#26 | A Morte de Artemio Cruz, de Carlos Fuentes
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Em A Morte de Artemio Cruz (1962), Carlos Fuentes acompanha as últimas horas de um magnata mexicano que, moribundo, revisita sua trajetória de jovem revolucionário a oligarca corrupto. Encerrando o bloco, Erik Chiconelli Gomes lê o romance como uma análise de como o conhecimento jurídico pode servir tanto à transformação quanto à perpetuação das injustiças. A Literatura expõe o advogado-empresário que converte a reforma agrária em reconcentração de terras e a corrupção em um sistema jurídico paralelo, com regras e hierarquias próprias. A leitura conecta Fuentes aos dilemas brasileiros sobre função social da propriedade, corrupção sistêmica e, sobretudo, à ética da advocacia — tema caro à OAB-SP. No encontro entre Direito e Literatura, a obra interpela cada jurista: a competência técnica, divorciada do compromisso com a justiça, pode tornar-se instrumento sofisticado de desigualdade.