PALINHA: 'TENHO ÓDIO EM VER O SÃO PAULO DE HOJE. OS JOGADORES NÃO SABEM A LUTA PARA O CLUBE SER GIGANTE'
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Ele foi um grande injustiçado.O bairrismo o atingiu em cheio.Jogador especial, talentoso, driblador, artilheiro. Antevia os lances. Peça fundamental na conquista de duas Libertadores, dois Mundiais do São Paulo. Na Libertadores do Cruzeiro. 17 títulos na carreira.Ídolo no Brasil e no Peru.Titular nas Eliminatórias.Foi deixado de lado na convocação para a Copa de 1994."Essa é uma mágoa que carrego. Não vou ter falsa modéstia. Sei que deveria estar na Copa de 1994. Fui titular nas Eliminatórias. Faltou um pouco de honestidade comigo. Para o Zagallo não posso perguntar mais. E também não vou perguntar porque o Parreira fez isso comigo."O desabafo é mais do que justificável. A carreira de Palhinha fala por ele. "Ele era incrível. Conseguia abrir espaço nos times adversários. Era diferenciado", admite Muller, que é muito econômico nos elogios a outros jogadores.Pelé chegou a dizer que ele estava honrando a camisa 10 da Seleção Brasileira e tinha certeza que iria ser importante na Copa de 1994.Palhinha teve carreira fulminante e abençoada. Com grande talento na base, chegou a ser trocado por um alambrado, quando era garoto, em Minas Gerais. Jogando no América, revoltado por ser o destaque do time e receber muito pouco, vendia remédios para completar sua renda. Estava a ponto de desistir da carreira, quando Telê Santana mandou contratá-lo para o histórico São Paulo que estava montando.A relação entre Palhinha e Telê teve muitos altos e alguns momentos difíceis, pelas personalidades fortes dos dois. Mas o elenco montado foi com tanto acerto, que conquistou duas Libertadores, dois Mundiais de Clubes. E ainda chegou à uma terceira decisão de Libertadores. Palhinha foi destaque nestas campanhas inesquecíveis. Gigantes europeus tentaram comprá-lo, mas o São Paulo não o negociou. Por ironia coube ao meia cobrar o pênalti que Chilavert defendeu, evitando o tri seguido da Libertadores."Sofri demais. Mas sei o que ajudei a construir a história vitoriosa do São Paulo. Por isso fico com ódio quando vejo as partidas de hoje em dia. Os jogadores não sabem a grandeza do clube que estão. Não vibram, aceitam as derrotas normalmente. Não gosto nem de assistir, para não passar raiva."Palhinha fez história também no Cruzeiro, onde conquistou a Libertadores.
"Foi logo em seguida à minha saída do São Paulo. Mostrei para o Telê o quanto estava errado em me liberar. Dei a resposta."Ele recebeu a camisa 10 de Dirceu Lopes, o maior jogador da história cruzeirense.Pelé e Dirceu Lopes são excelentes testemunhas do talento de Jorge Ferreira da Silva. Palhinha define a entrevista que deu ao canal como 'reveladora demais'.
Eu defino como histórica.Quem quiser conhecer Palhinha e Jorge tem o caminho...