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Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep tem efeitos geopolíticos

Saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep tem efeitos geopolíticos

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Na semana passada, enquanto o mundo se concentrava no Estreito de Ormuz, em Comey e no possível encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, os Emirados Árabes Unidos anunciaram, numa nota de imprensa, a saída da Opep, encerrando 58 anos de associação em três parágrafos, com vigência em 1º de maio. Thiago de Aragão, analista político A cobertura foi modesta. As agências noticiaram, os analistas escreveram seus relatórios, e em 48 horas o assunto saiu da circulação. E é essa indiferença que me interessa, porque o que ocorreu em Abu Dhabi não é uma disputa de cotas, mas algo mais profundo, e que diz respeito também a nós, brasileiros, que vendemos minério, soja e estamos quase vendendo terras raras a um mundo cuja arquitetura energética acabou de mudar. Os economistas estão certos quando dizem que os Emirados saíram porque as cotas da Opep não cabiam mais na ambição da ADNOC, a estatal petrolífera de Abu Dhabi. Os números são públicos: a capacidade instalada do país é de 4,85 milhões de barris por dia, mas a Opep autorizava cerca de 3,6 milhões. Trinta por cento de capacidade ociosa, paga e disponível, gera frustração a cada trimestre, e a meta da ADNOC de chegar a 5 milhões de barris por dia até 2027 simplesmente não cabe num cartel desenhado em torno das exigências fiscais de Riad. Durante mais de uma década, Riad e Abu Dhabi foram tratados como sinônimos no vocabulário das chancelarias ocidentais. Os "monarquistas pragmáticos do Golfo", a "dupla MBS-MBZ", numa simplificação conveniente para diplomatas que não tinham tempo para entender as diferenças entre dois países que, na superfície, faziam coisas parecidas. Essa simplificação morreu em 29 de dezembro do ano passado, quando aviões sauditas bombardearam, em Mukalla, um carregamento de armas com destino a separatistas iemenitas apoiados pelos Emirados. Foi a primeira vez na história recente que dois aliados nominais do Golfo se atacaram militarmente. A imprensa cobriu o caso como mais um capítulo da guerra do Iêmen, mas os emiratis entenderam outra coisa: entenderam que aquele vizinho com quem haviam dividido Opep, Conselho de Cooperação do Golfo, política externa e foto oficial nas cúpulas por 30 anos estava disposto a usar a força aérea contra eles. Some-se a isso o seguinte: durante a guerra do Irã, mísseis iranianos caíram em território emirati e Riad ficou em silêncio. Para Abu Dhabi, foi a confirmação de que o guarda-chuva de segurança do Golfo, supostamente coletivo, era na prática uma cortesia que cada um cobrava do outro quando bem entendesse. Divórcio anunciado Sair da Opep, neste contexto, não é decisão econômica. É um divórcio anunciado em comunicado: os Emirados estão dizendo, com a elegância protocolar do Golfo, que não se sentem mais obrigados a coordenar política de preços com um país que os bombardeou. Há um detalhe que merece atenção. Os Emirados não saíram da Opep numa hora qualquer. Saíram exatamente no momento em que a administração Trump vem afirmando, pública e privadamente, que considera a Opep+ um cartel funcionalmente alinhado à Rússia. Disciplina de preços altos significa receita alta para Moscou, e receita alta para a Rússia significa mais drones em Kiev. É uma equação que Washington enuncia sem cerimônia. Ao sair, Abu Dhabi entrega exatamente o que Washington queria: capacidade emirati de derrubar o preço do barril a qualquer momento, sem precisar consultar Riad ou Putin. É um voto antirrusso disfarçado de reenquadramento de portfólio energético. E há um detalhe adicional. Dias antes do anúncio, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, defendeu no Senado a abertura de linhas de swap de dólar para os Emirados em meio à crise de Ormuz. Não para a Arábia Saudita. Para os Emirados. Quem viveu o suficiente em Washington sabe que essas coisas não são coincidência. São combinação prévia. Os Emirados estão comprando garantia americana com barris. A Arábia Saudita perde o monopólio de parceiro de referência dos EUA no Golfo, e Abu Dhabi assume o papel. Uma frase do ministro Mazrouei, de 2022, vale ser relida: segundo ele, o petróleo está "em modo de declínio", e supor que sua centralidade seria permanente era "wishful thinking". Repare quem diz isso: o ministro de Energia de um país que vive de exportar petróleo. A leitura emirati é a seguinte: se a demanda global por petróleo entrar em platô e depois em queda nas próximas duas ou três décadas, a estratégia racional é extrair tudo o que se puder agora, monetizar enquanto há comprador, e usar essa receita para construir uma economia que não dependa do barril. O que fazem internamente, em documentos da ADNOC, é o 'pump it before it's worthless': bombear antes que perca valor. Permanecer dentro de um cartel cujo objetivo é restringir oferta, num momento em que se fecha a janela para vender petróleo, é irracional do ...
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