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Na Eurosatory, indústria de defesa brasileira busca espaço em mercado em expansão

Na Eurosatory, indústria de defesa brasileira busca espaço em mercado em expansão

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Armas, munições, veículos blindados e drones. Em um momento de aumento dos gastos militares e de intensificação das tensões internacionais, a Eurosatory 2026 reúne em Villepinte, na Grande Paris, um dos maiores encontros da indústria de defesa do mundo. Ao circular pelos pavilhões do evento, não é difícil imaginar como é o front. Maria Paula Carvalho, da RFI Em um cenário internacional cada vez mais tenso, países ampliam investimentos em defesa sob o argumento de garantir a paz, impulsionando um mercado em plena expansão. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares globais atingiram 2,7 trilhões de dólares em 2024, o maior valor já registrado, com aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. A Eurosatory coincide com a cúpula do G7 na França, que reúne líderes mundiais, incluindo Donald Trump, para discutir os principais conflitos internacionais. "Os gastos e os orçamentos estão aumentando significativamente em todos os países, principalmente na União Europeia. Isso é o que eu chamo de oportunidade", analisou em entrevista à RFI o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa brasileiro, tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues, que veio a Paris participar da Eurosatory. O Brasil marca presença, ele destaca. "São 24 empresas brasileiras de defesa expondo nesta feira, que é gigante — talvez a maior do mundo nessa área — e tenho certeza de que vamos fazer bonito e ter resultados expressivos." O setor já movimenta cifras relevantes para o país. "Nós temos muita capacidade, muita tecnologia, empresas excelentes para produção de armamento. Temos cerca de US$ 4 bilhões em exportações por ano — não é uma coisa trivial — e esperamos aumentar esse volume com o passar do tempo", completou. "A indústria de defesa brasileira está preparada para acompanhar esse aumento da produção global," concluiu o tenente-brigadeiro Heraldo Luiz Rodrigues. Com mais de 2 mil expositores de 65 países, a Eurosatory reúne o que há de mais avançado em tecnologia militar. Até sexta-feira (19), empresas e delegações buscam ampliar contatos e fechar negócios. "Ver e ser visto" Entre os brasileiros, a Cinadra aposta na internacionalização. A empresa fabrica componentes para bombas e munições e atua nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. O CEO Marcello de Brito Meira destaca a importância da visibilidade no evento: "É o famoso ver e ser visto, num mercado global. O Brasil já foi um grande player e está voltando a se projetar nesse mercado. Então, para a gente, estar aqui é muito importante." Ele ressalta o modelo de atuação da companhia: "Nós fabricamos no Brasil componentes para bombas, munições de artilharia, infantaria e carros de combate, tudo exportado para o mundo, tecnologia brasileira." E completa: "Vendendo componentes, eu tenho acesso a mais mercados. Eu não sou competidor de ninguém, então consigo fornecer para várias empresas da mesma área." O coronel Antônio Ribeiro, diretor de promoção comercial da Abimde — a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança — afirma que as empresas vêm à feira em busca de diferentes oportunidades: contratos, novos fornecedores, representantes comerciais no exterior e também para fazer benchmarking de seus produtos, avaliando se estão alinhados com a demanda do mercado. "A França é um ponto de encontro. Iremos receber aqui delegações da África, da Ásia e até da América do Sul", completa. "Não somente a França, mas todo esse entorno geográfico acaba refletindo e ressentindo essa movimentação política e geopolítica que a Europa está vivendo, desde o conflito na Ucrânia até essa mudança de postura de outros players. Há também a questão da migração descontrolada, que gera um problema não apenas de defesa, mas de segurança pública. Então, este é um local muito adequado para discutir todos esses aspectos", conclui. "Espaço Brasil" O Espaço Brasil reúne empresas de áreas como comunicação, comando e controle de drones, cibersegurança, engenharia de sistemas e suporte logístico. O estande conta com apoio também da ApexBrasil, agência de promoção de exportações. Para o especialista em negócios internacionais da entidade, Daniel Pirola, a feira tem alcance global: "É a principal feira da Europa. Daqui, a gente consegue vender não só para a Europa, mas também para o Oriente Médio e boa parte da Ásia. Esta feira é uma referência mundial e, para nós, é uma baita oportunidade." Ele destaca ainda o crescimento da participação brasileira: "Este ano, estamos batendo um recorde de expositores." E avalia o contexto internacional: "O mundo inteiro está se armando, isso já é um fato, e tem sido bom também para as empresas brasileiras de defesa." Segundo Pirola, o país oferece uma ampla gama de produtos: "Desde software de sistemas até ...
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