Foi a liberalização da ferrovia um fracasso? O PCP diz que sim e escreveu um livro
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Gravado na histórica Estação do Rossio, este episódio do podcast Sobre Carris junta os jornalistas Ruben Martins, Diogo Ferreira Nunes e Carlos Cipriano ao secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e a Manuel Gouveia, um dos autores do recém-apresentado dossier "Desastre na Ferrovia: 35 anos de liberalização".
Ao longo da conversa, é analisado o impacto profundo das políticas ferroviárias em Portugal nas últimas décadas, defendendo o PCP que o país retrocedeu em vez de evoluir no que toca ao investimento público, ramais e material circulante. Os convidados apontam o dedo ao atraso crónico na renovação da frota nacional, sublinhando que o país se encontra há duas décadas à espera de novos comboios para suprir as reais necessidades das populações. A conversa centra-se naquilo que o partido designa como a grande "contradição liberal": um modelo em que o Estado assume todos os custos e riscos - investindo na modernização de infra-estruturas (como na Linha de Cascais) e na compra de comboios com dinheiro público - para depois entregar a operação e os lucros garantidos aos privados. O PCP aponta o exemplo da Fertagus para ilustrar como o Estado assegura compensações financeiras contínuas ao operador privado ao mesmo tempo que impede a CP de operar nessa linha para resolver a falta de capacidade. Como alerta máximo para o futuro do país, é traçado um paralelo detalhado com o fracasso da privatização ferroviária na Inglaterra (iniciada nos anos 90) e o seu actual processo de renacionalização através da Great British Railways.
Manuel Gouveia clarifica ainda que esta obra de 340 páginas, rica em dados, tabelas e gráficos, representa um esforço de maturação colectiva e ideológica do PCP que seria impossível de replicar por ferramentas de inteligência artificial, as quais tendem "simplesmente a reproduzir e amplificar a perspectiva económica dominante".
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