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Brasil-Mundo

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著者: RFI Brasil
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Reportagens de nossos correspondentes em várias partes do mundo sobre fatos políticos, sociais, econômicos, científicos ou culturais, ligados à realidade local ou às relações dos países com o Brasil.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Diretor de 'Kardec' e 'Nosso Lar' faz estreia mundial de 'As Irmãs Fox' em Hollywood
    2026/09/06
    Wagner de Assis é conhecido por transformar em cinema histórias que questionam os limites entre o que podemos ver e o que escolhemos acreditar. Responsável por levar multidões às salas brasileiras com os sucessos da franquia "Nosso Lar" e a cinebiografia "Kardec", o cineasta agora atravessa fronteiras para estrear seu projeto mais ambicioso, o primeiro totalmente em língua inglesa. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles O lançamento mundial de "As Irmãs Fox", coprodução com os Estados Unidos, aconteceu no North Hollywood CineFest e traz a fascinante e conturbada trajetória de Leah, Kate e Maggie Fox, jovens norte-americanas, que, em meados do século XIX, se transformaram nas figuras centrais de um movimento que se espalhou dos Estados Unidos para diferentes partes do mundo. Se em trabalhos anteriores o diretor carioca buscou a consolidação doutrinária ou a jornada após a morte, esse novo longa combina drama histórico, suspense, elementos sobrenaturais e desperta debates sobre ciência, crença e os limites entre o mundo material e o espiritual. Segundo Assis, a trama funciona quase como uma reparação histórica. Para ele, trazê-la, principalmente, ao público norte-americano é expor um capítulo negligenciado da própria cultura local. "Essas mulheres eram as mais famosas da América no século XIX e a minha maior surpresa foi descobrir que foram quase apagadas da história. As poucas coisas registradas sobre elas dizem que eram uma fraude, que eram mentira e isso não é verdade. Quando eu entendi que esse tipo de história merecia ser contada, comecei a descobrir o quanto essa América inteira do século XIX tinha desaparecido", contou o diretor à RFI. Para fazer a produção e o roteiro, também assinados por ele, foram cerca de 10 anos de pesquisas e imersão em arquivos históricos. "Eu conhecia a história delas de uma maneira muito enciclopédica. Quando eu decidi fazer o filme, percebi a quantidade de livros que existiam naquela época. Pelo menos duas biografias, um livro da Leah Fox, que a gente menciona no próprio filme. Jornais, artigos, elas chegaram a frequentar a Casa Branca para ajudar como médiuns. Eu fui para lugares impensáveis. A costa leste norte-americana tinha mais de 70 jornais espiritualistas", detalha. "Eu tinha feito a biografia do Kardec e falei: 'Acho que é bom fechar o ciclo.' Começa com elas, o que o Arthur Conan Doyle chamou de uma 'invasão organizada dos espíritos'. Porque quando explode o movimento, explode para o mundo inteiro e depois chega a Kardec, eu achei que seria válido entender essa realidade e colocar na tela", explica Assis. O Brasil como cenário A história se passa totalmente nos Estados Unidos; é uma produção de época, mas a maioria das filmagens foi no interior de casarões históricos no Rio de Janeiro, com algumas cenas no país norte-americano. “Olhar para o passado é muito fácil. Julgar o passado é muito fácil e distorcer o passado é muito fácil também. Mas talvez tirar um pouco desse julgamento, pular lá para trás e tentar respirar aquela época e deixar essa época funcionar é um desafio de produção enorme. A gente precisava de um desenho de produção potente e de interpretações que absolutamente estão à altura", avalia Assis. Mas foram as filmagens no próprio país onde aconteceu a história que flertaram com o extraordinário. Nas locações no estado de Connecticut, a equipe precisava de paisagens cobertas pela neve para retratar com autenticidade passagens cruciais do roteiro. "E eu queria muito que tivesse neve, porque naquele dia 31 de março de 1848, tinha um relato de que nevou muito na área. Quando a gente começou a ver a previsão do tempo, as pessoas diziam assim: ‘não há a menor condição de ter neve’ porque não neva há quatro anos. E eu falei: 'claro, se não tiver neve, vou ter que colocar neve digital. Mas bem que podia ter neve'. Eu falei só isso. E no dia em que a gente ia filmar o exterior, que precisaria filmar com neve, caíram 10, 15 centímetros de neve pesada, e depois não nevou mais. Falei: 'Gente, é quase uma bênção'. Sei que é só um fenômeno da natureza, mas gosto de falar que a natureza ajudou a arte", lembra o diretor. O elenco reúne talentos dos Estados Unidos e do Brasil. As irmãs Fox são interpretadas pelas norte-americanas Sionne Elise, Jamie Hughes e Marie McHugh (essa última também com cidadania brasileira). No papel de Margareth Fox, mãe das três, está a atriz paulista Daniela Galli. "A família Fox tem uma linhagem de mulheres fortes para a época em que viveram. Pesquisando sobre a minha personagem, soube que ela cresceu no Canadá, em uma família de imigrantes russos e mudou para os Estados Unidos porque se casou com um norte-americano", explica a atriz. "O marido enveredou pelo alcoolismo, ela decidiu se separar e criou a primeira filha sozinha num país que não era o dela no início do século 19. Então, as ...
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  • Brasileira lança romance depois de descobrir ser descendente do bibliotecário de D. João VI
    2026/09/05
    Radicada em Portugal há seis anos, Deborah Trois se divide entre a contabilidade e o fascínio pela genealogia, área a que se dedica há 11 anos. Nas pesquisas, descobriu ser a descendente direta do bibliotecário real de D. João VI, na transferência da corte de Portugal para o Brasil. Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal Contadora apaixonada por genealogia, Deborah Trois decidiu investigar o passado da família quando ainda morava em Niterói, sua cidade natal. Localizou as raízes franco-suíças da mãe e, quando mudou-se para Portugal em 2020, dedicou-se a pesquisar as origens do pai. O que ela não esperava era descobrir um antepassado ligado à corte portuguesa, o que acabou por dar origem ao seu primeiro livro — o romance de ficção histórica “O Segredo de Marrocos”. “Tive essa grande surpresa de ser descendente direta. Eu sou sexta neta de Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, que foi o bibliotecário real de D. João VI na transferência da corte de Portugal para o Brasil”, explica. Em 1811, três anos depois da transferência da corte, Marrocos partiu de Lisboa para o Rio de Janeiro com a missão de acompanhar a segunda remessa de livros e manuscritos da Real Biblioteca, que constituíram o acervo inicial da Biblioteca Nacional do Brasil, instalada na capital fluminense. Na nova sede, ele foi encarregado de organizar os manuscritos da Coroa Portuguesa, o que o levou a trabalhar no Paço Imperial, onde ficava o gabinete do então príncipe regente D. João, que se tornou rei D. João VI, em 1816, com a morte da sua mãe. Como sublinha Trois, Marrocos “tinha uma proximidade grande com Dom João VI; ele participava do 'beija-mão' (cerimônia na qual suditos prestavam reverência ao rei). Então, ele estava por dentro daquela corte”. Pesquisa documental Até chegar a Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, a autora brasileira recorreu a registros paroquiais do Arquivo Distrital de Lisboa e a documentos oficiais da Torre do Tombo, que é o Arquivo Nacional português. Ela também utilizou plataformas digitais de genealogia e de coleções históricas da imprensa da época. Toda a investigação seguiu o Padrão de Prova Genealógica, método que serve para confirmar a exatidão de dados históricos. Nesse processo, alguns documentos serviram como peças-chave para ajudar a desvendar o passado da família paterna de Deborah. “Quando eu obtive a certidão do meu avô, a avó dele já era uma Marrocos”, recorda Deborah Trois. Depois que descobriu ser descendente do bibliotecário real, a autora começou mais uma investigação que durou cerca de dois anos. O pilar da pesquisa foi o epistolário de Marrocos — o conjunto de 186 cartas que ele escreveu à família, em Lisboa, entre 1811 e 1821, ano em que D. João VI embarcou de volta a Portugal. Os documentos, muito usados por historiadores, revelam os bastidores da corte e a rotina da colônia. Deborah Trois, que, à época, não tinha o epistolário de Santos Marrocos, conta que “foi uma corrida nos sebos e alfarrabistas (livrarias especializadas em livros raros)" para conseguir o acervo. E, depois de ler todas as correspondências, “consegui ter uma visão, a minha visão do homem inteiro. Eu, como descendente, fui [pesquisar] desde o nascimento até o fim”, afirma. Livro 'O Segredo de Marrocos' A coletânea de cartas do bibliotecário real foi a principal matéria-prima do livro “O Segredo de Marrocos”, publicado pela editora portuguesa Cordel d'Prata e lançado em agosto na cidade do Porto. Sem dar detalhes, a autora diz que a obra “conta mais sobre o homem inteiro do que só sobre aquela parte do epistolário, que é mais usada pelos historiadores”. “Esse livro não esconde nada. Ele abre o arquivo em vez de fechá-lo. E eu acho que essa é a minha grande missão: abrir esse arquivo do Luiz Joaquim e deixar que as pessoas o conheçam, nem absolvendo o Luiz Joaquim, nem condenando o Luiz Joaquim, [mas] conhecendo ele por inteiro”, antecipa Trois, lançando um tom de mistério para os futuros leitores. E sem revelar o segredo de Marrocos, a autora garante que o livro guarda uma descoberta pessoal, porque “vai além da vida que ele construiu no Rio de Janeiro e com um achado inédito meu, que nunca foi falado, nunca foi escrito por nenhum historiador”. 'Dobra no tempo' A expectativa de Deborah é que “O Segredo de Marrocos” seja lançado no Brasil até o início de outubro, mas ainda este mês a autora já tem agendada uma sessão de autógrafos em Lanhelas, no norte de Portugal. Foi nessa vila do município de Caminha, a cerca de 100 quilômetros da cidade do Porto, que Trois localizou os descendentes da família Marrocos que permaneceram em Portugal — um encontro que imprimiu uma face contemporânea à própria pesquisa. “Eu me sinto exatamente como se fosse uma dobra no tempo. Luiz sempre quis muito voltar a Portugal, [mas] acabou por ficar no Brasil, e acabou que uma descendente ...
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  • Atriz brasileira leva Clarice Lispector aos palcos de Hollywood
    2026/08/01
    Clarice Lispector morreu em 1977 e agora, quase meio século depois, vive um renascimento literário impulsionado pelas redes sociais. O que antes era descoberto nas estantes das bibliotecas ou por indicação de professores, hoje viraliza em vídeos de poucos segundos ao redor do mundo. Do saudoso Orkut ao TikTok, passando por Facebook, YouTube e Instagram, novas gerações têm encontrado, em uma das mais importantes escritoras brasileiras, uma voz surpreendentemente atual. Influenciadores literários, criadores de conteúdo e clubes de leitura online compartilham as frases marcantes de Clarice Lispector e ajudam a transformar suas obras em verdadeiros fenômenos internacionais. É nesse momento de redescoberta da autora brasileira de origem ucraniana que a atriz e produtora catarinense Bruna Fachetti, radicada em Los Angeles, sobe ao palco do Broadwater Theater, em Hollywood, para apresentar uma adaptação teatral de “A Hora da Estrela”, último romance de Clarice Lispector, publicado pouco antes de sua morte. Sob a direção de Alex Tietre, a montagem terá cinco apresentações entre o fim de julho e o início de agosto e pretende aproximar ainda mais o público norte-americano de uma das maiores obras da literatura brasileira. " ‘A Hora da Estrela’ é um livro que sempre me tocou profundamente, desde que eu era pré-adolescente. Eu tive uma fase, nos meus 20 anos, em que li muitos livros de Clarice, e, para mim, esse sempre foi o que mais me tocou. Eu acredito que, como artista, a gente sonha com a nossa ‘hora da estrela’, e Macabéa, personagem principal desse livro, sonhava também em ser artista de cinema. Mas, na verdade, ela não tinha essa consciência, pois se sentia invisível para o mundo, sem, de fato, poder desejar, sem ter essa permissão”, conta Bruna. A identificação com a personagem também ajudou a definir onde essa história deveria ganhar vida. Los Angeles, cidade conhecida por atrair pessoas do mundo inteiro em busca de fama e reconhecimento artístico, pareceu o cenário perfeito para apresentar Macabéa a uma nova audiência. "Achei que tinha tudo a ver com Los Angeles, porque é uma cidade onde muitas pessoas estão em busca da sua ‘hora da estrela’ e também, às vezes, vivem, de certa maneira, com muita indignidade, trabalhando muito em condições talvez não muito dignas de sobrevivência e até sem perceber. Então, eu acho que essa história se conecta muito com a realidade de Los Angeles, que também pode ter um pouco a ver com a questão das aparências. Além disso, há muitas vozes maravilhosas, cada uma com a sua grandeza, que ainda não tiveram a oportunidade de se expressar ou que estão em busca dessa autenticidade ou do seu lugar no mundo." Clarice viraliza nas redes sociais As novas traduções para o inglês publicadas pela editora New Directions (2011–2015) contribuíram para apresentar Clarice Lispector a uma nova geração de leitores estrangeiros, mas a redescoberta ganhou força mesmo nas redes sociais, desde a era do Orkut. A comunidade literária do TikTok, conhecida como BookTok, levou Clarice a milhares de jovens leitores. Vídeos comentando ‘A Hora da Estrela’, ‘Água Viva’ e ‘A Paixão Segundo G.H.’ acumulam milhões de visualizações e frequentemente descrevem a autora como uma experiência de leitura transformadora e impossível de explicar. Uma das responsáveis por esse movimento é a influenciadora norte-americana Courtney Henning Novak, que conquistou milhares de seguidores ao compartilhar sua jornada de leitura. Depois de descobrir Clarice Lispector, Novak passou a recomendar os livros, frequentemente, e a indicar a autora para quem busca uma literatura mais profunda. A influenciadora mora nos arredores de Los Angeles, e já anunciou nas redes sociais que está ansiosa e vai estar presente na performance, pois considera Clarice uma grande experiência. O reconhecimento da obra de Clarice também chegou às estrelas da Sétima Arte. Durante uma cerimônia de premiação no Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha, a atriz Cate Blanchett citou Clarice Lispector como uma das escritoras que mais admira, ajudando a apresentar seu nome a um público ainda maior. “Clarice, hoje, está em alta nos Estados Unidos", comenta Bruna, que percebe esse fenômeno de perto. "As pessoas ficam muito admiradas com a singularidade da sua escrita. Eu, quando liguei para a livraria Barnes & Noble, que a gente queria fazer um evento lá de divulgação da peça, a moça me falou ao telefone: ‘vendemos muito os livros da escritora brasileira; ela está trending’. Eu e o Alex Tietre, diretor da peça, fomos fazer a divulgação na Calçada da Fama, em Hollywood. Uma moça muito jovem estava com o namorado, os dois norte-americanos, e ela me viu segurando o livro e falou: 'Meu Deus, eu amo essa autora.’ E aí a gente perguntou para ela de onde conhecia Clarice, e ela tinha ouvido falar em algum vídeo do YouTube"....
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