エピソード

  • Sonhos
    2026/08/28

    Será que o sonho é o monstro ou a linguagem daquilo que não sabemos dizer acordados?


    Poesia do dia:


    Se tratando de alma, é claro.


    Antes do café da manhã,

    Os meus sonhos,

    As minhas poesias,

    E a minha superstição.


    Eu me alimento de tudo que posso.

    Se tratando de alma, é claro.


    É uma forma de começar o dia sem medo.

    Por que o homem teme tanto?

    Teme o tempo inteiro.


    Somos ossos, vaidade e medo.

    Diria Fernando Pessoa.

    Eu não acho que seja só isso.

    Somos osso, vaidade, medo e alma.


    Alma e amor.


    Amor é uma seiva que conecta tudo que existe.

    Que abre caminho.

    Que mostra a dor das raízes,

    E também a leveza das folhas mais altas.

    Às vezes, mostra as duas realidades no mesmo dia.


    E quem me disse isso, da seiva e do amor,

    Foi meu sonho de hoje.

    Algo inconsciente que quis se tornar consciente hoje.

    Minha alma veio me contar.


    E assim, cada vez mais, eu sinto que posso contar comigo.

    Esse é o tamanho dos meus sonhos.



    Instagram: @juliariguez


    https://www.casadosaber.com.br/blog/interpretacao-dos-sonhos-jung-e-o-processo-de-analise



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    51 分
  • Rejeição
    2026/08/21

    O monstro é a rejeição ou a forma como aprendemos a nos rejeitar?


    Poesia do dia:

    O patinho feio não é feio.


    Os patos não o aceitaram.

    Seus irmãos não o aceitaram.

    As galinhas não o aceitaram.

    O dono da fazenda não o aceitou.


    Mas o que o patinho fez?

    Ele pensou que talvez fosse o seu jeito de nadar.

    Depois pensou que fosse o seu tamanho.

    Talvez fossem seus pés, tão roxos.

    Não.

    Devia ser seus olhos, de um rosa transparente.


    Será?


    Ele não foi preguiçoso.

    Não foi mau.

    Não foi nada.

    E, ainda assim, andava por aí com o coração partido.


    Um dia, ele conheceu dois cisnes.

    Achou a coisa mais linda.

    Mas ficou com medo de se aproximar e eles também irem embora.


    Os cisnes se aproximaram.

    E, em seguida, uma criança gritou:

    “Ei, tem mais um cisne.”


    O patinho feio não é feio.

    O patinho feio é só um cisne

    que cresceu ouvindo

    a opinião dos patos.


    Pesquisa: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9075417/

    Experimento Cyberball: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4870146/



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    37 分
  • Intuição
    2026/08/14

    A intuição é o monstro ou um sinal que pede atenção?


    Poesia do dia:


    A intuição é a mestra pra quem coloca o sentir antes do saber

    Ambos são importantes, mas o sentir tem um quê de magia

    Não é mágico, mas tem um quê

    E o saber tem um quê de mercado

    Não é mercado, mas tem um quê

    Porque o saber pode ser comprado

    O sentir tem que ser afinado

    O saber vem de fora pra dentro

    O sentir nasce no fundo do peito


    Eu sinto muito o tempo todo e tenho me permitido saber pouco.


    Instagram: @juliariguez


    Pesquisas:

    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8493823/pdf/cer-06-21.pdf

    https://blog.ijep.com.br/complexo-de-cassandra-feminino-em-foco/


    Série documental Mulheres que Mudam o Mundo:

    https://www.youtube.com/playlist?list=PL5vSn8ej1b0uAJvjoVHnAcw1YH-MXeGjQ



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    35 分
  • Vaidade
    2026/08/08

    A vaidade é o monstro.


    Poesia do dia:


    É, não somos importantes.

    Quando eu tô em cima de uma montanha, olhando pra uma imensidão de outras montanhas sem fim, eu claramente sei que não sou importante.

    Mas sinto que faço parte, que as montanhas, essa borboleta amarela, esse musgo na pedra, todas as pessoas do meu prédio e de todos os outros prédios, e das casas, dos barracos e das ruas, e eu, juntos, somos sim importantes.

    Porque somos tudo que existe, natureza.

    Mas quando eu não tô em cima da montanha, tô em São Paulo, no metrô das 18h da tarde, eu acabo me esquecendo um tanto daquilo que pensei na montanha.

    Fica menos óbvio.

    E nesses momentos eu não pareço importante.

    Eu sei que eu sou, só por existir, eu sei.

    Mas não pareço importante. Quem não precisa pegar o metrô parece um pouco mais importante.

    E o cara que entrou com a criança agora pouco pedindo comida me olhou com cara de quem me achava mais importante.

    Eu não sou.

    Aliás, nós dois somos, nós 75 desse vagão somos importantes.

    Mas aqui é realmente mais difícil me lembrar do que lá na montanha.

    Mesmo assim eu tento.

    E torço pra que os 75 daqui também já tenham estado em cima de uma montanha e possa tentar lembrar também.

    Ou tenha estado em outro lugar e outro momento em que a cabeça dela tenha explodido: puffff.

    E ela tenha entendido: somos tudo e nada ao mesmo tempo.

    E, a partir disso, escolher se divertir, pq é o que resta.

    Fazer minha parte, dar e receber amor, sentir a chuva, o chão, o sol, chorar, ter dor de barriga, ver filme, dar risada alta, me preocupar menos com o que pensam de mim, postar o que eu tiver vontade, aprender tudo que eu puder, usar roupas gostosas, comer coisas gostosas, cantar músicas gostosas, ler o máximo de poesia, sorrir pras crianças que eu encontrar.

    Porque eu não tenho tamanho pra mudar o mundo.

    Apesar de ser mundo também.

    E nem tenho que me preocupar com ser a melhor das pessoas, se estamos todas na mesma condição.

    Somos exatamente iguais.

    E quem acha que é diferente é porque ainda não esteve em uma montanha.

    Mas isso também não é problema meu, cada um acha a montanha quando é a hora de achar a montanha, e não na hora que eu quero.

    A natureza é que manda.

    Eu sei que eu sou natureza, mas tem uma parte que minha condição de bicho não me deixa entender.

    E essa parte é a que controla tudo, que sabe todos os tempos de tudo pra todo mundo.

    Sabe? A parte que chamam de Deus.

    Essa parte sempre faz tudo da melhor forma, é impressionante.

    Mesmo assim, acho legal a ideia de fazer o possível pra maioria do meu tempo ser bom.

    Mesmo sem controlar nada.

    Nasci assim, um bicho.

    Mas, acima de tudo, uma sonhadora.

    Instagram: @juliariguez :)

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    25 分
  • Criatividade
    2026/07/31

    A criatividade é o monstro? Ou tudo aquilo que nos convenceu a parar de criar?


    Poesia do dia:


    Criar

    Criar é minha liberdade

    O único caminho que eu encontrei pra me libertar

    Quando eu crio, eu não tenho nome, nem endereço, não tenho olhos cor de mel e nem fatura do quinto andar

    Posso ocupar todos os lugares

    Dentro e fora de mim

    Sinto uma grandeza

    Em tudo

    Acho que a natureza é essa grandeza mesmo

    Por que as pessoas insistem em apequenar?


    Instagram: @juliariguez


    Pesquisa:

    https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/caim.12541?


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    42 分
  • Multiartista
    2026/07/24

    Ser multiartista é o monstro? Ou é a crença de que precisamos ser uma coisa só?



    Não tenho tempo de expressar todas as artes que sinto

    Nem tempo para aprimorar todas as artes que quero

    Nem tempo para pensar a respeito de decisões severas que me trariam mais tempo


    Preciso aprender a pensar no caos


    É tanta vontade enjaulada em mim

    É tanta certeza que pode mais

    É tanta é tanta é tanta


    Eu vejo meu entusiasmo chegando e indo embora

    Porque não há espaço para tanto entusiasmo


    Já chegou outro

    E veio outro

    E eu me preocupo sim, às vezes, a respeito do que pensam de mim


    Me chamaram de “versátil”, muitas vezes

    Isso é o que sou?

    Sei que muitas vezes tentei escolher uma das minhas vertentes, e isso me fez mal

    Não criei nada e nem decidi, só senti


    Ouvi dizer que devia contemplar todos os meus lados

    Tenho contemplado

    E agora me sinto insuficiente para todos os lados.


    Instagram: @juliariguez

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    54 分
  • Limite
    2026/07/17

    O limite é o monstro? Ou é o abandono de si mesma que acontece quando ele não existe?


    Poesia do dia:

    Hoje, como uma jovem senhora, fui tomar 15 minutos de sol na praça do meu bairro

    Eram 4 horas da tarde, escolhi o banco mais quente que tinha e me sentei

    A minha casa já é bem fria nesse horário

    E assim, do sol, me alimentei


    Olhei pra cima e vi as copas das árvores bem organizadas

    Lembrei de quando descobri que elas se comunicam

    Nunca me acostumo com a natureza e suas mágicas

    Elas acordam entre si quais galhos saem e quais galhos ficam


    Toda vez que eu observo a mata, eu cresço

    Hoje ela me contou sobre limite

    E também sobre acordos, espaços e recomeços

    Elas estão sempre ali dizendo: vamos, me imite!


    Acima tem as copas das árvores

    Insistentes, se contorcem até que tenha sol para todo mundo

    Abaixo, tem as raízes

    Pacientes, se espalham até que a terra dê espaço para todo mundo


    Como que duas pessoas esperam se relacionar sem paciência, limite e insistência?

    Se somos natureza e precisamos de sol e espaço para todo mundo?




    https://www.ijep.com.br/biblioteca/a_deusa_kali_c0m0_inspiraca0_para_integraca0_da_s0mbra_d0_feminin0_arquetipic0.pdf


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    42 分
  • Controle
    2026/07/10

    O controle é o monstro? Ou é a armadura que usamos por tanto tempo que acabamos confundindo com a nossa própria pele?



    Poesia do dia:

    O controle me trouxe notícias de um desamparo

    Sentou ao meu lado e me contou coisas minhas

    Do tipo, porque sempre me senti sozinha

    Mesmo com tanta gente ao lado


    Ele me disse que já é sentimento feito

    E que se eu quiser muito, ele vai me deixar em paz

    Mas que é pra eu ter paciência porque para ele sair o amor tem que entrar pela porta de trás

    Não tem outro jeito


    E não se trata de qualquer amor

    É o meu próprio

    Quanto a isso ele não faz negócio

    Porque eu já conheço muito bem a dor


    Eu aceitei, e agora me resta esperar

    Eu estava presa e nem sabia

    Eu mesma me encarcerava e me diminuía

    Não sabia que era tão difícil me amar.

    Instagram: @juliariguez


    Pesquisa: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10037214/

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    33 分