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Reportagem

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著者: RFI Brasil
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Confira aqui as análises, entrevistas e repercussões de notícias que você pode ouvir e baixar. As reportagens +RFI propõem a cobertura de eventos importantes no mundo inteiro feita pelos repórteres e correspondentes da Rádio França Internacional.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Estudantes estrangeiros enfrentam crise de moradia em Paris
    2026/09/12
    Encontrar um apartamento em Paris virou uma corrida de obstáculos para estudantes estrangeiros, que enfrentam exigência de fiadores franceses, aluguéis em alta e uma oferta de imóveis cada vez mais reduzida. Vitória Barreto para RFI Brasil Entre golpes on-line, seguros pagos para servir de garantia e o fim do auxílio-moradia para quem não tem bolsa do governo francês, universitários relatam a saga de enfrentar a burocracia para conseguir um teto na capital francesa. A RFI ouviu três estudantes estrangeiros que encontraram formas diferentes de vencer essa maratona. Procurar um apartamento em Paris é um drama para muitos estudantes. Depois de provas e longos processos de aplicação para as universidades do país, o mais temido dos desafios é encontrar um teto. A demanda por um pequeno estúdio charmoso na capital francesa já aumentou 4,3% em um ano. Segundo um estudo de 110 mil ofertas e demandas de moradias pelo serviço de aluguel LocService, registradas no último ano, um terço dos estudantes na França procura um imóvel na região parisiense. Já é uma guerra conseguir um apartamento como francês, mas para estudantes estrangeiros pode ser uma odisseia longa e cara encontrar onde morar. Exigências Proprietários exigem uma série de documentos, como comprovantes de renda e, muitas vezes, um fiador francês, e, em alguns casos, aceitam os pais estrangeiros. Amanda é um exemplo dessa longa trajetória para encontrar um lar fixo. A estudante brasileira se mudou para Paris para fazer um mestrado e, em dois anos e meio, trocou de apartamento quatro vezes, quase sempre em sublocações, incluindo um ano num apartamento em que a proprietária se recusou a fornecer documentos formais, o que complicou a renovação do visto da aluna. Agora, sem um emprego fixo, ela finalmente fechou um contrato de aluguel de longo prazo: um estúdio de 18 m² no centro da cidade, por 700 euros (cerca de 4 mil reais). Para isso, comprovou renda de trabalhos temporários e pediu ao pai que assinasse como fiador. "Como estudante, eu sempre fui mostrar que eu era bolsista, que eu recebia um salário. Só que, nesse caso, o que me fez conseguir foi eu ter tido uma conversa franca com meu pai, que não me sustenta há muitos anos. [...] vou precisar da sua assinatura para um termo dizendo que você se responsabiliza financeiramente por mim", explicou Amanda. Existem alternativas ao fiador tradicional. O Visale, por exemplo, é uma garantia gratuita oferecida pelo governo francês: se o estudante não conseguir pagar o aluguel, o programa cobre a dívida junto ao proprietário e depois cobra o valor do locatário. Já o GarantMe funciona de forma semelhante, mas é um serviço privado e pago, que pode sair bem caro. Nos dois casos, o estudante ainda precisa comprovar sua capacidade financeira, geralmente apresentando informações sobre a renda dos pais e o apoio financeiro que recebe deles. Isso ajuda a demonstrar ao proprietário que haverá recursos suficientes para cobrir o aluguel todos os meses, reduzindo o risco de inadimplência. Corrida contra o tempo entre o Visale e o GarantMe O estudante suíço Dominik viveu esse dilema na prática; sabe bem o custo da crise imobiliária e quão importantes são esses documentos para muitos proprietários. Enquanto esperava pelo Visale, o fiador gratuito do governo, que pode demorar para avaliar o dossiê do locatário, ele acabou pagando pelo GarantMe para não perder o apartamento que estava fechando contrato. "Mandei mensagem para mais de 80 pessoas. A maioria nem respondeu. Recebi talvez umas dez respostas e consegui visitar apenas três apartamentos,” afirmou Dominik. Os 200 anúncios mais populares em Paris recebem, em média, mais de 700 mensagens por imóvel em poucos dias, segundo o site francês de aluguel direto com o proprietário, Particulier à Particulier. Então, para ir contra essa estatística e conseguir um estúdio de 12 m², por 800 euros (cerca de 5 mil reais), o mestrando pagou pelo seguro do GarantMe por 500 euros (cerca de 3 mil reais). E a hospedagem no Airbnb, durante o mês de procura, custou 1.200 euros, equivalente a mais de 7 mil reais. Mas Dominik explica que valeu a pena passar pela burocracia e conseguiu o apartamento que desejava. “Morar em Paris e ter o seu próprio apartamento acaba sendo uma conquista. Acaba sendo uma experiência que aproxima as pessoas na cidade." Do golpe online ao fim do auxílio-moradia Como muitos estudantes, Lyubov, cazaque, que fez a graduação no norte da França, começou a procurar moradia para o mestrado em Paris ainda à distância. Durante a busca, quase caiu no golpe de um anúncio falso. “Eu cheguei a enviar meus documentos para o que parecia ser um anúncio de aluguel. Só depois percebi que era um golpe. Felizmente, não perdi dinheiro, mas fiquei muito preocupada, porque eram dados pessoais. Minha identidade, ...
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  • 25 anos depois, sobreviventes do 11 de Setembro ainda sofrem efeitos da exposição no Marco Zero
    2026/09/11
    Aristide Economopoulos, fotógrafo e fotojornalista americano radicado na região metropolitana de Nova York que registrou os ataques às Torres Gêmeas, recebeu neste ano o diagnóstico de câncer de próstata. Novos documentos mostram que vestígios de amianto ainda eram encontrados na área do World Trade Center dez meses após a tragédia. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Ele tinha 30 anos e havia acabado de chegar a Nova York quando, na manhã de 11 de setembro de 2001, recebeu a missão que mudaria sua vida. Fotógrafo, Economopoulos nunca tinha estado na região sul de Manhattan, onde ficavam as torres do World Trade Center. Vinte e cinco anos depois, as consequências daquela manhã ainda fazem parte de sua vida. Em maio deste ano, Economopoulos foi diagnosticado com câncer de próstata, uma das doenças associadas à exposição às substâncias tóxicas liberadas no colapso das Torres Gêmeas. “No início de julho, passei por uma cirurgia e agora, dois meses depois, tudo indica que eu possa estar livre do câncer”, contou. A história de Economopoulos é também um retrato de uma dimensão do 11 de Setembro que se estendeu muito além das quase 3 mil mortes provocadas diretamente pelos ataques. Milhares de socorristas, trabalhadores, jornalistas, moradores e outras pessoas expostas à poeira e aos destroços do Marco Zero, inclusive brasileiros, desenvolveram doenças ao longo das décadas seguintes. Uma ligação às 8h22 Economopoulos lembra com precisão de como começou aquele 11 de setembro. “O dia começa às 8h22. Eu sei exatamente o horário porque minha mãe me ligou e eu pensei: ‘Por que você está me ligando tão cedo?’”, recorda. Ele voltou para a cama. Cerca de meia hora depois, o telefone tocou novamente. “Por volta das 8h52, recebo uma ligação do meu editor: ‘Um avião atingiu a torre’. Eu penso que deve ser um Cessna, algum avião pequeno, sabe?” A dimensão do que estava acontecendo ainda não estava clara. Enquanto milhares de pessoas tentavam deixar Manhattan, Economopoulos recebeu a missão de fazer o caminho contrário. De Jersey City, em Nova Jersey, pegou uma balsa em direção à região do World Trade Center. Coberto pela poeira dos escombros, registrou com sua câmera cenas de uma manhã em que o céu do centro financeiro de Nova York foi tomado por uma enorme nuvem de fumaça, cinzas e destroços. Pouco antes da queda da Torre Norte, Economopoulos encontrou outro fotógrafo que trabalhava na área. Os dois nunca haviam se visto antes. Ao saber que Aristide estava ficando sem filme, o colega lhe entregou um dos dois últimos rolos que ainda tinha. Deu apenas um conselho: “Shoot smart” – algo como “fotografe com inteligência”, escolhendo cuidadosamente cada imagem. Pouco depois, os dois seguiram caminhos diferentes. “Eu comecei a andar um pouco mais para o norte. Foi quando a Torre Norte desabou, e ele achou que eu tinha ficado soterrado nos escombros”, conta. Consequências em etapas Os primeiros efeitos da exposição apareceram imediatamente. No dia do ataque, o fotógrafo sofreu lesões nos olhos provocadas pela poeira e os destroços. “Eu perdi parcialmente a camada mais superficial da córnea do olho direito e tive uma lesão bem grave no olho esquerdo”, relata. A visão ficou comprometida durante alguns dias. O impacto, no entanto, não foi apenas físico. Nos anos seguintes, Economopoulos também buscou ajuda profissional para lidar com o trauma provocado pelo que havia testemunhado. Durante décadas, ele não procurou os programas de assistência destinados às pessoas afetadas pelo 11 de Setembro. Isso mudou neste ano, quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata. A doença está entre os tipos de câncer associados à exposição no World Trade Center e cobertos pelo programa federal criado para acompanhar e tratar pessoas afetadas pelos ataques. O câncer de pele não melanoma é o mais comum entre socorristas e civis expostos às substâncias tóxicas do Marco Zero, com 18.380 casos. Em seguida aparecem o câncer de próstata, com 13.170 casos; o câncer de mama em mulheres, com 4.830; o melanoma, com 3.860; e o linfoma, com 2.560 casos, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) atualizados até 30 de junho. Fotografias se transformaram em provas As imagens registradas por Economopoulos naquele dia também acabaram adquirindo uma função que o fotógrafo não poderia imaginar quando apertou o obturador. Anos depois, algumas delas serviram para comprovar que pessoas que desenvolveram doenças associadas ao 11 de Setembro realmente estiveram na área contaminada. Ao mostrar uma de suas fotografias, Economopoulos aponta para três homens cobertos de poeira caminhando pelas ruas de Manhattan. Um deles se chamava Frank. “Ele morreu de câncer de pâncreas, que é um dos tipos de câncer associados ao 11 de Setembro. Anos depois, recebi uma ...
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  • Cerâmica do Vale do Jequitinhonha chega a Paris com força feminina e leitura contemporânea
    2026/09/10
    A exposição A Terra Modelada Pela Arte, aberta na quarta-feira (9) na Galeria Ricardo Fernandes, no Marais, apresenta em Paris a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, tradição mineira marcada por técnicas transmitidas entre gerações, sobretudo por mulheres. Com 17 artistas do Coletivo do Vale, a mostra destaca a linhagem iniciada por Izabel Mendes da Cunha e reúne obras que combinam memória, identidade territorial e criação contemporânea. A exposição A Terra Modelada Pela Arte leva à capital francesa a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, em leitura assumidamente contemporânea. São 17 artistas reunidos em torno de uma tradição que nasceu em comunidades rurais e hoje ocupa espaço em circuito internacional de arte. O Vale do Jequitinhonha, no nordeste mineiro, costuma aparecer nas estatísticas por seus indicadores socioeconômicos desfavoráveis. Mas, muito antes de qualquer política pública, já havia ali uma prática consolidada de modelagem do barro, transmitida entre mulheres, dentro de casa, como parte da rotina. É nesse contexto que se inscreve a trajetória de Izabel Mendes da Cunha (1924–2014). Nascida em Itinga, ela aprendeu a trabalhar com o barro com a mãe e, inicialmente, produzia moringas para complementar a renda familiar. Ao longo dos anos, passou a transformar esses objetos utilitários em esculturas femininas de grande presença visual, criando as célebres bonecas-moringas que se tornariam sua assinatura artística. A curadoria de Ricardo Fernandes parte dessa história para reposicionar a cerâmica da região. “Eu já venho pesquisando arte popular brasileira há muitos anos e penso que a arte popular brasileira é a origem da nossa expressão artística atual, principalmente no âmbito da arte contemporânea”, afirma. Para ele, a distinção rígida entre artesanato e arte não dá conta do processo criativo dessas comunidades. Leia tambémCeramistas brasileiros abrem ateliê em Portugal e conquistam mesas dos melhores restaurantes do mundo Arte popular em chave contemporânea Fernandes chama atenção para a dimensão feminina dessa tradição e lembra que a história do Vale começa com mulheres em situação de sobrevivência, que transformam o barro em renda e, depois, em afirmação estética. “Eu acho que essas bonecas mesclam resistência e se tornam resiliência. A resistência são duas forças opostas e a resiliência é quando uma encontra penetração na outra, quando uma consegue conciliar com a outra essas duas forças e criar algo positivo”, diz. Para ele, as bonecas representam esse movimento: “Elas criam uma verdadeira escola do saber, do conhecer.” Entre os artistas presentes em Paris está Augustto Ribeiro, que participa pela primeira vez de uma exposição internacional. Ele começou a trabalhar com barro aos quatro anos de idade. “A inspiração vem desde cedo. Minha mãe e minha tia foram minhas mestras, a Dona Izabel também, que foi quem iniciou, foi a anfitriã da arte dessas bonecas, foi quem criou, pela primeira vez, de uma moringa utilitária a cabeça de uma dessas obras”, diz. Hoje, aos 27 anos, ele tenta preservar a sensibilidade da infância no trabalho. “Quando eu era criança, não tinha muita distinção de pessoas para as bonecas, eu via elas com a mesma energia de uma pessoa, tanto que quando acontecia alguma quebra numa queima, eu chorava como se um parente tivesse falecido”, lembra. Da comunidade de Campo Buriti, na Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo, Adriana Gomes Xavier reforça a centralidade das mulheres na construção estética do Vale. “A gente se inspira nas mulheres do Vale. Inspira muito nas roupas das mulheres para fazer os vestidos das bonecas, no rosto também”, afirma. Quatro gerações de barro Da comunidade de Santana do Araçuaí, Andréia Andrade traz a perspectiva de quem nasceu dentro da linhagem iniciada por Izabel Mendes da Cunha. “Eu falo que tive o privilégio de nascer em berço de barro. Que a minha avó, a nossa grande ceramista do Vale do Jequitinhonha, a Izabel Mendes, abriu todas as portas dessa tradição de fazer as bonecas de barro”, afirma. Para Andréia, estar em Paris é extensão de uma história familiar. “Para mim é um privilégio, uma honra estar nessa família e que a gente contar a nossa história e trazer a tradição dessas bonecas do Vale, que são peças que a gente representa sentimentos, que traz toda a beleza do Vale do Jequitinhonha através do barro”, diz. “É a quarta geração da minha família fazendo as bonecas, as noivas, mas cada uma com a sua identidade.” Ela destaca o uso de materiais simples, oferecidos pela natureza. “A gente só trabalha com pigmentos naturais, de vários pigmentos do próprio barro, que tem várias cores. São pedrinhas que a gente cata para poder tirar os pigmentos, vermelho, amarelo”, explica. “A natureza nos oferece tudo, né, para a gente criar.” De Cachoeira do ...
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