Receber um exame alterado, uma suspeita ou o diagnóstico de um câncer assusta muito.
Diariamente meus pacientes chegam ao meu consultório trazendo não apenas exames e biópsias, mas também muitas dúvidas, inseguranças e medos. Alguns deles são reais. Outros surgem justamente por ainda não saberem o que acontecerá a partir daquele momento.
Uma das coisas que procuro mostrar aos meus pacientes é que não precisamos enfrentar todo o tratamento de uma vez.
Podemos dividir essa jornada em etapas.
Neste episódio do Podcast Caminhos de Cura: Lições de um Cirurgião Oncológico e Robótico para Mulheres no Combate ao Câncer, vou explicar de forma simples e clara as principais fases do tratamento do câncer, desde uma primeira suspeita até o acompanhamento depois do tratamento.
Tudo começa entendendo o problema.
Falaremos sobre a investigação inicial, o diagnóstico, a importância da biópsia e do laudo histopatológico e, em alguns casos, da imuno-histoquímica.
Depois vem uma etapa fundamental: o estadiamento.
Precisamos entender onde está o tumor, suas características, a extensão da doença e como ela está se comportando para então planejarmos a melhor estratégia de tratamento.
A partir daí, cada paciente terá seu próprio caminho.
Pode ser necessário preparar o organismo para uma cirurgia, realizar um tratamento antes da operação, fazer a própria cirurgia ou utilizar tratamentos como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, hormonioterapia ou outras estratégias, dependendo do tipo de câncer e de cada situação.
E existe algo que considero muito importante:
Depois de vencer uma etapa, precisamos reconhecer essa vitória.
Fez a cirurgia? Agora o objetivo é se recuperar da cirurgia.
Recuperou-se? Vamos analisar o resultado histopatológico e entender qual será o próximo passo.
Terminou a quimioterapia ou a radioterapia? É mais uma etapa concluída.
Quando dividimos um problema grande em partes menores, conseguimos ter mais clareza sobre aquilo que precisa ser feito naquele momento.
E isso pode tornar o caminho mais organizado e menos assustador.
Também conversaremos sobre uma fase que considero fundamental e que muitas vezes recebe menos atenção: a vida depois do tratamento.
É hora de cuidar da reabilitação, recuperar o corpo e a mente, retomar atividades, voltar ao trabalho quando possível, cuidar dos hábitos, ouvir o próprio corpo e reconstruir a vida.
E começa também o acompanhamento oncológico.
As consultas e os exames serão individualizados de acordo com o tipo de tumor, o tratamento realizado, o estadiamento e as características de cada paciente. Com o passar do tempo, muitas vezes conseguimos aumentar os intervalos entre consultas e exames.
Mas acompanhamento não significa viver esperando que o câncer volte.
Significa continuar cuidando.
Mesmo quando estamos diante de uma doença que precisa ser controlada por mais tempo ou de uma eventual recidiva, novamente procuramos entender o problema, estabelecer prioridades e definir o próximo passo.
É assim que procuro caminhar com meus pacientes: um passo de cada vez.
Diagnóstico.
Entendimento da doença.
Estadiamento.
Planejamento.
Tratamento.
Recuperação.
Reabilitação.
Acompanhamento.
E comemorando cada vitória conquistada durante o caminho.
Porque no tratamento do câncer podemos ter diferentes objetivos, e sempre precisamos trabalhar buscando cura, controle e alívio, de acordo com a realidade de cada pessoa.
Um passo de cada vez. Tudo no seu tempo.
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Dr. Alex Bruno de Carvalho Leite
Cirurgião Oncológico e Robótico
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