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RFI Convida

RFI Convida

著者: RFI Brasil
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概要

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde 社会科学
エピソード
  • Quadrinista investiga colonização e memória em HQ na França sobre território Guarani-Kaiowá
    2026/03/16
    Arquiteta de formação, artista plástica e pesquisadora, Clara Chotil vem conquistando destaque nos quadrinhos com histórias que cruzam memória, história e política. Depois de Ópera Negra, ela lança na França Tekoha, uma obra inteiramente pintada em acrílico que mergulha na relação profunda entre os povos indígenas e seus territórios no Mato Grosso do Sul, no Brasil. A quadrinista e ilustradora franco-brasileira Clara Chotil vem se afirmando como uma das vozes singulares de uma nova geração de artistas que exploram, por meio da narrativa gráfica, as intersecções entre memória, história e política. Arquiteta de formação, artista plástica e pesquisadora, ela acaba de lançar na França Tekoha, uma história em quadrinhos inteiramente pintada em acrílico que mergulha na relação entre povos indígenas e território no Mato Grosso do Sul. Ao falar sobre o ambiente em que começou a produzir, Chotil observa que o cenário mudou nos últimos anos para as mulheres que trabalham com quadrinhos. “A minha geração de criadoras e criadores de quadrinhos é uma geração em que muitas mulheres já estão presentes. Eu cheguei inspirada por mulheres autoras e já rodeada de mulheres criadoras”. Essa presença feminina se manifesta com clareza sobretudo nas escolas e nos espaços de formação artística, afirma a autora. “Nas escolas de ilustração e nos cursos mais dedicados aos quadrinhos, a maioria já é de mulheres”, diz. Ainda assim, a transformação do campo não ocorre de maneira uniforme. Segundo ela, persistem desequilíbrios nas instâncias de decisão do setor editorial. “Onde ainda há maioria de homens é entre os editores, nos espaços de premiação e de poder, e nos espaços de decisão, onde a chegada das mulheres leva mais tempo.” Filha de mãe brasileira, Clara Chotil cresceu na França, uma condição que marca profundamente o ponto de vista a partir do qual constrói sua obra. “O meu olhar é um olhar bastante europeu. Eu sou brasileira por parte de mãe, mas cresci na França, fui criada aqui, nasci aqui”, explica. No início do processo criativo, ela chegou a considerar que essa dimensão biográfica poderia permanecer implícita na narrativa. “No início eu não queria deixar tão explícito o fato de eu ser francesa, porque me parecia uma complexidade que não era necessária numa história já complexa”. Leia tambémLivro em quadrinhos conta a história da primeira brasileira negra a cantar na Ópera de Paris Com o avanço da pesquisa, no entanto, a artista percebeu que sua posição também fazia parte da história que estava tentando contar. “Aos poucos eu me dei conta de que era importante dizer de onde eu estava olhando, porque isso também era uma consequência do meu interesse”, afirma. Reconhecer essa perspectiva externa tornou-se, para ela, uma forma de dar transparência ao próprio processo narrativo. “Fazia parte da história o fato de eu estar olhando de fora”. A formação em arquitetura, por sua vez, influencia diretamente a maneira como ela organiza o espaço em suas páginas. Em seus quadrinhos, a paisagem frequentemente ocupa um papel central. “Eu acho que o meu olhar é muito o olhar de uma arquiteta”, diz. Essa característica se repete em diferentes trabalhos da autora. “Seja nesse quadrinho ou no anterior, eu sempre desenho mais espaços do que personagens”. Em Tekoha, essa escolha ganha uma dimensão particular, já que o próprio título remete a um lugar e a um modo de habitar. “No caso desse quadrinho, o título é justamente o título de um espaço”, explica. O leitor é conduzido por imagens que privilegiam panoramas amplos antes de se aproximar dos protagonistas da narrativa. “A maioria das imagens são com a ‘câmera’ mais distante, e aos poucos a gente vai chegando perto dos personagens que vão nos contando essa história”. O impulso inicial para o projeto nasceu de uma inquietação pessoal diante da situação política brasileira no início da década. Clara Chotil começou a trabalhar no livro durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu comecei esse quadrinho por volta de 2021 ou 2022 e estava me questionando sobre a minha relação com o Brasil e tentando entender aquele momento”, conta. Diante de uma questão tão ampla, ela decidiu começar pela própria história familiar. “Eu decidi me interessar por isso através da minha própria história e da minha relação com o Brasil a partir da minha mãe”. As memórias da infância materna no Mato Grosso do Sul tornaram-se, então, um ponto de partida para a investigação. “A minha mãe sempre me contou histórias da sua infância no Mato Grosso do Sul, histórias muito coloridas, de floresta, de heróis”, lembra. Nessas narrativas, os avós apareciam como pioneiros que haviam chegado à região vindos do Nordeste. “Os pais dela chegaram a territórios onde não havia nada e construíram suas casas, ...
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  • Premiado na França, curta-metragem ‘Crônicas Marginais’ mostra como a Rocinha se reinventa pelo cinema
    2026/03/13
    A trajetória da Academia de Cinema da Rocinha (ACR) ganhou projeção internacional com a exibição do curta “Crônicas Marginais” no Festival Cinéma de Femmes d’Amérique du Sud, mostra realizada todo mês de março em Paris, dedicada a destacar o trabalho de diretoras sul‑americanas. Eleito o melhor curta-metragem do festival, o filme integrou uma programação que reuniu cerca de 80 produções, entre curtas e longas de países como Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia, México, Peru e Paraguai. Para o cineasta Marcos Braz, idealizador e cofundador da escola carioca, estar na capital francesa apresentando um filme feito por moradores da comunidade simboliza uma virada histórica na forma como a Rocinha é vista – e como se vê a si mesma. “Foi incrível poder sair um pouquinho da nossa zona de conforto”, contou Marcos à RFI. “Sempre apresentamos o filme em contextos de favela, em lugares de favela. Quando atravessamos para outro lugar, principalmente numa mostra competitiva, encontramos projetos incríveis, e isso foi um momento desafiador e de grande aprendizado.” Ao relembrar sua infância na Rocinha nos anos 1980, Marcos destaca o peso dos estigmas: “Nós éramos considerados pessoas perigosas só por morar naquele lugar. O estereótipo nos acompanhou durante muitos anos”. Segundo ele, o audiovisual foi decisivo para transformar esse olhar. Primeiro, quando começou a trabalhar como jornalista de TV; depois, com a criação da ACR. “A escola veio nesse lugar de transformar visibilidade em narrativa. O que só a gente via ali, agora chega ao mundo, inclusive aqui em Paris”, diz o realizador, com um largo sorriso no rosto. Mutirão de cinema O processo de criação de “Crônicas Marginais” traduz, em forma audiovisual, a filosofia colaborativa da Academia de Cinema da Rocinha. Ao contrário da lógica comum do “curta de guerrilha”, com equipes pequenas e baixo orçamento, a escola mobilizou mais de 70 pessoas, entre alunos, moradores que atuaram como figurantes e profissionais voluntários do mercado audiovisual. Marcos explica como o filme nasceu de oito histórias criadas por alunos da primeira turma da Academia. “Os estudantes estavam concorrendo a um recurso que recebemos da Marieta Severo. Mas eles disseram: por que não pegar um pedaço de cada história e transformar num único curta?” Assim surgiu a “gincana criativa” que resultou no roteiro final. O método de criação cinematográfica coletiva foi inspirado nos próprios mutirões das favelas. “A forma comunitária que usamos na Academia vem das construções da favela. Para chegar água, para chegar luz, tudo era mutirão. Então batizamos de ‘mutirão de roteiro’: onde um tem dificuldade, o grupo inteiro ajuda”, destaca. O cineasta fez questão de sublinhar que nem todos os alunos que participaram do projeto tinham um grau de educação formal. “Geralmente, a pessoa que chega em uma escola de cinema tem que ter um nível médio, uma escolaridade mínima universitária. Nós aceitamos pessoas com baixa escolaridade. Em alguns casos, baixíssima escolaridade.” A filmagem envolveu quatro diárias de gravação, cenas nas ruas e em quatro diferentes locações da comunidade, especialmente num anfiteatro abandonado, onde foi registrada “a cena mais linda, a do pianista palhaço”, nas palavras de Marcos. A presença de profissionais experientes, que vieram de grandes produções de plataformas como Netflix e Globoplay, reforçou o caráter pedagógico do projeto. “Ali no set era tudo muito caloroso. Era educação na prática. Ver aqueles profissionais circulando normalmente na comunidade era impensável nos anos 1980.” Como resultado, os alunos não apenas finalizaram o filme, mas também conquistaram novos caminhos. “De 30 alunos, surgiram 30 oportunidades profissionais. Cinco foram trabalhar em filmes para streaming e alguns no cinema. Isso tem uma relevância muito grande para a gente.” A montagem, concluída somente na 19ª versão, também foi uma escola em si. “Eles nunca tinham visto uma ilha de edição. Mas puderam criar sem muito pudor. Por mais que tivesse uma técnica, os alunos tiveram liberdade artística suficiente para expressar as suas realidades. Queriam até atuar em suas próprias histórias!”, relembra Marcos. Apoio da atriz Marieta Severo Responsável pela produção, Dani Castro viu de perto as dimensões práticas e afetivas do desafio. O primeiro foi conseguir apoio financeiro. A atriz Marieta Severo forneceu o principal apoio financeiro à produção. Depois veio a etapa mais difícil: coordenar dezenas de alunos e supervisores, além de buscar equipamentos emprestados, sempre que possível. “Fazemos cinema de verdade com câmera, lente, som, mas sempre correndo atrás. Nós não temos equipamentos na escola.” Para Dani, o trabalho revelou também algo sobre a própria atividade: poucos alunos quiseram trabalhar em ...
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  • Cantora franco‑brasileira Gildaa lança primeiro disco guiado pela força da linhagem feminina
    2026/03/12

    A cantora franco‑brasileira Gildaa lançou neste mês de março, na França, o seu primeiro disco, um álbum que nasce diretamente do espetáculo híbrido que a revelou no Centro Cultural 104, em Paris, e que desde então vem lotando salas e se expandindo para além do palco. O trabalho reúne 12 faixas em português e francês, mantendo intacta a dramaturgia que ela vem construindo desde os tempos de estudante de arte dramática no Conservatório Nacional.

    Musicalmente, o disco reúne samba, canção francesa, jazz latino, soul, R&B e ritmos afro‑brasileiros, e já vem sendo apresentado como “álbum do mês” nas lojas da Fnac.

    Segundo a artista, o repertório é o mesmo que foi apresentado no palco. “A ordem das músicas chegou sozinha, é essa e não vou mudar", conta. A abertura do álbum, “Mainha”, funciona como um verdadeiro rito de passagem: uma alma que pede licença para reentrar no mundo, afirmando que já esteve aqui, mas “sem se lembrar da regra do jogo”.

    A ancestralidade brasileira é um dos pilares mais fortes do álbum. Em “Vela Velha”, dedicada à bisavó materna Teresa, Gildaa compõe num registro emocional imediato: “Eu estava sozinha em casa, uma vela começou a dançar e Teresa apareceu no meu pensamento. A música veio inteira”. Teresa, que ela nunca conheceu, aparece como guia invisível: “Acho que ela abriu um caminho para a gente e nos protege.” Questões espirituais atravessam o disco. Mas sobre sua relação pessoal com o candomblé, ela prefere preservar o silêncio: “É uma coisa minha, que eu não vou falar agora, não”.

    A família de músicos, especialmente a irmã Yndi, tem papel central na construção do álbum. “Ela realmente dirigiu o disco. A gente cresceu numa festa constante, no samba, na canja. A música sempre esteve ali”, diz.

    'Uma entidade'

    Gildaa relembra seu percurso múltiplo: violino na infância, teatro na adolescência, dança, circo, composição e percussão. É nesse momento que deixa escapar sua identidade civil: “Meu nome é Camille, Camille Constantin da Silva. Mas Gildaa é essa entidade [um alter ego], essa personalidade que carrega nossa linhagem inteira”.

    Encruzilhadas e ciclos de renascimento também estão presentes na faixa inspirada em Perséfone, deusa da primavera e rainha do mundo dos mortos na mitologia grega, que Gildaa relaciona a Oiá, orixá do vento, das transformações e do movimento entre mundos. “Perséfone ajuda a entender esse momento entre a sombra e a luz, esse equilíbrio que tantas mulheres estão buscando hoje.”

    Dualidade cultural

    A recepção do público francês tem sido intensa e curiosa. Uma jornalista chegou a chamá‑la de “OVNI”, termo que também ouviu em sua primeira apresentação no Brasil, no ano passado. Ela não se incomoda. “Adorei. Significa só que a energia é diferente – e não é só a minha”. A dualidade cultural, diz, é sua força: “A Gildaa provoca uma queda de circuito. Obriga o público a parar e estar ali, naquele instante”.

    Em turnê pela França, com datas também na Bélgica e na Suíça, Gildaa se prepara para um dos shows mais importantes deste ciclo, na sala de espetáculos parisiense La Cigale, em 28 de maio. O retorno ao Brasil está nos planos. “Quero muito voltar. Só falta encontrar a melhor maneira de reunir o público”, afirma. Entre o espetáculo e o disco, ela já imagina o futuro: “Esse é só o primeiro de sete álbuns. Não sei se vou conseguir chegar lá, mas o gol é esse”.

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