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Tradutora de ‘O Agente Secreto’ relata desafios linguísticos na adaptação do roteiro para o francês

Tradutora de ‘O Agente Secreto’ relata desafios linguísticos na adaptação do roteiro para o francês

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概要

A tradutora e adaptadora Muriel Pérez atua há mais de uma década no cinema, atuando nas adaptações para o francês de obras em português e espanhol. Seu projeto mais recente foi a tradução do roteiro do filme O Agente Secreto, produzido pela MK2 Production. O longa de Kleber Mendonça Filho rendeu ao Brasil mais de 70 prêmios nacionais e internacionais. Neste domingo (15), O Agente Secreto concorre a quatro categorias no Oscar: melhor filme, filme estrangeiro, melhor ator e melhor elenco. Muriel, que já assinou dezenas de trabalhos de tradução de roteiros, legendagem e interpretação, já traduziu filmes exibidos nos principais festivais do mundo, de Cannes à Berlinale. Ela falou à RFI sobre os desafios linguísticos de adaptar expressões regionais pernambucanas e gírias dos anos 1970, preservando o contexto histórico e cultural da obra. “Foi um desafio conseguir mergulhar nesses diálogos, mesmo que a etapa do roteiro seja diferente da legendagem, pois o roteiro tem muitas descrições de cena. Obviamente que o diálogo também é importante para o roteiro, mas não tão importante quanto para a legendagem”, explica. A tradução de roteiros costuma ser utilizada em editais e concursos para financiamento. No caso de O Agente Secreto, as dificuldades incluíram situar o leitor no período do Carnaval do Recife. “Tem muitos elementos, como a personagem da 'Ursa', que tive que contextualizar. Um leitor francês não entenderia por que um personagem fantasiado para um carro, se ele não entende o carnaval. (...)”, relata. “No roteiro em português original, tem uma fala em que os policiais pedem dinheiro dizendo que é para a festinha da delegacia, mas é [a ‘caixinha’] para o carnaval”, diz. “Também há questões sempre presentes nos filmes do Kleber, como a do preconceito contra o Nordeste, que na França tentei aproximar do preconceito contra o Norte da França, que é mais pobre”, conta Muriel. A profissional precisou reformular diálogos para que as nuances sociais e políticas fossem compreendidas pelos franceses. “Mambembe”, “jeitinho brasileiro”, “sacanagem” e a ajuda de Kleber Mendonça Filho Nascida na Ásia, mas com o francês como língua materna, Muriel estudou na Costa Rica e passou temporadas no Brasil para aprender português no Rio de Janeiro e no Recife. Apesar de toda a sua multiculturalidade, ela conta como aprofundou as pesquisas para adaptar gírias e expressões específicas. “Usei um dicionário de ‘argots’ [gírias] em francês e mergulhei em livros policias em francês dos anos 1970 para garantir que as escolhas de tradução fossem palavras que já existiam em francês naquela época. Li livros policiais franceses da época para entender como se falava”, detalha Muriel Pérez. Segundo ela, esse tipo de “mergulho” na obra a ser traduzida a ajuda nas sutilezas de tradução. Para a tradutora, o mais importante é entender a intensidade da expressão, se é um uso mais vulgar ou apenas popular, para manter o tom certo. Nem suavizar, nem exagerar a força original dos diálogos. Além da importância da pesquisa terminológica, Muriel contou com uma ajuda especial do diretor Kleber Mendonça Filho: “Passei muito tempo ao telefone com o Kleber e, como ele fala francês, ele me ajudou com algumas escolhas que eu tinha feito”. Tempero brasileiro Muriel explica que, em alguns casos, termos nas línguas originais são mantidos para dar um “sabor diferente”. “‘Dona Sebastiana' permaneceu ‘Dona’, não ‘Madame’. Alimentos locais também não traduzimos, porque em francês a tradução de 'salgado' não é tão simples. No roteiro tinha ‘coxinha’, que ficou. É muito comum manter alguns termos para dar um sabor diferente ao texto”, diz. Entusiasta da sétima arte, a profissional incentiva as pessoas a frequentarem mais o cinema. “É importante manter a cultura de ir ao cinema. É uma bela experiência estar focado em algo por duas horas sem o celular", salienta Muriel Pérez. Leia tambémOscar com Wagner Moura terá um dos maiores dispositivos de segurança desde ataque às Torres Gêmeas
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