『CAMILLE CLAUDEL · 2 · O Ateliê Onde Ninguém Esperava uma Mulher』のカバーアート

CAMILLE CLAUDEL · 2 · O Ateliê Onde Ninguém Esperava uma Mulher

CAMILLE CLAUDEL · 2 · O Ateliê Onde Ninguém Esperava uma Mulher

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Antes de ser trancafiada em vida dentro de um asilo psiquiátrico, antes de seu nome se dissolver sob a sombra do homem que chamariam de pai da escultura moderna, houve uma menina de doze anos em Fère-en-Tardenois, um vilarejo da região de Champagne, na França, que amassava argila com uma obstinação que incomodava os adultos. Não modelava bonecas nem animais de fazenda. Modelava rostos que havia visto uma única vez, com uma exatidão imprópria para a sua idade. Quando a família se mudou para Nogent-sur-Seine, o escultor local Alfred Boucher a viu trabalhar e disse ao pai dela algo que nenhuma convenção da França de mil oitocentos e setenta aconselhava ouvir: que sua filha tinha verdadeiro talento, e não um passatempo de mocinha. Louis-Prosper Claudel, funcionário da receita sem fortuna nem contatos no mundo da arte, acreditou nele e pagou do próprio bolso as aulas que Boucher aceitou lhe dar. Sua mãe não compartilhava do entusiasmo. Louise-Athénaïse Cerveaux considerava a escultura uma ocupação indecorosa para uma moça e proibiu que a argila entrasse nos cômodos principais da casa; Camille trabalhava num galpão, com as mãos rachadas pelo frio do inverno. Aos dezenove anos, em mil oitocentos e oitenta e um, a família se transferiu para Paris e ela se matriculou na Académie Colarossi, um dos poucos espaços que aceitavam mulheres, pois a École des Beaux-Arts, a instituição que formava os escultores da França, lhes vetava o ingresso formal. Foi Boucher quem, sem saber, a colocou no caminho de seu destino. Quando ganhou uma bolsa que o obrigou a viajar para Roma, por volta de mil oitocentos e oitenta e dois ou mil oitocentos e oitenta e três, pediu a um amigo que supervisionasse suas alunas durante sua ausência. Esse amigo tinha então mais de quarenta anos e uma reputação que começava a cruzar fronteiras: Auguste Rodin. Ele não demorou a perceber que Camille não era uma aluna qualquer. Encarregou-a de trabalhar diretamente na modelagem de mãos e pés para As Portas do Inferno, a obra que ocuparia seu ateliê por décadas, e a incorporou ao seu círculo de colaboradores de confiança — a mesma prática de ateliê sem assinatura que definiria toda a sua carreira sob a sombra dele. Durante quase dez anos, essa proximidade tornou-se também romance. E nasceu desigual desde o primeiro dia: ele, celebridade com encomendas do Estado francês e uma fama que crescia a cada ano; ela, uma jovem sem nome próprio em nenhum catálogo, dependente do ateliê dele para ter acesso a ferramentas, bronze e à validação que nenhuma mulher de sua geração conseguia por conta própria. Houve um detalhe que jamais mudou, nem naqueles anos nem depois. Rodin vivia, desde antes de conhecer Camille, com Rose Beuret, a mulher que lhe havia dado um filho e que o acompanharia por mais de cinco décadas sem jamais constar em um catálogo de museu. Rodin nunca a deixou. Casou-se com ela em mil novecentos e dezessete, semanas antes de morrer, quando Rose também agonizava. Camille, apesar da intensidade daqueles anos compartilhados, jamais ocupou um lugar reconhecido na vida pública de Rodin. Nem esposa, nem colaboradora creditada. Uma presença que existia e não existia ao mesmo tempo, exatamente como praticienne em seu ateliê. E, no entanto, há uma frase atribuída a Rodin, citada em inúmeras biografias sobre Claudel, que resume melhor do que qualquer análise posterior o paradoxo por inteiro: «Ensinei-lhe onde encontrar ouro, mas o ouro que ela encontra é inteiramente seu.» É uma frase de admiração genuína. É também a frase de um mestre que sabe exatamente quanto vale o que tem por perto e que não fará nada para que o mundo o saiba pelo mesmo nome. Porque ali, naquele ateliê, fabricavam-se ao mesmo tempo o gênio de Camille Claudel e a sua condenação. Cada peça em que ela trabalhava sem assinar alimentava a reputação de um homem que já não precisava de mais reputação. Cada ano ao lado dele a aproximava mais do ouro e a afastava mais do reconhecimento de que esse ouro lhe pertencia. O mesmo vínculo que lhe deu acesso a tudo o que uma mulher de sua época não conseguia sozinha é o que, nos anos seguintes, começará a fechar cada porta que ela tentar abrir por si mesma. Como se passa de mão direita do escultor mais célebre da Europa a mulher por quem esse mesmo homem não moverá um dedo para proteger? Você acabou de ouvir um dossiê da ORIGINS, um podcast documental. A voz foi criada com inteligência artificial; nenhuma gravação real foi utilizada. Cada história nasce de uma investigação profunda.
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