ÁLVARO JOSÉ: 'NARREI DUAS LUTAS DE JUDÔ NA OLIMPÍADA DE 82, COM OS OLHOS FECHADOS. SÓ IMAGINANDO. FUI APLAUDIDO'.
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"Seja de direita, seja de esquerda, o governo do Brasil não investe no esporte olímpico. Não tem plano algum. Há enorme dificuldade em entender que o esporte serve como base da educação. "Não a meta não é conseguir medalhas de quatro em quatro anos. Mas desenvolver a educação, a disciplina, a saúde de milhões de crianças nas escolas. Muitas delas sequer têm quadras. "Como fazem as grandes potências olímpicas. Os medalhistas servem como motivação. O plano é desenvolver o esporte como educação. E a educação é a base de um povo."Álvaro José é sinônimo de credibilidade. Por trás do apelido 'A Voz da Olimpíada', há algo muito mais profundo, do que sua espetacular mistura de emoção, carisma e informação ao narrar qualquer esporte.Formado em história, ele faz questão de educar, explicar cada nuance do esporte que transmite. Emociona e educa.'Vejo como minha obrigação, passar todo o meu entusiasmo no que transmito. Mas sei que o Brasil, de forma geral, só é especialista em futebol, faço questão de detalhar, explicar, contextualizar os outros esportes. Seja ginástica olímpica, judô, hipismo, corrida, salto em distância, vôlei, NBA."Somos mais de 200 milhões de pessoas. A maioria sem acesso a outros esportes que não seja o futebol. A tevê serve também para difundir, mostrar, educar, atrair crianças para novos esportes. Insisto que esporte é educação."Álvaro José é filho do histórico jornalista Álvaro Paes Leme. Extremamente comunicativo, culto e talentoso, passou pelos maiores veículos do país. Band, Globo, Record.Suas paixão são as Olimpíadas. Narrou in loco 12 delas. Ninguém transmitiu mais medalhas brasileiras nestas competições: 47.Acompanhou a Guerra Fria, os boicotes de Estados Unidos e Rússia. Foi a voz das mais marcantes conquistas brasileiras. Em Barcelona, uma façanha incrível. 'Eu estava no estádio Olímpico de Montjuic. A primeira luta de judô, de Rogério Sampaio, foi contra o português Augusto Almeida era no tatame B. E eu só tinha o tatame A."Aí fechei os olhos. Colocaram no meu ouvido o retorno do nosso editor Rogério Carneiro, que foi árbitro de judô. "Ele falava. 'Eles estão em pé. Agora, no solo.' Imaginei a luta com a ajuda dele. Fui narrando. Quando a luta acabou, o pessoal da Band duvidou que eu não tinha sinal. Quando tiveram a certeza, todas as pessoas me aplaudiram. Narrei sem enxergar, com o mesmo entusiasmo é a minha marca."Entre as milhares de narração, a medalha de ouro, de Cesar Cielo, em Pequim, na Olimpíada de 2008, é inesquecível. Para ele e para quem teve a sorte de acompanhar a prova. Sorte que está nas redes sociais do narrador, apresentador, historiador, jornalista. Imperdível.É inacreditável acreditar, mas Álvaro José tem 70 anos. E segue entusiasmado, narrando, mostrando caminhos para o esporte deste país.Espera ansioso a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. "Pode ser que seja a minha última...", diz, emocionado.Mas quem o conhece já antevê planejando a Olimpíada de Brisbane, na Austrália. Em 2032".Que ninguém duvide de Álvaro José...