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Saúde em dia

Saúde em dia

著者: RFI Brasil
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概要

Entrevistas e reportagens com especialistas sobre as novas pesquisas e descobertas na área da saúde, controle de epidemias e políticas sanitárias.

France Médias Monde
科学
エピソード
  • Quais as principais dúvidas dos pacientes que recebem um diagnóstico de câncer?
    2026/02/24
    Como explicar que alguns cânceres são mais difíceis de tratar do que outros? O que determina o prognóstico e as chances de sobrevida? A oncologista francesa Laurence Albigès, chefe do setor no Instituto Gustave Roussy, em Villejuif, nos arredores de Paris, fala sobre os avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Em 2022, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), foram registrados 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes. As estimativas do Observatório Global do Câncer (GCO, na sigla em inglês) englobam 185 países e 36 tipos de câncer. Segundo os dados, coletados em 2022, dois terços de todos os novos casos e mortes pela doença no mundo concentram dez tipos de tumores malignos. O câncer de pulmão é o mais comum, com 2,5 milhões de novos diagnósticos, e representa 12,4% do total. O câncer de mama chega em segundo lugar, com 2,3 milhões de casos (11,6%) e o colorretal ocupa a terceira posição, com 1,9 milhão de casos (9,6%), seguido pelo câncer de próstata, que registra 1,5 milhão de diagnósticos (7,3%). Na quinta posição está o câncer de estômago, responsável por 970 mil casos e equivalente a 4,9% do total mundial. “O câncer é uma palavra que gera medo, e os pacientes e suas famílias se questionam muito quando têm o diagnóstico. Na realidade, quando os pacientes são atendidos e o tratamento começa, essas dúvidas são menos recorrentes, mas é importante continuar falando sobre elas e deixar a porta do consultório sempre aberta para respondê‑las”, explica a oncologista francesa Laurence Albigès. Em função do órgão afetado e do tipo de câncer, a abordagem médica será diferente, mas há outros fatores que influenciam as decisões das equipes. “O prognóstico está relacionado à extensão da doença. O tumor é localizado e pode ser curado? Ou a doença já se disseminou, está se propagando e existem metástases? Nesse caso, mesmo que uma remissão não seja impossível, com frequência o câncer vai evoluir no organismo.” A taxa de mortalidade de um determinado tipo de câncer está baseada em dados científicos e epidemiológicos, e com frequência está diretamente relacionada às chances de melhora do paciente. Mas essas estatísticas dão apenas uma dimensão global da situação. Cada caso traz suas especificidades no manejo, reitera a oncologista francesa, lembrando que o atendimento é cada vez mais personalizado. “Essas estatísticas não se aplicam a um indivíduo. O paciente será acompanhado, e teremos ao longo de sua trajetória cada vez mais acesso a diferentes tipos de tratamentos, mais inovadores. No Instituto Gustave Roussy, por exemplo, temos novos medicamentos sendo testados. Por isso é sempre importante explicar que essas estatísticas não se aplicam a uma pessoa.” Outros critérios, independentemente da gravidade da doença, devem ser levados em conta. Entre eles estão o sistema de saúde, o acesso a tratamentos inovadores, a formação dos profissionais e o financiamento das diferentes formas de atendimento, que têm impacto direto na remissão, cura e sobrevida. Estágios do câncer O que significam os quatro estágios do câncer, que vão vão de um a quatro e indicam o nível de evolução da doença? Nos dois primeiros estágios, as células cancerígenas estão restritas ao órgão afetado, e a remissão e a cura são, com frequência, possíveis. No estágio 3, o tumor está começando a se espalhar, e no 4 atingiu outros órgãos, ou seja, há metástase. Outra questão frequente envolve a diferença existente entre cânceres líquidos e sólidos, que são tumores malignos que aparecem em diferentes órgãos, como pulmão, mama e próstata. Os cânceres hematológicos, que se localizam nas células sanguíneas ou da medula óssea, são chamados de "líquidos", com alterações visíveis em um hemograma, por exemplo. De acordo com a oncologista francesa, a morfologia do órgão atingido pelo tumor maligno é um fator essencial. No cérebro, por exemplo, os cânceres às vezes se infiltram nos sulcos. Isso faz com que, cirurgicamente, a retirada completa do tumor seja complexa. Outro problema é a ausência de sintomas que caracteriza alguns cânceres, como o de pâncreas, por exemplo, impedindo a detecção precoce. Mas a prevenção personalizada, que está cada vez mais difundida na França e em outros países, deve ajudar a amenizar esse problema. O objetivo é antecipar o aparecimento do câncer e agir em função dos dados preditivos. O Instituto Gustave Roussy, por exemplo, criou um programa individual de diagnóstico da doença, disponível em cerca de 700 centros de combate ao câncer na França. O centro propõe a biópsia líquida — a detecção do DNA tumoral no sangue. Essa nova técnica permite às equipes isolar anomalias biológicas dentro de uma célula. Essas células que ainda não se transformaram em tumores ...
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  • Vacinas contra gripe podem ser mais eficazes contra transmissão, mostra novo estudo
    2026/02/10

    Uma pesquisa recente publicada na revista Nature Communication, de coautoria do cientista francês Simon Cauchemez, do Instituto Pasteur, em Paris, mostrou que é possível desenvolver no futuro vacinas contra a gripe capazes de reduzir a propagação do vírus.

    Taíssa Stivanin, da RFI em Paris

    “O vírus da gripe muta sem parar, evolui e muda todos os anos. Isso faz com que nosso sistema imunológico tenha dificuldade em reconhecê-lo corretamente. Quando somos vacinados, estamos protegidos contra o vírus que está circulando naquele ano, mas esse vírus vai evoluindo progressivamente”, explica o pesquisador em epidemiologia, que coordena a Unidade de Modelagem Matemática de Doenças Contagiosas do Instituto Pasteur.

    “De um ano para outro, há vários tipos de vírus da gripe em circulação e diversos alvos terapêuticos possíveis. Às vezes a escolha não é certa. Por isso é difícil desenvolver vacinas que funcionam bem contra todos os vírus gripais que podem nos afetar”, completa.

    O estudo do Instituto Pasteur foi realizado em parceria com a Universidade de Michigan, nos EUA, e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). De acordo com Simon Cauchemez, a obtenção de imunizantes mais eficientes passa pelo “tipo de resposta imunitária que estamos buscando com a vacina”, que deve ser capaz de identificar diferentes proteínas do vírus para gerar anticorpos.

    O vírus da gripe possui duas principais proteínas na superfície: a hemaglutinina (HA), uma glicoproteína que permite que ele se prenda às células, e a neuraminidase (NA), que permite ao micro-organismo se liberar da membrana da célula hospedeira para se replicar.

    A pesquisa se concentrou na ação da NA e mostrou que os anticorpos que o corpo desenvolve contra essa proteína podem não só diminuir o risco de contágio, mas também de transmissão.

    “Na verdade, dois tipos de impacto nos interessam. O primeiro é: quando temos anticorpos contra uma dessas proteínas, ficamos menos propensos a sermos infectados pela gripe? Ou seja, estamos individualmente protegidos contra a gripe?", questiona. "Essa é uma questão fundamental, claro. Mas, mesmo que a gente acabe se contaminando, será que transmitimos menos a gripe para as pessoas ao nosso redor?”.

    Estudo analisou dados de 171 famílias

    De acordo com a pesquisa, seria necessário integrar anticorpos contra a NA nas vacinas. Para chegar a essa conclusão, o cientista francês analisou os dados obtidos pela equipe americana da Universidade de Michigan junto a 171 famílias nicaraguenses e seus 664 contatos, nos anos de 2014, 2016 e 2017.

    A maior parte dos participantes nunca tinha sido vacinada contra a gripe, o que permitiu aos pesquisadores observar como ocorria a transmissão após a infecção. Os cientistas identificaram quais anticorpos eram mais eficazes para limitar a propagação, após realizar análises de sangue, testes virológicos e modelagens matemáticas.

    “Para cada indivíduo do domicílio, conseguimos ver que tipo de anticorpos ele tinha no início da epidemia e observar em que medida, graças a esse acompanhamento, esses anticorpos protegeram ou não a pessoa da infecção e, caso tenham sido contaminadas, protegeram ou não seus contatos.”

    De acordo com o cientista, os dados são raros porque mostram em detalhes como os anticorpos afetam as diferentes proteínas do vírus e de que forma influenciam a infecção e a transmissão.

    “O que vemos é que não temos apenas uma medida dos anticorpos contra a gripe de forma geral, mas realmente uma medida que foca em diferentes partes do vírus. Assim, podemos quantificar o efeito de cada um desses anticorpos sobre o risco de infecção e sobre o risco de transmissão. A longo prazo, o objetivo é, obviamente, orientar os esforços para desenvolver vacinas contra a gripe mais eficazes”, conclui o cientista francês.

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  • Ferimentos nas mãos não devem ser banalizados; cirurgião explica riscos
    2026/01/27

    Facas de cozinha, trabalhos manuais, queimaduras ou uma porta que fecha repentinamente são algumas das situações que podem desencadear acidentes graves com as mãos, muitos deles dentro de casa.

    Os acidentes nas mãos nunca devem ser banalizados, alerta o cirurgião plástico Patrick Knipper, que atua no Hospital Europeu Georges Pompidou, em Paris. Alguns ferimentos exigem cirurgias complexas e podem até provocar a perda de alguns movimentos. Em casos mais graves, o membro deve ser amputado.

    Segundo ele, a maioria dos acidentes com as mãos acontecia em casa ou no local de trabalho, mas hoje há uma maior conscientização sobre os riscos profissionais.

    “As máquinas agrícolas ou prensas, por exemplo, eram ferramentas usadas com pouca proteção e provocavam muitos ferimentos nas mãos”, diz. “A prevenção é mais eficaz em relação à proteção das máquinas e à educação dos pacientes. Como cirurgião, constato uma diminuição desses acidentes”, afirma. "Hoje, os pacientes que buscam atendimento no pronto-socorro sofrem principalmente acidentes domésticos", ressalta.

    Muito cuidado

    Segundo o cirurgião, de modo geral, todo ferimento nas mãos, por menor que seja, exige cuidado. “Costumamos dizer que não existe ferimento banal nas mãos. Desconfiamos muito mais da mordida de um gato, com seus pequenos dentes afiados, que pode inocular alguma bactéria profundamente, do que, por exemplo, de uma grande lesão.”

    Os pacientes costumam minimizar esse tipo de situação, que muitas vezes é grave. “O gato, por exemplo, com seu dentinho, vai causar um ferimento. Isso, para os cirurgiões, é uma emergência, porque pode causar graves infecções.”

    Outro acidente muito comum em crianças, mas que ocorre também com adultos é o dedo preso no batente da porta, que pode ser esmagado. Em alguns casos, é necessário realizar uma cirurgia reconstrutiva. A reeducação para recuperar os movimentos das mãos pode ser complexa, explica o especialista francês.

    As reformas em casa, muitas vezes feitas por amadores, também são propícias a esse tipo de incidente. Luvas ou outros tipos de proteção para diminuir riscos devem ser utilizados, mas os lapsos de atenção são o maior problema e estão por trás de boa parte dos ferimentos.

    Primeiros socorros

    E o que se deve fazer quando o acidente acontece? Lavar com água e sabão e cobrir o ferimento com um pedaço de pano limpo é o primeiro passo para evitar uma infecção. O cirurgião francês lembra que o antisséptico deve ser usado apenas se o ferimento inflamar.

    Outro problema potencialmente grave é a fleuma ou unheiro. Trata-se de uma infecção bacteriana que atinge os tendões e pode levar até à amputação parcial de um membro em casos mais graves. Ela pode ser causada por uma farpa de madeira que entrou no dedo, por exemplo, ou simplesmente por uma cutícula encravada.

    “Em cerca de duas horas, a infecção atinge as mãos e o antebraço.” Esta é uma das muitas situações de emergência que não devem ser menosprezadas pelos pacientes. “A mão é um prolongamento do cérebro. Uma amputação da mão ou das mãos tem consequências sociais e psicológicas”, conclui o cirurgião francês.

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