#127 - O Dia em que o mercado imobiliário virou um call center
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O Tempo das Baias, das Listas e do Telefone: O Modelo de Vendas Imobiliárias que Tentou se Impor no Brasil
Lembro claramente de uma conversa aparentemente simples, daquelas que acontecem sem pretensão, em frente a uma loja, enquanto tomávamos aquele cafezinho “de graça” que toda imobiliária oferece.
Um colega que havia trabalhado comigo decidiu sair da empresa e ingressar em uma daquelas imobiliárias gigantes, estruturas que sempre impressionaram pelo tamanho, pelo volume e pela promessa de resultados em escala. Curioso — como todo corretor que leva a profissão a sério — perguntei como funcionava o dia a dia por lá.
A resposta me marcou.
Ele descreveu a loja: cerca de 30 metros de profundidade, de ponta a ponta ocupada por baias de atendimento, todas preenchidas por corretores. Um verdadeiro “call center imobiliário”. Segundo ele, isso acontecia por volta de 2008, e a empresa fornecia listas de telefones com contatos de pessoas. O trabalho era simples na teoria, exaustivo na prática: ligar, ligar e ligar, oferecendo algum produto imobiliário.
Naquele momento, me dei conta de que aquele modelo dizia muito mais sobre a tentativa de industrializar a venda de imóveis do que sobre o mercado imobiliário em si.