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Da eleição brasileira aos protestos contra Trump, falta de transparência da Meta preocupa especialistas

Da eleição brasileira aos protestos contra Trump, falta de transparência da Meta preocupa especialistas

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概要
As suspeitas de interferência da Meta nas eleições presidenciais brasileiras provocaram reação no Congresso dos Estados Unidos e reacenderam o debate sobre a influência das grandes plataformas digitais nos processos eleitorais. Especialistas ouvidas pela RFI explicam as lacunas na legislação americana que dificultam investigações sobre essa prática. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Segundo duas especialistas americanas em integridade eleitoral, a falta de transparência sobre o funcionamento dos algoritmos impede determinar se as restrições enfrentadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram resultado de falhas técnicas ou de decisões deliberadas. “Os algoritmos da Meta estão inteiramente sob o controle da própria empresa e têm um poder enorme sobre o que é visto e quem vê. Sem transparência sobre como esses algoritmos deveriam funcionar, o público não tem como saber o que realmente aconteceu”, afirma Laura Edelson, professora de Ciência da Computação da Universidade Northeastern, em Boston, e diretora do Cybersafety Research Center, centro de pesquisas especializado em transparência dos algoritmos, desinformação e integridade eleitoral. A campanha de Lula acusa a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, de restringir sistematicamente o alcance de suas publicações, enquanto conteúdos ligados ao adversário, Flávio Bolsonaro, teriam recebido tratamento privilegiado. A empresa nega qualquer favorecimento político e atribui os problemas a falhas técnicas, incluindo erros nas ferramentas de publicidade e na aplicação automática de políticas contra fraudes. Em 22 de outubro, o senador Bernie Sanders e 12 deputados democratas americanos, liderados por Pramila Jayapal, enviaram uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo esclarecimentos sobre o tratamento dado às duas campanhas. Os parlamentares também solicitaram informações sobre eventuais contatos da empresa com o governo de Donald Trump a respeito das eleições brasileiras e defenderam uma auditoria independente dos sistemas da plataforma. Menos funcionários, mais inteligência artificial Para Laura Edelson, o problema vai além dos incidentes registrados na campanha brasileira. A pesquisadora afirma que a Meta vem reduzindo os investimentos nas equipes responsáveis por fiscalizar conteúdos e garantir a integridade das eleições, ao mesmo tempo em que transfere parte dessas tarefas para sistemas automatizados. “Historicamente, a Meta investiu muito pouco na segurança de suas ferramentas e sistemas de publicidade eleitoral. Isso acontece há muito tempo”, afirma. Segundo ela, essa tendência se intensificou nos últimos anos. “Nos últimos dois anos, a Meta reduziu sistematicamente os recursos destinados aos sistemas de confiança e segurança e às equipes de integridade eleitoral”, diz Edelson. A especialista considera que a substituição de funcionários por ferramentas de inteligência artificial pode aumentar a frequência de erros na aplicação das regras das plataformas. “A maneira como estão respondendo a esse problema é praticamente a mais barata possível. Eles reduziram sistematicamente suas equipes de segurança, de modo que há cada vez menos pessoas trabalhando nesses problemas. Isso leva tanto à aplicação excessiva quanto à aplicação insuficiente das regras”, explica. Edelson ressalta que não dispõe de informações suficientes para determinar se os problemas enfrentados por Lula também atingiram outros candidatos na mesma proporção. Para ela, seria necessário conhecer dados comparativos sobre suspensões de contas, restrições de anúncios e desempenho das publicações, incluindo informações sobre a campanha de Flávio Bolsonaro. Questionada sobre como distinguir uma falha algorítmica de uma interferência política deliberada, a pesquisadora foi categórica: “Esse é o problema. Não é possível.” Ex-executiva considera improvável interferência deliberada Katie Harbath, especialista em integridade eleitoral e ex-diretora de Políticas Públicas do Facebook, onde trabalhou por dez anos na relação da plataforma com governos e campanhas eleitorais em diferentes países, apresenta uma avaliação menos crítica sobre as intenções da empresa. Embora reconheça que observadores externos não conseguem verificar o funcionamento dos sistemas, ela considera improvável que os problemas técnicos enfrentados pela campanha de Lula tenham motivação política. “Eu acredito na Meta quando diz que não há viés político nos problemas técnicos que a conta de Lula possa ter enfrentado. As equipes são muito cuidadosas para garantir que ofereçam os mesmos tratamentos a todos os partidos e candidatos”, afirmou. Harbath, que deixou a companhia há seis anos, ressalta que sua avaliação se baseia na experiência que teve dentro da empresa, e não no conhecimento de suas ...
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