A segurança da inteligência artificial já não depende apenas do modelo.
Os agentes começam a ganhar acesso a browsers, ferramentas, ficheiros, APIs, credenciais e sistemas reais.
Isso torna-os muito mais capazes.
Mas também aumenta a quantidade de software e infraestrutura que precisa de ser protegida.
Esta semana vimos as duas metades dessa mudança ao mesmo tempo.
A CISA adicionou novas vulnerabilidades com exploração conhecida ao seu catálogo. Entre os componentes afetados estão ferramentas relevantes para aplicações, automação e infraestrutura moderna, como LiteLLM, Starlette e Kestra.
Ao mesmo tempo, a OpenAI apresentou o GPT-6 Astra, o primeiro modelo que a própria empresa classifica como Critical em capacidade de cibersegurança dentro do seu Preparedness Framework.
Segundo a OpenAI, em ambientes de avaliação Astra conseguiu encontrar vulnerabilidades anteriormente desconhecidas e desenvolver formas de as explorar.
Mas há ressalvas importantes.
“Critical” é uma classificação da própria OpenAI, não uma certificação independente. As capacidades de cibersegurança mais avançadas têm acesso restrito e os resultados mais extremos foram obtidos em ambientes específicos de avaliação.
Neste Radar Semanal explicamos porque a próxima grande falha relacionada com inteligência artificial pode não estar dentro do próprio modelo.
Pode estar numa das peças de software que lhe dá acesso ao mundo.
Neste episódio passamos também por:
— LiteLLM, MCP, Starlette e Kestra;
— a corrida entre IA usada para encontrar vulnerabilidades e IA usada para as corrigir;
— o programa Daybreak for Frontline Defenders;
— computadores Lenovo preparados para executar IA mais exigente localmente;
— os dois State of Play da PlayStation e algumas das primeiras grandes datas de 2027;
— uma ação judicial contra a Apple no Reino Unido;
— e a curiosa história de um “laser de neutrinos” que investigadores do MIT concluíram ser fisicamente inviável.
O padrão da semana:
Cada nova capacidade torna os agentes mais úteis — e aumenta também a superfície que precisamos de proteger.
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