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RFI Convida

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著者: RFI Brasil
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Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde 社会科学
エピソード
  • Memória do nazismo já não basta para conter avanço da extrema direita na Alemanha, diz pesquisador
    2026/09/07
    A vitória da sigla AfD durante a eleição regional em Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, reacendeu o debate sobre os limites das estratégias usadas para conter a extrema direita. Para o sociólogo Sérgio Costa, da Freie Universität Berlin, o fenômeno combina heranças da antiga divisão entre leste e oeste, ressentimentos sociais persistentes e erros dos partidos tradicionais. Ele afirma que copiar o discurso da direita radical fortalece a própria AfD e não responde às frustrações do eleitorado. Durante décadas, a Alemanha cultivou a convicção de que o enfrentamento sistemático de seu passado nazista funcionaria como uma espécie de vacina democrática contra o retorno da extrema direita. A ascensão da Alternativa para a Alemanha (AfD), no entanto, vem submetendo essa certeza a um teste cada vez mais severo. Para o sociólogo brasileiro Sérgio Costa, professor-titular da Freie Universität Berlin, o fenômeno não pode ser reduzido ao crescimento da imigração, à crise econômica ou mesmo às particularidades do leste alemão. O que está em jogo, afirma, é uma combinação entre heranças históricas da reunificação, mudanças profundas na maneira como a política é produzida e consumida e erros sucessivos cometidos pelos partidos tradicionais ao tentar responder ao avanço da direita radical. A primeira explicação, segundo ele, está na própria história alemã do pós-guerra. Embora a memória dos crimes do nazismo tenha se tornado um dos pilares da cultura política do país, esse processo ocorreu de forma desigual entre as duas Alemanhas. "O primeiro fator a se destacar é que esse estado da eleição que houve domingo é um estado que faz parte da antiga Alemanha Oriental", afirma. "Esse trabalho de processamento, de discussão dos horrores do nazismo, foi muito menos pronunciado no leste do que no oeste." Costa observa que a chamada "pedagogia da memória", concebida como instrumento para impedir a repetição dos erros do passado, foi muito mais desenvolvida na antiga Alemanha Ocidental do que na parte oriental do país. Para o sociólogo, essa diferença ajuda a compreender parte da força da AfD no leste alemão, mas não é suficiente para explicar, sozinha, o avanço da extrema direita. Na avaliação do pesquisador, o fenômeno deve ser inserido em um contexto internacional mais amplo. "O segundo fator é, de fato, uma mudança na política global. A extrema direita vem crescendo no mundo todo. Enfim, poucos países são aí uma exceção", afirma. Segundo Costa, a própria dinâmica da disputa política se transformou nos últimos anos. "É uma dinâmica diferente da política. É a política que é feita pelas redes sociais, sem uma discussão profunda de conteúdos, sem um conhecimento da história." Para ele, esse ambiente favorece o fortalecimento de forças radicais. "Tudo isso leva a esse resultado tão favorável a um partido que é considerado pelos organismos de vigilância constitucional na Alemanha como um partido de extrema direita." Uma divisão que persiste, mas já não explica tudo Quase quatro décadas após a queda do Muro de Berlim, os mapas eleitorais continuam revelando uma Alemanha atravessada por divisões que a reunificação não conseguiu eliminar completamente. "Qualquer pessoa que olhe no mapa da Alemanha vai ver que o partido de extrema direita AfD tem muito mais votação no lado leste do que no lado oeste, ou seja, muito mais na antiga Alemanha socialista do que na Alemanha capitalista." Segundo ele, essa realidade está ligada a frustrações acumuladas ao longo das últimas décadas, embora a interpretação de uma simples "questão oriental" seja insuficiente diante do crescimento do partido em outras regiões do país. O sociólogo ressalta que a reunificação produziu avanços significativos e rejeita a ideia de que a persistente força da AfD no leste seja consequência de um fracasso econômico. "Os padrões de vida nos dois lados da Alemanha hoje são muito mais uniformes do que eram alguns anos atrás", afirma. Na sua avaliação, "a unificação foi exitosa nesse trabalho de promover o desenvolvimento econômico da Alemanha Ocidental e da Alemanha Oriental, de alguma maneira articulá-los e vinculá-los". Ainda assim, ele chama atenção para desigualdades que permanecem visíveis, sobretudo na distribuição de riqueza. "A diferença significativa que existe é em termos de patrimônio. Os alemães ocidentais têm até hoje um patrimônio muito maior do que os alemães orientais, o que se explica através da história." Mas, para Costa, a chave da questão talvez esteja menos nos indicadores econômicos do que na percepção de perda de relevância experimentada por parcelas da população. "Por que essa análise, ainda que importante, é insuficiente? Porque há outros fatores. A AfD está crescendo muito também no leste", observa. Segundo ele, cidades industriais que ocupavam posições centrais perderam ...
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  • Escândalo do Banco Master reforça desconfiança na política e torna eleição mais instável, diz cientista político
    2026/09/04
    Para o cientista político Leonardo Avritzer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o escândalo envolvendo o Banco Master contribui para ampliar a deslegitimação do sistema político brasileiro em um momento de forte desinteresse eleitoral. Em entrevista à RFI, ele afirma que o caso atinge inclusive instituições que mantinham altos índices de credibilidade junto à população e avalia que o Brasil ainda não retomou uma trajetória de estabilidade democrática. Maria Paula Carvalho, da RFI Faltando poucas semanas para as eleições presidenciais de 4 de outubro, o cientista político Leonardo Avritzer avalia que o Brasil atravessa mais um momento de instabilidade democrática. Autor de diversos trabalhos sobre democracia, participação cidadã e instituições políticas, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais afirma que o país ainda vive um ciclo marcado por avanços e retrocessos na consolidação democrática. Segundo Avritzer, as eleições brasileiras dos últimos anos deixaram de ser apenas disputas convencionais de poder e passaram a envolver a própria continuidade da ordem democrática. Na sua avaliação, a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e os acontecimentos posteriores evidenciaram essa fragilidade institucional. “O Brasil não tem uma construção democrática estável. Pelo contrário, nós temos ainda idas e vindas na nossa democracia”, afirma. Para ele, embora tenha havido alguma recuperação institucional após a eleição de 2022, o cenário continua longe da estabilidade. Como exemplo, cita a força eleitoral do Partido Liberal (PL) nas eleições proporcionais e a presença do filho de Bolsonaro na atual disputa presidencial. Desânimo eleitoral e escândalo político Ao analisar o atual processo eleitoral, Avritzer destaca dois elementos centrais. O primeiro é o que descreve como um profundo desinteresse da população pela campanha. Segundo ele, esse fenômeno pode ser observado tanto na pouca mobilização das ruas quanto no comportamento dos candidatos. “O processo eleitoral é marcado por um enorme desânimo, desinteresse da população brasileira em relação ao próprio processo eleitoral”, afirma. O segundo fator é o escândalo envolvendo o Banco Master. Embora ressalte que o caso não afeta diretamente o governo federal, Avritzer considera que ele contribui para enfraquecer a confiança dos brasileiros nas instituições. “O pano de fundo é um escândalo de corrupção bastante forte ligado ao Banco Master”, observa. Ele menciona o envolvimento de figuras influentes da política nacional e também as repercussões sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). "Ainda que o escândalo do Banco Master tenha características muito específicas e não seja um caso sistêmico de corrupção envolvendo o conjunto do sistema político, como foram o mensalão e a Lava Jato, ele acaba transmitindo a impressão de que o sistema político está à venda", resume Avritzer. Segundo o cientista político, trata-se sobretudo de um caso envolvendo um banqueiro que teria buscado ampliar a influência de sua instituição por meio da aproximação com figuras de grande poder na República. "Por exemplo, podemos citar o ministro Alexandre de Moraes, além dos senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner, que aparecem entre os implicados. Ainda que não existam provas contundentes e nenhum dos envolvidos tenha sido condenado, o caso reforça a percepção de que o sistema político brasileiro pode ser influenciado por interesses privados", reitera. Mudanças no equilíbrio entre os Poderes Para Avritzer, a atual conjuntura também reflete transformações profundas na relação entre os três Poderes da República. Historicamente, afirma, o Executivo sempre ocupou posição central na política brasileira, particularmente desde os anos 1930. No entanto, a Constituição de 1988 fortaleceu o STF ao ampliar suas prerrogativas institucionais. Mais recentemente, o Congresso Nacional também ganhou influência política com o fortalecimento das emendas parlamentares. O resultado, segundo ele, é uma configuração inédita na história recente do país. “Hoje nós vivemos uma situação no Brasil diferente da nossa trajetória histórica. O Executivo é o poder mais fraco, mais dependente dos outros dois poderes”, avalia. Polarização persiste, mas é mais intensa nas redes Questionado sobre a polarização política, Avritzer considera que o fenômeno continua presente, sobretudo nas redes sociais. No entanto, ele chama atenção para pesquisas que apontam uma realidade diferente quando se observa o comportamento dos brasileiros fora do ambiente digital. Segundo ele, levantamentos recentes mostram que a maioria dos eleitores não rejeita relações pessoais com pessoas de posicionamentos políticos diferentes. Esse cenário contrastaria, por exemplo, com o observado atualmente nos Estados Unidos. Para ...
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  • Eleitorado brasileiro em Paris cresce mais de 32% para o pleito de outubro
    2026/08/31
    Os preparativos para as eleições presidenciais brasileiras de outubro estão em fase final em Paris, onde está concentrado o maior colégio eleitoral brasileiro da França. O número de brasileiros aptos a votar na capital francesa chegou a 27,8 mil, um aumento de aproximadamente 32% em relação a 2022, quando pouco mais de 21 mil eleitores estavam registrados. Maria Paula Carvalho, da RFI Apesar da alta expressiva no eleitorado, a expectativa é que cerca de 14 mil pessoas compareçam às urnas, o equivalente a aproximadamente 50% dos inscritos, percentual semelhante ao observado nas últimas eleições. Em entrevista à RFI, o cônsul-geral do Brasil em Paris, Fábio Mendes Marzano, afirmou que a organização da votação está praticamente concluída. A votação em Paris ocorrerá no Espaço Vinci, localizado no número 25 da Rue des Jeûneurs, no 2º distrito da capital francesa. O local é facilmente acessível por transporte público e fica a poucos minutos a pé das estações Grands Boulevards, servida pelas linhas 8 e 9 do metrô de Paris, e Bourse, na linha 3. Segundo o consulado-geral do Brasil, a escolha do espaço levou em conta a facilidade de acesso para os eleitores e a capacidade de receber um grande fluxo de votantes ao longo do dia. “Esperamos o comparecimento de dezenas de milhares de brasileiros, porque é um momento muito importante da nossa democracia. Temos tudo praticamente organizado para o grande dia”, afirmou o cônsul-geral do Brasil. Segundo o consulado, serão disponibilizadas 34 urnas eletrônicas para atender os eleitores. Os equipamentos ainda aguardam envio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passarão por testes assim que chegarem à França. Como medida de segurança, também já foram recebidas urnas de lona para eventual substituição em caso de falha técnica. Na última eleição presidencial, duas urnas eletrônicas apresentaram problemas e foi necessário recorrer ao voto manual em algumas seções. A organização da votação mobilizará 185 pessoas, entre servidores do Ministério das Relações Exteriores e voluntários. Mais de 80 integrantes da equipe pertencem aos quadros do consulado, da embaixada do Brasil na França, da delegação brasileira junto à Unesco e da representação do país na OCDE. “Os brasileiros fazem questão de ajudar, de colaborar nesse processo e de participar”, destacou Marzano. Assim como os demais brasileiros residentes no exterior, os eleitores registrados na França poderão votar apenas para presidente da República – diferentemente do que ocorre no território brasileiro, onde os eleitores escolherão também governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais ou distritais. Em caso de segundo turno, uma nova votação será realizada nas representações eleitorais brasileiras no exterior. Como votar A votação seguirá a ordem de chegada, com prioridade para idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida. Os eleitores deverão apresentar o título de eleitor ou um documento oficial com foto. Assim como no Brasil, será proibida qualquer forma de propaganda eleitoral dentro do local de votação, incluindo a chamada boca de urna e o uso de roupas ou acessórios que identifiquem candidatos ou partidos políticos. Segundo o cônsul-geral, o clima nas eleições anteriores foi marcado pela tranquilidade. “Os brasileiros vêm com muita alegria participar e nunca tivemos problemas de arruaça ou comportamentos indevidos”, afirmou. A segurança do entorno ficará sob responsabilidade da polícia francesa, que atuará do lado de fora do local de votação. No interior do recinto, agentes privados contratados pelo consulado serão responsáveis pela manutenção da ordem. Além de coordenar a estrutura de votação, Marzano exercerá a função de juiz eleitoral em Paris. Caberá a ele resolver eventuais situações excepcionais, como problemas de identificação dos eleitores ou outras ocorrências durante o pleito. Primeira votação em Marselha Esta será também a primeira eleição presidencial brasileira com votação em Marselha, a segunda maior cidade da França e principal centro urbano da região sul do país, às margens do Mar Mediterrâneo. A nova seção eleitoral reúne cerca de 2,8 mil eleitores inscritos, número dez vezes menor do que o de Paris. Para Marzano, a criação da seção no sul da França não deve reduzir significativamente a participação na capital francesa. Pelo contrário, ele acredita que a nova estrutura pode incentivar mais brasileiros a comparecer às urnas, ao facilitar o acesso ao voto para quem vive distante de Paris. “Convido todos os brasileiros eleitores a participarem desse grande dia. É um dos momentos mais importantes da nossa democracia. Vamos recebê-los de braços abertos, com toda a organização, segurança e logística necessárias."
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