Não é novidade que as políticas higienistas têm ganhado cada vez mais espaço na agenda política, seja ela municipal, estadual ou federal. Esconder, afastar, remover, internar. Ou seja, tratar indivíduos tidos como indesejados como se fossem lixo.
A internação compulsória voltou a ocupar espaço na política nacional sob o discurso do cuidado, como uma nova (que de nova não tem absolutamente nada) forma de lidar com pessoas em sofrimento em razão do uso de álcool e outras drogas e que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade, muitas vezes sem ter onde morar.
Olhar para essa realidade a partir da ótica higienista parece apontar para um único caminho: tirar essas pessoas do campo de visão. Controlar o cenário urbano por meio de leis que as escondam e, agora, as internem compulsoriamente. A lógica é punitivista; porque a internação aparece como solução imediata quando, na verdade, a internação compulsória deveria ser a última alternativa ou, como gostamos de dizer no direito penal, a ultima ratio.
Do mesmo modo como no sistema penal, que faz da prisão a primeira resposta, a internação compulsória retorna ao cenário urbano ainda mais disfarçada. Agora, ela é apresentada como cuidado. Será?
No episódio de hoje, conversei com a psicóloga e analista Thaís Souza, que atua no cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade, em sua grande maioria pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas, para entender melhor esse retorno da lógica manicomial e a forma como ela caminha lado a lado com a lógica da punição no Brasil.
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