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O que fazer quando tudo arde

O que fazer quando tudo arde

著者: Ana Sá Lopes/PÚBLICO
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Num mundo em ebulição, a jornalista Ana Sá Lopes conversa com protagonistas da vida pública para tentar decifrar as crises da democracia, o recuo dos direitos e a desumanidade dos novos tempos.

政治・政府 政治学 社会科学
エピソード
  • José Manuel dos Santos: “Este sistema neoliberal capturou a democracia” (especial)
    2026/10/14

    Numa conversa que passou pela mudança de paradigma político — tema do mais recente número da Electra, Psicocracia — em que “antigamente interpretávamos tudo à luz da luta de classes e hoje é do complexo de Édipo”, José Manuel dos Santos falou do “movimento de despolitização que estamos a viver”.

    O director da revista Electra, antigo assessor para a cultura dos presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio, diz que, perante a ameaça da extrema-direita em toda a Europa, a que os partidos tradicionais estão com dificuldades em dar resposta, é preciso que cada um de nós se interrogue sobre “o que temos feito todos para vencer os demónios e os fantasmas que nos cercam”.

    Lembra Mário Soares com quem trabalhou longos anos e de quem foi amigo, que sempre defendeu que “a coragem individual” conseguia enfrentar as máquinas totalitárias.

    José Manuel dos Santos acredita que a subida dos populismos por todo o lado decorre do neoliberalismo. “Este sistema neoliberal capturou a democracia”, afirma, apontado a subida da extrema-direita ao facto das pessoas “se terem deixado de sentir representadas”. Lembra que a ideia de que o neoliberalismo iria “dar cabo da democracia” era um tema recorrente de Mário Soares nos seus últimos anos.

    A próxima série do podcast O que fazer quando tudo arde voltará em breve ao convívio dos leitores do PÚBLICO.

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    44 分
  • Bianca Castro: “Há uma tendência crescente para criminalizar activistas”
    2026/08/10

    Bianca Castro tem 25 anos e é activista climática. Recentemente, foi condenada a um ano e meio de pena suspensa por ter participado de uma acção simbólica: plantar sobreiros nos terrenos onde será construído o novo aeroporto.

    A militante ecologista afirma que “há uma tentativa crescente de silenciar activistas”, uma tendência que agora está a chegar a Portugal. Bianca diz que é urgente fazer um debate sobre a “tendência crescente de criminalizar quem está a lutar por justiça social”.

    Estudou Teatro e Física, esteve na Greenpeace e trabalha agora numa nova organização pela justiça climática, a Roots. Participou em várias conferências sobre o clima e não esconde o seu desapontamento. Admite que, “neste momento”, já pode “descrever como é que vai ser a COP31 na Turquia, porque a receita é a mesma”: “Nos primeiros dias, não acontece grande coisa, queixamo-nos de que está [a ser] muito lento; depois, os mesmos países bloqueiam as mesmas palavras, não querem que o texto tenha muitas menções a direitos, quer sejam direitos das mulheres, direitos dos povos indígenas ou direitos das crianças, portanto, é sempre um bocadinho a mesma receita. E depois, ali nos últimos dias, parece que há um push de 'tem de ser agora, tem de ser agora', e finalmente ficamos todos desiludidos.”

    Para Bianca Castro, “a diplomacia climática, tal como a conhecemos hoje em dia, está por um fio, e algo tem de mudar”.

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    34 分
  • Joana Marques: “Eu mostro as coisas que as pessoas efectivamente disseram”
    2026/08/03

    A humorista Joana Marques é a convidada do novo episódio de O que fazer quando tudo arde. A entrevista estava combinada há muito, mas a gravação aconteceu no meio da polémica com a actriz Mafalda Matos em que o sketch de Joana sobre “os amigos neurodivergentes” foi alvo de intensa crítica. Joana Marques diz que a ideia da sátira era o facto de Mafalda Matos se definir, “até põe na sua biografia do Instagram, autista como se fosse a sua única característica”.

    “O que eu achei engraçado, e respeito quem não acha, porque isso vai sempre acontecer, foi a ideia de ‘vou jogar às cartas com os meus amigos neurodivergentes’, uma espécie de clube e quase uma guetização das pessoas neurodivergentes”, disse Joana Marques.

    A humorista tem um dos programas mais populares, o Extremamente Desagradável, nas manhãs da Rádio Renascença. “Eu mostro o que as pessoas efectivamente disseram. Eu não transformo nada, não invento nada, depois comento aquelas afirmações. E por mais que as pessoas digam que são tiradas do contexto, eu estou de consciência tranquila quanto a isso.”

    Joana Marques fará em breve uma digressão europeia com a Bumba na Fofinha, pseudónimo da humorista Mariana Cabral. São amigas desde os 3 anos. A ideia era ser um “best of” dos espectáculos das duas, mas quando perceberam que muitos portugueses estavam disponíveis para ir a Madrid, decidiram que iriam precisar de algum material novo. Depois, haverá um espectáculo conjunto em Portugal, esse sim apenas com material novo.

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    41 分
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