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Um Género de Conversa

Um Género de Conversa

著者: Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto
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10月19日まで。※適用条件あり

Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino.

2026 Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto
社会科学
エピソード
  • Maria Rueff: “Já não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes”
    2026/09/30

    Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Maria Rueff fala sobre o seu percurso de quatro décadas, a condição das mulheres na comédia, o envelhecimento, a liberdade de expressão e as dificuldades de uma profissão em que o talento nem sempre determina as oportunidades. A conversa atravessa a sua relação com o teatro, a maternidade, o enfarte que quase lhe tirou a vida e a necessidade de continuar a encontrar sentido no trabalho.

    A actriz recorda as mulheres que abriram caminho na comédia portuguesa, de Maria Matos a Laura Alves, Beatriz Costa ou Ivone Silva, sublinhando a coragem de quem fez humor num tempo de ditadura. “Foram mulheres cultíssimas, foram mulheres que num tempo em que vivíamos em ditadura tinham uma coragem.” O reconhecimento desse legado não a impede, contudo, de assinalar as desigualdades que persistem. Quando questionada sobre as oportunidades dadas a homens e mulheres, responde: “De facto, não é igual, continua a não ser igual.”

    A reflexão estende-se às transformações do mercado de trabalho e à crescente importância da popularidade digital. “Não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes. E os likes não correspondem muitas vezes ao talento”, afirma. Para Maria Rueff, que se tem dedicado aos palcos do teatro, a lógica das redes sociais veio acrescentar uma nova pressão a uma profissão que exige tempo, experiência e uma relação continuada com o público.

    Embora assuma que sempre teve “pouca autoestima enquanto mulher”, Maria Rueff recusa a ideia de que envelhecer deva significar desaparecer ou deixar de ser desejável. “O direito à diferença é permitir-nos envelhecer como uma árvore envelhece”, diz, evocando a transformação do tronco, das folhas e dos frutos. No teatro, acrescenta, a experiência pode ser uma vantagem: “É como o vinho do Porto, quanto mais velho, quanto mais experiência, melhor.”

    A liberdade de fazer humor é outro dos temas centrais desta conversa. A actriz lamenta que o humor seja frequentemente associado à humilhação e ao bullying, defendendo a importância de distinguir a provocação artística do insulto. “Eu tenho pena do humor agora estar sempre associado a isso, à humilhação, ao bullying”, afirma, acrescentando que a liberdade de expressão não dispensa uma reflexão sobre os limites éticos de quem cria.

    Apesar das dificuldades, Maria Rueff não apresenta a resistência como uma palavra abstracta. É uma prática quotidiana, feita de propostas, tentativas e persistência. “O que é que eu posso fazer? Posso não desistir, ser resistência e ir tentando diariamente propor projetcos.” Entre a vontade de continuar a trabalhar e a consciência de que nem todas as decisões dependem de si, a actriz encontra no teatro, no amor da filha e na relação com o público algumas das razões para continuar.

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    50 分
  • Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo
    2026/09/30

    Um homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. O que falhou?

    O Homem Que Matou Duas Vezes é uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia.

    A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema.

    Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios.

    Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006.

    Outros créditos: som recolhido em manifestação em Lisboa, em 2024, de grupo de mulheres a cantar Canción Sin Miedo, com música e letra de Vivir Quintana; trailer Retrato de Dorian Gray, filme de 2009, realizado por Oliver Parker, com guião de Toby Finlay, a partir da obra homónima de Oscar Wilde.

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    32 分
  • Ana Couto: “Tive uma psicose puerperal e sobrevivi”
    2026/09/22

    Ana Couto era mãe havia apenas 15 dias quando uma psicose puerperal a levou a um internamento compulsivo numa unidade de psiquiatria. Sozinha, de colo vazio, sem perceber o que lhe estava a acontecer, “ou que crime havia cometido para ficar presa”. Enfermeira de neonatologia, nunca tinha ouvido falar da perturbação que lhe mudou a vida e que testou todos os seus limites. “De repente eu vivia numa realidade paralela, era outra pessoa”.

    O caso de Lindsay Clancy, que enfrenta nos EUA um julgamento por homicídio, acusada da morte dos três filhos, trouxe para a esfera pública uma discussão sobre a saúde mental no pós-parto e tornou mais visível uma condição ainda desconhecida para muitas pessoas: a psicose puerperal. Afecta uma a duas mulheres em cada mil, é o mais grave quadro psiquiátrico que pode ocorrer após o nascimento de um bebé e caracteriza-se por sintomas como desorganização mental, delírios, alucinações e perda de contacto com a realidade.

    Antes do internamento, Ana Couto passou por diferentes profissionais de saúde sem que o seu estado fosse identificado. Acabou por ser o marido a perceber que alguma coisa estava errada, ao detectar comportamentos que lhe pareciam desadequados à sua personalidade.

    A sua experiência levanta uma das questões centrais deste episódio do podcast Um Género de Conversa: se uma enfermeira de neonatologia nunca tinha ouvido falar de psicose puerperal, como podem as mulheres e as famílias, sem formação em saúde, reconhecer os sinais de alarme? Ana Couto defende que é preciso preparar melhor os profissionais de saúde para identificarem alterações da saúde mental no período perinatal.

    Os 15 dias de internamento pareceram-lhe uma eternidade. Fortemente medicada, conserva falhas de memória desse período, mas recorda episódios que a levam a questionar a forma como uma mulher no pós-parto, com todas as especificidades decorrentes desta condição, é tratada numa unidade psiquiátrica.

    Por exemplo, continuava a extrair leite, acreditando que este seria entregue à filha — a sua “única forma de sensação de controlo da situação naquele estado” — até perceber que o leite era deitado fora, sem que ninguém lhe explicasse porquê.

    Quando recebeu a visita da sua bebé, Ana já não conseguiu largá-la. A separação à força acabou por ser, nas suas palavras, mais traumática do que benéfica.

    A unidade onde esteve internada não permitia a permanência do bebé, como acontece noutros países. Para Ana Couto, uma mulher com psicose puerperal não pode ser tratada apenas na sua dimensão psiquiátrica. Há também um corpo que acabou de dar à luz, a recuperação física, a amamentação e a construção do vínculo com o bebé, todos eles factores que foram em boa parte alienados durante o seu internamento.

    Mais de dois anos depois, fala da experiência sem esconder o medo ou a ambivalência que podem acompanhar a maternidade. E sublinha uma distinção essencial: os pensamentos não são acções. Ninguém escolhe ter uma psicose puerperal, “ninguém tem culpa se passar por isso”, frisa.

    Escrever ajudou-a a processar o que tinha vivido. Dessa necessidade nasceu o livro “Tive uma psicose puerperal e (sobre)vivi”. O que começou como uma forma de catarse ganhou outro propósito: chegar a outras mulheres que possam ter passado pelo mesmo e mostrar-lhes que não são as únicas. E que é possível recuperar a felicidade depois de um evento tão transformador quanto este.

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    49 分
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