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Premiado na França, curta-metragem ‘Crônicas Marginais’ mostra como a Rocinha se reinventa pelo cinema

Premiado na França, curta-metragem ‘Crônicas Marginais’ mostra como a Rocinha se reinventa pelo cinema

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概要

A trajetória da Academia de Cinema da Rocinha (ACR) ganhou projeção internacional com a exibição do curta “Crônicas Marginais” no Festival Cinéma de Femmes d’Amérique du Sud, mostra realizada todo mês de março em Paris, dedicada a destacar o trabalho de diretoras sul‑americanas. Eleito o melhor curta-metragem do festival, o filme integrou uma programação que reuniu cerca de 80 produções, entre curtas e longas de países como Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia, México, Peru e Paraguai. Para o cineasta Marcos Braz, idealizador e cofundador da escola carioca, estar na capital francesa apresentando um filme feito por moradores da comunidade simboliza uma virada histórica na forma como a Rocinha é vista – e como se vê a si mesma. “Foi incrível poder sair um pouquinho da nossa zona de conforto”, contou Marcos à RFI. “Sempre apresentamos o filme em contextos de favela, em lugares de favela. Quando atravessamos para outro lugar, principalmente numa mostra competitiva, encontramos projetos incríveis, e isso foi um momento desafiador e de grande aprendizado.” Ao relembrar sua infância na Rocinha nos anos 1980, Marcos destaca o peso dos estigmas: “Nós éramos considerados pessoas perigosas só por morar naquele lugar. O estereótipo nos acompanhou durante muitos anos”. Segundo ele, o audiovisual foi decisivo para transformar esse olhar. Primeiro, quando começou a trabalhar como jornalista de TV; depois, com a criação da ACR. “A escola veio nesse lugar de transformar visibilidade em narrativa. O que só a gente via ali, agora chega ao mundo, inclusive aqui em Paris”, diz o realizador, com um largo sorriso no rosto. Mutirão de cinema O processo de criação de “Crônicas Marginais” traduz, em forma audiovisual, a filosofia colaborativa da Academia de Cinema da Rocinha. Ao contrário da lógica comum do “curta de guerrilha”, com equipes pequenas e baixo orçamento, a escola mobilizou mais de 70 pessoas, entre alunos, moradores que atuaram como figurantes e profissionais voluntários do mercado audiovisual. Marcos explica como o filme nasceu de oito histórias criadas por alunos da primeira turma da Academia. “Os estudantes estavam concorrendo a um recurso que recebemos da Marieta Severo. Mas eles disseram: por que não pegar um pedaço de cada história e transformar num único curta?” Assim surgiu a “gincana criativa” que resultou no roteiro final. O método de criação cinematográfica coletiva foi inspirado nos próprios mutirões das favelas. “A forma comunitária que usamos na Academia vem das construções da favela. Para chegar água, para chegar luz, tudo era mutirão. Então batizamos de ‘mutirão de roteiro’: onde um tem dificuldade, o grupo inteiro ajuda”, destaca. O cineasta fez questão de sublinhar que nem todos os alunos que participaram do projeto tinham um grau de educação formal. “Geralmente, a pessoa que chega em uma escola de cinema tem que ter um nível médio, uma escolaridade mínima universitária. Nós aceitamos pessoas com baixa escolaridade. Em alguns casos, baixíssima escolaridade.” A filmagem envolveu quatro diárias de gravação, cenas nas ruas e em quatro diferentes locações da comunidade, especialmente num anfiteatro abandonado, onde foi registrada “a cena mais linda, a do pianista palhaço”, nas palavras de Marcos. A presença de profissionais experientes, que vieram de grandes produções de plataformas como Netflix e Globoplay, reforçou o caráter pedagógico do projeto. “Ali no set era tudo muito caloroso. Era educação na prática. Ver aqueles profissionais circulando normalmente na comunidade era impensável nos anos 1980.” Como resultado, os alunos não apenas finalizaram o filme, mas também conquistaram novos caminhos. “De 30 alunos, surgiram 30 oportunidades profissionais. Cinco foram trabalhar em filmes para streaming e alguns no cinema. Isso tem uma relevância muito grande para a gente.” A montagem, concluída somente na 19ª versão, também foi uma escola em si. “Eles nunca tinham visto uma ilha de edição. Mas puderam criar sem muito pudor. Por mais que tivesse uma técnica, os alunos tiveram liberdade artística suficiente para expressar as suas realidades. Queriam até atuar em suas próprias histórias!”, relembra Marcos. Apoio da atriz Marieta Severo Responsável pela produção, Dani Castro viu de perto as dimensões práticas e afetivas do desafio. O primeiro foi conseguir apoio financeiro. A atriz Marieta Severo forneceu o principal apoio financeiro à produção. Depois veio a etapa mais difícil: coordenar dezenas de alunos e supervisores, além de buscar equipamentos emprestados, sempre que possível. “Fazemos cinema de verdade com câmera, lente, som, mas sempre correndo atrás. Nós não temos equipamentos na escola.” Para Dani, o trabalho revelou também algo sobre a própria atividade: poucos alunos quiseram trabalhar em ...
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