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Flávio Bolsonaro e Lula disputarão segundo turno; desafio da esquerda é mobilizar abstencionistas

Flávio Bolsonaro e Lula disputarão segundo turno; desafio da esquerda é mobilizar abstencionistas

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno das eleições presidenciais em 25 de outubro. Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), enquanto Lula registrava 45,14% (53,8 milhões). A diferença apertada reforça a polarização que marca o cenário político brasileiro e evidencia o avanço institucional do PL, que conquistou as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados, além de eleger cinco governadores já no primeiro turno. A abstenção recorde, de 33,4 milhões de eleitores, revela os limites da capacidade de mobilização dos dois campos e desponta como um dos fatores potencialmente decisivos para o resultado da disputa. Márcia Bechara, enviada especial da RFI ao Rio de Janeiro O primeiro turno das eleições gerais de 2026 parece ter produzido, num primeiro balanço, mais confirmações do que rupturas. A manutenção da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a força do petismo no Nordeste, o avanço da direita nos governos estaduais e a definição da disputa presidencial em dois turnos já figuravam entre os cenários considerados plausíveis por pesquisas e analistas ao longo da campanha. Embora tenha trazido resultados relevantes em algumas disputas estaduais, o pleito não parece ter alterado substancialmente a geografia política do país, consolidada desde a década passada. Com 99,92% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somava 47,05% dos votos (56,1 milhões), contra 45,14% (53,8 milhões) de Lula. A distância relativamente estreita entre os dois indica uma segunda etapa de alta competitividade, na qual cada ponto percentual tende a ganhar importância decisiva. PL se instala no Senado e vai dominar pautas estratégicas Mas, se a disputa presidencial terminou indefinida e empurrou o país para o segundo turno, a eleição para o Senado produziu um resultado muito mais claro. O grande vencedor político da noite foi o PL, partido de Flávio Bolsonaro, que ampliou sua força e passará a controlar a maior bancada da Casa, transformando o Senado em um dos principais centros de poder do próximo ciclo político. A eleição renovou dois terços do Senado e definiu quem terá influência sobre pautas estratégicas pelos próximos oito anos, incluindo indicações ao Supremo Tribunal Federal, sabatinas de ministros, autoridades do Banco Central, procuradores-gerais e pedidos de impeachment de integrantes de tribunais superiores. O partido elegeu 19 senadores e passará a ter 28 das 81 cadeiras da Casa, tornando-se, com ampla margem, a maior bancada do Senado. O resultado sugere que a direita não apenas manteve seus redutos eleitorais, mas aprofundou sua representação institucional em Brasília. Leia tambémDois Brasis distintos vão às ruas no último dia de campanha; pesquisas confirmam país fraturado Abstenção recorde A abstenção foi, sem sombra de dúvida, um dos pontos mais significativos. A eleição de 2026 registrou mais de 33 milhões de eleitores ausentes, cerca de 21% do eleitorado, o maior contingente absoluto de abstenções já observado em uma eleição presidencial brasileira. O comparecimento foi de 78,16% do eleitorado, o equivalente a 124 milhões de votantes. Esses 33 milhões de ausentes superam largamente a votação de qualquer candidatura fora dos dois polos dominantes da disputa, transformando a não participação em uma das principais forças silenciosas da eleição de 2026. O dado indica que a polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula, embora mobilize amplas parcelas do eleitorado, não foi suficiente para reduzir significativamente o contingente de brasileiros que optaram por não comparecer às urnas. Brasil dividido O primeiro turno consolidou um mapa eleitoral dividido. Enquanto Flávio Bolsonaro dominou o Sul, os principais colégios do Sudeste e o Centro-Oeste, Lula voltou a registrar votações expressivas no Nordeste. O resultado reproduziu clivagens observadas nas eleições anteriores e revelou um país repartido entre áreas de forte influência conservadora e redutos historicamente ligados ao petismo. De um lado, Flávio Bolsonaro venceu com folga em Santa Catarina, onde obteve 66,66% dos votos válidos; no Paraná, 59,91%; no Rio Grande do Sul, 55,64%; em São Paulo, 51,93%; e no Rio de Janeiro, 53,02%. Do outro, Lula manteve ampla vantagem no Nordeste, vencendo com percentuais elevados na Bahia (65,80%), no Piauí (70,86%), em Pernambuco (63,31%), no Ceará (62,98%) e no Maranhão (63,78%). A divisão de poder nos estados da federação O resultado para os governos estaduais sugere que a força eleitoral de Flávio Bolsonaro não ficou restrita à disputa presidencial. A direita ampliou presença territorial ao conquistar ou manter governos estaduais importantes, consolidando estruturas administrativas, orçamentárias e partidárias que permanecerão ativas até 2030 e a força da direita, nestas eleições,...
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