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Linha Direta

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著者: RFI Brasil
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概要

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.France Médias Monde 政治・政府
エピソード
  • Europa resiste à pressão de Trump para atuar no Estreito de Ormuz
    2026/03/17
    Em meio à escalada da guerra envolvendo o Irã, a União Europeia evita ampliar missão naval no Golfo Pérsico, teme impactos econômicos e enfrenta novas tensões com os Estados Unidos. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A guerra envolvendo o Irã provocou nas últimas horas uma forte pressão política sobre a Europa. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exige maior apoio dos aliados ocidentais para garantir a segurança no transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, cresce entre os europeus o temor de uma escalada militar e de impactos diretos na economia global. Em Bruxelas, ministros das Relações Exteriores dos 27 países da União Europeia se reuniram para discutir o tema. Apesar da pressão norte-americana, a maioria dos governos europeus tenta evitar qualquer envolvimento direto no conflito, justamente para não ampliar a crise. Nos bastidores diplomáticos, a percepção é de que uma intervenção mais ativa poderia dragar a Europa para o conflito e alimentar ainda mais a escalada militar no Oriente Médio. A liderança europeia também mantém uma posição dura em relação a Teerã. O bloco considera a Guarda Revolucionária Iraniana uma organização terrorista e defende uma mudança de regime no país. Ainda assim, há preocupação com os efeitos econômicos de uma guerra prolongada, especialmente por causa do risco de interrupção no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. Operação naval não será ampliada Uma das principais discussões da reunião ocorrida na quinta-feira (16) em Bruxelas foi a possibilidade de ampliar a operação naval europeia na região. A missão, chamada Operação Aspides, foi criada em 2024 para proteger embarcações comerciais no Mar Vermelho após ataques realizados pelos Houthis, do Iêmen. Com sede na Grécia e atualmente equipada com três navios, a operação tem mandato focado na proteção da navegação comercial nessa região. A ideia discutida entre os países europeus era ampliar o escopo para proteger diretamente o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A proposta, porém, não reuniu apoio suficiente entre os Estados-membros. Segundo a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, faltou “apetite político” entre os governos para expandir a operação. Diversos países, incluindo Alemanha, Espanha e Itália, já afirmaram que não têm planos imediatos para enviar novas embarcações à região. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, ressaltou que o mandato da missão Aspides está “claramente definido” para o Mar Vermelho e não inclui o Golfo Pérsico. Sanções e cooperação militar Entre as poucas medidas concretas anunciadas pela União Europeia está a adoção de novas sanções contra o Irã. O Conselho Europeu decidiu punir 16 cidadãos e três entidades iranianas acusados de violações de direitos humanos, incluindo a repressão a protestos ocorridos no início do ano. Outra iniciativa anunciada por Kaja Kallas envolve uma parceria com a Ucrânia. Segundo a diplomata, os mesmos drones usados por forças russas contra cidades ucranianas também têm sido empregados em ataques no Golfo. O Irã é considerado um dos principais fornecedores de drones para a Rússia na guerra contra a Ucrânia. A ideia da União Europeia é aproveitar o conhecimento militar desenvolvido por Kiev na defesa contra esses equipamentos para ajudar países do Golfo a enfrentar a ameaça. A chefe da diplomacia europeia também discutiu com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, a possibilidade de tentar negociar um acordo semelhante ao firmado no Mar Negro durante a guerra na Ucrânia, que permitiu o escoamento de grãos ucranianos apesar do conflito. Mas a própria Kallas reconhece que a situação é mais complexa. Segundo ela, o Irã está “em guerra com a economia global”, o que torna uma negociação desse tipo extremamente difícil. Nova tensão entre Trump e a Otan A crise também reacendeu tensões dentro da Otan, que tem sua sede em Bruxelas. O presidente Donald Trump voltou a pressionar os aliados europeus para que contribuam com a proteção da navegação no Estreito de Ormuz. Trump chegou a afirmar que a aliança militar poderia enfrentar “um futuro muito ruim” caso os parceiros não ajudem a reabrir a rota marítima. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou apoio aos Estados Unidos e alertou que o Irã pode se tornar uma ameaça também para a Europa. Ao mesmo tempo, ressaltou que ninguém discute neste momento a aplicação do Artigo 5º da aliança, que prevê defesa coletiva em caso de ataque a um país-membro. Apesar da resistência de vários aliados, Trump afirmou ter conversado por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, e disse acreditar que a França poderá enviar ajuda para garantir a segurança na região. Entretanto, o almirante Thibault Possesse, ...
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  • Decisão judicial alemã restringe acesso a mensagem de celular de investigados
    2026/03/13

    Em um contexto global em que mensagens de celular são usadas cada vez mais como provas criminais, o Tribunal Federal de Justiça alemão restringiu nesta semana o direito de investigadores de vasculharem o histórico de mensagens de celular dos suspeitos. A decisão deve tornar o trabalho de investigação das autoridades policiais mais complicado, mas ilustra bem a histórica preocupação alemã com a privacidade de dados.

    Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha

    A decisão é sobre um tipo de vigilância bem específico: quando a polícia ou o Ministério Público solicita à justiça um monitoramento das mensagens de um suspeito, o chamado “grampo”. A partir de agora, eles só poderão acessar as mensagens de bate papo-criadas a partir do início do monitoramento. Se os investigadores quiserem, por exemplo, usar o histórico de conversa do WhatsApp ou do Telegram de um investigado como provas, eles terão que pedir um outro tipo de autorização judicial, muito mais difícil de se obter e que é concedido apenas em alguns tipos de crime.

    O caso concreto que levou à esta decisão judicial aconteceu na cidade de Aurich, noroeste da Alemanha. Um homem foi condenado a vários anos de prisão por tráfico ilegal de medicamentos, mas acabou tendo a sentença parcialmente anulada porque, entre as provas, a polícia elencou mensagens de até 5 meses antes do início do monitoramento.

    Spywares estatais

    O direito alemão está passando por um movimento de reação a uma alteração do código penal feita em 2017. Na época, bastante motivada por ameaças de terrorismo, essa mudança no código penal autorizou investigadores a infiltrarem-se em celulares e computadores de suspeitos usando software de espionagem. Já no ano passado a justiça alemã decidiu que o uso indiscriminado dos chamados spywares são parcialmente inconstitucionais.

    Agora vem outra decisão tornando o monitoramento mais complicado. A decisão desta semana foi celebrada pela Ordem dos Advogados da Alemanha, que sempre considerou ilegal usar o histórico de mensagens dos investigados.

    Alemães e privacidade: uma questão histórica

    A Alemanha tem um histórico de conviver com regimes autoritários de vigilância, como o regime nazista, em que a polícia secreta do governo, a Gestapo, coletava informações sobre cidadãos e mantinha arquivos detalhados para perseguir opositores políticos ou grupos étnicos. Depois da Segunda Guerra Mundial ainda houve a Stasi, o Ministério para Segurança do Estado do regime socialista da Alemanha Oriental, que ficou conhecido por ter um dos sistemas de vigilância de cidadãos mais amplos da história.

    Nos dias atuais, a preocupação dos alemães em evitar que um regime desse tipo ocorra novamente se adaptou aos tempos da internet, e é por isso que o país se dedica tanto a questões como proteção de dados e privacidade online. Para se ter uma ideia, até mesmo em uma consulta ao dentista por aqui você vai ser solicitado a assinar um longo documento sobre privacidade de dados.

    Decisão do Censo de 1983 e GDPR

    A atual legislação da União Europeia de proteção de dados, conhecida pela sigla GDPR, foi fortemente inspirada em uma lei de 1970 do estado alemão de Hesse, que é considerada a primeira lei de proteção de dados do mundo.

    Depois disso, houve ainda a histórica decisão judicial conhecida como Decisão do Censo. Na primavera de 1983 estava previsto um censo da população alemã que pretendia coletar uma vasta gama de informações dos cidadãos. Houve uma reação popular e dos meios jurídicos que acabou levando o censo aos tribunais e a uma decisão histórica, dando origem ao princípio jurídico chamado “direito à autodeterminação informativa”. O censo acabou acontecendo só quatro anos depois, e de forma muito mais limitada.

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  • Espanha amplia acesso à saúde pública para imigrantes sem residência legal
    2026/03/12
    O governo espanhol aprovou um decreto que garante acesso à saúde pública para estrangeiros em situação irregular no país. A medida visa desburocratizar o atendimento médico e atender grupos mais vulneráveis. Ana Beatriz Farias de Oliveira, correspondente da RFI em Madri Aprovado recentemente pelo governo espanhol, um decreto que reforça a universalidade da saúde pública regula, entre outras coisas, o direito à assistência médica para estrangeiros que se encontram na Espanha sem residência legal. Uma das principais novidades trazidas pelo texto é a simplificação dos procedimentos administrativos. Entre as medidas de desburocratização, está a possibilidade de solicitar acesso ao sistema público de saúde por meio de uma declaração responsável, em que o solicitante afirma não ter cobertura médica por outros meios. O reconhecimento da residência habitual na Espanha também foi simplificado: além do registro formal de domicílio – conhecido no país como “empadronamiento” –, outros comprovantes poderão ser aceitos. É o caso de faturas de serviços básicos que estejam em nome do solicitante, por exemplo. Por outro lado, a nova norma também estabelece mecanismos de controle. Se o pedido de acesso ao sistema público de saúde for recusado ou for detectada qualquer inexatidão ou falsificação na declaração apresentada, poderá haver cobrança pelos serviços prestados. Acesso imediato Para evitar atrasos no atendimento, será emitido um documento provisório no momento da solicitação de acesso ao sistema de saúde. Com isso em mãos, o solicitante pode ter acesso imediato à assistência médica pública enquanto o seu pedido estiver sendo processado. A administração tem um prazo máximo de três meses para comunicar sua decisão ao requerente. Uma vez reconhecido, esse direito não expira até que a cobertura de saúde seja obtida por outros meios. A nova norma também prevê acesso imediato e efetivo aos serviços públicos de saúde para grupos que necessitam de proteção especial, independentemente da situação migratória. Entre eles, estão: menores de idade, gestantes, vítimas de violência, solicitantes de proteção internacional e pessoas com deficiência. Leia tambémEspanha aprova plano para regularizar meio milhão de imigrantes, a maioria latino-americanos Inclusão de espanhóis que vivem fora do país O decreto amplia ainda o acesso à saúde pública para espanhóis de origem que, vivendo no exterior, estejam de passagem pela Espanha. Antes, esse direito era restrito a pensionistas ou trabalhadores. Agora passa a incluir todos os espanhóis de origem e seus familiares, como cônjuges e filhos dependentes, desde que estes não tenham cobertura por acordos internacionais ou pela seguridade social. Além disso, a nova regra estabelece que pessoas isentas de pagar por medicamentos, por serem de baixa renda, também ficarão isentas de pagar por produtos de ortopedia e próteses. Medidas favoráveis à população migrante A simplificação da inclusão de imigrantes sem residência legal no sistema público de saúde espanhol vai ao encontro de outras medidas tomadas pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Em janeiro deste ano, o executivo espanhol deu sinal verde para um plano que vai regularizar de maneira extraordinária a situação de cerca de 500 mil pessoas que vivem no país e se encontram em situação administrativa irregular. Para ser contemplado, o estrangeiro precisa ter chegado à Espanha até o dia 31 de dezembro de 2025, estar no país há pelo menos cinco meses no momento do pedido e não ter antecedentes criminais. Leia tambémNa contramão da política migratória europeia, Espanha aposta em inserção de estrangeiros pelo trabalho Segundo a ministra de Migrações, Elma Saiz, os pedidos de regularização poderão começar a ser apresentados a partir de abril. A reforma surge após uma iniciativa popular que reuniu mais de 600 mil assinaturas e contou com o apoio de cerca de 900 associações. Na Espanha, já foram realizados seis processos de regularização extraordinária antes. O último deles foi posto em prática em 2005, beneficiando mais de 500 mil pessoas. De acordo com a ministra de Migrações, a medida aplicada mais de 20 anos atrás foi um êxito, e teve um “enorme impacto positivo na sociedade e no conjunto do país”. Por outro lado, o plano atual sofre críticas da oposição conservadora e da extrema direita, com alguns de seus representantes acusando o governo de incentivar a imigração irregular. Hoje, mais de sete milhões de estrangeiros vivem na Espanha, e as estimativas são de que 840 mil estejam em situação irregular, segundo o centro de análises Funcas. Com a decisão de promover a regularização, o governo de Pedro Sánchez se destaca em relação a outros membros da União Europeia, já que, atualmente, outros países do bloco endurecem suas regras sob pressão da extrema direita.
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