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Escândalo do Banco Master reforça desconfiança na política e torna eleição mais instável, diz cientista político

Escândalo do Banco Master reforça desconfiança na política e torna eleição mais instável, diz cientista político

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Para o cientista político Leonardo Avritzer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o escândalo envolvendo o Banco Master contribui para ampliar a deslegitimação do sistema político brasileiro em um momento de forte desinteresse eleitoral. Em entrevista à RFI, ele afirma que o caso atinge inclusive instituições que mantinham altos índices de credibilidade junto à população e avalia que o Brasil ainda não retomou uma trajetória de estabilidade democrática. Maria Paula Carvalho, da RFI Faltando poucas semanas para as eleições presidenciais de 4 de outubro, o cientista político Leonardo Avritzer avalia que o Brasil atravessa mais um momento de instabilidade democrática. Autor de diversos trabalhos sobre democracia, participação cidadã e instituições políticas, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais afirma que o país ainda vive um ciclo marcado por avanços e retrocessos na consolidação democrática. Segundo Avritzer, as eleições brasileiras dos últimos anos deixaram de ser apenas disputas convencionais de poder e passaram a envolver a própria continuidade da ordem democrática. Na sua avaliação, a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e os acontecimentos posteriores evidenciaram essa fragilidade institucional. “O Brasil não tem uma construção democrática estável. Pelo contrário, nós temos ainda idas e vindas na nossa democracia”, afirma. Para ele, embora tenha havido alguma recuperação institucional após a eleição de 2022, o cenário continua longe da estabilidade. Como exemplo, cita a força eleitoral do Partido Liberal (PL) nas eleições proporcionais e a presença do filho de Bolsonaro na atual disputa presidencial. Desânimo eleitoral e escândalo político Ao analisar o atual processo eleitoral, Avritzer destaca dois elementos centrais. O primeiro é o que descreve como um profundo desinteresse da população pela campanha. Segundo ele, esse fenômeno pode ser observado tanto na pouca mobilização das ruas quanto no comportamento dos candidatos. “O processo eleitoral é marcado por um enorme desânimo, desinteresse da população brasileira em relação ao próprio processo eleitoral”, afirma. O segundo fator é o escândalo envolvendo o Banco Master. Embora ressalte que o caso não afeta diretamente o governo federal, Avritzer considera que ele contribui para enfraquecer a confiança dos brasileiros nas instituições. “O pano de fundo é um escândalo de corrupção bastante forte ligado ao Banco Master”, observa. Ele menciona o envolvimento de figuras influentes da política nacional e também as repercussões sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). "Ainda que o escândalo do Banco Master tenha características muito específicas e não seja um caso sistêmico de corrupção envolvendo o conjunto do sistema político, como foram o mensalão e a Lava Jato, ele acaba transmitindo a impressão de que o sistema político está à venda", resume Avritzer. Segundo o cientista político, trata-se sobretudo de um caso envolvendo um banqueiro que teria buscado ampliar a influência de sua instituição por meio da aproximação com figuras de grande poder na República. "Por exemplo, podemos citar o ministro Alexandre de Moraes, além dos senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner, que aparecem entre os implicados. Ainda que não existam provas contundentes e nenhum dos envolvidos tenha sido condenado, o caso reforça a percepção de que o sistema político brasileiro pode ser influenciado por interesses privados", reitera. Mudanças no equilíbrio entre os Poderes Para Avritzer, a atual conjuntura também reflete transformações profundas na relação entre os três Poderes da República. Historicamente, afirma, o Executivo sempre ocupou posição central na política brasileira, particularmente desde os anos 1930. No entanto, a Constituição de 1988 fortaleceu o STF ao ampliar suas prerrogativas institucionais. Mais recentemente, o Congresso Nacional também ganhou influência política com o fortalecimento das emendas parlamentares. O resultado, segundo ele, é uma configuração inédita na história recente do país. “Hoje nós vivemos uma situação no Brasil diferente da nossa trajetória histórica. O Executivo é o poder mais fraco, mais dependente dos outros dois poderes”, avalia. Polarização persiste, mas é mais intensa nas redes Questionado sobre a polarização política, Avritzer considera que o fenômeno continua presente, sobretudo nas redes sociais. No entanto, ele chama atenção para pesquisas que apontam uma realidade diferente quando se observa o comportamento dos brasileiros fora do ambiente digital. Segundo ele, levantamentos recentes mostram que a maioria dos eleitores não rejeita relações pessoais com pessoas de posicionamentos políticos diferentes. Esse cenário contrastaria, por exemplo, com o observado atualmente nos Estados Unidos. Para ...
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