エピソード

  • Agi Straus, a saga da menina judia que se tornou uma grande pintora
    2026/05/30

    A austríaca Agathe Deutsch desembarcou no porto do Rio de Janeiro aos 12 anos e ficou maravilhada com o centro da cidade. Antes, passou por momentos de angústia e desespero com a família judia durante a fuga de Viena para Paris. Quase foram deportados durante um controle de passaporte pelos nazistas no trem em que viajavam. A família foi morar em São Paulo. Agi estudou no MASP com Poty e Darel, aprofundou-se em escultura com o polonês Jan Zamoyski, também refugiado. Junto com Gaetano Miani, criou um grande afresco no Palácio do Café. Além de dirigir a Escola Agi para crianças, durante seis anos, de 1964 a 1970, foi desenhista do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo. Em 2025 foi publicado um livro sobre sua obra. A filha Miriam, que organizou o acervo de Agi, participa do podcast e ajuda a reconstituir a trajetória da artista, que inclui prêmios em vários salões paulistas e exposições em Nova Iorque, Milão e Kioto, no Japão. O convidado é o curador artístico Paulo Herkenhoff.

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    30 分
  • Giorgio Mortara, um refugiado da guerra na Europa no Rio de 1939
    2026/05/30

    Giorgio Mortara foi o demógrafo italiano que fugiu do fascismo e ajudou o Brasil de 1940 a mostrar a sua cara. Naquela época, já era considerado um dos mais brilhantes pesquisadores estatísticos da Itália. Aceitou o convite das autoridades brasileiras para ser consultor técnico da comissão que preparava o Censo. O último censo brasileito havia sido em 1920, vinte anos antes, além disso os registros de nascimentos eram precários. Mortara teve a sensibilidade de conjecturar, intuir, adaptar sua experiência europeia com tradição em censos com informações precisas à realidade brasileira. Os métodos e as ferramentas que desenvolveu serviram de modelo para outros países da América do Sul. Em 1948 surgiu o atual IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, onde Mortara colaborou muitos anos, deixando uma obra de 973 títulos. O podcast reverencia o legado desse refugiado e traz o tema para a atualidade, discutindo o envelhecimento da população brasileira com a participação do professor José Eustáquio Diniz Alves, especialista no assunto.

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    35 分
  • Fayga Ostrower: o mercado de arte e o que inferniza nossa vida
    2026/05/30

    Fayga nasceu em Lodz, na Polônia. Tinha 13 anos quando ela, seus três irmãos menores e a mãe atravessaram a floresta a pé, durante a noite, em silêncio, para chegar à Bélgica e tomar um navio para o Brasil fugindo dos nazistas. Um dos momentos mais tensos foi quando seu irmão David, de seis anos, começou a cantarolar, achando que era uma excursão e eles quase foram descobertos. Fayga tornou-se uma das artistas gravadoras mais importantes de sua geração. Seu professor de xilogravura foi o austríaco Axl Leskoschek, outro refugiado. Também foi pintora. Transitou do figurativismo expressionista para a abstração. Foi premiada na Bienal de São Paulo em 1957, no ano seguinte na Bienal de Veneza e consolidou uma enorme reputação internacional, não só pelos prêmios que recebeu, como por seu ecletismo desenhando joias, ilustrando livros, capas de disco e criando tecidos estampados. Também teve profícua carreira como educadora. Sua filha Noni Ostrower é a guardiã de seu acervo e memória. Ela participa do podcast junto com o pintor Luiz Aquila.

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    34 分
  • Otto Gottlieb: “As plantas conversam através de sua química”
    2026/05/30

    Otto Gottlieb fugiu do nazifascismo na antiga Tchecoslováquia com a mãe brasileira, que era de Petrópolis. Quando chegaram ao Brasil, ele tinha 19 anos e aos 21 optou por ser brasileiro. Sua brilhante trajetória fez com que o cientista fosse indicado três vezes para o Prêmio Nobel de Química, em 1998, em 1999 e 2000. A torcida pela ciência no país do futebol lamentou as três “bolas na trave”. Otto tornou-se um craque no estudo das propriedades químicas das espécies nativas no país, sobretudo as da rica Mata Atlântica. Percebeu as aplicações medicinais e culinárias da canela. Apaixonado pela Amazônia, pesquisou o efeito antiinflamatório da casca do tronco das neolignanas. Foi pioneiro ao demonstrar o impacto da ação humana na fauna nas bordas da floresta, onde começam os desmatamentos. Gottlieb deixou um legado de 700 artigos científicos. O nosso podcast recupera uma entrevista em que ele, de viva voz, antecipava muito do que acontece hoje no clima do mundo.


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    37 分
  • Hanna-Levy Deinhard, referência em pintura colonial e no barroco
    2026/05/30

    Hanna Levy Deinhard, judia alemã que chegou ao Brasil em 1937 fugindo do nazismo, foi uma das mais importantes historiadoras da arte do seu tempo. Seu valor demorou a ser reconhecido. Precisou dar aulas de tango no Rio de Janeiro antes de trabalhar no Instituto do Patrimônio, tornando-se uma especialista em Aleijadinho, e depois de aprender o português, um dos cinco idiomas que dominava. Autora de um livro sobre Hanna Levy, Adriana Nakamuta destaca o seu método de formação de adultos e as palestras que ela dava nos museus em frente às obras originais. Promoveu jovens artistas como Roberto Burle Marx e Bruno Giorgi. Sua vida foi um drama de exclusão, expulsão e exílio.

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    23 分
  • Vilém Flusser: “A humanidade passará a ser analfabeta”
    2026/05/30

    “Para Vilém Flusser, filosofar significava criar o espanto.” A frase é de sua amiga e discípula, a advogada, produtora de televisão, Maria Lília Leão, e define bem a personalidade desse intelectual europeu de Praga que viveu 32 anos no Brasil. Personagem paradoxal, aparentemente contraditório, às vezes beirando a arrogância, seus trabalhos pertencem ao patrimônio filosófico mundial e fazem parte de um legado que ainda não foi integralmente resgatado. A partir de uma gravação do próprio Flusser, nosso podcast discute algumas de suas principais ideias, além de contar a sua fuga do nazismo e a vida em São Paulo. Logo ao chegar, ainda no porto do Rio de Janeiro, soube que a família havia sido assassinada em campos de concentração.

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    26 分
  • Hans Günter Flieg
    2023/11/30

    O pequeno Hans Günter ganhou sua primeira câmera aos nove anos e aos 15 fez um curso profissionalizante de fotografia no Museu Judaico de Berlim. Em 1939, os Flieg tiveram todos seus bens confiscados por serem judeus. No final daquele ano, conseguiram chegar em São Paulo. Nas quatro décadas seguintes, Hans Günter Flieg registrou o desenvolvimento industrial brasileiro, a evolução da arquitetura, do design e da publicidade no país, adquirindo fama de perfeccionista e revolucionando a técnica de iluminação e a própria linguagem da fotografia.

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    27 分
  • Eva Sopher
    2023/11/30

    Eva Margarete Plaut chegou ainda adolescente ao Brasil, depois que a família judia foi obrigada a fugir da Alemanha. Casada, passou a assinar Eva Sopher e ficou conhecida como a guardiã do Theatro São Pedro, de Porto Alegre, após lutar 10 anos para reerguer o prédio que estava praticamente em ruínas. Ela colocou a cidade na rota de grandes artistas e conjuntos internacionais como Eugène Ionesco, Jean-Pierre Rampal, a Sinfônica de Israel e o maestro Zubin Mehta, I Musici, Meninos Cantores de Viena, Orquestra de Câmara de Jean François Paillard, Fernanda Montenegro, entre muitos outros. Em 2015 ganhou a medalha Goethe, o mais elevado grau de reconhecimento da Alemanha na área cultural.

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    23 分