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RFI Convida

RFI Convida

著者: RFI Brasil
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概要

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde 社会科学
エピソード
  • Acordo UE‑Mercosul: desafio é transformar oportunidades em negócios, diz Tatiana Prazeres
    2026/04/30
    Após 25 anos de negociações, começa a valer neste 1° de maio o Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, o maior já firmado tanto pelo bloco sul‑americano quanto pelo Brasil. O pacto envolve 31 países, com um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 22 trilhões e um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores. A partir da entrada em vigor do tratado, nesta sexta-feira, mais de 10 mil produtos deixam de pagar tarifas de importação ou ganham vantagens, de ambos os lados. Segundo a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, o acordo começa a produzir efeitos desde o primeiro dia de aplicação provisória. “O efeito imediato do acordo é a eliminação de imposto de importação do lado do Mercosul para um grupo de produtos e a eliminação do imposto de importação na UE para um universo maior de produtos que são originários do Mercosul”, explicou. Para o consumidor final, o acordo não altera as regras de importação de pequenos pacotes. “O regime da importação por pequenos pacotes não se altera com o acordo do Mercosul‑UE”, esclareceu Prazeres. Além da redução tarifária imediata, Prazeres destaca que outros dispositivos entram em funcionamento simultaneamente, criando uma base mais ampla de integração. “Uma série de outros dispositivos passam a vigorar, fortalecendo o relacionamento entre as duas regiões, promovendo investimentos, comércio, cooperação, integração”, afirmou. A Comissão Europeia também comemora este marco. Sistemas preparados para o novo fluxo Para garantir a aplicação efetiva do acordo, Brasil e União Europeia avançaram na adaptação dos sistemas aduaneiros. Segundo a secretária, embora a redução do imposto de importação seja o aspecto mais visível, não é o único. Há também ajustes técnicos para possibilitar o uso de cotas negociadas. Essas medidas buscam assegurar que empresas do Mercosul consigam acessar, de fato, as vantagens previstas. “Outras medidas estão sendo adaptadas, como por exemplo, medidas para implementar cotas, ou seja, como garantir que o importador brasileiro ou de um sócio do Mercosul possa de fato usufruir do benefício da cota”, explicou. Apoio setorial e proteção aos segmentos sensíveis No Brasil, o acordo conta com amplo apoio de setores estratégicos da economia. A secretária ressalta que tanto a indústria quanto o agronegócio se manifestaram favoravelmente ao pacto, incluindo entidades representativas como a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Há respaldo também de associações de diferentes ramos, como calçados, móveis e produtos químicos. Para Prazeres, esse apoio é resultado dos cuidados adotados ao longo das negociações. “O governo brasileiro tomou uma série de cuidados para levar em conta as sensibilidades da indústria brasileira, do agro‑brasileiro, de maneira que essa abertura, essa exposição à concorrência europeia vai ser calibrada, vai se dar ao longo do tempo”, afirmou. O acordo prevê instrumentos de proteção para setores mais vulneráveis. “Há mecanismos de salvaguarda para responder algumas dificuldades que os setores eventualmente venham a ter”, destaca Tatiana Prazeres, ressaltando que o objetivo é permitir uma adaptação gradual à concorrência. Ainda assim, a avaliação do governo é amplamente positiva quanto aos efeitos do tratado. Produtividade, consumo e inserção internacional “Estamos convencidos de que é um acordo altamente favorável ao Brasil […] que vai contribuir para obter a inserção externa do país, o aumento da produtividade no Brasil”, declarou a secretária. O acesso a tecnologias e insumos mais baratos é apontado como um dos ganhos centrais. O consumidor também tende a ser beneficiado, com maior oferta de produtos a preços mais competitivos. Ao mesmo tempo, o desenho do tratado levou em consideração setores que precisarão se adaptar a um cenário de concorrência ampliada. “O acordo foi planejado de maneira a que se levassem em conta setores que eventualmente precisarão concorrer com produtos europeus”, explicou. A secretária de Comércio Exterior lembra ainda que o mercado europeu já ocupa posição central na balança comercial brasileira. “É o segundo destino das nossas exportações, a segunda origem das nossas importações. Há investimentos históricos de um lado e de outro e oportunidades ainda a serem exploradas”, disse. Implementação e desafios iniciais Apesar da complexidade do acordo, equipes técnicas trabalham para assegurar que os dispositivos entrem em vigor sem sobressaltos. “Os governos dos quatro sócios, e também do lado europeu, estão trabalhando de maneira intensa para garantir que haja, de fato, a implementação plena dos dispositivos”, explicou Tatiana Prazeres. Ajustes pontuais poderão ser feitos, se necessário, na fase inicial. “...
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  • Escritora indígena lança versão em francês de livro que denuncia processo colonial em verso e prosa
    2026/04/29
    A escritora, pesquisadora e curadora de literatura indígena brasileira e arte Trudruá Dorrico, pertencente ao povo Macuxi, lançou na França uma versão de seu livro "Tempo de Retomada" traduzido como "Le Temps de la Reconquête". A obra, que mistura prosa, poesia e manifesto político, nasceu de uma indignação da autora ao ler descrições exóticas e preconceituosas sobre seu povo em livros acadêmicos, onde eram retratados como "não confiáveis". Luiza Ramos, da RFI em Paris A inspiração para escrever o livro veio através de pesquisas sobre o povo Macuxi. Trudruá conta que se deparou com representações depreciativas, nas quais os indígenas eram descritos com uma linguagem exótica que ela não se identificava. "Aquilo tudo me indignou bastante. E aí eu comecei a escrever 'Tempo de Retomada', que também nasce a partir de uma fala de uma parenta Guarani Kaiowá [...] quando ela diz assim com muita propriedade: 'como você se atreve', diante de toda a expropriação territorial", explica a autora. "O 'Tempo de Retomada' foi feito a partir de um estudo de livros que eu estava lendo sobre o povo Macuxi. Eu tenho uma característica que eu não sei responder na ponta da língua, eu respondo escrevendo através de poemas, ensaios ou mesmo aforismos, como uma forma de resposta a todo esse material que eu estava lendo sobre a descrição do meu povo", diz. O conceito central da obra é a "retomada", termo que, segundo Trudruá, vai além da recuperação legal de terras expropriadas. Para a autora, a retomada é também um processo de reafirmação identitária diante de um Estado que, historicamente, tentou definir quem era ou não indígena. Ela explica que o que a antropologia denomina "etnogênese", os povos indígenas chamam de retomada: o ressurgimento e a afirmação de sua existência independente de classificações externas. Identidade Indígena e o direito à cidade Para Trudruá, que habita na França há cerca de nove meses e já teve uma experiência de residência artística em Paris em 2023, os indígenas têm o direito a viver a cidade sem perder a identificação inerente à sua origem. "Quando eu digo a minha retomada indígena, ela passa da floresta, da Amazônia pela cidade e qualquer outra capital do mundo que eu queira habitar, isso não vai me tirar a minha identidade", pontua. "Eu cresci sem essas referências, sem ler livros que me ensinassem sobre isso. Então, eu gostaria de ser uma referência para a minha geração e para os jovens terem o que ler sobre ser indígena na cidade e que isso não vai lhe tirar o pertencimento", afirma Trudruá. "Um exemplo muito claro e análogo é que você não deixa de ser brasileiro porque você mora em Paris ou porque você mora na China ou porque você aprende uma língua ou uma cultura do outro, a sua identidade permanece intacta. Por que a identidade indígena seria diferente? Então eu vou continuar sendo Macuxi. A ideia do livro é pensar que a minha subjetividade é primeiro Macuxi, independente dos trânsitos que eu faço, de comunidade para aldeia, de comunidade para a cidade, de cidade para uma metrópole", exemplifica a pesquisadora. Desafios da tradução para o francês A autora, que já tem novos projetos para traduzir seu livro para o inglês, evidencia os desafios de adaptar seu livro para outras línguas. Inclusive, Trudruá revela que já realizou a tradução de algumas de suas obras para o Macuxi com o apoio de sua mãe, fluente no dialeto indígena. No caso do francês, idioma que ela estuda há alguns anos, ela sentiu que alguns termos precisavam de termos análogos ou de explicações em notas de rodapé, que aparecem no final da edição francesa. "Durante a tradução, eu negociei muito com a Paula [Anacaona, tradutora da edição], porque os sentidos que têm na língua portuguesa não tinham na língua francesa, como o conceito de 'pardo'. Então nós negociamos um termo análogo. [...] Na tradução, a gente percebeu que o movimento indígena francês entende que o termo indigène e tribu, como no Brasil 'índio' e 'tribo', são termos que implicam uma inferioridade. Então aqui politicamente a gente adotou como palavra autochtone e peuple, para reconhecer a soberania plurinacional e também uma forma mais respeitosa de se referir a eles", explica Trudruá Dorrico. Em Paris, Trudruá Dorrico também assina a curadoria da exposição 'Passeurs' no Centro de Arte Contemporânea Frans Krajcberg, em cartaz até 18 de julho. A mostra propõe um diálogo sensível entre artistas indígenas contemporâneos e a relação com a natureza. Ao convidar o público a reconhecer as cosmovisões indígenas como saberes vivos, a curadoria de Trudruá articula memória ancestral e presente histórico, afirmando territórios, existências e lutas no campo das artes. Dia 19 de maio, em função da divulgação de seu livro na versão em francês, a autora participa de um encontro literário na livraria ...
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  • 'Carnaval é política', diz diretor de documentário sobre fundadora da Lavagem da Sapucaí
    2026/04/27
    O documentário “Oní Sáà Wúre – Lavagem da Sapucaí”, dirigido por Saullo Farias Vasconcelos, acompanha a trajetória de Maria Moura, idealizadora da Lavagem do Sambódromo do Rio de Janeiro, em 2011. O filme foi lançado no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, no início de abril, e fará sua estreia no Brasil em outubro. “O meu caminhar, durante todos esses anos foi sempre rua e terreiro”: diz a ekedi Maria Moura, 95 anos, nos primeiros minutos do documentário de Saullo Farias Vasconcelos. Ela, que é uma das maiores personalidades do candomblé do Rio, célebre militante do Movimento Negro, feminista e advogada, tem ares de um personagem fictício de tão cativante. Mas diante das câmeras do cineasta cearense revela um perfil verdadeiro de lutas e conquistas, entre elas, a de ter criado a Lavagem da Sapucaí, evento que chama de “o Carnaval Popular do Rio”. Longe do glamour dos desfiles televisionados e das celebridades, o evento vem sendo realizado há 15 anos, antes do último ensaio técnico das escolas de samba do Grupo Especial do Rio. O sucesso foi tamanho que a tradição se consolidou como um grande momento de celebração pública e coletiva, tornando-se um marco oficial do calendário pré-carnavalesco. Em entrevista à RFI, Saullo conta que conheceu Maria Moura em 2012, no Centro Cultural Cartola, na Mangueira, onde dentro de sua função de “griô” (mestre), ela participava de um programa de contação de histórias para crianças. “Quando eu a encontrei, eu fiquei muito encantado”, afirma o cineasta, ressaltando o vasto conhecimento que a ekedi tem do samba, do carnaval e do candomblé. “Ela é uma referência, uma pessoa empoderadíssima, eu precisava registrar essa mulher que tem muita coisa para contar e que a gente não conhece. Eu achava que o Brasil precisava saber o que ela passou e conhecer a vida dela”, diz. Na época, Maria Moura estava iniciando o projeto da lavagem do sambódromo, e convidou Saullo para conhecer o evento. “Ali eu já vi que ela tinha uma potência de um personagem, porque ela contava as histórias e eu ficava encantado. Aí a gente começou a ter uma relação muito próxima, porque eu a escutava e ela via que eu tinha interesse em aprender. E hoje nós somos amigos, como se fôssemos da mesma família até”, conta. A relação do cineasta com Maria Moura se tornou o fio condutor do documentário, que é narrado pela personagem. No filme, Saullo aparece frequentando a casa da militante e filma até os próprios diálogos com ela. “Foi uma escolha minha ter toda essa narração por ela. O filme é uma contação de história dela comigo e da nossa relação”, diz. Além disso, o documentário também é uma forma que Saullo encontrou para propagar a denúncia do racismo e da intolerância à cultura afrobrasileira. “O Brasil ainda é um país, infelizmente, racista. Muitos terreiros são violados e destruídos. As pessoas não respeitam a diversidade religiosa”, observa. Por isso, para o cineasta, muito mais do que um evento cultural, a lavagem promovida por Maria Moura é um ato político. “Carnaval é festa, é folia, mas carnaval é política. Quando ela leva essa tradição afrobrasileira do candomblé para um espaço institucionalizado como o sambódromo, isso é um gesto de resistência, das mulheres pretas, das mães-de-santo e do samba”, diz. Aumento dos feminicídios no Brasil No lançamento do documentário, no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, realizado no início de abril no cinema Arlequin, Maria Moura fez um emocionante discurso denunciando o aumento dos feminicídios no Brasil. “Estamos todas nós, mulheres, correndo risco. É preciso alertar as autoridades”, declarou, lembrando que sua idade não é um impedimento para que ela siga na causa feminista. “Foi muito importante, diz Saullo, lembrando a vinda de Maria Moura a Paris. “Ela, com a força de seus 95 anos, fez essa viagem, atravessou o Atlântico e, ao chegar, ela me disse: ‘meu filho, vim para cá porque eu tenho uma missão’”, relembra. “Depois que acabou a sessão [no festival], várias mulheres vinham falar comigo e com ela, agradecendo a fala dela e também a denúncia. O percurso de Maria Moura sempre foi de denúncia. Ela nunca foi de ficar calada. Ela mesmo diz que só chegou até aqui porque teve que falar muito, teve que insistir muito no que queria, porque senão ela não ia conseguir conquistar o que conquistou”, aponta. Segundo Saullo, o filme fará sua estreia no Brasil em outubro, no Festival do Rio. O diretor também inscreveu o documentário em outros festivais, como o de Biarritz, no sudoeste da França, e no de Xangai, na China. “Eu gostaria muito de levar o filme para lá, porque acho que é um país muito interessante dentro da tradição, principalmente do carnaval. Eles dialogam muito com a gente e acho que eles vão se reconhecer um pouco na nossa tradição”, diz. Associação La ...
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    20 分
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