エピソード

  • Portugal vota orçamento do Estado em meio a crise habitacional
    2026/10/28

    Com protestos às suas portas, o Parlamento português vota nesta quarta-feira a proposta do Orçamento do Estado para 2027. A crise da habitação tornou-se o tema central do debate político no país, inflamada pelas recentes intervenções policiais contra acampamentos de manifestantes em Lisboa e no Porto.

    Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Lisboa

    O debate orçamentário no Parlamento abriu nesta terça-feira (27), sob o impacto direto de manifestações pelo direito à habitação digna que tomaram a região do Rossio, em Lisboa, e a Praça D. João I, no Porto, nas últimas semanas. Na madrugada de domingo, houve episódios de violência. A Polícia de Segurança Pública (PSP) cumpriu ordens para desocupar as praças onde dezenas de manifestantes acampavam, utilizando cacetetes e cães. Quem estava lá, invocando o direito constitucional à manifestação, recusava-se a sair. A intervenção resultou em pelo menos 33 feridos — nenhum deles policial — e 31 detidos por desobediência.

    A violência da ação policial contra grupos que ocupavam o espaço público de forma pacífica tensionou ainda mais o cenário. Na segunda-feira, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), uma espécie de corregedoria da polícia, abriu um processo para apurar as circunstâncias da ação.

    A lista de demandas dos manifestantes inclui o fim imediato dos despejos e demolições quando não é oferecida uma alternativa habitacional, o congelamento e um teto para os aluguéis, um freio à compra de imóveis por fundos imobiliários e um aumento da oferta de habitação pública.

    Governo defende ação policial

    Em declarações na plenária parlamentar, o primeiro-ministro Luís Montenegro defendeu a intervenção, dizendo que a polícia agiu com “profissionalismo e equilíbrio”. O partido Chega, de extrema direita, avaliou que houve vandalismo por parte dos manifestantes e que a ação policial foi justificada. Dos partidos mais à esquerda, todos criticaram a violência da repressão, vista como desproporcional.

    Nas discussões sobre o orçamento, também há desacordos. O primeiro-ministro alega que a falta de casas é reflexo de dez anos sem construção por governos anteriores e que não há margem para incluir novas medidas no Orçamento de 2027. Depois, elencou o que já fez no setor da habitação, como inventariar 83 mil prédios públicos que devem ser reformados e usados para moradia, mudar a lei de heranças para facilitar a venda de imóveis mesmo quando algum dos herdeiros não esteja de acordo e alterar a lei dos aluguéis para facilitar despejos, o que, segundo ele, vai dar mais confiança para que proprietários coloquem seus imóveis no mercado.

    Todos os outros partidos, contudo, pedem mais verbas para habitação pública, assim como há quem defenda a suspensão da nova lei dos aluguéis, por facilitar os despejos e deixar a população mais vulnerável.

    Crise habitacional

    Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que, após atingir um mínimo histórico em 2015, com apenas 9.625 casas concluídas, a construção de novas habitações voltou a subir a partir de 2016, alcançando cerca de 27 mil a 30 mil casas concluídas por ano atualmente, entre construções públicas e particulares.

    Esse ritmo de recuperação fica aquém da demanda real: o país constrói hoje apenas 23% do volume do início do século. Em 2002, por exemplo, foram concluídas 130 mil casas. Para complicar, entre 2019 e 2025, Portugal ganhou mais de 1 milhão de residentes — impulsionado sobretudo pelo saldo migratório —, enquanto construiu apenas 170 mil novas casas. Isso significa uma média de 6,4 novos residentes para cada casa construída, criando um enorme descompasso estrutural entre a oferta e a procura.

    A coligação do governo, liderada pelo Partido Social Democrata (PSD), que não tem votos suficientes para a aprovação, já tinha costurado uma aliança com o Partido Socialista (PS) para aprovar o Orçamento. Porém, isso foi antes de estourarem as manifestações por moradia. Ontem, mais uma vez, milhares de pessoas se reuniram em protesto em Lisboa, desta vez, às portas do Parlamento. O líder dos socialistas pediu a revogação da nova lei dos aluguéis, deixando subentendido que essa seria uma nova condição para seu apoio. Ainda não há indicações se Montenegro deve ceder em algum ponto para ajudar a viabilizar a lei orçamentária do próximo ano.

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  • Semana decisiva da campanha no Brasil tem guerra santa, debate sobre bets e apelo da direita por voto útil
    2026/09/28
    O Brasil vai às urnas no próximo domingo (4) numa eleição em que é difícil prever o resultado final da disputa à presidência da República. Pesquisas apontam que deve haver segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolonaro (PL), mas, em tese, os dois principais adversários, que aparecem tecnicamente empatados, ainda têm condições de vencer no primeiro turno. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Os próximos dias são cruciais porque em geral é quando indecisos sedimentam a escolha e quando eleitores avaliam se migram para nomes com mais chance na disputa. “É aquele famoso caso de brasileiros que deixam para a última hora a escolha do voto. É um pequeno grupo, mas numa campanha acirrada, é um público importante”, afirmou Bhreno Vieira, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco. “Por exemplo, está sendo suscitado dentro do Partido Novo uma movimentação para já abandonar o voto a (Romeu) Zema no primeiro turno e focar em Flávio Bolsonaro. Mas, do jeito que as coisas estão postas e como as pesquisas estão demonstrando, nenhum dos dois candidatos tem maioria absoluta de votos necessária para encerrar a disputa no primeiro turno. O cenário eleitoral está bastante aberto sobre quem vai ser o vencedor”, destacou o analista. Desafios de Lula O candidato do PT tem entre seus desafios convencer o maior número de apoiadores a comparecer às urnas, já que o índice de abstenção costuma ser maior entre os eleitores de baixa renda, nicho em que Lula é mais forte. “Essa vantagem de Lula nesse segmento enfrenta uma questão que é o debate sobre o comparecimento eleitoral, e a tendência é de maior ausência entre eleitores com menor rendimento”, disse Vieira. O analista também frisou que hoje o maior adversário de Lula não é exatamente a figura de Flávio, mas a ideia de mudança buscada por muitos eleitores que compraram a narrativa do candidato do PL, ainda que ele seja um nome construído no sistema. A campanha de Lula, que teve dificuldade em defender o legado das gestões petistas e de apresentar bandeiras novas consolidadas, inclusive em meio à crise envolvendo Supremo Tribunal Federal, lançou mão de medidas como o reajuste do Bolsa Família e o fim das apostas online, na tentativa de gerar um debate programático nesta reta final. Desafios de Flávio Os últimos dias foram marcados por novas revelações que reforçam a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, como viagens no avião do ex-dono do banco Master, em apuração no Supremo Tribunal Federal. No entanto, foram polêmicas mais distantes da toga que geraram repercussão.Uma delas foi o embate eleitoral nos púlpitos religiosos, impulsionado pela preocupação de setores da Igreja Católica com o protagonismo do segmento evangélico na campanha de Flávio, assunto que ganhou força nas redes sociais diante da repulsa demonstrada por parte desse grupo à figura de Maria. Além de correr para conter estragos entre os eleitores católicos, Flávio tenta equilibrar o discurso para manter os eleitores de direita que já aderiram a seu nome e avançar sobre aqueles que ainda o veem como um expoente de ideias conservadoras mais radicais. “A campanha dele, de certa forma, encontra um teto, que é a questão das ideias extremas. Há uma parcela, ainda que muito pequena da sociedade, que opta em não querer nenhum e nenhum outro, mas vai ter que escolher alguém e isso pode fazer diferença”, afirmou o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A relação com Donald Trump é outro exemplo. Os apoiadores de Lula são contrários à interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira. Já os eleitores de Flávio tedem a vê-la de forma mais favorável. E uma pequena parcela ainda pesa se isso representa um risco importante a ser considerado nas urnas. Fim das bets Outro tema que virou embate entre os dois principais nomes foi a medida provisória (MP) assinada pelo presidente Lula que acabou com as apostas online. “Eu conversei com uma mulher que tentou se matar, com outra cujo filho tirou a própria vida por causa de dívida de jogo. Então eu tomei essa decisão, porque é uma coisa muito séria”, disse Lula. “Interrompo minha campanha mais uma vez para falar à nação brasileira. Lula está cometendo mais uma estelionato eleitoral, acabando com as Bets a nove dias da eleição”, criticou Flávio. O candidato do PL diz que foi o governo petista que regulamentou as apostas online, inclusive cobrando impostos desse segmento. Sustenta que não há, portanto, motivo para uma proibição às vésperas do pleito, o que classifica como medida eleitoreira. A campanha de Lula rebate afirmando que o governo regulamentou e criou regras sobre algo aprovado pelo Congresso em 2018, durante o governo de Michel Temer. E que decidiu proibir agora porque verificou que a regulamentação, feita em 2023, não surtiu efeito. Frisa também que...
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  • Espanha propõe medidas emergenciais em resposta aos protestos contra a crise habitacional
    2026/09/29
    O governo da Espanha anunciou nesta terça-feira (29) a suspensão dos despejos por inadimplência até 2030 e a renovação automática dos contratos de aluguel, em uma tentativa de conter a crise habitacional que atinge o país. A população espanhola se mobiliza há dias, motivada pela situação de Maricarmen Abascal, 87 anos, despejada na semana passada, após sete décadas no imóvel, pela nova empresa proprietária do apartamento onde vivia. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri, e AFP O caso de Maricarmen levou milhares de pessoas às ruas em defesa do direito à moradia e intensificou a pressão sobre o governo para avançar com um novo decreto relacionado à habitação. Um acordo foi fechado na segunda-feira (28) entre a empresa Urbagestión e os representantes de Maricarmen, depois de mais de quatro horas de reunião mediada pela Empresa Municipal de Habitação de Madri. As partes chegaram a um entendimento para que seja assinado um novo contrato de aluguel e Maricarmen possa voltar ao apartamento, caso esteja de acordo com as condições. O Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri, organização à frente dos protestos, já afirmou que o acampamento reivindicativo que acontece na capital continua porque as demandas apresentadas vão muito além do caso Maricarmen. Depois de o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometer que medidas emergenciais seriam anunciadas nesta terça-feira para conter a crise, a ministra da Saúde, Mónica García Gómez, publicou no X novas normas que visam à suspensão dos despejos por inadimplência até 2030 e à renovação automática dos contratos de aluguel, após difíceis negociações dentro da coalizão governista. Elas fazem parte de dois projetos apresentados pelo Executivo, que ainda precisam ser aprovados pelo Parlamento, onde o governo do socialista Pedro Sánchez não dispõe de maioria. A ministra informou ainda que o governo pretende implementar, dentro desse pacote de medidas, a proibição da compra de imóveis por fundos especulativos, conhecidos na Espanha como fundos abutres. Esses fundos de investimento, assim como as plataformas de aluguel turístico de curta duração, como o Airbnb, são alvo de críticas dos movimentos em defesa do direito à moradia. Segundo os manifestantes, a prática contribui para a disparada dos preços ao adquirir imóveis no país e reduzir a oferta de habitação. O governo também prevê, entre outras iniciativas, regular os aluguéis de temporada e o aluguel de quartos, segundo Mónica García Gómez. Gota d’água da crise da moradia na Espanha O caso Maricarmen foi o estopim de um problema que já vinha provocando muita insatisfação na Espanha, sobretudo nas grandes cidades. Depois do despejo, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em diferentes regiões do país. Em Madri, parte dos manifestantes permanece acampada na Praça Puerta del Sol, no centro da cidade, para pressionar o governo por medidas mais duras relacionadas ao direito à moradia. Os números ajudam a entender esse descontentamento. Segundo a OCDE, entre 2015 e 2025, o acesso à moradia ficou cerca de 25% mais difícil na Espanha quando comparado à evolução da renda da população. Ao mesmo tempo, 26,8% dos inquilinos destinam mais de 40% da renda ao pagamento do aluguel, incluindo despesas de manutenção e serviços, segundo dados de 2025 da agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat. Governo negocia novo decreto de habitação Nesta terça-feira (29), o Executivo de Pedro Sánchez tenta levar ao Conselho de Ministros um novo decreto sobre habitação. O Partido Socialista de Sánchez e seu parceiro de coalizão, o Sumar, negociam pontos centrais do texto, como a proteção contra despejos, a regulamentação dos aluguéis temporários e a renovação dos contratos. Paralelamente, o governo busca garantir o apoio dos demais grupos parlamentares necessários para aprovar a medida. As propostas integram o chamado “decreto Maricarmen”, pacote mais amplo de medidas, reivindicado pelo Sindicato de Inquilinas. Entre elas estão o congelamento dos preços dos contratos atuais e a renovação automática dos contratos de aluguel para que passem a ser indefinidos. O sindicato já avisou que a mobilização não termina necessariamente com a aprovação de um decreto e que continuará pressionando se considerar as medidas insuficientes. Sete décadas no mesmo endereço Maricarmen morou durante setenta anos no mesmo apartamento, no bairro do Retiro, em Madri, onde chegou em 1956. O contrato de aluguel do imóvel passou do pai para a mãe e, após a morte dela, em 2005, Maricarmen permaneceu no local. Mas a Justiça considerou que essa segunda transferência contratual não era válida e que o contrato já estava extinto. Com uma aposentadoria de cerca de € 1.400 (cerca de R$ 8.280), ela nunca deixou de pagar o aluguel previsto no contrato antigo e as contas, que, somados, representavam ...
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  • Escala 6x1: batalha por voto e poder permite mudança histórica na legislação trabalhista no Brasil
    2026/10/15
    Proposta que virou bandeira de Lula teve apoio inclusive do PL de Flávio Bolsonaro, embora partido já fale em compensações. Trabalhador celetista terá direito a dois dias de folga por semana, sem redução salarial. Desafio do PT é reverter vitória em votos. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília A disputa acirrada pelo poder num país dividido é capaz de pavimentar as condições para mudanças históricas que dificilmente aconteceriam em outros cenários, já que contrariam quem detém o poder econômico. E foi assim que, a 11 dias do segundo turno das eleições, o Senado aprovou numa única noite, em dois turnos, a emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais, com a garantia de pelo menos dois dias de descanso na semana para contratos regidos pela CLT, sem redução salarial. Até um mês atrás, a proposta estava parada no Senado e parecia impossível imaginar sua aprovação, ainda mais depois da vitória esmagadora da direita na eleição para o Congresso. Mas o tema, abraçado pelo governo Lula no último ano de mandato, virou uma espécie de bote salva-vidas para o petista e, com a campanha pegando fogo na disputa voto a voto, até o PL de Flávio Bolsonaro, que abertamente trabalhou contra a mudança, no fim votou a favor. No meio da disputa nacional, destaca-se ainda a articulação de Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) de permanecer no comando do Senado, apesar da força que o PL terá na Casa Legislativa, ainda mais se vencer o segundo turno. Flávio Bolsonaro não esteve no plenário na votação, mas registrou o voto de forma remota. E seus parceiros que votaram e discursaram não esconderam o desconforto, alguns já falando em compensações, especialmente para o comércio. Uma das propostas levantadas foi a desoneração da folha de pagamento, que tem impacto direto na Previdência Social, e mesmo de votar um caminho alternativo de negociação entre patrão e empregado. “Eu recebi milhares de pedidos sobre essa votação. E esse pedido é legítimo, sem dúvida nenhuma, eu respeito. Por isso, o meu voto será sim. Mas é preciso falar também, além das vantagens, dos riscos para o trabalhador. Nós não podemos permitir que essa conquista se transforme lá na frente, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger”, disse o senador Marcos Pontes (PL/SP). O texto aprovado foi o mesmo que já tinha sido votado na Câmara e que tem como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). No Senado, houve apenas um voto contrário, o do senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS), que foi vice de Jair Bolsonaro. Érica Hilton comemora “É vitória dos trabalhadores, é vitória das mulheres, é vitória de quem está nessa escala desumana. Daqui a 60 dias, a escala 6x1 acaba no Brasil. Para todos aqueles que duvidaram, para a extrema-direita e os aliados do Flávio Bolsonaro, que articularam o tempo inteiro para que isso não acontecesse, amarguem essa derrota. A voz do povo venceu”, comemorou a deputada Érika Hilton (PSOL/SP), que levantou a bandeira do tema na Câmara e acompanhou a votação no Senado. O desafio de Lula é transformar essa vitória em votos, uma vez que já era conhecida sua posição favorável ao tema e a de Flávio Bolsonaro, contrária. E o petista também já havia lançado mão de outras estratégias, como o reajuste do Bolsa Família. “Nós estamos falando de 170 milhões de brasileiros. Reconverter a cabeça desses eleitores exige algo como fazer uma curva com transatlântico. Então é uma curva devagar num espaço muito curto de tempo. E, no segundo turno, o nível de abstenção e o nível de pessoas que votam nulo costuma ser maior que no primeiro”, destacou o cientista político Alexandre Bandeira. O analista comentou os pacotes de bondades de Lula no meio da campanha e as promessas sem detalhamento de Flávio de cortar despesas em mais de R$ 200 bilhões. Nos dois casos, a pergunta é como fechar a conta. “No momento em que estamos vivendo, os dois candidatos prometem demais, mentem demais, se atacam demais e se comprometem demais. E nesta reta final, muito do que está sendo prometido como atos futuros de um governo são medidas inexequíveis. E mais do que isso, são medidas que não estão contidas nos planos de governo dos candidatos, portanto não têm ressonância naquele contrato que o candidato assinou com a sociedade ao registrar a sua candidatura.” Para Bandeira, “ou o candidato eleito não vai cumprir, ou, se decidir cumprir, nós vamos entrar num outro problema, que é um país de cobertor curto que não tem dinheiro para pagar tudo aquilo que está sendo prometido. A quem vai sobrar essa conta?”, indaga o especialista.
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  • Argentina: radiografia do país com mais votos brasileiros na América Latina
    2026/09/30
    Buenos Aires é a cidade latino-americana com mais eleitores brasileiros. O perfil majoritário do voto brasileiro na Argentina é jovem, feminino e de alta escolaridade. Uma consultoria local divulgou uma pesquisa sobre o eleitorado brasileiro e aponta a tendência de votos. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires A maior quantidade de brasileiros na América Latina fica no Paraguai (270 mil), deixando a Argentina (70 mil) em segundo lugar. Mas no que se refere a eleitores, as posições se invertem: Buenos Aires é a cidade latino-americana com mais brasileiros votantes (11.873 eleitores), enquanto, em segundo lugar, com menos da metade, vem a paraguaia Cidade do Leste (5.102), na fronteira com o Brasil. México (3.975), Bolívia (3.627), Chile (3.569) e Uruguai (3175) completam a lista dos países, mas bem longe do Paraguai (9.225) e da Argentina (13.138), segundo o TSE. Buenos Aires concentra 90,4% desses votos, mas também representa 12 províncias que vão desde a fronteira com o Brasil até a Terra do Fogo, no extremo Sul do continente. As mulheres representam dois de cada três eleitores na Argentina (66%). Os jovens, de 25 a 29 anos de idade, são os mais numerosos, contabilizando 22,5% do total. Somadas faixas etárias até 39 anos, eles atingem 60% do eleitorado na Argentina. Esse perfil é mais jovem do que o voto brasileiro no exterior em geral e está associado à grande quantidade de universitários e a profissionais no âmbito do Mercosul. Essa juventude explica que 75,6% seja solteiro. Entre universitários e formados, há 56,7% dos eleitores. Somados aos que tem o ensino médio completo, são quase 90%, uma proporção de escolaridade superior à média do voto brasileiro no exterior. Além de Buenos Aires, haverá zonas eleitorais em outras quatro cidades: Córdoba, Mendoza, Paso de los Libres e Puerto Iguazú, essas duas últimas na fronteira com o Brasil. A sede da votação em Buenos Aires abrange doze províncias, enquanto a de Mendoza, três; a de Puerto Iguazú, duas e a de Córdoba, sete. Em Buenos Aires, são 15 seções, com 30 urnas. Nas demais cidades, apenas uma urna. Queda de eleitores Entre 2018 e 2022, o número de eleitores aumentou em 78%, graças à uma campanha do Núcleo do PT na Argentina para transferência do título de eleitor. Nenhum outro partido tem representação no país. Em 2018, Jair Bolsonaro ganhou as eleições no primeiro turno com os votos dos universitários, mas, no segundo turno, perdeu para Fernando Haddad, quem obteve 53,4% dos votos válidos. A chegada de Bolsonaro ao poder levou os militantes do PT na Argentina a se dedicarem a reverter aquela derrota, mapeando a comunidade brasileira e fazendo uma campanha de conscientização sobre a importância da participação popular. “Essas contribuições fortalecem o trabalho da Secretaria de Relações Internacionais e ampliam a capacidade do partido de formular estratégias de integração e participação que correspondam às necessidades reais de brasileiras e brasileiros no exterior”, explica um relatório produzido pelas coordenadoras do Núcleo Danielle Santana e Renata Codas. “O princípio orientador permanece claro: migrar não significa abrir mão de direitos”, aponta o trabalho intitulado “Características Demográficas da População Brasileira Residente na Argentina”, de agosto de 2025. Entre 2022 e agora, o número de eleitores inscritos na Argentina aumentou em apenas 392 pessoas, embora a campanha tenha continuado até o prazo de 6 de maio para a transferência do título. “Em 2026, temos 5,28% eleitores a menos em Buenos Aires do que em 2022”, observa o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Raymundo Magno. A população brasileira tem se reduzido devido ao aumento do custo de vida na Argentina, identificam tanto no Consulado do Brasil em Buenos Aires quanto no Núcleo do PT. Números do Registro Nacional das Pessoas (RENAPER) da Argentina mostram que, se em 2022, 12.255 brasileiros deram entrada no documento argentino, em 2024, esse número tinha caído a 6.644 e, no ano passado, ficou abaixo de dois mil (os dados mais recentes disponíveis são até julho de 2025). É uma desaceleração inédita, só comparável ao período de pandemia, quando a Argentina teve a quarentena mais prolongada e estrita do mundo, fazendo com que muitos brasileiros fossem embora e ninguém pudesse entrar. Em 2020, foram apenas 3.173 pedidos de documento e, em 2021, 2.736 registros. Com isso, se em 2022 havia cerca de 89.020 brasileiros, esse número em julho de 2025 era de 69.538 brasileiros, uma queda de quase 20 mil em três anos. Em 2024, o TSE registrava 14.590 eleitores brasileiros na Argentina; agora, 13.138. A queda sugere que, pelo menos, 1.452 eleitores chegaram a transferir o título para a Argentina, mas foram embora antes das eleições dois anos depois. Na cidade de Buenos Aires, moram 24.701, equivalentes a 35,5% do total, bem acima de Rosario, em ...
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  • Na Alemanha, passeata e fiscalização eleitoral mobilizam apoiadores de Lula e Flávio
    2026/10/01
    Eleitores brasileiros na Alemanha se preparam para votar neste domingo (4) organizando passeatas e fiscalização das seções no dia da eleição. O país é o segundo maior colégio eleitoral na Europa e aumentou em quase cinco vezes o número de eleitores desde 2010, mas costuma enfrentar uma grande taxa de abstenção. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha São mais de 41 mil brasileiros aptos a votar, um aumento de 15% em relação a 2022 e quase 400% em relação à 2010. A Alemanha fica atrás apenas de Estados Unidos, Portugal, Japão e Canadá como maior colégio eleitoral brasieiro no exterior. Esses 41 mil eleitores ainda são um número relativamente baixo se comparado à estimativa de brasileiros vivendo na Alemanha, que é de cerca de 170 mil pessoas. E o número total de eleitores brasileiros no exterior este ano está quase chegando a 1 milhão: são 918 mil, pouco mais de meio por cento do eleitorado total. A maior mobilização de grupos políticos é, claro, dos dois que lideram as pesquisas de intenção de voto, Lula e Flávio Bolsonaro. Um grupo chamado Liga Conservadora Brasil-Alemanha, que conta com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, está convocando militantes para serem fiscais de eleição deste ano. A líder do grupo, a empresária Samia Sittel-Faraj, fez uma campanha de mobilização de militantes do PL na Alemanha para se inscreverem como fiscais, que são voluntários que acompanham a votação, desde a abertura das urnas até a emissão do Boletim de Urna. A Liga Conservadora Brasil-Alemanha organiza eventos regulares e, no dia 7 de setembro, levou algumas dezenas de pessoas às ruas de Munique para uma celebração da Independência. Polarização menor fora do país Pelo outro lado, um grupo chamado Comitê Popular de Luta de Frankfurt e o núcleo do PT na Alemanha estão planejando uma passeata na véspera da eleição, no sábado (3), em Frankfurt, em apoio ao presidente Lula. “O brasileiro que vive aqui acaba vendo o Brasil a partir de outros olhares, de pessoa que não está mais vivendo no país, e acaba tendo outros tipos de informações e conversando com pessoas que tem outro ponto de vista”, afirma o cientista político Edmar Leão, que integra o Comitê Popular de Luta de Frankfurt. “Eu tenho muitos amigos aqui que não votam no Lula, mas a gente conversa de uma forma super tranquila, até porque, dentro da comunidade brasileira, tem também essa questão da fraternidade”. O recente estremecimento das relações entre o Brasil e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está despertando o interesse dos alemães na eleição brasileira, de acordo com Leão: “Vem sendo reportado aqui nos meios de comunicação da Alemanha essa possível interferência de Trump na eleição no Brasil, colocando em dúvida a credibilidade das urnas, indicando um candidato favorito e colocando taxas nas exportações brasileiras nos Estados Unidos.” A RFI Brasil também tentou contato com a Liga Conservadora Brasil-Alemanha, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. Perfil do eleitor O eleitor brasileiro por aqui é principalmente feminino, escolarizado e tem votado na esquerda. As mulheres são 65% dos eleitores brasileiros na Alemanha. Por aqui o eleitorado brasileiro também é mais escolarizado do que a média: 51% têm curso superior, contra apenas 38% da média dos eleitores brasileiros em outros países. Depois de 2014, quando Aécio Neves venceu, a vitória foi sempre do PT. Em 2022, a vitória petista foi esmagadora, com 76% dos votos indo para Lula. Os locais de votação são as cidades de Berlim, Munique, Frankfurt, Colônia e Hamburgo, uma variedade grande se comparada a outros países na Europa. Munique costuma ser o maior colégio eleitoral, ficando à frente da capital, e Hamburgo é o menor - para 2026 o TSE ainda não divulgou essa distribuição por cidade. Mesmo com estas cinco opções de locais de votação, a taxa de abstenção costuma ser bastante alta, e possivelmente devido às distâncias, que na Alemanha também são grandes para os padrões europeus. Muita gente do interior acaba não se deslocando no dia da votação para uma dessas cinco cidades. A abstenção no segundo turno das eleições anteriores sempre superava os 60%. Em 2022 ela caiu para pouco mais de 50%, mesmo assim sendo mais que o dobro da abstenção que se verifica no Brasil. Para este ano, as três representações diplomáticas brasileiras no país prometem uma estrutura robusta para evitar filas. Em Munique, o consulado alerta os eleitores a se deslocarem com antecedência, já que domingo também será o último dia da Oktoberfest, o que aumenta o movimento e o tráfego nas ruas.
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  • Sem debate, mas com ataques, candidatos irão ao 1° turno após campanha dominada por Lula e Flávio Bolsonaro
    2026/10/02

    O cancelamento do debate na TV Globo com os presidenciáveis, na quinta-feira (1°) evidenciou uma campanha na qual a discussão dos programas e projetos ficou em segundo plano. Nas ruas, o eleitor de esquerda se mostra mais apreensivo às vésperas da votação.

    Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

    Quem anda pelas ruas da capital federal não sente bem o clima da eleição. Diferentemente de quatro anos atrás, quando eleitores vestiam camisetas e exibiam a bandeira do Brasil e faixas em suas janelas, a eleição desta vez empolgou menos as ruas e se acirrou mesmo nas redes sociais e no poder Judiciário.

    Mas isso não significa que a rivalidade diminuiu. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) polarizaram a disputa mostrando que o Brasil continua dividido e que não houve nomes do meio capazes de impactar a disputa dos dois.

    O candidato do Missão, Renan Santos, surpreendeu angariando apoio de jovens, especialmente na internet, mas não deslanchou nas pesquisas.

    Já Augusto Cury, do Avante, chegou a atrair os holofotes atingindo 10% das intenções de voto, mas logo desidratou. Ao mesmo tempo, nomes conhecidos da política como Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, não avançaram.

    Debate cancelado

    O sonho desses coadjuvantes de ocupar um espaço ao vivo na reta final da campanha em um canal aberto de televisão acabou caindo por terra. A desistência em cima da hora de Flávio Bolsonaro e um "vai e vem" de decisões judiciais acerca das regras e dos participantes levaram a TV Globo a cancelar o debate com os presidenciáveis que movimentaria a noite desta quinta-feira.

    Lula já havia comunicado dias antes que não estaria presente. Os memes nas redes sociais sobraram para Flávio, que havia confirmado, mas cancelou sua participação assim que a presença de Renan Santos, um ávido crítico dos dois principais candidatos, foi assegurada por decisão de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

    “O medo que Flávio Bolsonaro tem de mim o levou a cancelar a participação no debate apenas três minutos depois que minha presença foi confirmada”, falou em vídeo o candidato do Missão.

    O PL organizou uma transmissão pela internet com presença de vários aliados políticos onde a tônica foram os ataques ao adversário do PT.

    “O povo nordestino e o povo brasileiro abriu o olho e não acredita mais nas suas promessas. Você já deu. O povo está cansado de você. Vai para casa descansar, Lula. Deixa o Brasil em paz”, declarou Flávio Bolsonaro.

    Já Lula participou de uma entrevista ao vivo no podcast Flow no mesmo horário do debate da TV, onde focou em programas desenvolvidos por sua gestão. Também se defendeu de acusações do passado.

    “Os meus princípios continuam os mesmos. Eu sei de onde eu vim, sei para onde vou. Quando eu estava sendo acusado na Lava Jato, eu cansei de desafiar empresário, banqueiro, meus inimigos. Mostre um telefonema meu. Mostre um centavo depositado na minha conta. E nunca teve”, ressaltou Lula.

    A voz do eleitor

    A dois dias da eleição, o clima é de uma esquerda um tanto apreensiva e de uma direita um pouco mais confiante. A RFI conversou com eleitores nas ruas de Brasília.

    “Só de pensar que a família Bolsonaro pode voltar ao poder, dá um certo medo. A gente viu o que aconteceu com quatro anos de Bolsonaro. E o Flávio todo submisso ao governo dos Estados Unidos, dá uma apreensão”, disse o estudante de arquitetura João Martins, que vai votar eleitor em Lula.

    “Eu estou muito esperançoso, gostando bastante do atual cenário. Eu vou votar no Flávio Bolsonaro e a gente espera mudar o Brasil daqui pra frente. Acho que ele tem muita chance de vencer, muita mesmo. Acho que agora vai”, declarou o analista de sistema Bruno Luís.

    Mas tem eleitor com menos convicção. É o caso da diarista Terezinha Moreira, que afirma não ter candidato. “Não sei, acho que porque não confio mais em ninguém. Acho que vou votar tudo nulo”.

    Mesmo tom do eleitor Alef de Oliveira, proprietário de um lava jato em Brasília. “Eu estou um pouco indeciso ainda, estudando mais sobre os candidatos, mas já vi muita coisa que de Flávio e Lula que me desanimou. E até o momento meu candidato é o Caiado. Num segundo turno tendo a ficar com Lula. Ainda preciso escolher deputado e senador, ainda não decidi.”

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  • Flávio Bolsonaro e Lula disputarão segundo turno; desafio da esquerda é mobilizar abstencionistas
    2026/10/05
    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais em 25 de outubro. Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), enquanto Lula registrava 45,14% (53,8 milhões). A diferença apertada reforça a polarização que marca o cenário político brasileiro e evidencia o avanço institucional do PL, que conquistou as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados, além de eleger cinco governadores já no primeiro turno. A abstenção recorde, de 33,4 milhões de eleitores, revela os limites da capacidade de mobilização dos dois campos e desponta como um dos fatores potencialmente decisivos para o resultado da disputa. Márcia Bechara, enviada especial da RFI ao Rio de Janeiro O primeiro turno das eleições gerais de 2026 parece ter produzido, num primeiro balanço, mais confirmações do que rupturas. A manutenção da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a força do petismo no Nordeste, o avanço da direita nos governos estaduais e a definição da disputa presidencial em dois turnos já figuravam entre os cenários considerados plausíveis por pesquisas e analistas ao longo da campanha. Embora tenha trazido resultados relevantes em algumas disputas estaduais, o pleito não parece ter alterado substancialmente a geografia política do país, consolidada desde a década passada. Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), contra 45,14% (53,8 milhões) de Lula. A distância relativamente estreita entre os dois indica uma segunda etapa de alta competitividade, na qual cada ponto percentual tende a ganhar importância decisiva. PL se instala no Senado e vai dominar pautas estratégicas Mas, se a disputa presidencial terminou indefinida e empurrou o país para o segundo turno, a eleição para o Senado produziu um resultado muito mais claro. O grande vencedor político da noite foi o PL, partido de Flávio Bolsonaro, que ampliou sua força e passará a controlar a maior bancada da Casa, transformando o Senado em um dos principais centros de poder do próximo ciclo político. A eleição renovou dois terços do Senado e definiu quem terá influência sobre pautas estratégicas pelos próximos oito anos, incluindo indicações ao Supremo Tribunal Federal, sabatinas de ministros, autoridades do Banco Central, procuradores-gerais e pedidos de impeachment de integrantes de tribunais superiores. O partido elegeu 19 senadores e passará a ter 28 das 81 cadeiras da Casa, tornando-se, com ampla margem, a maior bancada do Senado. O resultado sugere que a direita não apenas manteve seus redutos eleitorais, mas aprofundou sua representação institucional em Brasília. Leia tambémDois Brasis distintos vão às ruas no último dia de campanha; pesquisas confirmam país fraturado Abstenção recorde A abstenção foi, sem sombra de dúvida, um dos pontos mais significativos. A eleição de 2026 registrou mais de 33 milhões de eleitores ausentes, cerca de 21% do eleitorado, o maior contingente absoluto de abstenções já observado em uma eleição presidencial brasileira. O comparecimento foi de 78,16% do eleitorado, o equivalente a 124 milhões de votantes. Esses 33 milhões de ausentes superam largamente a votação de qualquer candidatura fora dos dois polos dominantes da disputa, transformando a não participação em uma das principais forças silenciosas da eleição de 2026. O dado indica que a polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula, embora mobilize amplas parcelas do eleitorado, não foi suficiente para reduzir significativamente o contingente de brasileiros que optaram por não comparecer às urnas. Brasil dividido O primeiro turno consolidou um mapa eleitoral dividido. Enquanto Flávio Bolsonaro dominou o Sul, os principais colégios do Sudeste e o Centro-Oeste, Lula voltou a registrar votações expressivas no Nordeste. O resultado reproduziu clivagens observadas nas eleições anteriores e revelou um país repartido entre áreas de forte influência conservadora e redutos historicamente ligados ao petismo. De um lado, Flávio Bolsonaro venceu com folga em Santa Catarina, onde obteve 66,66% dos votos válidos; no Paraná, 59,91%; no Rio Grande do Sul, 55,64%; em São Paulo, 51,93%; e no Rio de Janeiro, 53,02%. Do outro, Lula manteve ampla vantagem no Nordeste, vencendo com percentuais elevados na Bahia (65,80%), no Piauí (70,86%), em Pernambuco (63,31%), no Ceará (62,98%) e no Maranhão (63,78%). A divisão de poder nos estados da federação O resultado para os governos estaduais sugere que a força eleitoral de Flávio Bolsonaro não ficou restrita à disputa presidencial. A direita ampliou presença territorial ao conquistar ou manter governos estaduais importantes, consolidando estruturas administrativas, orçamentárias e partidárias que permanecerão ativas até 2030 e a força da direita, nestas eleições,...
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