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De Bruxelas para o mundo

De Bruxelas para o mundo

著者: RFI Português
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A partir da capital belga e da União Europeia descodificamos as mecânicas da construção europeia e as relações do bloco dos 27 com os demais espaços geográficos e políticos do mundo.

France Médias Monde
政治・政府 政治学
エピソード
  • “As férias dos europeus vão certamente ser mais caras” - António Buscardini
    2026/06/25
    António Buscardini, director da agência de comunicação Buscardini Communications e director do portal Travel Tomorrow, dedicado à informação sobre a indústria do turismo, em entrevista à RFI, admite que as férias dos europeus vão ficar mais caras em 2026, também devido à instabilidade no Médio Oriente. Bem-vindos. Neste espaço de entrevista recebemos todos os meses um especialista em assuntos europeus, um protagonista político ou um representante de uma instituição em Bruxelas para nos ajudar a descodificar a actualidade europeia. Em vésperas das férias de verão, vamos falar sobre turismo na UE, das tendências do sector e das consequências da instabilidade geopolítica. O nosso convidado, António Buscardini, é director da agência de comunicação Buscardini Communications e diretor do portal Travel Tomorrow, dedicado à informação sobre a indústria do turismo. António, começo por lhe perguntar se as férias de verão dos europeus vão ser mais caras devido à instabilidade geopolítica em várias regiões do mundo, em particular no Médio Oriente, e também à consequente subida dos preços dos combustíveis. Como é que vê esta questão? Muito obrigado pelo convite. Certamente vão ser mais caras, em vários níveis. Em primeiro lugar, obviamente, houve uma redução de rotas. As rotas mais curtas, principalmente, desapareceram no continente europeu porque houve escolhas que tiveram de ser feitas pelas companhias aéreas. E, portanto, distâncias que os europeus estão habituados a percorrer não estão disponíveis neste momento. Isto é um primeiro obstáculo que depois acaba por condicionar tanto a escolha como o aumento inevitável dos preços. Este aumento, ou a escassez de combustível, tem um impacto total no turismo porque, quando pensamos no turismo, não é apenas o sector dos transportes ou o sector da hotelaria. São vários elementos, o que acaba por condicionar também o próprio preço dos bens que são fornecidos aos hotéis e a outros operadores. Portanto, as escolhas são mais reduzidas. Mas, apesar de tudo, segundo a European Travel Commission, que publicou um relatório há pouco tempo, a perspectiva continua a ser positiva, porque 2026, no início do ano, foi perspectivado como um ano melhor do que 2025, que já tinha sido um ano recorde. E os dados de junho continuam a apontar para um aumento do turismo europeu. Os europeus, desde a Covid-19, viajam muito dentro do continente europeu. Houve uma mudança de paradigma. E isso, a confirmar-se, é benéfico para as nossas economias, mas também reforça o papel de liderança que a Europa tem neste momento neste sector. E o facto de alguns destinos internacionais situados no Médio Oriente, como o Dubai ou Doha, terem sido afetacdos pela instabilidade regional, pode desviar turistas para a Europa? Isso pode ser uma oportunidade para a Europa? Não estou totalmente convencido disso. Grande parte das pessoas que viajam para o Médio Oriente, no contexto que estamos a discutir, pertencem a nichos específicos, são expatriados. Acaba por ser um tipo de turista que não corresponde ao turista tradicional. Está muito ligado aos negócios, ou à vida profissional que mantém no Médio Oriente. Acho que a questão passa sobretudo por escolhas internas. E, na verdade, o turismo não é um dado adquirido. Costumo dizer que nada garante que a experiência que um alemão teve em Portugal continue a ser positiva. Estamos todos os anos em competição, e essa competição faz-se sobretudo com os nossos vizinhos. Fala-se muito do overtourism, ou seja, de um turismo excessivamente concentrado em cidades como Lisboa. Mas vejamos os exemplos de Veneza ou Barcelona. Barcelona até abandonou a marca “Visit Barcelona”, precisamente porque quer transmitir a mensagem de que não pretende receber visitantes a qualquer custo. O problema do turismo, quando atinge níveis excessivos, é que as escolhas dos visitantes tendem a concentrar-se nos mesmos destinos e nos mesmos períodos. Por isso, quem pensa o turismo ao nível nacional e europeu tenta criar uma espécie de pedagogia para os viajantes, promovendo uma distribuição mais equilibrada ao longo do ano. Se olharmos para França, por exemplo, recebeu cerca de 100 milhões de visitantes no ano passado, mas 85% concentrou-se em Paris. É este o desequilíbrio que o sector do turismo enfrenta. E como pode a Europa reagir, sendo o turismo sobretudo uma área de competência nacional. Há aqui vários documentos estratégicos em cima da mesa para discussão entre os Estados-membros. O que pode a Europa acrescentar? Há aqui muita coisa a dizer. Em primeiro lugar, nesta nova Comissão von der Leyen, pela primeira vez temos um comissário dedicado ao turismo, responsável pelo turismo e também pelos transportes. O que faz muito sentido, porque são dois sectores interligados. Logo aí houve um reforço importante, porque, como disse bem, esta é uma competência dos ...
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  • “As mudanças laborais devem ser feitas através da negociação”, sindicalista Carlos Trindade
    2026/05/22
    Este mês, a reportagem da RFI descodifica a actualidade europeia e mais concretamente a Europa Social e os desafios que enfrenta o mercado de trabalho na Europa, a pretexto da discussão, neste momento, da reforma laboral. O nosso convidado é Carlos Trindade, sindicalista da CGTP e membro do Comité Económico e Social Europeu, onde representa o grupo dos trabalhadores neste órgão da sociedade civil da União Europeia. RFI: Carlos Trindade, bem-vindo. Pergunto-lhe, para começar, em que ponto é que estamos na construção deste desígnio chamado Europa Social e se o modelo social europeu está apetrechado para enfrentar os desafios atuais e do futuro. Carlos Trindade: Bom dia, muito obrigado pelo convite. Nós estamos, efetivamente, a atravessar um momento na Europa, mas não só, também no mundo, de graves problemas de carácter social, que são reflexo das enormes convulsões que estão a existir a nível mundial. Naturalmente, as alterações tecnológicas, em particular os recentes desenvolvimentos da inteligência artificial, o papel do algoritmo neste processo, mas também, por outro lado, as guerras a que nós vimos assistindo, desde a invasão da Ucrânia até à situação da Faixa de Gaza, os últimos acontecimentos no Irão, levam a que existam graves problemas a nível da Europa. Aliás, problemas estes de carácter social, que têm a ver com uma questão que referiu muito bem: o modelo social europeu. O modelo social europeu é a contraparte da economia social europeia, que é a conceção designada no Tratado da Comunidade, logo no artigo 2.º, que refere que a economia europeia é uma economia social de mercado. O que significa que a economia de mercado integra uma visão profundamente social. Esta visão profundamente social faz-se através de um modelo social europeu que tem uma raiz: a repartição. Essa repartição é feita de várias formas, no sentido fiscal, com sistemas progressivos, no sentido da contratação coletiva, com aumentos salariais, em serviços públicos universais com qualidade, de uma forma que cada país possui de acordo com a sua história social. A repartição é feita entre a maioria da população, os trabalhadores, os reformados, os jovens e, naturalmente, as empresas e os empresários. E hoje este modelo de repartição, desde há uns anos para cá, está a ser posto em causa. E o que assistimos é exatamente a uma procura, uma tentativa, de reduzir essa repartição, favorecendo as grandes empresas, os grandes grupos económicos, prejudicando a maioria da população. Só dou um número, que é para todos percebermos: somos 450 milhões, depois do Brexit, na União Europeia. Cerca de 95 milhões sentem-se pobres, estão na pobreza ou têm sérios receios de ir para a pobreza. Ou seja, mais de 20% da população tem receios de ir para a pobreza. RFI: Justamente, essa questão da redução da pobreza está contemplada no que se chama o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, que estabelece uma série de direitos, tal como o título o enuncia, e há também um plano de implementação desses direitos com metas específicas a atingir. Como é que está a execução deste plano? Carlos Trindade: Chama bem a atenção para o Pilar Europeu dos Direitos Sociais e a aplicação do Plano de Ação, que vai sendo aplicado, mas de uma forma lenta. É necessário um impulso maior, é necessária mais rapidez. A redução da pobreza, a questão das crianças também pobres e, naturalmente, a qualidade do emprego, ou seja, melhores condições de emprego, que são os três pilares principais deste plano de ação, estão a ser aplicados, repito, mas com uma velocidade dependente de Estado para Estado e menor daquilo que estipulava o início do plano de ação, e menor daquilo que são as necessidades das populações europeias. Portanto, este é um ponto, inclusive, que o próprio Comité Económico e Social Europeu tem apontado à Comissão: que temos de dar um impulso, temos de ter um plano mais fortalecido, porque não nos esqueçamos de uma coisa, que isto é extremamente importante. É que não estamos a falar somente numa perspetiva moral: 95 milhões de pessoas com receio da pobreza ou que já estão pobres. É que também tem uma dimensão política fortíssima. É que depois esta população, que se sente excluída do bem-estar e da justiça social, naturalmente é captada, uma parte importante, pelos movimentos de extrema-direita, pelos movimentos nacionalistas e pelos movimentos que são contra a própria União Europeia e o projeto europeu. Portanto, esta dimensão social tem uma relação direta com a dimensão democrática. E isto tem de ser resolvido pelos dois motivos: a resolução do problema em si, da pobreza, e também para atacar as raízes do crescimento da extrema-direita europeia. RFI: Uma das metas deste pilar e do plano que o executa passa também por aumentar a taxa de emprego da população entre os 20 e os 64 anos. O que lhe perguntava é ...
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  • "Ainda não sentimos verdadeiramente o impacto" do conflito no Médio Oriente - Gonçalo Lobo Xavier
    2026/04/29
    Vamos falar neste episódio das consequências económicas para a Europa da guerra no Médio Oriente e da resposta da União Europeia às dificuldades que já se fazem sentir. Convidámos Gonçalo Lobo Xavier, é há vários anos um dos membros portugueses do Comité Económico e Social da UE, representa os empregadores. Bem-vindos. Neste espaço de entrevista recebemos todos os meses um especialista em assuntos europeus, um protagonista político ou um representante de uma instituição em Bruxelas para nos ajudar a descodificar a actualidade europeia. Hoje vamos falar das consequências económicas para a Europa da guerra no Médio Oriente e da resposta da União Europeia às dificuldades que já se fazem sentir. Convidámos Gonçalo Lobo Xavier, é há vários anos um dos membros portugueses do Comité Económico e Social da UE, representa os empregadores. Gonçalo Lobo Xavier, bem-vindo. Que impacto está a ter na vida económica e das empresas este conflito no Médio Oriente? Obrigado pela oportunidade, é sempre um gosto poder partilhar um bocadinho da experiência que vivo aqui no Comité Económico e Social Europeu, enquanto representante da CIP. Ora, é evidente que como consumidores, e todos somos consumidores, nós estamos a sentir nas nossas vidas diárias o impacto desta crise, quer seja por um aumento generalizado dos preços da energia, quer seja pela tensão que tudo isto tem provocado dentro da própria União Europeia. Quer do ponto de vista diplomático, quer do ponto de vista da nossa capacidade de resposta a um choque deste tipo. E eu diria que está a ter, sobretudo, um impacto na vida das pessoas, para além desta parte do orçamento da vida diária das pessoas, está também a ter consequências no nosso optimismo, ou no nosso baixo grau de optimismo e de confiança na economia, e tudo isto pesa, evidentemente. O bloqueio do Estreito de Ormuz tem um impacto energético em vários pontos do globo. Em que medida o aumento dos preços dos combustíveis vai acabar por se reflectir no fim da cadeia, ou seja, no preço final dos produtos? Como é que olha para esta situação? Com bastante preocupação, porque eu, em Portugal, o meu trabalho diário é, enquanto Director-Geral da APED, Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, e nós, na distribuição, sentimos em toda a cadeia de valor o impacto desta pressão sobre os preços de energia. Repare que a energia é precisa em toda a cadeia de valor, no caso dos alimentos, desde a produção agrícola, até à logística, à agroindústria, ao transporte, e no final da cadeia está o retalho que apresenta os produtos aos consumidores de forma diária. E isto, por muito que custe, vai ter necessariamente um crescimento do preço dos alimentos e dos bens em geral, porque se não é imediato, se não se nota de forma imediata quando nós vamos meter a gasolina nos nossos automóveis ou quando pagamos energia, o delay que existe entre isto ter um impacto nos preços finais demora algum tempo. E, portanto, nós, eu diria que ainda não sentimos verdadeiramente o real impacto deste problema e de toda esta pressão energética, que se vai sentir seguramente mais em Maio, mais em Junho, mais em Julho, enquanto o conflito não se decidir, teremos sempre esta espada em cima de nós a prejudicar a evolução da economia, a evolução das empresas e consequências no preço dos produtos em geral. No seu entender, o que é que se pode perspectivar para os próximos meses, quais é que são, no fundo, os sectores económicos mais vulneráveis a esta disrupção, a este conflito? Bom, a verdade é que o sector industrial, que é grande consumidor de energia, vai sentir, naturalmente, e isso, mais do que a consequência também que se vai sentir no preço dos bens, é a falta de competitividade que a Europa vai sentir face a outras geografias. E nós já estávamos debaixo de uma grande pressão no sentido de ganharmos competitividade, de investirmos, de termos capacidade para investir e para renovar a nossa indústria. Este conflito veio trazer aqui uma maior dificuldade na recuperação. E por muito que a União Europeia esteja a investir de modo, em estratégias mais estruturais, como o recente AccelerateEU [plano da UE para fazer face ao aumento dos custos da energia e reduzir a dependência energetica], com o investimento na transição energética, com o apoio a energias limpas, tudo isto demora o seu tempo a ter um efeito real na economia. É evidente que tem que ser feito, estas medidas de médio prazo e estruturais têm que ser feitas, mas a curto prazo há pouco mais há do que algum alívio nos preços e algum investimento e apoio aos consumidores em geral. Na área fiscal pode haver aqui espaço para se fazer alguma coisa, mas é manifestamente insuficiente face ao impacto e à dimensão do impacto que isto tem na vida das pessoas e que provoca um certo descontentamento. E que outras medidas é que esperaria por parte da ...
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