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Radar econômico

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著者: RFI Brasil
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Entrevistas com economistas, analistas de mercado, investidores e políticos, para explicar e comentar questões econômicas internacionais. O papel do Brasil e dos países emergentes na economia mundial.

France Médias Monde
政治・政府
エピソード
  • Brasil aposta em SIAL Paris para ampliar exportações e prevê US$ 3,5 bilhões em negócios
    2026/10/21
    De bebidas a carnes, passando por frutas, castanhas e produtos da agricultura familiar, o agronegócio brasileiro está reunido nos arredores de Paris para a SIAL, uma das maiores feiras profissionais do setor agroalimentar do mundo. O evento termina nesta quarta-feira (21) com a expectativa de gerar US$ 3,5 bilhões em negócios para os produtores nacionais. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris Ao todo, 156 empresas brasileiras ocupam mais de 2,5 mil metros quadrados de estandes para apresentar seus produtos a compradores do mundo inteiro. A participação reflete a diversidade do setor, reunindo desde grandes exportadores de proteínas animais até pequenas cooperativas da agricultura familiar. Entre as empresas presentes está a Netto Foods, de São Paulo, especializada em ovos processados. Com mais de 25 anos de mercado, a empresa destina atualmente 90% da produção ao Brasil, mas já está presente em 15 países e quer ampliar sua participação no mercado internacional. “Nós processamos atualmente mais de 5 milhões de ovos por dia em três plantas produtivas no Brasil", explica Fausto Clemente, gestor de negócios da empresa. "Nós produzimos o ovo líquido processado, o ovo líquido em pó e você também encontra o ovo separado, ou seja, a clara em pó, a clara líquida, a gema em pó e a gema líquida, que são aplicáveis para os diversos segmentos onde o mercado necessita”, completa. Segundo Clemente, entre as vantagens desse tipo de produto estão a segurança alimentar, a redução do desperdício e uma maior padronização na indústria. “Você tem alguns benefícios. A questão da segurança alimentar, que é o fator primordial, mas você consegue padronizar suas receitas. Então você consegue controlar os seus processos, controlar os seus custos e evitar desperdício”, acrescenta. A participação na SIAL também faz parte da estratégia da empresa para ganhar espaço na Europa. “O nosso plano é realmente estar aqui, olhar, ver o que está acontecendo. E o mais importante: construir o relacionamento com parceiros na União Europeia”, afirma. Carne brasileira busca ampliar presença internacional As proteínas animais ocupam um lugar de destaque entre os produtos brasileiros apresentados em Paris. O setor de carne bovina participa da feira por meio do projeto Brazilian Beef, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em parceria com a ApexBrasil. Segundo Roberto Perosa, presidente da ABIEC, a presença continuada em eventos internacionais é importante para consolidar mercados para o produto brasileiro. “Faz 12 anos que a gente vem pra cá junto com a Apex, onde nós temos um projeto em parceria com a Apex que chama Brazilian Beef. A gente divulga a carne de boi no mundo inteiro. Em todos os continentes. E a gente exporta para 177 países. Então, por isso a importância da gente fazer essa promoção comercial contínua e continuar as vendas de carne bovina para o mundo.” Perosa também destaca o crescimento da capacidade produtiva do setor nos últimos anos. “Veja que há seis anos, em 2020, o Brasil abateu cerca de 30 milhões de animais e processou 30 milhões de bois nos frigoríficos e, no último ano, nós processamos 42,9 milhões, crescemos quase 50%. Isso mostra a capacidade da produção pecuária brasileira de aumentar a produção, mas também a capacidade da indústria de processar todo esse material”, destaca Perosa. Ao todo, a SIAL reúne 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países. Importadores, distribuidores, varejistas, redes de supermercados, indústrias, restaurantes e hotéis circulam pela feira em busca de fornecedores, produtos e tendências para o mercado de alimentos e bebidas. Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a dimensão do evento oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de estabelecer contatos que podem se transformar em contratos mesmo depois do encerramento da feira. “Esperamos ter uma venda recorde em torno de 3,5 bilhões de dólares nesta feira, o que mostra a importância do Brasil e estamos muito satisfeitos não só com esse resultado que esperamos ter, mas também com o conhecimento, porque é sempre bom saber que o Brasil está aqui com consistência, que o Brasil chega cada vez com mais força e as nossas empresas, nossos produtores rurais, façam contatos e possam se engajar com compradores internacionais, porque às vezes o negócio não acontece na feira, mas acontece depois”, analisa. Agricultura familiar estreia na feira Uma das novidades da participação brasileira nesta edição é a presença de dez cooperativas da agricultura familiar. Elas apresentam produtos ligados à biodiversidade brasileira, à sustentabilidade, ao comércio justo, à bioeconomia e ao desenvolvimento regional. “Toda a indústria do agronegócio está aqui. Mas também estamos trazendo a agricultura familiar, os pequenos empreendimentos da agricultura...
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  • Exportações disparam com acordo Mercosul-UE, mas barreiras ainda travam setores estratégicos
    2026/10/28
    A entrada em vigor provisória, em 1º de maio de 2026, do Acordo Comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) aumentou as expectativas de produtores brasileiros que buscam ampliar sua presença no mercado europeu. Dos grandes frigoríficos aos pequenos fruticultores, empresas e cooperativas estão de olho em novos consumidores e esperam se beneficiar de tarifas mais competitivas para conquistar espaço nos países do bloco. Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris É o caso de José Fábio Soares, de Minas Gerais, que começa a levar para a França produtos originários do Cerrado. A Cooperativa Grande Sertão acaba de entregar três toneladas de óleo de pequi a um parceiro comercial francês. Para ele, a redução dos custos de importação já começa a fazer diferença na competitividade do produto. “Com certeza essa carga de óleo de pequi que nós mandamos para cá já foi, de certa forma, beneficiada com redução dos impostos com esse acordo com o Mercosul", comemora. "Nós tivemos uma redução bastante significativa de imposto no processo de importação dos nossos parceiros aqui na França. Então, automaticamente, a gente consegue entregar um produto de nicho de mercado. Não é uma commodity. E quando tem esse benefício fiscal e tributário, com certeza a gente vai conseguir entregar ele com preço mais competitivo, um preço mais baixo e consequentemente, nós vamos conseguir ampliar um pouco mais os volumes entregues”, acredita. Rico em vitamina A, o óleo de pequi é usado na alimentação e também pela indústria de cosméticos. Para Soares, a exportação representa ainda a possibilidade de gerar renda para famílias ligadas ao extrativismo sustentável. “É a realização de um sonho. A gente está conseguindo trazer esses produtos que beneficiam de fato as famílias, que beneficiam a mulher, o jovem, as pessoas que estão no campo, que praticam extrativismo sustentável. É um trabalho, uma oportunidade, com base na agroecologia, na conservação, na proteção do meio ambiente”, analisa. Exportações em alta Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 27,2 bilhões entre maio e setembro de 2026, alta de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025. O novo ambiente comercial pode ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, avalia Pedro Neto, gerente de Agronegócios da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Segundo ele, as oportunidades não se limitam às grandes empresas e podem chegar a cooperativas e pequenos produtores. “O acordo com a União Europeia abre muita oportunidade real para o cooperativismo brasileiro, para micro, pequenas empresas e para os pequenos negócios do setor rural e também da economia urbana, da economia industrial do nosso país", avalia. "No caso da apicultura, por exemplo, uma cooperativa do semiárido brasileiro de pequenos produtores começou a conseguir exportar para a Alemanha, porque agora, com o acordo, a questão tarifária ficou mais favorável frente aos nossos concorrentes. Estamos concorrendo numa igualdade de condições", completa. "Então, temos vários exemplos disso acontecendo, das oportunidades do acordo chegando lá na ponta”, destaca. O acordo entre o Mercosul e a UE prevê a redução ou eliminação progressiva de tarifas aduaneiras. Alguns produtos passam a contar com benefícios tarifários mais rapidamente, enquanto outros seguem cronogramas graduais de redução ao longo dos próximos anos. Para Pedro Neto, a legislação ambiental brasileira oferece condições para que o país responda às exigências do mercado europeu. “A gente tem no Brasil uma legislação ambiental muito restritiva, que é muito acima do que vai acontecer no mundo todo e que é, inclusive, fiscalizada por satélite. É uma coisa que qualquer um pode ver. Então, a gente tem uma legislação muito robusta. A gente está muito seguro quanto a ela. A gente está na mínima histórica de desmatamento no nosso país. É claro que o ideal é o desmatamento ilegal zero. Mas a gente consegue ver que está dando certo”, analisa. Barreiras ainda preocupam setor de carnes A abertura comercial, no entanto, não elimina os obstáculos enfrentados pelos exportadores brasileiros. Questões sanitárias e requisitos de acesso ao mercado europeu continuam no centro das preocupações de setores ligados aos produtos de origem animal. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), considera contraditório que, depois de duas décadas de negociações, produtos importantes da pauta brasileira ainda encontrem restrições para entrar no mercado europeu. “O acordo do Mercosul União Europeia demorou 20 anos para sair e não é admissível que os principais produtos produzidos pelo Brasil, no dia um do acordo sejam ...
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  • Pela primeira vez, Salão do Automóvel de Paris tem número equivalente de marcas chinesas e europeias
    2026/10/12
    A entrada dos veículos elétricos chineses no mercado europeu atingiu uma marca simbólica: no Salão do Automóvel de Paris, aberto nesta segunda-feira (12), o número de fabricantes chinesas iguala o de europeias. A participação de marcas do país asiático dobrou em relação à última feira, em 2022, com um total de 20 montadoras. Não é preciso andar muito para constatar essa “invasão” chinesa: já no primeiro pavilhão, nomes ainda pouco conhecidos no continente, como a Li Auto, buscam ganhar espaço no mercado europeu. “Essa é a nossa primeira vez no Salão de Paris e também na Europa. Estamos muito empolgados. Trouxemos os nossos melhores modelos”, celebra Jaffy Xiao, porta-voz da montadora. “Este aqui, o i6, foi especialmente pensado nos nossos clientes europeus, e todo o chassi, a experiência dinâmica e a parte de software são daqui.” Depois do fechamento do mercado norte-americano, o continente virou uma prioridade para a expansão das marcas chinesas de carros elétricos. As exportações de veículos híbridos para a UE triplicaram no primeiro semestre do ano, atingindo US$ 7,5 bilhões. Focada na gama premium para famílias e na condução autônoma, a Li Auto é a número 1 dos carros elétricos e híbridos de luxo na China – que ainda têm pouca penetração na clientela europeia. “Nós entendemos esse tipo de estereótipo, mas vamos provar a nossa capacidade com os nossos produtos”, diz Jaffy Xiao. Grandes estandes Marcas com presença mais consolidada, como SAIC, Chery e a BYD, que dominam 90% das vendas de veículos chineses no bloco europeu, chegam ao Salão do Automóvel com grandes estandes e uma dezena de modelos cada. Lionel French Keogh, diretor operacional do Grupo Chery na França, nota que os preços mais competitivos, apesar das tarifas de importação impostas pela União Europeia, levam os carros da China a conquistarem cada vez mais espaço. “Teremos meio milhão de pessoas passando aqui e vai ser uma oportunidade para mostrarmos os nossos produtos e as nossas tecnologias, para que os clientes franceses compreendam que hoje os carros chineses são, pelo menos, tão bons quanto as montadoras tradicionais com as quais eles estão acostumados”, afirma. “Chegamos aqui com todos os carros eletrificados, muito seguros e com tabelas de preços mais acessíveis que as dos fabricantes europeus tradicionais. Isso dá às pessoas a chance de comprar um veículo bom e novo, algo que muitos clientes não conseguiam mais”, sublinha Keogh. Os carros chineses já representam 10% das vendas de veículos na Europa. A estratégia de penetração na região passa por fabricar uma parte crescente dos carros no próprio continente, mas também inclui prazos longos de garantia (sete anos no caso da Chery), ampla rede de assistência técnica e estoques de peças. Avanço da Geely Além disso, a Geely promoveu uma ambiciosa campanha de aquisição ou associação a marcas tradicionais europeias, como Volvo, Aston Martin e Smart. No ano passado, o grupo chinês comprou 26% da Renault do Brasil – o terceiro mercado mais importante da marca francesa. “Nós, como Renault no Brasil, temos acesso à tecnologia da Geely. Estamos produzindo a nova plataforma e no ano que vem vamos ter um carro Renault em cima de uma plataforma da Geely: um carro totalmente Renault, com a cara Renault, com design Renault e utilizando uma tecnologia híbrida disponível da marca Geely. É realmente um ganha-ganha para o consumidor brasileiro”, justifica Caique Ferreira, diretor de comunicação da fabricante no país. “O objetivo é produzir no Brasil. Podemos completar a gama com carros importados, mas estamos caminhando para nacionalizar o máximo, produzir no Brasil, gerar empregos no Brasil, gerar impostos no Brasil. Aqui na Europa, a Renault segue sozinha e aberta a algumas parcerias, mas sempre com a Renault liderando a parte de tecnologia”, complementa. Acordo para limitar importação Na Europa, onde a indústria automotiva tem maior peso na economia, o avanço chinês é visto com preocupação. Bruxelas acaba de finalizar um acordo com Pequim que inclui um limite de 350 mil unidades híbridas e híbridas plug-in importadas da China por ano. Nos pavilhões do salão nesta segunda-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a medida como “uma forma de proteger” a indústria do bloco “da concorrência desleal". “A concorrência faz parte do jogo. O importante sempre é ter regras claras”, observa Caique Ferreira. “Já tivemos concorrência no passado, a chegada dos americanos, dos japoneses e dos coreanos. Agora, é dos chineses.”
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