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Brasil-Mundo

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著者: RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Luso-brasileiros estão entre os vencedores do 'Concurso Sardinhas' de Lisboa
    2026/06/06
    Os artistas conquistaram o júri da competição que reuniu trabalhos de 66 países, como Brasil, Moçambique, Dinamarca, Canadá, Chile e Austrália Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa A sardinha está para os Santos Populares em Portugal assim como o milho para as festas juninas no Brasil. E, neste ano, há dois talentos luso-brasileiros ajudando a dar cara nova ao peixe: o carioca Eduardo Ferrão e Letícia Amaral de Araújo, natural de Belo Horizonte. Eles são dois dos cinco vencedores da 16ª edição do “Concurso Sardinhas” de Lisboa, que neste ano recebeu 3.128 desenhos, enviados por 1.762 autores de 66 países. O resultado surpreendeu Letícia e Eduardo. “Quando chegou o e-mail [com o resultado], eu até tive que conferir algumas vezes. Eu não sabia se era golpe ou coisa do tipo, né? Para ver se era sério mesmo. E eu fiquei super satisfeito, porque é um concurso que acho muito bonito”, conta o designer gráfico. A notícia, que chegou por meio de uma ligação telefônica, foi recebida por Letícia com surpresa e felicidade. Ela também explica que, por retratar na sardinha uma cena tipicamente portuguesa, havia o receio de cometer algum equívoco. No entanto, a aprovação do júri português afastou qualquer dúvida. “Achei que [o resultado] validou a minha ideia”, afirma a designer. O concurso foi criado em 2011 pela EGEAC, empresa pública que promove ações culturais em Lisboa. O objetivo dos organizadores é estimular a participação e a criação artística, desafiando amadores e profissionais das artes a criar novas roupagens para a sardinha. As propostas vencedoras são utilizadas como imagem da campanha visual das tradicionais festas dos santos populares, equivalentes às festas juninas no Brasil. 'Bolo de arroz' Para participar da competição, Eduardo Ferrão se inspirou no projeto “O Último Bolo de Arroz de Lisboa”, lançado por uma associação de moradores que busca proteger, valorizar e dar visibilidade a cafés e pastelarias que fazem parte da história dos bairros. Chamou a atenção do designer gráfico a notícia de que muitos desses estabelecimentos tradicionais estão fechando as portas devido ao aumento do preço dos aluguéis e das matérias-primas, além de estarem sendo substituídos por comércios voltados a turistas e moradores estrangeiros com alto poder aquisitivo. Quando leu sobre o assunto, ele não teve dúvidas. “Foi como uma revelação, sabe? E aí a ideia estava ali”, relembra. A “Bolo de Arroz”, assinada pelo luso-brasileiro, molda o famoso doce português no formato de sardinha. A ilustração destaca a textura fofa da massa, a icônica crosta de açúcar no topo e a base envolta na clássica cinta de papel vegetal. “Fico realmente esperando que [a minha ilustração] abra o apetite das pessoas, sabe? Assim que passarem por uma pastelaria, peçam um bolo de arroz”, pede o carioca, que espera que sua criação também possa ajudar a manter o bolo de arroz e sua receita tradicional nas pastelarias portuguesas. “O Telefone das Coscusvilheiras” Na sardinha, a que deu o nome de "O Telefone das Coscuvilheiras”, Letícia Amaral de Araújo recorreu ao bom humor ao fazer uma leitura de uma cena cotidiana: a coscuvilhice de quem fica à janela ou na sacada dos apartamentos a fofocar e até a monitorar a vida alheia. “Este exagero visual não busca realismo, mas sim evidenciar um comportamento social reconhecível: o prazer na conversa e na construção coletiva de histórias”, destaca a EGEAC na descrição oficial do projeto. A ilustração da mineira destaca duas varandas tradicionais com uma senhora em cada lado a estender roupa na espinha dorsal da sardinha, que ganha nova vida como um varal e um "telefone de lata” ao mesmo tempo. Uma cena que resgata os conhecidos telefones de copinho ou de barbante das brincadeiras infantis. “E essas duas senhoras estão a se comunicar por meio de um telefone de lata, que eu fiz essa analogia com o varal”, explica Letícia. Sardinhas de Lisboa Além das sardinhas “Bolo de Arroz” e “O Telefone das Coscuvilheiras”, também conquistaram o júri da competição as ilustrações portuguesas “Sardinha Guitarrista” e “Patrimônio Fragmentado” e a “Tomatazo”, do Uruguai. O autor de cada uma delas ganhou um prêmio em dinheiro no valor de 1.500 euros (quase R$ 9 mil na cotação atual). A maior recompensa para os vencedores, contudo, é ter as sardinhas exibidas nos ônibus e no metrô da capital, nos painéis publicitários e nas decorações dos arraiais. Eduardo Ferrão, que vive na cidade do Rio de Janeiro, pensa até em ir a Lisboa para não perder a festa. “Eu ainda estou considerando isso, se pego semana que vem um voo. Enfim, vamos ver. É um evento muito relevante para a cidade, e eu gostaria muito de fazer parte desse momento”, confessa. Letícia, que mora há seis anos em Lisboa, já teve a chance de ver o resultado de seu trabalho e ...
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  • Exposição de fotógrafo brasileiro em Portugal transforma basquete de rua em manifesto visual
    2026/05/30
    Entre o concreto das cidades e o eco das quadras, o basquete de rua ganha densidade, memória e significado no olhar do fotógrafo brasileiro Dante Prochet. Em sua primeira exposição, no Porto, ele constrói uma narrativa visual que ultrapassa o esporte e se firma como um retrato sensível de identidade, pertencimento e vida urbana. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa Nas imagens de Dante Prochet a quadra não é apenas um espaço delimitado por linhas, mas também um território simbólico. É ali que corpos se movem, histórias se cruzam e comunidades se formam. É dessa matéria viva que nasce a mostra “Basquete: O Manifesto”. A exposição de estreia do fotógrafo brasileiro em Portugal revela um olhar autoral consistente. Aos 20 anos, vivendo há cinco no país, o fotógrafo apresenta um trabalho que surpreende pela maturidade e pela clareza de intenção. O projeto teve origem em um livro, concebido como trabalho final acadêmico e, que ganha escala e intensidade em novo contexto. As imagens, ampliadas, impressas com cuidado e distribuídas de forma a manter o ritmo narrativo do livro, convidam o espectador a uma experiência mais lenta, quase imersiva. “Manifesto”, aqui, não é metáfora vazia e sim, como define o próprio artista, uma declaração. “Quis mostrar, pelas minhas fotos, a cultura do basquete de rua”, explica. Ele faz isso deslocando o olhar do jogo em si para os elementos que o sustentam e carregam história: os encontros, os códigos, os gestos e os espaços. Lisboa e Nova York O trabalho se organiza a partir de um eixo geográfico e simbólico, entre Lisboa e Nova York. Duas cidades que, à primeira vista, pouco têm em comum, mas que se aproximam na linguagem universal do basquete de rua. “Nova York é o centro desse universo, com quadras icônicas por onde passaram e ainda passam jogadores da NBA e grandes nomes do basquete mundial. São espaços carregados de história, quase míticos dentro da cultura do esporte. O que me interessava era justamente colocar isso em diálogo com a realidade portuguesa, muito mais discreta em termos de projeção, mas que, para mim, tem o mesmo peso em significado. São contextos diferentes, mas que se encontram na forma como o basquete de rua constrói comunidade e identidade”, afirma. Um manifesto entre memória e território Nas imagens feitas na cidade americana, as quadras surgem como espaços carregados de memória, lugares onde passaram jogadores profissionais, onde nasceram lendas e onde o jogo se mistura à própria construção da identidade local. Em Lisboa, por outro lado, o olhar se volta também para as ausências, como a precariedade, a falta de incentivo, a fragilidade de estruturas das quais, muitas vezes, dependem comunidades inteiras. É nesse ponto que o trabalho ganha densidade crítica. Fotografias como Quadra Quebrada condensam essa tensão. A imagem nasceu de uma experiência pessoal, depois que uma quadra próxima à casa do fotógrafo teve a cesta retirada após reclamações de barulho. “Ali existia uma comunidade. Quando tiraram a cesta, aquilo simplesmente acabou”, lembra. O que se vê, então, não é apenas a ausência de um equipamento, mas o esvaziamento de um espaço de convivência. Uma estética que aproxima A força das imagens também reside na linguagem utilizada. Influenciado por nomes como William Klein, nova-iorquino e um dos fotografos mais influentes do século XX, Prochet aposta em uma estética mais crua, menos polida, que aproxima o espectador da ação. Há movimento, ruído, tensão. Ao mesmo tempo, referências como Robert Adams, fotógrafo americano ligado ao movimento New Topographics, ajudam a construir momentos de pausa e composição mais limpa, criando um equilíbrio que sustenta a narrativa visual. Outro contraste entre o basquete de rua e o basquete federado atravessa o trabalho. Enquanto o segundo é marcado por regras, uniformes e controle, o primeiro se afirma como espaço de liberdade. “Na rua, você joga como quer, se veste como quer. Existe uma liberdade total”, diz Prochet. Essa autonomia aparece não apenas nos gestos dos jogadores, mas também na forma como ocupam o espaço e constroem sua identidade. Em um tempo dominado pela circulação acelerada de imagens, o jovem também propõe uma reflexão sobre a materialidade da fotografia. Para ele, há uma diferença decisiva entre ver uma imagem na tela do celular e encontrá-la em uma parede. “Você perde detalhes importantes no digital, como o brilho e a textura do papel. Isso muda completamente a experiência”, afirma. Ainda assim, reconhece a ambivalência das redes sociais que, ao mesmo tempo em que ampliam o alcance do trabalho, também reduzem parte de sua potência sensorial. A estreia em Portugal surge a partir da relação com um coletivo artístico local, e o resultado, segundo o próprio fotógrafo, supera as expectativas iniciais. Mais do que um primeiro passo, ...
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  • Dupla de coreógrafos brasileiros é indicada ao maior prêmio da dança mundial
    2026/05/23
    Dois corpos negros completamente nus, vestidos apenas com meias e tênis brancos. Rodeada pela plateia que se senta ao chão, a dupla de performers brasileiros marca o ritmo da coreografia com o bater dos pés. Com a obra Repertório número 3, os artistas cariocas Davi Pontes e Wallace Ferreira foram indicados ao maior prêmio da dança mundial, o Rose International Dance Prize, do Sadler's Wells, a principal casa de dança internacional do Reino Unido. Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres Uma performance política pós-colonial que explora questões centrais de gênero e raça no Brasil e no mundo, a obra indicada foi resultado de uma pesquisa de quase dez anos que teve lançamento na Bienal de São Paulo, em um momento político dominado pela retórica da extrema direita no Brasil. Wallace Ferreira explica que o Repertório número 3 é a segunda parte de uma trilogia que começa em 2018 e surge em um contexto histórico importante para o Brasil. E foi justamente essa performance que levou os dois artistas cariocas para o mundo. “Esse trabalho fala muito sobre o Brasil, mas também são questões que atravessam [fronteiras]. Pra gente não tem como falar sobre racialidade e violência, sem falar sobre o contexto político atual. Sinto que é um trabalho que responde a uma questão no Brasil, mas o mundo se reconhece” , diz Davi Pontes. Davi e Wallace se referem à violência, discriminação e ameaça à sua própria existência como pessoas negras periféricas. A coreografia tem marcação ritmada, com poses e gestos sedutores diante do olhar julgador do público. Em resposta, a dupla apresenta o que chama de "uma dança de autodefesa". “A cada situação de violência, a cada operação policial essa palavra [autodefesa] volta, ela precisa ser dita. A importância desse trabalho é olhar para o contexto do mundo atual e perceber que as coisas não estão fáceis. E ainda assim conseguir trazer uma alternativa possível de continuar vivendo nesse mundo”, diz Davi. Para Wallace a autodefesa tem diversas maneiras de se acontecer: “ela está no embate, está no escape, no se camuflar, no constranger, na ironia, no deboche, no humor. Nos interessa pensar numa ideia de se autodefender que seja mais opaca, que não seja explícita.” E a autodefesa não é luta física. "É estar presente, ali, na sua frente. Dois dançarinos negros, marginalizados que existem, resistem. É sobre a presença de corpos nus, rodeados pela platéia sentada em volta deles no chão. A obra dos brasileiros foi indicada ao prêmio aqui em Londres justamente por seu valor e qualidade como peça coreográfica e teatral, mas também por sua relevância e urgência. Por questionar a nossa percepção e o posicionamento que escolhemos ter", diz Wallace. Davi explica que ter a platéia tão próxima e no mesmo nível que os dançarinos é entender que todos os que estão presentes fazem parte do jogo e são responsáveis pelo o que está sendo apresentado. “Esse trabalho se coloca na situação de responder, de ouvir, de observar e estar atento.” A dupla nunca sequer cogitou estar vestida em cena “A pesença de um corpo negro nu no espaço de fato causa tanto incômodo que eu não preciso mover e criar embate, só a minha presença já torna insustentável de olhar. Dependendo do país, a gente entra na sala e as pessoas querem correr porque elas não conseguem lidar com aquilo", aponta. Wallace afirma que não se sente vulnerável: “Entendemos que o lugar da vulnerabilidade é também um lugar de potência”. Wallace foi criado em Vigário Geral e Davi em São Gonçalo, bem longe das famosas Ipanema ou Copacabana. Da periferia do Rio, fizeram carreira internacional desconstruindo padrões e expectativas da dança contemporânea. A temática política continua a guiar o próximo trabalho deles - uma colaboração com outros coreógrafos estrangeiros. “É bom não esquecer onde tudo começou ainda numa sala vazia, pra quando chegar em uma sala lotada não pensar que tudo aconteceu do nada. A vitória vem se construindo todos os dias. Que eu ainda possa acordar e falar: - hoje vou viver do meu trabalho, vou viver fazendo aquilo que eu acreditei, aquilo que eu sonhei”, conclui Wallace. O vencedor do prêmio será anunciado em fevereiro do ano que vem, quando os indicados brasileiros Davi e Wallace se apresentam nos palcos de Londres.
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