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No escuro

No escuro

著者: PÚBLICO
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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

アート 社会科学
エピソード
  • A doçura da Reboleira de Basil da Cunha — nem o jacaré mete medo
    2026/08/28

    Isto não é um spoiler (e um dia destes temos de falar sobre spoilers): o jacaré é mesmo um jacaré, não é a alcunha de alguém. Falamos de O Jacaré, filme de Basil da Cunha, ainda (mas não sempre, porque ele diz que será o último nestes moldes) na Reboleira, o bairro onde escolheu viver com a comunidade que se tornou parte integrante da sua obra cinematográfica até hoje. Para quem viu os filmes anteriores deste cineasta luso-suíço — falamos de Até Ver a Luz (2013), O Fim do Mundo (2019), Manga d'Terra (2023) — é o regresso a rostos conhecidos, numa mistura entre identidades reais e personagens. São, na verdade, grandes actores, nesta mistura de vida e cinema.

    É a periferia, sim, mas Basil da Cunha não é o Pedro Costa de No Quarto da Vanda, nem o Pedro Cabeleira de Entroncamento, é outra coisa, um olhar sobre a Reboleira que parte de dentro e que, mesmo atravessado pela dureza das vidas, nunca vai pela escuridão, mas sim pela música, pela festa, pelo inusitado que pode ser — e, neste caso, é — um jacaré numa piscina.

    gangsters, gangues rivais, o dinheiro de um roubo que desaparece e que todos querem encontrar, há mulheres que não se deixam ficar, discussões, ciúmes, traições. Há ecos da Nova Iorque de Martin Scorsese, do Bronx, da Brooklyn de Spike Lee em Não Dês Bronca. E há um bairro, a Reboleira, que foi desaparecendo à medida que Basil o ia filmando — muitos dos lugares dos seus filmes já não existem e com eles desaparecem também ligações, histórias, cumplicidades, solidariedades.

    Os filmes têm ido ao Festival de Locarno, mas os prémios ainda não chegaram — sinal de que há ainda ideias demasiado rígidas sobre o que deve ser o cinema português? É uma pergunta que fazemos neste episódio do No Escuro.

    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema.

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    35 分
  • Que belos desastres, os de Hitchcock, Kubrick, Spielberg, Coppola ou Cimino
    2026/08/21

    Que lindos que são, estes desastres, que objectos fascinantes. E tão magoados!

    Para o espectador, é como o fenómeno do acidente na auto-estrada: é despertado o voyeurismo de quem passa e também o desejo salvífico, de socorrer o ferido.

    Hoje, curioso o destino do flop comercial — é disso que tratamos neste episódio de No Escuro —, aquele filme que destruiu ou mudou carreiras, que levou companhias à falência, tornou-se um objecto de culto, amado e preservado com carinho.

    Desprezados na altura, são hoje tratados com desvelo. Filmes de culto, é como lhes chamam. Revisitamos as suas histórias neste episódio de No Escuro, começando pelo emblemático As Portas do Céu, de Michael Cimino, que não só fez do realizador praticamente um pária como pôs fim ao mais autoral período da indústria norte-americana. Ou, numa perspectiva da indústria, que em consequência disso se fechou, que se tornou mais conservadora: acabou com a arrogância dos realizadores!

    São estes "falhanços" que contamos, do insucesso de bilheteira ao verdadeiro desastre. É mais do que um vol d'oiseau, portanto, tendo em estúdio os sons e as histórias de Vertigo e de Do Céu Caiu uma Estrela, hoje objectos canónicos, mas na sua época ignorados pelos espectadores; de um clássico, A Noite do Caçador, que hoje vemos prostrados de admiração, mas que na sua época tornou Charles Laughton realizador de um só filme; de 1941-Ano Louco em Hollywood, que primeiro pôs à prova a fama de Spielberg como o realizador que transformava tudo em ouro; das derrocadas que varreram do centro da indústria Cimino, Bogdanovich ou o hoje esquecido John Byrum, que nos anos 80 chegou a ser um boy wonder; do primeiro fracasso que humilhou o até então sempre vencedor Schwarzenegger...; do odiado casal, porque visto como arrogante, Cybill Shepherd/Peter Bogdanovich.

    Por ordem de antiguidade, não pela ordem em que são referidos no podcast, eis os feridos:

    Queen Kelly (1928/29) Erich von Stroheim

    Do Céu Caiu uma Estrela (1946) Frank Capra

    A Noite do Caçador (1955) Charles Laughton

    Vertigo (1958) Alfred Hitchcock

    2001 Odisseia no Espaço (1968) Stanley Kubrick

    Daisy Miller (1974) Peter Bogdanovich

    Barry Lyndon (1975) Stanley Kubrick

    New York, New York (1977) Martin Scorsese

    1941 Ano Louco em Hollywood (1979) Steven Spielberg

    As Portas do Céu (1980) Michael Cimino

    The Shining (1980) Stanley Kubrick

    Do Fundo do Coração (1981) Francis Ford Coppola

    Blade Runner (1982) Ridley Scott

    O Fio da Navalha (1984) John Byrum

    Ishtar (1987) Elaine May

    O Último Grande Herói (1993) John McTiernan

    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). A sonoplastia é do Tiago Orato. #levantemoraboevaoaocinema

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    50 分
  • Há 100 novos títulos na Filmin. Excepção! Sem levantar o rabo, grande cinema
    2026/08/14

    Há plataformas de streaming e plataformas de streaming. Algumas transformaram-nos em consumidores (sabem de quem se fala). Outras permitem que sejamos espectadores mesmo, curadores da nossa aventura.

    Vamos directos ao assunto. A Filmin renovou no início de Julho o seu catálogo com mais de 100 filmes. Estão lá títulos aclamados como Amadeus e Voando Sobre um Ninho de Cucos, de Miloš Forman, cineasta que vai ser objecto de uma retrospectiva no Batalha Centro de Cinema, no Porto, A Insustentável Leveza do Ser, de Philip Kaufman, A Costa do Mosquito, de Peter Weir, Ran, de Akira Kurosawa, O Último Ano em Marienbad, de Alain Resnais, Ser ou Não Ser, de Lubitsch, Cais das Brumas, de Marcel Carné ("t'as d'beaux yeux, tu sais"), O Relojoeiro de Saint-Paul, de Bertrand Tavernier, um dos seus mais belos mas razoavelmente desconhecido, ou Um Homem e Uma Mulher, de Claude Lelouch.

    Mas também os chamados "clássicos modernos", como Ghost Dog: O Método do Samurai, de Jarmusch, Virgens Suicidas, de Sofia Coppola, Um Coração no Inverno, de Claude Sautet, autor de uma "música" delicada que em surdina influenciou o cinema francês, Abril e Quarto do Filho de Nanni Moretti, o David Lynch de Mulholland Drive, O Homem Elefante e Uma História Simples, o Godard de O Acossado, Pedro, o Louco, Alphaville e O Desprezo, o John Carpenter de Eles Vivem, O Nevoeiro e O Príncipe das Trevas.​

    Começamos, No Escuro, por aqui: por um cineasta que pode ser simultaneamente glacial e comovente, Jean-Pierre Melville (O Círculo Vermelho, O Exército das Sombras, Bob, o Jogador e Cai a Noite Sobre a Cidade); pelo sortilégio do cinema de Luis Buñuel, realizador que, como quem não quer a coisa, derruba as resistências e descrenças do espectador, algo que se aproxima do verdadeiro hipnotismo (A Bela de Dia, O Charme Discreto da Burguesia e Este Obscuro Objecto do Desejo); por todo o Tati, o eterno e eternamente lúcido Sr. Hulot; pela passagem de Francis Ford Coppola para o "outro lado", One From The Heart e Apocalypse Now (e Os Marginais em versão integral); por Alain Delon, o actor com as mais belas mortes no cinema, e Patrick Dewaere, que talvez tenha morrido por causa do cinema.

    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). #levantemoraboevaoaocinema

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    39 分
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