エピソード

  • Guinga, um mestre da música brasileira em nova temporada europeia
    2026/10/14
    Aos 76 anos, o violonista carioca Guinga faz uma nova turnê europeia, que passa por França, Bélgica e Inglaterra, e se encerra no final de outubro em Paris. Autor de uma obra reverenciada por músicos, críticos e intérpretes, Guinga evita falar de si como um mestre. Prefere falar dos encontros. "Eu acho que o palco é como a mesa. Você fazer uma refeição sozinho é bem menos marcante do que você fazer uma refeição com alguém que você ama", disse o artista, em entrevista à RFI. A comparação surge quando comenta os concertos que divide nesta temporada com músicos como Yamandu Costa, Anna Paes e Débora Dienstmann. Embora cada parceiro traga sua personalidade artística, Guinga diz que suas apresentações não deixam espaço para o acaso. "Eu não improviso nada", afirma. A música, para ele, nasce do trabalho minucioso de composição e do diálogo entre intérpretes que compartilham uma mesma visão da obra. Anna Paes, cantora e violonista que se dedica há mais de uma década ao seu repertório, tornou-se também parceira de composição do carioca. Já Débora Dienstmann, cantora brasileira radicada na Itália, vem se destacando como uma das intérpretes europeias mais próximas de sua música. Para Guinga, o palco é antes de tudo um espaço de convivência. "Na vida a gente tem que aprender a compartilhar", resume. A frase ajuda a compreender a trajetória singular de um artista que nunca seguiu os caminhos convencionais da carreira musical. Embora tenha começado profissionalmente aos 16 anos, Guinga interrompeu a atividade artística para estudar odontologia. Trabalhou durante 32 anos como dentista e foi justamente essa estabilidade que lhe permitiu compor sem concessões. "Eu pude investir na arte, então eu compus a maior parte da minha obra quando era dentista e grande parte dentro do consultório de dentista", recorda. Daquele consultório saiu uma das obras mais originais da música brasileira contemporânea. Enquanto exercia a odontologia, Guinga compunha canções que mais tarde seriam gravadas por artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Clara Nunes, Ivan Lins, Leila Pinheiro, Sérgio Mendes e Michel Legrand. Parceiro de letristas como Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Nei Lopes e Chico Buarque, construiu um repertório cuja sofisticação nunca perdeu o vínculo com a tradição popular que o formou. A admiração que desperta entre músicos é proporcional à singularidade de sua criação. Hermeto Pascoal resumiu esse sentimento numa frase que se tornou célebre: "Um cara como esse só aparece a cada cem anos". Segunda turnê na França A atual turnê europeia é produzida pela cantora, instrumentista e compositora Aurélie Tyszblat, que há anos se dedica à divulgação da obra de Guinga na França. Ela própria se diz surpreendida pelo fato de o compositor ter se apresentado tão pouco em Paris ao longo da carreira, apesar de passar regularmente por outros países europeus. "Eu não explico, mas eu lamento", afirma. Foi essa constatação que a levou a produzir seu primeiro concerto na capital francesa, em 2018. Para Tyszblat, a música de Guinga "ajuda a viver, ajuda a sentir a nossa humanidade" e merece ser transmitida a novas gerações de ouvintes e músicos. Ao falar dos jovens músicos que encontra nas masterclasses promovidas durante a turnê, Guinga demonstra preocupação com as dificuldades enfrentadas pelas novas gerações para encontrar espaço. "Essa é a luta, é a pessoa se impor fazendo aquilo que ela acredita." Sem condenar nenhum gênero musical, Guinga defende a liberdade criativa. Em uma de suas imagens mais inspiradas, lembra que até os erros podem abrir caminhos inesperados. "Às vezes você dá uma nota errada num acorde e descobre que ele fica mais bonito com a nota errada." A reflexão o leva a uma conclusão que vale tanto para a música quanto para a vida: "Eu acho que a missão do ser humano é tentar melhorar nessa baldeação que ele faz aqui no planeta." Primeiro disco tardio Essa visão humanista reaparece com força quando fala de Aldir Blanc, parceiro decisivo em sua trajetória. Guinga recorda que só lançou seu primeiro disco autoral aos 41 anos e atribui isso, em grande medida, à obstinação do letrista. "Meu primeiro disco foi gravado por uma verdadeira batalha que ele travou para que eu conseguisse fazer meu primeiro disco aos 41 anos." Ao lembrar do amigo, a emoção ultrapassa o terreno artístico. Além de compartilharem a formação na área da saúde, Aldir Blanc como médico psiquiatra e Guinga como cirurgião-dentista, os dois carregavam experiências semelhantes da juventude sob a ditadura militar. Guinga recorda que ambos enfrentaram a censura ainda muito jovens e chegaram a ser presos antes mesmo de se conhecerem. Essa trajetória comum ajudaria a consolidar, décadas depois, a afinidade que ele descreve como uma verdadeira irmandade. "Ele me ajudou muito como ser humano também." 'Brasil regride' com a ...
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  • 'O audiovisual é ferramenta de transformação social', diz produtora de documentários em Biarritz
    2026/09/30
    A produtora Mariana Genescá apresenta no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz dois documentários com olhares distintos sobre o Brasil contemporâneo: Pau D'Arco, premiado em festivais brasileiros e dedicado à luta por justiça após um massacre de trabalhadores rurais no Pará, e A Fabulosa Máquina do Tempo, que acompanha crianças de uma pequena cidade do Piauí. Em entrevista à RFI, ela falou sobre a importância de levar essas histórias ao público internacional. Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz Enquanto um documentário revisita uma das mais violentas disputas fundiárias da história recente do Brasil, o outro mergulha no universo lúdico de crianças que descobrem o direito de imaginar o próprio futuro. Os dois longas documentários brasileiros em competição no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz têm em comum a produtora Mariana Genescá, que vê nas obras uma reflexão sobre o impacto das políticas públicas. "São dois filmes muito diferentes entre si, mas que falam de coisas muito caras para a gente", resume a produtora. "Um é muito duro, muito difícil. O outro traz esse frescor e essa esperança." Justiça após o massacre Exibido em Biarritz na segunda-feira (28), Pau D'Arco, da jornalista e diretora Ana Aranha, acompanha os sobreviventes da chacina ocorrida em 2017 na Fazenda Santa Lúcia, no Pará, quando uma operação policial terminou com a morte de dez trabalhadores rurais. Segundo Mariana Genescá, o público francês demonstrou interesse tanto pela história quanto pelo contexto político brasileiro. O debate após a sessão permitiu discutir os desafios da reforma agrária, mas também avanços alcançados nos últimos anos. Uma das principais conquistas destacadas pela produtora foi a regularização da terra ocupada pelas famílias que protagonizam o documentário. "O assentamento foi conquistado pelas famílias que ocuparam a terra. As famílias estão recebendo a posse da terra. Isso a gente considera uma importante vitória", comemora. Além da questão fundiária, o filme acompanha a longa batalha judicial em torno do caso. Genescá destaca que a repercussão da obra contribuiu para manter o tema em evidência e ampliar a mobilização em torno do julgamento. "Depois de oito anos parado, o julgamento foi agendado. Os policiais vão a júri popular e poderão finalmente ser julgados", afirma. Ela ressalta, porém, que ainda existem desafios importantes, entre eles a identificação e responsabilização dos mandantes do massacre. Uma infância no sertão O segundo documentário apresentado por ela em Biarritz, A Fabulosa Máquina do Tempo, da diretora Elisa Capai, troca o cenário dos conflitos agrários pelo cotidiano de crianças do município de Guaribas, no interior do Piauí. Narrado por uma menina de dez anos, o filme acompanha a passagem da infância para a adolescência e nasceu de uma relação de longa duração entre a diretora e a comunidade. Guaribas ficou conhecida por ter sido a cidade-piloto do programa Bolsa Família. Para Genescá, a obra oferece uma perspectiva otimista sobre o Brasil contemporâneo. "Esse filme é um sopro de esperança", define. A partir do olhar infantil, o documentário aborda temas complexos como desigualdade social, machismo estrutural e alcoolismo. "A partir do olhar das crianças, de uma forma muito lúdica, a gente discute temas muito complexos e muito sérios", explica a produtora. A história acompanha uma geração que cresceu com acesso a oportunidades antes inacessíveis para muitas famílias da região. "É uma geração de meninas que pela primeira vez tem o direito de sonhar, que tem comida na mesa, que pode frequentar a escola", destaca. Da Berlinale para a França Depois de estrear em fevereiro deste ano na mostra Generation do Festival de Berlim, na Alemanha, A Fabulosa Máquina do Tempo chega agora ao público francês. A recepção na Berlinale, segundo a produtora, foi marcada por sessões lotadas e forte participação do público. A expectativa é que o interesse europeu pelo Brasil e pela América Latina contribua para ampliar o alcance da obra. "Eu acho que eles vão aproveitar muito. Vão poder viajar com a gente nessa máquina do tempo", diz. Cinema como transformação social Para Mariana Genescá, a presença simultânea de dois documentários brasileiros na competição de Biarritz representa mais do que um reconhecimento profissional. É também uma oportunidade de mostrar como o audiovisual pode contribuir para o debate público. "Eu acredito realmente no audiovisual como ferramenta de reflexão e de transformação social", afirma. Em sua avaliação, Pau D'Arco e A Fabulosa Máquina do Tempo se complementam ao retratar duas faces do país: de um lado, a violência provocada pela ausência de direitos e políticas públicas; de outro, as possibilidades abertas quando essas políticas chegam à população. "Que a gente possa usar os filmes...
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  • A literatura brasileira continua conquistando leitores na França, diz professora emérita da Sorbonne
    2026/10/08
    Apesar da crise da leitura e do fechamento de livrarias, a literatura brasileira continua despertando curiosidade e interesse na França, impulsionada por editoras especializadas, festivais literários, universidades e novos temas que dialogam com as preocupações da sociedade francesa. A avaliação é da professora emérita da Sorbonne Nouvelle, Jacqueline Penjon, uma das principais especialistas em literatura brasileira no país e responsável por traduzir para o francês obras fundamentais da cultura brasileira. Em entrevista à RFI, Penjon afirma que o cenário atual é muito diferente daquele que ela conheceu no início da carreira. Segundo a professora e tradutora, a presença brasileira no mercado editorial francês se consolidou graças ao trabalho de agentes culturais que ajudaram a ampliar o acesso dos leitores à produção literária do país. “Há uma diferença enorme entre os anos 1970 e hoje. Há uma série de editoras especializadas, livrarias especializadas e também eventos”, afirma. Ela destaca ainda que, assim como acontece com a música brasileira, a literatura continua atraindo um público jovem: “A literatura interessa muito um público jovem, o que é muito bom”. Penjon atribui parte desse interesse aos intercâmbios literários entre os dois países. Ela lembra a primeira edição do festival Les Belles Étrangères, em 1987, quando o Brasil foi o país convidado e uma delegação de escritores percorreu a França, reunindo nomes como Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Ferreira Gullar, Nélida Piñon, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Fonseca e Raduan Nassar. “Uma dúzia de escritores brasileiros esteve presente e realmente foi uma grande descoberta para o público”, recorda. Se durante décadas os nomes mais associados à literatura brasileira na França foram Jorge Amado, Clarice Lispector e Machado de Assis, o interesse dos leitores franceses se diversificou progressivamente. A partir dos anos 1980 e 1990, autores contemporâneos e gêneros variados passaram a conquistar espaço na França. Além dos grandes clássicos, escritores como Milton Hatoum e Patrícia Melo ajudaram a ampliar o interesse do público francês pela produção brasileira contemporânea, incluindo a literatura policial e novas vozes da ficção nacional. Nas universidades, os clássicos permanecem centrais nos cursos de português e estudos lusófonos. No entanto, Penjon observa uma mudança significativa entre os estudantes de pós-graduação, que têm demonstrado interesse crescente por temas ligados às transformações sociais do Brasil. “Entre os estudos de mestrado, a gente vê muito esse tipo de escolha, que antes não tinha”, explica. Segundo ela, obras de autores indígenas, de mulheres negras e de escritores que abordam questões sociais contemporâneas encontram receptividade entre os jovens pesquisadores franceses. “Agora os jovens escolhem esses livros”, ressalta. Mudança nos hábitos de leitura A professora reconhece, porém, que o hábito de leitura enfrenta desafios. Como em outros países, as redes sociais e o consumo digital reduziram o tempo dedicado aos livros. “Infelizmente está diminuindo, porque a internet e as redes sociais já ocupam o tempo todo”, lamenta. Ainda assim, ela acredita que a formação universitária e a existência de bibliotecas, sebos e livrarias especializadas ajudam a preservar o contato com a literatura. Mesmo diante das mudanças no mercado editorial, Penjon vê razões para o otimismo. O surgimento de novas livrarias dedicadas à produção lusófona e o interesse contínuo por autores brasileiros indicam que o diálogo cultural entre os dois países permanece vivo. Riqueza estilística é freio para IA A pesquisadora também acredita que a riqueza estilística da literatura brasileira representa um limite para o avanço da inteligência artificial no trabalho de tradução. “Guimarães Rosa, traduzido por uma inteligência artificial, não é possível, não é possível”, afirma, sorrindo diante do exemplo que considera uma demonstração dos limites da tecnologia na tradução literária. Para a professora emérita da Sorbonne, embora ferramentas automatizadas possam servir para textos mais simples, a tradução literária continua exigindo a sensibilidade e a criatividade dos tradutores humanos. Em um contexto de transformação dos hábitos de leitura, a literatura brasileira segue encontrando leitores na França. E, segundo Jacqueline Penjon, o interesse não se restringe aos grandes clássicos: ele se renova à medida que novos autores brasileiros chegam às livrarias francesas e dialogam com questões que mobilizam as novas gerações.
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  • Brasil: IA entra de vez na campanha eleitoral de 2026 e amplia produção de conteúdos sintéticos
    2026/09/28
    A inteligência artificial generativa deixou de ser uma novidade experimental para se tornar uma ferramenta cada vez mais presente nas campanhas eleitorais brasileiras. Vídeos, ilustrações, animações e imagens produzidos com IA passaram a integrar a estratégia digital de candidatos de diferentes partidos e regiões do país. Maria Paula Carvalho, da RFI Ao mesmo tempo, conteúdos falsos criados com a tecnologia também circulam nas redes sociais, levantando preocupações sobre o potencial de desinformação durante a disputa eleitoral. Apesar desses riscos, monitoramento do Observatório IA nas Eleições indica que, até o momento, a maioria dos candidatos tem respeitado as regras da Justiça Eleitoral. O observatório analisou conteúdos publicados na internet entre 1º e 17 de setembro. Em entrevista à RFI, o pesquisador Matheus Soares afirmou que os levantamentos realizados desde o período de pré-campanha mostram uma multiplicação dos usos políticos da inteligência artificial. Entre as aplicações mais frequentes estão a criação de vídeos e imagens sintéticas para redes sociais, além da transformação dos próprios candidatos em versões animadas ou desenhos do tipo cartoon. "O que a gente vem identificando é que a inteligência artificial já se tornou uma tecnologia bastante utilizada pelas campanhas, pelos candidatos e pelos partidos", afirma o co-coordenador do Observatório IA nas Eleições. Um dos casos identificados pelos pesquisadores envolveu imagens recriadas por IA em conteúdos divulgados pelo perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais para apresentar suas propostas na área de segurança pública. As imagens mostram criminosos sendo presos enquanto o narrador explica o plano de combate à criminalidade. O vídeo é acompanhado de uma indicação de que as imagens foram geradas com as ferramentas Kling e Gemini. O aviso, no entanto, desaparece da tela em alguns momentos. Também foram identificados candidatos a governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados utilizando recursos semelhantes para produzir material de campanha. O que diz a legislação A legislação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exige que conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial sejam claramente identificados. E, ao menos neste início de campanha, a avaliação é considerada positiva, segundo o pesquisador. "Pelas nossas primeiras observações, os candidatos que estão utilizando inteligência artificial estão cumprindo essa regra de sinalizar que aquele conteúdo foi criado com IA", explica. A legislação diferencia os conteúdos sintéticos dos chamados deepfakes. Enquanto os primeiros abrangem imagens, vídeos ou áudios totalmente gerados por inteligência artificial, os deepfakes envolvem a reprodução da imagem, da voz ou do rosto de pessoas reais para fazê-las parecer dizer ou fazer algo que nunca aconteceu. Um exemplo é um suposto documento da Polícia Federal, gerado por IA, que nega irregularidades na relação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com Daniel Vorcaro. Segundo o Observatório IA nas Eleições, o conteúdo começou a circular no X e foi compartilhado pelo próprio parlamentar no Instagram após o site ICL Notícias divulgar uma troca de mensagens entre o deputado e o ex-banqueiro. Matheus Soares explica que a imagem possui indícios de mídia sintética, como inconsistências no logotipo da Polícia Federal e erros de português. A publicação foi submetida a uma ferramenta de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial, que indicou a presença de uma marca-d'água digital da OpenAI. A Polícia Federal também negou a autoria do documento. Outro caso que circulou nas redes sociais durante a campanha foi uma imagem gerada por IA mostrando Jair Bolsonaro sorrindo enquanto o prédio do Supremo Tribunal Federal aparece em chamas. A imagem, que circulou no X, utilizava a figura do ex-presidente em uma sátira à crise política. Vídeos em que Lula e a primeira-dama Janja aparecem como marionetes em um palco também foram produzidos com IA. Os conteúdos que circularam no Instagram fazem parte de uma série de publicações de um perfil dedicado à criação de vídeos sintéticos. Neles, os bonecos fazem alegações falsas sobre como se conheceram, com referências machistas e preconceituosas. O criador, no entanto, não sinalizou o uso da tecnologia, como exige o TSE. Desinformação Embora não tenham sido identificados até agora muitos casos considerados graves envolvendo candidatos, os pesquisadores registraram episódios preocupantes relacionados à desinformação em publicações de internautas, como vídeos manipulados que imitavam reportagens de telejornais e jornalistas conhecidos para divulgar falsas pesquisas eleitorais. Entre os exemplos identificados estão conteúdos que reproduziam de maneira hiper-realista reportagens do Jornal da Band ou apresentadores como ...
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  • 'Coração de Lona': filme brasileiro em Biarritz destaca a resistência do circo itinerante nordestino
    2026/09/29
    Único representante brasileiro na competição oficial de longas-metragens de ficção do Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, o filme Coração de Lona, da diretora Tuca Siqueira e produzido por Rayssa Costa, teve sua estreia mundial nesta segunda-feira (28) no sudoeste da França. A RFI acompanhou. Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz Ambientada no universo dos circos itinerantes do Nordeste, a obra acompanha a jornada de Inês, uma mulher que, após a perda de um filho, parte em busca de novos sentidos para a vida. Para Tuca Siqueira, o filme nasceu da admiração pelos artistas circenses e por sua capacidade de resistir às adversidades. “Os artistas são os grandes resistentes do mundo”, afirma a diretora em entrevista à RFI em Biarritz. Segundo ela, o universo do circo traduz essa resistência de maneira particularmente intensa. “Os circenses se apresentam hoje para conseguir o que a gente chama do cuscuz, da refeição do dia seguinte”, acrescenta. A diretora explica que o fascínio pelo universo circense não se baseia apenas no espetáculo do picadeiro, mas na capacidade de sobrevivência dos artistas. “Eu me encantei muito mais pela arte da sobrevivência dos circenses do que pelo próprio picadeiro”, afirma. “Eles são grandes artistas da vida.” Mais do que um retrato de uma tradição cultural ameaçada pelas mudanças do mundo contemporâneo, Coração de Lona propõe uma reflexão sobre os sonhos individuais. “É um filme que fala sobre sonhos e provoca as pessoas a pensarem o quanto elas têm sido fiéis aos seus próprios sonhos”, resume a cineasta. A protagonista, diz ela, “convoca a gente a pensar sobre isso”. Ao longo da narrativa, Inês encontra personagens inspirados em práticas populares do interior nordestino. Uma das cenas marcantes envolve uma benzedeira que utiliza leite materno para curar dores de ouvido. A inspiração veio das experiências de Tuca no documentário, área em que atua há mais de duas décadas. “Foi através da pesquisa de um documentário que eu ouvi sobre essa prática de mulheres benzedeiras que utilizam leite materno para sarar uma dor de ouvido”, conta. Incorporar essa passagem à história teve um significado importante. Mesmo após não conseguir levar uma gravidez adiante, a personagem redescobre a força do próprio corpo. “Ela ainda carrega o leite em si no seu próprio corpo, e isso dá para ela uma força muito grande, um poder de seguir adiante”, explica. De Garanhuns para o mundo O filme também aborda transformações recentes do interior nordestino. Em determinado momento, Inês retorna à casa da mãe e encontra a paisagem profundamente modificada pela instalação de parques eólicos. Segundo a diretora, a situação retratada reflete uma realidade observada em partes do agreste pernambucano. Embora a energia eólica seja associada à transição energética, sua implantação também provoca impactos na vida cotidiana das comunidades locais. “As pessoas passam a tomar remédio porque têm que lidar com o ruído à noite, não conseguem dormir. Os animais se comportam de um jeito diferente. A rotina vai mudando”, relata. As filmagens aconteceram em Garanhuns, no interior de Pernambuco. A produtora Rayssa Costa explica que o circo retratado no longa não foi construído para a ficção, mas faz parte de uma pesquisa desenvolvida há anos pela diretora. “A gente procurou agregar valor àquelas pessoas que viviam realmente disso. Então o circo é real”, afirma. A presença do filme na competição oficial de Biarritz representa um marco para a equipe. Rayssa destaca a emoção de ver uma história baseada na realidade brasileira alcançar um público internacional. “Ver o Coração de Lona ganhando o mundo num lugar tão distante de onde ele foi gravado é motivo não só de orgulho, mas também de entender que a gente precisa sempre nutrir os nossos sonhos”, diz. Questionada sobre a possibilidade de conquistar um prêmio no festival, a produtora respondeu sem hesitar: “Sonhar a gente pode sempre. Isso é o que nos alimenta, é o que nos fortalece.” A diretora Tuca Siqueira vê uma coincidência entre a trajetória da personagem Inês e a estreia internacional do filme. Assim como a protagonista deseja mostrar o mundo ao filho, a equipe agora acompanha o percurso do longa para além das fronteiras brasileiras. “Faz todo sentido estrear esse filme aqui em Biarritz, tão longe de onde a gente filmou”, observa. Além da força visual das paisagens nordestinas, Coração de Lona apresenta momentos de silêncio e imagens contemplativas. O vento, elemento recorrente ao longo da narrativa, funciona quase como um personagem invisível. Para a diretora, a escolha estética é uma resposta ao ritmo acelerado da vida contemporânea. “Muita coisa é dita em silêncio”, diz. “O mundo exige que a gente performe tanto, o tempo todo. E eu acho que Coração...
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  • Cantora Manu Le Prince celebra os quatro elementos em show do novo álbum ‘Terra Canta’ em Paris
    2026/10/06
    “Sou francesa, mas tenho o coração brasileiro”, resume a cantora e compositora Manu Le Prince, que há mais de três décadas mantém uma relação profunda com o Brasil. Esse vínculo está no centro de “Terra Canta”, seu novo álbum gravado entre Paris e o Rio de Janeiro, em que a artista aproxima jazz e música brasileira em um repertório que passa por nomes como Dorival Caymmi, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal e Marcos Valle. Recém-chegada do Brasil, Manu Le Prince descreveu com entusiasmo a recepção ao novo repertório. A cantora realizou apresentações ao lado de músicos ligados a algumas das maiores referências da música instrumental brasileira, experiência que definiu como um privilégio. “Foi realmente muito lindo, com uma turma de músicos muito especiais”, contou. Entre eles estavam o baterista Márcio Bahia, colaborador histórico de Hermeto Pascoal, e o pianista Kiko Continentino, conhecido por sua proximidade artística com Milton Nascimento. “Foi um grande presente”, resumiu a cantora. Em entrevista à RFI, Manu destacou a importância de Milton Nascimento em sua aproximação com a música brasileira. Segundo ela, o primeiro contato com a obra do compositor mineiro foi determinante para a escolha de cantar em português. “O Milton foi realmente a razão que me fez cantar música brasileira”, afirmou. “Fiquei tão emocionada quando ouvi pela primeira vez que realmente me deu essa vontade de cantar música brasileira.” A admiração se reflete também em sua discografia recente. Em um álbum anterior, dedicado ao saxofonista americano Wayne Shorter, Manu gravou canções de Milton Nascimento, entre elas “Tarde” e “Vera Cruz”, reafirmando o diálogo constante entre o jazz e a música popular brasileira em sua obra. Os quatro elementos como fio condutor Em “Terra Canta”, a artista buscou reunir diferentes influências musicais e culturais a partir de um conceito inspirado nos elementos terra, água, fogo e ar. O projeto reúne composições brasileiras, standards do jazz e canções francesas em uma mesma narrativa poética. “Eu quis fazer essa mistura de várias coisas diferentes”, explicou. Segundo ela, os quatro elementos funcionam como um eixo que permite aproximar repertórios de distintas origens. “Foi uma maneira de reunir essas coisas diferentes, de países diferentes”, disse. O álbum inclui homenagens à natureza, referências à Amazônia e composições inéditas, como uma parceria com o músico Jorge Continentino, autor da música para a qual Manu escreveu a letra. A descoberta de uma canção francesa pelo público brasileiro Entre os momentos marcantes da passagem pelo Brasil, Manu destacou a reação do público a uma obra pouco conhecida fora da França: “Les Fourmis Rouges”, do compositor e cantor Michel Jonasz. A artista contou que a canção, apresentada durante os shows que antecederam o lançamento oficial do disco, despertou grande curiosidade entre os espectadores brasileiros. “Os brasileiros não conhecem, eles adoraram essa música quando nós fizemos lá”, relatou. As apresentações serviram como uma espécie de pré-lançamento do álbum, que chegou às plataformas e lojas no final de agosto, após concertos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. O lançamento também recebeu elogios da imprensa especializada francesa. Em resenha publicada pelo portal Latins de Jazz, a jornalista Nicole Videmann descreveu “Terra Canta” como "uma viagem musical de rara intensidade poética" e destacou a criação de um "universo musical refinado e acolhedor, propício às emoções". A crítica ressaltou ainda a capacidade de Manu Le Prince de reunir jazz, música brasileira e canção francesa em uma obra concebida como uma ode à natureza. Uma banda franco-brasileira para a turnê francesa A nova turnê pela França reflete a mesma ponte cultural que marca o álbum. No concerto programado para o Café de la Danse, em Paris, no dia 8 de outubro, Manu estará cercada por músicos dos dois países. Do lado brasileiro, participam o saxofonista Raul Mascarenhas e o baixista Acelino de Paula. A formação também inclui o filho da cantora, Gaël Le Prince Caetano, herdeiro de uma dupla identidade franco-brasileira. Gaël é filho do baterista paulista Tatá de Paula, músico já falecido e figura importante na trajetória pessoal e artística da cantora. Entre os músicos franceses estão o contrabaixista Philippe Bussonnet e o baterista Arnaud Dolmen, um dos nomes mais premiados do jazz francês contemporâneo. Manu também anunciou participações especiais, entre elas a trompetista Stéphane Belmondo e o pianista Léo Montana.
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  • Desejo de mudança impulsionou Flávio; Lula leu mal o eleitorado, diz cientista político
    2026/10/05
    A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições no Brasil pode ser explicada por dois fatores principais: as pesquisas voltaram a subestimar o eleitorado bolsonarista e a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva interpretou de forma equivocada o desejo de mudança manifestado pelos eleitores, avalia o cientista político Gaspard Estrada, membro da unidade Sul Global da London School of Economics (LSE). Adriana Moysés, da RFI em Paris Para Estrada, o resultado confirmou uma tendência já observada nas disputas presidenciais de 2018 e 2022: as pesquisas têm dificuldade em captar o tamanho real do eleitorado bolsonarista nos últimos dias de campanha. Segundo ele, a votação de Lula ficou próxima das projeções dos institutos, enquanto Flávio Bolsonaro voltou a superar as expectativas. "Há muito claramente essa situação em que as pesquisas erram ao estimar o número de eleitores do bolsonarismo", afirmou. O cientista político também identifica um erro de diagnóstico na campanha petista. Em sua avaliação, Lula disputou a eleição sob a premissa de que o eleitorado buscava a continuidade das políticas implementadas durante seu governo, quando os resultados das urnas apontam justamente para uma demanda por mudanças. "O próprio slogan da campanha do presidente Lula, 'Brasil pronto para mais', sinaliza justamente uma vontade de continuidade com as políticas públicas atuais", observou. Para Estrada, a composição do futuro Congresso e o desempenho da direita nas urnas mostram que uma parcela significativa dos eleitores deseja uma mudança de rumo. "O que demonstra esta eleição, e em particular o Legislativo, é que há um grande sentimento de mudança", resumiu. Embora a campanha petista tenha incorporado esse discurso nas semanas finais da corrida eleitoral, a correção de rota teria ocorrido tarde demais. "É evidente que isso hoje é insuficiente, sem uma chacoalhada geral e uma mudança de rota no discurso", avaliou. O pesquisador afirma que o presidente precisará promover uma revisão profunda da estratégia para o segundo turno. Na sua análise, não bastará mobilizar a base tradicional do lulismo. Será necessário convencer os eleitores indecisos e aqueles que deixaram de comparecer às urnas de que um novo mandato pode produzir transformações concretas em suas vidas. Estrada observa, porém, que ainda há fatores capazes de influenciar a mobilização do eleitorado na reta final da campanha. Entre eles está o pagamento do Bolsa Família com o reajuste de 15% anunciado por Lula em meados de setembro, previsto para 19 de outubro, na semana do segundo turno. Na avaliação do cientista político, a medida pode ter reflexos sobre a participação eleitoral e ajudar o presidente a recuperar parte da desvantagem registrada no primeiro turno. Fortalecimento do bolsonarismo no Congresso Estrada considera especialmente relevante o fortalecimento institucional do bolsonarismo no Congresso Nacional. Segundo ele, a ampliação da bancada do PL no Senado terá consequências que ultrapassam a atual disputa presidencial. "Esse resultado é muito significativo politicamente", afirmou. O cientista político lembra que os senadores exercem mandatos de oito anos e possuem prerrogativas decisivas em temas como a aprovação de autoridades, a composição do Supremo Tribunal Federal e eventuais processos de impeachment. "A consequência política disso vai além de um [eventual] mandato de Flávio Bolsonaro", destacou. Na Câmara dos Deputados, ele vê outro dado histórico. Estrada observa que a reforma eleitoral aprovada para reduzir a fragmentação partidária está produzindo um Parlamento com menos legendas relevantes. O principal beneficiário desse processo, afirma, foi o bolsonarismo, que alcançou um resultado recorde de 121 deputados federais. "Quem é o maior beneficiário político desta situação é o bolsonarismo", afirmou. Segundo o pesquisador, trata-se de um desempenho que não era registrado no país desde 1994. Questionado sobre a reeleição de políticos envolvidos em denúncias de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, como no caso Master, Estrada rejeita a ideia de que o tema tenha deixado de influenciar o comportamento dos eleitores. Para ele, a corrupção continua sendo um fator importante na política brasileira, mas sua capacidade de influenciar o voto varia de acordo com a identidade política do eleitor. "Quando o escândalo de corrupção chega ao bolsonarismo, isso não tem uma variável realmente forte para explicar o voto", afirmou. Já quando as denúncias atingem adversários políticos, especialmente ligados ao PT, o impacto tende a ser maior. "Quando é na oposição ao Partido dos Trabalhadores, aí sim essa corrupção tem um resultado prático", concluiu. Apesar da vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno e do fortalecimento do bolsonarismo no Congresso, Estrada não considera a...
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  • Movimento internacional convoca paralisação de mulheres para denunciar desigualdades de gênero
    2026/10/12

    Inspirada na histórica greve das mulheres na Islândia, em 1975, quando cerca de 90% delas interromperam suas atividades por um dia, a organização World with Women convoca uma mobilização internacional em 13 de outubro para chamar a atenção para as desigualdades de gênero ainda existentes no mundo. A iniciativa reúne mulheres em mais de 20 países e terá seu ato central em Paris, na Place de la Bataille de Stalingrad (19° distrito), às 12h.

    Adriana Moysés, da RFI em Paris

    Em entrevista à RFI, a coordenadora internacional da WwW, a brasileira Ligia Paraiso, explicou que a organização nasceu na França, no primeiro semestre de 2026, a partir de uma reflexão simples: "O que é esse mundo sem as mulheres?". A resposta remete diretamente à experiência islandesa, considerada um marco na luta pelos direitos femininos.

    "Na Islândia, em 1975, 90% das mulheres pararam. Não foram trabalhar, não fizeram os serviços domésticos, não fizeram compras", recorda. Segundo Ligia, essa mobilização massiva causou uma verdadeira transformação social e mental. A principal proposta deste ato, concentrado em 24h, é justamente tornar visível um trabalho frequentemente invisibilizado.

    "Nós iremos parar para que o invisível, ou seja, o trabalho da mulher, tenha mais visibilidade no mundo."

    Embora seja uma organização recente, a WwW já ampliou sua presença internacional. De acordo com Ligia Paraiso, o movimento está ativo em mais de 20 países e reúne participantes em mais de 30 cidades francesas.

    A iniciativa conta ainda com o apoio de personalidades de destaque na política e em organismos internacionais. Entre elas estão a ex-ministra francesa da Igualdade entre Mulheres e Homens, Élisabeth Moreno, a economista mexicana Gabriela Ramos, atualmente vice-diretora-geral da Unesco, e a ex-ministra tunisiana da Mulher, Família e Infância, Néziha Labidi.

    Além da mobilização simbólica, o grupo pretende influenciar políticas públicas e práticas empresariais. Segundo Ligia, cerca de 250 organizações, associações e empresas já aderiram ao projeto. "Já estamos realmente com um apoio bem considerável", diz, citando entre os apoiadores entidades como a Climate House, a Orange Business e a Fondation des Femmes.

    Dez medidas concretas

    A coordenadora afirma que a World with Women estruturou sua atuação em dez medidas concretas organizadas em cinco grandes compromissos: liberdade das mulheres, direitos das mulheres, melhor compartilhamento do poder, construção de um futuro mais justo e sustentável e promoção do interesse geral.

    Para justificar a urgência da mobilização, ela cita dados das Nações Unidas. "Se continuarmos como estamos hoje, vamos levar 300 anos para alcançar a igualdade política e, em média, 134 anos para atingir a igualdade econômica", afirma. "Nós queremos mudar isso e acreditamos que a World with Women pode ser um catalisador para que não seja necessário esperar três séculos por essa igualdade."

    Ato em Paris

    No dia 13 de outubro, o movimento pretende reunir mulheres e homens em Paris e em diversas cidades ao redor do mundo. Na capital francesa, o ato está previsto às 12h, na Place de la Bataille de Stalingrad, no 19° distrito da capital. A orientação é que, sempre que possível, as mulheres interrompam suas atividades durante 24 horas. Para aquelas que não podem aderir à paralisação, a proposta é participar por meio das redes sociais.

    "Mulheres que têm o privilégio de poder parar vão parar por aquelas que não podem", resume Ligia. Segundo ela, a mobilização também busca incluir mulheres que vivem em países onde manifestações desse tipo enfrentam restrições.

    Ligia faz questão de destacar que o movimento não se posiciona contra os homens. Pelo contrário, aposta em uma atuação conjunta para acelerar mudanças sociais. "Homens também são super bem-vindos. Nós não estamos contra os homens. Queremos essa mistura, essa ação conjunta. São mulheres e homens juntos para mudar o curso do futuro da história", conclui.

    Mais informações sobre a mobilização estão disponíveis no site da organização e em suas páginas nas redes sociais.

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