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Reportagem

Reportagem

著者: RFI Brasil
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概要

Confira aqui as análises, entrevistas e repercussões de notícias que você pode ouvir e baixar. As reportagens +RFI propõem a cobertura de eventos importantes no mundo inteiro feita pelos repórteres e correspondentes da Rádio França Internacional.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Parisienses vão às urnas para escolher sucessor de Anne Hidalgo; eleitorado está dividido
    2026/03/14
    Paris se prepara para o primeiro turno das eleições municipais francesas, neste domingo (15), as mais disputadas dos últimos anos na capital. Com a saída da socialista Anne Hidalgo após 12 anos no poder, a corrida à Prefeitura vive um clima de forte tensão política e debates intensos sobre o futuro da cidade. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris A segurança aparece no topo das preocupações dos parisienses, e os candidatos apresentam propostas para reforçar a presença policial e combater ações de vandalismo. “Nos subúrbios de Paris há pontos de tráfico, venda de cigarros, sobretudo no leste. Há muitos camelôs, e esse é um problema que eu acredito que venha da imigração”, diz Arnaud, técnico da construção civil. “Há muitas pessoas desabrigadas, sem domicílio, que estão pelas ruas; não sabemos o que elas fazem. Vemos bastante barracas perto de Châtelet–Les Halles, muitas tendas embaixo das marquises e pessoas que estão na miséria. Não sabemos se existe algum risco”, acrescenta. Outro tema que domina a campanha: a limpeza da cidade. Com críticas crescentes ao estado das ruas, alguns candidatos defendem até triplicar o orçamento para deixá-la mais limpa. As propostas incluem modernizar a coleta de lixo, lidar com pichações e controlar a população de ratos. “Sim, há bastante ratos, mas há muita comida também, muitos restaurantes, então eles vêm para comer”, relata, sem medo. “Há mais ratos do que gente em Paris”, diz em tom de brincadeira. Paris vive uma transformação profunda na mobilidade. Ciclovias, redução do espaço para carros, zonas de baixa emissão de poluentes e a reorganização das grandes avenidas geram debates acalorados. A direita critica o “trânsito caótico”, enquanto a esquerda e os verdes defendem uma cidade mais calma e menos poluída. “É mais nas grandes linhas que há problemas de transporte”, opina Florian. “O metrô e o ônibus funcionam muito bem em Paris. Hoje aceitamos mais as bicicletas, e é melhor com bicicletas do que com carros. Isso permite aos pedestres circular tranquilamente”, diz. Crise de moradia Paris vive hoje uma das piores crises de moradia de sua história. Do total de 1,4 milhão de moradias da cidade, só um quarto está disponível para alugar, sendo que 300 mil imóveis estão vazios ou fechados. Em três anos, o número de anúncios de imóveis para alugar caiu 74%. E, a cada ano, Paris perde cerca de 8 mil apartamentos do mercado de aluguel para outros usos, como locação para turismo ou escritórios. Entre os mais afetados estão estudantes e jovens trabalhadores. Hoje, 10% dos estudantes da capital já viveram em situação de rua em algum momento. Na região parisiense, a situação é ainda mais grave: 1,3 milhão de pessoas vivem em condições precárias, e mais de 125 mil não têm domicílio fixo. Paris e arredores contam com 4.300 sem-teto. O sistema de moradia social também está sobrecarregado. Quase 900 mil pessoas esperam na fila por um apartamento com aluguel subsidiado, e só 7% conseguem um teto por ano. A crise imobiliária ocupa boa parte dos programas eleitorais: controle do valor dos aluguéis, construção de casas e prédios populares, regulação de Airbnbs e novos planos de urbanismo estão em disputa. Serge é piloto de avião e conta como viu Paris se transformar. “Uma cidade que, em 20 anos, se tornou triste. Há muitos parisienses deixando Paris; há cada vez menos habitantes”, lamenta. “A imagem icônica de Paris está ruindo. Eu moro no centro e está parecendo a Disneylândia. Convivo cada vez menos com parisienses e cada vez mais com turistas. E eles ficam decepcionados porque não encontram mais a imagem icônica de Paris. Uma invasão de Airbnbs; muita gente se aproveita”, observa. Políticas ambientais em debate As políticas ambientais introduzidas pela prefeita Anne Hidalgo seguem em debate. A vegetalização de grandes avenidas virou alvo de críticas da direita, que teme alterações na circulação e no comércio local. A pauta ambiental continua central: mais verde, menos carros e adaptação às mudanças climáticas. O taxista Bettayb acha que há exageros. “A bicicleta entrou, isso é normal, mas às vezes acho exagerado”, aponta. “Um exemplo: aqui na Rue de Rivoli, são quatro pistas para as bicicletas e uma pista para ônibus, táxis e outros”, calcula. Além disso, “há muitos engarrafamentos em Paris”. Outro problema, segundo ele, é a instalação de postes e barreiras de proteção que às vezes não são visíveis e podem danificar carros. Como apoiar os mais vulneráveis? Os candidatos divergem sobre políticas de acolhimento, saúde pública e assistência social em um cenário de aumento da precarização. Quem assume Paris depois de Anne Hidalgo? A esquerda tenta manter o controle com o candidato Emmanuel Grégoire, líder nas pesquisas. Atrás dele, Rachida Dati, da direita, e outros três ...
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  • Professora brasileira leva teatro paulistano à universidade em Paris e amplia repertório dos alunos
    2026/03/09
    A autora, diretora e atriz brasileira Viviane Dias vem despertando o interesse dos estudantes da Universidade Paris 8 com um curso acadêmico dedicado ao teatro brasileiro. A partir de figuras do teatro nacional, das ressonâncias modernistas e de referenciais decoloniais, ela apresenta a inventividade da cena paulista a alunos que pouco conhecem da riqueza cultural do país. Em sua segunda edição, a formação voltou a lotar rapidamente as 40 vagas disponíveis e deve permanecer na grade universitária no próximo ano letivo, fortalecendo o intercâmbio artístico entre o Brasil e a Europa. O curso integra o Departamento de Artes, Filosofia e Estética da Universidade Paris 8 e reúne estudantes de teatro, cinema, artes plásticas e filosofia. Para Viviane Dias, a iniciativa surgiu do desejo de apresentar aos jovens franceses outras referências para além do repertório europeu tradicional. “A gente fala das invenções do Teatro de São Paulo, das invenções de linguagem”, explica. “Fazemos um caminho que começa desde o modernismo, nesse primeiro momento em que se buscou uma arte emancipada da Europa. Em que foram formuladas questões mais próprias da cultura brasileira. Seguimos até o momento em que essas ideias acabaram se materializando na cena por meio do José Celso e do Teatro Oficina, que é uma grande referência, e que oferecem uma cena completamente diferente do que eles estão habituados a ver.” Segundo a professora, muitos alunos buscam o curso justamente porque sentem “saturação” de referências tradicionais e precisam de novos estímulos. “Normalmente, eles vêm de formações muito logocêntricas. Tento deslocar um pouquinho essa percepção”, conta. Perspectiva decolonial e o ensino do Sul Global A professora ressalta que compreender melhor a produção do Sul Global é fundamental para jovens que, no futuro, atuarão em novas cenas culturais da Europa. Nesse sentido, autores como o contemporâneo Ailton Krenak, o modernista Oswald de Andrade e artistas como Tarsila do Amaral têm gerado grande interesse entre os estudantes. “Eles têm poucas referências sobre o Brasil, e quando têm, é muito raso, às vezes o clichê do Brasil, do carnaval”, afirma. “É importante falar do Brasil e mostrar que a gente é ótimo para fazer festa, mas a gente também é excelente em fazer teatro, cinema e artes visuais. Além disso, a gente produz pensamento, que é muito interessante e pode nos ajudar a pensar melhor o século 21”, afirma Viviane Dias. Alunos veem o curso como abertura de horizontes Entre os inscritos está Kayij Baku‑Carlos, de 18 anos, estudante de Cinema e francês de origem angolana. Ele considera essencial compreender outras tradições artísticas para construir sua identidade profissional. “Aqui na França, muitas vezes, quando aprendemos História na escola recebemos, inevitavelmente, um ponto de vista mais eurocêntrico e francocêntrico”, diz. “Na universidade, somos expostos a diferentes percursos culturais ligados à arte de vários países. Preciso ampliar meu olhar e entender como esse trabalho é feito em outros lugares. Como sou angolano por parte de pai, pensei que o curso poderia me ajudar a compreender melhor uma parte da minha cultura e da minha herança lusófona, de um país PALOP”, conclui o jovem. Para Ryod Caldas, de 19 anos, estudante de Teatro, o impacto é semelhante: “Quase nunca vemos o que acontece fora do nosso próprio país. Geralmente ouvimos falar de Shakespeare e dramaturgos europeus. Explorar outras referências amplia nossa visão e nossas inspirações”. A única brasileira da turma, Mayara Marçal, de 25 anos, destaca a importância de mostrar à universidade que há interesse por temas ligados ao Brasil e a outros continentes. “Aqui a gente costuma estudar muito autores franceses. Quando vi que tinha um curso na grade curricular ministrado por uma professora brasileira, um curso de descolonização do teatro, eu achei incrível! É uma forma de mostrar para a universidade que a gente se interessa por professores de outros países, por aulas que falem sobre arte de outros continentes, não só da França”. Um curso em Paris e São Paulo ao mesmo tempo O alcance do trabalho fez com que a formação chamasse a atenção da pós-graduação em Artes Cênicas da USP. Com isso, o curso será oferecido simultaneamente na Universidade Paris 8 e na ECA‑USP, em parceria com o professor Ferdinando Martins – algo inédito, segundo Viviane. “É a primeira vez que um curso dedicado às invenções cênicas brasileiras contemporâneas é oferecido ao mesmo tempo em uma universidade parisiense e na USP”, afirma. Para ela, essa articulação reflete um espírito do século 21 de ampliação de caminhos possíveis e inovadores para a educação. “Vivemos entre mundos e espaços, mas ainda somos muito caretas na nossa maneira de pensar processos ...
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  • Dono do restaurante brasileiro mais antigo de Paris lança livro de receitas em francês
    2026/02/27
    Há mais de 20 anos Celso de Freitas Andrade propõe aos parisienses pratos típicos da cozinha brasileira. Chef autodidata, ele é o dono do Gabriela, atualmente o restaurante brasileiro mais antigo da capital francesa, inaugurado em 2002. Agora, ele decidiu compartilhar essa aventura gastronômica no livro “Brasileiro”, publicado em francês no final de 2025 pela editora Solar. “Brasileiro” tem um formato e visual como os livros de receita de antigamente. A obra é colorida e ricamente ilustrada com fotos que dão água na boca. O livro traz 150 receitas tradicionais, de todas as regiões do Brasil, de entradas e coquetéis, a pratos principais e sobremesas. Mas “Brasileiro” também é um livro de memórias e histórias. Celso conta a sua trajetória e contextualiza os ingredientes e receitas e preparos essenciais da culinária brasileira. A história de Celso com a cozinha começou muito antes de Paris. Ele chegou à cidade em 1998, aos 21 anos, e logo foi contratado como comissário de bordo da Air France, o que lhe permitiu viajar pelo mundo. Demitido após os atentados de 11 de setembro, decidiu não procurar outro emprego. Aos 23 anos, teve o impulso de abrir seu próprio restaurante, inspirado pela infância passada entre panelas, receitas da mãe e da avó. "Eu sempre fui o neto mais guloso. Eu estava sempre na cozinha. Então, na hora que fui despedido, me deu um insight. Eu tinha 23 anos e falei 'não vou trabalhar para ninguém, eu vou abrir um restaurante. Foi uma emoção que veio, uma memória gustativa", lembra Celso já viajou por 19 estados brasileiros e aprendeu vendo, ouvindo e experimentando as receitas locais. “Meus professores foram as pessoas”, resume. Ideia do livro nasceu na pandemia A ideia do livro nasceu durante a pandemia. Com o restaurante funcionando em ritmo reduzido, Celso decidiu registrar seu legado. o que o levou a deixar o comando da cozinha do Gabriela e formar dois sucessores. Foram quatro anos de trabalho, iniciados em 2021, com intensa pesquisa em livros antigos no Sebo do Messias, em São Paulo, e testes rigorosos de cada receita, repetidos até dez vezes. “Não é um copiar‑colar de receita nenhuma”, afirma. Fiel ao espírito tradicional da obra, Celso optou por fotografias e ilustrações feitas à mão, evitando o uso de inteligência artificial. As 60 imagens são da artista santista Eve Ferreira de Santos, responsável também pela capa coloridade em verde e amarelo. A intenção era transmitir a riqueza cultural da gastronomia brasileira. Bolinho de carne apimentado de Jorge Amado Além das receitas, há pequenas histórias que acompanham cada preparo. Entre elas, está a anedota sobre o bolinho de carne apimentado apreciado por Jorge Amado, que adorava o salgandinho até descobrir que era feito de carne de gato. O livro inclui ainda encartes temáticos sobre ingredientes emblemáticos como mandioca, milho, feijoada, pastel e sobre cozinhas regionais, como a baiana. Um do encartes é dedicado ao vegetarianismo e veganismo no Brasil, que vem ganhado cada dia mais adeptos. Celso considera a gastronomia vegana e vegetariana "fascinante porque, como cozinheiro, ele dá asas para a criação". Segundo ele, o Brasil, dono da maior biodiversidade alimentar do mundo, oferece possibilidades infinitas para criações vegetarianas sem perder o respeito às tradições. No restaurante Gabriela, que celebra 24 anos, o sucesso vem, segundo o chef, da busca por um “Brasil verdadeiro”, apresentado de forma autêntica. Celso conta que estuda uma parceria com a Embratur e a Embrapa para transformar o restaurante em uma espécie de “embaixada da Amazônia”. A ideia é valorizar preparos tradicionais da região, sem gourmetizar ingredientes. Entre as novidades, ele destaca o Quinhapira, prato do Alto Rio Negro que vem conquistando os clientes. Ingredientes brasileiro em Paris Encontrar ingredientes brasileiros em Paris já foi um grande desafio, mas Celso lembra que 2005, o Ano do Brasil na França, marcou uma virada, com a chegada de produtos como guaraná, farinha de mandioca e pimenta malagueta. Além disso, mercados africanos de Paris oferecem até jambu, vinagreira e jiló. "Com essa história terrível da escravidão entre o Brasil e a África, teve muita troca na gastronomia, cultura, artesanato. Uma troca riquíssima. Então, muitos ingredientes que a gente acha que são brasileiros, a vinagreira por exemplo, vem da África", contextualiza. Mesmo assim, ele ensina no livro como produzir alguns ingredientes em casa, como polvilho, farinha de mandioca e flocão de milho. Mas alerta, é necessário ter equipamentos adequados, como moedores de cereais. Com a cultura brasileira em alta na França, impulsionada pela recente temporada cultural França–Brasil, Celso percebe um interesse crescente pela gastronomia brasileira na França e por suas técnicas de origem indígena. E quando precisa escolher sua receita favorita, ele ...
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