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Brasil-Mundo

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著者: RFI Brasil
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概要

Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Brasileiro roda o mundo gravando viagens de trem e faz sucesso no YouTube
    2026/04/25

    Os mais de 400 vídeos do canal Rail Relaxation já acumulam 42 milhões de visualizações. O goiano David Sousa, que vive em Liubliana há 21 anos, deixou de lado a profissão de motorista para se dedicar ao projeto.

    Edison Veiga, correspondente da RFI na Eslovênia

    Meio de transporte comum em diversas partes do mundo, o trem não fazia parte da rotina do brasileiro David Sousa até a vida levá-lo para fora do país. Nascido em 1972 no estado de Goiás, ele vive há 21 anos na Eslovênia – e foi em Liubliana que acabou encontrando, quase por acaso, o tema que mudaria sua trajetória profissional.

    Apaixonado por filmagens, Sousa começou a registrar viagens de forma despretensiosa, em um canal pessoal no YouTube voltado a passeios e montanhas. A ideia inicial era mostrar a Eslovênia para brasileiros. Mas um vídeo específico, gravado dentro de um trem, mudou tudo.

    O conteúdo viralizou. A repercussão inesperada revelou um público fiel interessado em acompanhar trajetos ferroviários completos, com paisagens e sons ambientes. Foi o ponto de partida para a criação do canal Rail Relaxation, há cerca de quatro anos.

    Hoje, o canal reúne mais de 400 vídeos publicados e ultrapassa a marca de 42 milhões de visualizações. A guinada digital veio acompanhada de uma decisão ousada. Após 16 anos trabalhando como motorista da embaixada brasileira na Eslovênia, Sousa decidiu deixar o emprego formal para se dedicar integralmente à produção de conteúdo.

    A escolha, segundo ele, foi motivada tanto pelo crescimento do projeto quanto pela possibilidade de realizar um antigo objetivo: viver da internet.

    Viagens cada vez mais longe

    No início, as gravações aconteciam apenas nos fins de semana e em países próximos, como Áustria, Itália, Croácia e Suíça, mas hoje a necessidade de diversificar o conteúdo levou o brasileiro a expandir horizontes. Viagens mais longas passaram a fazer parte da rotina.

    A produção segue um método rigoroso. Sousa publica dois vídeos por semana e costuma gravar várias viagens de uma só vez, organizando o material posteriormente. Cada vídeo pode demandar cerca de oito horas de edição. Em trajetos mais longos, ele divide o conteúdo em partes: uma viagem de 12 horas, por exemplo, pode virar uma série com quatro episódios.

    Apesar do sucesso, ele admite que produzir conteúdo ferroviário não é simples. Em muitos casos, é necessário lidar com processos burocráticos para obter autorização de filmagem junto a empresas de transporte – um desafio comum para criadores desse nicho.

    Ainda assim, o público segue crescendo e aguardando cada nova publicação. O interesse é alimentado pela diversidade de paisagens e rotas, que vão de trechos alpinos a longas travessias internacionais.

    Nos planos, estão destinos ainda mais ambiciosos. Uma viagem à Ásia, especialmente para registrar trajetos ferroviários na Índia e em Bangladesh, está sendo preparada há anos e pode sair do papel em breve. Para quem passou a infância sem sequer ter visto um trem de perto, Sousa hoje percorre o mundo sobre trilhos – e transformou esse percurso em destino.

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  • Uma bailarina brasileira na Alemanha em defesa da dança “que incomoda”
    2026/04/18
    Estamos no Ballethaus, o impressionante complexo de ensaios da companhia de dança Ballett am Rhein, o Balé do Reno, em Düsseldorf, na Alemanha. Por estes corredores, a bailarina brasileira Norma Magalhães caminha como se estivesse em casa. Aqui é onde ela passa a maior parte do seu tempo. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf “Basicamente o dia inteiro. A gente começa a trabalhar às dez, com aula de balé, todo mundo, por uma uma hora e vinte. E depois começam os ensaios, as criações, até às seis da tarde. Isso é uma semana comum para a gente.” O prédio de 3000 metros quadrados desenhado pelos arquitetos Gerkan und Marg & Partner foi inaugurado em 2015, justamente no ano em que a brasileira de 33 anos, na época com apenas 22, se tornou parte do corpo de 45 bailarinos do Ballett am Rhein. Abrimos uma porta, e nos deparamos com um dos quatro enormes estúdios de ensaio. Outra porta, e damos de cara com um spa completinho. “A gente aqui é super privilegiado”, conta Norma. “Não é toda companhia na Alemanha que tem essa estrutura. Tem sauna, para quando a gente está meio quebrado, tem banheira de gelo, fisioterapeuta, academia”. Os espetáculos ocorrem nos dois teatros de ópera da região: o Theater Duisburg e a Opernhaus Düsseldorf, a casa da Deutsche Oper am Rhein, a Ópera Alemã do Reno. Eu já vi Norma se apresentar algumas vezes na Opernhaus e sempre fiquei impressionado com a complexidade de suas performances. Então é claro que eu preciso começar a nossa conversa perguntando sobre como ela gera o medo do palco em um ambiente tão exigente. “Quando estou no palco é mais prazer, eu não penso muito. Mas os segundinhos antes de entrar parece que tem aquele momento de realização: ‘Meu Deus, essa casa com mil pessoas, qualquer coisa pode dar errado!’”, conta Norma. “E isso é o legal do ao vivo, você pode trabalhar e se preparar o quanto for, mas se você pisar naquele lugar, escorregar e cair… Erros coreográficos são muito comuns, mas a gente aprende a esconder”. “Não sabia o que esperar da Alemanha” Voltamos no tempo para entender como é que esta bailarina de Ribeirão Preto veio parar em um dos corpos de balé mais prestigiados da Alemanha. “Meu interesse pela dança foi sempre um mistério na minha família. De alguma forma, sempre tive certeza de que eu queria ser bailarina. Fazia tudo na meia-ponta. Minha mãe sempre dizia que, se ela me pedisse um copo d'água, eu fazia duas piruetas, pegava no copo e voltava com o copo vazio, porque a água caía no chão.” Norma encontrou suporte para começar a carreira na ONG cultural FINAC, de Ribeirão Preto, e o passaporte para estudar balé fora do Brasil veio quando venceu o Festival Internacional de Dança de Brasília. A bolsa de estudos oferecida à ganhadora a levou para estudar na Universidade de Música e Artes Cênicas de Mannheim, no sudoeste da Alemanha. “Eu vim realmente sem nenhuma expectativa, sem saber nada do que esperar daqui. Eu sabia que era frio e que era um idioma em que eu ia ficar super perdida, mas o resto foram surpresas e novidades.” Na escola, ela teve de lidar com a disciplina exigida pela profissão e pela cultura alemã: “Era uma coisa meio militar, não podia ter um fiozinho de cabelo fora do lugar, não podia esquecer nenhum passo, era uma coisa bem mais puxada. O balé tem essas regrinhas, coisinhas bobas tipo: não pode bocejar, porque aí parece que você está desinteressado, ou você não pode necessariamente demonstrar cansaço, dependendo de quem está ali na frente levando o ensaio.” Autógrafos na rua Depois dos estudos, Norma passou pelo teatro de ópera de Karlsruhe e pelo Balé da Turíngia, até desembarcar no Ballett am Rhein, em Düsseldorf, onde está há 11 anos e onde diz ter se encontrado. “Eu cresci aqui, então o pessoal fala que eu sou uma brasileira já alemanizada. Aqui não só o bailarino e a companhia dão muito valor ao balé, mas também as pessoas. Às vezes estou andando na rua e as pessoas param para dizer que me viram no teatro e pedem um autógrafo.” O envolvimento da sociedade faz com que boa parte da Ópera e do Balé do Reno sejam financiados por um clube de mecenas e patrocinadores, em conjunto com o estado. A casa cheia em quase todas as apresentações também demonstra que o balé e a ópera estão mais vivos do que nunca, ao contrário do que disse o ator franco-americano Timothée Chalamet no início do ano. “Ele fez um comentário muito infeliz, mas também bem ignorante”, crava Norma. “Estando nessa profissão por tantos anos, consigo ver como está crescendo. As pessoas têm sede de ver ao vivo, não só pela televisão. Acontece o mesmo no balé, os teatros estão lotando.” Balé contra a lógica dos algoritmos Nestes 11 anos de carreira em Düsseldorf – e 16 na Alemanha –, Norma Magalhães interpretou clássicos como a Rainha das Neves, em "O Quebra-Nozes", mas é também uma...
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  • 'Notes on Collagen': atriz brasileira discute o medo do envelhecimento em peça em cartaz em Nova York
    2026/04/12
    Uma palavra simples, cada vez mais presente no cotidiano, colágeno, virou ponto de partida para que a atriz, escritora e diretora brasileira Fabiana Mattedi construísse uma reflexão sobre envelhecimento, identidade e pressão estética. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Fabiana Mattedi conta que a inspiração veio de uma percepção pessoal ao longo dos últimos anos. A artista relata que passou a notar como o termo “colágeno” começou a aparecer com frequência em seu dia a dia. "Era uma coisa que, antes de vir para Nova York, antes de eu ter 40 anos, não sabia do que se tratava", confessa. O estalo definitivo veio de uma cena aparentemente banal no metrô da cidade. Durante uma viagem no L Train, Mattedi ouviu duas jovens, na casa dos vinte anos, discutindo preocupações com envelhecimento e com a necessidade de “cuidar” do corpo desde cedo. A conversa chamou atenção justamente pela antecipação dessa ansiedade. Para a artista, esse comportamento reflete uma mudança geracional. Ela observa que pessoas mais jovens já estão conectadas a preocupações estéticas e corporais que, para gerações anteriores, sequer eram conhecidas. Segundo Mattedi, muitas vezes há um medo de perder algo que nem se sabe exatamente o que é. A partir dessa experiência, o que começou como uma crônica cotidiana evoluiu para uma investigação mais profunda, quase uma escavação, sobre o corpo, o tempo e as pressões sociais. A atriz afirma que o espetáculo nasce de uma inquietação central: o envelhecimento passou a ser tratado como problema. E, para ela, existe uma cobrança mais intensa e complexa em relação à aparência feminina. "Tem um questionamento dessa ditadura de beleza, de padrão de beleza, principalmente com nós mulheres. Com a gente tudo é mais complicado, mais difícil", analisa. No palco, esse conflito aparece com humor, mas também com densidade reflexiva. Mattedi explica que utiliza a comédia como ferramenta para abordar temas mais profundos. Segundo ela, o riso funciona como um filtro para expressar questões filosóficas e experiências pessoais. Mas a trajetória que levou à criação de "Notes on Collagen" começa muito antes de Nova York. Natural da Bahia, a artista se formou em teatro em Salvador, onde iniciou sua carreira e construiu suas primeiras referências. Ela destaca que participou de um projeto marcante ao lado da companhia baiana Os Argonautas, experiência que considera fundamental em sua formação. Foi nesse ambiente que surgiram encontros importantes com nomes como Vladimir Brichta e Emanuelle Araújo, além de uma rede de contatos que segue presente em sua trajetória. Anos depois, já com o projeto em andamento em Nova York, esses vínculos se transformaram em apoio concreto: Brichta e Araújo participaram da produção com vídeos que ajudaram na arrecadação de recursos para viabilizar a montagem. Para Mattedi, essa continuidade revela como a construção artística também depende de comunidade e colaboração. Ela também destaca a influência de suas origens. Segundo a atriz, a Bahia, que "deu régua e compasso para um monte de gente", teve papel fundamental na formação de sua identidade artística, funcionando como base para sua trajetória. Hoje, essa história ganha uma nova camada com a experiência de viver e atuar em outra língua. Construir identidade em outro idioma Apresentar a peça em inglês, segundo Mattedi, exige precisão técnica na fala, mas também envolve uma dimensão mais profunda: a de construir identidade em outro idioma. Ela afirma que atuar em uma segunda língua é um desafio que vai além da comunicação, e passa pela própria forma de existir em um novo contexto. "Tem o desafio técnico de falar as palavras com cuidado e com atenção para poder ser entendida. Mas, ao mesmo tempo, como eu falo em inglês é quem eu sou. E tem que ser assim, porque senão eu perco a minha autenticidade", explica, defendendo o "desafio de 'ser' em outra língua". Nesse processo, o sotaque também se torna parte central da discussão. A atriz critica a pressão, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, para neutralizar a forma de falar. Segundo ela, há uma “padronização” da linguagem que privilegia determinados sotaques, especialmente os do eixo Rio-São Paulo, em detrimento de outras identidades regionais. A montagem de "Notes on Collagen" também reflete os desafios do teatro independente em Nova York, com equipe reduzida, direção compartilhada e soluções cênicas simples para se adaptar à dinâmica intensa dos festivais. O espetáculo integra o circuito do Fringe Festival, conhecido por abrir espaço para produções autorais e independentes. Nesse contexto, a peça encontra um ambiente propício para dialogar com o público. Mais do que falar sobre estética ou colágeno, o trabalho levanta uma questão mais ampla: em que momento o envelhecimento deixou de ser um processo natural e passou a ser ...
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