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Após semanas de crise, governo boliviano abre canal de diálogo com centrais sindicais

Após semanas de crise, governo boliviano abre canal de diálogo com centrais sindicais

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A Bolívia enfrenta uma prolongada onda de protestos que já dura semanas e pressiona o governo do presidente Rodrigo Paz. Com bloqueios, mobilizações e desgaste crescente nas ruas, diferentes setores sociais começam a sinalizar abertura para negociações em meio à crise política. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, informou que representantes da Central Obrera Boliviana (COB), principal organização sindical do país, são esperados na manhã desta quarta-feira na sede da Presidência, para iniciar um diálogo.

Pedro Pannunzio, em La Paz

Na sétima semana de protestos, as manifestações na Bolívia dão sinais de desgaste, enquanto importantes organizações começam a se abrir ao diálogo com o presidente Rodrigo Paz. Desde o início de maio, diferentes grupos exigem a renúncia do mandatário.

Na terça-feira (16), a Central Obrera Departamental (COD) de Santa Cruz, braço político da COB no Estado, reuniu-se com Paz para discutir a crise boliviana. Após o encontro com dirigentes da COD de Santa Cruz, o presidente anunciou que visitará o Estado nas próximas semanas para se reunir com representantes da entidade e de outros setores produtivos, com o objetivo de discutir demandas específicas da região.

“Peço à Central Obrera Departamental de Santa Cruz e às demais centrais operárias do país que mantenham o diálogo. Para aqueles que não desejam dialogar, existe a Constituição e a lei”, afirmou o presidente.

Mais tarde, a COB enviou uma carta ao governo com uma série de reivindicações. Entre elas, a defesa da soberania econômica e das empresas públicas, com oposição a qualquer processo de privatização.

A entidade também pede a proibição da participação de empresas transnacionais na gestão de recursos estratégicos do Estado e rejeita condicionantes financeiras impostas por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Promessas de campanha não cumpridas

Os sindicatos ainda cobram o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral e exigem garantias para suas organizações e para a pacificação do país. A pauta inclui a rejeição aos projetos de lei antibloqueios, a revogação de normas que consideram restritivas ao direito de mobilização e o fim de acusações generalizadas de terrorismo e narcotráfico contra organizações sociais sem apresentação de provas. A carta também pede a libertação de pessoas detidas durante os conflitos.

O chanceler Fernando Aramayo elogiou o chamado ao diálogo feito pela COB e afirmou que a decisão representa um sinal de “maturidade política e democrática”.

Diálogo adia estado de emergência

Na semana passada, Rodrigo Paz sancionou uma lei que regulamenta o estado de exceção no país, após o Congresso aprovar em tramitação acelerada o projeto. Havia expectativa de que o presidente decretasse estado de emergência, o que abriria espaço para a atuação das Forças Armadas na contenção dos protestos.

Durante a cerimônia de sanção da lei, Paz enviou um recado aos militares, afirmando que as Forças Armadas deveriam agir com firmeza, mas respeitando os direitos humanos.

Apesar das expectativas, o presidente não decretou o estado de sítio e optou por apostar no desgaste gradual das organizações mobilizadas. A estratégia parece começar a produzir resultados.

Depois de semanas com mais de 100 pontos de bloqueio, a Bolívia registrava, na noite de terça-feira, 47 bloqueios nas estradas do país.

Crise de abastecimento

Apesar da redução da tensão, La Paz, sede do governo, ainda enfrenta desabastecimento severo e mantém alguns pontos de bloqueio.

O desabastecimento continua a afetar a rotina dos moradores. Filas para a compra de produtos básicos permanecem comuns em diferentes regiões da cidade. Nos postos de combustível, motoristas seguem enfrentando longas esperas e, em muitos casos, passam a noite nas filas para conseguir abastecer.

A inflação permanece como uma das principais preocupações dos moradores da cidade.

Na terça-feira, autoridades locais organizaram uma venda de frango a preços subsidiados. O resultado foi a formação de longas filas e a frustração de consumidores que deixaram o local sem conseguir adquirir o produto. Houve confusão entre moradores, e a polícia interveio.

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