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Linha Direta

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著者: RFI Brasil
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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Lideranças políticas de Israel consideram que o acordo entre EUA e Irã representa um risco ao país
    2026/06/16
    Ao contrário do otimismo dos mercados e do alívio demonstrado por lideranças ocidentais, Israel considera que o acordo entre Estados Unidos e Irã representa uma série de riscos ao país. Dessa vez, as críticas são contundentes e não passam apenas por conversas de bastidores. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Neste momento, há uma situação incomum na política israelense: o consenso. Não há nenhuma voz dos principais partidos que tenha demonstrado apoio ao acordo. A diferença é como as respostas se manifestam. Membros da atual coalizão de governo, liderada por Benjamin Netanyahu, não o criticam, mas consideram prejudicial a Israel o que se sabe sobre o Memorando de Entendimentos entre Estados Unidos e Irã. Os pontos fundamentais ao país supostamente não são mencionados: o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, o programa de mísseis balísticos e a atuação regional dos chamados “proxies”, grupos aliados do Irã que recebem recursos financeiros e armas do regime, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, na Faixa de Gaza, e as milícias pró-Irã, no Iraque. Os nomes mais radicais da coalizão, como os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, dizem abertamente que “Israel não recebe ordens dos Estados Unidos” e que “Israel não é uma república das bananas”. Mas a oposição segue por outro caminho, responsabilizando diretamente Netanyahu. O ex-primeiro-ministro e líder do Partido Be'Yachad, Naftali Bennett, declarou que “o mandato do governo Netanyahu começou com uma guerra civil, continuou com o massacre de 7 de outubro de 2023 e termina com um fracasso histórico contra o Irã". Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, disse que o acordo é um “resultado deplorável de um governo falido” e que a coalizão “perdeu a confiança do público” e “abandonou os cidadãos de Israel”. Tanto Bennet quanto Eisenkot são dois dos principais candidatos para substituir Netanyahu em eleições gerais. A data do pleito ainda não foi definida, mas deve acontecer em algum ponto entre os meses de setembro e outubro. As relações entre EUA e Israel Houve desgastes importantes principalmente na relação pessoal entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Trump chegou a dizer mais de uma vez que falta bom senso a Netanyahu, que ele é uma pessoa difícil da qual discorda muitas vezes. O presidente dos EUA chegou a falar abertamente sobre o assunto em declarações à imprensa norte-americana. A dúvida é como tudo isso influencia os acontecimentos daqui para frente. Um sinal importante ocorreu num momento de tensão que antecedeu o anúncio sobre o Memorando de Entendimentos entre EUA e Irã. No último final de semana, o Hezbollah continuou a disparar foguetes e drones contra as comunidades do norte de Israel. O Estado hebreu também continuou a atacar o Hezbollah e a atuar no sul do Líbano. Uma semana antes, Tel Aviv já havia deixado claro que, em caso de novos ataques contra o seu território, agiria em Beirute ou Dahieh, o distrito que é o reduto do Hezbollah ao sul da capital libanesa. Leia tambémEm reunião tensa com Macron após fazer novas ameaças, Trump desdenha oferta de apoio de europeus Israel realizou um ataque contra um edifício em Dahieh argumentando que se tratava de uma resposta. Trump então telefonou a Netanyahu e teve uma conversa dura com o líder israelense dizendo justamente que ele não tinha bom senso. Esta conversa teve muita repercussão em Israel, justamente pela sequência dos acontecimentos. O presidente norte-americano disse que o Estado hebreu não deveria ter realizado qualquer ataque a Dahieh, na medida em que os drones e foguetes do Hezbollah disparados no final de semana “não haviam provocado a morte” de nenhum cidadão israelense. Segundo a imprensa local, em conversas privadas autoridades israelenses expressam profunda frustração com as concessões de Washington a Teerã. “Os iranianos não cumprirão o acordo, e as futuras operações para eliminar o seu programa nuclear e reduzir as suas capacidades de mísseis são uma questão de tempo”, disse uma fonte israelense. Popularidade em queda Os números em Israel são cada vez menos favoráveis a Netanyahu. Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém mostra que 45% dos entrevistados dizem que votarão apenas em um partido que se oponha à continuidade do primeiro-ministro no cargo. Enquanto 31% disseram exatamente o oposto, que querem uma legenda que demonstre apoio a Netanyahu. Outro levantamento aponta que 23% dos eleitores do norte do país dizem que apoiarão o Likud, o partido liderado por Netanyahu, nas próximas eleições – uma queda em relação aos 35% de apoiadores nesta região durante as eleições de 2022. Os moradores do norte de Israel são justamente os mais afetados pelos disparos de foguetes e drones do Hezbollah. Essa população corresponde a ...
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  • Lula chega à França para cúpula do G7 focada nos desequilíbrios econômicos globais
    2026/06/15
    Em um contexto de crise de confiança entre antigos aliados, os países industrializados do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) reúnem-se a partir desta segunda-feira (15) na cidade de Évian, nos Alpes franceses. O Brasil participa como país parceiro dos debates, ao lado de Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, a convite do governo francês. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta manhã em Genebra e deve ser um dos primeiros líderes a chegar à cúpula, antes do meio-dia. Neste primeiro dia, as reuniões são fechadas aos membros plenos do grupo de potências desenvolvidas, mas Lula poderá aproveitar a ocasião para ter encontros bilaterais com lideranças presentes no encontro, como o presidente Emmanuel Macron. O Planalto não esconde o desejo de uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é esperado para o jantar de recepção dos chefes de Estado do G7, esta noite. Até o momento, nenhuma reunião entre os dois está prevista, mas os líderes poderiam manter um diálogo informal à margem da agenda oficial, como já ocorreu no passado. Para Brasília, a cúpula representa uma oportunidade para tentar amenizar as novas tarifas de 25% que o governo americano anunciou sobre uma série de produtos brasileiros importados há duas semanas. O bom entendimento pessoal demonstrado pelos dois presidentes durante a visita de Lula à Casa Branca, em maio, poderia favorecer o diálogo. Trump fica até o final? No entanto, o comportamento imprevisível do líder americano deixa o jogo em aberto. A participação de Trump é um mistério até para a presidência francesa, que chegou a adiar a data do início da cúpula, prevista inicialmente para 14 de junho, dia do aniversário de Trump, no intuito de aumentar as chances de sua vinda ao encontro. Washington confirmou que ele estará presente e deve ser recebido por Macron para um jantar exclusivo no Palácio de Versalhes, na noite de quarta-feira, após o encerramento da cúpula em Évian. Entretanto, em plena assinatura de um acordo para encerrar o conflito contra o Irã, não pode ser descartada a hipótese de que o presidente dos Estados Unidos deixe a França antes do previsto. A agenda oficial do evento está carregada de desafios de peso, a começar por uma reunião sobre a guerra na Ucrânia, com a presença do presidente Volodymyr Zelensky, na manhã de terça. A primeira ambição é que todos os países concordem com a necessidade de manter o apoio à Ucrânia, incluindo a soberania do país sobre o seu território, ocupado pela Rússia. Os Estados Unidos praticamente abandonaram o apoio militar e financeiro a Kiev. A intenção de Paris é voltar a atrair a atenção de Trump para o conflito na Europa, que foi deixado em segundo plano após a ofensiva contra o Irã. Em seguida, a guerra no Oriente Médio entra em foco, com a participação de potências árabes que têm contribuído na mediação de uma saída duradoura para o conflito: Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos. O objetivo número um é a reabertura completa do Estreito de Ormuz, mas também as negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Em um comunicado comum, França, Reino Unido, Alemanha e Itália afirmam estar "empenhados em desempenhar o nosso papel para alcançar esse objetivo (...), inclusive por meio de uma missão estritamente defensiva e independente para tranquilizar o tráfego comercial e realizar operações de desmontagem de minas". "Trabalharemos intensamente com os Estados Unidos, o Irã e os parceiros regionais para aproveitar esta oportunidade, manter o ímpeto e alcançar uma solução diplomática de longo prazo", diz o texto, publicado durante a madrugada. Discursos de Lula Na sequência, abrem-se os trabalhos em formato ampliado aos países parceiros do G7. O Brasil participa de sessões de trabalho sobre a ajuda dos países ricos às nações em desenvolvimento, na tarde desta terça (16), e o crescimento econômico internacional e a inteligência artificial, ambas na quarta-feira. O presidente Lula deve discursar nas duas primeiras reuniões. O assunto das tarifas unilaterais poderia ser tratado na sessão sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, com potencial de gerar uma crise mundial. O tema está no centro das preocupações na agenda econômica deste G7. O mundo encontra-se refém de uma dinâmica perigosa de dependência de produtos da China, que produz e exporta muito, mas consome pouco, enquanto os Estados Unidos mantêm o consumo em alta à custa do aumento do endividamento, e a Europa não investe o suficiente para competir neste cenário. Para os países do sul global, a queda da ajuda internacional ao desenvolvimento, sob condições cada vez mais rigorosas, estrangula a capacidade das nações mais pobres de aliviar o sufoco da dívida. Na última ...
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  • Crise em Ormuz entra nos debates preparatórios da COP31 sobre eletrificação
    2026/06/12
    Começou em Bonn, na Alemanha, a 64.ª sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC). Esta é a primeira grande rodada de negociações desde a COP30, em Belém, e a última antes da COP31, que acontecerá em novembro em Antália, na Turquia. Vivian Oswald em Bonn, para a RFI Na pauta está a construção de um roteiro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis – algo que os quase 200 países signatários da Convenção do Clima da ONU ainda não conseguiram estabelecer por falta de consenso. Trata-se de um dos temas mais polarizadores da agenda climática e de um dos principais desafios das negociações internacionais. A reunião SB64 da Convenção do Clima da ONU, em Bonn, precisa avançar na implementação dos resultados da COP30 e preparar o caminho para a COP31. O problema é que o atual contexto de tensões geopolíticas, divergências entre países e riscos climáticos agravados pela possibilidade de um “super El Niño” dificulta ainda mais a construção de consensos. As sessões, iniciadas em 8 de junho e com encerramento previsto para 18 de junho, ocorrem em um momento de crescente pressão para transformar compromissos políticos em ações concretas de implementação nas áreas de adaptação, combustíveis fósseis, sistemas alimentares, uso da terra, comércio e transição justa. Uma das principais questões em discussão para a COP31, na Turquia, é de que forma poderão surgir iniciativas políticas fora do processo formal da ONU voltadas à redução do uso de combustíveis fósseis. Os principais temas das negociações incluem adaptação, transição justa, mitigação e financiamento climático, com destaque para a operacionalização dos mecanismos criados na COP30 e para o debate sobre os compromissos financeiros dos países desenvolvidos. Crise gerada pela guerra no Oriente Médio Em Bonn, pelo que vem sendo discutido nos últimos dias, está claro que a crise energética desencadeada pela guerra no Oriente Médio e os riscos associados ao fechamento do Estreito de Ormuz terão destaque nos debates. O secretariado da UNFCCC e a delegação australiana, que preside as negociações, argumentam que a transição energética não está sendo impulsionada apenas por imperativos climáticos, mas também por fatores econômicos, como a crescente competitividade das energias renováveis em relação aos combustíveis fósseis e a busca por soberania energética diante da volatilidade dos mercados. Na terça-feira, a presidência turca da COP31 lançou sua Agenda Global de Ação Climática, atribuindo grande destaque à eletrificação como eixo central da transição energética, apresentada como uma alternativa rápida, segura e limpa. A proposta encontra receptividade entre os europeus, que defendem essa estratégia há anos, inclusive por razões econômicas e estratégicas. Diante dos delegados reunidos em Bonn, o presidente designado da COP31, Murat Kurum, propôs uma meta global para elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia dos atuais pouco mais de 20% para 35% até 2035. Ele não mencionou outras fontes renováveis, como os biocombustíveis, que ocupam posição central na agenda do governo brasileiro. A lista de metas setoriais inclui ainda a redução da intensidade energética do setor de edificações em pelo menos 25%, a redução pela metade do crescimento do desperdício global e o aumento da taxa de utilização de materiais circulares para, no mínimo, 15%. O programa também destaca a industrialização verde, a segurança alimentar, incluindo capacitação para jovens agricultores, e a participação da juventude. São temas que, de uma forma ou de outra, já estiveram presentes em edições anteriores das COPs. Investimentos climáticos Outra grande aposta da presidência turca é o Climate Implementation Bridge, mecanismo destinado a apoiar países na transformação de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) em portfólios de projetos financiáveis. O objetivo é facilitar a atração de investimentos climáticos e reduzir a distância entre os compromissos políticos e sua execução financeira. A presidência turca também reafirmou o alinhamento de sua agenda aos seis eixos temáticos lançados pela presidência brasileira da COP30, preservando a coerência com os resultados do primeiro Global Stocktake. A questão dos combustíveis fósseis não integra formalmente a agenda de negociações, que só pode ser definida por consenso entre as partes. Ainda assim, existe o compromisso da presidência brasileira da COP30, que permanecerá à frente do processo até a transferência oficial para a Turquia, em novembro, de apresentar dois roteiros estratégicos, ou road maps. O primeiro tratará da redução da dependência dos combustíveis fósseis; o segundo, da eliminação do desmatamento. Trata-se de um enorme ...
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