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O Mundo Agora

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著者: RFI Brasil
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概要

Crônica semanal de geopolítica internacional. Os fatos que são notícia no mundo analisados por Thiago de Aragão, direto dos Estados Unidos, e Thomás Zicman de Barros, da Europa.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Encontro da esquerda em Barcelona: ponto de inflexão?
    2026/04/27
    Em Barcelona, a esquerda global ensaiou sair da defensiva e voltar a ousar. Resta saber se o encontro marcará um verdadeiro ponto de inflexão ou se ficará apenas no diagnóstico de uma crise que já dura tempo demais. Thomás Zicman de Barros, analista político Em 18 de abril, Barcelona sediou o encontro da Mobilização Progressista Global. Mais de cem organizações, oriundas de 72 países, reuniram-se na capital catalã sob os auspícios de Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol. O evento se inscreve na continuidade de encontros realizados em Nova York e Santiago, agora ampliados por iniciativa de Sánchez e do presidente Lula, em parceria com a aliança social-democrata europeia, com o objetivo de incorporar mais atores da sociedade civil. Muitos celebraram Barcelona como um ponto de inflexão. E, ao menos no diagnóstico que a esquerda faz da política global, há algo de novo. Ao longo do último ano, critiquei diversas vezes o estado da esquerda no mundo. Disse aqui que partidos e lideranças progressistas têm se tornado, paradoxalmente, forças conservadoras. Sim, conservadoras: enquanto a extrema direita ocupa o lugar da ruptura, da transgressão, impondo uma espécie de revolução reacionária, a esquerda quer proteger as instituições, muitas vezes sem enfrentar seus limites estruturais. Num contexto de erosão democrática, em que se coloca em xeque a luta pela igualdade, o pilar básico da democracia, a esquerda parece apenas atuar na redução danos. É como se administrasse cuidados paliativos a um paciente terminal: a própria democracia. Líderes da esquerda latino-americana em destaque O encontro de Barcelona foi, por assim dizer, plural. Dos Estados Unidos, por vídeo, participaram vozes tão diversas quanto a moderadíssima Hillary Clinton e figuras "radicais" como Bernie Sanders e Zohran Mamdani. A presença de muitos representantes da África, como o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, também mostrou como a iniciativa buscou se abrir ao Sul Global. E foi precisamente no Sul Global, notadamente na América Latina, que o evento encontrou seu centro de gravidade: Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, e, sobretudo, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, foram estrelas do evento. Foram eles, ao lado de Sánchez, que deram a linha. A mensagem ficou explícita no discurso de Lula: é preciso que a esquerda saia da defensiva. Em certo sentido, em Barcelona se viu a social-democracia assumir que precisa voltar a ousar. Isso dito, para saber se o evento será o tal ponto de inflexão para a esquerda global, resta descobrir se conseguirão transformar diagnóstico em ações. É fácil dizer que falta imaginação política. Muito mais difícil é produzir novas ideias. O próprio Sánchez talvez sugira caminhos nesse sentido. No governo, ele conseguiu recompor a esquerda incorporando pautas e práticas que vinham de forças mais à esquerda, como Podemos e Sumar, hoje minoritárias diante de PSOE hegemônico neste campo. O espanhol denuncia o genocídio em Gaza, regulariza centenas de milhares de imigrantes em meio a uma onda de histeria racista na Europa e avança em reformas trabalhistas que ampliam direitos. Cúpula de Barcelona atacou as formas contemporânea do capitalismo Transformar a vida das pessoas também passa por definir com clareza o adversário. A cúpula de Barcelona não atacou o capitalismo em si, mas suas formas contemporâneas. A defesa da taxação dos super-ricos como forma de enfrentar a concentração extrema de renda foi um ponto de destaque, assim como crítica às Big Tech. Essas empresas não apenas amplificam discursos de ódio e fragilizam o espaço público, como também aprofundam a precarização do trabalho, dissolvem formas de organização coletiva e corroem vínculos de solidariedade. Uma política emancipatória passa, portanto, pela reconstrução de um tecido social comum. Isso envolve voltar a engajar as pessoas em torno de um horizonte compartilhado: uma vida sem exploração, num planeta habitável, que inclua aqueles que até hoje permanecem sem voz, invisíveis. Esse novo mundo comum só poderá surgir numa luta global. Na última década, a extrema direita se organizou em redes internacionais, enquanto dinamitavam fóruns internacionais. Em Barcelona, talvez tenhamos visto uma importante resposta. Mas se será, de fato, esse ponto de inflexão, só saberemos quando – e se – esse diagnóstico se transformar em transformação concreta na vida das pessoas.
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  • Pacotes de IA expõem dilema do Brasil na disputa entre EUA e China
    2026/04/21
    Em 23 de julho de 2025, Donald Trump assinou ordem para exportar “pacotes completos” de inteligência artificial, colocando o Brasil entre destinos prioritários ao lado de Egito e Indonésia. A medida intensifica a disputa com a China por influência tecnológica global. No mesmo período, o Brasil firmou memorando com Pequim e negocia com Washington, enquanto amplia dependência de infraestrutura digital estrangeira. Thiago Aragão, analista de geopolítica O Brasil está nominalmente na lista de destinos prioritários. Ao lado do Egito e da Indonésia, o país figura entre os mercados emergentes onde a presença americana precisa ser consolidada, antes que a influência chinesa se torne irreversível. Para entender o que isso representa na prática, vale olhar o que aconteceu com o Japão. Em outubro de 2025, durante a visita de Trump a Tóquio, os dois países assinaram um “Technology Prosperity Deal”, um acordo de alinhamento em política de IA que vai muito além da compra e venda de hardware. O documento inclui compromissos sobre padrões técnicos, frameworks de governança, fluxo de dados e cooperação em segurança digital. O Japão passou a integrar estruturalmente a órbita tecnológica americana, não apenas como parceiro comercial, mas como parceiro normativo. Washington quer replicar esse modelo em escala. Leia tambémPossível uso de inteligência artificial em ataques no Oriente Médio levanta questões, diz especialista A lógica americana é clara e, num certo sentido, legítima. A China exporta tecnologia de IA num modelo que analistas descrevem como “full-stack com condições embutidas”: hardware subsidiado, software com lógica de caixa preta e frameworks de governança que replicam o modelo regulatório de Pequim. Washington entendeu que competir chip a chip não é suficiente. É preciso exportar o ecossistema inteiro e, com ele, a arquitetura normativa que o acompanha. Para o Brasil, o problema é que os dois modelos chegam com política externa no rodapé do contrato. Leia tambémNa Índia, Lula diz que IA sem regulação ameaça a democracia e aprofunda desigualdades Em 2025, o governo Lula assinou um memorando de entendimento com a China para aprofundar a colaboração em inteligência artificial. No mesmo período, Brasília avançava nas conversas com Washington sobre o programa de exportação de IA e recebia anúncios de bilhões de dólares em data centers da Microsoft, Amazon e Oracle. Do ponto de vista diplomático, é um malabarismo admirável. Do ponto de vista tecnológico, é uma contradição estrutural que vai cobrar seu preço mais cedo do que se imagina. A questão central não é quem vende o chip. É quem treinou o modelo. Os grandes sistemas de linguagem e tomada de decisão que o setor público e privado brasileiro já usa, na análise de crédito, na triagem de políticas, na recomendação de conteúdo e na gestão de contratos foram desenvolvidos majoritariamente por empresas americanas, segundo padrões americanos, com dados que refletem realidades americanas. O viés não é necessariamente malicioso. Mas é estrutural. E tende a se aprofundar na medida em que o Brasil sustenta sua infraestrutura cognitiva sobre servidores sujeitos ao CLOUD Act americano, a lei que autoriza o governo federal dos EUA a requisitar dados armazenados por provedores americanos em qualquer jurisdição do mundo, independentemente de onde o servidor esteja fisicamente localizado. Leia tambémInteligência artificial: China alerta para cenário apocalíptico ao estilo 'O Exterminador do Futuro' O próprio debate regulatório revela a ambiguidade. O Senado brasileiro tem acompanhado de perto o AI Act europeu como referência normativa para sua legislação nacional, e o projeto em discussão cria um sistema de governança de IA sob a responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Na teoria, é soberania. Na prática, o discurso regulatório aponta para autonomia, mas a implementação é operada por corporações multinacionais americanas. O Brasil faz a lei, mas quem comanda a infraestrutura sobre a qual essa lei incide são outros. Isso não é uma acusação. É uma descrição de como o poder funciona no século 21. Brasil é maior mercado de dados da América Latina A boa notícia é que o Brasil tem cartas genuínas nessa mesa. É o maior mercado de dados da América Latina, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o que importa imensamente para data centers, e produziu o Pix, um dos sistemas de pagamentos digitais mais sofisticados em operação no planeta. Quando Washington e Pequim disputam o Brasil como parceiro de IA, não o fazem por generosidade. É porque o país tem o que ambos precisam: escala, energia e população conectada. A dependência, se vier, será escolhida, não imposta. A pergunta que o debate público brasileiro ainda não fez com a seriedade necessária é esta: ao aceitar o pacote completo de IA ...
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  • Projeto controverso contra antissemitismo pode contribuir para normalizar extrema direita na França
    2026/04/13
    Mal formulada, a chamada "Lei Yadan" abriria espaço para associar antissemitismo a críticas legítimas ao Estado de Israel. Em vez de aprender com o passado antissemita francês para combatê-lo, ela contribui para normalizar o discurso da extrema direita. Thomás Zicman de Barros, analista político O projeto de lei contra o antissemitismo apresentado pela deputada Caroline Yadan abriu uma nova frente de tensão na França. Relatores da Organização das Nações Unidas (ONU), organizações de direitos humanos, parlamentares de esquerda e até integrantes da base governista pedem sua retirada da ordem do dia. E surge a questão: será que a proposta de fato enfrenta o antissemitismo, ou só agrava o problema que pretende combater? A iniciativa parte de um diagnóstico que, à primeira vista, parece difícil de contestar. Há, certamente, um recrudescimento de atos antissemitas desde os ataques de 7 de outubro de 2023, conduzidos pelo Hamas, que deram ao cambaleante premiê Benjamin Netanyahu o pretexto para iniciar uma ofensiva genocida contra Gaza – e, assim, se agarrar ao poder. Esse ciclo de violência teve repercussões diretas na Europa, inclusive na França, país marcado por episódios decisivos dessa história. Não custa lembrar: foi aqui que o caso Caso Dreyfus cristalizou, no fim do século XIX, uma das matrizes do antissemitismo moderno, conspiracionista, associando os judeus a uma camarilha financista supostamente cosmopolita, desleal, que controlaria o mundo por detrás dos panos. Foi também na França que, durante a ocupação nazista, o regime de Vich colaborou ativamente – e de bom grado – com a perseguição e deportação de judeus. Leia tambémFrança abre inquérito por revisionismo histórico após homenagem a marechal que colaborou com nazistas É justamente nesse país, com esse passado, que surge a proposta de Yadan. Deputada da base de Emmanuel Macron e representante dos franceses do "Mediterrâneo Leste" – uma circunscrição que inclui Israel –, Yadan afirma querer combater “novas formas” de antissemitismo. O projeto, porém, recebeu uma saraivada de críticas bastante justas. A proposta repete problemas presentes em iniciativas semelhantes no Brasil, que também têm dado o que falar. Trata-se, sobretudo, de um texto mal redigido, ambíguo, e talvez propositalmente. A confusão aparece logo no início, quando o projeto desloca o foco do antissemitismo para a ampliação do crime de incitação ao terrorismo, passando a incluir declarações que o fariam “implicitamente”. A palavra “implicitamente”, até hoje ausente nas leis francesas, abre espaço para interpretações subjetivas, elásticas, ao gosto do freguês. Nem tudo é implícito no projeto, contudo. Como indica a própria exposição de motivos, o texto se inspira na controversa definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), abrindo caminho para associar antissemitismo a críticas ao Estado de Israel. E aqui há um salto lógico perigoso, que não contribui nem para o combate ao antissemitismo, nem para a resolução do conflito no Oriente Médio. No fundo, propostas desse tipo acabam reforçando o discurso da extrema direita, em Israel e ao redor do mundo. No caso israelense, aproximam-se de um objetivo central de Netanyahu. A comunidade judaica, dentro e fora de Israel, é plural. Nem todo judeu é sionista – há judeus antissionistas, pós-sionistas. Por sinal, a própria palavra sionismo, hoje frequentemente associada a uma empreitada colonial, já teve significados diversos, muitas vezes em disputa. O sonho de Netanyahu é apagar essas nuances. Ele busca hegemonizar a identidade judaica, fixando o sentido das palavras. “Sionismo” passa a se reduzir ao sionismo revisionista, de extrema direita, que recusa a possibilidade de um Estado palestino ao lado de Israel, ou de uma solução binacional. Ao mesmo tempo, o povo judeu é progressivamente confundido com o Estado de Israel, e o Estado com seus dirigentes, como Netanyahu ou Itamar Ben-Gvir. Ao contribuir para amarrar o povo judeu a Netanyahu e à extrema direita israelense, que pensam em termos binários e de eliminação do outro, esses projetos dificultam a construção de pontes e tornam ainda mais distante qualquer horizonte de paz. Leia tambémMacron anuncia lei contra ódio na internet e nova definição de antissemitismo na França A associação entre críticas a Israel e antissemitismo também serve à extrema direita fora de Israel. Na França, essa pauta é instrumentalizada por setores reacionários, que usam a defesa do governo israelense como forma de se repaginar e esconder seu antissemitismo inato. Mais do que isso, a acusação banalizada de antissemitismo, confundida com a crítica a Israel, passa a ser mobilizada para inverter o cordão sanitário contra aqueles que legitimamente denunciam práticas genocidas contra o povo palestino. Sobretudo, com o ...
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