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'Nossa sociedade está em vias de colapsar', afirma psicóloga sobre impactos da jornada 6x1 na saúde mental

'Nossa sociedade está em vias de colapsar', afirma psicóloga sobre impactos da jornada 6x1 na saúde mental

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Trabalhar seis dias na semana, inclusive fins de semana e feriados, numa jornada de pelo menos oito horas por dia, sem contar o tempo de almoço, trânsito na ida e na volta, e ainda lidar com as cobranças por resultado e responsabilidades domésticas forma uma equação que tem resultado em adoecimento mental, precariedade no cuidado dos filhos, além de baixa produtividade. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Para as mulheres, a sobrecarga é ainda maior, na avaliação da psicóloga Carla Antloga, professora da Universidade de Brasília, doutora em psicologia social e pesquisadora na área de trabalho e organizações. “As pessoas vão perdendo o sentido da vida. Você vive para trabalhar, pagar boleto. Não é possível viver desse jeito. A forma como nós organizamos a nossa sociedade está em vias de colapsar.” O assunto tem gerado debate e cobranças nas redes sociais, tanto que a Câmara dos Deputados aprovou o texto que acaba com a escala 6x1, estabelecendo uma jornada de 40 horas semanais, com duas folgas na semana. Para que a mudança realmente vire regra é preciso que o Senado Federal também aprove a emenda constitucional. “O que nós vemos é que as organizações raramente se responsabilizam por isso. As empresas têm uma dificuldade de entender que pessoas são seres humanos, que trabalhadores são gente”, critica Antloga. A pesquisadora explicou que é muito comum, numa jornada de apenas um dia de descanso, especialmente entre pessoas que trabalham na frente ao computador, em atividades repetitivas, o chamado ‘entrar no automático’, quando o cérebro não desliga. “O nosso sistema neuroquímico entende que nunca pode desligar o modo de alerta e aí o adoecimento mental é muito mais frequente. Nós estamos falando de adoecimentos mentais que podem ser incapacitantes, como a depressão e o burnout, situações que podem realmente retirar a pessoa do seu contexto de trabalho.” Para Carla Antloga, “o sistema econômico em que nós vivemos foi normalizando a ideia de não termos tempo para descanso. Nós temos estudos diversos nas áreas de Educação Física, Fisiologia, Biologia, Medicina, que mostram o quanto é necessário que nós tenhamos períodos de repouso, sono reparador, sono de qualidade.” A psicóloga lembra que uma jornada de oito horas diárias significa pelo menos dez horas longe de casa, pois há o tempo de deslocamento e a hora de descanso. “E se tem filhos, como está a vida dessas crianças?”, indaga a entrevistada, lembrando que para muitos brasileiros o único dia de folga não coincide com o fim de semana, quando os filhos estão em casa. A jornada 6x1 na vida das mulheres “Esse um dia da semana nós temos que lembrar que é muito diferente para homens e mulheres. Os homens no geral, principalmente os casados, contam com a mulher para poder organizar essa vida prática. Mas quando a mulher é mãe solo, e nós estamos falando de uma porcentagem importante das mães no Brasil, ela vai ter esse um dia da semana para cuidar de tudo: lavar roupa, cozinhar, gerenciar vida dos filhos, ir ao supermercado”, destaca a professora da UnB. Mesmo com uma jornada exaustiva, ressalta Antloga, as mães são cobradas a acompanhar de perto a vida escolar dos filhos e a responder por concepções incompatíveis com esse ritmo de vida, como o controle sobre o tempo de tela de crianças e adolescentes. Como muitas mães sujeitas à escala 6x1 trabalham sábado, domingo e feriados, deixar um celular com os filhos acaba sendo uma forma de comunicação entre eles. Além disso, difícil imaginar que, no dia de folga, a mãe consiga dar conta de tudo sem uma forma de entreter as crianças. “É impossível. Quando essa mulher está em casa, as crianças estão ansiosas pela presença dela, mas ela tem muitas coisas a resolver e organizar. E ela está exausta por ter trabalhado vários dias seguidos, com muita demanda. E muitas vezes é quando o filho está vendo algo na internet que ela consegue fazer as coisas. Ou seja, a sociedade quer que as mães trabalhem como se não tivessem filhos e sejam mães como se não trabalhassem.” Jornadas menores aumentam produtividade “Em outros modelos sociais nós vemos que trabalhadores que estão numa escala 5x2, às vezes até menos, estão vivendo muito melhor. A qualidade da relação com os filhos é completamente diferente. E essas pessoas encontram um sentido na vida. Porque viver não pode ser só trabalhar. A gente tem que pensar em trabalhar para viver e não viver para trabalhar.” A psicóloga e pesquisadora frisa que estudos mostram que o trabalhador que tem tempo para conciliar os afazeres domésticos, as demandas do trabalho e também descansar trabalha melhor, gerando lucro para o empregador. “Vamos trabalhar com evidências científicas. As evidências que nós temos é que a produtividade aumenta quando os trabalhadores trabalham seis horas. Por quê? O trabalhador já chega mais ...
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