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Lideranças políticas de Israel consideram que o acordo entre EUA e Irã representa um risco ao país

Lideranças políticas de Israel consideram que o acordo entre EUA e Irã representa um risco ao país

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Ao contrário do otimismo dos mercados e do alívio demonstrado por lideranças ocidentais, Israel considera que o acordo entre Estados Unidos e Irã representa uma série de riscos ao país. Dessa vez, as críticas são contundentes e não passam apenas por conversas de bastidores. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Neste momento, há uma situação incomum na política israelense: o consenso. Não há nenhuma voz dos principais partidos que tenha demonstrado apoio ao acordo. A diferença é como as respostas se manifestam. Membros da atual coalizão de governo, liderada por Benjamin Netanyahu, não o criticam, mas consideram prejudicial a Israel o que se sabe sobre o Memorando de Entendimentos entre Estados Unidos e Irã. Os pontos fundamentais ao país supostamente não são mencionados: o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, o programa de mísseis balísticos e a atuação regional dos chamados “proxies”, grupos aliados do Irã que recebem recursos financeiros e armas do regime, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, na Faixa de Gaza, e as milícias pró-Irã, no Iraque. Os nomes mais radicais da coalizão, como os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, dizem abertamente que “Israel não recebe ordens dos Estados Unidos” e que “Israel não é uma república das bananas”. Mas a oposição segue por outro caminho, responsabilizando diretamente Netanyahu. O ex-primeiro-ministro e líder do Partido Be'Yachad, Naftali Bennett, declarou que “o mandato do governo Netanyahu começou com uma guerra civil, continuou com o massacre de 7 de outubro de 2023 e termina com um fracasso histórico contra o Irã". Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, disse que o acordo é um “resultado deplorável de um governo falido” e que a coalizão “perdeu a confiança do público” e “abandonou os cidadãos de Israel”. Tanto Bennet quanto Eisenkot são dois dos principais candidatos para substituir Netanyahu em eleições gerais. A data do pleito ainda não foi definida, mas deve acontecer em algum ponto entre os meses de setembro e outubro. As relações entre EUA e Israel Houve desgastes importantes principalmente na relação pessoal entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Trump chegou a dizer mais de uma vez que falta bom senso a Netanyahu, que ele é uma pessoa difícil da qual discorda muitas vezes. O presidente dos EUA chegou a falar abertamente sobre o assunto em declarações à imprensa norte-americana. A dúvida é como tudo isso influencia os acontecimentos daqui para frente. Um sinal importante ocorreu num momento de tensão que antecedeu o anúncio sobre o Memorando de Entendimentos entre EUA e Irã. No último final de semana, o Hezbollah continuou a disparar foguetes e drones contra as comunidades do norte de Israel. O Estado hebreu também continuou a atacar o Hezbollah e a atuar no sul do Líbano. Uma semana antes, Tel Aviv já havia deixado claro que, em caso de novos ataques contra o seu território, agiria em Beirute ou Dahieh, o distrito que é o reduto do Hezbollah ao sul da capital libanesa. Leia tambémEm reunião tensa com Macron após fazer novas ameaças, Trump desdenha oferta de apoio de europeus Israel realizou um ataque contra um edifício em Dahieh argumentando que se tratava de uma resposta. Trump então telefonou a Netanyahu e teve uma conversa dura com o líder israelense dizendo justamente que ele não tinha bom senso. Esta conversa teve muita repercussão em Israel, justamente pela sequência dos acontecimentos. O presidente norte-americano disse que o Estado hebreu não deveria ter realizado qualquer ataque a Dahieh, na medida em que os drones e foguetes do Hezbollah disparados no final de semana “não haviam provocado a morte” de nenhum cidadão israelense. Segundo a imprensa local, em conversas privadas autoridades israelenses expressam profunda frustração com as concessões de Washington a Teerã. “Os iranianos não cumprirão o acordo, e as futuras operações para eliminar o seu programa nuclear e reduzir as suas capacidades de mísseis são uma questão de tempo”, disse uma fonte israelense. Popularidade em queda Os números em Israel são cada vez menos favoráveis a Netanyahu. Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém mostra que 45% dos entrevistados dizem que votarão apenas em um partido que se oponha à continuidade do primeiro-ministro no cargo. Enquanto 31% disseram exatamente o oposto, que querem uma legenda que demonstre apoio a Netanyahu. Outro levantamento aponta que 23% dos eleitores do norte do país dizem que apoiarão o Likud, o partido liderado por Netanyahu, nas próximas eleições – uma queda em relação aos 35% de apoiadores nesta região durante as eleições de 2022. Os moradores do norte de Israel são justamente os mais afetados pelos disparos de foguetes e drones do Hezbollah. Essa população corresponde a ...
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