エピソード

  • Brasil enfrenta Noruega por vaga nas quartas de final e para quebrar um tabu
    2026/07/05
    A seleção brasileira enfrenta neste domingo (5) a Noruega por uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. A partida no MetLife Stadium, em Nova Jersey, também servirá para o Brasil tentar quebrar o tabu de nunca ter vencido a seleção europeia. Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova Jersey Brasil e Noruega se enfrentaram quatro vezes, sendo três delas em amistosos. O primeiro confronto, em 1988, terminou em 1 a 1, mesmo resultado do mais recente, em 2006. Em 1997, a seleção foi goleada pelos noruegueses por 4 a 2 e, na única vez em que se enfrentaram na Copa do Mundo, em 1998, na fase de grupos, o Brasil, já classificado, relaxou. Abriu o placar, mas viu os noruegueses virarem e vencerem por 2 a 1. Presente na seleção de 1998 como jogador, o atual treinador da Noruega, Ståle Solbakken, vê muitas diferenças entre as duas equipes. "A seleção de 1998 era muito baseada na defesa e nos contra-ataques. Hoje procuramos marcar mais, controlar o jogo e pressionar o adversário. Temos jogadores com essas características e essa é uma grande diferença." Ståle Solbakken reconhece o favoritismo do Brasil, embora, segundo ele, a equipe brasileira já não seja aquela superfavorita de outros tempos. "O Brasil obviamente é favorito, mas eu também disse que talvez não seja tão favorito quanto já foi há alguns anos. É difícil atribuir uma porcentagem. O importante é que nós acreditamos que podemos vencer o Brasil, mas, para isso, teremos que jogar o nosso melhor futebol." O treinador Carlo Ancelotti sabe que vai enfrentar um adversário difícil, com muitas qualidades ofensivas, como afirmou durante entrevista coletiva na véspera da partida. "Na frente, a Noruega tem um potencial muito alto, tem muita qualidade ofensiva. O que vimos nos últimos jogos foi uma equipe muito equilibrada. É difícil jogar contra eles, pois têm um equilíbrio muito grande", declarou. A força ofensiva da Noruega está principalmente no atacante Erling Haaland, um dos artilheiros da Copa, com cinco gols até agora. Mas o italiano garante que não tem uma orientação particular para os zagueiros brasileiros, principalmente Marquinhos e Gabriel Magalhães, anularem o gigante norueguês. "Haaland todo mundo conhece. Não tenho que explicar aos zagueiros, Marquinhos e Gabriel Magalhães, porque eles já jogaram contra ele muitas vezes. Estamos nos preparando e, obviamente, levando em conta que é um atacante muito perigoso." Ancelotti revelou, no entanto, uma de suas preocupações com as bolas paradas, já que os noruegueses são altos. "A bola parada é um aspecto importante. Treinamos muito para isso e estamos preparados", afirmou. Sem revelar sua opção para substituir Lucas Paquetá, que se lesionou contra o Japão e está fora do jogo contra os noruegueses, Ancelotti deu indicações de que pode contar com Gabriel Martinelli, autor do gol da vitória contra os japoneses, ou com Danilo, que tem um perfil mais defensivo para evitar espaços no meio-campo. A escolha só será revelada neste domingo, mas o treinador mostrou mais uma vez confiança e avaliou que o Brasil, que começou com nota 5 contra o Marrocos, segue evoluindo. Ele deu nota 7,5 para a atuação da equipe contra os japoneses. “Se preciso, vou morrer em campo” Com a ausência de Lucas Paquetá, o meio-campista Bruno Guimarães ganhou maior protagonismo na seleção. Com quatro assistências, ele tem sido peça-chave no esquema do treinador e revelou que, conforme a escolha de Ancelotti, seu papel contra a Noruega poderá se adaptar. "Muda dependendo de quem vai jogar. O Mister treinou todas as possibilidades. Se for um jogador mais ofensivo, obviamente terei um papel um pouco mais defensivo para ajudar na recomposição. Então, vai depender da opção do Mister." Bruno Guimarães também está preparado para um jogo em que o meio-campo será fundamental para bloquear um dos pontos fortes da equipe europeia: as bolas paradas. "Acho que vai ser um jogo muito truncado. Sabemos que eles têm como principal arma as bolas levantadas na área. Em qualquer escanteio ou falta, vão dar a vida para tentar marcar um gol. Trabalhamos muito isso durante a semana para neutralizar os pontos fortes deles." Jogador do Newcastle, da Inglaterra, Bruno Guimarães conhece de perto o atacante Haaland e sabe o que é preciso fazer para impedi-lo de aparecer no jogo. "Haaland? Já joguei muitas vezes contra ele. Para mim, é um dos melhores atacantes do mundo, ao lado de Harry Kane. É um jogador diferenciado. Precisamos tentar impedir que a bola chegue até ele", adverte Aos 29 anos, Bruno Guimarães diz viver sua melhor fase, com mais maturidade do que na Copa de 2022, e revela ter um sonho. "Na minha vida profissional, o que me falta é conquistar uma Copa do Mundo. É algo que eu quero muito. Estou preparado para, se preciso for, morrer em campo pela seleção e dar o meu melhor. Esse é o meu objetivo: continuar jogando bem, ajudando a ...
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  • França enfrentará a Espanha na semifinal da Copa em data simbólica
    2026/07/13

    Com uma vitória sólida sobre o Marrocos e Mbappé cada vez mais perto do recorde histórico de gols de Messi, a França garante pela terceira vez seguida uma vaga na semifinal da Copa do Mundo.

    Vitória Barreto, especial para a RFI

    A França está em festa. Pela terceira vez consecutiva, os Bleus vão à semifinal da Copa do Mundo, desta vez contra a Espanha na terça-feira, 14 de julho, data da Queda da Bastilha, a mais importante data comemorativa da história francesa, quando a monarquia absolutista foi derrubada.

    A derrota do Marrocos na quinta-feira (10) confirmou o favoritismo de uma equipe que une o país.

    Torcedores vestidos com a icônica camisa estampada gritavam "Merci Mbappé", capitão da seleção, como a torcedora Maya, que, num bar no centro de Paris, exclamava seu orgulho pela equipe e seu poder de unir o país.

    "Acho que deveríamos estar unidos todos os dias, mas isso não é possível porque a política nos divide. Mas quem se importa? Mbappé está aqui e está dando um show para a gente", contou a torcedora, beijando a camisa do time.

    Nathan, amigo de Maya, disse que tinha medo de perder para os marroquinos, mas que ficou orgulhoso do time. "A defesa está perfeita, todos os jogadores têm uma mentalidade incrível, o ambiente no time é muito bom. Sinto que, pela primeira vez, os reservas estão tão em sintonia quanto os titulares."

    Até os marroquinos aceitaram a derrota e desejaram boa sorte aos Bleus, já que muitos jogadores do país africano também têm origem francesa.

    A torcedora Soumaya, de vermelho da cabeça aos pés, com um boné e uma camisa com a bandeira do Marrocos, contou que ficou decepcionada com o resultado, mas revelou seu apoio à seleção francesa.

    "Meu coração sempre será marroquino, mas hoje à noite o que importa é o jogo e o espírito esportivo. A França jogou melhor, então espero que chegue à final e ganhe a Copa do Mundo", disse a torcedora marroquina.

    Muitos especialistas têm comparado a popularidade e a união dos jogadores à antiga seleção brasileira, dos anos 1970 e de 2002, e não é à toa. Contra o Marrocos, Kylian Mbappé marcou seu oitavo gol no torneio, chegando a 20 gols na carreira em Copas do Mundo, apenas um atrás de Messi nessa marca histórica. Ousmane Dembélé ampliou o placar logo depois, fechando o 2 a 0 que garantiu à França a vaga na semifinal.

    O jornalista esportivo franco-português Nicolas Vilas atribui boa parte desse foco e organização a Didier Deschamps, campeão mundial como jogador em 98 e como técnico em 2018.

    "Esta é a última pra ele. Deve ter um caráter especial para ele e para os jogadores de saber que Didier Deschamps, lenda do futebol francês, disputa o último Campeonato do Mundo como selecionador e treinador. Isso contribui a um aspecto mais místico à volta dele” disse Vilas.

    "A mãe dele faleceu durante o campeonato mundial, teve de ausentar-se. Foi no último jogo da fase de grupos frente à Noruega. Pode ser que isso reforce ainda mais o espírito de grupo que existe na seleção francesa," acrescentou.

    O jornalista franco-português Eric Mendes explica que a saúde física da equipe tem sido um ponto-chave nas vitórias constantes do time.

    "Deschamps quis terminar em primeiro no grupo para não precisar trocar de hotel e manter o centro de treinamento. Isso foi muito importante, sobretudo com o calor forte nos Estados Unidos; o descanso físico pode ser um trunfo a mais para a França."

    Resta saber se os Bleus vão vencer no Dia da Bastilha, data que inspirou a ascensão de governos republicanos em todo o mundo. Se vencerem, a festa continua.

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  • Racismo dispara na Copa do Mundo; FIFA aponta aumento de ódio nas redes sociais
    2026/07/19

    A FIFA registrou um aumento de 3% de publicações racistas nas redes sociais em comparação com a Copa de 2022 e afirma que o conteúdo tem sido objetivamente mais ofensivo. Diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, aponta falhas da instituição e das plataformas digitais no combate ao racismo.

    Vitória Barreto, especial para a RFI

    Em menos de um mês, o órgão da FIFA que monitora as redes durante a Copa do Mundo registrou quase 90 mil publicações de teor abusivo.

    Foram 13 vezes mais do que na Copa de 2022, desde que a organização começou o monitoramento. Desse total, 11% tinham teor racial, apenas 3% a mais do que na Copa do Catar. Mas o órgão afirma que, neste ano, o conteúdo foi mais ofensivo.

    Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, aponta as lacunas no combate ao racismo na Copa do Mundo: "Precisamos pensar no quanto essa Copa do Mundo promove diversidade, o quanto promove inclusão, fora das quatro linhas. Temos mais seleções africanas, mais seleções na Copa e a porcentagem de treinadores negros continua pequena. A FIFA poderia promover esse debate."

    O diretor do observatório também cobra a falta de fiscalização por parte das redes sociais. Ele aponta que a entidade identifica os autores das ofensas e entrega os dados para os donos das plataformas, mas enfatiza: "Parece que não vemos esse trabalho sendo feito por quem é dono da rede social."

    Mbappé foi um dos principais alvos

    A seleção francesa foi um dos principais alvos. O ex-presidente do governo espanhol Mariano Rajoy disse em um artigo que a equipe era de alto nível, "mas sem franceses".

    Também houve a série de mensagens com ataques racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o atacante francês Kylian Mbappé, que um porta-voz da ONU classificou como "desprezíveis e, infelizmente, não isolados", além de cobrar uma ação mais firme de governos e entidades esportivas.

    A FIFA tem aplicado vários protocolos contra o racismo nos últimos anos. Um deles é o sistema de arbitragem, implementado em 2024, pelo qual os árbitros podem fazer um gesto de "X" com os braços para pausar a partida quando acontece uma ofensa racista.

    Para Carvalho, entretanto, o sistema apresenta lacunas na proteção dos jogadores que sofrem racismo. "Esse protocolo é falho porque permite que o racista se manifeste até três vezes. Imagine a situação da vítima: ela ouve a ofensa, o árbitro interrompe o jogo; depois, a ofensa se repete, o árbitro para a partida novamente e avisa que, na terceira vez, o jogo será encerrado", explica Carvalho. "Quando chega a terceira ofensa, o jogador já está no limite", acrescenta.

    A Human Rights Watch disse que a FIFA poderia fazer mais para combater o problema fora do torneio, embora tenha condenado os casos de racismo. A ONG também criticou o fato de os jogos serem realizados nos Estados Unidos: a repressão abusiva e discriminatória de Donald Trump à imigração, voltada principalmente para comunidades negras e pardas, colocou fãs, trabalhadores e comunidades em risco, na visão da organização internacional.

    Desta forma, o Mundial acabou perdendo parte do seu simbolismo como espaço de encontro entre diferentes povos, constata Carvalho. "Quando olhamos para essa Copa do Mundo, temos o prêmio da paz para o presidente dos Estados Unidos, temos árbitro negro que foi barrado para entrar nesse país. O que a Copa do Mundo representa, de fato, ela deixou de representar", analisa. "Não podemos esquecer que futebol e política sempre se misturaram", salienta.

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  • Premiação milionária e CR7 como embaixador: Mundial de E-sports reúne competidores e fãs de games em Paris
    2026/07/26
    Paris recebe, entre os meses de julho e agosto, a EWC, Copa do Mundo de E-sports (esportes eletrônicos). Depois das duas primeiras edições em Riade, Arábia Saudita, o evento desembarca pela primeira vez na capital francesa, reunindo 25 competições de diferentes jogos eletrônicos, US$ 75 milhões em premiações e um público que vem dos quatro cantos do planeta. Renan Tolentino, para a RFI em Paris As dezenas de competições são transmitidas online, para o mundo todo, além do público presente no complexo de exposições de Porte de Versailles, região oeste de Paris. Contando com Cristiano Ronaldo como embaixador, o evento tem torneios de games populares, como Fortnite, Counter-Strike, League of Legends, PUBG: Battlegrounds e EA Sports FC. Atleta de Teamfight Tactics, um jogo de estratégia em equipe, o norte-americano Filup, de 25 anos, explica como é a preparação e os principais desafios na hora de competir. “No caso do nosso game, como é do gênero de estratégia, é necessário muito tempo de planejamento em equipe quando vamos disputar uma competição como essa. Em geral, a gente se prepara jogando partidas e revendo os jogos de times adversários. Investimos muito tempo. E na hora de competir, acredito que um dos maiores desafios é justamente conseguir aplicar durante as partidas a tática que definimos nos treinamentos”, detalha Filup. Ex-jogador de futebol e ex-atleta de e-sports, o brasileiro Wendell Lira já participou de diversas competições internacionais. Hoje, mais focado no streaming e na produção de conteúdos, ele reforça que a rotina de um profissional de esportes eletrônicos vai além do que é mostrado nas telas. “As pessoas não têm noção do quanto é difícil ser um atleta de e-sports. Eu fui atleta de futebol na vida real e sei que você não tem esse cansaço (constante). Você é um atleta (de futebol), mas você tem treinador, tem preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta… e você vai lá, treina e vai embora. Agora, um jogador de EA FC, por exemplo, treina umas 12 horas por dia", explica. "Tem todo um esquema tático para aprender, com videoaulas para estudar a mecânica do jogo e, em paralelo, (para alguns) ainda tem a criação de conteúdos. É uma rotina muito desgastante, muito mais difícil do que as pessoas acham. Hoje, ser um pro player vai muito além do que só jogar", comenta Wendell Lira, que em 2015 venceu o Prêmio Puskás de gol mais bonito daquela temporada no futebol, antes de trocar a chuteira pelo joystick e mudar sua carreira para o mundo dos games. Brasil representado No campeonato do game de futebol EA FC Pro, que aconteceu durante a terceira semana da EWC, o Brasil esteve representado por três atletas: GugaFerraz, Paulo Neto e PHzin. Em entrevista à RFI, o holandês Renzo Oemrawsingh, técnico da Team Liquid, equipe de Paulo Neto, elogia o empenho do brasileiro. “Eu fui treinador dele durante cinco anos. Paulo é um grande jogador, que costuma ter um bom desempenho nas competições”, resume. Renzo conta que, como treinador de futebol virtual, seu trabalho é ajudar o atleta a potencializar suas habilidades, além de definir as táticas mais adequadas para enfrentar cada adversário. “Eu tento ajudar os players a desenvolverem as habilidades deles, a encontrarem as melhores estratégias, que podem mudar até mesmo durante as partidas… então, ao longo da semana, nós tentamos reproduzir nos treinamentos esses diferentes cenários de competição, também fazemos videoanálises e buscamos melhorar constantemente, como qualquer outro esporte competitivo", detalha o holandês. "Obviamente, o player tem 98% da responsabilidade, o treinador pode auxiliar nos outros 2% extras. Mas isso é o mais importante, porque todos são bons nesse nível”, avalia Renzo. CR7 embaixador, Aya Nakamura na abertura e Benzema na final A abertura da EWC no início do mês contou com um grandioso show em Paris, com a participação de vários artistas, entre eles, DJ Snake e Aya Nakamura, estrelas da música francesa. O evento tem ainda Cristiano Ronaldo como principal embaixador e garoto-propaganda. De forma quase onipresente, a imagem dele aparece em inúmeros anúncios fixados nas ruas e no metrô de Paris. Além dos competidores, a Copa do Mundo de esportes eletrônicos atrai fãs de diferentes países. Alessandro Grande, de 14 anos, veio de Mantova, norte da Itália, junto com sua família. “Eu gosto de videogames, especialmente jogos de futebol, então acho que é um evento bem legal. Estava esperando por isso há um longo tempo e estou me divertindo bastante. Posso dizer que me sinto muito animado. Vim também para ver meu player italiano favorito, Samugamer, da equipe Sassuolo”. Viajando ainda mais longe, a jovem Jawaher Nasser, de 25 anos, veio com a mãe e o irmão direto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, só para acompanhar o Mundial de E-sports. Ela conta que os jogos eletrônicos são muito ...
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  • Tota Magalhães, única brasileira no Tour de France feminino, projeta pódio com a equipe
    2026/08/01

    A 5ª edição do Tour de France Feminino de ciclismo deu a largada neste fim de semana na Suíça. São 21 equipes em competição e 147 ciclistas. Até 9 de agosto, as atletas percorrem cerca de 1.175 km até Nice. A atleta carioca Tota Magalhães, a única ciclista brasileira da edição e a primeira a disputar a Volta no ano passado, corre pela equipe espanhola Movistar pela segunda vez. O time pretende chegar ao pódio neste ano.

    Em 2025, a Movistar ficou em 22° lugar na classificação geral. Mas este ano, garante que será diferente. “No passado, a gente tinha uma equipe muito forte, mas a nossa líder ficou doente um dia antes. Acabamos indo para uma prova mais aberta, tentando encontrar oportunidades para ganhar uma etapa. Se tudo correr bem, acho que podemos estar no pódio, inclusive vestindo a camisa amarela", disse Tota à RFI.

    A camisa que a atleta brasileira menciona é usada pela líder da classificação geral: a ciclista com o menor tempo acumulado ao longo do torneio. No ciclismo, o objetivo do time é apoiar a líder, que, no caso da Movistar, é a suíça Marlen Reusser, vencedora do torneio nacional de seu país recentemente.

    Tota Magalhães explica seu papel na engrenagem do time como capitã de estrada: “[Sou] aquela que organiza a equipe durante a corrida, que mantém, digamos, a ordem e toma algumas decisões que precisa”. A brasileira diz que tenta ajudar Marlen Reusser em todas as etapas, como "um braço direito para a nossa líder".

    Nove etapas

    A Volta Ciclística feminina da França é disputada em nove etapas, uma por dia, variando em distância, altitude e formato. A mais curta é a quarta etapa, um contrarrelógio individual de 21 km entre Gevrey-Chambertin e Dijon; a mais longa é a oitava, entre Sisteron e Nice, com cerca de 172 km. O ponto mais alto da prova é o temido Monte Ventoux, com 1.910 metros de altitude, na chegada da sétima etapa.

    Tota explica que o começo da prova vai ser difícil de encarar: “São três etapas técnicas e duras. No começo do Tour está tudo muito mais nervoso, a classificação geral ainda está em aberto, então todo mundo ainda tem esperança de poder brigar pela vitória.”

    “Logo depois a gente tem um contrarrelógio, que é a especialidade da Marlen, campeã mundial. Então a gente espera que ali a gente consiga estar com uma [camisa] amarela, quem sabe sonhar com isso”, conta a ciclista.

    Enquanto o torneio masculino se tornou há muito tempo o maior evento esportivo do país, o ciclismo feminino ainda está construindo seu público. Para dar uma ideia do interesse que a prova masculina desperta, a audiência global chega a 3,5 bilhões de pessoas.

    Tota sonha com o aumento de ciclistas no Brasil

    Tota conta a importância do apoio de fãs brasileiros. "Qualquer corrida em que eu estou, tem brasileiro torcendo, e acho que, para mim, isso é um dos meus maiores motores.”

    A ciclista também deseja que o esporte passe a fazer parte do dia a dia do país, já que o Brasil é muito maior que nações que se destacam na modalidade.

    "Um dos melhores países no ciclismo, com atletas, é a Holanda, que é um país minúsculo. Então, imagine se a gente cuidasse da nossa cultura da bicicleta como meio de transporte também, imagina quantos mais ciclistas a gente não teria. Acho que, aos poucos, se tudo der certo, a gente vai abrir mais caminhos."

    Entrada no álbum de figurinhas da competição

    Neste ano, a brasileira ganhou ainda mais visibilidade ao aparecer no álbum oficial de figurinhas da prova feminina e não escondeu a emoção quando uma seguidora lhe enviou uma foto da página.

    "Fiquei em choque, até porque são só três meninas por equipe no álbum feminino. É basicamente um álbum masculino, com uma parte dedicada ao feminino, e cada equipe tem três atletas, e eu sou uma delas. Acho que é uma responsabilidade para o meu país saber que estou tentando abrir portas. É um peso de uma responsabilidade, mas que fico muito feliz de estar carregando”, disse Tota.

    A competição vai ser difícil. No topo da classificação para essa temporada está a francesa Pauline Ferrand-Prévot, do time Visma, que venceu a prova no ano passado. Também se destaca a holandesa Demi Vollering, que ficou em segundo lugar em 2025. E, neste ano, Vollering venceu o Giro d'Itália, outra grande corrida de etapas do ciclismo mundial. Já Paula Blasi, ciclista espanhola, é considerada uma grande revelação da temporada. Ela venceu a Vuelta feminina em seu país natal neste ano.

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  • África faz história e tem nove seleções na fase do mata-mata da Copa do Mundo
    2026/06/28
    A primeira fase da Copa do Mundo terminou na noite deste sábado (27) com a definição das 32 equipes classificadas para o mata-mata. Entre as novidades deste Mundial, o aumento no número de seleções permitiu, pela primeira vez, que a África tivesse o maior contingente de classificados para a fase seguinte. Ao todo, nove equipes do continente avançaram, em uma edição que já pode ser considerada histórica. Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Miami Quatro seleções africanas, Gana, Argélia, República Democrática do Congo e Senegal, garantiram vaga entre os oito melhores terceiros colocados. A maioria, no entanto, avançou como segunda colocada de seus grupos: Costa do Marfim, Egito, Marrocos, África do Sul e Cabo Verde, a maior surpresa da competição até agora. O arquipélago de dez ilhas na costa ocidental da África surpreendeu em sua primeira participação e se classificou com três empates, eliminando a tradicional equipe do Uruguai, uma das maiores decepções da fase inicial. A festa de torcedores e jogadores cabo-verdianos já marcou o torneio, com a imagem da comemoração vibrante no gramado do estádio em Houston. Na próxima fase, Cabo Verde terá um desafio ainda maior: enfrentar a Argentina, de Lionel Messi, artilheiro da competição até agora, com seis gols. O último foi marcado neste sábado, na vitória por 3 a 1 sobre a Jordânia. Apesar da força da atual campeã mundial, a delegação do pequeno país africano demonstra confiança, como destacou o técnico Bubista. “Estamos aqui para demonstrar que podemos competir com qualquer equipe de nível mundial, com a nossa identidade e a nossa forma, isso é o mais importante”, disse. “Estaremos lá com orgulho e determinação parq fazer um bom jogo e buscar a vitória que é o mais importante em um mata-mata”. Time africano pode estar no caminho da seleção brasileira A Costa do Marfim também se classificou pela primeira vez para a segunda fase da competição e, caso o Brasil vença o Japão no jogo desta segunda-feira (29), poderá enfrentar os marfinenses nas oitavas de final, desde que a equipe africana supere a Noruega. Leia tambémEntre esperança e orgulho, torcedores japoneses falam da expectativa para o jogo contra o Brasil na Copa O treinador da Colômbia, Néstor Lorenzo, conheceu seu próximo adversário após o empate sem gols contra Portugal em Miami. Como primeira colocada do grupo K, a equipe sul-americana enfrentará Gana. “Hoje sei pouco sobre Gana porque havia 48 seleções e qualquer uma delas poderia ser nossa adversária, mas sei que é uma boa seleção. Conheço alguns jogadores que estão em bons clubes da Europa e, bem, vai ser um adversário difícil. Não há adversários fáceis, então tomaremos as precauções necessárias, mantendo sempre também a nossa identidade”, declarou. Torcedores opinam sobre as favoritas Depois dos 72 jogos da primeira fase, torcedores já apontam as seleções que mais impressionaram e despontam como favoritas ao título, cuja final está marcada para o dia 19 de julho. A França aparece com frequência entre as mais citadas. “Este ano tem muitas equipes fortes: Inglaterra, França, Colômbia, Portugal também, e muitos times africanos também são muito bons”, afirmou uma torcedora colombiana na saída do estádio de Miami, após o empate sem gols entre Colômbia e Portugal. “A França foi a que mais me impressionou. Alemanha e Espanha deixaram um pouco a desejar, mas é preciso ficar de olho, assim como na Inglaterra. A Argentina também. O Brasil melhorou, ainda bem. Vai ser uma fase de mata-mata interessante”, disse um torcedor brasileiro. “Tem que ficar de olho nas surpresas também, como México e Estados Unidos. Agora a Copa está animando”, acrescentou outro. Para o técnico Carlo Ancelotti, que comandará o Brasil contra o Japão na segunda-feira, o momento exige máxima concentração, pois uma derrota significa eliminação. “Agora é mata-mata, tem que ter coração forte”, afirmou. Leia também'Agora estamos jogando como uma equipe', diz Ancelotti após classificação do Brasil para a fase do mata-mata
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  • Vitória sobre o Haiti traz confiança à Seleção e anima torcedores
    2026/06/20
    A goleada de 3 a 0 sobre o Haiti na sexta-feira (19) fez o Brasil assumir a liderança do grupo C e, sobretudo, trouxe tranquilidade e aliviou a pressão sobre os jogadores e o treinador Carlo Ancelotti, que gostou da evolução da equipe. Elcio Ramalho, enviado especial da RFI à Filadélfia, “A equipe jogou melhor na primeira parte, com mais qualidade e intensidade, acertando na frente. Melhoramos hoje, mas temos que melhorar para o próximo jogo”, disse Ancelotti logo ao final da partida contra os haitianos. Matheus Cunha, que entrou como titular, aproveitou a oportunidade. Autor de dois gols, ele se emocionou ao comemorar o resultado junto com a família e falou da importância de ter vencido a segunda partida para os próprios jogadores. “A gente tinha que ganhar, tinha que convencer. E não só o externo, mas o interno. A gente tinha dúvidas, somos seres humanos normais. E eu acho que uma vitória como hoje nos dá mais tranquilidade, permitindo que o melhor futebol apareça nas próximas rodadas”, afirmou. Confiança Vinícius Jr., autor do terceiro gol e eleito novamente melhor jogador em campo, resumiu a importância do bom resultado contra o Haiti. “A vitória de hoje com três gols nos dá confiança para seguir evoluindo, evoluindo dentro da competição e tranquilidade para a próxima partida. O primeiro jogo foi um jogo totalmente diferente pelo peso da estreia. Hoje, todo mundo mais leve, um campo melhor também nos ajudou a fazer o nosso futebol. Esperamos poder seguir dessa forma, seguir evoluindo e melhorar dentro da competição, que é o mais importante.” Vinícius Jr. também analisou as mudanças com a presença de Matheus Cunha em campo. “Quando o Cunha tirava um pouco o zagueiro e vinha jogar mais como meia, conseguimos atacar muito bem os espaços. Esse é o nosso melhor jeito de jogar, pois temos jogadores muito rápidos e conseguimos atacar a linha defensiva e machucar muito os adversários.” Danilo, que entrou como titular na lateral direita, fez uma comparação com o jogo de estreia contra o Marrocos. “O fator estreia, para a gente, pesou. O nosso primeiro tempo foi muito ruim. No segundo tempo, a gente já conseguiu ajustar. Mas a Copa do Mundo não te permite ter um tempo inteiro ruim. Então, hoje, desde o início, conseguimos fazer a partida que queríamos, que o jogo pediu. E isso nos dá confiança, como grupo, para o resto da competição”, disse. Endrick conta com apoio da torcida Das arquibancadas, surgiram no segundo tempo do jogo contra o Haiti gritos de torcedores pedindo a entrada de Endrick. O jovem atacante de 19 anos substituiu Matheus Cunha e chegou a fazer um gol, mas anulado por impedimento. Ao final da partida, ele reconheceu as manifestações de apoio que vem recebendo da torcida. “Fico muito feliz, é uma coisa maravilhosa. A torcida está me apoiando bastante quando estou aquecendo. Estou escutando todo mundo, é algo incrível. A única coisa que eu posso fazer para compensar é, quando entrar em campo, fazer o que eu sempre fiz. Sempre pensar que é o último jogo, para dar tudo pela Seleção, dar minha vida pela Seleção”, disse Endrick. Torcedores têm mais esperança A vitória da seleção também agradou aos torcedores que foram até o estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A paulista Renata Greco, que acompanhou os dois primeiros jogos, analisou: “Jogaram melhor, jogaram mais rápido, perderam menos a bola, mas ainda dá para melhorar.” “Esse jogo de hoje deu alegria para nós. Mostraram mais comprometimento, criaram mais espaços com a bola e acertaram os passes”, opinou a carioca Nildeia Santana. Seu marido, Amaury, diz ter previsto o resultado, e faz questão de manter o tom crítico: “Foi o resultado que eu previ, 3 a 0, e correspondeu. O time jogou muito melhor e estou confiante no próximo jogo. A seleção evoluiu um pouco, mas tem muito que melhorar”. O pernambucano Felipe Cruz, que se programou para ver todos os jogos da seleção brasileira na fase de grupos, saiu entusiasmado. “Foi maravilhoso, finalmente a seleção brasileira mostrou um pouco de empenho. Vinicius Jr. fez bonito hoje. Todo ano a gente começa sem esperança, mas quando começa o jogo e a gente vê a seleção jogar do jeito que jogou, a gente cria esperança”, destacou Felipe Cruz. Com a vitória de 3 a 0, a Seleção Brasileira assume a liderança do grupo ao lado do Marrocos, que venceu a Escócia mais cedo por 1 a 0. Com melhor saldo de gols, o Brasil é líder. A Seleção Brasileira inicia, a partir deste domingo, os treinos visando à terceira partida da Copa, contra os escoceses, no dia 24, em Miami.
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  • Brasileiros pagaram até US$ 2 mil para ver estreia decepcionante do Brasil na Copa
    2026/06/14

    Os brasileiros foram maioria e coloriram as arquibancadas do MetLife Stadium de verde e amarelo, deixando bem menos visível o vermelho da torcida marroquina. Mas, para ver a estreia da seleção, muitos torcedores fizeram um grande esforço financeiro.

    Elcio Ramalho, enviado especial a Nova Jersey

    O casal André e Natália Sampaio, de Aracaju, planejou durante três anos a viagem para ver de perto a seleção brasileira em uma Copa. “Era um projeto dele que virou nosso”, destaca Natália. E o projeto não saiu barato. “Pagamos pelo jogo de abertura US$ 1.300, saiu caro”, admite André.

    A brasileira Isabel, que mora em Miami, diz que o objetivo foi realizar um sonho, apesar do preço.

    “Era um sonho. Não foi difícil de achar [ingresso], mas paguei caro, mais de US$ 2 mil”, afirmou.

    Exibindo a camiseta da seleção, o jovem Vítor veio de Minas Gerais para acompanhar o Brasil na Copa. “Pagamos US$ 1.800, é um pouco caro, mas vai valer cada centavo pela experiência”.

    O pai dele bancou as despesas para proporcionar um momento inesquecível ao filho. “O investimento é grande, mas vale o sacrifício. Para o padrão brasileiro saiu muito caro, mas vale porque é o sacrifício que a gente faz para a vitória dos nossos filhos”, diz.

    Vinícius Jr. não ficou feliz com o resultado

    Quem esperava uma goleada ou pelo menos uma boa vitória da seleção saiu frustrado.

    Dentro de campo, a equipe de Carlo Ancelotti teve muita dificuldade, principalmente no primeiro tempo. O Marrocos dominou as jogadas, teve mais volume de jogo e abriu o placar em um contra-ataque fulminante.

    O atacante Ismail Saibari foi lançado no meio da zaga e, na saída titubeante de Alisson, encobriu o goleiro brasileiro.

    A torcida marroquina chegou a ensaiar até um olé quando o time trocava passes e levou mais perigo. Mas a seleção contou com uma jogada inspirada de Vinícius Jr. para empatar ainda no primeiro tempo.

    Na etapa final, o Brasil teve mais posse de bola, foi mais ofensivo, mas criou poucas chances de gol e saiu com um resultado que decepcionou treinador e jogadores.

    Eleito melhor em campo pelo belo gol, Vinícius Jr. admitiu que a seleção não jogou bem, e o resultado serviu de alerta. “A gente não está feliz com o resultado. O peso da estreia fez a gente jogar dessa maneira.”

    O atacante disse que ele e a equipe têm que se adaptar às situações, pois todos os jogos contra adversários em uma competição como a Copa do Mundo são difíceis.

    Outros jogadores, como Matheus Cunha, que entrou no segundo tempo, também não saíram satisfeitos com o que o Brasil mostrou dentro de campo.

    “A gente tem que melhorar muito, não podemos começar da forma que começamos. Não posso dizer que o resultado não foi justo, mas o importante era não perder”, avaliou.

    Brasil já não mete mais medo

    O jogador marroquino Chemsdine Talbi lamentou que o Marrocos não tenha vencido a partida e afirmou que o Brasil já não mete mais medo.

    “Não temos medo do Brasil, temos bons jogadores e uma boa equipe. Por isso, não temos medo do Brasil nem de nenhuma outra equipe. Estamos aqui para ir o mais longe possível nesta Copa do Mundo”, declarou.

    O Marrocos enfrenta a Escócia no segundo jogo da competição, enquanto o Brasil volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Haiti.

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