『Entre a visita de um papa e a violência urbana, filmes brasileiros levam dramas sociais a Biarritz』のカバーアート

Entre a visita de um papa e a violência urbana, filmes brasileiros levam dramas sociais a Biarritz

Entre a visita de um papa e a violência urbana, filmes brasileiros levam dramas sociais a Biarritz

無料で聴く

ポッドキャストの詳細を見る
概要
Em sua 35ª edição, o Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz presta homenagem a dois países: Cuba e Uruguai. Entre os destaques da programação dedicada ao cinema uruguaio está O Banheiro do Papa, dirigido por César Charlone e Enrique Fernández. Lançado em 2007, o longa retorna às telas em uma sessão especial fora de competição, quase duas décadas após sua estreia. Maria Paula Carvalho, enviada especial da RFI a Biarritz Para César Charlone, a reapresentação do filme franco-uruguaio-brasileiro tem um significado especial. “É muito lindo porque coincide com o relançamento do filme também no Uruguai. Esse novo papa vai visitar o país em breve. Além disso, o filme completa 20 anos. Então virou um acontecimento. Isso me toca muito, profundamente, porque tenho um carinho enorme por esse filme, pelo que ele significa. É a minha raiz uruguaia no Brasil”, disse em entrevista à RFI em Biarritz. A exibição na França acontece poucos dias depois da visita do papa Leão XIV, reforçando a atualidade do tema abordado pelo longa-metragem. Para o cineasta, a figura do pontífice continua despertando mobilizações populares. “Sim, total. Virou um evento. As visitas do Papa agora são um evento, né? Os caras constroem banheiro, outros compram comida para vender, enfim, é um evento. O Papa é um evento”, afirma. A comédia dramática se passa em 1988, na pequena cidade uruguaia de Melo, às vésperas da visita do então papa João Paulo II. Convencido de que milhares de peregrinos atravessarão a fronteira para acompanhar o evento, o protagonista Beto investe todas as suas economias na construção de um banheiro público em frente à própria casa. A expectativa de lucro, no entanto, acaba transformando-se em frustração. Charlone lembra que muitos moradores acreditaram que a cidade seria invadida por brasileiros. “Na verdade, o que eles esperavam era que essa quantidade de visitantes fosse brasileira, porque o Papa não tinha visitado o Brasil e estava visitando uma cidade fronteiriça. Imaginaram que muitos brasileiros iam loucos para Melo para ver o Papa. De fato, alguns foram, mas não o que eles imaginavam”, conta. Segundo o diretor, o excesso de otimismo provocou prejuízos econômicos para muitas famílias. “Pensando que os brasileiros iriam em peso, a turma vendeu terrenos para comprar salsicha, comprou frituras para vender e ficaram com elas. Tem uma cena final no filme que mostra esse excesso de comida que foi jogada fora”, relata. Renascimento do cinema uruguaio Nascido no Uruguai e radicado durante muitos anos no Brasil, Charlone considera a homenagem ao cinema uruguaio um reconhecimento importante para uma cinematografia que ganhou força nos últimos anos. “Acho muito lindo, porque, de fato, o cinema no Uruguai aconteceu ultimamente”, afirma. O cineasta atribui parte desse crescimento ao período da pandemia de Covid-19. “Muitas produções se viram frustradas porque não tinham onde filmar e o Uruguai estava protegido na pandemia. A população tinha sido vacinada totalmente e era muito educada no uso de máscara. Então muitas produtoras terminaram indo ao Uruguai para filmar durante a pandemia”, lembra. Para ele, o resultado foi uma profissionalização acelerada do setor audiovisual. “Isso fez com que o cinema uruguaio crescesse. Então, no Uruguai agora está se produzindo muito e bem”, avalia. Violência policial e carnaval na tela Outra produção exibida fora de competição em Biarritz é o curta-metragem O Rio de Janeiro Continua Lindo, do diretor suíço-brasileiro Felipe Casanova. Lançado em 2025 e premiado no Festival de Clermont-Ferrand, o filme acompanha a carta de uma mãe para o filho morto. Ambientada durante o carnaval carioca, a obra aborda temas como luto, violência policial e memória. Casanova destaca a importância de apresentar o filme em um festival dedicado ao cinema latino-americano. “É uma oportunidade bem legal mostrar o filme em cidades diferentes e ainda mais numa mostra da América Latina. Traz temas como violência policial à tona e acho isso importante”, disse em entrevista à RFI. O diretor também acredita que a exibição em Biarritz pode estimular reflexões sobre questões sociais e políticas. “Biarritz é linda, maravilhosa, mas acho que é uma cidade que está tomada também por ideologias que estão indo cada vez mais para a extrema direita", diz. "Então talvez seja bom também trazer essas histórias para cá”, completa. No curta-metragem, a violência policial é retratada como um problema estrutural da sociedade brasileira, cuja origem remonta a períodos anteriores. “Infelizmente é uma coisa que está lá enraizada há muito tempo. E é por isso que acho que foi importante trazer um pouco esse fantasma da ditadura”, explica. Para Casanova, existe uma continuidade entre a violência praticada durante o regime militar e problemas enfrentados atualmente nas periferias ...
adbl_web_anon_alc_button_suppression_t1
まだレビューはありません