”. A agência não entra em detalhes sobre as possíveis causas do fenômeno, mas há muitas pistas no novo contexto sóciopolítico do país. Para começar, o país está mais diverso do que nunca. Mais de um quarto da população é imigrante ou filha de imigrante. Isso representa 22 milhões de pessoas em um total de 83 milhões, ou 26% da população. Outro fator é a política mais radicalizada. O partido líder nas pesquisas de intenções de votos hoje é o Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem um discurso abertamente contra os estrangeiros. Existe ainda o fator de maior conscientização, que leva a um número maior de notificações. Com o passar do tempo, mais gente fica sabendo da existência da agência e da lei antidiscriminação, e mais pessoas passam a perceber que foram vítimas. Vale destacar que os 13 mil casos se referem a denúncias e não implicam, necessariamente, a confirmação de discriminação. Menina de 11 anos Entre os 13 mil casos registrados pela agência está o de uma menina negra de 11 anos que comprou um sorvete. A vendedora se recusou a lhe dar o troco e disse: “Não confio em pessoas como você”, entregando o troco à amiga dela, que estava ao lado. Outro caso que se tornou conhecido é o da professora Humaira Waseem, que é nascida na Alemanha e de origem paquistanesa. Ela telefonou para uma agência imobiliária pedindo uma visita a um apartamento que queria alugar, e foi recusada. O argumento é de que não haveria mais horários disponíveis. Em seguida, ela telefonou de novo, agora se apresentando com um nome alemão fictício, Julia Schneider, e teve um horário de visita marcado na hora. Ela repetiu o mesmo teste com outros anúncios de apartamento para alugar, sempre com o mesmo resultado. A professora acionou a lei antidiscriminação contra uma das imobiliárias, que foi condenada a pagar € 3000 de indenização. A decisão do tribunal aconteceu em fevereiro deste ano e abriu um precedente, indicando que, a partir de agora, é legalmente possível usar testes para verificar se alguém foi rejeitado por causa do seu nome, ou seja, da sua origem. Reforma na lei A lei antidiscriminação está completando 20 anos. Ela foi implementada em 2006 por pressão da União Europeia, já que na época a Alemanha era um dos últimos países a não ter uma lei desse tipo. A reforma atual proposta pela coalizão dos partidos que estão no poder, CDU e SPD, propõe alguns ajustes, como a ampliação do prazo para apresentar denúncias de três para cinco meses, o que ainda é muito abaixo de outros países da União Europeia, que oferecem até 5 anos. A reforma é bastante criticada, inclusive pela própria Agência Federal Antidiscriminação, justamente por ser tímida demais. Para citar um exemplo, um dos principais problemas da lei não deve ser modificado, que é o fato de órgãos públicos não poderem ser processados com base nela, mesmo que uma grande...
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  • Gastronomia nórdica aposta em sustentabilidade para ampliar turismo e impacto econômico regional
    2026/06/09

    Enquanto os restaurantes estrelados pelo Guia Michelin atraem visitantes do mundo inteiro, países nórdicos usam produtos locais, agricultura orgânica e tradições culinárias para fortalecer sua identidade gastronômica e promover o turismo. Em Copenhague, debates paralelos à cerimônia do famoso guia destacaram o papel do país como referência no consumo de orgânicos, além da expansão da alta gastronomia para além das capitais, numa tentativa de aproximação com a população local.

    Fernanda Larsen, correspondente da RFI em Copenhague

    A gastronomia dos países nórdicos reforçou sua aposta em sustentabilidade, uso de produtos locais e agricultura orgânica como estratégia para consolidar a região como destino turístico internacional, em meio aos debates realizados paralelamente à cerimônia do Guia Michelin em Copenhague.

    O encontro reuniu alguns dos principais nomes da culinária da região, mas a discussão ultrapassou a distribuição de estrelas entre restaurantes. Chefes, pesquisadores e representantes do setor agrícola concentraram suas intervenções no papel da gastronomia como vetor econômico, ambiental e social.

    Esse movimento se insere em uma transformação iniciada nas últimas décadas, quando a chamada nova cozinha nórdica passou a ganhar projeção internacional ao valorizar ingredientes sazonais, cadeias curtas de produção e técnicas tradicionais adaptadas à contemporaneidade.

    Nesse contexto, Anders Nicolajsen, responsável pela área de gastronomia do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, defendeu a necessidade de manter o setor conectado ao cotidiano da população. “Se a população perder o interesse pela gastronomia, não faz sentido continuar investindo nela apenas como um produto de nicho ou de luxo”, afirmou, durante encontro com jornalistas internacionais.

    Campeã dos orgânicos

    A posição reflete políticas públicas adotadas na Dinamarca para integrar produção agrícola, consumo e restauração. O país figura entre as principais referências globais no consumo de alimentos orgânicos, que representam cerca de 12% de tudo o que é vendido no mercado interno.

    Além do aspecto cultural, o impacto econômico tem papel central. Segundo Nicolajsen, o reconhecimento internacional impulsiona a demanda pelos restaurantes. “Cada vez que um estabelecimento recebe uma estrela, a procura aumenta de forma significativa”, disse, acrescentando que as listas de espera podem chegar a três meses.

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    Expansão regional e novo perfil de consumo

    O crescimento da gastronomia nórdica também tem reduzido a concentração de prestígio em Copenhague. Restaurantes em outras regiões da Dinamarca e em países vizinhos vêm ganhando visibilidade, ampliando o alcance do turismo gastronômico.

    Essa descentralização acompanha políticas de valorização territorial, com estímulo a produtores locais e incentivo à criação de experiências culinárias fora dos grandes centros urbanos, o que contribui para diversificar a economia regional.

    Ao mesmo tempo, o setor responde a mudanças no perfil dos visitantes internacionais, que demonstram maior interesse por práticas sustentáveis, rastreabilidade de insumos e autenticidade cultural nas experiências gastronômicas.

    Nesse cenário, elementos como agricultura orgânica, pesca responsável e redução do desperdício tornaram-se não apenas diferenciais, mas requisitos para posicionamento competitivo da região no mercado global.

    Educação alimentar

    A Dinamarca combina essas diretrizes com programas estruturados de educação alimentar e certificação de produção, criando uma rede integrada que aproxima agricultores, distribuidores e restaurantes.

    Apesar do reconhecimento, especialistas apontam desafios, como o risco de elitização da alta gastronomia e a necessidade de manter o acesso amplo da população. A estratégia, segundo os participantes do encontro, depende de equilibrar prestígio internacional, sustentabilidade e inclusão social.

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  • Apuração da eleição presidencial no Peru aponta candidatos em empate técnico
    2026/06/08

    Com cerca de 92% das urnas apuradas, a candidata de extrema direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera a corrida presidencial no Peru com 50,2% dos votos. O candidato de esquerda Roberto Sánchez aparece com 49,7%. Os candidatos estão tecnicamente empatados.

    Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na região andina

    Como já era esperado, Fujimori, do partido Força Popular, que chega ao segundo turno das eleições presidenciais pela quarta vez consecutiva, lidera os votos na capital, Lima, enquanto Sánchez, o candidato do partido Juntos Pelo Peru, tem vantagem nas regiões rurais.

    A votação foi encerrada às 17h (horário local), deste domingo, em todo o país. Apesar do registro de ocorrências ao longo do dia, as autoridades avaliaram que o processo transcorreu sem incidentes capazes de comprometer a eleição.

    A Defensoria do Povo informou ter contabilizado 4.580 ocorrências. Entre elas, foram identificadas cédulas com marcações indevidas em cerca de 20 mesas eleitorais. Segundo o órgão, o material foi substituído sem causar prejuízos aos eleitores. Apesar dos registros, tanto a Defensoria do Povo quanto o Júri Nacional de Eleições (JNE) afirmaram não haver indícios de fraude eleitoral sistemática.

    A disputa chega ao fim após um primeiro turno marcado por incertezas e atrasos na definição dos candidatos classificados. Em um cenário político fragmentado, 35 candidatos concorreram à Presidência, o maior número já registrado no país.

    No primeiro turno, Keiko Fujimori teve a liderança confirmada ainda nas primeiras etapas da apuração. A definição de quem enfrentaria a candidata no segundo turno, porém, levou semanas e exigiu uma contagem apertada até os últimos votos.

    Roberto Sánchez e o candidato Roberto López Aliaga, também de extrema direita, permaneceram praticamente empatados durante boa parte da apuração. A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) confirmou a classificação de Sánchez quando 99,94% das atas eleitorais foram revisadas, mais de um mês depois do pleito.

    O primeiro turno foi realizado em 12 de abril. A confirmação oficial de Sánchez no segundo turno ocorreu apenas em 17 de maio.

    Apelos de calma à população

    Com a disputa do segundo turno ainda indefinida, o JNE informou que o resultado definitivo deverá ser divulgado nos próximos 30 dias e pediu tranquilidade aos eleitores enquanto o processo de apuração segue em curso.

    Após a divulgação dos primeiros resultados deste domingo, Keiko afirmou que ainda não há um vencedor definido e declarou que “seria irresponsável definir o resultado a partir de uma amostra, como a utilizada na contagem rápida”, em referência a uma projeção do Ipsos que apontava vitória do adversário Sánchez. A candidata também disse que reconhecerá o resultado oficial e pediu que Sánchez adote a mesma postura.

    Por sua vez, em tom de vitória apesar da diferença estreita apontada pela projeção do instituto de pesquisa, Sánchez discursou para apoiadores reunidos na Praça San Martín e classificou a votação como um marco para a democracia peruana.

    “Este dia da dignidade, este dia do povo, marca o início de um momento decisivo para acabar com o pacto mafioso que se apropriou do nosso governo”, afirmou. Em seu discurso, Sánchez também agradeceu o apoio de militantes e lideranças políticas que, segundo ele, se uniram em torno de um projeto comum durante a campanha eleitoral.

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