エピソード

  • Encontro da esquerda em Barcelona: ponto de inflexão?
    2026/04/27
    Em Barcelona, a esquerda global ensaiou sair da defensiva e voltar a ousar. Resta saber se o encontro marcará um verdadeiro ponto de inflexão ou se ficará apenas no diagnóstico de uma crise que já dura tempo demais. Thomás Zicman de Barros, analista político Em 18 de abril, Barcelona sediou o encontro da Mobilização Progressista Global. Mais de cem organizações, oriundas de 72 países, reuniram-se na capital catalã sob os auspícios de Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol. O evento se inscreve na continuidade de encontros realizados em Nova York e Santiago, agora ampliados por iniciativa de Sánchez e do presidente Lula, em parceria com a aliança social-democrata europeia, com o objetivo de incorporar mais atores da sociedade civil. Muitos celebraram Barcelona como um ponto de inflexão. E, ao menos no diagnóstico que a esquerda faz da política global, há algo de novo. Ao longo do último ano, critiquei diversas vezes o estado da esquerda no mundo. Disse aqui que partidos e lideranças progressistas têm se tornado, paradoxalmente, forças conservadoras. Sim, conservadoras: enquanto a extrema direita ocupa o lugar da ruptura, da transgressão, impondo uma espécie de revolução reacionária, a esquerda quer proteger as instituições, muitas vezes sem enfrentar seus limites estruturais. Num contexto de erosão democrática, em que se coloca em xeque a luta pela igualdade, o pilar básico da democracia, a esquerda parece apenas atuar na redução danos. É como se administrasse cuidados paliativos a um paciente terminal: a própria democracia. Líderes da esquerda latino-americana em destaque O encontro de Barcelona foi, por assim dizer, plural. Dos Estados Unidos, por vídeo, participaram vozes tão diversas quanto a moderadíssima Hillary Clinton e figuras "radicais" como Bernie Sanders e Zohran Mamdani. A presença de muitos representantes da África, como o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, também mostrou como a iniciativa buscou se abrir ao Sul Global. E foi precisamente no Sul Global, notadamente na América Latina, que o evento encontrou seu centro de gravidade: Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, e, sobretudo, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, foram estrelas do evento. Foram eles, ao lado de Sánchez, que deram a linha. A mensagem ficou explícita no discurso de Lula: é preciso que a esquerda saia da defensiva. Em certo sentido, em Barcelona se viu a social-democracia assumir que precisa voltar a ousar. Isso dito, para saber se o evento será o tal ponto de inflexão para a esquerda global, resta descobrir se conseguirão transformar diagnóstico em ações. É fácil dizer que falta imaginação política. Muito mais difícil é produzir novas ideias. O próprio Sánchez talvez sugira caminhos nesse sentido. No governo, ele conseguiu recompor a esquerda incorporando pautas e práticas que vinham de forças mais à esquerda, como Podemos e Sumar, hoje minoritárias diante de PSOE hegemônico neste campo. O espanhol denuncia o genocídio em Gaza, regulariza centenas de milhares de imigrantes em meio a uma onda de histeria racista na Europa e avança em reformas trabalhistas que ampliam direitos. Cúpula de Barcelona atacou as formas contemporânea do capitalismo Transformar a vida das pessoas também passa por definir com clareza o adversário. A cúpula de Barcelona não atacou o capitalismo em si, mas suas formas contemporâneas. A defesa da taxação dos super-ricos como forma de enfrentar a concentração extrema de renda foi um ponto de destaque, assim como crítica às Big Tech. Essas empresas não apenas amplificam discursos de ódio e fragilizam o espaço público, como também aprofundam a precarização do trabalho, dissolvem formas de organização coletiva e corroem vínculos de solidariedade. Uma política emancipatória passa, portanto, pela reconstrução de um tecido social comum. Isso envolve voltar a engajar as pessoas em torno de um horizonte compartilhado: uma vida sem exploração, num planeta habitável, que inclua aqueles que até hoje permanecem sem voz, invisíveis. Esse novo mundo comum só poderá surgir numa luta global. Na última década, a extrema direita se organizou em redes internacionais, enquanto dinamitavam fóruns internacionais. Em Barcelona, talvez tenhamos visto uma importante resposta. Mas se será, de fato, esse ponto de inflexão, só saberemos quando – e se – esse diagnóstico se transformar em transformação concreta na vida das pessoas.
    続きを読む 一部表示
    4 分
  • Pacotes de IA expõem dilema do Brasil na disputa entre EUA e China
    2026/04/21
    Em 23 de julho de 2025, Donald Trump assinou ordem para exportar “pacotes completos” de inteligência artificial, colocando o Brasil entre destinos prioritários ao lado de Egito e Indonésia. A medida intensifica a disputa com a China por influência tecnológica global. No mesmo período, o Brasil firmou memorando com Pequim e negocia com Washington, enquanto amplia dependência de infraestrutura digital estrangeira. Thiago Aragão, analista de geopolítica O Brasil está nominalmente na lista de destinos prioritários. Ao lado do Egito e da Indonésia, o país figura entre os mercados emergentes onde a presença americana precisa ser consolidada, antes que a influência chinesa se torne irreversível. Para entender o que isso representa na prática, vale olhar o que aconteceu com o Japão. Em outubro de 2025, durante a visita de Trump a Tóquio, os dois países assinaram um “Technology Prosperity Deal”, um acordo de alinhamento em política de IA que vai muito além da compra e venda de hardware. O documento inclui compromissos sobre padrões técnicos, frameworks de governança, fluxo de dados e cooperação em segurança digital. O Japão passou a integrar estruturalmente a órbita tecnológica americana, não apenas como parceiro comercial, mas como parceiro normativo. Washington quer replicar esse modelo em escala. Leia tambémPossível uso de inteligência artificial em ataques no Oriente Médio levanta questões, diz especialista A lógica americana é clara e, num certo sentido, legítima. A China exporta tecnologia de IA num modelo que analistas descrevem como “full-stack com condições embutidas”: hardware subsidiado, software com lógica de caixa preta e frameworks de governança que replicam o modelo regulatório de Pequim. Washington entendeu que competir chip a chip não é suficiente. É preciso exportar o ecossistema inteiro e, com ele, a arquitetura normativa que o acompanha. Para o Brasil, o problema é que os dois modelos chegam com política externa no rodapé do contrato. Leia tambémNa Índia, Lula diz que IA sem regulação ameaça a democracia e aprofunda desigualdades Em 2025, o governo Lula assinou um memorando de entendimento com a China para aprofundar a colaboração em inteligência artificial. No mesmo período, Brasília avançava nas conversas com Washington sobre o programa de exportação de IA e recebia anúncios de bilhões de dólares em data centers da Microsoft, Amazon e Oracle. Do ponto de vista diplomático, é um malabarismo admirável. Do ponto de vista tecnológico, é uma contradição estrutural que vai cobrar seu preço mais cedo do que se imagina. A questão central não é quem vende o chip. É quem treinou o modelo. Os grandes sistemas de linguagem e tomada de decisão que o setor público e privado brasileiro já usa, na análise de crédito, na triagem de políticas, na recomendação de conteúdo e na gestão de contratos foram desenvolvidos majoritariamente por empresas americanas, segundo padrões americanos, com dados que refletem realidades americanas. O viés não é necessariamente malicioso. Mas é estrutural. E tende a se aprofundar na medida em que o Brasil sustenta sua infraestrutura cognitiva sobre servidores sujeitos ao CLOUD Act americano, a lei que autoriza o governo federal dos EUA a requisitar dados armazenados por provedores americanos em qualquer jurisdição do mundo, independentemente de onde o servidor esteja fisicamente localizado. Leia tambémInteligência artificial: China alerta para cenário apocalíptico ao estilo 'O Exterminador do Futuro' O próprio debate regulatório revela a ambiguidade. O Senado brasileiro tem acompanhado de perto o AI Act europeu como referência normativa para sua legislação nacional, e o projeto em discussão cria um sistema de governança de IA sob a responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Na teoria, é soberania. Na prática, o discurso regulatório aponta para autonomia, mas a implementação é operada por corporações multinacionais americanas. O Brasil faz a lei, mas quem comanda a infraestrutura sobre a qual essa lei incide são outros. Isso não é uma acusação. É uma descrição de como o poder funciona no século 21. Brasil é maior mercado de dados da América Latina A boa notícia é que o Brasil tem cartas genuínas nessa mesa. É o maior mercado de dados da América Latina, tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o que importa imensamente para data centers, e produziu o Pix, um dos sistemas de pagamentos digitais mais sofisticados em operação no planeta. Quando Washington e Pequim disputam o Brasil como parceiro de IA, não o fazem por generosidade. É porque o país tem o que ambos precisam: escala, energia e população conectada. A dependência, se vier, será escolhida, não imposta. A pergunta que o debate público brasileiro ainda não fez com a seriedade necessária é esta: ao aceitar o pacote completo de IA ...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Projeto controverso contra antissemitismo pode contribuir para normalizar extrema direita na França
    2026/04/13
    Mal formulada, a chamada "Lei Yadan" abriria espaço para associar antissemitismo a críticas legítimas ao Estado de Israel. Em vez de aprender com o passado antissemita francês para combatê-lo, ela contribui para normalizar o discurso da extrema direita. Thomás Zicman de Barros, analista político O projeto de lei contra o antissemitismo apresentado pela deputada Caroline Yadan abriu uma nova frente de tensão na França. Relatores da Organização das Nações Unidas (ONU), organizações de direitos humanos, parlamentares de esquerda e até integrantes da base governista pedem sua retirada da ordem do dia. E surge a questão: será que a proposta de fato enfrenta o antissemitismo, ou só agrava o problema que pretende combater? A iniciativa parte de um diagnóstico que, à primeira vista, parece difícil de contestar. Há, certamente, um recrudescimento de atos antissemitas desde os ataques de 7 de outubro de 2023, conduzidos pelo Hamas, que deram ao cambaleante premiê Benjamin Netanyahu o pretexto para iniciar uma ofensiva genocida contra Gaza – e, assim, se agarrar ao poder. Esse ciclo de violência teve repercussões diretas na Europa, inclusive na França, país marcado por episódios decisivos dessa história. Não custa lembrar: foi aqui que o caso Caso Dreyfus cristalizou, no fim do século XIX, uma das matrizes do antissemitismo moderno, conspiracionista, associando os judeus a uma camarilha financista supostamente cosmopolita, desleal, que controlaria o mundo por detrás dos panos. Foi também na França que, durante a ocupação nazista, o regime de Vich colaborou ativamente – e de bom grado – com a perseguição e deportação de judeus. Leia tambémFrança abre inquérito por revisionismo histórico após homenagem a marechal que colaborou com nazistas É justamente nesse país, com esse passado, que surge a proposta de Yadan. Deputada da base de Emmanuel Macron e representante dos franceses do "Mediterrâneo Leste" – uma circunscrição que inclui Israel –, Yadan afirma querer combater “novas formas” de antissemitismo. O projeto, porém, recebeu uma saraivada de críticas bastante justas. A proposta repete problemas presentes em iniciativas semelhantes no Brasil, que também têm dado o que falar. Trata-se, sobretudo, de um texto mal redigido, ambíguo, e talvez propositalmente. A confusão aparece logo no início, quando o projeto desloca o foco do antissemitismo para a ampliação do crime de incitação ao terrorismo, passando a incluir declarações que o fariam “implicitamente”. A palavra “implicitamente”, até hoje ausente nas leis francesas, abre espaço para interpretações subjetivas, elásticas, ao gosto do freguês. Nem tudo é implícito no projeto, contudo. Como indica a própria exposição de motivos, o texto se inspira na controversa definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), abrindo caminho para associar antissemitismo a críticas ao Estado de Israel. E aqui há um salto lógico perigoso, que não contribui nem para o combate ao antissemitismo, nem para a resolução do conflito no Oriente Médio. No fundo, propostas desse tipo acabam reforçando o discurso da extrema direita, em Israel e ao redor do mundo. No caso israelense, aproximam-se de um objetivo central de Netanyahu. A comunidade judaica, dentro e fora de Israel, é plural. Nem todo judeu é sionista – há judeus antissionistas, pós-sionistas. Por sinal, a própria palavra sionismo, hoje frequentemente associada a uma empreitada colonial, já teve significados diversos, muitas vezes em disputa. O sonho de Netanyahu é apagar essas nuances. Ele busca hegemonizar a identidade judaica, fixando o sentido das palavras. “Sionismo” passa a se reduzir ao sionismo revisionista, de extrema direita, que recusa a possibilidade de um Estado palestino ao lado de Israel, ou de uma solução binacional. Ao mesmo tempo, o povo judeu é progressivamente confundido com o Estado de Israel, e o Estado com seus dirigentes, como Netanyahu ou Itamar Ben-Gvir. Ao contribuir para amarrar o povo judeu a Netanyahu e à extrema direita israelense, que pensam em termos binários e de eliminação do outro, esses projetos dificultam a construção de pontes e tornam ainda mais distante qualquer horizonte de paz. Leia tambémMacron anuncia lei contra ódio na internet e nova definição de antissemitismo na França A associação entre críticas a Israel e antissemitismo também serve à extrema direita fora de Israel. Na França, essa pauta é instrumentalizada por setores reacionários, que usam a defesa do governo israelense como forma de se repaginar e esconder seu antissemitismo inato. Mais do que isso, a acusação banalizada de antissemitismo, confundida com a crítica a Israel, passa a ser mobilizada para inverter o cordão sanitário contra aqueles que legitimamente denunciam práticas genocidas contra o povo palestino. Sobretudo, com o ...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Guerra no Irã paralisa reaproximação de Lula com Trump e trava negociações comerciais
    2026/04/06
    O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã congelou de imediato a reaproximação diplomática que Lula e Trump vinham construindo lentamente desde o fim de 2025. Com Washington inteiramente absorvida pela guerra no Oriente Médio, temas comerciais centrais para o Brasil, como tarifas e acesso ao mercado americano, foram empurrados para um limbo sem prazo de saída. O resultado é um vácuo que custa caro aos dois países, justamente no momento em que mais dependem um do outro. Aqueles que vêm acompanhando a trajetória das relações Brasil-Estados Unidos nos últimos dois anos assistiram a uma verdadeira montanha-russa. Saímos de um período de hostilidade explícita, marcado por tarifas de até 50% e sanções direcionadas a ministros do STF, para uma reaproximação cautelosa que, em janeiro de 2026, parecia finalmente ter encontrado um trilho relativamente estável. Lula e Trump voltaram a se falar por telefone, discutiam Venezuela sem trocas públicas de ataques, e a Casa Branca já havia retirado as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. A visita de Lula a Washington estava agendada para a segunda quinzena de março. Havia até a previsão de um fórum sobre carne bovina brasileira no mercado americano. Tudo indicava que, enfim, os adultos haviam retomado o controle da sala. No dia 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã e o sistema internacional virou a página de forma abrupta. O Brasil condenou os bombardeios. O Irã respondeu com ataques a bases americanas no Golfo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo marítimo global, foi efetivamente fechado. O Brent ultrapassou os US$ 100. No Brasil, o preço do diesel disparou 45% em apenas 11 dias. Lula reagiu cortando impostos federais sobre combustíveis e criando uma taxa sobre exportações de petróleo bruto para conter o repasse ao consumidor. E a viagem a Washington? Adiada por tempo indeterminado. O (agora ex) ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, resumiu o espírito do momento com precisão quase lacônica: Lula havia solicitado sua presença na viagem, cujo foco seria a negociação de tarifas agrícolas, mas “em razão da guerra, a viagem foi adiada”. Sem ruptura, sem drama diplomático. Apenas a constatação silenciosa de que negociar detalhes comerciais no meio de uma conflagração global, ainda mais com o interlocutor diretamente envolvido na escalada, beira o descolamento da realidade. Da distensão ao congelamento diplomático Esse congelamento não é trivial. A relação Lula-Trump vinha numa trajetória surpreendentemente construtiva. Após meses de tensão provocados pelo caso Bolsonaro, incluindo tarifas punitivas, sanções contra um ministro do STF e pressões retóricas sobre “eleições livres”, Trump mudou o tom a partir de setembro de 2025. No encontro com Lula na Assembleia Geral da ONU, falou em “excelente química”. Em outubro, na reunião bilateral durante a cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, Lula classificou o encontro como “ótimo”, enquanto o chanceler Mauro Vieira afirmou que equipes técnicas começariam a trabalhar “imediatamente”. Em novembro, Washington removeu sobretarifas de 40% sobre diversos produtos agrícolas brasileiros. Em dezembro, suspendeu as sanções contra Moraes. Em janeiro, uma conversa de 50 minutos entre os presidentes abordou inclusive o “Board of Peace” de Trump para Gaza, com Lula sugerindo, sem atrito, a inclusão de espaço político para a Palestina. Era o tipo de divergência funcional típica de parceiros, não de adversários. Não por deterioração bilateral, mas porque Washington passou a operar em modo quase exclusivo de guerra no Oriente Médio. O resultado foi um vácuo. E esse vácuo tem custo. O nó tarifário que ninguém consegue desatar Para compreendê-lo, é preciso olhar o que ficou paralisado. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou inconstitucionais, por 6 a 3, as tarifas impostas por Trump sob o IEEPA. Foi uma vitória relevante: as tarifas punitivas de 40% contra o Brasil, motivadas pela crise Bolsonaro, caíram. Mas a reação da Casa Branca foi imediata. Utilizando a Seção 122 do Trade Act de 1974, a administração implementou uma tarifa global de 15% sobre todos os países, incluindo o Brasil. Paralelamente, permanecem as tarifas setoriais baseadas nas Seções 232 (segurança nacional, aço e alumínio) e 301 (práticas comerciais desleais). Além disso, seguem abertas investigações do USTR contra o Brasil, incluindo temas como propriedade intelectual, etanol e desmatamento. O resultado é um emaranhado tarifário que ninguém, neste momento, tem capacidade política de desatar. Exportadores brasileiros já sentiram o impacto. As vendas de café para os Estados Unidos caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, durante o pico tarifário. Mesmo com a posterior redução, o dano foi estrutural: o Brasil redirecionou...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Estreito de Ormuz se tornou espaço de manobra da economia mundial
    2026/03/23
    O mundo entrou na era dos preços do petróleo de 3 dígitos. O Estreito de Ormuz, mais do que um mero exercício de guerra dos think tanks, agora é uma variável pertinente do cotidiano econômico. O Brent superou a faixa dos 110 aos 115 dólares; não é mais uma possibilidade , mas um preço real. E a dúvida não é mais o “se”, mas o “quanto tempo o sistema será capaz de conviver assim: 15, 45 ou 90 dias?”. Thiago de Aragão, analista político Nos primeiros 15 dias do bloqueio tudo é expectativa. Os preços explodem não porque hoje faltará petróleo, mas porque o mercado tenta precificar tudo que pode vir a faltar. É quando as grandes economias ainda podem montar a farsa da normalidade: liberando estoques estratégicos, realizando coletivas, falando em disrupção temporária. Mas esta normalidade tem um custo elevado. Com Ormuz fechado, cerca de 20% da produção de petróleo mundial e uma quantidade semelhante de gás natural liquefeito estão mais do que em risco. Dentro de poucos dias, o Brent se equilibra por volta de 110-115 dólares, e o WTI passa com facilidade o limiar de 100 dólares. O que representava nas crises anteriores o "pior dos momentos", constitui a nova base. Esse primeiro estágio ainda poderia estar sob controle com os instrumentos clássicos: vendas coordenadas de reservas estratégicas, linhas de crédito de emergência aos países mais vulneráveis e pressão diplomática em volta do cessar-fogo. Mas, enquanto governos ainda declaravam que isso era um "choque gerenciável", as companhias aéreas, o transporte marítimo, a petroquímica e a eletricidade nos países importadores já terão começado a recalibrar a sua trajetória a toda velocidade. O perigo ainda é considerado um desvio, mas o desvio já começa a mudar os hábitos de investimento, de produção e de consumo. Caos logístico Depois de um mês, a crise caminha para outra. Não se trata mais de um problema em interpretação da flutuabilidade, mas de funcionamento. As cadeias globais começam a perceber os efeitos de corrente: os navios deslocados, as refinarias mudando sua programação de carga, os contratos de fornecimento conquistados em disputa. O caos logístico assume, assim como a contagem estatística de barris fora do mercado. Estudos mais recentes que simulam um corte de quase 20% na oferta global de petróleo provocada pelo fechamento de Ormuz, indicam que, mantendo-se o fechamento por um trimestre, o WTI tenderia a média perto de 100 dólares. E isso significa que o Brent consistente estaria acima de 110-115 durante o período. Só que é isso, em tempos de estresse, com a média exibida, as faixas de 120-130 no Brent não são mais teatro dramático, mas sim o cenário provável. As casas de pesquisa, que realizaram cenários para a crise atual, reconhecem abertamente um intervalo de 120 a 150 para o Brent, caso o estreito seja mantido bloqueado por um tempo como 30 a 60 dias algo assim, mesmo com uso agressivo de reservas e redirecionamentos logísticos. Esta conta não é só a de energia: um choque desse tamanho, mantido por um trimestre, poderia levar a um número de alguns pontos percentuais a menos de crescimento global anualizado naquele trimestre, é nesse momento em que a crise entra com tudo na política doméstica. Os bancos centrais, já em anos de inflação alta, necessitam decidir se aceitam mais pressão inflacionária ou se eles elevam juros em choque de oferta. Os países emergentes começam a encarar a conta de transações com pânico discreto: energia importada mais cara, moeda sob pressão, reservas com perda. Se o lockdown superasse 90 dias, o problema se torna de energia para sistêmico. A lógica da interdependência global não-linear colapsa: quanto mais tempo fechado, mais efeitos colaterais acumulados em cadeias que inicialmente aparentemente não possuem petróleo em seus núcleos. Neste instante, os estoques estratégicos já foram extensivamente utilizados. O ordenamento da entrega do mercado através de leilões pontuais não serviria mais. Modelos que projetam cenários prolongados sinalizam de um mundo onde o Brent poderia ser de 150 a 200 dólares, no caso de o lockdown durar um trimestre completo e haver dano relevante às infraestruturas de exportação. O valor em si não é relevante, mas a mensagem é clara: trata-se de um nível em que as várias economias não podem mais repassar para o cliente o preço ou entram em racionamento ou explodem em tensões sociais. Risco geopolítico De um lado, o aumento dramático da pressão por uma resposta militar coordenada, para a reabertura do estreito, não mais em nome da "livre navegação" abstrata, mas em função da defesa da inflação, do emprego e, em alguns países, da força política. De outro lado, as aparências vão levar os governos a medidas que já estavam fora de uso: controles de preços, racionamento de combustíveis, subsídios seletivos, acordos aceitos ...
    続きを読む 一部表示
    5 分
  • Da exclusão à aliança: por que parte dos eleitores LGBTQ+ vota na extrema direita francesa
    2026/03/16
    Pesquisas recentes sugerem que uma parte crescente do eleitorado LGBTQ+ francês se aproxima da extrema direita. O fenômeno do homonacionalismo mostra como lutas emancipatórias podem ser capturadas por projetos políticos excludentes. Thomás Zicman de Barros, analista político Segundo uma pesquisa recente, cerca de 32% dos eleitores LGBTQ+ declarariam preferência por partidos de extrema direita – um crescimento de dez pontos em quatro anos. Estudos extraoficiais sugerem inclusive que o grupo parlamentar com maior número de homossexuais seria precisamente o partido lepenista. Sébastien Chenu, que ocupa uma das vice-presidências da Assembleia Nacional, e Jean-Philippe Tanguy, vice-presidente do grupo parlamentar, são os rostos assumidos e conhecidos. Mas há outros. O homonacionalismo é um fenômeno intrigante e, sobretudo, preocupante. É verdade que houve homossexuais de extrema direita na história, como Ernst Röhm. Mas esses casos sempre foram exceções. Durante décadas, a extrema direita foi marcada por um discurso abertamente homofóbico. Como não ficar encafifado ao lembrar que, apenas dez ou quinze anos atrás, Jean-Marie Le Pen denunciava a “degeneração” que representaria a homossexualidade, associando-a às mais diversas doenças? Mesmo sua filha Marine atacava um pretenso “lobby gay”, e prometia abolir o casamento igualitário, visto como um atentado contra a família tradicional. Nos últimos anos, contudo, ocorreu uma inflexão. E uma inflexão veloz. O que vemos é, por um lado, a normalização da extrema direita, que nesse processo procura parecer menos extremista em temas societais. E, por outro, uma certa normalização da própria homossexualidade. O curioso é que essas duas normalizações são problemáticas. À primeira vista, isso pode soar estranho. A maioria das pessoas provavelmente concorda que a normalização da extrema direita é preocupante, porque faz avançar ideias retrógradas, reforçando hierarquias sociais e diversas formas de violência. Mas como dizer que a normalização da homossexualidade também pode ser problemática? É evidente que a discriminação contra homossexuais é abjeta e deve ser combatida com todas as forças. Por isso, alguns podem ver essa incorporação de homossexuais pela extrema direita como um sinal positivo. “Vejam só, até a extrema direita se curvou aos novos tempos”, alguém poderia pensar. No final das contas, talvez não fossem tão intolerantes assim. Normalização problemática Mas não nos enganemos. A extrema direita continua profundamente homofóbica. E mesmo quando parece tolerar a homossexualidade, essa tolerância serve para reforçar outras discriminações. Há homossexuais que expressam posições transfóbicas. Mas talvez essas não sejam sequer as principais vítimas desse fenômeno. Na França, o discurso homonacionalista costuma afirmar, de forma estereotipada e racista, que os imigrantes seriam o verdadeiro perigo para as comunidades LGBTQ+, para as mulheres ou para os judeus. É nesse sentido que a normalização da homossexualidade é problemática. A “normalização” de que falo aqui é aquela que impõe uma norma. É aquela que retira da homossexualidade seu potencial transgressor e emancipador. Em vez disso, ela funde certos homossexuais ao campo dos dominantes. Apaga sua dimensão subalterna e instrumentaliza a luta contra a discriminação para justificar novas discriminações contra outros grupos. Em outras palavras, alguns chutam a escada depois de subir. Foram “higienizados” e, desde que mantenham a discrição, passam a ser parcialmente aceitos. Agora querem fazer parte da ordem que antes os excluía. Radicalidade neutralizada Vale lembrar que a sigla LGBTQ+ contém a letra Q, de queer. Queer designa aquilo que não se encaixa, aquilo cuja própria existência desafia as normas e questiona formas de dominação. Nesse sentido, o homonacionalismo é profundamente anti-queer. Ele abandona a dimensão contra-hegemônica e emancipatória do movimento. A radicalidade transformadora que caracterizou tantas lutas LGBTQ+ acaba neutralizada. É curioso notar que essa aproximação da extrema direita com a homossexualidade apresenta analogias com sua aproximação com certas figuras de origem judaica, personificada na França por nomes como Éric Zemmour ou Sarah Knafo. Vindos de grupos discriminados, eles transformam identidades historicamente abertas e plurais em instrumentos de afirmação identitária e de supremacia de uma branquitude recém-adquirida. Em todos esses casos, parece que nada se aprende com a história. O sentido do “nunca mais” é deturpado. O “nunca mais” não pode significar “nunca mais comigo”. “Nunca mais” precisa significar “nunca mais para ninguém”. Alguém poderia perguntar: então homossexuais não podem ser de extrema direita? Evidentemente, cada um faz suas escolhas políticas. Mas há algo aqui que soa como uma traição...
    続きを読む 一部表示
    4 分
  • Martirização de militante fascista fortalece a extrema direita e a diabolização da esquerda na França
    2026/03/02
    Os últimos quinze dias viram a normalização da extrema direita se acelerar. A morte de um militante fascista, transformado em mártir, tem redesenhado as fronteiras do aceitável a do inaceitável na política – e recomposto o chamado “cordão sanitário”: o perigo agora já não seria a extrema direita dos Le Pen, mas a esquerda. Thomás Zicman de Barros, analista político Em 12 de fevereiro, a eurodeputada francesa Rima Hassan, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), realizou uma conferência em Lyon. Nascida num campo de refugiados palestinos, ela falaria sobre o conflito no Oriente Médio. Contra o evento, o coletivo “femo-nacionalista” de extrema direita Némésis convocou um protesto. A chamada circulou nas redes, e grupos antifascistas locais foram ao local para evitar intimidações. Mensagens internas divulgadas pelo jornal L’Humanité indicam que, em articulação com grupos neonazistas, as militantes pretendiam “servir de isca” para atrair esses antifascistas. O objetivo era que houvesse confronto. Houve quebra-quebra, violência, e uma morte. Quentin Deranque, militante fascista de 23 anos, caiu no chão durante a briga. Chegou a recuperar a consciência, recusou atendimento médico, mas ignorava a severidade do traumatismo craniano. Hospitalizado, faleceu dois dias depois. A dramática morte do jovem fascista transformado em mártir foi o estopim para acelerar a normalização da extrema direita. Normalização da extrema direita: dois sentidos A normalização da extrema direita é um processo de longo prazo na França. A rigor, é geracional: o fundador do Front National, Jean-Marie Le Pen, era intencionalmente histriônico, próximo a grupos neonazistas, antissemita notório, negacionista do Holocausto, com um passado de torturador na Guerra da Argélia. Por sua vez, sua filha e herdeira política Marine gastou os últimos quinze anos tentando parecer palatável. Seu objetivo é dar uma repaginada no partido, um verniz respeitável. Como repeti inúmeras vezes nessa coluna, contudo, a normalização não é só um processo da extrema direita tentando se mover rumo ao centro. Há normalização, sobretudo, quando atores do mainstream caminham rumo à extrema direita, repetindo suas pautas, suas ideias. Políticos são peças centrais nesse deslocamento, mas não são os únicos. Parte da mídia também contribui para esse processo. Num ambiente midiático cada vez mais concentrado nas mãos de grandes fortunas – como o empresário Vincent Bolloré –, multiplicam-se plataformas dispostas a dar espaço para grupos “fascistizantes” que antes ficavam às margens. Três momentos de “desdiabolização” Nessa dinâmica em que o próprio mainstream se desloca, as mudanças podem ser rápidas. Apenas nos últimos três anos, foram três os momentos de comoção nacional na França que aceleraram muito a “desdiabolização” da extrema direita. O primeiro se viu depois dos atentados do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A extrema direita participou das marchas em solidariedade a Israel. Ao permitir sua presença no cortejo sem maiores constrangimentos, boa parte do espectro político ajudou a esconder o antissemitismo inato do partido, apagando o pecado original do lepenismo. Ao mesmo tempo, a acusação de antissemitismo foi instrumentalizada contra a esquerda radical, que se recusou a marchar ao lado da extrema direita e denunciou o genocídio israelense em Gaza. O segundo capítulo veio com a dissolução surpresa da Assembleia Nacional por Emmanuel Macron após as eleições europeias de 2024. Diante da perspectiva de vitória do partido de Le Pen, parte da imprensa não soou o alarme. Ao contrário, preferiu sustentar que não seria o fim do mundo, relativizando seu extremismo e se perdendo em debates terminológicos sobre se se tratava de extrema direita, ultradireita ou direita radical. O terceiro momento é o atual. Como observador da cena política francesa, os capítulos anteriores me exasperavam. Mas nada se compara aos últimos quinze dias. Quentin Deranque fundara o coletivo supremacista branco Allobroges Bourgoin e participava de marchas abertamente neonazistas em Paris. Essas informações foram sonegadas do público, e Deranque foi inicialmente apresentado como um jovem estudante de matemática, um católico idealista que queria um mundo melhor. Em contraste, a diabolização da esquerda radical tem sido avassaladora. Parte do discurso político e midiático sustenta que a principal ameaça à democracia viria hoje da França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. É verdade que, em sua estratégia iconoclasta, os mélenchonistas frequentemente oferecem munição aos críticos. Pesou muito também o fato de que, entre os antifascistas presentes no confronto que levou à morte de Deranque, estava um assessor parlamentar do deputado Raphaël Arnault, da própria França Insubmissa e antigo fundador do grupo antifascista Jovem ...
    続きを読む 一部表示
    6 分
  • Decisão da Suprema Corte dos EUA leva Trump a redesenhar sua agenda tarifária
    2026/02/23
    A decisão da Suprema Corte dos EUA ao invalidar o uso do IEEPA – acrônimo, em inglês, da Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional – para tarifas redefine não apenas a arquitetura jurídica da política comercial norte‑americana, mas também o ambiente estratégico em que o Brasil se relaciona com Washington e com o presidente Donald Trump em seu segundo mandato. Thiago de Aragão, analista político Ao retirar do Executivo a ferramenta emergencial que permitiu, em 2025, a criação de um regime tarifário agressivo e altamente discricionário, a Corte reduz a assimetria de poder na mesa de negociação e abre espaço para que Brasília trate tarifas menos como armas de surpresa e mais como variáveis negociáveis dentro de um marco institucional mais estável. No caso brasileiro, o impacto é tanto imediato quanto estrutural. Imediato porque a decisão atinge em cheio o fundamento jurídico das sobretaxas emergenciais aplicadas contra o Brasil, incluindo o adicional de 40% que, combinado com outras medidas, levou a alíquotas efetivas próximas de 50% sobre uma cesta relevante de produtos, como aço, carnes, café e manufaturados selecionados. A determinação de encerrar “tão logo seja praticável” a cobrança de tarifas baseadas em IEEPA implica, em princípio, a eliminação desse prêmio punitivo aplicado especificamente ao Brasil, mesmo que outros instrumentos, como as seções 232, 301 ou 122, continuem ativos ou sejam recalibrados. Estrutural porque o sinal enviado ao mercado é que a política tarifária dos EUA volta a estar mais ancorada em estatutos tradicionais, com procedimentos, consultas e limites mais claros, reduzindo o espaço para escaladas unilaterais justificadas por emergências de definição elástica. Essa mudança ocorre depois de um ano em que o Brasil, apesar do choque tarifário, conseguiu registrar exportações recordes, ao custo de uma realocação significativa de fluxos em direção à China e outros mercados, e de uma queda expressiva das vendas para os Estados Unidos. Engenharia jurídica A eliminação das tarifas com base no IEEPA tende a aliviar a pressão sobre setores exportadores que estavam na linha de frente da disputa com Trump, mas isso não significa uma volta automática ao status quo pré‑2025. Em primeiro lugar, porque permanecem em vigor tarifas impostas sob outras bases legais; em segundo, porque o próprio presidente já anunciou e vem ajustando um novo arcabouço de tarifas globais, como a alíquota de 10% (e a discussão sobre elevação a 15%) via seção 122, com exclusões e exceções calibradas em função de setores e parceiros. Em outras palavras, o Brasil deixa de ser alvo de um diferencial de 40% ligado a uma emergência sob IEEPA, mas continua inserido em um cenário de protecionismo elevado, apenas com outra engenharia jurídica. Do ponto de vista da estratégia de Trump, a decisão da Suprema Corte não encerra a agenda tarifária; ela força um redesenho. Ao perder a base emergencial ampla proporcionada pelo IEEPA, a Casa Branca tende a concentrar sua política em três frentes: uso mais intensivo da seção 122 para tarifas globais com alíquota uniforme; manutenção e eventual expansão de tarifas setoriais sob a seção 232, com foco em segurança nacional, em áreas como aço, alumínio e possivelmente novos insumos industriais; e aprofundamento do contencioso sob a seção 301, com investigações dirigidas contra práticas consideradas desleais, inclusive em temas sensíveis como agricultura, subsídios, deforestação e tratamento a empresas americanas de tecnologia. Isso significa que o eixo da política comercial de Trump migra de uma lógica punitiva personalizada, amparada em emergência, para um desenho em que o Brasil passa a ser enquadrado, principalmente, como caso de risco setorial (n° 232) e de conduta desleal (n° 301), com efeitos possivelmente menos abruptos, porém mais duradouros e difíceis de reverter. Para o Brasil, essa reconfiguração tem implicações claras. Em primeiro lugar, a eliminação das sobretaxas IEEPA melhora a competitividade relativa de produtos hoje duramente atingidos e abre espaço para recuperação gradual da participação no mercado americano, especialmente em segmentos onde a concorrência com fornecedores de outros países também estava sendo distorcida pelo diferencial de 40%. Segundo, a experiência de 2025 mostrou que o país foi capaz de desviar parte relevante de suas exportações para outros destinos, em particular a China, mas ao custo de maior dependência desse mercado e de uma relação bilateral mais assimétrica. Maior previsibilidade regulatória A retirada do componente emergencial da política tarifária norte‑americana permite, ao menos em teoria, uma estratégia brasileira menos defensiva e mais ofensiva: em vez de apenas reagir a surtos tarifários, Brasília pode tentar negociar previsibilidade regulatória, coordenação de...
    続きを読む 一部表示
    5 分