『Reportagem』のカバーアート

Reportagem

Reportagem

著者: RFI Brasil
無料で聴く

Confira aqui as análises, entrevistas e repercussões de notícias que você pode ouvir e baixar. As reportagens +RFI propõem a cobertura de eventos importantes no mundo inteiro feita pelos repórteres e correspondentes da Rádio França Internacional.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • "O bolsonarismo vai continuar forte", avaliam especialistas após vitória histórica de Lula
    2026/10/26
    A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato foi construída entre as redes sociais, a mobilização popular e a ampliação de sua base eleitoral para além do Nordeste, avaliam o geógrafo Hervé Théry e o cientista político Thomás Zicman de Barros. Em entrevista à RFI, os dois especialistas analisaram os fatores que permitiram ao petista reverter uma desvantagem de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno e derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, que não reconheceu o resultado. Após encerrar o primeiro turno atrás nas urnas, o petista virou o jogo em três semanas e terminou a disputa com uma vantagem de 4,4 milhões de votos, impulsionado pela conquista da maior parte dos quase 5 milhões de novos votos surgidos entre os dois turnos. Para Hervé Théry, professor da USP e diretor de pesquisas no CNRS francês, embora o Nordeste tenha mantido seu papel como principal reduto eleitoral petista, a diferença decisiva surgiu em outras regiões do país, sobretudo em Minas Gerais. O geógrafo vê o estado como um retrato das tendências políticas nacionais e considera que ele voltou a desempenhar o papel histórico de fiel da balança das disputas presidenciais. "O grosso dos votos veio do Nordeste, que é a base principal do PT, e era esperado. O que mudou mais é que teve uma virada e que veio também de outras regiões, especialmente de Minas Gerais. Acho que mais uma vez Minas Gerais foi o pivô do Brasil, o espelho no qual você vê o Brasil", afirma. A análise converge com a de Thomás Zicman de Barros, membro do Centro de Pesquisa em Ciência Política da SciencesPo Paris e colunista de política internacional da RFI. Para ele, a campanha de Lula conseguiu explorar com eficiência o terreno das redes sociais, tradicionalmente associado ao bolsonarismo. Nesse processo, destaca a atuação do deputado André Janones e o engajamento espontâneo de apoiadores que passaram a se organizar nas ruas e no ambiente digital. "Foi muito importante para a vitória do Lula as mobilizações nas mídias digitais. O deputado André Janones tem uma responsabilidade muito grande", disse. Exército do Lula: 'Uma façanha' Na avaliação dos dois especialistas, a ofensiva digital montada após o primeiro turno foi um dos elementos mais importantes da virada. Théry acredita que a experiência brasileira pode servir de exemplo para democracias europeias confrontadas com o crescimento da extrema direita impulsionado pelas redes sociais. Segundo ele, a criação do chamado Exército do Lula mostrou que as mesmas ferramentas utilizadas para difundir discursos radicalizados podem ser empregadas para organizar uma resposta política eficaz. "A criação do Exército do Lula, com 10 milhões de participantes em poucos dias, é uma façanha", resume. Para Zicman de Barros, a explicação para o resultado também passa pelos erros cometidos pela campanha adversária. O cientista político considera que Flávio Bolsonaro transmitiu a sensação de que a vitória já estaria assegurada após ter terminado o primeiro turno à frente do petista. Essa percepção, segundo ele, foi reforçada pelo desempenho nos debates televisivos. "Houve equívocos da parte da campanha de Flávio Bolsonaro, que chegou num já ganhou depois do primeiro turno", diz. "Eu acho que ele soou um pouco arrogante também." Desafios do próximo governo O fortalecimento do bolsonarismo no Congresso é, para Thomás Zicman de Barros, um dos principais desafios do próximo governo. Ele avalia que o movimento chega ao pós-eleição diante de uma "encruzilhada" e de um "paradoxo": "por um lado perderam a eleição presidencial, mas, por outro lado, eles garantiram essa força muito grande no Parlamento". Na avaliação do pesquisador, a nova correlação de forças tornará a governabilidade mais difícil para Lula. Por isso, o presidente precisará preservar a mobilização que o levou à vitória. "Vai ser muito difícil para o Lula nos próximos anos conseguir governar. Acho que ele vai precisar, como falou ontem na Avenida Paulista, continuar mobilizando essa base, essa base que foi para as ruas, que garantiu essa vitória e a preservação também da democracia no Brasil", afirma. Zicman de Barros acredita ainda que a derrota eleitoral não encerra a influência do bolsonarismo. "O bolsonarismo vai continuar forte, vai continuar tentando desestabilizar o governo Lula. E, como Lula disse, vai ter que governar de um jeito diferente do que fez até agora", avalia. "Será que isso é estável no médio prazo? Não sei." Para o analista de política internacional, o novo cenário também reduz o espaço para uma prática tradicional da política brasileira: a mediação exercida pelo Centrão. Segundo ele, o grupo saiu enfraquecido do processo eleitoral, enquanto a extrema direita ampliou sua influência, ...
    続きを読む 一部表示
    10 分
  • Brasileiros na Argentina fazem campanha digital para alertar sobre os perigos do modelo econômico de Milei
    2026/10/17
    Argentinos oferecem caronas e ajuda com a campanha, incluindo edição de vídeo e hospedagem. A mobilização espontânea a partir de testemunhos pessoais cresceu após o primeiro turno, potencializou a campanha no exterior e influenciou o debate nas redes sociais no Brasil. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires A vitória de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal no primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas acendeu o alerta entre muitos eleitores, que temem um projeto hegemônico capaz de comprometer o Estado democrático de direito. Esse temor, somado à promessa da campanha de Bolsonaro de promover um “tesouraço” no gasto público, tendo como inspiração o ajuste do presidente argentino, Javier Milei, levou muitos brasileiros na Argentina a querer contar aos eleitores no Brasil sobre as dolorosas consequências do modelo argentino de arrocho fiscal. A esses relatos em primeira pessoa somaram-se os próprios argentinos, que querem alertar os brasileiros sobre os riscos de seguir por esse caminho que, segundo pesquisas, é rejeitado por dois terços da população do país. A médica psiquiatra brasileira Isla Montalier, que vive na Argentina há 15 anos, publicou um vídeo relatando sua experiência pessoal e a de seus pacientes diante da inflação no país. O modelo econômico argentino tem sido apresentado por Bolsonaro como bem-sucedido, mas a inflação anual ainda gira em torno de 33%, acompanhada por perdas salariais, recessão, desemprego e aumento da pobreza. “O vídeo nasceu da necessidade de informar os brasileiros sobre a realidade argentina”, conta Isla à RFI. “O objetivo de publicar o vídeo foi alertar e responder a essas pessoas que me perguntam, com fontes e com a realidade do que se vive em consequência desse controle inflacionário. A vulnerabilidade alimentar, o desemprego, os cortes de direitos, o abandono de tratamento de pacientes por não poderem sustentá-lo financeiramente e a desesperança”, descreve Isla. Furar a bolha A publicação teve uma repercussão inesperada, sendo compartilhada pela comunidade brasileira na Argentina e por artistas no Brasil, furando a bolha. “O vídeo acabou furando várias bolhas, chegou a mais de um milhão de visualizações, mais de 90 mil curtidas, mais de 11 mil comentários e mais de 65 mil compartilhamentos. Realmente, não busquei engajamento ou viralização com esse vídeo”, conta. Mas, na realidade polarizada do Brasil, também veio o ódio, um dos recursos mais incentivados pela extrema direita. “Eu recebi muitas mensagens de ódio, de ameaça. Colocaram minha foto e a do meu namorado no Twitter. Disseram que iam à minha casa, que iam me deportar, que eu ia ter de morrer por ser comunista. Ainda bem que as mensagens de apoio, de amor e de entendimento do que eu estava compartilhando foram muito maiores do que as de ódio”, compara Isla, uma referência na comunidade brasileira na Argentina. “Mas eu não me arrependo de nada. Eu sempre vou defender a Democracia e a liberdade de poder falar sem medo”, sublinha. Leia tambémDois milhões de novos pobres na Argentina em seis meses expõem um revés no plano econômico de Milei “Eu venho do futuro” Rapidamente, nasceu uma campanha denominada “Eu venho do futuro”, em referência aos três anos de Milei que Bolsonaro quer copiar. O lema lembra o “efeito Orloff”, baseado no comercial de uma marca de vodca lançado na década de 1980 e que tinha como slogan “Eu sou você amanhã”. O bordão da publicidade virou uma expressão popular usada para descrever a tendência de o Brasil repetir medidas econômicas que já haviam sido implementadas antes na Argentina. Foi assim com o Plano Cruzado, o Plano Verão, o Plano Real e até com o confisco das poupanças pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. No Núcleo do Partido dos Trabalhadores na Argentina, Mayara dos Santos explica à RFI que a reação da comunidade brasileira neste segundo turno é orgânica. “Isso acaba surpreendendo a gente porque aconteceu de maneira espontânea, por parte de diferentes pessoas, argentinas, brasileiras, da comunidade em geral. Pode até parecer que há uma grande campanha armada por trás, mas isso parte das experiências individuais das pessoas. É o desejo de contar sobre um modelo que não vem funcionando. É o desejo de mostrar o modelo falido que vem empobrecendo as pessoas aqui”, avalia Mayara. “Vemos isso de uma maneira espetacular. Pedimos e incentivamos que as pessoas continuem fazendo. O Brasil precisa receber esses relatos daqui. As pessoas não estão vivendo bem. Estão afetadas”, pede. Influência na campanha do Brasil Os vídeos e relatos em primeira pessoa deram visibilidade à campanha do PT na Argentina e influenciaram o debate nas redes sociais brasileiras sobre as consequências do modelo de ajuste fiscal de Milei. “Aumentamos muito o nosso engajamento nas redes sociais. Houve também uma ...
    続きを読む 一部表示
    7 分
  • Sociólogo alerta para risco de implantação de um regime totalitário no Brasil
    2026/10/16
    Uma eventual vitória do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, diante do presidente Luiz Inácio da Silva no segundo turno das eleições de 25 de outubro, poderá acelerar uma transformação profunda do regime político brasileiro. O alerta é do sociólogo Gabriel Feltran, especialista em violência urbana e crime organizado, para quem setores da extrema direita defendem um projeto que ultrapassa o autoritarismo. "A palavra certa é totalitário, não é apenas autoritário", afirma. A entrevista foi concedida à RFI após um debate realizado na Assembleia Nacional francesa sobre os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras. O encontro foi promovido pela deputada socialista Céline Hervieu, presidente do grupo de amizade França-Brasil, pela deputada ecologista Dominique Voynet e pela associação Autres Brésils. Atual diretor de pesquisa no CNRS, o maior organismo público de pesquisa da França e um dos mais importantes da Europa, e pesquisador da Sciences Po, Gabriel Feltran é reconhecido por seus trabalhos sobre violência, crime organizado, periferias urbanas e a expansão das facções criminosas no Brasil. Segundo ele, a disputa eleitoral revela uma divergência cada vez mais profunda sobre o próprio significado da democracia. "Se você pegar o discurso da direita extrema no Brasil, bolsonarista, esse discurso fala o tempo todo de democracia. Mas a concepção de democracia que eles têm é muito clara, explícita e significa a vontade da maioria." De acordo com o sociólogo, nessa lógica, os direitos das minorias deixam de ser um princípio fundamental da vida democrática. "Se há uma maioria que votou por eles, essa maioria tem o direito de fazer o que quiser." E resume: "Quem é minoria que se exploda." Para Feltran, essa visão se opõe frontalmente ao pacto democrático estabelecido pela Constituição de 1988. "Do outro lado, a gente pensa democracia justamente como a capacidade das minorias se expressarem num ambiente saudável", afirma. 'Inimigo comum' O pesquisador avalia que o discurso da extrema direita se organiza em torno da construção permanente de um inimigo comum. "Há sempre o cidadão contra um bandido idealizado", observa Feltran. Nessa narrativa, a promessa de restaurar a ordem passa pela exclusão dos grupos apresentados como responsáveis pelos problemas do país. "Nós estamos na mão do crime, mas vamos redemocratizar o Brasil, entregando o país para os cidadãos de bem, produzindo a eliminação daqueles que são, na perspectiva da extrema direita, a causa de todos os nossos problemas, os bandidos", afirma o sociólogo. O problema, segundo Feltran, é que a categoria dos inimigos tende a se expandir. "A esquerda é criminosa e, portanto, é bandido e, portanto, tem que ser eliminado." Radicalização da violência Ao comentar o avanço eleitoral de políticos ligados aos setores mais radicais da segurança pública, Feltran afirma que a violência passou a ser apresentada como uma ferramenta legítima da ação política. "Nós estamos vendo esse discurso da violência crua como forma de fazer política." Segundo ele, essa lógica transforma agentes da repressão e da justiça informal em referências positivas para parte do eleitorado. "Eles vão mobilizar o mundo policial e o mundo dos justiceiros, dos milicianos, dos grandes matadores, como um mundo ideal. É para limpar a sociedade, para que nós possamos viver bem." Por isso, sustenta, o fenômeno não pode ser descrito apenas como autoritário. "A palavra certa é totalitário, não é apenas autoritário, porque precisa eliminar uma parte da população para a gente ter o nosso projeto realizado." Exclusão política e social Na avaliação do sociólogo, o discurso do combate ao crime acaba servindo de base para uma dinâmica mais ampla de exclusão política e social. "Todo mundo que é contra o nosso projeto também é um traidor, portanto um lesa-pátria, portanto um criminoso." O mesmo mecanismo, afirma, pode se voltar contra outros segmentos da sociedade. "A ciência, quando ela vai contra o nosso projeto, ela passa a ser contra a religião da nossa maioria." Como consequência, segundo Feltran, "o pensamento minoritário em geral tende a ser esmagado." Após décadas pesquisando organizações criminosas e forças de segurança, Feltran diz enxergar uma radicalização preocupante do debate público brasileiro. "Não estamos falando nesse espaço de algo que é moderado. Estamos falando efetivamente de grupos que estão dizendo: nós precisamos eliminar isso." Ao encerrar sua reflexão, o sociólogo recorre a uma tira da personagem Mafalda para sintetizar sua preocupação com os rumos da violência política no Brasil. Na história, a menina pergunta ao pai: "Quando a gente tiver matado todos os bandidos, vão sobrar só os bons?" A resposta, diz Feltran, resume o alerta que procura fazer: "Nessa hora vão sobrar só os assassinos."
    続きを読む 一部表示
    5 分
adbl_web_anon_alc_button_suppression_t1
まだレビューはありません