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Eleição e o 'ponto de não retorno' dos biomas: compromissos ambientais do Brasil até 2030 estão ameaçados

Eleição e o 'ponto de não retorno' dos biomas: compromissos ambientais do Brasil até 2030 estão ameaçados

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概要
O presidente que subir a rampa do Planalto em 5 de janeiro de 2027 assumirá o cargo em um período determinante para compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na pasta ambiental – a começar pelo fim do desmatamento ilegal até 2030. O eventual descumprimento desses objetivos, em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se intensificam no planeta, coloca em risco o futuro dos biomas brasileiros, em especial a Amazônia, e suas populações. Lúcia Müzell, da RFI em Paris O professor Carlos Nobre, um dos cientistas do clima mais respeitados do Brasil e do mundo, tem alertado há anos sobre a necessidade de a devastação da Amazônia acabar antes mesmo de 2030. A redução da cobertura vegetal expõe o bioma a um colapso; um ponto a partir do qual a floresta não conseguirá mais se regenerar, e corre o risco de se transformar em uma savana. "A conexão entre o desmatamento e o aquecimento global está colocando a Amazônia muito próxima do ponto de não retorno”, salienta. "Se não zeramos o desmatamento, a degradação, o fogo e, ao mesmo tempo, acelerarmos a restauração florestal, até 2040 quatro dos nossos biomas – Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga – passarão do ponto de não retorno. Depois disso, entre 30 e 50 anos, nós vamos perder esses quatro biomas”, explica Nobre, pesquisador sênior no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). Metas de desmatamento zero e restauração florestal No principal documento formalizado pelo Brasil junto à ONU, conhecido pela sigla de NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), o país se compromete a zerar a devastação das vegetações nativas e a restaurar 12 milhões de hectares de florestas no período do mandato do próximo presidente. "Essa meta não é difícil porque a maior parte do desmatamento no Brasil é ilegal. Com o governo Lula e a entrada da ministra Marina Silva, tivemos a reativação do Ibama, dos programas de combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e isso fez com que os níveis de desmatamento ficassem em um nível historicamente baixo”, salienta Caroline Medeiros Frasson, diretora-executiva da Laclima, que reúne especialistas em Direito ambiental. "Ou seja, mostra que é muito possível." Carlos Nobre chama a atenção para o fato de que vários países amazônicos – Colômbia, Equador, Bolívia, Peru – estão sob governos de direita com tendência negacionista climática, o que pode comprometer o esforço conjunto regional de acabar com os desmatamentos. “Como são negacionistas da emergência climática, é difícil imaginar que eles vão zerar rapidamente o desmatamento, como esses países haviam se comprometido em 2023. É um enorme risco que a Amazônia está correndo agora”, reitera o cientista. "É realmente essencial acabar com os desmatamentos, independentemente de quem seja o nosso presidente." O fim da devastação é uma etapa fundamental para o Brasil atingir outro importante compromisso perante o Acordo de Paris sobre o clima: o de reduzir, até 2030, 43% das emissões de gases de efeito estufa, em relação aos índices de 2005. O corte e a queima da vegetação nativa respondem por cerca de 42% do total de emissões brasileiras, seguidos pela agricultura (29%) e o setor de energia (20%), conforme dados oficiais. Meta de redução de emissões "A gente tem uma meta de redução das emissões da nossa economia como um todo, para que a gente chegue em 2030 com 1,2 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes. Para se ter uma ideia, só sete países hoje têm mais de 1 bilhão de toneladas emitidas por ano, e nós estamos nesse quadro dos grandes emissores mundiais”, explica Natalie Unterstell, especialista em políticas climáticas do Instituto Talanoa. "A gente está no caminho de cumprir. Por isso que esses próximos anos são fundamentais para a gente poder chegar lá." Além disso, em outros fóruns ambientais das Nações Unidas, o país também promete proteger 30% das suas áreas terrestres, costeiras e marinhas, com ênfase nas zonas prioritárias para a preservação da biodiversidade, e reabilitar 163 mil km² de terras degradadas – o equivalente a 1,9% do território brasileiro. Para alcançar esses e outros objetivos até 2030, e garantir o cumprimento da legislação ambiental em vigor, recursos financeiros e humanos para políticas públicas não poderão ser interrompidos. "Se a gente não atingir essas metas, vamos ter um aumento muito exponencial dos riscos de que os eventos extremos, como aconteceram no Rio Grande do Sul e como acontece agora quase todos os anos na Amazônia, de seca dos rios. Vai comprometer, de uma forma muito significativa, vários setores produtivos brasileiros, incluindo o nosso carro-chefe, que é a agropecuária”, ressalta Caroline Frasson. A diretora-executiva da Laclima observa ainda que as populações mais vulneráveis e de menor poder ...
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