• Evangelho do dia. A Voz que Purifica e o Nome que Liberta
    2025/12/23

    O Evangelho de hoje relata o nascimento de João Batista (Lucas, capítulo 1). O nascimento de João não é apenas um evento familiar; é um sinal teológico profundo da misericórdia de Deus que "visita o seu povo".

    O comentário dehoniano destaca que este nascimento causa um "temor sagrado" nos vizinhos e parentes. Não é um medo paralisante, mas a percepção de que a mão do Senhor estava sobre aquela criança. Um ponto central da reflexão é a quebra da tradição no momento da escolha do nome. Contra as expectativas da sociedade da época, que desejava o nome do pai, Zacarias confirma o que o anjo havia dito: "João é o seu nome". João significa "Deus é favorável" ou "Graça de Deus". Ao escrever o nome, a língua de Zacarias se solta; o silêncio da incredulidade dá lugar ao louvor da obediência.

    A espiritualidade do Padre Dehon nos convida a olhar para João Batista como um modelo de pureza e desapego. Ele é o "mensageiro" profetizado por Malaquias, aquele que é como o "fogo do fundidor". Para acolhermos Jesus, o verdadeiro Sol que nasce, precisamos passar por uma purificação. Não podemos receber o Salvador com o coração cheio de entulho ou orgulho. João nos ensina que o nosso papel é apontar para o Cristo: "É preciso que Ele cresça e eu diminua". O comentário nos recorda que Jesus não é um objeto de adorno para o Natal, mas o Senhor que exige de nós uma transformação interior, limpando nossas intenções e nos preparando para a "vinda terrível e gloriosa" do amor de Deus.

    Oração a Jesus Cristo

    "Senhor Jesus Cristo, Verbo encarnado que João Batista veio anunciar, nós Te adoramos e Te bendizemos. Hoje, diante do berço de João, reconhecemos que a Tua graça precede sempre os nossos méritos. Pedimos-Te, Senhor, que envies sobre nós o Teu fogo purificador. Queima em nossos corações o egoísmo, a vaidade e o apego às tradições humanas que nos afastam da Tua vontade. Assim como Zacarias recuperou a voz ao professar o nome de João, solta a nossa língua para que saibamos louvar as Tuas maravilhas e anunciar a Tua paz. Faz-nos puros de coração, humildes no serviço e desapegados de nós mesmos, para que sejamos, como o Precursor, vozes que gritam a Tua presença no deserto do mundo atual. Vem, Senhor Jesus, habitar em uma morada preparada pela fé e pela obediência. Amém.

    #evangelho #reflexão #evangelhodehoje

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  • A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado Emanuel
    2025/12/20

    A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado EmanuelComentário do EvangelhoAdventoEVANGELHO – Segundo Mateus, Capítulo 1, versículos de 18 a 24.O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa,pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus conosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

    Neste quarto domingo do Advento, as portas do Natal se escancaram. O Evangelho de Mateus nos apresenta o drama humano e divino que antecede o nascimento de Jesus. Maria, prometida a José, encontra-se grávida pelo Espírito Santo. José, descrito como um homem "justo", enfrenta um dilema profundo: a lei exigia a denúncia, mas seu coração transbordava de amor e respeito pelo mistério que envolvia Maria. No silêncio de sua alma, ele decide não expô-la, optando pelo caminho da discrição.

    É no momento da maior incerteza que Deus intervém. Através de um sonho, o anjo revela a José que não há o que temer. O filho que Maria carrega é o cumprimento da promessa de Isaías: o Emanuel, o "Deus conosco". José é convidado a assumir a paternidade terrena do Salvador, dando-lhe o nome de Jesus, aquele que salvará o povo dos seus pecados.

    A atitude de José nos ensina que ser justo não é apenas seguir regras, mas ser capaz de ouvir a voz de Deus nos sinais da vida. Ele não questiona, não exige provas; ele simplesmente acorda e faz o que o Senhor lhe ordenou. José nos oferece o "Sim" do silêncio e da ação, protegendo a vida que brotava no seio de Maria. O Emanuel só se torna presença visível porque houve alguém disposto a abrir mão de seus próprios planos para acolher o plano de Deus.

    Oração Dedicada a Jesus Cristo: Senhor Jesus, Emanuel e Deus Conosco, hoje contemplamos o mistério de Tua vinda através da fidelidade de São José. Pedimos-Te que nos concedas a graça da justiça de coração. Que, diante das situações que não compreendemos, saibamos silenciar o nosso ego para ouvir as Tuas inspirações. Senhor, que a nossa vida seja uma acolhida constante da Tua presença, assim como José Te acolheu em sua casa e em sua família. Cura as nossas dúvidas e dá-nos coragem para agir segundo a Tua vontade, protegendo sempre a vida e a esperança que Tu fazes nascer em nós. Amém.


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  • O Silêncio Justo e o Despertar da Promessa
    2025/12/18

    O Silêncio Justo e o Despertar da Promessa..

    Evangelho, segundo Mateus, capítulo 1, versículos de 18 a 24.

    A geração de Jesus Cristo foi deste modo: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, achou-se ter concebido (por obra) do Espírito Santo, antes de coabitarem.José, seu esposo, sendo justo, e não a querendo difamar, resolveu repudiá-la secretamente.Andando ele com isto no pensamento, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse; José, filho de David, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo.Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta, que diz:Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porão o nome de Emanuel, que significa: Deus connosco (Is 7, 14).Ao despertar José do sono, fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa (Maria), sua esposa.Palavras para nossa Salvação.

    Neste dia 18 de dezembro, a liturgia nos coloca diante de um dos momentos mais humanos e, ao mesmo tempo, mais divinos da história da salvação: o drama de São José. O texto de Mateus nos conta que, antes de viverem juntos, Maria estava grávida pelo Espírito Santo. Imagine o peso desse silêncio no coração de José. Ele, sendo um homem justo, não queria expô-la, mas o seu entendimento humano havia chegado ao limite.

    O portal Dehonianos nos recorda que José é o modelo das almas que aspiram à piedade através da humildade. Ele não grita, não acusa; ele silencia e planeja retirar-se para que o mistério de Deus siga seu curso, mesmo sem compreendê-lo. É no sono, no descanso daquele que confia, que o anjo aparece para dizer: “José, não tenhas medo”.

    O evangelho de hoje revela que Deus não nos pede apenas obediência, mas uma colaboração heróica. José aceita ser o guardião do Redentor, dando a Jesus a linhagem de Davi e, com isso, cumprindo a profecia de Jeremias que ouvimos na primeira leitura: “Eis que virão dias em que farei nascer um descendente de Davi; ele reinará como rei e será sábio”.

    Jesus é o Emanuel, o "Deus conosco". Ele não vem como um soberano distante, mas como alguém que precisa do colo de um pai terreno e do sim de uma mãe corajosa. Hoje, somos convidados a olhar para nossas próprias crises e dúvidas. Tal como José, somos chamados a não agir pelo impulso do medo ou do julgamento, mas a esperar o "anjo do Senhor" que fala no silêncio da nossa oração. A justiça de José não era a justiça da lei que condena, mas a justiça do amor que protege. Que neste Advento, possamos acolher o inesperado de Deus em nossas vidas com a mesma prontidão com que José despertou do sono para cumprir a vontade do Pai.

    Oração Dedicada a Jesus Cristo:

    Senhor Jesus Cristo, Emanuel e Salvador nosso, nós Te bendizemos neste dia pelo exemplo de fidelidade e silêncio de São José. Tu, que quiseste depender do cuidado humano para habitar entre nós, ensina-nos a confiar nos Teus desígnios, especialmente quando os caminhos da vida parecem obscuros ou difíceis de compreender.

    Jesus, Príncipe da Paz e Nossa Justiça, retira de nossos corações o medo que nos impede de acolher o Teu projeto de amor. Assim como falaste a José em sonhos, fala hoje ao nosso íntimo. Dá-nos a coragem de assumir as responsabilidades que a fé nos impõe, protegendo a vida e servindo aos irmãos com humildade. Que a Tua presença em nosso meio nos transforme em sinais de esperança, e que, ao despertarmos a cada manhã, estejamos prontos para fazer a Tua vontade com alegria. Tu que vives e reinas para sempre. Amém.

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  • A Verdadeira Obediência: Do Dizer ao Fazer
    2025/12/16

    A Verdadeira Obediência: Do Dizer ao Fazer

    Querido irmão e irmã, a liturgia desta Terça-feira, 16 de dezembro, no coração do Advento, nos convida a uma reflexão profunda sobre a autenticidade de nossa fé.

    O Evangelho de hoje nos apresenta uma das parábolas mais incisivas de Jesus, dirigida aos chefes dos sacerdotes e anciãos do povo: a Parábola dos Dois Filhos. Um pai pede aos seus dois filhos que vão trabalhar na vinha. O primeiro, de forma abrupta e desobediente, diz: “Não quero!” Mas, depois, muda de ideia e vai. O segundo, com a cortesia e o respeito esperados, diz: “Sim, Senhor, eu vou!” Mas não vai.

    Jesus lança a pergunta crucial: "Qual dos dois fez a vontade do pai?". A resposta é óbvia: o primeiro.

    A crítica de Jesus é demolidora e se dirige diretamente à hipocrisia religiosa. Os líderes de Israel representam o segundo filho: dizem 'sim' a Deus através de rituais, leis e palavras pomposas, mas seus corações e suas ações se recusam a cumprir o verdadeiro trabalho do Reino, que é a justiça, a misericórdia e a humildade.

    Em um contraste chocante, Jesus declara: "Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus". Essas pessoas, marginalizadas pela sociedade e pela religião, eram o primeiro filho. Elas disseram "não" à Lei de Deus ao viverem no pecado, mas ao ouvirem a pregação de João Batista sobre a justiça e a conversão, elas se arrependeram e agiram. Elas mudaram de ideia e, de fato, entraram na vinha.

    O Evangelho de hoje é um forte chamado de Advento para nós. Não basta ter lábios purificados para invocar o Nome do Senhor, como nos diz a Primeira Leitura de Sofonias, se o nosso coração for arrogante. A profecia de Sofonias anuncia que Deus deixará em nosso meio "um punhado de homens humildes e pobres" que não cometerão iniquidades.

    A vinha do Senhor é a nossa vida, o nosso lar, o nosso trabalho e a nossa comunidade. O que adianta dizer "Amém" na Missa e prometer obediência a Deus se, na prática, nos recusamos a perdoar, a servir ou a nos dedicar à justiça? O Advento é um tempo de arrependimento, que é, literalmente, "mudar a mente" (metanoia), como fez o primeiro filho. Não percamos tempo com promessas vazias. É hora de agir, é hora de ir trabalhar na vinha do Senhor.

    Ó Jesus, Mestre da Verdade e Senhor da Vinha,

    Neste tempo de espera pela Vossa Vinda, reconhecemos a tentação de sermos como o segundo filho: cheios de boas intenções e palavras fáceis, mas paralisados pela preguiça e pela soberba.

    Concedei-nos a graça da metanoia, a coragem de mudar o nosso 'não' em um 'sim' ativo e imediato. Que a nossa vida não seja marcada pela vaidade dos títulos ou pela dureza do coração, mas pela humildade dos publicanos e pecadores que, ao ouvirem o chamado da justiça, se levantaram e agiram.

    Dai-nos o Vosso Espírito para que a nossa fé se manifeste em obras concretas, para que possamos entrar e trabalhar em Vossa vinha, e assim, Vos preceder no Reino, a exemplo daqueles que, por amor, se arrependeram e obedeceram.

    Amém.


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  • O Messias da Vida Nova e o Chamado à Alegria Sem Escândalo
    2025/12/14

    O Messias da Vida Nova e o Chamado à Alegria Sem Escândalo

    Evangelho, Segundo Mateus, capítulo 11, versículos de 2 a 11.

    Naquele tempo,
    João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos:
    «És Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?»
    Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres.
    E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo».
    Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis.
    Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta.
    É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’.
    Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista.
    Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».Palavras para nossa salvação.Reflexão sobre o evangelho

    O Messias que nos Surpreende

    Amados irmãos e irmãs em Cristo, a Palavra de Deus nos convida hoje, dia 14 de dezembro, a refletir sobre um diálogo profundo, que nos revela a verdadeira identidade de Jesus.

    Enquanto João Batista, o corajoso profeta que preparou os caminhos do Senhor, estava preso na fortaleza de Maqueronte, a dúvida o assaltou. Ele, que esperava um Messias de juízo e fogo, enviou seus discípulos para perguntar a Jesus: "És Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?"

    A resposta de Jesus não foi um simples "Sim" ou "Não". Foi um convite a ver e ouvir a transformação que estava acontecendo. Ele disse: "Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres."

    Jesus cumpriu as antigas profecias, mas de uma forma que desafiava as expectativas humanas. Ele não veio para julgar e condenar com severidade, como João talvez esperasse, mas para salvar e dar vida em plenitude. Ele é o Messias da compaixão e da libertação. Seu Reino é um mundo novo, onde a vida vence a morte, onde a luz dissipa as trevas da doença e da exclusão.

    Ao concluir sua resposta a João, Jesus acrescenta uma bem-aventurança poderosa: "E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo." É um alerta para nós: o caminho de Deus, a Salvação que Ele nos oferece, muitas vezes não se encaixa em nossos planos ou expectativas rígidas. Somos felizes quando aceitamos que a misericórdia é o modo de Deus agir e não nos escandalizamos com a Sua bondade que abraça os marginalizados e os pecadores.

    Depois que os discípulos de João se foram, Jesus exalta a figura do Batista, um homem íntegro, que não se dobrava ao poder nem buscava o luxo. João era um profeta singular, o próprio mensageiro enviado para preparar o caminho do Senhor. No entanto, Jesus conclui com uma revelação surpreendente: "o menor no reino dos Céus é maior do que ele." Esta frase não diminui João, mas exalta a graça do Reino. Significa que, aqueles que acolhem a proposta de Salvação trazida por Jesus, que se dispõem a segui-Lo e a viver o dinamismo do Reino, são elevados a uma dignidade ainda maior: a de filhos e herdeiros de Deus, justificados pela fé.

    Que nesta meditação, possamos abrir nossos corações para acolher o Messias tal como Ele é: o doador da vida, o libertador dos pobres e o Senhor da Misericórdia.

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  • A Sabedoria Justificada: Acolher a Alegria e a Conversão no Tempo de Deus
    2025/12/12

    A Sabedoria Justificada: Acolher a Alegria e a Conversão no Tempo de Deus.

    Evangelho segundo MATEUS, capítulo 11, versículos de 16 a 19.

    A quem hei-de eu comparar esta geração? É semelhante aos rapazes que estão sentados na praça, e que gritam aos seus companheiros, dizendo: Tocámos flauta, e não bailastes; entoámos endechas e não chorastes. Veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Ele tem demônio. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: Eis um glutão e um bebedor de vinho, um amigo dos publicanos e dos pecadores. Mas a sabedoria (divina) foi justificada por suas obras."

    Comentários do Evangelho de Jesus Cristo.

    Amados irmãos e irmãs em Cristo, a Palavra de Deus neste sexto dia da Segunda Semana do Advento apresenta-nos um desafio direto à nossa capacidade de acolher o Senhor, não segundo os nossos critérios, mas como Ele Se manifesta em nossa história.

    Jesus interpela a multidão com uma parábola poderosa e perspicaz: a da geração teimosa e caprichosa, semelhante a crianças sentadas na praça. Elas recusam-se a dançar quando os seus companheiros tocam a flauta, e também se negam a chorar quando lhes são entoadas lamentações. Esta imagem pinta o retrato de um povo inflexível e desinteressado.

    A recusa de acolhimento não poupa nem João Batista, que veio com um estilo de vida austero, "que não come nem bebe", sendo acusado de estar possesso, nem o próprio Filho do Homem, Jesus, que "come e bebe" e Se faz amigo dos publicanos e pecadores. Ele é, paradoxalmente, rotulado de "glutão e bebedor de vinho". A crítica e a má vontade encontram sempre uma razão para rejeitar a novidade de Deus, seja ela manifestada na penitência e na sobriedade, seja na alegria e na misericórdia.

    A reflexão de hoje, centrada neste Evangelho, é um convite urgente à disponibilidade de coração. O Advento ensina-nos a desejar e a acolher o Salvador, mas devemos estar prontos para aceitá-l'O em todas as Suas formas, especialmente naquelas que nos surpreendem e nos fazem sair do nosso conforto.

    A "hora de Deus" exige que renunciemos às desculpas que mascaram a nossa resistência à conversão. A verdadeira sabedoria (que Jesus afirma ser "justificada pelas suas próprias obras") consiste em sintonizarmo-nos com o modo de Deus agir. Ele não Se envergonha de Se manifestar na alegria e na festa com os pecadores, oferecendo um perdão que não é vazio, mas um evento perturbador de amor e acolhimento.

    Que o Espírito Santo nos livre do espírito de crítica que tudo recusa, que sempre encontra razões para não aceitar a vida, as pessoas e, principalmente, a manifestação de Cristo na nossa comunidade e nos irmãos, sobretudo nos mais carenciados e oprimidos. O amor exige de nós uma constante conversão e disponibilidade para acolher o "Hoje de Deus".

    Senhor Jesus Cristo, Redentor e Amigo dos pecadores, hoje a Tua Palavra desvenda a obstinação do meu coração. Confesso que, muitas vezes, sou a criança caprichosa na praça, querendo ditar o ritmo da Tua chegada e o modo como Te deves manifestar na minha vida. Eu Te peço:

    Guia-me, Senhor, pelo caminho que devo seguir, como nos ensina o profeta Isaías. Concede-me a graça de reconhecer a Tua "hora de Deus", seja ela um apelo austero à penitência, como em João Batista, ou a festa jubilosa do perdão e da misericórdia, como na Tua própria presença.

    Liberta-me do espírito de crítica e do egoísmo que me fecham à Tua surpreendente manifestação nos irmãos. Dá-me um espírito de acolhimento e benevolência, para que eu veja em cada pessoa e em cada circunstância a oportunidade de Te servir. Que a Tua sabedoria justifique as minhas obras e me faça progredir no verdadeiro amor.

    Amém.

    Oração a Jesus Cristo

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  • Não como canas ao vento, mas sólidos como cedros. Reflexões do Evangelho de Jesus Cristo
    2025/12/11

    Não como Canas ao vento, mas sólidos como Cedros: A Santa Violência do Reino Evangelho: Mateus, capítulo 11, versículos de 11 a 15. Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres não veio ao mundo outro maior que João Baptista. Entretanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Baptista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e são os violentos que o arrebatam. Todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se vós quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há-de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça.


    O Senhor lança um olhar sobre João Batista, aquele que preparou seus caminhos, e nos entrega uma das declarações mais impactantes sobre a grandeza humana e a novidade do Reino.

    Jesus afirma: 'Entre os nascidos de mulher, não surgiu ninguém maior que João Batista'. João é o cume da antiga aliança, o profeta de fogo que não se dobrou diante dos poderosos, a voz que clamou na solidão. Contudo, Cristo completa imediatamente com um mistério desconcertante: 'No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele'. Aqui, meus irmãos, tocamos o coração da nossa fé. A grandeza no Reino não se mede pela força humana ou pela austeridade dos profetas antigos, mas pela graça da filiação divina que Jesus nos traz. Pelo batismo, o mais pequenino de nós recebe uma dignidade que nem os maiores patriarcas ousaram sonhar: a de ser filho no Filho.

    Mas não nos enganemos. Essa graça não é um convite ao comodismo. O Evangelho de hoje traz uma frase que ecoa como um trovão: 'O Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam'. Que violência é essa? Não é a agressividade que fere o irmão, mas a fortaleza de alma que vence a própria tibieza.

    Na tradição dehoniana, o Padre Dehon nos recorda que 'as grandes obras e o Reino dos Céus não são para as canas agitadas pelo vento, mas para os cedros'. Somos chamados a ter a fibra de João. Quantas vezes nossa vida espiritual é mole, arrastada por hábitos velhos, sem coragem de romper com o que nos afasta de Deus? A 'violência' do Reino é a coragem de dizer 'não' ao pecado e 'sim' ao amor exigente de Cristo. É a força para sair da mediocridade.

    Hoje, a profecia de Isaías também nos sussurra: 'Não temas, vermezinho de Jacó... Eu te tomo pela mão'. Deus sabe que somos pequenos. Ele não pede que sejamos gigantes por nossa própria conta. Ele pede que tenhamos a ousadia de segurar Sua mão e deixar que Ele transforme nossa fraqueza em força. Ele quer fazer de nós, pobres 'vermes' da terra, instrumentos novos, capazes de trilhar montanhas.

    Que neste dia, olhemos para João Batista não apenas com admiração, mas com desejo de imitação em sua firmeza. Que deixemos de ser canas que balançam conforme a opinião do mundo, para sermos cedros plantados na casa do Senhor, violentos contra o nosso egoísmo e mansos no acolhimento da graça."

    Senhor Jesus Cristo, Rei das nações e Mestre da vida, Hoje nos colocamos diante de Vossa presença, reconhecendo a nossa pequenez. Vós, que exaltastes a figura de João Batista, mas nos destes um lugar ainda maior em Vosso Coração, Ensinai-nos a verdadeira força que conquista o Céu.

    Perdoai, Senhor, a nossa tibieza e o nosso medo de nos entregarmos inteiramente. Muitas vezes somos como canas agitadas pelo vento, inconstantes em nossos propósitos e fracos em nosso amor. Dai-nos, ó Jesus, a "santa violência" dos Vossos santos: A coragem de romper com o pecado que nos acorrenta, A força para disciplinar nossas paixões e a ousadia de Vos amar acima de tudo.

    Tomai-nos pela mão, como prometestes pelo profeta, E transformai nossa miséria em instrumento de Vossa paz. Que o nosso coração não se acomode com o mundo, mas arda com o desejo de conquistar o Vosso Reino, Não pela força das armas, mas pela potência invencível da Vossa graça.

    Vós que viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Amém.

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  • Jesus Cristo o bom pastor. O amor que não sabe contar.
    2025/12/09

    O Amor que não sabe contar: A busca pelo único

    JESUS CRISTO. O BOM PASTOR

    Evangelho segundo Mateus, capítulo 18, versículos de 12 a 14.

    Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, porventura não deixa as outras noventa e nove no monte, e vai em busca daquela que se desgarrou?E, se acontecer encontrá-la, digo-vos em verdade que se alegra mais por esta, do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus, que pereça um só destes pequeninos.

    A liturgia desta terça-feira do Advento nos traz uma mensagem profunda sobre a natureza do amor de Deus. É um amor que desafia a nossa lógica humana de eficiência e números.

    No Evangelho, Jesus nos apresenta a parábola da ovelha perdida. Ele questiona: quem de nós, tendo cem ovelhas e perdendo uma, não deixaria as noventa e nove seguras na montanha para ir buscar aquela que se extraviou? A resposta humana, talvez, fosse "não vale a pena o risco". Mas a resposta divina é o oposto.

    O comentário central da liturgia de hoje destaca que para Deus, não somos estatísticas. Não somos uma multidão sem rosto. Cada um de nós possui um valor infinito e insubstituível. O Pai não quer que nenhum, absolutamente nenhum de seus pequeninos se perca.

    É uma mensagem de imenso consolo, especialmente se hoje você se sente essa ovelha perdida — distante, confuso ou esquecido. O Evangelho garante que o Bom Pastor não está sentado esperando você voltar por conta própria; Ele já saiu à sua procura. A alegria de Deus não está em apenas manter os que já estão seguros, mas em resgatar aquele que mais precisa de ajuda agora. É um convite para nos deixarmos encontrar por essa misericórdia incansável.

    Senhor Jesus, nosso Bom Pastor.

    Nós Te louvamos hoje pelo Teu coração inquieto, que não descansa enquanto um de nós estiver longe. Obrigado, Senhor, porque o Teu amor não faz cálculos matemáticos, mas enxerga o valor único da minha alma.

    Perdoa-me pelas vezes em que me afastei do rebanho, seduzido por caminhos que pareciam mais fáceis, mas que me levaram à solidão. E perdoa-me também quando, estando seguro entre as noventa e nove, julguei com indiferença quem estava perdido lá fora.

    Neste Advento, eu Te peço: vem ao meu encontro onde eu estiver agora. Se eu estiver perdido nos meus medos, nas minhas dúvidas ou nos meus pecados, carrega-me em Teus ombros. Que eu possa sentir a alegria do Teu abraço e a segurança de voltar para casa.

    Ensina-me a ter esse mesmo olhar de misericórdia para com meus irmãos que estão afastados.

    Nós confiamos em Ti, Jesus, o Pastor que dá a vida por suas ovelhas.

    Amém.


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