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Visa pour l’Image: o fotojornalismo resiste entre a guerra, o narcotráfico e a inteligência artificial

Visa pour l’Image: o fotojornalismo resiste entre a guerra, o narcotráfico e a inteligência artificial

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Há 38 anos, durante duas semanas, Perpignan, cidade catalã no sul da França, transforma-se na capital internacional do fotojornalismo. Criado por Jean-François Leroy, o festival Visa pour l’Image nasceu com a missão de defender uma profissão cada vez mais frágil: a do jornalista fotográfico. Patrícia Moribe, enviada especial a Perpignan Ao longo das décadas, o festival tornou-se um ponto de encontro entre veteranos e novos nomes da fotografia documental. As exposições, espalhadas por diferentes espaços da cidade, são gratuitas, e os fotógrafos participam de encontros com o público e de visitas guiadas. A proposta é aproximar os espectadores não apenas das imagens, mas também de quem esteve por trás delas. Neste ano, um dos trabalhos apresentados é Sangre Blanca – A Geografia da Cocaína, do dinamarquês Mats Nissen, um projeto que o fotógrafo desenvolve há cerca de dez anos. A reportagem acompanha diferentes etapas da cadeia internacional da cocaína: dos campos de produção na Colômbia, passando pelos cartéis mexicanos, até chegar aos consumidores na Europa. Para Nissen, a principal dificuldade de um trabalho de longa duração como esse é conseguir acesso às pessoas e aos lugares. Para isso, ele conta com uma rede de profissionais e moradores locais. “O que foi mais difícil ao realizar este trabalho foi o acesso, abrir as portas. Trabalho muito com pessoas locais – jornalistas, fotógrafos, defensores dos direitos humanos, pessoas envolvidas em programas para jovens – que têm me ajudado a abrir essas portas”, contou o fotógrafo. Mas conseguir entrar é apenas o primeiro passo. O desafio seguinte, segundo o fotógrafo, é estabelecer uma relação de confiança com as pessoas fotografadas. “Uma vez que a porta é aberta, você precisa permanecer ali e abrir o coração das pessoas, o que, às vezes, é ainda mais difícil”, relatou Nissen. Entrevistado por Isabelle Marinetti, da RFI, Nissen define a empatia como sua principal ferramenta de trabalho. Não como uma técnica, mas como uma postura diante dos personagens. “É simplesmente ser um ser humano muito transparente e honesto, sem segundas intenções, com um interesse sincero e genuíno pela vida das pessoas.” A tentativa de compreender sem necessariamente justificar é, para ele, fundamental para entrar em universos muitas vezes distantes da experiência do fotógrafo. “Essa empatia significa tentar compreender a vida que elas levam, as razões pelas quais fazem o que fazem, sem justificar suas ações, mas simplesmente tentando, de coração aberto, imaginar que você está no lugar delas.” Veterano do fotojornalismo internacional e vencedor de importantes prêmios, Mats Nissen ficou também conhecido por uma imagem realizada em São Paulo durante a pandemia de Covid-19. A fotografia, vencedora do World Press Photo em 2021, mostra uma mulher idosa recebendo seu primeiro abraço em cinco meses através de uma cortina plástica de proteção. Síria pós-Assad Outro destaque desta edição é o francês Philémon Barbier, que apresenta dois trabalhos: um sobre o Ebola na República Democrática do Congo e outro sobre a Síria no período posterior à queda de Bashar al-Assad. Este último recebeu o prêmio de melhor reportagem do festival, concedido por um júri formado por editores internacionais. Barbier começou a acompanhar a Síria após a queda de Assad e, entre o início de janeiro de 2025 e o final de fevereiro de 2026, passou entre sete e oito meses no país, em diferentes períodos. Inicialmente trabalhando como freelancer, o fotógrafo posteriormente recebeu encomendas e apoio de grandes veículos de imprensa, entre eles o jornal Le Figaro. Para Barbier, apresentar o trabalho em Perpignan significa ampliar o alcance de uma reportagem que normalmente circularia sobretudo entre leitores da imprensa. “Apresentar este trabalho aqui é, antes de tudo, uma ótima visibilidade para o projeto, tanto no âmbito profissional quanto, principalmente, para o público”, diz. “É um festival em que todas as exposições são gratuitas, então é extremamente acessível. Para mim, isso é algo muito importante, porque acho fundamental que todo mundo possa ter acesso a essas histórias”, acrescenta o jovem fotojornalista, de 25 anos. O festival também mantém uma forte programação voltada às escolas da região, com visitas acompanhadas de alunos. “É muito bom poder alcançar pessoas que nem sempre leem a imprensa, que nem sempre veem essas fotografias nos meios de comunicação.” Inteligência artificial Mas, em 2026, a discussão sobre o futuro da profissão passa também pela inteligência artificial. A tecnologia esteve presente nos debates do festival e levanta questões sobre direitos autorais, utilização de arquivos fotográficos e o próprio papel do fotógrafo. Para Philémon Barbier, um dos principais problemas está na utilização de imagens e do trabalho de ...
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