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Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação

Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação

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A Alemanha registrou um número recorde de denúncias de discriminação em 2025. Os dados recém-divulgados apontam para um cenário de aumento geral nos registros de racismo, preconceito de gênero, religião ou contra pessoas com deficiência. Foram 15% mais ocorrências em relação ao ano anterior e mais que o triplo do total registrado em 2019. O relatório é publicado no momento em que o país debate uma reforma de sua Lei Antidiscriminação, que completa 20 anos. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf O relatório relativo a 2025 foi divulgado há poucos dias pela Agência Federal Antidiscriminação da Alemanha, órgão estatal independente do governo. A informação mais relevante é o número de pessoas que registraram casos em que acreditam ter sido vítimas de discriminação. Trata-se de um recorde da série histórica, que vem crescendo ano a ano desde 2019. O cenário mais amplo no tempo mostra que este número total triplicou entre 2019 e 2026. No ano passado, foram registradas 13.067 denúncias. A mais frequente é a discriminação racial, que representa 43% do total. Em segundo lugar, com 27%, vem a discriminação com base em deficiência ou doença crônica. Em terceiro aparece a discriminação com base em gênero, com 22% de queixas. Ainda completam a lista, com menor incidência, a discriminação por idade, por religião e por identidade sexual. Os números também mostram onde essas discriminações ocorrem. Em primeiro lugar, de forma isolada, estão situações relacionadas ao trabalho, como anúncios de emprego discriminatórios, candidaturas rejeitadas ou assédio moral no ambiente profissional. Em seguida, aparecem casos ligados ao acesso a bens e serviços, à saúde, à assistência e até às interações com órgãos governamentais. “Racismo está se enraizando” A comissária federal antidiscriminação, Ferda Ataman, diz que os dados de 2025 refletem um endurecimento do racismo na Alemanha, onde "atitudes racistas estão se enraizando na sociedade”. A agência não entra em detalhes sobre as possíveis causas do fenômeno, mas há muitas pistas no novo contexto sóciopolítico do país. Para começar, o país está mais diverso do que nunca. Mais de um quarto da população é imigrante ou filha de imigrante. Isso representa 22 milhões de pessoas em um total de 83 milhões, ou 26% da população. Outro fator é a política mais radicalizada. O partido líder nas pesquisas de intenções de votos hoje é o Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem um discurso abertamente contra os estrangeiros. Existe ainda o fator de maior conscientização, que leva a um número maior de notificações. Com o passar do tempo, mais gente fica sabendo da existência da agência e da lei antidiscriminação, e mais pessoas passam a perceber que foram vítimas. Vale destacar que os 13 mil casos se referem a denúncias e não implicam, necessariamente, a confirmação de discriminação. Menina de 11 anos Entre os 13 mil casos registrados pela agência está o de uma menina negra de 11 anos que comprou um sorvete. A vendedora se recusou a lhe dar o troco e disse: “Não confio em pessoas como você”, entregando o troco à amiga dela, que estava ao lado. Outro caso que se tornou conhecido é o da professora Humaira Waseem, que é nascida na Alemanha e de origem paquistanesa. Ela telefonou para uma agência imobiliária pedindo uma visita a um apartamento que queria alugar, e foi recusada. O argumento é de que não haveria mais horários disponíveis. Em seguida, ela telefonou de novo, agora se apresentando com um nome alemão fictício, Julia Schneider, e teve um horário de visita marcado na hora. Ela repetiu o mesmo teste com outros anúncios de apartamento para alugar, sempre com o mesmo resultado. A professora acionou a lei antidiscriminação contra uma das imobiliárias, que foi condenada a pagar € 3000 de indenização. A decisão do tribunal aconteceu em fevereiro deste ano e abriu um precedente, indicando que, a partir de agora, é legalmente possível usar testes para verificar se alguém foi rejeitado por causa do seu nome, ou seja, da sua origem. Reforma na lei A lei antidiscriminação está completando 20 anos. Ela foi implementada em 2006 por pressão da União Europeia, já que na época a Alemanha era um dos últimos países a não ter uma lei desse tipo. A reforma atual proposta pela coalizão dos partidos que estão no poder, CDU e SPD, propõe alguns ajustes, como a ampliação do prazo para apresentar denúncias de três para cinco meses, o que ainda é muito abaixo de outros países da União Europeia, que oferecem até 5 anos. A reforma é bastante criticada, inclusive pela própria Agência Federal Antidiscriminação, justamente por ser tímida demais. Para citar um exemplo, um dos principais problemas da lei não deve ser modificado, que é o fato de órgãos públicos não poderem ser processados com base nela, mesmo que uma grande...
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