エピソード

  • Na Eurosatory, indústria de defesa brasileira busca espaço em mercado em expansão
    2026/06/17
    Armas, munições, veículos blindados e drones. Em um momento de aumento dos gastos militares e de intensificação das tensões internacionais, a Eurosatory 2026 reúne em Villepinte, na Grande Paris, um dos maiores encontros da indústria de defesa do mundo. Ao circular pelos pavilhões do evento, não é difícil imaginar como é o front. Maria Paula Carvalho, da RFI Em um cenário internacional cada vez mais tenso, países ampliam investimentos em defesa sob o argumento de garantir a paz, impulsionando um mercado em plena expansão. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares globais atingiram 2,7 trilhões de dólares em 2024, o maior valor já registrado, com aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. A Eurosatory coincide com a cúpula do G7 na França, que reúne líderes mundiais, incluindo Donald Trump, para discutir os principais conflitos internacionais. "Os gastos e os orçamentos estão aumentando significativamente em todos os países, principalmente na União Europeia. Isso é o que eu chamo de oportunidade", analisou em entrevista à RFI o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa brasileiro, tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues, que veio a Paris participar da Eurosatory. O Brasil marca presença, ele destaca. "São 24 empresas brasileiras de defesa expondo nesta feira, que é gigante — talvez a maior do mundo nessa área — e tenho certeza de que vamos fazer bonito e ter resultados expressivos." O setor já movimenta cifras relevantes para o país. "Nós temos muita capacidade, muita tecnologia, empresas excelentes para produção de armamento. Temos cerca de US$ 4 bilhões em exportações por ano — não é uma coisa trivial — e esperamos aumentar esse volume com o passar do tempo", completou. "A indústria de defesa brasileira está preparada para acompanhar esse aumento da produção global," concluiu o tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues. Com mais de 2 mil expositores de 65 países, a Eurosatory reúne o que há de mais avançado em tecnologia militar. Até sexta-feira (19), empresas e delegações buscam ampliar contatos e fechar negócios. "Ver e ser visto" Entre os brasileiros, a Cinadra aposta na internacionalização. A empresa fabrica componentes para bombas e munições e atua nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. O CEO Marcello de Brito Meira destaca a importância da visibilidade no evento: "É o famoso ver e ser visto, num mercado global. O Brasil já foi um grande player e está voltando a se projetar nesse mercado. Então, para a gente, estar aqui é muito importante." Ele ressalta o modelo de atuação da companhia: "Nós fabricamos no Brasil componentes para bombas, munições de artilharia, infantaria e carros de combate, tudo exportado para o mundo, tecnologia brasileira." E completa: "Vendendo componentes, eu tenho acesso a mais mercados. Eu não sou competidor de ninguém, então consigo fornecer para várias empresas da mesma área." O coronel Antônio Ribeiro, diretor de promoção comercial da Abimde — a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança — afirma que as empresas vêm à feira em busca de diferentes oportunidades: contratos, novos fornecedores, representantes comerciais no exterior e também para fazer benchmarking de seus produtos, avaliando se estão alinhados com a demanda do mercado. "A França é um ponto de encontro. Iremos receber aqui delegações da África, da Ásia e até da América do Sul", completa. "Não somente a França, mas todo esse entorno geográfico acaba refletindo e ressentindo essa movimentação política e geopolítica que a Europa está vivendo, desde o conflito na Ucrânia até essa mudança de postura de outros players. Há também a questão da migração descontrolada, que gera um problema não apenas de defesa, mas de segurança pública. Então, este é um local muito adequado para discutir todos esses aspectos", conclui. "Espaço Brasil" O Espaço Brasil reúne empresas de áreas como comunicação, comando e controle de drones, cibersegurança, engenharia de sistemas e suporte logístico. O estande conta com apoio também da ApexBrasil, agência de promoção de exportações. Para o especialista em negócios internacionais da entidade, Daniel Pirola, a feira tem alcance global: "É a principal feira da Europa. Daqui, a gente consegue vender não só para a Europa, mas também para o Oriente Médio e boa parte da Ásia. Esta feira é uma referência mundial e, para nós, é uma baita oportunidade." Ele destaca ainda o crescimento da participação brasileira: "Este ano, estamos batendo um recorde de expositores." E avalia o contexto internacional: "O mundo inteiro está se armando, isso já é um fato, e tem sido bom também para as empresas brasileiras de defesa." Segundo Pirola, o país oferece uma ampla gama de produtos: "Desde software de sistemas até ...
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  • Entre milagres e casamentos: a fascinante história de Santo Antônio
    2026/06/12
    Santo Antônio, um dos santos mais populares em Portugal, é comemorado de formas muito diferentes em todo o mundo neste mês de Junho. Do Brasil à Índia, do Timor a Macau, a devoção ao religioso foi difundida pelos portugueses. Conhecido como o santo casamenteiro, Santo Antônio é bastante celebrado no Brasil com encenações de casamentos, simpatias, bandeirinhas coloridas e comidas típicas. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Basta entrar o mês de junho para que os brasileiros comecem a se programar para as tradicionais festas juninas. Nesta época, os arraiás se espalham por todo o país, de norte a sul, ganhando contornos e sabores regionais. Santo Antônio é o primeiro a ser homenageado, no sábado, 13 de junho, data em que é aberta a temporada dos festejos dos santos populares, que reúne milhões de pessoas e movimenta bilhões de reais, ficando atrás apenas do Natal e do Carnaval. São muitas as tradições ligadas ao religioso, e o “pão de Santo Antônio”, costume que vem da França do século XIX, é uma das mais populares em Portugal. O antropólogo Pedro Teotónio Pereira, diretor do Museu de Santo Antônio em Lisboa, explica à RFI que “o pão é vendido nas igrejas de Santo Antônio e deve ser guardado de um ano para o outro para que não falte alimento em casa”. Santo Antônio, o casamenteiro, ganhou essa fama no século XVII, em Portugal, quando ajudou uma mulher a se casar com quem realmente amava, em uma época em que os matrimônios eram arranjados pelos pais. Mas os pedidos para que Santo Antônio arranje namorados ou maridos permanecem atuais nos dois lados do Atlântico. Caso eles demorem a ser atendidos, o santo é mergulhado de cabeça para baixo na água, virado para a parede ou colocado em um poço, até que o protetor das moças encontre um amor para as donzelas, ou nem tanto assim. Vida & obra Santo Antônio, ou Fernando Martins de Bulhões, nasceu em 1191, em Lisboa, em plena reconquista da Península Ibérica pelos reinos cristãos das mãos dos muçulmanos. Segundo filho de uma família burguesa, coube a Fernando escolher entre a carreira militar ou a vocação religiosa. Aos 18 anos, ele decide tomar o hábito de Cônego Regrante de Santo Agostinho e, mais tarde, segue para Coimbra, onde vive mais dez anos, aprofundando os seus estudos e conhecimentos. Em Coimbra, ele encontra cinco frades franciscanos que iriam evangelizar o Marrocos, mas que são martirizados quando chegam ao país. Os restos mortais dos frades são enviados de volta a Coimbra, e o noviço Fernando fica tão abalado com o episódio que decide passar para a Ordem dos Franciscanos, mudando o seu nome para Antônio. Santo Antônio tinha uma inteligência fora do comum e um conhecimento extraordinário; ele sabia a Bíblia quase de cor. Segundo Pedro Teotónio Pereira, São Francisco de Assis vai entender que é preciso alguma erudição, além de ajudar os pobres. “Santo Antônio revela todo o seu conhecimento que tinha das Escrituras e vai ser considerado por São Francisco o primeiro teólogo franciscano”, ressalta. O Milagre dos Peixes Não se conhecem milagres de Santo Antônio em vida; só depois é que vão sendo revelados. Quando ele morreu em Arcela, nos arredores de Pádua, as crianças nas ruas intuíram e começaram a gritar: Morreu o Padre Santo! Morreu Santo Antônio! Quando o seu corpo foi transladado para Pádua, três dias depois de sua morte, há relatos de muitos milagres, e são estes milagres que vão acompanhar o seu processo de beatificação. “Santo Antônio distingue-se como um grande taumaturgo; ele é conhecido pela quantidade de milagres que fez. É curioso porque, no processo de beatificação de Santo Antônio, os seus milagres foram muito ligados à cura de doentes. Só mais tarde vão ser acrescentados, ao longo dos anos, outros tipos de milagres”, comenta o antropólogo. O Sermão aos Peixes é o milagre mais famoso de Santo Antônio e acontece quando o religioso vai a Rimini, na Itália, para tentar converter os hereges. Sem sucesso, Santo Antônio anda até o mar e fala com os peixes: “vocês também são filhos de Deus e entendem o que eu tenho a dizer”. É quando peixes começam a aparecer, de cabeça de fora, mostrando atenção ao seu sermão. Isso provoca um impacto muito grande junto aos hereges que estavam assistindo à cena e, assim, Santo Antônio consegue convertê-los. Festas nas ruas de Lisboa Em junho, Lisboa traz o seu coração para fora e comemora o Sant’Antoninho, um dos padroeiros da cidade, tratado quase como um membro das famílias portuguesas. Os lisboetas se alegram nos arraiás celebrados nos bairros populares, onde se vendem sardinhas e chouriço assados. A programação é extensa nesta sexta-feira e sábado, com destaque para os casamentos de Santo Antônio celebrados na Igreja da Sé, a bênção com a relíquia do santo, as missas, as marchas populares na Avenida da Liberdade e a ...
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  • Roland-Garros: nova geração projeta ciclo promissor para o tênis brasileiro
    2026/06/04
    Com o torneio de Roland-Garros chegando ao fim, o desempenho do carioca João Fonseca, que alcançou as quartas de final, trouxe entusiasmo aos torcedores brasileiros. Mas não foi apenas no circuito profissional que o país chamou atenção em Paris. A participação consistente das novas gerações, nas categorias juvenis, indica um cenário promissor para o tênis nacional nos próximos anos. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros A avaliação é compartilhada por um nome experiente do circuito. O duplista Marcelo Demoliner, que chegou às quartas de final nesta edição do torneio, vê um momento especialmente positivo para o tênis no Brasil. “Eu acho que o tênis brasileiro está vivendo um momento maravilhoso, tanto no profissional, como isso também faz com que a nova geração acredite mais nela, vendo que os profissionais estão chegando”, disse em entrevista à RFI. "O contato que temos com eles é importante para passar experiência e confiança de que eles também podem chegar. A gente vai ter aí uns dez anos de um bom ciclo no tênis brasileiro”, aposta. Nas arquibancadas, o entusiasmo também é evidente. A torcedora Gabriela Costa destacou o nível apresentado pelos jovens atletas. “É muito impressionante. O nível dos juniores já é impressionante de ver. A próxima geração está vindo forte, inspirada pelo João”, disse. Os resultados confirmam essa impressão. Jovens tenistas brasileiros acumulam vitórias importantes em simples e duplas, evidenciando a força da base e a renovação do esporte. Entre os destaques, o goiano Luis Guto Miguel, de 17 anos e número 4 do mundo no ranking juvenil, alcançou a semifinal, ao vencer, na quinta-feira (4), o austríaco Thilo Behrmann por dois sets a um, com parciais de 6/4, 1/6 e 6/3. Já Leonardo Storck França avançou após derrotar o americano Jack Kennedy com um tie break nas quartas de final por 6/3 e 7/6 (7-1). O percurso até esse nível é resultado de anos de trabalho. Eduardo Frick, CEO da Rio Tennis Academy, onde Leonardo treina, detalha essa trajetória. “O Leonardo está conosco desde os 13 anos. Ele chegou de Cuiabá e mora na academia. É um trabalho de quase três anos e meio. Ele conquistou a vaga ao vencer o Roland-Garros Junior Series, um projeto de parceria entre a Federação Francesa de Tênis e a Federação Sul-Americana”, explica. Frick também destaca características técnicas do atleta: “Ele tem um diferencial que eu gosto muito, que é a esquerda com uma mão. Hoje em dia isso é raro. Mas ele precisa transformar isso em vantagem. É um menino com um jogo bonito, com muita garra e evolução mental.” Victoria Barros, um talento em ascensão Outro nome que chamou atenção foi o da jovem Victoria Luiza Barros. A brasileira se classificou para a semifinal nesta quinta-feira, após uma virada sobre a sul-coreana Ha Num Lee, com parciais de 2/6, 6/1 e 6/4 — resultado superior ao desempenho de 2025, quando parou na terceira rodada. A tenista destaca a importância da consistência no processo. “Eu sou muito focada no dia a dia, em cada momento na quadra, em cada bola. Venho de bons jogos e de um bom processo. Claro que trabalho para chegar ao profissional, mas é passo a passo. Fico feliz com o reconhecimento, confio em mim, mas preciso seguir no meu ritmo”, disse à RFI. Essa confiança, sobretudo o talento, chamou a atenção de quem acompanha de perto o tênis feminino latino-americano. Após a carreira como jogadora, Claudia Van der Weck consolidou-se como treinadora internacional, atuando especialmente na formação de atletas e no circuito juvenil. Depois de trabalhar com nomes de destaque do tênis brasileiro, como a gaúcha Miriam D’Agostini, ela afirmou à RFI que viu algo diferente na jovem Vitória. “Eu fiquei em estado de choque. Assisti ao jogo e não podia acreditar no que estava vendo. Porque eu conheço três ou quatro gerações de brasileiras, incluindo a Maria Esther Bueno, mas nunca vi um talento como Victoria Barros. Além de ter todos os golpes, ela tem uma direita muito forte, talvez como a Sabalenka, quando ela acelera e imprime muita potência”, afirma. "Eu vi isso na Barros e fiquei em choque. Depois vi o saque e fiquei apaixonada, pois é tecnicamente perfeito. Vi algo que não via há muito tempo: ela desfruta do jogo. Eu vi uma quantidade de coisas que, em 15 anos, eu não via em uma juvenil no mundo. Ela é um diamante”, compara. Mesmo aqueles que não avançaram no torneio mantêm a ambição. O brasiliense Pedro Chabalgoity, 18 anos, sonha com o futuro. “Quero voltar aqui. Tenho o sonho de ganhar esse torneio, mas é pensar no passo a passo. Pensar muito no futuro traz ansiedade”, diz. O contato direto com o circuito profissional também tem impacto importante na formação dos jovens. Nauhany Vitória Leme da Silva, a Naná, 16 anos, destacou a inspiração ao conviver com atletas de elite. “Fico muito feliz de estar aqui com os ...
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  • Entre o calor e a paixão pelo tênis: brasileiros inflamam as arquibancadas em Roland-Garros
    2026/05/28
    Com temperaturas excepcionalmente altas em Paris, o público tem lotado o complexo de Roland-Garros, na zona oeste da capital francesa, onde são disputados esta semana os torneios de simples e de duplas do Grand Slam francês no saibro. Sob sol forte, os torcedores enfrentam o calor para acompanhar de perto os jogos e também para apoiar os brasileiros na competição. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros “Está difícil, mesmo para um carioca está muito difícil, porque a maioria das quadras externas ficam no sol o dia todo e tem uma hora que o carisma acaba”, relatou à RFI a torcedora Júlia Febraro. Se nas arquibancadas o calor impõe desafios, dentro de quadra as condições também influenciam diretamente o jogo. O carioca Fernando Romboli, número 73 do ranking da ATP de duplas, foi um dos afetados. Ele perdeu na estreia ao lado do australiano John-Patrick Smith, por dois sets a um. “Está fazendo esse calor aqui em Paris já há uns cinco ou seis dias, então as condições a gente já estava acostumado. A bola quica mais por causa do calor, porque ela fica mais dura. Quando há umidade, mais frio, a bola fica mais macia, então ela anda menos, pica menos na quadra e o jogo fica mais lento”, explicou o tenista. Além de Romboli, outros três brasileiros entraram em quadra, na quarta-feira (27) pelo torneio de duplas. A única a avançar para a próxima fase foi a paulista Luisa Stefani. Aos 28 anos, número 9 do ranking de duplas da WTA, ela estreou com vitória ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, número 4 do mundo na modalidade. A dupla chegou embalada pelo título do WTA 500 de Estrasburgo, conquistado na semana passada, e confirmou o bom momento em Paris, com triunfo em sets diretos, por 6/2 e 6/3, contra a holandesa Isabelle Haverlag e a britânica Maia Lumsden. “Estou super feliz de estar de volta. Sempre vejo como uma linda oportunidade estar de volta em um Grand Slam, é onde a gente quer ter as nossas melhores semanas. E estou feliz com a estreia também", disse. "Está bem calor e as condições estão mais rápidas, diferente de Estrasburgo. A gente vem de um título lá, então acho que é continuar com as mesmas intenções, melhorando, usando essa confiança, mas sentindo o jogo. Hoje elas acabaram dando muitos pontos de graça, a gente manteve a pressão do começo ao fim, sabendo que impondo o nosso jogo elas teriam que jogar bem, mas a gente fez um jogo bem firme”, analisou Stefani. "Frustração" nas duplas masculinas Já os gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos, que estrearam como cabeças de chave número 16, foram eliminados na primeira rodada. Eles foram superados pela dupla formada pelo americano Evan King e o sueco Andre Goransson, em dois sets. Os brasileiros chegaram a sair na frente, mas viram os adversários levarem o primeiro set ao tiebreak e dominar o restante da partida. Após a derrota, Orlando Luz lamentou o resultado e destacou a expectativa da dupla em torneios desse nível. “Não tem como entrar num torneio sem expectativa. A gente queria fazer um bom torneio, uma boa semana, como todos os outros. A gente fez quartas de final na Austrália, ano passado eu tinha feito quartas aqui, o Rafa fez quartas em Wimbledon. Em Grand Slam a gente sempre imagina chegar na segunda semana, é o objetivo. Então fica um pouco a frustração”, disse à RFI. Rafael Matos volta à quadra nesta quinta-feira (28) para a disputa de duplas mistas, ao lado da espanhola Cristina Bucsa. O tenista ressaltou a importância de virar a página após a eliminação. “Melhor de três tem que ganhar dois sets, perder o primeiro vai acontecer muitas vezes, hoje a gente deixou cair nesse início e eles aproveitaram, fizeram a quebra e mantiveram até o final", avaliou. "Agora vamos esquecer hoje e amanhã é um novo dia, uma nova competição. Assim é o tênis, uma nova semana, jogo a jogo”, afirmou. João Fonseca enfrenta Djokovic A grande expectativa do Brasil em Roland-Garros segue sendo o carioca João Fonseca. Na quarta-feira, ele venceu de virada o croata Dino Prizmic, número 72 do ranking da ATP de simples. O brasileiro vai enfrentar, pela primeira vez, o sérvio Novak Djokovic, na sexta-feira (29), pela terceira rodada do torneio. Em entrevista aos jornalistas após a partida, disse: “Vai ser duro. Quero aproveitar essa experiência, mas chegar à terceira rodada já é um sonho. Eu o respeito, mas farei o máximo para vencer”. Fora das quadras, o jovem tenista mobiliza torcedores. "Fomos buscar, brasileiro é guerreiro. Estamos aqui no sol, mais de 5 horas em pé, mas o João mereceu muito", disse Gabriel Batista, médico de passagem por Paris. Uma família que veio de São Paulo acompanhou de perto um treino do brasileiro e comemorou o contato com o jogador. “Muito quente, mas muito legal. Muitos jogos importantes. Acabamos de ver o João Fonseca treinando com as crianças e eles ficaram muito felizes de vê-lo. Ele autografou a bola, e ...
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  • Ser ou não ser português: acesso à cidadania para descendentes de judeus sefarditas chega ao fim
    2026/05/25
    A nova Lei da Nacionalidade, que acaba de entrar em vigor em Portugal repleta de alterações, mudou o destino de milhares de pessoas, entre elas, os descendentes de judeus sefarditas, agora impedidos de obter a cidadania portuguesa. Desde 2015, quem comprovasse a descendência dos antigos judeus ibéricos perseguidos podia se naturalizar no país sem os habituais requisitos de residência e domínio da língua. Mais de 400 mil processos de nacionalidade pela via da descendência sefardita ainda aguardam resposta do governo português. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Há mais de 500 anos, Portugal expulsou milhares de judeus de seu território e obrigou os que ficaram a se converter ao catolicismo. Uma reparação histórica foi aprovada em 2015, mas as portas se fecharam agora com a nova Lei da Nacionalidade. Para a comunidade, o fim do regime especial de concessão da cidadania portuguesa pela ancestralidade sefardita inviabilizou bem mais do que um meio de adquirir a nacionalidade. A mudança impediu um retorno simbólico às raízes dos antepassados que viveram em Portugal antes da diáspora. A antropóloga Marina Pignatelli, professora de antropologia da Universidade Técnica de Lisboa (ISCSP) e pesquisadora do CRIA, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, diz que “muitos requerentes ao fazerem a busca genealógica encontraram essas raízes judaicas e se encantaram com elas. Eles acabaram por desenvolver uma ligação forte com Portugal, com as terras onde os antepassados tinham origem”. Pignatelli tem uma impressão ambivalente sobre as mudanças na lei. “Por um lado a lei foi justa, devia continuar aberta, porque se é uma reparação histórica não deveria ter um limite temporário. Mas por outro lado, a lei foi toda mal feita desde o início, e os quesitos de como as pessoas deviam fazer o processo foram bastante arbitrários”, esclarece. “Então, isso permitiu que as comunidades judaicas em Portugal criassem critérios diferentes para as pessoas se habilitarem ao passaporte", aponta a antropóloga. "Essa duplicidade criou confusão, dúvidas sobre o processo e começaram a haver críticas em nível político ao governo português por estar 'vendendo' os passaportes. E isso nunca devia ter acontecido. Isso é um processo de reparação histórica que não devia ter a ver com política, nem com mercantilização”, conclui. A advogada Ana Pacheco Araújo, especialista em imigração e direito internacional afirma que as pessoas que foram afetadas pela extinção desta via sefardita vão sofrer consequências em muitas décadas. “Nós vamos ter famílias inteiras em que metade é portuguesa, metade não é. Ou que o pai é, e o filho não é; que o filho é, e o pai não é. Então, é necessário também algum tipo de legislação para resolver estas questões mal resolvidas pela Assembleia da República”, pondera. Pacheco Araújo chama a atenção para a forma abrupta da mudança do sistema. "Não se trata de término de direito por limitação da própria reparação ou que a reparação histórica já foi realizada. A limitação se dá pela ingerência estatal em não conseguir analisar os milhares de processos que estão sendo submetidos, em não criar regulamentação da lei, e com isso, a grande culpa foi jogada aos descendentes, e não na falta de estruturas mais rígidas de análise, o que é muito complicado porque o objetivo pelo qual a lei foi criada simplesmente foi esvaziado.” Quando o presidente português, António José Seguro, promulgou a nova Lei da Nacionalidade, no início do mês, ele pediu que os processos pendentes não fossem afetados. Com a publicação da lei e suas alterações no Diário da República, o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), órgão do Ministério da Justiça de Portugal, confirmou que o que irá definir a aplicação ou não das novas regras é a data de submissão do pedido de cidadania na plataforma online do IRN. Há cerca de 700 mil processos em curso no IRN, sendo a maioria de brasileiros. Mais da metade dos pedidos de nacionalidade portuguesa pendentes são de descendentes de judeus sefarditas. O empresário mineiro Sérgio Mendes conseguiu comprovar suas raízes judaicas ainda quando morava no Brasil. No ano passado, quando recebeu o título de residência, decidiu mudar para Portugal com a família; mas assim como milhares de pessoas, Sérgio está aguardando a cidadania portuguesa pela via sefardita. “No início, fiquei decepcionado com as mudanças da lei, mas mesmo assim vou continuar morando aqui em Portugal esperando o meu processo avançar”, conta. Jordania Benevides, presidente da Associação dos Descendentes de Judeus Sefarditas em Portugal, comenta que o fim da concessão da cidadania portuguesa provocou decepção na comunidade, que se mobiliza. "Nós protocolamos uma petição junto ao Parlamento e os descendentes não a estão assinando porque ...
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  • Coprodução brasileira 'Seis Meses no Prédio Rosa e Azul' é elogiada pela crítica em Cannes
    2026/05/21
    A coprodução brasileira "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, estreou em Cannes na mostra paralela Semana da Crítica. O longa é inspirado nas memórias do cineasta, mais precisamente no momento em que ele tinha 11 anos, nos anos 1990, quando o pai foi diagnosticado com o vírus HIV. Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Cannes O longa foi elogiado pelo jornal Libération. “A memória vibrante do mexicano Bruno Santamaria Razo tem uma audácia incrível”, escreve o diário francês. Rodado em 16 mm, “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” é um filme híbrido, que mistura ficção e documentário. Com cores vivas e muita alegria, Bruno Santamaría Razo relembra a época de seu aniversário de 11 anos, quando começava a descobrir sua sexualidade e não compreendia completamente a situação após o diagnóstico do pai. A tensão do momento foi esquecida, como um trauma, durante quase 30 anos e veio à tona durante a pandemia de Covid-19. “Durante a pandemia, eu tinha uma sensação de medo, de estranhamento, de incômodo no corpo, e senti que isso tinha relação com a memória do passado. Entrevistei minha família para tentar entender e, depois de entrevistá-los, fiquei muito comovido, muito tocado por algo que tem a ver com a desconfiança. Fiquei muito mais confuso”, conta. Para entender melhor o que estava sentindo, começou a escrever as lembranças que tinha. “Ao escrever, percebi que a memória não era suficiente, como se eu não conseguisse acessar uma emoção real. E, de repente, percebi que comecei a inventar, a inventar deliberadamente, a imaginar. Entrelaçava memória, imaginação, entrevistas. Continuei fazendo isso repetidamente e percebi que estava escrevendo um roteiro de ficção. Naquele momento, me encantei com a ideia de fazer um filme para, a partir da imaginação, voltar a olhar algo que, de outra maneira, seria impossível”, lembra. Bruno Santamaría Razo revela que a tensão entre afeto e sofrimento foi retratada no filme com muita alegria, música e festa, muito presentes em sua família e na cultura mexicana. “Cresci ouvindo muita música salsa. Sou fascinado pela salsa, gosto de dançar, de ouvir. E algo que me emociona muito, que me arrepia, é que as letras falam de sofrimento, de traição, de dor, de morte, mas nós dançamos, cantamos, nos movimentamos. E essa sensação, para mim, era central para entender como vivemos na minha família. Apesar da dor e do sofrimento, colorimos as paredes e nos pusemos a dançar”, afirma. Passado e presente “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” tem duas camadas. O passado, reconstruído pela ficção, e o presente em uma linguagem documental, feito de entrevistas com a família de Bruno Santamaría Razo. O mexicano já trabalhava no cinema como diretor de fotografia e assina com “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” seu primeiro longa-metragem. “Queria deixar claro que o filme não é apenas compartilhar uma história, mas mostrar que existe alguém que quer voltar a olhar o passado, que está buscando, que está tentando sentir algo que de outra forma seria impossível no próprio corpo, mas também pela relação entre passado e presente. Ou seja, a encenação é o passado e as entrevistas são o presente. Então esse espaço tão grande de 30 anos entre a lembrança e o momento em que esse jovem decide fazer um filme me interessava muito que estivesse no centro da história”, explica. Rachel Daisy, da produtora Desvia, produziu o longa “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul”. “A gente chegou ao projeto em 2023. Já tínhamos trabalhado com o Bruno Santamaría, que foi diretor de fotografia em outro filme. Eu me apaixonei imediatamente pela história e pela maneira como ele queria contar essa história muito pessoal da família dele. Conseguimos acessar um fundo de coprodução no Brasil nessa altura, ganhamos e seguimos”, conta. Projeto coletivo O longa é uma coprodução do México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). A pós-produção de “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” aconteceu principalmente no Brasil, concluindo um projeto “coletivo e colaborativo”, segundo a produtora. “Eu acho que fazer coprodução é muito bonito, porque temos essa possibilidade de troca, de olhares, cultura e maneiras de trabalhar que eu percebo que, no nosso trabalho, sempre beneficiam muito os projetos. O fato de ter uma participação grande brasileira na pós-produção, tanto na montagem quanto no som e nos efeitos especiais, traz a possibilidade de troca, de pensar o filme com um alcance maior. Com certeza contribuiu para o resultado tão lindo do filme”, diz Rachel. Os vencedores da Semana da Crítica foram anunciados nesta quarta-feira, 20. O grande vencedor foi “La Gradiva”, da francesa Marine Atlan. “Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul” não foi premiado na mostra paralela, mas o longa de Bruno ...
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  • Especialistas e campeões mundiais analisam convocação de Neymar para Copa do Mundo de 2026
    2026/05/20
    O mistério que rondava a convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo acabou. O técnico Carlo Ancelotti definiu nesta semana os 26 jogadores que vão disputar o Mundial deste ano. E no grupo que vai vestir a amarelinha está Neymar. Marcio Arruda, da RFI em Paris O camisa 10 do Santos vai se juntar a um seleto grupo de brasileiros que jogaram quatro Copas. Só Pelé (1958/62/66/70), Ronaldo Fenômeno (1994/98/2002/06), Cafu (1994/98/2002/06), Nilton Santos (1950/54/58/62), Djalma Santos (1954/58/62/66), Castilho (1950/54/58/62) e Emerson Leão (1970/74/78/86) jogaram quatro Mundiais. O técnico Ancelotti, que convocou Neymar pela primeira vez desde que assumiu a seleção, explicou a escolha pelo camisa 10 do Brasil nas últimas três Copas. “Vimos a evolução do Neymar durante o ano e vimos que, nesse último período, ele melhorou sua condição física. O Neymar tem a possibilidade de jogar, de não jogar e de estar no banco e entrar”, explicou Ancelotti. A convocação de Neymar dividiu opiniões por ainda não ter voltado a apresentar o futebol que o mundo já viu. 1% de chance e "100%" de fé O jornalista Carlos Eduardo Mansur, que cobre Copas do Mundo desde 1998, falou sobre a convocação do jogador do Santos. “No fundo, o que me parece é que, diante de uma lista de atacantes do Brasil que não tem tanto peso, ou não tem o peso de outros tempos, prevaleceu uma fé de que, no grande palco, esse talento que está aprisionado num corpo que no momento não permite ao Neymar executar os movimentos técnicos de outros tempos, esse talento vai aflorar e que algo genial, ou algum lampejo, possa acontecer e ser decisivo”, disse Mansur. “Enfim, é um exercício de fé mesmo porque é algo que não vem acontecendo nos jogos do Neymar, mas que se espera que numa Copa do Mundo ele, por ter uma qualidade ainda que guardada ou adormecida, e que outros não têm, possa executar isso.” Seleção é extensão do povo O jornalista Eric Faria, que cobre Copas desde o Mundial disputado na África do Sul, disse que a convocação de Neymar está atrelada à vontade popular. “Nesse ano, o Neymar fez jogos espetaculares a ponto de todo mundo se comover e falar que ele precisaria ir para a Copa do Mundo? Eu não acho. A figura que o Neymar representa para o torcedor brasileiro e a festa que foi feita aqui no Brasil pela convocação dele faz com que a gente tenha de olhar com bons olhos para esta convocação, sabe? Em algum momento, eu achei que ele não deveria ir para a Copa”, declarou Eric. “Agora, talvez olhando para o que foi toda a manifestação popular, acho que é uma convocação justa porque a seleção é também um pouco a extensão do povo. A seleção joga para o torcedor brasileiro. E se o torcedor brasileiro está feliz com a convocação do Neymar, então eu acho que o Ancelotti acertou na ida dele para a Copa”, completou. "Agora, se ele vai jogar, quanto tempo ele vai jogar e como ele vai jogar, aí é uma discussão para os próximos capítulos." Carlo Ancelotti afirmou que Neymar só entrará em campo na Copa se merecer. “Quero ser claro, limpo e honesto. Ele vai jogar se merecer jogar. É importante não focar toda expectativa sobre um jogador. Temos uma responsabilidade comum, como equipe. Cada um tem de mostrar suas próprias qualidades com um objetivo: ajudar a seleção a ganhar a Copa do Mundo”, afirmou o treinador do Brasil. Colunista do jornal O Globo, Carlos Eduardo Mansur lembrou que a convocação de Neymar sacrificou um jogador que está em grande fase no futebol inglês. “É curioso como o futebol, por vezes, também satisfaz o desejo de muita gente, né? Havia uma mobilização popular aguardando a convocação ou não do Neymar. Mas, ao mesmo tempo, o futebol pode ser cruel, né? É o que deve estar pensando agora o João Pedro, do Chelsea”, ressaltou. “Ele foi o grande derrotado desta convocação. Após um ciclo de Copa do Mundo em que o João Pedro viu a carreira crescer, brilhou no Brighton, chegou ao Chelsea, tendo impacto imediato na Copa do Mundo de clubes e terminando a temporada com 20 gols e seis assistências pelo time inglês, acabou ficando de fora da convocação. Ele deu lugar a um jogador que, nos últimos três anos, jogou poucas partidas, viveu uma dura tentativa de se recuperar de lesões e, quando conseguiu ter sequência de jogos, não podemos dizer que foram atuações acima dos seus principais concorrentes; atuações de um jogador de elite internacional. É um jogador que tenta retomar a sua carreira, que é o caso do Neymar”, falou Mansur, que também é comentarista dos canais Globo. Leia tambémEuropa repercute volta de Neymar à seleção brasileira e vê possível despedida em Copas Meia da seleção brasileira pentacampeã na Copa de 2002, Ricardinho também citou o atacante João Pedro. “Lógico que, se tratando de convocação da seleção brasileira, sempre vai haver discussões. A principal, ...
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  • ‘Convite para não vir’: aumento de taxas para estrangeiros em universidades da França preocupa brasileiros
    2026/05/14
    O ministro do Ensino Superior da França, Philippe Baptiste, anunciou em 20 de abril que o aumento das taxas de matrícula para estudantes internacionais de fora da União Europeia, decretado em 2018, deverá ser efetivamente aplicado pelas universidades. A medida gera preocupação entre estudantes brasileiros na França, que sentem que deixaram de ser "bem-vindos" no país. Ana Carolina Peliz, da RFI em Paris A decisão integra o plano Choose France for Higher Education (Escolha a França para o Ensino Superior), do Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa. Embora tenha sido instituída há oito anos, a política provocou forte reação de associações estudantis e reitores contra a medida. Em resposta, muitas instituições criaram mecanismos de isenção que poupavam os alunos estrangeiros das taxas. Agora, apesar da autonomia das universidades, o governo pressiona para que o preço diferenciado para estrangeiros seja aplicado já na matrícula para o ano letivo de 2026–2027, com início em setembro. Segundo o ministério, um decreto obrigará as universidades a adotar a medida, sem detalhar prazos. Apenas 10% dos estudantes poderão ser isentos, em situações específicas, como aqueles oriundos de países em grave dificuldade. Pela regra, alunos de fora da União Europeia terão que pagar € 2.895 (cerca de R$ 16 mil) para cursos de graduação, contra € 180 atualmente, e € 3.941 (aproximadamente R$ 21.700) em nível de mestrado, contra os € 250 atuais. Os estudantes franceses e europeus continuarão pagando os valores mais baixos, enquanto o doutorado não sofreu aumento. “Isso representa apenas 30% do custo real da formação”, afirma Baptiste, destacando que os valores ainda são inferiores aos praticados em destinos como Estados Unidos e Reino Unido. O governo sustenta que a medida visa reforçar a atratividade da França como polo de ensino e pesquisa, além de melhorar o acolhimento de estudantes estrangeiros. A justificativa, no entanto, não convence Matheus Morandini, presidente da Associação de Estudantes e Pesquisadores Brasileiros na França (Apeb-Fr). “É contraditório com a própria política de atrair mais brasileiros para o país”, diz, referindo-se ao compromisso firmado em 2024 durante visita de Lula à França. Na ocasião, o presidente brasileiro e Emmanuel Macron estabeleceram a meta de elevar o número de estudantes brasileiros de cerca de 5 mil para 8 mil até 2026. Dados da Campus France indicam, porém, uma queda de 1% em cinco anos, entre 2019 e 2024. Para Morandini, o aumento das taxas caminha na direção oposta. “É uma espécie de convite para não vir. Não condiz com a política de promoção do ensino superior francês no Brasil”, afirma. Ele também aponta outras medidas que desestimulam a permanência de estrangeiros, como o fim do auxílio-moradia para estudantes de fora da UE, restrito agora a bolsistas. “A impressão é de que essas pessoas deixaram de ser bem-vindas”, diz. Faculdades sob pressão financeira A justificativa apresentada pelas universidades difere da versão oficial do governo. “Alguns alunos contribuirão mais para o financiamento da universidade no próximo ano. Por razões orçamentárias, somos obrigados a aumentar essas taxas”, afirma Christine Neau-Leduc, presidente da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, em dezembro. “Os valores são definidos por decreto de 2019. Não temos autonomia sobre isso”, acrescenta. Em resposta à RFI, a instituição citou sua deterioração financeira. “Há anos sofremos os efeitos de decisões do Estado que foram apenas parcialmente compensadas”. Diante do déficit, a universidade recebeu da autoridade regional a tarefa de implementar um plano de economia de € 13 milhões até o fim do ano. A situação da prestigiosa universidade não é isolada. Diversas instituições enfrentam dificuldades semelhantes, o que ajuda a explicar o recuo em relação a um princípio histórico do ensino francês: a gratuidade para todos. Diferentemente de países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, esse sempre foi um dos pilares do sistema universitário na França. Desde o início do ano, dirigentes universitários vêm alertando para a crise orçamentária. Segundo relatos, cerca de três quartos das instituições operam no vermelho. Embora o orçamento para 2026 preveja um acréscimo de € 175 milhões, o montante é considerado insuficiente para compensar a inflação, de acordo com a Federação de Educação, Pesquisa e Cultura, ligada à CGT. “As universidades estão à beira do colapso”, conta à RFI a professora e pesquisadora em Ciências Política da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne. “Cortamos 90% dos investimentos; já não compramos livros”. Ainda assim, ela critica a medida: “Essa diferenciação por origem é inaceitável. Esses estudantes terão as mesmas condições de ensino que outros que pagam poucas dezenas de euros”, ...
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