エピソード

  • Jornalista brasileiro do Critics’ Choice avalia chances de vitória do Brasil no Oscar 2026
    2026/03/14
    Para quem é apaixonado por cinema, o Oscar sempre cria uma atmosfera especial — e quando o Brasil entra na disputa, a expectativa ganha contornos de final de Copa do Mundo. A RFI conversou com Rodrigo Salem, jornalista radicado em Los Angeles e membro do Critics’ Choice, associação de críticos responsável por um dos prêmios mais influentes da indústria, que analisou as categorias em que brasileiros podem conquistar uma estatueta. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Enquanto Hollywood prepara o tapete vermelho no Dolby Theatre, onde a cerimônia do Oscar é realizada, o público brasileiro está atento a cada previsão e a cada análise, como quem acompanha a escalação da Seleção antes de uma decisão. Grupos online viram arquibancada, redes sociais se transformam em mesa-redonda e a pergunta é sempre a mesma: será que vem mais uma estatueta para o Brasil? Essa não seria qualquer conquista. Se acontecer, o país pode viver um feito histórico: ser "bicampeão" com o gostinho de ganhar por dois anos consecutivos. No ano passado, o Brasil celebrou a vitória de “Ainda Estou Aqui”, que marcou a primeira estatueta do Brasil em 97 anos de festa. Agora, em 2026, o cinema brasileiro volta com mais força: quatro indicações importantes de “O Agente Secreto” e uma campanha que permanece forte desde o último Festival de Cannes. Wagner Moura na corrida de Melhor Ator Wagner Moura já faz história só pelo fato de ser indicado na categoria de Melhor Ator, algo inédito no Brasil. Se levar a estatueta, ele será o segundo latino-americano a ganhar o prêmio. A primeira vez foi há 75 anos, com o portoriquenho José Ferrer (Cyrano de Bergerac). No entanto, Rodrigo Salem não acredita que o ator baiano seja o favorito. “Tem a minha torcida, mas quem está realmente na frente para esse prêmio é o Michael B. Jordan”, diz Rodrigo Salem, referindo-se ao protagonista de "Pecadores". O artista americano ganhou força após receber o prêmio no Sindicato dos Atores (SAG). Paralelamente, Timothée Chalamet, de “Marty Supreme”, inicialmente apontado como o principal candidato ao prêmio, perdeu o Bafta para Robert Aramayo. Com isso, a disputa ganhou um elemento inesperado: abriu espaço para possíveis surpresas. Para Salem, com essa dinâmica, Wagner Moura, Leonardo DiCaprio ("Uma Batalha Após a Outra") e Ethan Hawke ("Blue Moon"), ganham força. "Existe um certo ar de que tudo pode acontecer nessa categoria. É difícil, mas não é impossível, como era há dois meses que todo mundo falava que o Timothée ganharia fácil. Então, foi bom o que aconteceu porque abriu um pouco mais e deixou um pouquinho mais emocionante uma cerimônia que tem tudo para ser sem surpresas e meio chata", avalia. O Agente Secreto e as apostas brasileiras Além da indicação de Wagner Moura, “O Agente Secreto” concorre em outras três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Seleção de Elenco. Na principal modalidade da noite, a disputa deve se concentrar entre dois títulos, diz Salem. "Acho que esse duelo já está meio estabelecido que vai ser entre 'Pecadores' e 'Uma Batalha Após a Outra', com favoritismo para esse último." Na categoria Melhor Seleção de Elenco, o jornalista afirma que seria "uma boa alternativa" conceder o prêmio para o Brasil, mas pondera: "eu tenho uma teoria de que as pessoas que não votarem em 'Pecadores' para Melhor Filme vão votar nele para Melhor Seleção de Elenco. Por isso, segundo Salem, "O Agente Secreto" não tem tantas chances quanto "Pecadores" para vencer essa estatueta. A melhor chance brasileira A categoria em que o Brasil aparece mais forte é a de Melhor Filme internacional. O principal adversário é o norueguês “Valor Sentimental”, que acumula impressionantes nove indicações, além de contar uma história sobre um diretor de cinema, o que sensibiliza muitos votantes. Ainda assim, muitos analistas acreditam que o filme não conseguiu criar a mesma conexão emocional com os membros da Academia e essa categoria seria a de maior chance do Brasil levar um Oscar para casa. “Eu não sinto que a campanha de 'Valor Sentimental' engrenou aqui. Por mais que tenha nove indicações, é muita coisa para um filme internacional. Mas eu acho que é um filme muito frio", observa Salem. Segundo o jornalista, o longa de Kleber Mendonça Filho fez uma campanha estratégica. “Acredito que isso esteja valendo muito mais a pena hoje em dia no cinema: você ter um filme inesperado, que te leva para situações ou lugares que você normalmente não vê em uma série de TV ou em um filme hollywoodiano", diz. Adolpho Veloso e a corrida pela fotografia O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso concorre ao Oscar por seu trabalho em “Sonhos de Trem”, de Clint Bentley, um filme intimista que começou pequeno, sem pretensão de se tornar um gigante da temporada de premiações. O longa acabou conquistando espaço pela...
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  • Maestra brasileira Andréa Botelho estreia em orquestra alemã com Pixinguinha no repertório
    2026/03/07
    A maestra carioca Andréa Huguenin Botelho, radicada há 17 anos na Alemanha e já reconhecida por sua trajetória na música erudita, está prestes a encarar um desafio para poucos. Ela acaba de se tornar a primeira mulher a ocupar o posto de regente titular da Orquestra Sinfônica do Palatinado Ocidental, tradicional da cidade de Kusel, no oeste da Alemanha, com mais de 130 anos de história. Para o concerto de estreia, marcado para 21 de junho, Andréa adiantou que fará questão de incluir a música brasileira no programa: Pixinguinha deverá representar o país no palco. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha Andréa contou à RFI como foi o processo de seleção para reger a orquestra: “O processo para você ser escolhido para uma orquestra, seja ela amadora, semi-profissional ou profissional, aqui na Alemanha, demora um pouquinho, porque é muito difícil. É um processo que eu acho muito bonito, porque, além da sua competência, você é escolhido pelos músicos da orquestra. A orquestra tem a voz para escolher o seu líder. Dentro das entrevistas que a gente tem de fazer, a gente tem que dizer o nosso conceito, porque a orquestra vai ter a minha cara. Então, eu falei que o meu conceito é que nenhum repertório, nenhum concerto vai ser só com obras de homens”. Pesquisar e dar visibilidade a compositoras atuais e do passado se tornou uma das missões da maestra. Além, é claro, de trazer mais mulheres para os palcos. “Até metade do século 20 e até hoje, a gente tinha um problema de que as mulheres tinham dificuldade de entrar no mercado de trabalho de orquestras. O que se faz na seleção de músicos agora são as blind auditions, onde o teste é feito atrás de um biombo para a gente não ver quem está lá. E isso surgiu porque se descobriu que, quando se fechava o biombo e as pessoas não sabiam quem estava tocando, começou a aumentar o número de mulheres nas orquestras.” Andréa é curadora da série de apresentações Komponistin! (ou Compositora!, em alemão), que ocorre em Berlim, e também é membro do conselho do arquivo musical Frauen und Musik (Mulheres e Música), instituição baseada em Frankfurt focada na redescoberta, valorização e divulgação de obras de compositoras historicamente negligenciadas. Música erudita, um mundo masculino A percepção de que o mundo da música erudita era bastante masculino ocorreu ainda cedo, no Rio de Janeiro, quando Andréa começou sua carreira. “Quando fui falar com meu professor na época em que eu queria reger, ele disse: ‘não sabia que você era de igreja’. Eu disse que não era. Mas é que na cabeça dele, mulheres só regiam corais de igreja”. Foi na Rússia – um dos países fundamentais para sua trajetória musical, ao lado de Alemanha e Estados Unidos – que veio a ideia de começar a pesquisar o trabalho de autoras mulheres: “A virada de chave foi exatamente em São Petersburgo, onde fui chamada para reger uma obra de Shostakovich, que é um dos compositores que mais aprecio. Quando fui estudar a ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, vi que ela degrada a mulher de uma forma, até com um estupro coletivo na personagem principal. É muito pesado. E aí eu falei, ‘mas peraí, eu garanto que mulher não ia escrever isso.’ Daí logo pensei: mas será que elas escreveram?” Não só elas escreveram sobre muitos temas, como a maestra estará apresentando algumas de suas mulheres preferidas da música em um concerto neste domingo (8), dia da mulher, no mesmo castelo Britz, em Berlim, tendo no repertório Ivone Lara, Elza Soares, Dinorá de Carvalho, Maria Amélia e Babi de Oliveira, entre outras. Música brasileira em escola alemã A divulgação da música brasileira também tem ocupado a atribulada agenda da maestra Andréa na Alemanha. Em 2016, ela criou o Brasilianische Musik in der City West, um programa dedicado exclusivamente ao ensino da música do Brasil a estrangeiros, e inteiramente financiado pelo governo alemão. Para Andréa, há diferenciais que valorizam a música de seu país natal. “A música brasileira não proporciona o que a gente chama de estranhamento cultural. Como a música europeia teve um berço enorme, ela teve o seu caminho pelo Brasil, e também a gente teve as relações com as músicas de países africanos, e ela se mesclou. E na década de 1960, com as misturas do jazz, a música brasileira se tornou uma música muito agradável para diversas culturas”. Parceria com a filha Nos últimos anos, Andréa conta com a parceria de alguém bastante próximo, sua filha Duda Botelho que, aos 17 anos, já é uma contrabaixista que acumula prêmios, como o Concurso Internacional de Música Grunewald e o prêmio do Festival Internacional de Contrabaixo da Bélgica. “O trabalho da minha mãe foi uma grande influência, não só no meu repertório, mas também na minha musicalidade e técnica no contrabaixo. Ao longo dos anos, conforme ela foi ...
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  • Pela primeira vez, uma brasileira assume cargo administrativo e jurídico que existe há 223 anos na Suíça
    2026/02/28
    Uma brasileira que mora há mais de 25 anos na Suíça vai assumir o cargo de autoridade administrativa e judicial da região metropolitana de Lausanne, que é a quarta maior cidade do país. A partir da próxima segunda-feira (2), a socióloga Carine Carvalho Arruda, de Fortaleza (CE), que já foi vereadora, duas vezes deputada estadual no Cantão de Vaud e diretora da Secretaria de Igualdade da Universidade de Lausanne, começa a atuar na nova função. Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça Carine entra para a história ao se tornar a primeira pessoa nascida no Brasil a ocupar a função de préfète – cargo considerado estratégico por garantir a proximidade entre a administração pública e as cidadãs e os cidadãos suíços. Em entrevista exclusiva à RFI, ela detalhou o que fará na prática, explicou se existe no Brasil alguma função comparável à dela, contou como foi o processo de seleção – Carine foi nomeada pelo governo do Cantão de Vaud – e revelou quais competências pesaram a seu favor. Uma das atribuições desse posto, criado há 223 anos, é atuar como “autoridade judicial de primeira instância”. Carine explica que, quando cidadãos cometem um delito, uma contravenção, recebem uma multa ou uma advertência, são denunciados à prefeitura, que pode convocá‑los para ouvir as partes envolvidas. “É uma função interessante porque evita que as pessoas sejam automaticamente denunciadas aos tribunais, que acabem com uma ficha penal, ou tenham depois dificuldades para pagar advogado etc. Então, impede que as pessoas sejam judicializadas. E tem uma ideia de bom senso: escutar as pessoas, entender quais são suas dificuldades e julgar as situações mais simples”, afirmou a brasileira, que recebeu a reportagem da RFI na Secretaria de Igualdade da Universidade de Lausanne, no seu último dia de trabalho ali, após 18 anos atuando na instituição. Cargo sem equivalente no Brasil E no Brasil, existe algum cargo semelhante? Carine explica que não. Apesar de o nome em francês, préfète, remeter à palavra “prefeita” em português, a função não tem qualquer relação com o cargo exercido pelos prefeitos de cidades brasileiras. “É um falso amigo nesse sentido, porque, na verdade, nós somos um emissário do governo, uma autoridade judicial e administrativa para uma região específica. E é um cargo muito ligado à relação entre o governo e os municípios, ligado também à supervisão da ação municipal, à supervisão das eleições e das votações. Nós supervisionamos também alguns cargos da administração.” Ela conta que outra parte do trabalho envolve conceder uma série de autorizações — por exemplo, permissões de pesca, de caça e de venda de produtos de tabaco. “Não existe essa mesma função no Brasil, mas é uma função importante aqui, que existe desde 1803, desde a criação do cantão de Vaud. Desde a sua independência, foram criados os distritos e a função de prefeito de cada um.” O processo de escolha para o cargo Em nota, o governo do cantão de Vaud destacou a trajetória da brasileira por combinar experiência política, responsabilidade administrativa e dedicação ao serviço público. À RFI, ela explicou como é o processo de escolha para um cargo assim. Disse, por exemplo, que não precisa ser advogado, mas ter experiência institucional, conhecer bem o governo, a sua organização, a administração pública, as políticas públicas. “Eu, como já tinha vários anos no serviço público, tinha um perfil interessante. Já fui deputada e vereadora, então, conheço bem a organização política institucional do nosso cantão. É isso que foi valorizado e é importante, porque nessa função vamos estar em contato com as prefeituras dos municípios, as administrações municipais e a administração cantonal, estadual.” O que pesou a favor A RFI perguntou à brasileira quais habilidades dela contaram a favor para a nomeação. “Você tem que saber ler as leis e aplicá-las, ter clareza na comunicação com os outros. É importante ter uma certa sensibilidade ao serviço público, à coletividade, ao bem estar comum. Como vamos julgar situações, temos que julgá-las de acordo com a lei, mas também de acordo com o bom senso e com o senso de justiça.” Também, é importante, segundo ela, ser uma pessoa que dialogue bem, porque o cargo prevê a mediação quando há, por exemplo, problemas dentro de uma prefeitura ou entre municípios. Mas não para por aí. Carine deve atuar também em problemas mais corriqueiros. “Uma das funções que nós temos é de presidir uma comissão de conciliação entre proprietários e locatários de imóveis, por exemplo, então se você tiver um problema no seu apartamento com o proprietário, sobre o estado do apartamento, o aluguel, primeiro, pode tentar uma mediação na prefeitura. Então, a gente tem esse papel de achar uma solução comum ...
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  • Produções brasileiras destacam temas íntimos e universais na Berlinale
    2026/02/15

    O Brasil representado este ano na Berlinale ilustra bem a tradição do Festival de Cinema de Berlim: um evento engajado e atento às múltiplas facetas do mundo. Entre os filmes brasileiros exibidos em diferentes seções, muitos exploram dilemas existenciais, revelando como o cinema nacional aborda, à sua maneira, temas universais. As questões da família, da velhice e, principalmente, do luto permearam as narrativas apresentadas na capital alemã nos primeiros dias de programação.

    Silvano Mendes, enviado especial da RFI a Berlim

    Coincidência ou não, o luto esteve presente em ao menos três produções brasileiras exibidas no festival. Uma delas é “Nosso Segredo”, primeiro longa-metragem de Grace Passô, que mergulha na intimidade de uma família mineira lidando com a morte do pai, enquanto fenômenos misteriosos mantêm o espectador em alerta até o último minuto.

    A trama, que flerta com o surrealismo, expõe a dificuldade de enfrentar perdas – que podem se manifestar das maneiras mais inesperadas. “’Nosso Segredo’ é um filme que fala sobre a capacidade das pessoas de se juntarem dentro de um universo afetivo para tentar vencer seus traumas, seus problemas. Fala da capacidade de união”, comentou Grace pouco antes da estreia mundial do longa, na noite de sábado (14).

    Outro filme que aborda essa temática, ainda que de forma secundária, é “Feito Pipa”, de Allan Deberton, que acompanha a história de um garoto criado pela avó desde a morte da mãe. A relação entre os dois é abalada quando a avó adoece, e o menino tenta esconder a situação temendo ter que morar com o pai – alguém que, segundo ele, “deveria ter morrido no lugar da mãe”, como esbraveja o pequeno Gugu, interpretado com grande sensibilidade por Yuri Gomes, um ator baiano de 11 anos.

    O luto em um road movie introspectivo

    A questão do luto e as formas de enfrentá-lo também estão no centro de “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, dirigido por Janaina Marques. Rodado no Ceará, o longa começa com ares de Thelma & Louise: duas mulheres na estrada, fugindo e, ao mesmo tempo, se reencontrando.

    Entre sonho e realidade, Rosa revisita sua relação com a irreverente mãe, Dalva, que passou anos presa por matar um homem prestes a cometer feminicídio. Juntas, embarcam em uma viagem delirante, buscando reencontrar memórias de um período em que poderiam ter sido felizes.

    Aqui, a perda é vivida como uma imersão no inconsciente da protagonista. Rosa deseja “matar essa mulher que já não se reconhece na vida, para fazer renascer uma nova mulher”, resume a diretora, que enxerga nessa busca uma forma própria de elaborar o luto.

    Em “Se eu fosse vivo… vivia”, de André Novais Oliveira, a morte de um ente querido é o mote inicial. “O projeto veio do luto que a gente viveu, com minha família e meus amigos, com a morte da minha mãe”, conta o cineasta, que se inspirou nessa dor para retratar um casal que segue apaixonado após 50 anos juntos.

    O filme começa nos anos 1970, com uma cuidadosa reconstituição da época em que os protagonistas – interpretados na juventude por Jean Paulo Santos e Tainá Evaristo – ainda namoravam. Em seguida, o espectador acompanha o casal já idoso, refletindo sobre como cada um lidaria com a ausência do outro. Entre as cenas mais marcantes, está o momento em que Jacira, a personagem principal, sugere que o marido Gilberto poderia se casar com a cunhada após sua morte.

    O longa de André Novais é um verdadeiro projeto familiar: o personagem de Gilberto é interpretado pelo próprio pai do diretor, Norberto Novais Oliveira, cuja atuação impressiona pelo realismo. Ele dá vida, com extrema delicadeza, a um idoso como tantos encontrados nas famílias brasileiras, que enfrenta o luto pela companheira de décadas.

    Ator não profissional, ele contracena com a escritora Conceição Evaristo, que também surpreende em sua estreia como atriz. “Ter ela na equipe foi bem especial. Mesmo não tendo experiência como roteirista, ela ajudou bastante a pensar também o roteiro”, comenta o diretor.

    A Berlinale continua até o próximo sábado (21).

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  • Longa brasileiro 'Antônio Odisseia' concorre no Slamdance Film Festival em Los Angeles
    2026/02/14

    Entre dezenas de produções independentes do mundo inteiro, um filme brasileiro marca presença na competição do Slamdance Film Festival, que começa no próximo dia 19, em Los Angeles. É com a estreia mundial de “Antônio Odisseia” que o Brasil desembarca no evento conhecido por revelar grandes nomes do cinema como Sean Baker, Christopher Nolan e o sul-coreano Bong Joon-ho. O longa, dirigido pelo paranaense Thales Banzai, leva à tela uma jornada intensa, caótica, visceral e bem brasileira.

    Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

    Na história, Tony e sua melhor amiga, Ivy, assaltam o bar onde ele trabalha e roubam drogas que os levam a uma odisseia surrealista rumo a um encontro com Deus. O que começa como um roubo impulsivo rapidamente se transforma em uma jornada existencial, atravessada por delírio, espiritualidade e encontros inesperados.

    O cineasta Thales Banzai mora em Los Angeles desde 2020 e depois de anos tentando viabilizar projetos por editais e plataformas, decidiu apostar em uma produção completamente independente.“A gente financiou por conta da nossa produtora, a Seiva, que é a nossa coprodutora no Brasil, e produtores, amigos, próximos passaram o chapéu, todo mundo botou uma grana no filme porque acreditava no projeto e a gente resolveu fazer", diz.

    Filmado no fim de 2024, em São Paulo, em 17 dias, o roteiro foi desenvolvido ao lado de Kelson Succi, artista vindo do teatro e que também interpreta Antônio. Uma mistura de universos que ajudou a definir o tom do filme em uma produção toda em preto e branco.

    “Eu adoro trabalhar em preto e branco, fotografo em preto e branco faz muito tempo. Então é algo que consigo trabalhar nessa linguagem com facilidade e de que gosto muito. Dentro da nossa situação de produção, ajuda muito num filme de baixo orçamento, para a gente conseguir fazer, trazer mais valor de produção com menos, conseguir filmar mais rápido com poucos recursos de luz, criar uma situação expressiva interessante”, reitera.

    Além da trilha sonora (assinada por Kiko Dinucci e arranjo de cordas de Arthur Verocai) também ser peça central da narrativa, costurando realidade e delírio, o filme reúne participações especiais de Antônio Pitanga, Teuda Bara (que faleceu em dezembro), Leci Brandão e Chico César (narração).

    “O mais difícil foi chegar o roteiro no Pitanga, mas quando chegou, ele leu e curtiu muito. Foi a parte que também deu energia, colocou ainda mais energia. Ele falou que [o roteiro] lembrava dos personagens que fazia nos anos 1960 e 1970 e que estava animado", relembra.

    Festival alternativo

    Criado há mais de 30 anos como uma alternativa independente, o Slamdance aconteceu durante décadas simultaneamente ao Festival de Sundance em Park City, aproveitando a concentração de profissionais da indústria que já estavam na cidade nessa época do ano. Mas, a partir de 2025, o festival saiu de Utah e se estabeleceu em Los Angeles, marcando uma nova fase na capital do cinema.

    “Eu sinto que pra todo mundo com quem eu falo, e que está mais ligado na indústria, esse é um festival que todo mundo curte muito e admira muito, porque é feito com uma curadoria real. É um processo super democrático de pessoas que fazem filmes mesmo e que assistem a todos os filmes e debatem extensivamente o que deve entrar", diz Banzai.

    Para ele, o momento é propício ao cinema brasileiro, principalmente diante do sucesso de "Ainda Estou Aqui" e "Agente Secreto". “Acho que é algo que a gente pode começar a dar esses passos no Brasil, também, de sair só dos grandes cinco festivais, Cannes, Berlim, Toronto, Oscar e Veneza, e conseguir olhar para outros lugares, que são também super catalisadores de carreiras no mundo todo não só aqui”, diz Thales.

    Uma coprodução Brasil–Estados Unidos, “Antônio Odisseia”, chega a Los Angeles com apresentações nos dias 23 e 24 de fevereiro dentro da programação do Slamdance Film Festival.

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  • Wikipédia: projeto completa 25 anos em cenário tumultuado por inteligência artificial
    2026/02/08
    Lançada há 25 anos como um inovador projeto de enciclopédia colaborativa e acessível a todos, a Wikipédia hoje é uma consolidada fonte de informação e conhecimento. Mas, assim como grande parte da internet que conhecemos, a enciclopédia se vê diante dos problemas e das soluções introduzidas pela mais disruptiva novidade dos últimos anos: a presença massiva e permanente da inteligência artificial. Edison Veiga, correspondente da RFI em Bled, Eslovênia A versão em português da Wikipédia, chamada pelos wikipedistas de Wikipédia Lusófona, é um gigantesco manancial de conhecimento. Ela foi inaugurada em maio de 2001, cinco meses depois da fundação do projeto global, em inglês, e tem hoje quase 1,2 milhão de verbetes. O administrador e editor da Wikipédia Lusófona, Rodrigo Padula, é um dos mais experientes membros atuantes do projeto. Formado em Ciências da Computação, com mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele analisa os gargalos do atual cenário e fala com a autoridade de quem está no projeto há 20 anos. “Chega aos 25 anos com um sucesso colaborativo que nenhum projeto similar alcançou. É um dos maiores projetos colaborativos já criados pela humanidade”, avalia em entrevista à RFI. IA afeta uso da Wikipédia A inteligência artificial, cada vez mais presente nos ecossistemas digitais, também está afetando diretamente a maneira como a Wikipédia vem sendo utilizada. Para os wikipedistas, é um momento de encruzilhada histórica. E muita reflexão para que o modelo colaborativo não só resista, como saia ainda mais fortalecido. Padula acredita que a Wikipédia enfrenta um momento “turbulento” e de “grandes desafios”: “O maior desafio hoje é essa transição do modelo de busca de conteúdo na internet para um modelo de respostas mais sintéticas com o surgimento desses vários mecanismos de busca usando inteligência artificial”, explica. O usuário comum de internet já notou. Cada vez mais, o resultado de uma busca é resolvido com as informações resumidas trazidas pelo próprio motor de busca, fazendo com que não seja mais necessário clicar nos links para obter a informação desejada. Se, por um lado, isso parece facilitar a vida do internauta, por outro, tem minado o acesso a sites tanto de jornalismo quanto de informação de referência, como no caso da Wikipédia. Por conta do volume de informações e da credibilidade construída ao longo dos últimos 25 anos, a Wikipédia se tornou uma das principais fontes de conteúdo que alimenta as plataformas de inteligência artificial. Os textos acumulados em mais de 61 milhões de artigos disponíveis em 321 idiomas servem não só para munir as gigantescas bases de inteligência artificial com informações e dados, como também para sedimentar a linguagem desses sistemas, que cada vez mais se assemelham a uma comunicação humana natural. “Esse problema do extrativismo de dados a gente vem enfrentando e vamos enfrentar, mas a gente não pode ser a fonte de conteúdo para alimentar esses algoritmos hoje, tornando-os úteis e funcionais, e isso matar o projeto a médio e longo prazo”, argumenta Padula. Voluntários Outro problema trazido por Padula é a carência de voluntários. A Wikipédia Lusófona conta hoje com quase 5 mil editores wikipedistas ativos. Há cinco anos, eram mais de 10 mil. Conforme explica o administrador Padula, são considerados ativos todos os voluntários que trabalharam em pelo menos cinco artigos nos últimos 30 dias. “Estamos entre o prestígio da credibilidade construída e a fragilidade de nossa comunidade que não vem se renovando muito ao longo dos últimos anos”, diz o administrador. “A gente tem um volume muito pequeno de colaboradores para um volume crescente de conteúdo que foi criado, precisa ser mantido e atualizado.” No meio de tantas transformações, não faltam perguntas sobre o futuro da Wikipédia. Mas as respostas para que a plataforma continue se renovando, se atualizando e permanecendo relevante para uma sociedade que, cada vez mais, precisa de conteúdos informativos isentos, responsáveis e comprometidos com a verdade parecem apontar para um elemento essencial: a humanidade por trás da tecnologia. A Wikipédia, afinal, nasceu das contribuições de pessoas. E, a julgar pelo que conta o administrador brasileiro Padula, pretende continuar assim. “Mesmo com todas as transformações de inteligência artificial, a base humana da Wikipédia continua sendo relevante. “E temos de trabalhar cada vez mais fortes e focados para que a Wikipédia continue sendo relevante”, diz Padula.
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  • Casal de mágicos brasileiros transforma sonho de infância em carreira em Portugal
    2026/01/31
    Por mais de 30 anos, o ilusionismo tem sido não apenas uma paixão, mas a profissão de André Corrêa, conhecido artisticamente como Andrély, e sua esposa, Flávia Molina. Nascidos no Rio de Janeiro, o casal encontrou em Portugal o cenário perfeito para transformar o encanto em carreira, conquistando plateias de todas as idades e mantendo viva a tradição de uma arte milenar. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa Desde a infância, André Corrêa se encanta pelo impossível. “Eu tinha nove anos, vi um mágico na televisão, num programa americano chamado The Magic Castle, e pensei: ‘poxa, mágico é legal’”, lembra. A curiosidade se tornou paixão quando, ao passar em frente a uma loja, viu a primeira “caixa de mágica”. “Fui picado pelo vírus da mágica. É um vírus que te pica e não sai mais do corpo”, diz Andrély. A partir de então, começou a estudar sozinho, economizando para comprar livros, frequentando bibliotecas e aprendendo truques cada vez mais complexos. Aos 12 anos, Andrély fez seu primeiro show profissional em uma festa infantil no Rio de Janeiro, acompanhado pelo pai. “Foi a primeira vez que falei em público. Eu era tímido, mas tive coragem e foi muito legal”, recorda. Entre bibliotecas, festivais e encontros com outros mágicos, ele se aprofundou na arte, descobrindo os diversos ramos do ilusionismo: close-up, manipulação, grandes ilusões, mentalismo e até hipnose de palco. A trajetória de Andrély se entrelaça com a de Flávia Molina, também ilusionista, que conheceu ainda no Brasil. “A magia nos une muito. Às vezes queremos brigar, mas vemos um truque e esquecemos a discussão”, conta Flávia filha do dono do Circo Molina. O casal compartilha não apenas a vida, mas o palco, criando números que combinam técnicas clássicas e inovações modernas, muitas vezes com elementos digitais, luzes e interação com o público. Entre shows, viagens e preparação para festivais internacionais, encontram tempo para a família e para o constante desenvolvimento da arte. “A magia é quase um vício para nós, mas é o que nos realiza, nos desafia e nos conecta com o público”, afirma Andrély. “É uma arte que te pica, como a música ou a pintura. Você se apaixona e nunca mais larga.” Portugal: um novo começo Chegar a Portugal, há mais de 20 anos, significou um novo começo. “Quando viemos, minha filha tinha apenas dois anos. Trabalhei alguns meses em uma loja de mágica até começar a receber convites para shows”, lembra Andrély. A adaptação ao mercado português foi rápida: os portugueses, acostumados a programas de televisão com mágica e hoje à presença digital de mágicos na internet, demonstram grande interesse e entusiasmo. “Os espetáculos de magia esgotam com facilidade, seja com shows de comédia, grandes ilusões ou close-up. Há público para todas as categorias”, explica Andrély. O público brasileiro, porém, apresenta diferenças sutis. Em cidades brasileiras, há grande demanda por shows teatrais ou festas infantis, enquanto o público português aprecia o entretenimento corporativo, festas privadas e espetáculos familiares. “No Brasil, o close-up é mais difícil de fazer porque o público quer descobrir o segredo, compete com o ilusionista tentando descobrir a magia. Em Portugal, as pessoas se encantam, aproveitam o momento, prestam atenção, sem se preocupar em decifrar os truques”, comenta Andrély. O encantamento que proporcionam ao público é, para ele e Flávia, a maior recompensa: “O sorriso das crianças, os aplausos dos adultos, isso faz a gente querer evoluir cada vez mais”, completa Flávia. Festivais internacionais Em fevereiro, o casal estará em Blackpool, na Inglaterra, para participar do maior congresso de mágica do mundo, onde 4 mil mágicos se reúnem para workshops, conferências e apresentações. “É essencial se reciclar, conhecer novas técnicas e produtos, e aprender com outros profissionais”, diz Andrély. A carreira também é marcada pela versatilidade: da grande ilusão em teatros a números de comédia interativos, ele adapta seus shows ao público. O ilusionista leva a magia a lugares inusitados, como centros de Alzheimer, onde a plateia, mesmo com dificuldades cognitivas, conecta-se profundamente com o espetáculo. O retorno da plateia transforma cada apresentação em um momento único para ambos, salienta ele. Quando questionado sobre a essência de sua arte, Andrély resume: “O que encanta é ver o impossível acontecer ao vivo, como efeitos especiais de um filme, mas diante dos seus olhos. As pessoas sabem que é truque, mas o impossível parece real”. Dicas para os novos ilusionistas As tecnologias podem representar uma oportunidade para a profissão, nota ele. “A magia vai continuar sendo necessária, especialmente em tempos de tecnologia e inteligência artificial. As pessoas querem ver a experiência ao vivo, sentir o ...
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  • Alta nos pedidos de repatriação revela vulnerabilidade e discriminação vividas por brasileiros em Portugal
    2026/01/25
    O fluxo migratório de brasileiros em Portugal está passando por mudanças significativas. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que em 2025 foram 231 pedidos de retorno ao país entre janeiro e outubro, bem acima dos 149 pedidos de todo o ano anterior. Este aumento, segundo a OIM, reforça o papel do maior consulado brasileiro da Europa em meio a relatos de vulnerabilidade, violência e discriminação em Portugal. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa Os dados dos dois últimos meses do ano ainda estão sendo consolidados. Mas o aumento já identificado revela uma combinação de fatores econômicos, sociais e emocionais que têm levado parte da comunidade brasileira a reavaliar a permanência no exterior. No centro desse cenário está Portugal, que abriga hoje cerca de 800 mil brasileiros, a maior comunidade brasileira fora do país. Somente em Lisboa vivem aproximadamente 400 mil brasileiros, número que transformou o Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa na maior unidade consular da Europa em volume de atendimentos. Segundo o cônsul-geral Alessandro Candeas, o consulado de Lisboa “abriga hoje a maior comunidade brasileira fora do continente americano. São mais de meio milhão de pessoas vivendo, trabalhando e construindo novas histórias em Portugal”, afirma. Ao longo de 2025, o consulado analisou 85.677 requerimentos de serviços por meio do sistema e-consular. Desse total, 15.826 foram pedidos de passaporte e autorizações de retorno ao Brasil — um dado que dialoga diretamente com o aumento apontado pela OIM. Outros 13.642 atendimentos envolveram atos notariais, como registros de nascimento, procurações e reconhecimentos de assinatura. O setor de Assistência a Brasileiros realizou 2.745 atendimentos, incluindo orientação jurídica e psicológica, além de milhares de respostas a e-mails e consultas presenciais. A “caixa de ressonância” da comunidade brasileira De acordo com Alessandro Candeas, o consulado funciona como uma espécie de termômetro social da comunidade brasileira em Portugal: “Identificamos, muito claramente, que cresceu o número de brasileiros que buscam o consulado e dizem que querem voltar ao Brasil”. Ele destaca que o papel do brasileiro em Portugal é frequentemente retratado de forma negativa no debate público, o que não condiz com a realidade econômica e social. “O papel do imigrante brasileiro em Portugal é muito estereotipado e muito injusto. O brasileiro é um imigrante produtivo”, ressalta. Segundo o cônsul-geral, os brasileiros exercem funções essenciais no mercado de trabalho português, pagam impostos e contribuem de forma significativa para a previdência social do país. “A mão de obra necessária para o mercado português não compete com nenhum emprego ocupado por cidadão português. Muitos brasileiros ocupam posições que estão vazias porque a mão de obra portuguesa está em outros países”, explica Candeas. Vulnerabilidade, violência e saúde mental Outro dado que chama a atenção nos registros consulares é o crescimento dos atendimentos psicológicos, especialmente relacionados a vulnerabilidade social e violência. Casos de sofrimento emocional, conflitos familiares e violência de gênero têm sido cada vez mais relatados por brasileiros que procuram ajuda institucional. Para Candeas, esse aumento reflete não apenas dificuldades individuais, mas também o impacto do isolamento, da pressão econômica e das experiências de discriminação vividas por parte da comunidade. Leia tambémAumento da demanda por apoio psicológico entre migrantes gera novas frentes em saúde mental Racismo, xenofobia e bullying contra brasileiros Os temas da xenofobia e do racismo entraram oficialmente na agenda diplomática entre Brasil e Portugal. Segundo o cônsul-geral, trata-se de uma estratégia ampla, que envolve diferentes frentes do poder público e da sociedade civil. “É preciso trabalhar em políticas públicas comparadas, legislação, judiciário e sociedade civil. Não adianta você ter uma legislação robusta se o judiciário não faz sua parte”, afirma. Entre as iniciativas previstas está o programa “Amigos do Brasil”, voltado para escolas portuguesas, com foco em crianças e adolescentes — especialmente filhos de brasileiros que enfrentam episódios de bullying. Leia tambémFamília de menino brasileiro mutilado em escola de Portugal inicia acompanhamento psicológico “Há criancinhas que chegam chorando em casa. ‘Você não fala português’. Como assim? Eu falo português”, relata o embaixador. O programa prevê concursos de redação, vídeos e músicas, além de parcerias público-privadas que podem resultar em intercâmbios e viagens ao Brasil. “A ideia é transformar o problema em algo positivo”, resume Candeas. Entre o aumento do retorno ao Brasil, a sobrecarga dos serviços consulares e a criação de políticas de enfrentamento ...
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