エピソード

  • Da exclusão à aliança: por que parte dos eleitores LGBTQ+ vota na extrema direita francesa
    2026/03/16
    Pesquisas recentes sugerem que uma parte crescente do eleitorado LGBTQ+ francês se aproxima da extrema direita. O fenômeno do homonacionalismo mostra como lutas emancipatórias podem ser capturadas por projetos políticos excludentes. Thomás Zicman de Barros, analista político Segundo uma pesquisa recente, cerca de 32% dos eleitores LGBTQ+ declarariam preferência por partidos de extrema direita – um crescimento de dez pontos em quatro anos. Estudos extraoficiais sugerem inclusive que o grupo parlamentar com maior número de homossexuais seria precisamente o partido lepenista. Sébastien Chenu, que ocupa uma das vice-presidências da Assembleia Nacional, e Jean-Philippe Tanguy, vice-presidente do grupo parlamentar, são os rostos assumidos e conhecidos. Mas há outros. O homonacionalismo é um fenômeno intrigante e, sobretudo, preocupante. É verdade que houve homossexuais de extrema direita na história, como Ernst Röhm. Mas esses casos sempre foram exceções. Durante décadas, a extrema direita foi marcada por um discurso abertamente homofóbico. Como não ficar encafifado ao lembrar que, apenas dez ou quinze anos atrás, Jean-Marie Le Pen denunciava a “degeneração” que representaria a homossexualidade, associando-a às mais diversas doenças? Mesmo sua filha Marine atacava um pretenso “lobby gay”, e prometia abolir o casamento igualitário, visto como um atentado contra a família tradicional. Nos últimos anos, contudo, ocorreu uma inflexão. E uma inflexão veloz. O que vemos é, por um lado, a normalização da extrema direita, que nesse processo procura parecer menos extremista em temas societais. E, por outro, uma certa normalização da própria homossexualidade. O curioso é que essas duas normalizações são problemáticas. À primeira vista, isso pode soar estranho. A maioria das pessoas provavelmente concorda que a normalização da extrema direita é preocupante, porque faz avançar ideias retrógradas, reforçando hierarquias sociais e diversas formas de violência. Mas como dizer que a normalização da homossexualidade também pode ser problemática? É evidente que a discriminação contra homossexuais é abjeta e deve ser combatida com todas as forças. Por isso, alguns podem ver essa incorporação de homossexuais pela extrema direita como um sinal positivo. “Vejam só, até a extrema direita se curvou aos novos tempos”, alguém poderia pensar. No final das contas, talvez não fossem tão intolerantes assim. Normalização problemática Mas não nos enganemos. A extrema direita continua profundamente homofóbica. E mesmo quando parece tolerar a homossexualidade, essa tolerância serve para reforçar outras discriminações. Há homossexuais que expressam posições transfóbicas. Mas talvez essas não sejam sequer as principais vítimas desse fenômeno. Na França, o discurso homonacionalista costuma afirmar, de forma estereotipada e racista, que os imigrantes seriam o verdadeiro perigo para as comunidades LGBTQ+, para as mulheres ou para os judeus. É nesse sentido que a normalização da homossexualidade é problemática. A “normalização” de que falo aqui é aquela que impõe uma norma. É aquela que retira da homossexualidade seu potencial transgressor e emancipador. Em vez disso, ela funde certos homossexuais ao campo dos dominantes. Apaga sua dimensão subalterna e instrumentaliza a luta contra a discriminação para justificar novas discriminações contra outros grupos. Em outras palavras, alguns chutam a escada depois de subir. Foram “higienizados” e, desde que mantenham a discrição, passam a ser parcialmente aceitos. Agora querem fazer parte da ordem que antes os excluía. Radicalidade neutralizada Vale lembrar que a sigla LGBTQ+ contém a letra Q, de queer. Queer designa aquilo que não se encaixa, aquilo cuja própria existência desafia as normas e questiona formas de dominação. Nesse sentido, o homonacionalismo é profundamente anti-queer. Ele abandona a dimensão contra-hegemônica e emancipatória do movimento. A radicalidade transformadora que caracterizou tantas lutas LGBTQ+ acaba neutralizada. É curioso notar que essa aproximação da extrema direita com a homossexualidade apresenta analogias com sua aproximação com certas figuras de origem judaica, personificada na França por nomes como Éric Zemmour ou Sarah Knafo. Vindos de grupos discriminados, eles transformam identidades historicamente abertas e plurais em instrumentos de afirmação identitária e de supremacia de uma branquitude recém-adquirida. Em todos esses casos, parece que nada se aprende com a história. O sentido do “nunca mais” é deturpado. O “nunca mais” não pode significar “nunca mais comigo”. “Nunca mais” precisa significar “nunca mais para ninguém”. Alguém poderia perguntar: então homossexuais não podem ser de extrema direita? Evidentemente, cada um faz suas escolhas políticas. Mas há algo aqui que soa como uma traição...
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  • Martirização de militante fascista fortalece a extrema direita e a diabolização da esquerda na França
    2026/03/02
    Os últimos quinze dias viram a normalização da extrema direita se acelerar. A morte de um militante fascista, transformado em mártir, tem redesenhado as fronteiras do aceitável a do inaceitável na política – e recomposto o chamado “cordão sanitário”: o perigo agora já não seria a extrema direita dos Le Pen, mas a esquerda. Thomás Zicman de Barros, analista político Em 12 de fevereiro, a eurodeputada francesa Rima Hassan, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), realizou uma conferência em Lyon. Nascida num campo de refugiados palestinos, ela falaria sobre o conflito no Oriente Médio. Contra o evento, o coletivo “femo-nacionalista” de extrema direita Némésis convocou um protesto. A chamada circulou nas redes, e grupos antifascistas locais foram ao local para evitar intimidações. Mensagens internas divulgadas pelo jornal L’Humanité indicam que, em articulação com grupos neonazistas, as militantes pretendiam “servir de isca” para atrair esses antifascistas. O objetivo era que houvesse confronto. Houve quebra-quebra, violência, e uma morte. Quentin Deranque, militante fascista de 23 anos, caiu no chão durante a briga. Chegou a recuperar a consciência, recusou atendimento médico, mas ignorava a severidade do traumatismo craniano. Hospitalizado, faleceu dois dias depois. A dramática morte do jovem fascista transformado em mártir foi o estopim para acelerar a normalização da extrema direita. Normalização da extrema direita: dois sentidos A normalização da extrema direita é um processo de longo prazo na França. A rigor, é geracional: o fundador do Front National, Jean-Marie Le Pen, era intencionalmente histriônico, próximo a grupos neonazistas, antissemita notório, negacionista do Holocausto, com um passado de torturador na Guerra da Argélia. Por sua vez, sua filha e herdeira política Marine gastou os últimos quinze anos tentando parecer palatável. Seu objetivo é dar uma repaginada no partido, um verniz respeitável. Como repeti inúmeras vezes nessa coluna, contudo, a normalização não é só um processo da extrema direita tentando se mover rumo ao centro. Há normalização, sobretudo, quando atores do mainstream caminham rumo à extrema direita, repetindo suas pautas, suas ideias. Políticos são peças centrais nesse deslocamento, mas não são os únicos. Parte da mídia também contribui para esse processo. Num ambiente midiático cada vez mais concentrado nas mãos de grandes fortunas – como o empresário Vincent Bolloré –, multiplicam-se plataformas dispostas a dar espaço para grupos “fascistizantes” que antes ficavam às margens. Três momentos de “desdiabolização” Nessa dinâmica em que o próprio mainstream se desloca, as mudanças podem ser rápidas. Apenas nos últimos três anos, foram três os momentos de comoção nacional na França que aceleraram muito a “desdiabolização” da extrema direita. O primeiro se viu depois dos atentados do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A extrema direita participou das marchas em solidariedade a Israel. Ao permitir sua presença no cortejo sem maiores constrangimentos, boa parte do espectro político ajudou a esconder o antissemitismo inato do partido, apagando o pecado original do lepenismo. Ao mesmo tempo, a acusação de antissemitismo foi instrumentalizada contra a esquerda radical, que se recusou a marchar ao lado da extrema direita e denunciou o genocídio israelense em Gaza. O segundo capítulo veio com a dissolução surpresa da Assembleia Nacional por Emmanuel Macron após as eleições europeias de 2024. Diante da perspectiva de vitória do partido de Le Pen, parte da imprensa não soou o alarme. Ao contrário, preferiu sustentar que não seria o fim do mundo, relativizando seu extremismo e se perdendo em debates terminológicos sobre se se tratava de extrema direita, ultradireita ou direita radical. O terceiro momento é o atual. Como observador da cena política francesa, os capítulos anteriores me exasperavam. Mas nada se compara aos últimos quinze dias. Quentin Deranque fundara o coletivo supremacista branco Allobroges Bourgoin e participava de marchas abertamente neonazistas em Paris. Essas informações foram sonegadas do público, e Deranque foi inicialmente apresentado como um jovem estudante de matemática, um católico idealista que queria um mundo melhor. Em contraste, a diabolização da esquerda radical tem sido avassaladora. Parte do discurso político e midiático sustenta que a principal ameaça à democracia viria hoje da França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. É verdade que, em sua estratégia iconoclasta, os mélenchonistas frequentemente oferecem munição aos críticos. Pesou muito também o fato de que, entre os antifascistas presentes no confronto que levou à morte de Deranque, estava um assessor parlamentar do deputado Raphaël Arnault, da própria França Insubmissa e antigo fundador do grupo antifascista Jovem ...
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  • Decisão da Suprema Corte dos EUA leva Trump a redesenhar sua agenda tarifária
    2026/02/23
    A decisão da Suprema Corte dos EUA ao invalidar o uso do IEEPA – acrônimo, em inglês, da Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional – para tarifas redefine não apenas a arquitetura jurídica da política comercial norte‑americana, mas também o ambiente estratégico em que o Brasil se relaciona com Washington e com o presidente Donald Trump em seu segundo mandato. Thiago de Aragão, analista político Ao retirar do Executivo a ferramenta emergencial que permitiu, em 2025, a criação de um regime tarifário agressivo e altamente discricionário, a Corte reduz a assimetria de poder na mesa de negociação e abre espaço para que Brasília trate tarifas menos como armas de surpresa e mais como variáveis negociáveis dentro de um marco institucional mais estável. No caso brasileiro, o impacto é tanto imediato quanto estrutural. Imediato porque a decisão atinge em cheio o fundamento jurídico das sobretaxas emergenciais aplicadas contra o Brasil, incluindo o adicional de 40% que, combinado com outras medidas, levou a alíquotas efetivas próximas de 50% sobre uma cesta relevante de produtos, como aço, carnes, café e manufaturados selecionados. A determinação de encerrar “tão logo seja praticável” a cobrança de tarifas baseadas em IEEPA implica, em princípio, a eliminação desse prêmio punitivo aplicado especificamente ao Brasil, mesmo que outros instrumentos, como as seções 232, 301 ou 122, continuem ativos ou sejam recalibrados. Estrutural porque o sinal enviado ao mercado é que a política tarifária dos EUA volta a estar mais ancorada em estatutos tradicionais, com procedimentos, consultas e limites mais claros, reduzindo o espaço para escaladas unilaterais justificadas por emergências de definição elástica. Essa mudança ocorre depois de um ano em que o Brasil, apesar do choque tarifário, conseguiu registrar exportações recordes, ao custo de uma realocação significativa de fluxos em direção à China e outros mercados, e de uma queda expressiva das vendas para os Estados Unidos. Engenharia jurídica A eliminação das tarifas com base no IEEPA tende a aliviar a pressão sobre setores exportadores que estavam na linha de frente da disputa com Trump, mas isso não significa uma volta automática ao status quo pré‑2025. Em primeiro lugar, porque permanecem em vigor tarifas impostas sob outras bases legais; em segundo, porque o próprio presidente já anunciou e vem ajustando um novo arcabouço de tarifas globais, como a alíquota de 10% (e a discussão sobre elevação a 15%) via seção 122, com exclusões e exceções calibradas em função de setores e parceiros. Em outras palavras, o Brasil deixa de ser alvo de um diferencial de 40% ligado a uma emergência sob IEEPA, mas continua inserido em um cenário de protecionismo elevado, apenas com outra engenharia jurídica. Do ponto de vista da estratégia de Trump, a decisão da Suprema Corte não encerra a agenda tarifária; ela força um redesenho. Ao perder a base emergencial ampla proporcionada pelo IEEPA, a Casa Branca tende a concentrar sua política em três frentes: uso mais intensivo da seção 122 para tarifas globais com alíquota uniforme; manutenção e eventual expansão de tarifas setoriais sob a seção 232, com foco em segurança nacional, em áreas como aço, alumínio e possivelmente novos insumos industriais; e aprofundamento do contencioso sob a seção 301, com investigações dirigidas contra práticas consideradas desleais, inclusive em temas sensíveis como agricultura, subsídios, deforestação e tratamento a empresas americanas de tecnologia. Isso significa que o eixo da política comercial de Trump migra de uma lógica punitiva personalizada, amparada em emergência, para um desenho em que o Brasil passa a ser enquadrado, principalmente, como caso de risco setorial (n° 232) e de conduta desleal (n° 301), com efeitos possivelmente menos abruptos, porém mais duradouros e difíceis de reverter. Para o Brasil, essa reconfiguração tem implicações claras. Em primeiro lugar, a eliminação das sobretaxas IEEPA melhora a competitividade relativa de produtos hoje duramente atingidos e abre espaço para recuperação gradual da participação no mercado americano, especialmente em segmentos onde a concorrência com fornecedores de outros países também estava sendo distorcida pelo diferencial de 40%. Segundo, a experiência de 2025 mostrou que o país foi capaz de desviar parte relevante de suas exportações para outros destinos, em particular a China, mas ao custo de maior dependência desse mercado e de uma relação bilateral mais assimétrica. Maior previsibilidade regulatória A retirada do componente emergencial da política tarifária norte‑americana permite, ao menos em teoria, uma estratégia brasileira menos defensiva e mais ofensiva: em vez de apenas reagir a surtos tarifários, Brasília pode tentar negociar previsibilidade regulatória, coordenação de...
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  • Mélenchon, Glucksmann e a impossível união da esquerda francesa
    2026/02/16
    Às vésperas das eleições municipais, a esquerda francesa já trava a batalha pelas presidenciais de 2027. Dividida entre o radical Mélenchon, o centrista Glucksmann e defensores de uma primária “unitária” que pode aprofundar a fragmentação, o campo progressista corre o risco de, mais uma vez, ficar fora do segundo turno. Thomás Zicman de Barros, analista político Em apenas um mês, as eleições municipais abrirão oficialmente o calendário político francês de 2026. Ninguém no campo progressista ignora, porém, que elas já funcionam como ensaio geral para 2027. A esquerda entra nesse ciclo dividida. A disputa principal parece concentrar-se em dois polos, hoje personificados por Jean-Luc Mélenchon e Raphaël Glucksmann, mas há outras forças que, em nome da unidade, podem acabar fragmentando ainda mais o cenário eleitoral. Mélenchon é o fundador da França Insubmissa e uma das figuras mais experientes da política francesa. Vindo das alas radicais do socialismo, é um orador talentoso, populista, capaz de mobilizar amplos setores populares, mas também amplamente rejeitado por parte do eleitorado centrista e por antigos aliados. Glucksmann é um rosto novo que parece ocupar o extremo oposto desse espectro. Filho de um intelectual simpático à direita, teve uma trajetória internacional controversa, assessorando líderes liberais na Geórgia e na Ucrânia, antes de retornar à França, se converter à esquerda e fundar o micro-partido Praça Pública, na órbita do Partido Socialista (PS). Hoje, encarna uma esquerda mais do que moderada, liberal, europeísta e institucionalista. A candidatura de Glucksmann responde sobretudo a um desejo antigo de setores do PS de se emanciparem de Mélenchon e da proposta de ruptura que ele representa. Desde 2017, e de forma ainda mais clara a partir de 2022, Mélenchon conseguiu se impor como figura central da esquerda francesa. Nas duas eleições presidenciais, reuniu a maior parte do eleitorado progressista e ficou a poucos votos do segundo turno. Caso tivesse conseguido unificar o campo, os votos somados de socialistas, verdes e comunistas teriam sido suficientes para levá-lo ao segundo turno. União frágil Apesar da derrota, Mélenchon saiu fortalecido. Hegemonizou a esquerda e, diante do risco de desaparecimento eleitoral dos demais partidos, impulsionou a criação da Nova União Popular Ecológica e Social, a NUPES. Impôs o programa da França Insubmissa ao conjunto da esquerda e se colocou como candidato natural a primeiro-ministro nas legislativas seguintes. Ocorria algo raro: poucas vezes no mundo a esquerda foi reorganizada a partir de sua ala mais radical. A força desse bloco, somada à fragilidade de Emmanuel Macron, impediu o presidente de obter maioria absoluta. Ao acolher o PS e outras agremiações em crise, Mélenchon também lhes garantiu sobrevivência institucional. A unidade, porém, revelou-se frágil. Tensões antigas ressurgiram, sobretudo no PS, onde nunca houve aceitação plena da centralidade da França Insubmissa. Os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 foram um catalisador de uma desunião latente. A recusa da LFI em participar de uma marcha de solidariedade a Israel, por considerar inaceitável a presença da extrema direita e por temer a legitimação da resposta militar israelense, foi usada como pretexto para consumar o racha. É nesse contexto que Glucksmann começa a ganhar visibilidade. Candidato apoiado pelo PS nas eleições europeias de 2024, concentrou seus ataques nos mélenchonistas, sobretudo em temas de política externa. Sua lista foi a mais votada à esquerda, mas o triunfo durou pouco. Ao dissolver a Assembleia Nacional na noite das eleições europeias, Macron apostava que as rusgas do campo progressista lhe garantiriam enfim uma maioria parlamentar. O tiro, porém, saiu pela culatra: Macron empurrou a esquerda a reconstruir rapidamente uma coalizão ampla. Constituída, a Nova Frente Popular desmentiu os prognósticos e tornou-se a força mais votada do país. Limites O pós-eleição revelou mais uma vez, porém, os limites dessa recomposição. A estratégia da França Insubmissa era provocar a queda sucessiva dos governos para pressionar Macron, constitucionalmente impedido de convocar novas legislativas. O PS recusou, preferindo ganhar tempo e evitar a imagem de subordinação a Mélenchon, buscando se apresentar como força responsável disposta a governar. Em 2025, essa clivagem se aprofundou. A França Insubmissa intensificou uma estratégia que articula a luta contra o custo de vida e a desigualdade social com o combate ao racismo e a outras opressões. Essa linha permitiu mobilizar eleitores não-brancos das periferias, tradicionalmente afastados das urnas. Ao mesmo tempo, o partido passou a ser acusado de conivência com grupos islamistas, de ataque à República e à laicidade. A rejeição cresceu, alimentada por uma cobertura midiática hostil e por práticas internas ...
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  • Ameaça de boicote dos europeus à Copa do Mundo de 2026 teria impacto no governo Trump?
    2026/01/26
    Entre tantas alternativas de retaliação e de tentativa de controle sobre o que os Estados Unidos vêm fazendo em relação à Europa, uma ameaça de boicote europeu à Copa do Mundo de 2026 em solo americano talvez fosse uma das poucas jogadas capazes de, de fato, fazer Trump recuar. Não porque ele se importe com a pureza do esporte ou com a liturgia da FIFA, mas porque mexe em três coisas que pesam muito no seu universo de prioridades: imagem, dinheiro e narrativa. Thiago de Aragão, analista político De repente, a maior vitrine do planeta, cuidadosamente montada em casa, corre o risco de virar um grande palco de constrangimento ao vivo. Um boicote desse tipo não nasceria como raio em céu azul. Ele viria depois de meses de atrito, cobranças públicas e humilhações discretas, especialmente em torno da Groenlândia. Cada declaração sobre “interesse estratégico”, cada ameaça tarifária contra aliados europeus, cada aceno de que, se for preciso atropelar sensibilidades de Copenhague, Bruxelas e companhia, se atropela. Em algum momento, a sensação de que a Europa está sendo tratada mais como peça de tabuleiro do que como parceira começa a ferver. E quando essa temperatura sobe, a Copa, que parecia um assunto distante, logística, estádio, calendário, começa a aparecer como botão de emergência. A ideia de boicote, no começo, surgiria em voz baixa. Um parlamentar aqui fala que “não dá para ir à festa de quem te humilha na porta de casa”. Um colunista ali sugere que, se Washington quer testar limites na Groenlândia, a resposta não pode ser só nota de repúdio e discurso protocolar. Aos poucos, a conexão se consolida na cabeça do público: Copa em solo americano, naquele momento, não é apenas futebol. É um selo de normalidade, um “está tudo bem entre nós” estampado em HD para o mundo todo ver. Se essa percepção cola, o cardápio de ações se abre. Alguns governos podem defender um boicote total, com seleções europeias simplesmente ficando em casa. Outros preferem um meio‑termo: seleções vão, mas sem delegações oficiais, sem encontros cerimoniais, sem foto sorridente em camarote ao lado do presidente americano. Há ainda a opção de transformar cada coletiva de imprensa em micropalco político, com jogadores e técnicos lembrando, sempre que possível, por que aquela Copa acontece sob protesto. Em todos os casos, o recado chega onde importa: na combinação de audiência, patrocínio e prestígio. A razão pela qual isso toca num nervo específico em Trump é simples. A Copa em casa, em 2026, é mais do que um torneio; é uma peça de narrativa. É a chance de mostrar um país vibrante, organizado, capaz de montar o maior espetáculo esportivo do planeta, com estádios cheios, patrocinadores felizes e o resto do mundo vindo bater palma. Um boicote europeu não destrói a Copa, mas arranha essa imagem de perfeição: a festa acontece, mas com cadeiras vazias importantes. O anfitrião continua sorrindo, porém o mundo inteiro sabe que nem todo convidado aceitou o convite. Do ponto de vista financeiro, o dano também é calibrado onde dói. Emissoras europeias pagaram caro esperando jogos com França, Alemanha, Espanha, Itália, Inglaterra. Patrocinadores globais apostaram na presença de estrelas que jogam em clubes europeus, com torcidas gigantescas. Se parte desse pacote evapora, começam as renegociações, os pedidos de compensação, os ajustes de contrato. Nada disso derruba a economia americana, claro, mas é barulhento o suficiente para virar manchete, relatório de banco, debate em mercado. O tipo de ruído que investidores e conselheiros detestam e que qualquer presidente que se vê como sinônimo de “sucesso” prefere evitar. “Não vamos à sua festa enquanto você pisar no nosso calo” Politicamente, a Europa teria a vantagem de usar uma arma que fala o idioma da opinião pública. Em vez de discutir cláusulas de tratado ou números de tarifa em documentos opacos, ela diria algo muito mais simples: “não vamos à sua festa enquanto você pisa no nosso calo”. A opinião pública europeia entende. A opinião pública americana, mesmo dividida, entende também. E, talvez mais importante, outros países assistem. Da América Latina à África, passando pela Ásia, a imagem de uma Europa que finalmente decidiu peitar Washington numa arena tão simbólica quanto a Copa tem peso próprio. Isso não quer dizer que o boicote seja fácil de construir. Dentro da própria Europa, o debate seria duro. Países mais expostos à Rússia teriam medo de qualquer movimento que parecesse enfraquecer o vínculo com os Estados Unidos. Governos mais atlanticistas argumentariam que é perigoso transformar a segurança de longo prazo em refém de um gesto de curto prazo, por mais sedutor que ele pareça. Outros, sobretudo onde a fadiga com a postura americana já é grande, veriam no boicote a primeira oportunidade real, em décadas, de dizer “não”...
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  • Os europeus estão prontos para defender a Groenlândia?
    2026/01/19
    Ao escalar a crise em torno da Groenlândia, Donald Trump volta a aplicar seu método favorito: o caos. Desta vez, porém, o alvo são aliados históricos dos Estados Unidos. A reação europeia revela tanto o custo de anos de dependência estratégica quanto o início tardio de um despertar. Thomás Zicman de Barros, analista político Donald Trump tem método. Um método que vale tanto para a política interna quanto para a política externa. As duas coisas, aliás, se comunicam o tempo todo. O método de Trump é o caos. Um caos calculado. Ele rompe deliberadamente com regras de conduta, choca, provoca e abre múltiplas frentes simultaneamente para deixar seus adversários atordoados, reativos, sempre um passo atrás. Na última semana, esse método voltou a se manifestar de forma clara, agora contra aliados históricos dos Estados Unidos: a Europa. O objeto da disputa é a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca que Trump afirma querer controlar, seja por meio da compra, seja, se necessário, pela força. Não é preciso dizer que os habitantes da Groenlândia não querem se tornar súditos dos Estados Unidos. Para além de um evidente fetiche expansionista, o interesse de Trump é estratégico. A Groenlândia tende a se tornar uma região-chave num mundo em aquecimento, num Ártico que em breve será navegável sem quebra-gelos e cada vez mais central nas disputas geopolíticas do século XXI. A escalada em torno da Groenlândia parece ter finalmente acordado os europeus. Eles começaram a sentir na própria pele as consequências da nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump, já mencionada nesta coluna no final de 2025. A situação não deixa de ser curiosa. Duas semanas atrás, eu comentava aqui sobre como as chancelarias europeias haviam avalizado o bombardeio da Venezuela e o rapto de Nicolás Maduro. Macron, Starmer e outros líderes relativizavam a violação do direito internacional diante de um regime do qual desgostavam. O problema é que, quando Trump percebe que pode avançar impunemente, ele avança mais. Reclamar agora de “neocolonialismo” e “imperialismo”, como fez Macron, soa como uma indignação tardia. A dependência como armadilha histórica Se a América Latina continua sendo tratada como quintal, à Europa Trump reserva algo talvez ainda pior: o desprezo. Na sua visão, trata-se de um continente decadente, dependente dos Estados Unidos no quadro da OTAN, incapaz de se defender sozinho e, portanto, destinado a ser deixado à própria sorte. Até aqui, Trump parece ter tido razão sobre a Europa. Apesar de reunir países ricos, potências militares e até nucleares, com França e Reino Unido ocupando assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU, o continente parece à deriva. Falta liderança, falta coordenação. Nesse vazio, Trump circula com facilidade. Foi assim quando impôs tarifas no meio de 2025, diante das quais a Europa, em grande medida, se curvou. Ursula von der Leyen preferiu acariciar o ego do presidente americano a confrontá-lo. Tudo em nome de uma estabilidade que nunca veio. Ainda assim, alguns sinais indicam que os europeus começam a ensaiar uma saída desse relacionamento abusivo, uma tentativa de se libertar da dependência, para não dizer da vassalagem, em relação aos Estados Unidos. Diante das afirmações de Trump de que os EUA “precisam” da Groenlândia por razões de “segurança nacional”, países europeus enviaram forças militares à ilha na operação Arctic Endurance, com o objetivo de reforçar a soberania dinamarquesa e dissuadir qualquer ação direta americana. O envio de tropas é um gesto importante, mas insuficiente. A resposta europeia precisa ir além. É urgente estabelecer regras claras para aquisições militares, rompendo com compras historicamente favoráveis à indústria americana e fortalecendo uma base industrial e estratégica própria. Hoje, vários países europeus dependem do apoio logístico dos Estados Unidos até mesmo para operar seus próprios equipamentos militares, justamente porque esses sistemas são produzidos por empresas americanas. Reino Unido e França também precisam repensar suas estratégias de dissuasão nuclear – sobretudo os britânicos, que não dispõem de plena autonomia para operar suas próprias ogivas. Para que a Europa ganhe autonomia estratégica real, será necessário avançar, finalmente, para um acordo entre Ucrânia e Rússia, normalizando a questão fronteiriça a leste. Tal passo certamente encontrará resistências em Bruxelas, mas constitui uma condição preliminar para qualquer projeto de segurança europeia fora da tutela americana. De toda forma, se Washington está implodindo a OTAN por dentro ao ameaçar parceiros históricos, não faz sentido tentar convencê-lo do contrário por meio de novas concessões. Isso apenas reforça a posição de Trump. A batalha econômica que se aproxima Além da dimensão militar, há ainda uma frente ...
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  • Entre China, Venezuela e Oriente Médio: a diplomacia dispersa dos EUA
    2026/01/12
    É possível olhar hoje para a política externa dos Estados Unidos como um grande exercício de “zapping” geopolítico. Em tese, há uma narrativa clara: defender a democracia, conter rivais estratégicos, proteger cadeias de suprimentos e devolver empregos à classe média americana. Thiago de Aragão, analista político Na prática, porém, Washington tenta pivotar ao mesmo tempo para o hemisfério ocidental, para o Indo‑Pacífico e para dentro de casa, com uma agenda econômica “America First” que se mistura cada vez mais com diplomacia e segurança. O resultado é um excesso de frentes abertas e uma hierarquia de prioridades que muda ao sabor do noticiário, deixando aliados, adversários e até partes da própria administração sem saber exatamente qual é o eixo central da estratégia. A América Latina, e em particular a Venezuela, é um bom exemplo dessa confusão. De um lado, a retórica de dar mais atenção ao “quintal” americano, associando migração, narcotráfico e a presença de Rússia e China na região a temas de segurança nacional. De outro, a resposta prática oscila entre sanções, ameaças militares e gestos de aproximação, sem uma visão clara de qual seria o objetivo final: mudança de regime, negociação gradual ou simples contenção simbólica. Quando cada crise é apresentada como um teste histórico de credibilidade, mas a atenção de Washington rapidamente se desloca para o próximo dossiê urgente, a sensação é de uma política hemisférica mais reativa do que estratégica. Algo semelhante ocorre com a combinação de tarifas, guerra tecnológica e contenção militar em relação à China, ao mesmo tempo em que a Rússia continua tratada como ameaça imediata na Europa. O discurso oficial coloca Pequim como principal competidor sistêmico, justificando controles de exportação, tarifas e reconfiguração de cadeias industriais. Moscou permanece como foco de dissuasão militar clássica e, no entanto, há também a promessa de “encerrar guerras eternas” e reduzir o peso das aventuras externas no orçamento americano. Na prática, o país vive uma espécie de hiperativismo seletivo: não quer novas grandes intervenções no estilo Iraque, mas amplia presença militar, sanções e disputas comerciais num arco que vai do Báltico ao Mar da China Meridional. No Oriente Médio, o contraste entre discurso e realidade é ainda mais visível. A Casa Branca se apresenta como guardiã de uma ordem mais estável e menos militarizada, mas multiplica operações pontuais, ataques cirúrgicos, mediações improvisadas e promessas de redesenhar a arquitetura de segurança regional sem aprofundar o debate interno sobre o custo político e financeiro disso. Para o público americano, esta é uma “saída” da região; para quem observa de fora, soa como uma permanência em modo mais difuso e menos assumido, em que Washington quer continuar indispensável, mas sem admitir o grau de envolvimento que isso exige. Até frentes aparentemente periféricas, como a atenção renovada ao Ártico ou episódios como o interesse em comprar (ou até mesmo invadir) a Groenlândia, ajudam a compor a imagem de uma superpotência que transforma qualquer espaço geográfico potencialmente relevante em tema de segurança. O problema não é que esses temas sejam irrelevantes, mas que todos são apresentados como vitais. Quando tudo é prioridade estratégica, nada parece realmente prioritário. Do ponto de vista burocrático, isso cria listas infindáveis de “teatros críticos”; do ponto de vista político, gera mensagens contraditórias: um dia o foco é conter a China, no seguinte é punir a Europa com tarifas, depois é sinalizar força contra o Irã, logo em seguida é prometer mais atenção à fronteira com o México e à instabilidade na Venezuela. Para aliados europeus, especialmente em Paris e Bruxelas, a experiência recente com Washington é a de um parceiro não tão indispensável e, ao mesmo tempo, cada vez mais imprevisível. O mesmo governo que pede coordenação apertada contra a China e Rússia ameaça com invasão contra um território europeu, medidas comerciais unilaterais, critica níveis de gastos em defesa e muda de tom conforme o calendário eleitoral interno. Esse vaivém não significa ausência total de lógica: há um fio condutor, que é a tentativa de recompor a primazia americana num mundo mais competitivo, usando simultaneamente instrumentos militares, econômicos e tecnológicos. Mas esse fio é fino e nem sempre visível para quem está do outro lado do Atlântico ou no Sul Global, mais exposto à impressão de improviso permanente. Daí a sensação de que a política externa americana, sob a administração atual, vive uma espécie de fadiga de liderança: ainda dispõe de recursos, bases, alianças e poder financeiro para agir em múltiplos tabuleiros, mas encontra cada vez mais dificuldade em explicar por que está em tantos lugares ...
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  • Análise: Quem concedeu aos Estados Unidos o direito de agir como polícia do mundo?
    2026/01/05
    Os ataques americanos à Venezuela, culminando na captura do controverso presidente Nicolás Maduro, são um atentado contra o direito internacional. Mas o que mais surpreende é o silêncio cúmplice dos demais países, acuados num mundo em que vale a lei do mais forte. Thomás Zicman de Barros, analista político Na madrugada de sábado (3), Caracas e outras cidades venezuelanas foram despertadas por explosões. Eram bombardeios americanos, que culminaram na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, levados a Nova York para serem julgados como criminosos comuns. Trata-se de uma violação explícita do direito internacional, uma ingerência inaceitável de uma potência estrangeira sobre a soberania venezuelana, por mais que se possam fazer críticas severas ao governo chavista. O que mais impressiona, porém, é a forma como essa violação passou praticamente incólume. Por cálculo ou por medo, as chancelarias do mundo evitaram contestar diretamente as ações de Washington, abrindo um precedente perigoso. A operação para capturar Maduro se inscreve na Estratégia de Segurança Nacional divulgada por Washington em dezembro passado. Trata-se de uma releitura da bicentenária Doutrina Monroe, baseada em uma visão de mundo organizada em esferas de influência. A América Latina reaparece como quintal dos Estados Unidos, um espaço vital onde governos hostis devem ser removidos e onde potências consideradas externas, como Rússia e China, devem ser mantidas à distância. A Venezuela tornou-se o exemplo mais explícito dessa doutrina aplicada sem disfarces. A ausência de disfarces fica clara nas justificativas oficiais. A defesa dos direitos humanos e da democracia, frequentemente mobilizada como pretexto para intervenções americanas, simplesmente não apareceu no discurso de Donald Trump. Ele não pronunciou a palavra “democracia” uma única vez na coletiva de imprensa após a operação. Nada surpreendente, vindo de um presidente que demonstra reiterado desprezo pela democracia no plano doméstico. Segundo a Casa Branca, a captura de Maduro teria como motivação suas ligações com o narcotráfico. A comparação imediata é com Manuel Noriega, presidente do Panamá capturado e levado aos Estados Unidos no fim dos anos 1980. Mesmo esse verniz, no entanto, descasca rapidamente. Não apenas porque, há poucas semanas, Trump perdoou um ex-presidente hondurenho amplamente documentado como colaborador de cartéis, mas também porque, na mesma coletiva em que ignorou a palavra democracia, falou longamente sobre petróleo. Disse, sem rodeios, que os Estados Unidos pretendem explorar as reservas venezuelanas. Condenar a ingerência americana não implica minimizar a situação interna da Venezuela. Maduro é um líder amplamente contestado, no poder após eleições questionadas, sustentado por uma base social hoje minoritária e por um pacto profundo com as Forças Armadas, que controlam setores estratégicos da economia. A crise política e social do país é real. Ainda assim, há algo menos legítimo do que qualquer governo chavista: uma intervenção militar estrangeira dessa natureza. Bombardear um país e sequestrar sua elite dirigente, por pior que ela seja, é a suspensão aberta do direito internacional e da autodeterminação dos povos. A pergunta que se impõe é simples. Quem concedeu aos Estados Unidos o direito de agir como polícia do mundo? Quem autorizou ataques militares sem aval de fóruns multilaterais? E quem atribuiu a Nova York uma jurisdição universal de fato, funcionando como um tribunal da Haia privado, justamente para um país que se recusa a reconhecer as cortes internacionais competentes? Tão grave quanto a ação americana foi a reação da comunidade internacional. O governo brasileiro condenou a operação, mas a nota oficial do presidente Lula evita cuidadosamente mencionar os Estados Unidos. Os bombardeios e o sequestro de Maduro parecem ter sido obra de um agente indeterminado. Frases na voz passiva, sem sujeito. O cálculo é compreensível. Lula sabe que deteriorar relações com Washington pode abrir espaço para novas ingerências em pleno ano eleitoral. Mais constrangedora ainda foi a postura europeia. O presidente da França, Emmanuel Macron, chefe de Estado de um país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, abandonou uma tradição diplomática que remonta a De Gaulle. Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque com pretextos farsescos para derrubar Saddam Hussein, o então presidente francês Jacques Chirac se opôs frontalmente e denunciou a farsa. Desta vez, Macron limitou-se a avalizar a ação de Trump. Nenhuma palavra sobre a violação do direito internacional. Apenas a celebração da queda de Maduro e a vaga promessa de uma democracia futura, garantida por um presidente americano que sequer pronuncia essa palavra. Macron parece não perceber o precedente que legitima. Se Washington pode agir impunemente em seu ...
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