エピソード

  • Eleitorado brasileiro cresce nos EUA, mas distância e medo do ICE desafiam votação em Nova York
    2026/09/14
    A menos de um mês das eleições presidenciais no Brasil, os Estados Unidos se preparam para receber o maior contingente de eleitores brasileiros fora do país. O número de pessoas aptas a votar em território americano cresceu cerca de 45% desde a última eleição presidencial, ao mesmo tempo em que consulados reorganizam locais de votação para atender à demanda e a um desafio novo: o temor provocado pelo endurecimento das operações de controle de imigração no país. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918,9 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior nas eleições de 2026. Em 2022, eram 697,1 mil – um crescimento de 31,8% em quatro anos. O eleitorado brasileiro no exterior mais do que quadruplicou desde 2010, quando estava na casa dos 200 mil. Os Estados Unidos concentram o maior colégio eleitoral brasileiro fora do Brasil. São cerca de 265 mil eleitores registrados, contra quase 183 mil em 2022, um salto de aproximadamente 45%. Eles estão distribuídos entre diferentes postos de votação pelo país. Boston reúne o maior eleitorado brasileiro nos Estados Unidos, com 53,4 mil pessoas aptas a votar. Na sequência aparecem Miami, com 40.109 eleitores, e Nova York, com 39.026. Em Nova York, o eleitorado aumentou significativamente em relação a 2022, quando cerca de 28 mil brasileiros estavam aptos a votar. O crescimento ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral e o Itamaraty ampliam a estrutura para receber os brasileiros que vivem fora do país. Em abril, o TSE aprovou a transferência de R$ 13,2 milhões para a locação de imóveis no exterior. Neste ano, o Itamaraty trabalha com 66 endereços adicionais para a realização das eleições, 14 deles nos Estados Unidos. De Manhattan para o Queens Nas eleições de 2022, a votação de Nova York ocorreu em Manhattan. Mas este ano, o Consulado-Geral do Brasil decidiu transferir o pleito para uma instituição de ensino no Queens, provocando reclamações entre parte dos eleitores. A mudança ocorre justamente em um dos distritos com maior concentração de imigrantes da cidade e que tem sido alvo de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em meio ao endurecimento da política migratória do governo Donald Trump. O novo local fica a cerca de 16 quilômetros da sede do Consulado, em Manhattan, e não tem acesso direto ao metrô. A jurisdição consular de Nova York também atende brasileiros que vivem em Nova Jersey e na região da Filadélfia, que precisam se deslocar até a cidade para votar. É o caso de Amanda Lourenço, que trabalha com marketing e vive nos Estados Unidos há sete anos. Moradora da Pensilvânia, ela conta que já precisava dirigir cerca de uma hora e meia para votar em Nova York. Em 2022, conseguiu participar do primeiro turno, mas acabou não voltando para o segundo por causa da distância. Agora, com a transferência para o Queens, seu percurso ficará pelo menos meia hora mais longo. “Eu preferia quando era em Manhattan, que era mais central, a gente não tinha que atravessar para o outro lado. Estou considerando se vou ou não. Acho que vou sim, porque para mim votar é importante. Mas a verdade é que deu uma desanimada de pensar que é mais longe ainda”, diz a eleitora. A decisão já provocou uma mobilização de brasileiros que pedem ao Consulado a transferência da votação de volta para Manhattan. Medo do ICE também pesou na escolha Mas a distância não foi o único fator considerado na definição do novo endereço. Em meio ao aumento das operações de imigração nos Estados Unidos, o medo de abordagens de agentes do ICE também entrou no cálculo das autoridades brasileiras. O local escolhido no Queens permite que as filas sejam organizadas dentro do complexo educacional, evitando que milhares de brasileiros tenham de esperar nas calçadas. Segundo as informações reunidas sobre a preparação do pleito, a Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e a polícia da cidade também participaram do mapeamento de alternativas consideradas mais seguras. O mesmo complexo foi utilizado pelo Consulado-Geral do Peru para sua eleição presidencial em abril. A preocupação ganha peso em uma comunidade muito maior do que o eleitorado registrado. Estimativas do Itamaraty apontam para cerca de 2 milhões de brasileiros vivendo atualmente nos Estados Unidos, enquanto apenas cerca de 265 mil estão aptos a votar. Histórico de filas e abstenção A organização das filas já havia sido um desafio em Nova York nas últimas eleições presidenciais. Em 2022, eleitores chegaram a enfrentar cerca de meia hora de espera para percorrer aproximadamente 500 metros. Também houve tensão entre apoiadores de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, levando a polícia de Nova York a instalar barreiras e manter os dois grupos em lados diferentes da rua. Apesar do crescimento ...
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  • Vice de Trump adota tom mais moderado e discursa como herdeiro político para 2028 em convenção
    2026/09/11
    Por dois dias, os principais nomes do Partido Republicano estiveram reunidos no Texas na primeira convenção nacional da legenda para as eleições de meio de mandato. Na noite de encerramento, os discursos do presidente Donald Trump e do vice JD Vance mostraram estratégias diferentes para tentar mobilizar o eleitorado antes da votação de novembro. Patrícia Vasconcellos, de Dallas, especial para a RFI Trump subiu ao palco prometendo ser breve, depois de ter discursado por quase duas horas no dia anterior. Cumpriu a promessa: falou por menos de meia hora. O presidente voltou a pedir para os eleitores votarem em novembro como se o nome dele estivesse nas cédulas e repetiu a promessa de pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso o Partido Republicano conquiste a maioria das cadeiras no Congresso. “Se os democratas dominarem, eles vão destruir tudo o que foi feito”, afirmou. Trump, no entanto, não explicou como seria feito o pagamento dos US$ 5 mil, nem de onde viriam os recursos. Também culpou os democratas pela inflação e o aumento da imigração ilegal nos Estados Unidos nos últimos anos. Para Vance, democratas 'são o partido do ódio' A imigração, carro-chefe da campanha presidencial republicana de 2024 e uma das principais bandeiras do atual governo, teve espaço muito menor no discurso de JD Vance. O vice-presidente adotou um tom mais moderado do que Trump e outras autoridades que passaram pelo palco. Seguiu de perto o discurso preparado no teleprompter e mencionou a imigração ao afirmar que o governo havia revertido o fluxo de entrada ilegal de estrangeiros. O tema voltou a aparecer quando um manifestante na plateia exibiu uma bandeira do México. Vance respondeu que ele deveria então ir para o país latino-americano, mas não prolongou o assunto. Em outro momento, o vice-presidente fez uma declaração que soou como um reconhecimento de que existe descontentamento entre eleitores com algumas decisões do governo: “Não entreguem o país nas mãos de malucos porque vocês não concordam com uma política ou outra deste governo”, disse. Vance também tentou inverter a acusação de que o Partido Republicano promove um discurso de divisão. Segundo ele, são os democratas que representam o “partido do ódio”, enquanto os republicanos querem proporcionar “uma vida melhor” aos americanos. O vice-presidente concentrou boa parte da fala em temas como preços mais baixos, empregos e educação – uma combinação que reforçou a impressão de um discurso voltado não apenas para as eleições legislativas de novembro, mas também para uma possível candidatura presidencial em 2028. Vice ganha espaço como possível herdeiro de Trump O espaço dado a Vance na segunda noite também reforçou sua posição como possível herdeiro político de Trump. Oficialmente, o presidente disse estar cansado. Nos bastidores da convenção, porém, o desenho da agenda pareceu dar ao vice-presidente a oportunidade de se apresentar a um público nacional. Vance falou em tom de presidenciável e citou a própria mulher, Usha Vance, filha de imigrantes indianos, ao retomar uma disputa com Abdul El-Sayed, político democrata e candidato ao Senado por Michigan. A controvérsia começou depois que El-Sayed insinuou que o avô de Vance poderia ter problemas em conhecer Usha por causa de sua origem familiar. Na convenção, o vice-presidente negou a premissa e classificou a insinuação como uma demonstração do que chamou de “ódio” dos democratas. O contraste com Trump também apareceu na discussão sobre cidadania. Na quarta-feira (9), o presidente havia falado em assinar uma ordem executiva para proteger os Estados Unidos de uma “invasão estrangeira”. Vance não retomou essa retórica e fez uma declaração sobre identidade americana. “Toda criança nasce com o direito de ser americana, não pela forma como ela aparenta ou de onde seus antepassados vieram, mas porque ela é americana”, afirmou. A declaração chama atenção diante da política defendida por Trump de restringir a cidadania automática por nascimento para filhos de determinados imigrantes que estejam nos Estados Unidos sem autorização ou com status migratório temporário. Irã fica fora da última noite A guerra contra o Irã, que se estende há meses e pressiona os preços dos combustíveis, praticamente desapareceu do encerramento da convenção. Trump havia tratado do assunto no primeiro dia, quando afirmou que não negociaria com “lunáticos” e voltou a dizer que não permitiria que o Irã tivesse armas nucleares. Na última noite em Dallas, porém, o conflito no Oriente Médio não ganhou destaque. Trump preferiu falar da Venezuela, afirmando que os Estados Unidos “tomaram o petróleo” do país latino-americano, e insistiu repetidamente na necessidade de os republicanos comparecerem às urnas em novembro. Depois dos dois dias de convenção, ficou evidente a tentativa da liderança ...
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  • Em Portugal, pedidos de ajuda financeira para voltar ao Brasil crescem mais de 50% no primeiro semestre
    2026/09/10

    A Organização Internacional para Migrações, OIM, entidade ligada à ONU, mantém em Portugal um dispositivo para ajudar imigrantes que desejam deixar voluntariamente o território português e voltar ao seu país de origem. Um balanço recente aponta um aumento no número de brasileiros que recorrem ao sistema.

    Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Portugal

    O programa chama-se Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração. Ele é destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, independente da região onde vivam, ou de estarem com a situação migratória regularizada. Recentemente, o que chamou a atenção foi o crescimento no número de brasileiros recorrendo a essa ajuda.

    Nos primeiros sete meses deste ano, a quantidade de pessoas pedindo o apoio subiu mais de 50% em comparação ao mesmo período do ano passado. É um indicativo de que o “sonho português” tem virado desilusão para muitos.

    No formato atual, o programa começou em 2024, mas desde então a tendência é crescente. Em todo o ano de 2024, 432 brasileiros fizeram a inscrição, pedindo apoio para o retorno. Um volume que já foi ultrapassado apenas nos sete primeiros deste ano. Até julho de 2026, o número chegou a 470 pedidos de ajuda. Os relatórios da Organização Internacional para Migrações, entidade que organiza o programa, apresentaram em 2025 uma média de 44 pedidos de brasileiros por mês; este ano, a média mensal está em 67, o que significa um aumento de 52%.

    Há inscritos de vários países, como Venezuela, Sri Lanka e Moçambique, mas o Brasil representa a maioria dos atendimentos. Os brasileiros são a maior comunidade estrangeira em Portugal, sendo 30% do total de imigrantes, mas representam 80% do total de pedidos de retorno. E são do Brasil quase todas as crianças que participam do programa. Ano passado, 85 crianças regressaram ao país com esse apoio oficial, o que mostra que são famílias inteiras que estão desistindo de viver em Portugal.

    O apoio ao retorno inclui a compra da passagem aérea e uma ajuda de custo de € 70 para as despesas durante a viagem. A passagem e o dinheiro são entregues em mãos, no dia, por um funcionário do programa.

    Muitas pessoas se inscrevem, mas acabam não completando o processo; a porcentagem de concretização do retorno costuma ser metade dos inscritos. A OIM não detalha os dados dos processos, mas há alguns obstáculos importantes: um deles é que é preciso comprovar a vulnerabilidade econômica e mostrar que não tem como voltar por meios próprios.

    Outro ponto importante é que quem participa do programa fica por três anos impedido de entrar tanto em Portugal como em qualquer outro país do Espaço de Schengen, zona de livre circulação que abrange 29 países europeus. Como muitas vezes o sonho de viver em Portugal acaba sendo substituído pelo sonho de viver em outro país da Europa, algumas pessoas preferem esperar um pouco mais, fazer algum sacrifício e se reogarnizar sozinho para poder partir para outro destino.

    As histórias de pessoas decepcionadas com a vida em terras portuguesas são cada vez mais frequentes. E há vários perfis, desde gente que veio de forma irregular e teve dificuldade para conseguir emprego e documentação, até quem chegou já com visto, com emprego certo, mas depois se deparou com um alto custo de vida e de moradia, e acabam preferindo voltar para o Brasil.

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  • Oposição israelense ataca Netanyahu após denúncia sobre alerta antes de 7 de Outubro
    2026/09/09
    Segundo o jornal Haaretz, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria recebido um telefonema do presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohamed Bin Zayed, alertando-o sobre uma operação planejada pelo Hamas uma semana e meia antes dos ataques de 7 de Outubro de 2023. Especialistas, porém, avaliam que a revelação dificilmente alterará de forma significativa o resultado da eleição, servindo mais para aprofundar a polarização política em Israel. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel A ligação telefônica teria durado cerca de 45 minutos. O gabinete do primeiro-ministro classificou a matéria como “uma completa mentira”. O comunicado divulgado à imprensa afirma que "durante o período em questão, Netanyahu não conversou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos e não recebeu qualquer aviso dele”. O governo dos Emirados Árabes Unidos não negou a informação, mas preferiu não comentá-la diretamente. “Órgãos dos governos dos Emirados e de Israel têm mantido linha direta de comunicação desde o início da relação [entre os países] mais de cinco anos atrás. Quando necessário, toda a informação de inteligência foi e continua a ser comunicada entre os órgãos relevantes”. Em Israel, as lideranças dos partidos de oposição partiram para o ataque. Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, que neste momento ocupa a liderança em parte das pesquisas de intenção de voto para a eleição de 27 de outubro, declarou que “cada vez mais indícios apontam que Netanyahu conduziu Israel cegamente ao fracasso dos ataques de 7 de Outubro”. Ainda segundo Eisenkot, “Netanyahu recebeu dezenas de avisos e ignorou todos. Ele é incompetente”. Ele prometeu também formar uma comissão de investigação estatal para "esclarecer o que Netanyahu sabia e o que não sabia”. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, líder do partido Yahad, de centro-direita, afirmou que “a informação é verdadeira” e que “Netanyahu tem responsabilidade pessoal e direta pela omissão que levou às mortes de milhares de israelenses”. O líder do partido de esquerda Os Democratas, Yair Golan, disse que “as desculpas de Netanyahu acabaram e que ele é culpado”. Golan também prometeu formar uma comissão estatal de investigação "que revelará toda a verdade”. “Por negligência, Netanyahu é responsável pelo massacre de 1.200 israelenses em 7 de Outubro”, afirmou. Timing pode ser chave Faltam menos de 50 dias para a eleição geral, justamente a primeira a ocorrer após o 7 de Outubro, após as guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Ainda não se sabe qual será o impacto eleitoral desta notícia. Até agora, antes da revelação, as pesquisas mostravam que os partidos que atualmente estão no governo liderado pelo primeiro-ministro Netanyahu não conseguem formar uma nova coalizão majoritária. Dois especialistas ouvidos pela RFI em Israel avaliam as possíveis consequências da reportagem do Haaretz com certa cautela. João Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel Aviv e cofundador do podcast 'Do Lado Esquerdo do Muro', não acredita que a revelação poderá mudar de forma decisiva o rumo das eleições. “Durante a campanha, Netanyahu decidiu voltar a ‘trabalhar’ o 7 de Outubro para reconstruir a narrativa sobre o papel dele. Mas a teoria de conspiração que ele buscou emplacar de que ele não teria sido acordado de propósito deu errado.” Miragaya faz referência à madrugada entre os dias 6 e 7 de outubro, uma vez que a ofensiva do Hamas começou às 6h29 do dia 7. “A partir dessa reportagem, é provável que Netanyahu tente mudar de assunto. Do ponto de vista eleitoral, eu não acho que nem meio mandato vai mudar de lado devido a esta informação, por mais bombástica que ela possa parecer. Os eleitores dele não se importam com isso. Não importa a verdade, mas sim no que eles [os eleitores de Netanyahu] querem acreditar”, diz Miragaya sobre as revelações da reportagem. Dan Orbach, historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém, também não acredita em consequências mais dramáticas. “Aqueles que odeiam Netanyahu acreditarão nisso [na informação divulgada pelo Haaretz]. Já os apoiadores do primeiro-ministro irão entender como difamação e perseguição. Acredito que o efeito sobre o eleitor marginal será pequeno. Isso vai reforçar a polarização, reforçar a adesão de ambos os lados”, avalia Orbach. Listas eleitorais concluídas Terminou às 22h de 8 de setembro o prazo legal para a entrega das listas de todos os partidos. Como Israel é um regime parlamentarista, os eleitores votam em partidos, não em candidatos. Assim, as listas com os nomes e as posições que cada candidato ocupa são fundamentais para que os eleitores tenham clareza sobre o processo. O Knesset, o parlamento israelense, tem 120 cadeiras. Para formar uma coalizão de governo é preciso obter a metade ...
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  • Campanha eleitoral entra no segundo mês de forma desafiadora para Lula
    2026/09/08
    A 26 dias do primeiro turno das eleições, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscam conter os impactos políticos do caso Master/Moraes sobre a campanha à reeleição. Do outro lado, a direita tenta associar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal ao PT para desgastar o governo. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Mais do que o número de pessoas nas manifestações pelo dia da Independência do Brasil, a semana começou marcada por dados da pesquisa Quaest que mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) exatamente empatados no segundo turno, com 41% das intenções de voto. O resultado reflete não um avanço do candidato do PL, que permanece estável, mas uma oscilação negativa do desempenho do presidente. O sinal de alerta na esquerda desta vez vem em um momento de profunda crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. O escândalo do Banco Master, que era até então o calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro, por causa da gravação em que ele pede recursos a Daniel Vorcaro, virou hoje um telhado de vidro ainda maior para o governo Lula, uma vez que, no epicentro do caso, está Alexandre de Moraes, relator do inquérito que condenou os golpistas do 8 de Janeiro. “A princípio, o escândalo do Master afetou mais Flávio Bolsonaro. Porém, agora, mais próximo das eleições e com o alvo muito bem definido no momento, que é Alexandre de Moraes, essa crise desfavorece muito mais a campanha de Lula à reeleição”, afirmou à RFI o cientista político André Rosa. “O discurso bolsonarista anti-Alexandre de Moraes começa a ser um pouco mais palatável para aquele eleitor que antes desconfiava, que o achava exagerado e até uma certa perseguição. Esse eleitor, antes indeciso, pode ter alguma base para associar a imagem de Lula à do próprio Alexandre de Moraes”, explica o analista. Ciente disso, Lula chegou a defender, em vídeo e sem citar nomes, uma investigação total contra todos os suspeitos, doa a quem doer, e tem procurado deixar para a presidência da Corte a busca por uma saída, sem assumir protagonismo na crise institucional. A aposta da direita Outro detalhe que não passou despercebido foi a declaração do meteoro Augusto Cury, psiquiatra até então conhecido como escritor de livros de autoajuda e que vem se consolidando como terceiro colocado nas pesquisas. Ele já havia defendido anistia à maioria dos condenados pelo 8 de Janeiro e, nesta segunda-feira, encerrou um discurso mandando um abraço especial ao ministro André Mendonça, do STF, numa demonstração de que pode estar mais próximo de Flávio do que de Lula em um eventual segundo turno. A indicação de apoio na segunda etapa não significa que os votos migram automaticamente, mas pode sugerir uma tendência, o que tem peso numa disputa acirrada entre os dois principais candidatos e se torna mais um motivo de preocupação para a esquerda. “A definição dos apoios e o redesenho dos votos no segundo turno são decisivos. Lula disputa praticamente sozinho no campo da centro-esquerda. Já na direita de Flávio Bolsonaro tem o Zema, tem o Caiado e até Renan Santos, que, mesmo sem declarar apoio a qualquer um dos candidatos, tem eleitores que tendem a migrar mais fortemente para Flávio no segundo turno. E o fator Augusto Cury hoje é o coringa da questão porque está em terceiro”, avalia André Rosa. “Se Lula conseguir atrair Cury para a campanha, mesmo com a maioria dos eleitores dos demais nomes apoiando Flávio, o petista tem mais chances. Agora, se Cury apoiar Flávio Bolsonaro, numa composição com os eleitores dos demais candidatos, aí realmente ficaria muito complicado para a campanha petista.” Alexandre de Moraes na linha de tiro A direita organizou manifestações pelo 7 de Setembro em várias capitais brasileiras, enquanto o presidente Lula participou de evento ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Os ataques a Alexandre de Moraes e a tentativa de ligá-lo ao PT foram uma das bandeiras das mobilizações bolsonaristas, especialmente após novas revelações sugerirem uma profunda articulação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro. “Quem viu o dossiê que eu fiz contra Alexandre de Moraes? Coincidentemente, horas depois, saiu um áudio meu com Vorcaro, o famoso pastel de vento. Eu e minha esposa nunca fizemos contrato de R$ 208 milhões com Vorcaro. Os meus filhos nunca receberam cartão de crédito do Banco Master. Eu não troquei meu celular durante as conversas com Vorcaro. Senão, não me chamaria Nikolas Ferreira. Eu me chamaria Alexandre de Moraes. E o teu lugar, Xandão, é na cadeia”, afirmou o deputado mineiro, em discurso ao lado de Flávio Bolsonaro. Já o mote governista no 7 de Setembro esteve mais ligado à soberania nacional, inclusive com ...
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  • União com esquerda radical pode viabilizar governo de extrema direita na Alemanha após vitória em eleição estadual
    2026/09/07

    Ainda é incerto quem governará o estado alemão da Saxônia-Anhalt, que neste domingo (6) deu quase 44% dos votos ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). A votação garantiu ao grupo 39 assentos no Parlamento estadual, sem alcançar os 42 necessários para formar maioria absoluta. Mas, ainda na noite de domingo, surgiu uma possibilidade: o pequeno partido de esquerda radical BSW, que conquistou cinco cadeiras, disse estar aberto a negociações que possam garantir uma mudança de governo no estado.

    Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha

    O BSW, cujo nome completo é Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça, tem apenas dois anos de existência e é uma dissidência do partido de esquerda Die Linke, que, por sua vez, terminou a eleição com oito assentos no Parlamento estadual e se opõe frontalmente à AfD.

    Até o início da votação, muitos acreditavam que o BSW não conseguiria sequer atingir a cláusula de barreira, que exige votação mínima de 5%. O bom desempenho lhe garantiu não só a entrada no Parlamento, mas também uma posição-chave: nenhum grupo conseguirá formar maioria sem as cinco cadeiras conquistadas pelo partido.

    A principal candidata do BSW na Saxônia-Anhalt, Claudia Wittig, disse estar aberta a conversar com a AfD para promover uma mudança de governo no estado, atualmente controlado pela CDU, partido conservador do chanceler Friedrich Merz. Ela descarta formar uma coalizão formal para eleger o candidato da AfD, Ulrich Siegmund, mas diz aceitar uma colaboração para eleger outro nome contra o atual governador da CDU, Sven Schulze.

    Como será a colaboração BSW-AfD

    Na manhã desta segunda-feira, outro dirigente local do BSW, Thomas Schulz, deixou mais claro como seria essa "colaboração": o partido vai se abster caso haja uma terceira votação no Parlamento para escolher o governador.

    Na Saxônia-Anhalt, caso não se alcance maioria absoluta em duas votações seguidas para escolher o governador, o que é bastante provável no cenário atual, na terceira votação basta maioria simples. Com a abstenção do BSW, a AfD elegeria Ulrich Siegmund ao cargo com facilidade, contando com sua maioria simples de 39 votos.

    Se essa colaboração se confirmar, será a primeira vez que um partido alemão romperá o chamado Brandmauer, cordão de isolamento imposto à AfD, para viabilizar um governo estadual liderado pelo partido de extrema direita.

    No campo ideológico, o que diferencia o BSW dos demais partidos de esquerda é principalmente a pauta de costumes. O partido rejeita a chamada "agenda woke" e as pautas identitárias, tendo posições muito mais restritivas à imigração, mas abraça amplamente a agenda econômica de esquerda, com a defesa dos trabalhadores, dos sindicatos e de uma forte presença do Estado na economia.

    Unidos pela Rússia

    O que une os dois partidos de extremos opostos, AfD e BSW, é a defesa do fim das sanções à Rússia e de uma aproximação com Moscou. Às vésperas da eleição, a fundadora do BSW, Sahra Wagenknecht, criticou duramente o fechamento de instituições russas na Alemanha: "Estamos queimando todas as pontes para o diálogo".

    Em grande medida, a boa votação da AfD e do BSW, ainda que em proporções diferentes, se deve à exploração de um certo saudosismo de parte da população da Saxônia-Anhalt em relação à antiga Alemanha Oriental, alinhada à União Soviética. Soma-se a isso o desemprego elevado na região, formando o cenário que possivelmente levou à vitória da AfD.

    O resultado final da apuração indicou a AfD em primeiro lugar, com 43,8% dos votos, seguida pela conservadora CDU, com 17,2%, resultado muito abaixo do esperado, e por uma sequência de partidos mais à esquerda: os social-democratas do SPD, com 9,3%; os Verdes, com 8,9%; o Die Linke, com 8,6%; e o BSW, com 5,1%.

    Com 2,6%, o liberal FDP não atingiu o mínimo necessário e ficou fora do Parlamento estadual. A distribuição das cadeiras ficou em 39 para a AfD, 15 para a CDU, oito para cada um dos três partidos SPD, Verdes e Die Linke e, por fim, cinco cadeiras para o BSW.

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  • O cálculo eleitoral que pode levar a extrema direita ao poder regional na Alemanha
    2026/09/04
    Os olhos de toda Alemanha se voltam neste domingo (6) para a região da Saxônia-Anhalt, onde os eleitores poderão dar uma vitória no parlamento local ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). As pesquisas apontam que há chances de a AfD conseguir formar, pela primeira vez, maioria para governar um dos 16 estados alemães. Tudo dependerá de uma matemática complexa que envolve o desempenho dos partidos da parte de baixo da tabela das pesquisas eleitorais. Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha Nos parlamentos estaduais alemães, assim como em todo sistema parlamentarista, quem ganha nem sempre é quem leva. Não basta ser o mais votado: é preciso ter mais de 50% das cadeiras do parlamento para indicar o primeiro-ministro. Na Saxônia-Anhalt, a AfD está liderando as pesquisas com 43% das intenções de voto, o que, se se confirmar, será a maior votação que o partido já fez em qualquer eleição anterior. A AfD já foi o partido mais votado na região da Turíngia em 2024, mas ficou longe de conseguir formar uma maioria. Isso acontece porque todos os outros partidos se recusam a fazer parte de uma coalizão com a AfD, já que consideram as propostas do partido uma ameaça à Constituição Federal da Alemanha. Em segundo lugar nas pesquisas da Saxônia-Anhalt vem o partido conservador CDU, que atualmente governa o Estado, mas aparece com apenas 22% das intenções de voto, seguido pelo partido de extrema-esquerda Die Linke, com 12%, e pelos social-democratas do SPD, que representam a esquerda tradicional alemã, com apenas 7%. Diante desse cenário, pode até parecer impossível que a AfD forme uma maioria ao obter 43% dos votos. Entretanto, a regra da cláusula de barreira, que também tem assustado alguns partidos brasileiros para a eleição de outubro, pode viabilizar uma vitória. A cláusula de barreira no estado da Saxônia-Anhalt determina que só quem atingir no mínimo 5% dos votos entra no cálculo da distribuição proporcional das cadeiras do parlamento local. Nesse contexto, em alguns cenários, é possível a AfD atingir a maioria mesmo sem fazer 50% dos votos. As pesquisas apontam que tanto o partido liberal FDP quanto o partido de esquerda populista BSW não atingirão este mínimo de votos. O fator decisivo serão os Verdes, que na pesquisa estão fazendo exatamente 5%. Se os Verdes não chegarem a 5%, serão excluídos da contagem e abre-se então uma possibilidade concreta de maioria absoluta para a AfD. Ou seja, a eleição vai ser decidida por 1% ou 2% dos votos. Merz repudia coalizão com a extrema esquerda A CDU se vê diante de um dilema histórico. Esta semana foi de intenso debate dentro do partido, inclusive com participação do chanceler Friedrich Merz. Há divergência interna sobre a conservadora CDU aceitar formar uma coalizão com o Die Linke, que vem logo em seguida nas pesquisas e que aportaria seus 12% dos votos. Esta seria, em princípio, a única possibilidade de a CDU conseguir formar um governo. Em tempos mais recentes, os conservadores não têm tido problemas em se aliar com os social-democratas (SPD), que representam a centro-esquerda da Alemanha. Mas o Die Linke é rechaçado pela maioria dos líderes conservadores por ter propostas consideradas radicais demais à esquerda. O chanceler Merz deu o seu veredito no início da semana: disse que nem a AfD, nem o Die Linke devem ser parceiros de governo da CDU. Mas ele apontou a solução encontrada em outros dois estados, a Turíngia e a Saxônia, como uma saída. Lá, a CDU consegue operar como uma espécie de governo de minoria, com maiorias variáveis e pontuais. Isso ocorre quando os partidos de oposição, como o Die Linke, toleram um primeiro-ministro de outro partido sem fazer parte da coalizão. É o que pode acontecer agora na Saxônia-Anhalt: outros partidos poderiam aceitar a permanência no cargo do atual primeiro-ministro da CDU, Sven Schulze, sem necessariamente integrar uma coalizão, como forma de evitar um governo da AfD. Governo AfD pode virar batalha jurídica A Saxônia-Anhalt deverá ser o campo de testes das ideias autoritárias do líder local da AfD, Ulrich Siegmund. O plano de governo foca principalmente em fazer mudanças nas políticas de educação e imigração, como a criação de 300 vagas de detenção para deportados e a conversão do centro de acolhimento de refugiados em Stendal em um centro de detenção. Na educação, a ideia é revogar a obrigatoriedade de crianças frequentarem a escola, dando a opção do ensino em casa. Também propõe mudar o sistema como juízes e magistrados são escolhidos. Especialistas dizem que a maioria dessas propostas vai esbarrar na legislação federal, que impede grande parte das medidas. Um governo estadual da AfD poderia, portanto, virar uma permanente batalha jurídica. Setembro ainda terá eleições municipais na Baixa Saxônia, no dia 13, e, no dia 20, duas eleições ...
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  • Brasil está fora da lista de fornecedores de carne da UE, mas setor aposta em reversão rápida do embargo
    2026/09/03
    A partir desta quinta-feira (3), o Brasil está oficialmente fora da lista de fornecedores credenciados a exportar carnes bovina, suína e de aves, além de outros produtos de origem animal, como ovos e mel, para a União Europeia (UE). Motivada por questões sanitárias, a restrição entra em vigor apesar do diálogo em nível técnico e das gestões feitas no mais alto nível, inclusive pelo presidente Lula, que enviou carta à Comissão Europeia. Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília É um sinal ruim para o Brasil, que firmou um tratado de livre comércio com a UE, em vigor desde maio. O país é o único do Mercosul que ficou fora quatro meses depois de o acordo começar a valer. Mas existe uma estimativa de que uma parte desses produtos — o que inclui aves, ovos e mel — volte a embarcar até novembro. Isso se ficar constatado que o país cumpriu todas as exigências. Para carnes bovinas, entretanto, isso só deve ocorrer no ano que vem, devido ao ciclo de vida desses animais, que é mais longo. Mas as tratativas continuam. Existe até a possibilidade de se liberarem alguns frigoríficos de maneira temporária até que todos estejam comprovadamente aptos. Uma missão técnica da UE esteve no Brasil para inspecionar a produção de frangos. O grupo ficou uma semana e parte nesta quinta-feira de volta a Bruxelas. Seu veredito ainda precisa ser anunciado. Contexto político Diante da crise sem precedentes na relação com os Estados Unidos, o sinal político não é bom. Ainda mais a um mês da eleição presidencial brasileira. Para o Mercosul e União Europeia, esse era um gesto importante em relação aos EUA. O acordo com a UE, negociado por um quarto de século, acabou saindo depressa esse ano justamente por conta das pressões comerciais que os americanos têm feito sobre o Brasil e o próprio bloco europeu. Foi isso que acabou levando a UE, até então mais reticente, a assinar o tratado, mesmo diante da resistência enorme por parte da França, Irlanda e Polônia. O Brasil tem na diversificação de parceiros comerciais uma alternativa à pressão americana, e, por incrível que pareça, vender à UE é diversificar, como dizem interlocutores do governo. O Palácio do Planalto ainda aposta na boa vontade por parte de Bruxelas. Afinal, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, bancou a conclusão da parceria Mercosul-UE. No Brasil, o que se diz entre negociadores é que chega a ser falta de visão dos europeus ter imposto a restrição nesse momento. Porém, é verdade que o país demorou a cumprir as novas regras, impostas depois da assinatura do acordo. Elas determinam o uso de antimicrobianos nos animais, como previsto pela UE. É claro que pode se tratar de novo mecanismo protecionista. Dentro do governo, há quem diga que isso poderia acontecer com, ou sem, acordo. Esse, aliás, não é um único ponto de fricção da relação. Ainda há o aço, já que a UE acaba de mudar o regime de cotas para importação do produto, o que afeta o Brasil; e o uso de pesticidas, além de outros temas. O importante é que, com o tratado, o país tem um arcabouço legal e mecanismos de diálogo que preveem a preferência pela resolução das questões. Cota extraordinária dos EUA pode repor perdas Esta semana, começou a valer uma cota extraordinária dos Estados Unidos para garantir a importação de carnes a preços mais baixos. É uma medida temporária criada pelo governo de Donald Trump com duração até a eleição americana de meio de mandato, prevista para 3 de novembro. A ideia é garantir um preço mais razoável para carnes, uma fonte de pressão para a inflação que tanto incomoda o consumidor americano e que tem ajudado a derrubar a popularidade de Trump. Entretanto, ela não compensa as perdas provocadas pelo bloqueio da UE ao Brasil. Até porque os cortes de carnes enviados aos EUA são diferentes. Ainda não dá para saber o tamanho do prejuízo até que Bruxelas libere as exportações brasileiras novamente, porque, desde que se soube que o país ficaria fora da lista, as vendas foram antecipadas. Mas essa cota dos Estados Unidos pode ajudar a repor parte das perdas no mercado chinês, depois que o Brasil atingiu bem antes do previsto a meta para carnes estabelecida para o ano. O país ganhou o limite mais generoso entre os fornecedores da China, mas ainda não foi suficiente. Tudo o que extrapolar esse limite estará submetido a uma tarifa de 55%. Este é um ponto em que a direita vem batendo nas redes sociais ao chamá-lo de “tarifaço chinês”. O governo brasileiro negocia com Pequim a possibilidade de o país ficar com parte das cotas não utilizadas por outras nações. Os EUA são uma delas. Até abril, o Brasil já tinha atingido 55,41% da sua cota, enquanto os americanos não tinham passado de 0,42%.
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