エピソード

  • "O bolsonarismo vai continuar forte", avaliam especialistas após vitória histórica de Lula
    2026/10/26
    A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato foi construída entre as redes sociais, a mobilização popular e a ampliação de sua base eleitoral para além do Nordeste, avaliam o geógrafo Hervé Théry e o cientista político Thomás Zicman de Barros. Em entrevista à RFI, os dois especialistas analisaram os fatores que permitiram ao petista reverter uma desvantagem de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno e derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, que não reconheceu o resultado. Após encerrar o primeiro turno atrás nas urnas, o petista virou o jogo em três semanas e terminou a disputa com uma vantagem de 4,4 milhões de votos, impulsionado pela conquista da maior parte dos quase 5 milhões de novos votos surgidos entre os dois turnos. Para Hervé Théry, professor da USP e diretor de pesquisas no CNRS francês, embora o Nordeste tenha mantido seu papel como principal reduto eleitoral petista, a diferença decisiva surgiu em outras regiões do país, sobretudo em Minas Gerais. O geógrafo vê o estado como um retrato das tendências políticas nacionais e considera que ele voltou a desempenhar o papel histórico de fiel da balança das disputas presidenciais. "O grosso dos votos veio do Nordeste, que é a base principal do PT, e era esperado. O que mudou mais é que teve uma virada e que veio também de outras regiões, especialmente de Minas Gerais. Acho que mais uma vez Minas Gerais foi o pivô do Brasil, o espelho no qual você vê o Brasil", afirma. A análise converge com a de Thomás Zicman de Barros, membro do Centro de Pesquisa em Ciência Política da SciencesPo Paris e colunista de política internacional da RFI. Para ele, a campanha de Lula conseguiu explorar com eficiência o terreno das redes sociais, tradicionalmente associado ao bolsonarismo. Nesse processo, destaca a atuação do deputado André Janones e o engajamento espontâneo de apoiadores que passaram a se organizar nas ruas e no ambiente digital. "Foi muito importante para a vitória do Lula as mobilizações nas mídias digitais. O deputado André Janones tem uma responsabilidade muito grande", disse. Exército do Lula: 'Uma façanha' Na avaliação dos dois especialistas, a ofensiva digital montada após o primeiro turno foi um dos elementos mais importantes da virada. Théry acredita que a experiência brasileira pode servir de exemplo para democracias europeias confrontadas com o crescimento da extrema direita impulsionado pelas redes sociais. Segundo ele, a criação do chamado Exército do Lula mostrou que as mesmas ferramentas utilizadas para difundir discursos radicalizados podem ser empregadas para organizar uma resposta política eficaz. "A criação do Exército do Lula, com 10 milhões de participantes em poucos dias, é uma façanha", resume. Para Zicman de Barros, a explicação para o resultado também passa pelos erros cometidos pela campanha adversária. O cientista político considera que Flávio Bolsonaro transmitiu a sensação de que a vitória já estaria assegurada após ter terminado o primeiro turno à frente do petista. Essa percepção, segundo ele, foi reforçada pelo desempenho nos debates televisivos. "Houve equívocos da parte da campanha de Flávio Bolsonaro, que chegou num já ganhou depois do primeiro turno", diz. "Eu acho que ele soou um pouco arrogante também." Desafios do próximo governo O fortalecimento do bolsonarismo no Congresso é, para Thomás Zicman de Barros, um dos principais desafios do próximo governo. Ele avalia que o movimento chega ao pós-eleição diante de uma "encruzilhada" e de um "paradoxo": "por um lado perderam a eleição presidencial, mas, por outro lado, eles garantiram essa força muito grande no Parlamento". Na avaliação do pesquisador, a nova correlação de forças tornará a governabilidade mais difícil para Lula. Por isso, o presidente precisará preservar a mobilização que o levou à vitória. "Vai ser muito difícil para o Lula nos próximos anos conseguir governar. Acho que ele vai precisar, como falou ontem na Avenida Paulista, continuar mobilizando essa base, essa base que foi para as ruas, que garantiu essa vitória e a preservação também da democracia no Brasil", afirma. Zicman de Barros acredita ainda que a derrota eleitoral não encerra a influência do bolsonarismo. "O bolsonarismo vai continuar forte, vai continuar tentando desestabilizar o governo Lula. E, como Lula disse, vai ter que governar de um jeito diferente do que fez até agora", avalia. "Será que isso é estável no médio prazo? Não sei." Para o analista de política internacional, o novo cenário também reduz o espaço para uma prática tradicional da política brasileira: a mediação exercida pelo Centrão. Segundo ele, o grupo saiu enfraquecido do processo eleitoral, enquanto a extrema direita ampliou sua influência, ...
    続きを読む 一部表示
    10 分
  • Brasileiros na Argentina fazem campanha digital para alertar sobre os perigos do modelo econômico de Milei
    2026/10/17
    Argentinos oferecem caronas e ajuda com a campanha, incluindo edição de vídeo e hospedagem. A mobilização espontânea a partir de testemunhos pessoais cresceu após o primeiro turno, potencializou a campanha no exterior e influenciou o debate nas redes sociais no Brasil. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires A vitória de Flávio Bolsonaro e do Partido Liberal no primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas acendeu o alerta entre muitos eleitores, que temem um projeto hegemônico capaz de comprometer o Estado democrático de direito. Esse temor, somado à promessa da campanha de Bolsonaro de promover um “tesouraço” no gasto público, tendo como inspiração o ajuste do presidente argentino, Javier Milei, levou muitos brasileiros na Argentina a querer contar aos eleitores no Brasil sobre as dolorosas consequências do modelo argentino de arrocho fiscal. A esses relatos em primeira pessoa somaram-se os próprios argentinos, que querem alertar os brasileiros sobre os riscos de seguir por esse caminho que, segundo pesquisas, é rejeitado por dois terços da população do país. A médica psiquiatra brasileira Isla Montalier, que vive na Argentina há 15 anos, publicou um vídeo relatando sua experiência pessoal e a de seus pacientes diante da inflação no país. O modelo econômico argentino tem sido apresentado por Bolsonaro como bem-sucedido, mas a inflação anual ainda gira em torno de 33%, acompanhada por perdas salariais, recessão, desemprego e aumento da pobreza. “O vídeo nasceu da necessidade de informar os brasileiros sobre a realidade argentina”, conta Isla à RFI. “O objetivo de publicar o vídeo foi alertar e responder a essas pessoas que me perguntam, com fontes e com a realidade do que se vive em consequência desse controle inflacionário. A vulnerabilidade alimentar, o desemprego, os cortes de direitos, o abandono de tratamento de pacientes por não poderem sustentá-lo financeiramente e a desesperança”, descreve Isla. Furar a bolha A publicação teve uma repercussão inesperada, sendo compartilhada pela comunidade brasileira na Argentina e por artistas no Brasil, furando a bolha. “O vídeo acabou furando várias bolhas, chegou a mais de um milhão de visualizações, mais de 90 mil curtidas, mais de 11 mil comentários e mais de 65 mil compartilhamentos. Realmente, não busquei engajamento ou viralização com esse vídeo”, conta. Mas, na realidade polarizada do Brasil, também veio o ódio, um dos recursos mais incentivados pela extrema direita. “Eu recebi muitas mensagens de ódio, de ameaça. Colocaram minha foto e a do meu namorado no Twitter. Disseram que iam à minha casa, que iam me deportar, que eu ia ter de morrer por ser comunista. Ainda bem que as mensagens de apoio, de amor e de entendimento do que eu estava compartilhando foram muito maiores do que as de ódio”, compara Isla, uma referência na comunidade brasileira na Argentina. “Mas eu não me arrependo de nada. Eu sempre vou defender a Democracia e a liberdade de poder falar sem medo”, sublinha. Leia tambémDois milhões de novos pobres na Argentina em seis meses expõem um revés no plano econômico de Milei “Eu venho do futuro” Rapidamente, nasceu uma campanha denominada “Eu venho do futuro”, em referência aos três anos de Milei que Bolsonaro quer copiar. O lema lembra o “efeito Orloff”, baseado no comercial de uma marca de vodca lançado na década de 1980 e que tinha como slogan “Eu sou você amanhã”. O bordão da publicidade virou uma expressão popular usada para descrever a tendência de o Brasil repetir medidas econômicas que já haviam sido implementadas antes na Argentina. Foi assim com o Plano Cruzado, o Plano Verão, o Plano Real e até com o confisco das poupanças pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. No Núcleo do Partido dos Trabalhadores na Argentina, Mayara dos Santos explica à RFI que a reação da comunidade brasileira neste segundo turno é orgânica. “Isso acaba surpreendendo a gente porque aconteceu de maneira espontânea, por parte de diferentes pessoas, argentinas, brasileiras, da comunidade em geral. Pode até parecer que há uma grande campanha armada por trás, mas isso parte das experiências individuais das pessoas. É o desejo de contar sobre um modelo que não vem funcionando. É o desejo de mostrar o modelo falido que vem empobrecendo as pessoas aqui”, avalia Mayara. “Vemos isso de uma maneira espetacular. Pedimos e incentivamos que as pessoas continuem fazendo. O Brasil precisa receber esses relatos daqui. As pessoas não estão vivendo bem. Estão afetadas”, pede. Influência na campanha do Brasil Os vídeos e relatos em primeira pessoa deram visibilidade à campanha do PT na Argentina e influenciaram o debate nas redes sociais brasileiras sobre as consequências do modelo de ajuste fiscal de Milei. “Aumentamos muito o nosso engajamento nas redes sociais. Houve também uma ...
    続きを読む 一部表示
    7 分
  • Sociólogo alerta para risco de implantação de um regime totalitário no Brasil
    2026/10/16
    Uma eventual vitória do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, diante do presidente Luiz Inácio da Silva no segundo turno das eleições de 25 de outubro, poderá acelerar uma transformação profunda do regime político brasileiro. O alerta é do sociólogo Gabriel Feltran, especialista em violência urbana e crime organizado, para quem setores da extrema direita defendem um projeto que ultrapassa o autoritarismo. "A palavra certa é totalitário, não é apenas autoritário", afirma. A entrevista foi concedida à RFI após um debate realizado na Assembleia Nacional francesa sobre os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras. O encontro foi promovido pela deputada socialista Céline Hervieu, presidente do grupo de amizade França-Brasil, pela deputada ecologista Dominique Voynet e pela associação Autres Brésils. Atual diretor de pesquisa no CNRS, o maior organismo público de pesquisa da França e um dos mais importantes da Europa, e pesquisador da Sciences Po, Gabriel Feltran é reconhecido por seus trabalhos sobre violência, crime organizado, periferias urbanas e a expansão das facções criminosas no Brasil. Segundo ele, a disputa eleitoral revela uma divergência cada vez mais profunda sobre o próprio significado da democracia. "Se você pegar o discurso da direita extrema no Brasil, bolsonarista, esse discurso fala o tempo todo de democracia. Mas a concepção de democracia que eles têm é muito clara, explícita e significa a vontade da maioria." De acordo com o sociólogo, nessa lógica, os direitos das minorias deixam de ser um princípio fundamental da vida democrática. "Se há uma maioria que votou por eles, essa maioria tem o direito de fazer o que quiser." E resume: "Quem é minoria que se exploda." Para Feltran, essa visão se opõe frontalmente ao pacto democrático estabelecido pela Constituição de 1988. "Do outro lado, a gente pensa democracia justamente como a capacidade das minorias se expressarem num ambiente saudável", afirma. 'Inimigo comum' O pesquisador avalia que o discurso da extrema direita se organiza em torno da construção permanente de um inimigo comum. "Há sempre o cidadão contra um bandido idealizado", observa Feltran. Nessa narrativa, a promessa de restaurar a ordem passa pela exclusão dos grupos apresentados como responsáveis pelos problemas do país. "Nós estamos na mão do crime, mas vamos redemocratizar o Brasil, entregando o país para os cidadãos de bem, produzindo a eliminação daqueles que são, na perspectiva da extrema direita, a causa de todos os nossos problemas, os bandidos", afirma o sociólogo. O problema, segundo Feltran, é que a categoria dos inimigos tende a se expandir. "A esquerda é criminosa e, portanto, é bandido e, portanto, tem que ser eliminado." Radicalização da violência Ao comentar o avanço eleitoral de políticos ligados aos setores mais radicais da segurança pública, Feltran afirma que a violência passou a ser apresentada como uma ferramenta legítima da ação política. "Nós estamos vendo esse discurso da violência crua como forma de fazer política." Segundo ele, essa lógica transforma agentes da repressão e da justiça informal em referências positivas para parte do eleitorado. "Eles vão mobilizar o mundo policial e o mundo dos justiceiros, dos milicianos, dos grandes matadores, como um mundo ideal. É para limpar a sociedade, para que nós possamos viver bem." Por isso, sustenta, o fenômeno não pode ser descrito apenas como autoritário. "A palavra certa é totalitário, não é apenas autoritário, porque precisa eliminar uma parte da população para a gente ter o nosso projeto realizado." Exclusão política e social Na avaliação do sociólogo, o discurso do combate ao crime acaba servindo de base para uma dinâmica mais ampla de exclusão política e social. "Todo mundo que é contra o nosso projeto também é um traidor, portanto um lesa-pátria, portanto um criminoso." O mesmo mecanismo, afirma, pode se voltar contra outros segmentos da sociedade. "A ciência, quando ela vai contra o nosso projeto, ela passa a ser contra a religião da nossa maioria." Como consequência, segundo Feltran, "o pensamento minoritário em geral tende a ser esmagado." Após décadas pesquisando organizações criminosas e forças de segurança, Feltran diz enxergar uma radicalização preocupante do debate público brasileiro. "Não estamos falando nesse espaço de algo que é moderado. Estamos falando efetivamente de grupos que estão dizendo: nós precisamos eliminar isso." Ao encerrar sua reflexão, o sociólogo recorre a uma tira da personagem Mafalda para sintetizar sua preocupação com os rumos da violência política no Brasil. Na história, a menina pergunta ao pai: "Quando a gente tiver matado todos os bandidos, vão sobrar só os bons?" A resposta, diz Feltran, resume o alerta que procura fazer: "Nessa hora vão sobrar só os assassinos."
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Brasileiro Souza Dantas ajudou a fundar Casa da América Latina de Paris, hoje ameaçada
    2026/10/16
    A Maison de l’Amérique latine de Paris (MAL) está comemorando 80 anos. A instituição foi criada em outubro de 1946 pelo general De Gaulle, com a participação determinante do embaixador brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas. Mas, após oito décadas promovendo o diálogo entre a França e os países latino-americanos, a casa corre o risco de desaparecer. A Casa da América Latina de Paris foi fundada logo depois da Segunda Guerra Mundial pelo general Charles de Gaulle, em reconhecimento ao apoio dado pela América Latina e pelo Caribe à França Livre e à Resistência durante a ocupação nazista. O objetivo da nova instituição era promover a aproximação entre a França e as repúblicas latino-americanas e contrabalançar a influência dos Estados Unidos. Mas a história da casa é, antes de tudo, franco-brasileira. François Vitrani, diretor-geral da MAL desde 1984, lembra que “a ideia inicial era criar um local de acolhimento para os militares brasileiros da FEB que haviam combatido ao lado das forças aliadas” na Europa. Vitrani destaca o papel decisivo na criação da Casa do “célebre embaixador Souza Dantas, que representou o Brasil por muitos anos na França”. Durante a Segunda Guerra Mundial, Luiz Martins de Souza Dantas era o decano do corpo diplomático em Paris. Ele foi nomeado para o posto em 1922 e nunca abandonou o cargo durante a ocupação nazista, quando concedeu dezenas de vistos e salvou pessoas perseguidas pelo nazismo, principalmente judeus, contrariando inclusive as normas do governo brasileiro da época. Diplomacia cultural Souza Dantas foi preso pelos alemães em 1942 e, quando foi libertado em 1944, era uma das pessoas de maior prestígio em Paris. Ao longo de sua carreira, sempre buscou promover a cultura brasileira na França, ressalta o historiador Fabio Koifman, biógrafo do embaixador e autor do livro "O Quixote nas Trevas". “Desde que chegou a Paris, no final de 1922, ele esteve muito empenhado em fazer a diplomacia cultural do Brasil na França, por meio da promoção de eventos culturais, da recepção de intelectuais e artistas brasileiros. Ele já vinha, ao longo dos anos, bolando alguma coisa (...). Em 1946, ele tinha muito bons contatos no governo francês e conseguiu, com um grupo, abrir a Maison de l’Amérique Latine”, relembra o historiador. O embaixador brasileiro foi presidente de honra da Casa da América Latina até pouco antes de sua morte, em 1954. O prestígio de Souza Dantas foi confirmado na badalada festa de seu jubileu diplomático, em 1951, na Casa da América Latina. Segundo Fabio Koifman, foi “uma homenagem muito bonita. A participação dele em relação aos refugiados perseguidos pelo nazismo foi a parte final da carreira, mas antes ele já era uma pessoa muito prestigiada, não só formalmente, em razão da capacidade de agregar pessoas, estabelecer contatos e representar o Brasil, mas também na vida social. Ele usava esse contato, essa abertura, para desenvolver o que entendia como diplomacia, especialmente a diplomacia cultural”. Uma história, dois momentos A casa funcionou inicialmente como um clube privado fechado, financiado principalmente pelas contribuições de seus membros e por uma modesta subvenção do Ministério das Relações Exteriores francês. Era um local de encontro para diplomatas credenciados em Paris e de acolhimento para personalidades latino-americanas de passagem pela França. Foi somente após sua quase falência, na virada para os anos 1980, que a instituição se abriu ao grande público. A MAL foi salva graças à intervenção do presidente François Mitterrand. Depois de superada a crise, o governo socialista exigiu que a Casa, administrada por uma associação sem fins lucrativos, fosse autossuficiente financeiramente e se tornasse a “vitrine da cultura e da criatividade latino-americanas na França”. Nessa segunda etapa, “a Casa da América Latina deixou de ser um clube para se tornar uma instituição aberta a todos os latino-americanos”, conta François Vitrani. Para atingir esse objetivo, “a instituição contou com a ajuda de um jovem assessor de Mitterrand, François Hollande, que anos mais tarde se tornaria presidente da República e, por sua vez, ajudaria a Casa a dar continuidade às suas atividades”, indica o diretor-geral. A fórmula deu certo. A instituição recebe uma subvenção anual de € 25 mil (R$ 150 mil) do Ministério das Relações Exteriores da França e aluga os salões e jardins de sua histórica sede no Boulevard Saint-Germain, no coração de Paris, para financiar sua ação cultural e diplomática. Futuro ameaçado Mas o Banco da França, proprietário do imóvel, resolveu vender seu patrimônio por € 100 milhões (R$ 600 milhões). O edital de venda não obriga os potenciais compradores a manter o funcionamento da instituição no local. A Casa da América Latina, que tem em seus salões um importante acervo de obras, entre elas um ...
    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Artista brasileiro expõe na Fundação de Paulo Coelho e Christina Oiticica na Suíça
    2026/10/24

    O artista brasileiro Gabriel Wickbold está com uma exposição em Genebra, na Suíça, no espaço dedicado às artes da Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica. Em entrevista à RFI, ele falou sobre a mostra, o que representa estar na Suíça, e o que tem de Brasil no seu trabalho.

    Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

    A construção da imagem pessoal, a relação com a natureza, as marcas do tempo e a influência das redes sociais são alguns dos temas presentes na mostra “Immersion and origin: act II” (Imersão e origem: ato II).

    “É muito legal essa ideia de poder viajar com a obra", celebra o artista. "Eu estou falando no meu trabalho sobre conexões humanas e quando o meu trabalho também funciona de chave para ser essa conexão, eu fico muito feliz. Encontrar um público novo que nunca viu um trabalho é uma forma também de realimentar toda essa jornada”, diz.

    Para esta exposição, o artista apresenta uma instalação inédita em colaboração com a artista plástica Christina Oiticica. A obra explora a passagem do tempo, as marcas que deixa no corpo, na matéria e na experiência humana, numa reflexão sobre memória, permanência e impermanência.

    “Vinte anos, duas pessoas separadas por esse espaço de tempo e, no centro, uma Nossa Senhora, que é uma porta, na verdade, um caminho de passagem por onde a fé nos ajuda a atravessar essa jornada da vida”, explica o artista.

    Para Christina, “a instalação é um encontro muito bonito entre nossos trabalhos, acrescentando à obra uma dimensão de fé e proteção, em diálogo com o tempo, a memória e as nossas raízes brasileiras”.

    Ao ser questionado sobre a influência do Brasil em sua obra, Wickbold conta que, em 2006, fez uma jornada da nascente até a foz do rio São Francisco, que marcou seu início na fotografia. A série que produziu durante aquela viagem o ensinou muito sobre textura, mas também "sobre a relação do homem com a natureza e a relação dos mais velhos cuidando das crianças" nas casas que visitou. "Todo o meu trabalho desdobra dessa grande jornada pelo interior do Brasil”, explica.

    A influência das redes sociais nas nossas vidas

    A relação com a tecnologia também está presente na exposição e ganha diferentes perspetivas ao longo da mostra. Gabriel conta que, em 2016, fez uma série usando linhas que sufocavam a cabeça dos seus modelos, “criando uma instalação imersiva onde a gente também se sente o tempo inteiro construindo essas máscaras para poder sobreviver nas redes sociais”. Ele se refere à série “I Am Online”, que examina a vida mediada pelas redes digitais e o paradoxo de ligações que aproximam, mas também podem limitar e aprisionar.

    O artista conta que essa série vem sucedida de outra, que é o oposto. Em “I Am Light”, de 2018, ele fala que o ser humano é luz. “Quando ele olha para dentro, enxerga que é essa explosão. Então, uso o glitter para falar sobre esse desenho da luz no ar”.

    Gabriel diz que seu trabalho “é uma grande busca de autoconhecimento” e que vem aprendendo com cada uma das séries que produz. “Durante esses últimos 20 anos, eu trabalhei em oito diferentes séries autorais, sempre reinventando a minha linguagem e a forma estética com que o trabalho se apresenta. Essa grande busca pela identidade é também a grande narrativa do meu trabalho. Entender quem somos no mundo e como que cada uma dessas forças invisíveis influenciam na criação dessas imagens que eu chamo de imagens impossíveis”.

    A origem do artista

    Gabriel Wickbold vem de uma família conhecida no Brasil, de uma empresa do ramo alimentício, que fabrica pães, panetones e outros produtos a base de massas. Mas escolheu outro caminho, o da arte.

    “Eu acho que existe uma grande descoberta dentro do artista, que é essa voz original, essa vontade de uma mensagem para o mundo. E foi muito difícil, na verdade, encontrar esse espaço também dentro da minha família", admite. "Vencer essa luta e a história da própria natureza da família também foi um desdobramento. Descolar a marca do meu nome com uma marca que era conhecida por todos os brasileiros também foi uma vitória. E hoje, 20 anos depois, eu sinto que cada coisa está no seu lugar e seguimos felizes criando e podendo produzir arte para o mundo”.

    Segundo Gabriel, quem visitar a exposição vai encontrar uma coleção desses 20 anos de trabalho, algumas obras de cada uma das séries, a nova instalação com a Cristina e também os livros que compõem cada uma das fases do seu trabalho.

    Interessados podem visitar a mostra, que tem curadoria de Marcelo Mendonça, até o dia 21 de novembro. A entrada é gratuita. O Espaço das Artes da Fundação Paulo Coelho e Christina Oiticica fica na Chemin du Velours 26, em Genebra, na Suíça.

    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Da eleição brasileira aos protestos contra Trump, falta de transparência da Meta preocupa especialistas
    2026/10/29
    As suspeitas de interferência da Meta nas eleições presidenciais brasileiras provocaram reação no Congresso dos Estados Unidos e reacenderam o debate sobre a influência das grandes plataformas digitais nos processos eleitorais. Especialistas ouvidas pela RFI explicam as lacunas na legislação americana que dificultam investigações sobre essa prática. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Segundo duas especialistas americanas em integridade eleitoral, a falta de transparência sobre o funcionamento dos algoritmos impede determinar se as restrições enfrentadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram resultado de falhas técnicas ou de decisões deliberadas. “Os algoritmos da Meta estão inteiramente sob o controle da própria empresa e têm um poder enorme sobre o que é visto e quem vê. Sem transparência sobre como esses algoritmos deveriam funcionar, o público não tem como saber o que realmente aconteceu”, afirma Laura Edelson, professora de Ciência da Computação da Universidade Northeastern, em Boston, e diretora do Cybersafety Research Center, centro de pesquisas especializado em transparência dos algoritmos, desinformação e integridade eleitoral. A campanha de Lula acusa a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, de restringir sistematicamente o alcance de suas publicações, enquanto conteúdos ligados ao adversário, Flávio Bolsonaro, teriam recebido tratamento privilegiado. A empresa nega qualquer favorecimento político e atribui os problemas a falhas técnicas, incluindo erros nas ferramentas de publicidade e na aplicação automática de políticas contra fraudes. Em 22 de outubro, o senador Bernie Sanders e 12 deputados democratas americanos, liderados por Pramila Jayapal, enviaram uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo esclarecimentos sobre o tratamento dado às duas campanhas. Os parlamentares também solicitaram informações sobre eventuais contatos da empresa com o governo de Donald Trump a respeito das eleições brasileiras e defenderam uma auditoria independente dos sistemas da plataforma. Menos funcionários, mais inteligência artificial Para Laura Edelson, o problema vai além dos incidentes registrados na campanha brasileira. A pesquisadora afirma que a Meta vem reduzindo os investimentos nas equipes responsáveis por fiscalizar conteúdos e garantir a integridade das eleições, ao mesmo tempo em que transfere parte dessas tarefas para sistemas automatizados. “Historicamente, a Meta investiu muito pouco na segurança de suas ferramentas e sistemas de publicidade eleitoral. Isso acontece há muito tempo”, afirma. Segundo ela, essa tendência se intensificou nos últimos anos. “Nos últimos dois anos, a Meta reduziu sistematicamente os recursos destinados aos sistemas de confiança e segurança e às equipes de integridade eleitoral”, diz Edelson. A especialista considera que a substituição de funcionários por ferramentas de inteligência artificial pode aumentar a frequência de erros na aplicação das regras das plataformas. “A maneira como estão respondendo a esse problema é praticamente a mais barata possível. Eles reduziram sistematicamente suas equipes de segurança, de modo que há cada vez menos pessoas trabalhando nesses problemas. Isso leva tanto à aplicação excessiva quanto à aplicação insuficiente das regras”, explica. Edelson ressalta que não dispõe de informações suficientes para determinar se os problemas enfrentados por Lula também atingiram outros candidatos na mesma proporção. Para ela, seria necessário conhecer dados comparativos sobre suspensões de contas, restrições de anúncios e desempenho das publicações, incluindo informações sobre a campanha de Flávio Bolsonaro. Questionada sobre como distinguir uma falha algorítmica de uma interferência política deliberada, a pesquisadora foi categórica: “Esse é o problema. Não é possível.” Ex-executiva considera improvável interferência deliberada Katie Harbath, especialista em integridade eleitoral e ex-diretora de Políticas Públicas do Facebook, onde trabalhou por dez anos na relação da plataforma com governos e campanhas eleitorais em diferentes países, apresenta uma avaliação menos crítica sobre as intenções da empresa. Embora reconheça que observadores externos não conseguem verificar o funcionamento dos sistemas, ela considera improvável que os problemas técnicos enfrentados pela campanha de Lula tenham motivação política. “Eu acredito na Meta quando diz que não há viés político nos problemas técnicos que a conta de Lula possa ter enfrentado. As equipes são muito cuidadosas para garantir que ofereçam os mesmos tratamentos a todos os partidos e candidatos”, afirmou. Harbath, que deixou a companhia há seis anos, ressalta que sua avaliação se baseia na experiência que teve dentro da empresa, e não no conhecimento de suas ...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Cacau abre mercados para o Brasil, mas chocolate pode voltar a ser artigo de luxo devido à crise climática
    2026/10/30
    Do pé de cacau à barra de chocolate, o Brasil hoje domina toda a cadeia de produção e aposta cada vez mais na qualidade para conquistar mercados internacionais. E o cacau brasileiro carrega um diferencial que vai além do sabor: ele ajuda a preservar a floresta. Maria Paula Carvalho, da RFI Quem explica é André Luiz Carvalho Scampini, secretário-executivo da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (ACAU). Segundo ele, uma das formas mais tradicionais de cultivo é a cabruca, sistema em que o fruto é plantado sob a cobertura da mata nativa. "O cacau é uma forma de preservar o ambiente. Por quê? Porque um sistema mais tradicional de plantio do cacau é a cabruca. É uma palavra indígena. Não tem tradução para outros idiomas e significa roça, cultivo, lavoura. A cabruca, para o cacau, é a gente plantar o cacau na mata nativa, dentro da própria mata." Scampini lembra que a planta é originária da Amazônia e se desenvolve naturalmente à sombra das árvores. Segundo ele, esse modelo de cultivo está diretamente ligado à origem do fruto. "O cacau é um fruto da Amazônia brasileira. Ele não é sul-americano. Ele surgiu na Amazônia brasileira e, ao longo dos séculos, os indígenas foram levando as sementes pelo continente até chegar ao México. Quando os espanhóis chegaram ao México, conheceram o cacau através dos astecas. Mas a origem do cacau é a Amazônia brasileira. Tanto é que o cacau é primo do cupuaçu", explica. Por ter surgido em ambiente florestal, o cacau se desenvolve melhor sob a proteção de árvores maiores. "Então ele está acostumado a ficar à sombra das grandes árvores. Ele está acostumado com a água", acrescenta. O sistema conhecido como cabruca surgiu muito antes de existir legislação ambiental ou debates sobre sustentabilidade. No sul da Bahia e no Espírito Santo, produtores mantiveram áreas de Mata Atlântica em pé justamente para cultivar o cacau. "Então ele foi plantado dentro da Mata Atlântica. Se hoje na Bahia e no Espírito Santo existe Mata Atlântica, agradeça ao cacau, porque o produtor escolheu. Ele decidiu manter a mata para plantar cacau", afirma Scampini. O Espírito Santo também aposta na valorização da origem do produto. Linhares, no norte do estado, recebeu a primeira indicação geográfica brasileira para amêndoas de cacau. "Nós temos a indicação geográfica, o Cacau Linhares. A indicação geográfica é a mesma coisa que champanhe, bordô, Borgonha ou Serra da Canastra. A nossa é a pioneira." Segundo Scampini, as características naturais da região conferem qualidades únicas ao produto. "Existe o terroir, que é o microclima, a qualidade da terra e a qualidade da água, que tornam a amêndoa de cacau produzida em Linhares diferente. Então ela é mais aromática, mais frutada, tem um sabor mais suave e uma maior concentração de manteiga de cacau." A estratégia agora é levar essa qualidade para novos mercados. "Então, assim, nós temos qualidade. E, se nós temos qualidade, vamos apresentar essa qualidade ao mundo. Vamos levar essa qualidade para a Europa também. Estamos de olho na Ásia, que é um mercado que está crescendo muito. Por isso estamos presentes aqui no Salão do Chocolate, para nos apresentar." Salão do Chocolate em Paris Produtores brasileiros, especialmente do Pará, da Bahia e do Espírito Santo, participam do Salão do Chocolate e da Patisserie, em Paris, entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro. Chocolate em barra, em pasta e em calda: durante cinco dias, o público pode degustar diferentes produtos e acompanhar concursos que premiam as melhores receitas de confeitaria. “Nesses eventos, vamos evoluindo a nossa produção de cacau, vai melhorando e conseguimos comercializar de forma mais rápida a nossa amêndoa e nossos subprodutos”, afirma Ivaldo de Santana, expositor do Pará. Mas o setor também reivindica uma remuneração mais justa para os produtores. Em entrevista à RFI, Marco Lessa, coordenador da missão brasileira em Paris, defende uma melhor distribuição dos ganhos ao longo da cadeia produtiva. “A luta maior é para que haja um preço justo, seja para o cacau brasileiro como o africano e do mundo inteiro. O produtor tem que ter uma participação maior que a matéria-prima, o protagonista é o produtor de cacau”, diz. Segundo ele, "não faz sentido que de uma barra de chocolate, só 7% do preço dela é do produtor". “É importante que os consumidores saibam, ao comer, e ao comprar, o impacto disso na vida das pessoas”, completa. Cacau pode virar artigo de luxo O futuro do setor, porém, traz desafios. As mudanças climáticas já afetam regiões produtoras e podem transformar novamente o chocolate em um produto de luxo. É o que alerta Elis Joinville, da Cacau Brasil. "O chocolate, historicamente, era um produto de luxo. Até os anos 40 e 50. Com o passar do tempo, outras maneiras de fazer chocolate foram surgindo para popularizar o ...
    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Projetos sociais de Fortaleza apostam no acolhimento para mudar destino de pessoas vulneráveis
    2026/10/02
    Num momento em que a pobreza, a insegurança alimentar e a violência seguem no centro do debate público, iniciativas comunitárias em Fortaleza procuram responder a desafios que as estatísticas não conseguem captar. No São João do Tauapé e no Grande Jangurussu, dois projetos atuam em frentes distintas, mas movidos pelo mesmo objetivo: oferecer acolhimento a pessoas invisíveis às políticas públicas, entre elas adolescentes, idosos, moradores de rua e famílias em extrema vulnerabilidade social. Márcia Bechara, enviada especial da RFI a Fortaleza A poucos quilômetros da avenida Beira Mar, cartão-postal da capital cearense, indicadores de desenvolvimento social considerados elevados convivem com uma realidade menos visível. Em bairros oficialmente inseridos em áreas de alta renda ou de bom desempenho socioeconômico, moradores enfrentam insegurança alimentar, moradia precária, dependência química e dificuldades de acesso a serviços públicos. Em outros pontos da cidade, a violência segue moldando trajetórias de crianças e adolescentes. É nesse cenário que atuam o Instituto Sanitas, no São João do Tauapé, e o Meninos de Deus, no Grande Jangurussu. Com perfis distintos, as duas iniciativas lidam diariamente com consequências de problemas estruturais que atravessam décadas. No São João do Tauapé, o trabalho desenvolvido pelo Instituto Sanitas nasceu de uma decisão que alterou a trajetória de Frei Nailson. "Quando eu fundei a iniciativa, a minha ordem religiosa não acolheu a ideia e desejou me transferir, desejou me enclausurar, então eu abri mão desses direitos religiosos para ficar com o Sanitas." A instituição está localizada numa região com indicadores positivos de desenvolvimento. Para o religioso, no entanto, os números escondem realidades bastante distintas dentro do mesmo território. "Quando você olha o IDH, é alto. Mas quando você adentra as comunidades, você olha verdadeiros bolsões de miséria." Na avaliação dele, essa discrepância produz um efeito direto sobre a formulação de políticas públicas. "Essas pessoas acabam sendo invisibilizadas, porque não têm dados estatísticos que comprovem pobreza." O instituto atende diariamente entre 250 e 300 pessoas por meio de uma cozinha solidária que distribui refeições pela manhã e sopa no período da tarde, para um público de moradores de rua, idosos, mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade. Ao redor do serviço de alimentação, foram sendo incorporadas outras atividades, como atendimento psicológico, qualificação profissional e ações na área da saúde. A expansão dessa atuação ocorreu sobretudo a partir da pandemia. Frei Nailson associa aquele período ao agravamento da fome e da exclusão social observadas nos bairros atendidos pelo projeto. "Nós não queremos voltar de onde viemos, do Brasil que estava no mapa da fome, das pessoas que não tinham o que comer." Recentemente, a cozinha foi selecionada para participar de um projeto-piloto nacional voltado à sustentabilidade ambiental de equipamentos comunitários. A iniciativa prevê o uso de energia solar, biodigestor para reaproveitamento de resíduos orgânicos e produção de biofertilizante destinado a uma horta urbana. O programa envolve parceria entre a Cáritas Brasileira, órgãos do governo federal e a Itaipu Binacional. Apesar da estrutura ampliada, o ponto mais sensível do trabalho continua sendo o atendimento de pessoas que encontram poucos espaços de acolhimento. Entre elas estão usuários de álcool e outras drogas. "Eu prefiro eles aqui dentro, bêbados, tendo uma oportunidade, do que eles na esquina abandonados." Leia também'Só quero respirar': ialorixá vê 'fascismo religioso' às vésperas das eleições no Brasil Violência como ponto de partida Se no São João do Tauapé a principal demanda gira em torno da insegurança alimentar e da exclusão social, no Grande Jangurussu a violência aparece como o ponto de partida da história contada por Paulinho Uchoa. Há cerca de 30 anos envolvido com ações comunitárias, ele afirma que o trabalho que mais tarde daria origem ao Instituto Meninos de Deus nasceu da convivência com um grupo de adolescentes envolvidos em conflitos territoriais. O desfecho daquela experiência moldaria toda a sua atuação posterior. "Eram 43 adolescentes e jovens com idade de 12 a 25 anos. Desses 43 que aterrorizavam a região, 36 deles foram mortos, assassinados", afirma. As mortes ocorreram em disputas entre gangues e conflitos ligados ao controle de territórios numa região historicamente marcada por altos índices de vulnerabilidade social. A sequência de homicídios levou Paulinho a direcionar sua atuação para a prevenção da violência entre crianças e adolescentes. Mais do que uma atividade temporária, diz ter transformado a experiência numa missão pessoal. "Eu disse que mais ninguém iria morrer." O Instituto Meninos de Deus hoje mantém quatro ...
    続きを読む 一部表示
    7 分